- Olá mano!
- Oi Marcus.
- A Donna?
- Ela não vem. – responde visivelmente triste
- Porquê? O quê que fizeste?
- Nós discutimos e estamos afastados neste momento.
- O que raio é que fizeste Harvey?
- Porquê que tenho se ser eu o culpado? – pergunta, mas continua quando o irmão lhe levanta uma sobrancelha – Está bem. Ela descobriu que eu lhe pago parte do salário e discutimos por isso.
- Desculpa tu o quê?
- Não venhas tu também. Não vou discutir isto contigo! – diz irritado.
- Tio Harvey! – gritam as crianças quando o vêm.
- Olá meninos! – exclama esforçando-se para sorrir.
- A tia Donna?
- Ela não pode vir James…
- Ela tinha prometido. – lamenta o menino.
- Porquê que vocês não deixam o vosso tio ir ao quarto pousar as malas e já falamos.
Quando Harvey deixa o resto da família para se dirigir até ao quarto Marcus vira-se para as crianças e pergunta:
- O que acham de ligarmos para a tia Donna para tentar convencê-la a vir?
- Sim pai por favor.
Marcus pega no telemóvel e liga para a cunhada. Donna quando percebe de quem é a chamada atente imediatamente pois pensa que aconteceu algo grave. Era sábado e Harvey e Donna tinham combinado passar o fim de semana em Boston porque a escola das crianças organizou um evento de caridade e a equipa de basebol do James iria jogar então, menino convidou os tios que logo aceitaram. No entanto, há duas semanas Donna descobriu que parte do seu salário era pago pelo namorado e quando ele chegou ao apartamento dela começaram a discutir. Nestas duas semanas não se falaram, continuavam a trabalhar juntos, mas só falavam o essencial. Nenhum dos dois queria dar o braço a torcer e o orgulho falou mais alto.
Harvey chegou a Boston no final da manhã de sábado e durante o dia aproveitou para estar com os sobrinhos. Depois do almoço foi visitar o pai, mas regressou logo. Já depois do jantar quando se preparavam para ver um filme a campainha toca:
- Eu vou! – exclama Marcus.
- Olá… Ainda venho a tempo? – pergunta Donna quando o cunhado abre a porta.
- Donna! Pensei que não vinhas.
- Um pestinha ligou-me a dizer que queria muito que eu visse o jogo dele, não podia recusar aquele convite…
- Tia Donna! – gritam as crianças contentes por verem que ela está ali.
- Olá meninos!
- Anda estávamos quase a começar a ver um filme! – exclama Haley e puxa Donna para a sala.
- Olá Katie!
- Boa noite Donna!
Donna senta-se ao lado de Harvey no sofá pois não há outro lugar disponível. A tensão entre os dois é grande e não passa despercebida por nenhum dos adultos. Ao início ela tenta manter-se o mais afastada possível dele, mas o cansaço da viagem começa a sentir-se e aos pontos aproxima-se dele acabando por adormecer com a cabeça no ombro de Harvey e os braços em volta da sua cintura. Harvey por instinto puxa-a para mais perto aconchegando-a no seu abraço. No final do filme, as crianças já dormem e Marcus e Katie levam-nas para o quarto informando que também se vão deitar deixando Harvey sozinho com Donna nos braços. Depois de algum tempo ele acorda-a.
- Donna… acorda vamos para a cama – murmura e beija a sua testa.
- Mais 5 minutos – diz sonolenta aconchegando-se mais nele.
- Vamos para o quarto lá ficas mais confortável – falou voltando a beijar a testa dela.
- Harvey… - diz afastando-se dele agora mais acordada.
- Adormeces-te aqui. Estás cansada eu ajudo a ires para cima.
Quando chegam ao quarto de hospedes viram-se de costas um para o outro e trocam de roupas para dormir. Quando Donna se deita na cama, Harvey pega numa almofada e prepara-se para sair.
- Onde vais? – questiona Donna percebendo-se do que ele queria fazer.
- Aqui é mais confortável eu vou para a sala.
- Podes ficar se quiseres. Nós somos adultos e já partilhamos a cama antes, acho que podemos dormir os dois aqui tem espaço suficiente.
Harvey olha para ela durante algum tempo e depois vai se deitar ao lado dela. Quando ela sente que ele também se deitou afasta-se o mais possível dele. Ele olha com tristeza e depois também se volta para dormir. Na manhã seguinte ele acorda primeiro e, aproveitando um dos raros dias em que isso acontece, aproveita para ficar a observá-la.
- É assustador observar alguém quando essa pessoa está a dormir principalmente se ela estiver zangada… - afirma muito sonolenta ainda sem abrir os olhos.
- Não estava a observar, estava a admirar e além disso tinha saudades de acordar ao teu lado.
Donna não tem tempo para responder pois Marcus bate à porta do quarto a dizer que o pequeno almoço está pronto e que precisam de se despachar para chegar ao evento. Depois de tomarem o pequeno almoço todos saem de casa em direção ao parque onde se está a realizar o evento de caridade. Como eles são 6, Harvey e Donna seguem, noutro carro, o resto da família.
- Porquê que viste?
- Porque o teu sobrinho ligou-me e insistiu tanto que não consegui dizer que não.
- Eles gostam de ti. Ainda não tinham parado de falar de ti ou perguntado por ti.
- Eu também gosto deles.
- Estou feliz que estejas aqui. – afirma Harvey e olha para ela.
- Atenção à estrada! Não quero ter nenhum acidente!
Quando chegam Harvey sai primeiro do carro e desloca-se para abrir a porta a Donna, no entanto ela é mais rápida. Não desistindo ele estica o braço para ajudá-la a sair da viatura. Quando se preparam para se juntar aos restantes Specters, Harvey vê que a sua mãe e Bobby também estão lá e fica parado com cara muito séria. Donna apercebendo-se da situação aproxima-se dele e entrelaça a sua mão na dele.
- Não estás sozinho. Vamos estão todos à nossa espera. – declara muito suavemente.
- Eu não…
- Não vou a nenhum lugar. – sussurra a aperta a mão dele.
O casal aproxima-se do restante grupo, mas Harvey recusa-se a falar para a mãe ou para Bobby. Depois de um curto passeio pelo parque para observar tudo o que a escola tinha planeado juntam-se todos para fazer um piquenique pois o jogo era só ao início da tarde. No fim do almoço, enquanto as crianças brincam os adultos conversam, mas rapidamente Harvey levanta-se e senta-se sozinho em cima de uma mesa a observar as restantes famílias.
- Eu não consigo… - admite Harvey quando Donna para na sua frente.
- Tens de tentar…
- Sempre que olho para ela tudo o que consigo ver é as mentiras e as traições.
- Harvey já é altura de colocar o passado nas costas e seguir em frente. Vocês têm de falar tens de a perdoar.
- Eu não consigo não agora. Por causa do que ela fez nunca pensei em ter alguém comigo, não estava pronto para me comprometer com ninguém, mas agora é diferente…
- Tu és um bom homem e tens um bom coração. – afirma Donna e coloca a mão em cima do coração dele. – Não deixes que isto te impeça de ser feliz ou impeça de tentar ser feliz com ela na tua vida. Ela será sempre tua mãe e irá sempre amar-te assim como tu a amas.
- Mas ela não podia fazer o que fez… - diz com lágrimas nos olhos.
- Vai falar com ela! Ela é a peça que falta no teu puzzle. Só quando encerrares este capítulo é que vais poder seguir em frente.
- Eu não estou preparado…
- Estás sim. Nós estamos juntos – ela para alguns quando ele levanta uma sobrancelha, mas depois continua – nós estamos juntos já ultrapassaste o medo de te comprometer com alguém, mas para poderes… para podermos ser uma família de verdade tens de resolver as coisas com a tua mãe.
- Não é só com ela que tenho de resolver as coisas… Desculpa Donna…
- Falamos sobre nós quando chegarmos a casa.
- Prometes?
- Prometo! Mas agora vai lá!
- De 0 a 10 quão zangada estás comigo?
- A sério Harvey? Somos crianças agora… não fujas mais vai resolver as coisas com ela para depois podermos resolver as nossas.
- Eu juro que mal a nossa conversa acabe eu vou, mas antes responde-me.
- Neste momento provavelmente um 8.
- E mesmo se fosse um 10 nós falaríamos quando chegássemos a casa?
- Harvey…
- Responde!
- Sim, mesmo se fosse um 10 falaríamos.
- Boa!
Mal acaba de falar puxa Donna para mais perto de si e beija-a com paixão. Ela ao primeiro fica surpreendida, mas não consegue resistir e beija-o de volta. Um beijo lento, mas cheio de paixão e saudade que só acaba quando a falta de ar se faz sentir.
- O quê…
- Eu tinha de ter a certeza de que mesmo que te zangasses comigo depois deste beijo ainda iriamos falar…
- És um idiota.
- Mas estou a morrer de saudades tuas. – declara e volta a beijá-la.
- Harvey! Se queres voltar a beijar-me é bom que vás falar com ela! – ameaça Donna.
- Ameaçar-me com uma coisa dessas era absolutamente desnecessário. – reclama e levanta-se para se aproximar da mãe.
- Podemos falar?
- Claro filho. – responde Lily surpreendida.
