"Ótimas notícias. Falamos ao jantar. Amo-te muito"
Era sábado e esta foi a mensagem que Donna mandou a Harvey no final da manhã. O casal, no dia anterior, tinha ido cada um para sua casa e só tinham combinado jantar no sábado. Donna estava estranha e Harvey sabia que ela escondia alguma coisa apesar de insistir com ela, Donna nunca lhe revelou nada prometendo que sábado à noite contava tudo.
- Olá!
- Oi. Tu tens uma chave porquê que não a usaste? – pergunta Harvey quando abre a porta à namorada no início da noite.
- Porque tens andado chateado comigo e não tinha a certeza se me deixavas entrar.
- Só estou assim porque me andas a esconder alguma coisa e a mentir-me e nos 4 anos que nos conhecemos isso nunca aconteceu. – declara com raiva.
- Eu irei contar-te tudo durante o jantar…vais deixar-me entrar?
- Para que conste eu irei sempre deixar-te entrar. – afirma e afasta-se da porta e Donna quando passa por ele dá-lhe um beijo na bochecha.
- O que é o jantar?
- Massa carbonara.
- Delizioso! – exclama com um sorriso depois de experimentar.
- Grazie!
- Então… o que eu fui fazer hoje de manhã…
- E o resto da semana. – interrompe o namorado.
- Durante a semana foi a preparação para hoje… Eu fui a uma audiência para representar numa peça.
- Uma audiência? Foi isso que andaste a fazer? Porquê que não disseste?
- Porque eu não queria dizer nada antes de saber a resposta… - responde tímida.
- E qual foi a resposta?
- Estás a olhar para a próxima protagonista da peça de Shakespeare!
- Tenho muito orgulho em ti! – exclama e levanta-se um pouco de modo a conseguir dar-lhe um beijo.
- Obrigada!
- E qual é a peça?
- Tu não conheces o trabalho dele!
- Algumas toda a gente conhece!
- Está bem! Estás com sorte que esta deves conhecer…. Romeu e Julieta.
- Oh eu conheço! Spoiler alert: morrem no fim – diz orgulhoso.
- És um idiota!
– E isso quer dizer que vais ser a Julieta… e vai haver um Romeu…
- Muito bem Sherlock! Vejo que a tua capacidade de raciocínio não diminuiu – diz com ironia.
- Engraçadinha! Mas isso quer dizer que vais ter de beijar outro qualquer! – afirma não gostando do que está a acontecer.
- Sabes depois de tanto tempo a beijar só uma pessoa acho que variar um pouco não me vai fazer mal. – brinca Donna.
- Donna… - rosna Harvey
- Calma lá ciumento! – exclama com um sorriso e levanta-se para se sentar no colo dele – Os últimos 8 meses só vieram provar que a única pessoa que eu quero beijar és tu!
- Mas tu vais…
- Sim vou, mas só durante os espetáculos. Durante os ensaios não vai acontecer nada e, mesmo nos espetáculos tenho quase a certeza de que a maioria das vezes não será necessário beijá-lo.
- Eu não gosto disso… não posso ser eu o Romeu? Tenho a certeza de que sou mais bonito e tudo!
- Convencido! Vá lá não fiques com essa carinha – diz e beija carinhosamente o pescoço dele.
- Tu estás a dizer-me que vais andar aos beijos com outro qualquer e queres que eu fique como se nada se passasse?
- Não significa nada – dá-lhe um beijo no pescoço – eu vou preferir sempre os teus beijos – dá-lhe um beijo no queixo – eu também não gosto de ter que o beijar – dá-lhe um beijo na testa – é a ti que eu am ti que eu quero sempre beijar – termina com um beijo persistente nos lábios dele.
- Eu aceito sob protesto!
- Mas podes ajudar-me a decorar o texto e beijar-me sempre que tiver no texto.
- Só quando tiver no texto? – pergunta com um sorriso.
- Ambos sabemos que já vai ser difícil terminar a peça com todas as vezes que nos vamos beijar…
- Não prometo nada!
Durante a semana seguinte Harvey, como tinha prometido, ajudava Donna a decorar o texto. Normalmente ficavam deitados na cama com os papeis na frente deles e esta noite não foi exceção.
"-Mas vai deixar-me assim, insatisfeito?
- E que satisfação posso hoje eu dar?"
- Um beijo! – diz Harvey ignorando o texto e prendendo Donna no colchão deitando-se em cima dela.
- Tenho quase a certeza que não é essa a tua fala Romeu.
- Já chega por hoje.
- Mas a estreia é em breve e eu tenho de decorar isto.
- Tu já sabes tudo… até eu já sei tudo. Espera! Isso quer dizer que já posso ser o Romeu?
- Não. – responde depois de soltar uma gargalhada.
- Qual é a desculpa? Eu sei as falas, sou mais bonito que ele e mais importante namoro com a Julieta.
- Que tal… não seres ator e não foste escolhido para o papel?
- Podemos alterar isso… basta 5 minutos de conversa.
- Tu és doido! Vem cá – pede Donna e quando ele e aproxima dá-lhe um beijo.
Durante mais uma semana Donna, incansavelmente, estudou o seu texto. Às vezes com a ajuda do namorado outras vezes sozinha. Finalmente tinha chegado o dia da estreia e ela não podia estar mais nervosa. No final do dia, quando Donna saiu da empresa, Harvey esperava por ela encostado ao carro, com um ramo de flores na mão.
- Para ti!
- Obrigada! – agradece e aproxima-se para o beijar.
- Vamos?
- Sim!
Quando chegaram ao teatro, Harvey acompanhou Donna até ao camarim com a promessa que no fim voltaria e iria com ela ao jantar que o restante elenco tinha combinado.
- Olá Lucy. Posso abrir a porta? Está aqui o meu namorado. – diz Donna quando espreita pela porta do camarim.
- Sim claro!
- Lucy este é o Harvey, meu namorado. Harvey esta é a minha colega Lucy.
- Muito prazer! – disseram ao mesmo tempo.
- Eu só vou pousar as flores e já me venho despedir de ti.
- Tens flores?
- Sim foi o Harvey que me ofereceu.
- Sortuda! Bem queria que o meu marido me oferecesse flores, mas ele nada!
- Vejo-te no fim? – pergunta Donna quando se aproxima de Harvey novamente.
- Sempre! Parte uma perna. – responde e inclina-se para lhe dar um beijo rápido.
Durante toda a peça Harvey não conseguiu desviar o olhar da namorada. Ele estava orgulhoso dela, mas não conseguiu esconder a irritação quando ela teve de beijar outro homem em palco. No final, como prometido, ele juntou-se a ela e ao resto do elenco para comemorar o sucesso da estreia. Harvey tinha prometido que ia na estreia da peça, mas também na noite de encerramento. Donna sabia o quanto ele odiava teatro, no entanto, ele disse que não se importava se isso significasse que podia assistir o trabalho dela. Na última noite de espetáculo Harvey iria ter com ela ao teatro pois ele tinha algum trabalho que o impossibilitava de saírem ao mesmo tempo. Quando lá chegou mandou mensagem a avisar e Donna disse que o esperava no camarim.
- Boa noite! Estas são para ti! – declara e entrega um ramo de flores à namorada.
- Obrigada! O que estás a esconder?
- Surpresa. Olá Lucy!
- Olá Harvey!
- Vejo que o seu marido voltou a não lhe dar flores.
- Infelizmente!
- Felizmente eu tenho algo para si! – exclama com um sorriso orgulhoso e entrega as flores que tinha escondido à mulher mais velha.
- Foi muito querido da sua parte.
- Bem eu agora tenho de ir para o meu lugar. Partam uma perna senhoras! – despede-se e beija a namorada.
- O seu namorado sabe como conquistar uma mulher. – diz Lucy quando Harvey vai embora encantada com o gesto dele.
- Quando quer ele esforça-se, mas o seu tem um bilhete – afirma Donna olhando para o ramo da colega – e o meu também pelos vistos.
- Primeiro eu leio o meu e depois lês o teu. Combinado?
- Espero que aquele idiota não tenha escrito nenhuma asneira – brinca Donna – Mas sim está combinado.
- Bem vamos lá então. – diz quando pega no cartão e prepara-se para ler – Diz assim: "Espero que o seu marido não me desafie para um duelo depois disto!"
- Claro que ele tinha de dizer isso! – diz depois de soltar uma gargalhada. – Vamos lá ver o meu.
- Estou curiosa…
- Então diz assim: "Serás sempre a atriz principal da minha vida. Amo-te"
- Romântico…
- O quê que eu faço contigo Harvey Specter? – pergunta Donna com um sorriso no rosto completamente derretida com as palavras dele.
