Foi difícil dormir aquela noite.

Astoria ficava imaginando o estrago que uma filha de Lord Voldemort poderia causar, principalmente quando a garota era uma obscurial.

Deveria sentir medo, mas na realidade sentia pena da garota.

Obscuriais não sobreviviam por muito tempo. Uma hora ou outra, o obscurus dentro dela a consumiria e a mataria. A única pessoa que já tinha ouvido falar que já tinha lidado com um obscurial mais velho tinha sido Newt Scamander durante a extensa guerra contra Grindelwald.

Só de pensar em pedir ajuda ao magizoologista, lembrou-se do professor Kettleburn de Trato das Criaturas Mágicas. Magizoologistas no geral sempre morriam por ataque das criaturas que tanto protegiam. Não seria correto um bruxo de idade naquela história.

Mas o que ela estava falando, afinal?

Quando os inomináveis abrissem o portal e elas voltassem para os seus mundos, a garota sem nome voltaria para o mundo dela, de volta ao lado de Voldemort. Não havia nada que pudessem fazer em relação a isso.

Considerou que seria melhor apagar a sua memória, mas o bruxo era poderoso o suficiente para recuperá-las. Se bem que... Ele seria capaz de torturar àquela que considerava como uma filha para conseguir o que almejava?

Não duvidava disso. Ele tinha perdido a sua humanidade havia muito tempo.

Era tão irônico que ele tentasse matar um dos irmãos e acolhesse a outra tão perto dele. Seria muito bom se a garota percebesse o que estava acontecendo, mas se pôs em seu lugar.

Como ela se aproximaria de Dumbledore se não estudava em Hogwarts?

A não ser que retornassem pelo Departamento de Mistérios de seus mundos.

E ela nem sabia se a garota era forte o suficiente para jogar de espiã dupla. Ela só tinha 15 anos.

Aquela viagem tinha sido o atestado de óbito dela, se não fizessem alguma coisa.

Quando conseguiu dormir, sonhou com a sua mãe.

Não a sua mãe, na verdade.

Ela era tão linda. Loira dos olhos azuis, não tinha mesmo como ser a sua mãe. Segurava Astoria em seu colo, parecendo assustada, como se estivesse fugindo de alguém.

E então o sonho mudou antes que uma sombra se aproximasse delas.

Ela sentia frio. Muito frio. Pôs as mãos em seus braços, tentando esquentar-se.

Viu um dementador aproximar-se dela, mas ele passou direto, como se ela não estivesse lá. Como se ela fosse uma fantasma. Ou como se ela estivesse vendo memórias de outra pessoa em uma penseira.

Não, ela não era legilimente como Jilian.

E então viu uma garota miúda passar. Parecia a Dama Cinzenta em uma versão mais infantil. Os olhos verdes tinham uma falta de brilho que nem mesmo ela estava acostumada a ver, os cabelos negros quase ultrapassavam a sua cintura. Ela estava sem sapatos e vestia um vestido cinza liso, como se ao transformar-se em obscurus, ela rasgasse as suas roupas.

Um auror aproximou-se dela, gritando algo que não conseguiu escutar. Ela parecia uma prisioneira de Azkaban.

Azkaban.

As paredes de pedra.

Os dementadores.

Os aurores.

Ela estava em Azkaban.

Mas por que essa informação a interessava?

De repente, os braços e as pernas da garota foram tomados por uma fumaça escura e densa. Outro auror gritou, correndo na direção do colega. Podia imaginá-lo mandando o outro fugir.

A fumaça bateu com força em uma parede, derrubando-a.

Um dementador foi na direção do auror caído, descendo o seu capuz, levantando o seu queixo...

Ela acordou sobressaltada.

Que sonho horrível!

Puxou o edredom para mais perto de seu corpo, estremecendo. Era como se ela tivesse estado lá fisicamente, como se os dementadores tivessem acabado de passar pelo quarto...

Todas as garotas ainda dormiam, apesar do sol já ter nascido.

Ela tinha a impressão de que Amber e Jilian eram bem madrugadeiras, mas que sentido fazia acordar antes de todos e não ter o que fazer?

Mas não queria voltar a sonhar. Não sabia se conseguiria, de qualquer forma.

Toda a casa parecia ainda dormir, com exceção de uma mulher ruiva que estava cozinhando enquanto Lupin e o Sr Weasley tomavam uma xícara do que parecia ser café e conversavam em um tom baixo.

— Bom dia, Astoria — foi o Sr Weasley quem notou a sua presença.

— Dia — respondeu.

— Está com fome, querida? — supôs que a mulher era a Srª Weasley.

Na verdade tinha o estômago embrulhado.

— Eu tô bem — disse, molhando os lábios com a língua para o que diria — Vai ser hoje.

— O que será hoje? — perguntou Remus, tomando mais um gole de sua xícara.

Esperou-o pô-la de volta ao pires.

— A fuga em massa de Azkaban — foi direta.

Os adultos pararam de fazer o que estavam fazendo para olhá-la.

— Do que está falando, querida? — perguntou a Srª Weasley, preocupada.

— A obscurial vai à noite até Azkaban para libertar os Comensais da Morte — disse Astoria.

— E como você sabe disso? — o Sr Weasley trocou um olhar com a esposa.

Eles não sabiam que estiveram escutando a reunião através do aparato bizarro dos gêmeos.

— Eu vi — ela era de poucas palavras.

— Você tem visões, Astoria? — perguntou Remus com serenidade.

— Do mesmo jeito que a Scarlet aparata, a Jilian lê mentes e a Amber não precisa de uma varinha — retrucou — Eu sempre sonhei coisas que aconteciam exatamente do mesmo jeito naquele dia, mas quando eu cresci, parou de acontecer.

— Snape não vai aceitar a palavra dela — Sr Weasley comentou em um tom baixo com Remus.

O diretor da sua casa podia ser um pé no saco.

Principalmente sabendo que ela era parente daquele garoto que ele simplesmente odiava.

— Obrigada por nos avisar — a Srª Weasley elevou o tom de voz para que os outros dois se calassem — Sente-se, eu vou fazer algo para você.

— Não precisa, tô sem fome — ela desencostou do batente da porta e saiu da cozinha antes que pudessem argumentar.

Acabou por se refugiar na biblioteca.

Ela sabia reconhecer um bom lugar de refúgio quando via um. Tanto em Hogwarts quanto em casa ela tentava fugir das pessoas, Daphne principalmente.

Ginny também passou a fugir das pessoas depois do acontecimento na Câmara Secreta. As pessoas cochichavam sobre como ela tinha sido idiota por escrever em um diário que a respondia sem desconfiar, como tinha posto a vida de tantos alunos em risco. Astoria viu até mesmo Justin da Hufflepuff fugir dela quando a via pelo corredor.

Patéticos.

Foi assim que elas se aproximaram.

Enquanto ela se sentia insuficiente por causa de seu sangue, Ginny se sentia insuficiente por ter tantos irmãos. Sabia que era a filha mais desejada, mas era a caçula, seus irmãos não a deixavam jogar quadribol com eles, sua mãe praticamente ditava como ela deveria se portar. Tinha muitas expectativas em cima dela, expectativas que não correspondiam com quem ela era.

Um probleminha de autoestima.

Então tinha passado de irmã bastarda para irmã adotada. Deveria considerar aquilo uma evolução.

— A Srª Weasley insistiu para que eu trouxesse pra você.

Jilian pôs uma bandeja de comida na mesinha de centro desocupada da biblioteca, sentando-se na poltrona à frente do sofá em que ela estava recostada, lendo algum livro sobre política bruxa.

— Eu não tô com fome — disse Astoria.

— Hermione veio falar comigo — ela ignorou a sua fala — Ela queria que todos nos reuníssemos para conversar um pouco, para que Harry nos conheça.

— Pra quê?

Jilian suspirou.

— Ele não tem uma irmã aqui — ela disse.

— E como nos conhecer pode ajudá-lo? Eu quero dizer... Não vamos poder aparecer por aqui quando ele pedir a nossa ajuda. Não vamos poder criar laços com ele porque sequer sabemos se hoje à noite a Ordem vai conseguir aquela garota e...

— Hoje à noite?

Contou rapidamente sobre o seu sonho e sobre como tinha alertado a Remus e Arthur sobre aquilo antes de lembrar-se que ela podia ler a sua mente. Era fácil de se esquecer, já que na maior parte do tempo ela era delicada o suficiente para deixar as pessoas falarem, por mais que demorasse mais.

— Deveríamos fazer alguma coisa.

Scarlet tinha entrado na biblioteca e escutado o que ela disse.

— E o que nós podemos fazer? — perguntou Jilian — Ninguém da Ordem vai nos deixar ajudar.

— Eu posso aparatar — ela lembrou-as.

— Não acho que eles vão ter escolha — disse Astoria — Que plano tão bom é esse que faça com que eles entrem em Azkaban sem o Ministério desconfiar?

— Eu te digo o plano: eu aparato com eles lá. Os dementadores já vão distrair os aurores, eles não terão como prestar atenção na gente — replicou Scarlet — Se a Amber for comigo, ela pode usar magia para ajudar.

— Seria bom se tivéssemos uma animaga entre nós. Poderia distrair a obscurial.

Ficaram por alguns segundos em silêncio, pensativas.

Amber entrou na sala enquanto estavam assim.

— Você por acaso consegue se transformar em animaga? — perguntou Jilian.

— Quem sabe a Amy Potter da sétima dimensão consegue — ela respondeu, brincando.

— Sabe o que dizem, sete é um número mágico — sorriu Astoria.

— Planejando uma fuga? — perguntou Amber.

— Algo assim.

— Nós vamos perguntar a eles? Porque não acho que vão aceitar — disse Jilian, indo contra o que Astoria afirmou anteriormente.

Era complicado.

Sentiam que deveriam interferir ou a garota continuaria do lado de Voldemort. Mas seria bom interferir? Deveriam mesmo? A Ordem permitiria isso?

— Eles estão na sala de estar — Amber repentinamente decidiu dizer o que a levou até lá.

Não estava falando da Ordem.

Astoria continuava pensando que aquela ideia era descabida, mas seguiu-as até o andar de baixo.

Jilian voltou a pegar a bandeja, que jazia na mesinha de centro intocada, com habilidade para levá-la com elas.

— Você vai tentar juntar Remus e Tonks quando voltar ao seu universo? — Amber puxou assunto com a morena.

— Não tenha dúvidas disso — ela sorriu, olhando para o chão.

Astoria não tinha ideia de como elas se lembravam de coisas que se passaram outro dia e falavam como se tivesse sido há um segundo.

Hermione lia um livro enquanto todo o restante conversava sobre quadribol.

George foi o primeiro a notá-las.

— E aí — ele cumprimentou-as.

Hermione fechou o livro que estava lendo.

Astoria imaginou se em algum universo ela seria a irmã do Harry que foi adotada no orfanato por uma família trouxa, ao contrário de Scarlet que fugiu ou a outra garota que ficou até ser resgatada por um bruxo das trevas.

Quem sabe em algum lugar Dumbledore tivesse feito as coisas do jeito certo.

— E aí, Fred — Scarlet foi para perto de Ginny, ignorando o olhar indignado de George.

Ela fez de propósito.

Sabia reconhecê-los melhor do que ninguém.

Fred tinha o tom de voz mais grosso, ele tinha uma aura de liderança e era o mais galanteador dos dois. As pessoas inconscientemente se aproximavam dele, mesmo sem saber diferenciá-los. Havia algo no nariz e no queixo que também os diferenciava, mas isso ela não sabia explicar.

Já George era mais cavalheiro e um pouco mais tímido. Pelo menos ela o via dessa forma.

— Chamou, Granger? — Astoria perguntou retoricamente, sentando-se mais afastada do grupo.

Rony e Harry olharam interrogativos para a amiga, que fingiu que não viu.

— Eu notei que vocês estavam afastadas da gente e não tem necessidade, sabe — disse Hermione — Sirius é o dono da casa e tenho certeza de que ele disse para se sentirem à vontade.

— Se sentir à vontade? Ele disse isso? — repetiu Amber, soltando um sorriso irônico — Você esquece que eu cresci com a melhor amiga dos meus pais, que era namorada do Sirius. Eu sei que ele odeia essa casa e tudo que o faz lembrar da infância dele aqui.

— Não, eu não sabia. Ele não fala muito sobre essas coisas. Na verdade, Harry não sabe quase nada sobre os pais dele.

Jilian desencostou da cristaleira.

— Quase nada? — ela sibilou.

Ela teria uma conversinha com Remus antes de ir embora.

— Talvez vocês possam contar algo a ele — Hermione sugeriu.

— Eu cresci em um orfanato e Astoria achava que era uma Greengrass — Scarlet disse — As únicas que podem dizer algo são Amber e Jilian.

— Eu não acho que somos as pessoas certas para fazer isso — pronunciou-se Amber — Viemos de realidades diferentes, não temos como saber o que aconteceu de diferente.

— O que de tão diferente pode ter? — perguntou Hermione.

— Cedric tá vivo — Jilian retrucou.

— Marlene tá viva.

— Astoria tá morta — e a dita cuja prosseguiu sob o olhar confuso dos garotos — Olha, nós não contamos cada detalhe das nossas vidas para comparar o que estava igual e o que não.

— Mas por que não? — Rony indignou-se, como se esse fosse um passatempo incrível.

— Porque conversamos sobre outras coisas — respondeu Scarlet.

— Tipo o quê? — perguntou Fred, levantando uma sobrancelha.

Ela engoliu em seco.

As outras Potters não tiveram uma reação diferente.

— Coisas de garotas — Amber deu o corte no assunto, cruzando os braços.

— Como é possível que vocês existam? — perguntou Harry.

A pergunta foi carregada de tanto sentimento que nem mesmo os gêmeos foram capazes de fazer piada.

— Bom, todas nós nascemos no mesmo dia que você — começou Amber — No meu universo, Marlene McKinnon não morreu...

E então elas contaram sobre quem elas eram.

Com quem viveram naquele tempo.

E Harry acabou contando sobre as suas aventuras para Amber, que não sabia de nada, e alguns detalhes que Jilian e Astoria não sabiam por serem de casas diferentes e não tão próximas do seu grupo de amigos.

Essa conversa tomou um certo tempo e os Weasleys e Hermione não quiseram interromper muito aquele momento.

— Você se põe demais em risco — concluiu Amber.

— Bom, eu pelo menos nunca viajei pelo multiverso — ele tentou defender-se.

— A culpa não foi nossa — retrucou Scarlet.

— Já sabem o que as trouxe até aqui? — perguntou Ginny.

— O que eu sei é que Dumbledore ficou responsável por mim e por Astoria — disse Amber — Que eu saiba, quando os inomináveis descobrirem a fonte do problema, nos levarão de volta aos nossos universos.

— Parece o tipo de coisa que eles fazem — comentou Rony.

— Ninguém sabe o que os inomináveis fazem — Hermione revirou os olhos — É confidencial.

— Bom, viagens em universos parece algo confidencial — ele defendeu-se.

Ginny resmungou algo como "Vai começar".

— Talvez existam eventos naturais que mexam com as realidades — sugeriu Astoria.

— Um acidente? — Jilian expressou sua discordância em seu tom de voz.

Quando a noite caiu, a Srª Weasley os expulsou da sala de estar e mandou que fossem todos para cima, já que a Ordem chegaria para uma reunião em breve.

— E agora? — perguntou Jilian às garotas.

Scarlet deu de ombros.

A Ordem pôs uma proteção na porta para que os adolescentes não pudessem escutar daquela vez, mas Amber como avaradora retirou essa proteção com relativa facilidade.

— Legal — sussurrou Rony, ao vê-la trabalhar.

Hermione a olhava desaprovadora, mas se amontou com eles para escutar através da orelha o que diziam.

Vamos mesmo basear toda uma operação de risco nas palavras de uma garota de 14 anos? — Snape cuspiu.

Simpático como sempre.

Harry também teve sonhos que se concretizaram — Tonks defendeu-a.

É muito perigoso que a garota continue em posse de Voldemort — disse Moody — Quantas informações ela já passou? E se ela lhe contou sobre a profecia?

Por que assumem que ela está com ele? — perguntou a Srª Weasley — É só uma menina!

É uma obscurial da qual não sabemos nada — retrucou Snape — Apenas supomos que seja uma Potter, como as outras quatro.

A razão pela qual estão todas aqui — disse Dumbledore —, se minhas conjecturas estão corretas. A garota é a resposta das nossas perguntas.

Albus, mas e se a garota realmente estiver do lado dele? — a voz grossa de Kingsley perguntou — Como ela retornará para seu universo com todas as informações?

Primeiro pensamos em como obtê-la e depois no que faremos, que tal? — sugeriu Sirius.

Escutaram alguns sons mudos de acordo.

Qual é o plano então? — perguntou Snape com ironia.

Inspeção do Ministério — respondeu Tonks.

Irão apenas você e Kingsley? — o Sr Weasley demonstrou preocupação.

Talvez a garota possa ajudar.

Todos ficaram em silêncio diante da sugestão de Moody.

Que garota? — Srª Weasley estava claramente procurando manter-se calma.

Uma delas não pode aparatar independente da locação? Seria muito útil para a nossa operação — disse Moody.

Scarlet olhou desacreditada para as irmãs.

Elas nem precisaram entrar na reunião.

Absolutamente não! — exclamou a Srª Weasley.

É a melhor opção que temos — teimou Moody.

Concordo — Snape pronunciou-se.

A minha filha não!

Amber percebeu Scarlet esconder o rosto dos outros para que não vissem o quão emocionada ficou.

Ela não é a sua filha — Snape retrucou — Ela sequer existe em nosso universo.

Então devemos descartá-la? — Sr Weasley demonstrou indignação.

Eu não disse isso.

E a garota que pode fazer magia sem varinha? — Moody perguntou — As duas seriam muito úteis. Ou quem sabe a legilimente...

Não pode permitir isso, professor! Elas são apenas crianças!

Todos calaram-se repentinamente.

— Será que descobriram? — George deixou a pergunta no ar, preocupado.

— Não — foi Amber quem respondeu.

Ela sentiria se a barreira fosse reposta.

Infelizmente me vejo sem opções — disse Dumbledore por fim.

Uma cadeira arrastou-se bruscamente, indicando que alguém se levantou furioso.

— A barreira! Rápido! — exclamou Jilian.

Os gêmeos recolheram a orelha e aparataram para o andar de cima.

Amber repôs a barreira e eles subiram as escadas rapidamente, escutando a porta da cozinha abrir-se com violência.

— Molly! — Scarlet escutou o seu pai ir atrás de sua mãe no andar de baixo.

Sentiu-se culpada por ela estar tão chateada.

Isso tudo era o seu grande ímã para problemas.

— Como ele acha que eu poderia ajudar? — perguntou Jilian.

— Se você lesse a mente da garota e conversasse com ela talvez — disse Amber.

— Vocês fariam a policial boa e a policial má — Astoria intrometeu-se na conversa — Jilian com a legilimência e Amber tentando contê-la.

— Eu não poderia. Não conheço um jeito de conter um obscurus.

— Como tirou a barreira da cozinha?

— Eu pensei que poderia ser abaffiato e usei o contrafeitiço.

Ela não explicou o que era abaffiato.

Não muito tempo depois, Sirius bateu na porta do quarto delas.

— Querem falar contigo, Scarlet — ele disse.

Ela trocou um olhar com as garotas antes de segui-lo.

— Boa sorte, Scar — sussurrou Amber.

— Talvez eu devesse dormir e ver se algo bom sai disso? — murmurou Astoria para si mesma quando já estavam a sós.

Resistiram à vontade de esgueirar-se para escutar a conversa lá embaixo.