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Edward.

Bati o copo com uísque na mesinha ao meu lado e olhei para o sol se pondo. Denver tem trezentos dias ensolarados no ano, muito céu azul, uma vida urbana linda que eu sempre gostava de admirar o fim do dia da minha sala no escritório, mas agora, a visão da sala da presidência era ainda melhor.

Agora aquela sala era minha.

Venci a porra da corrida mais louca da minha vida: competir com meus dois irmãos o lugar do meu pai. Carlisle nos informou que iria se aposentar há um ano e desde então, ele iria nos avaliar para assumir a presidência da empresa.

É claro que eu queria. E me dediquei muito para estar aqui. Todos os três "pequenos Cullens", como meu pai costumava chamar, éramos apenas diretores executivos, sem lugar na grande mesa, sem voto, sem porra nenhuma aqui dentro. Nós podíamos trabalhar muito e termos bons reconhecimentos, mas ele sempre dizia que era mais que nossa obrigação porque esse lugar seria nosso no futuro.

Em sua última reunião como CEO, ele me nomeou para o cargo e disse que ficaria ao meu critério determinar a participação dos meus irmãos. Carlisle deixou seu último teste na mesa: se eu subiria e os deixaria. Minha família me chamava de egoísta, minhas ex-namoradas de babaca e quem cruzou no meu caminho dizia que era uma peste com uma personalidade impossível de lidar e muito exigente.

Talvez fosse verdade.

Para surpresa de todos, demiti o Diretor Financeiro, nomeando meu irmão caçula para o cargo. Não existia pessoa melhor que o Jasper para avaliar gastos, fazer investimentos e realmente tomar conta de todos as finanças da família. Em seguida, demiti o Diretor Administrativo, nomeando meu irmão do meio. Emmett era a pessoa certa para colocar ordem em qualquer caos. Para a direção comercial, pensando em fazer política com a família da minha mãe, nomeei meu primo James, que era um babaca, mas bom no seu trabalho.

Meu primeiro dia como CEO foi demitindo e remanejando metade do meu andar. Foi exaustivo, mas valeria a pena porque precisava colocar ordem na casa. Meu pai foi bom no seu trabalho, mas queria levar a CHE para outro patamar e precisava de pessoas com a mente mais aberta, mais jovem e sem seguir os vícios enraizados de muitos anos. Também houve as mudanças de salas. Meus irmãos e eu ocupamos nossos novos lugares e eu quis mudar alguns mobiliários.

— Estou indo embora, Edward. — Carmen falou atrás de mim e girei minha cadeira, sorrindo. — Não beba muito e muito menos fique aqui até tarde porque temos um dia muito cheio amanhã. — Colocou as mãos na cintura e continuei rindo. — Às vezes você age como uma criança travessa.

— Não sei do que está falando. Escolheu a número dois?

— Sim e você não vai chamá-la de número dois. — Carmen jogou uma pasta na minha mesa e quase derrubou minha garrafa de uísque. Ela ia derramar dois mil dólares em cima de mim. — Esse é o arquivo impecável dela na empresa.

— Maravilhoso. — Abri, fingi ler e fechei. — Começa amanhã?

— Irei treiná-la nas próximas duas semanas, após a isso ela vai chegar as nove e sair mais tarde. Seja bom, Edward.

Abri um sorrisinho inocente.

— Nessa altura do campeonato, é ela quem precisa ser muito boa.

— Até amanhã.

Carmen saiu e voltei a encher meu copo.

— Rose quer saber se você vai ver as meninas no sábado. — Emmett apareceu na minha porta, sem terno e segurando sua pasta de trabalho. Nós três éramos homens altos, fortes e que chamavam atenção, mas Emmett me superava no quesito peso. O biotipo corporal dele era de um homem viking.

— Ela vai fazer bolo de carne?

Emmett sorriu e revirou os olhos.

— Se ela não fizer, eu faço.

— Conte comigo. — Sorri e bebi.

Meus irmãos saiam cedo do trabalho porque eles tinham alguém esperando em casa. Na minha casa não tem nem um cachorro e todos os peixes que tentei criar, morreram porque raramente ficava no meu apartamento. Apaguei as luzes do meu escritório, ficando ali apenas bebendo a absorvendo que aquele lugar era finalmente meu. Ouvi um barulho do lado de fora e era tarde, o andar deveria estar vazio.

— Quem está aí?

Sentei-me ereto ao olhar a sombra da mulher que apareceu na minha porta. Ela era baixa, mas tinha as curvas perfeitas, usando uma saia justa até a sua cintura, uma blusa branca com apenas dois botões abertos, mas seu busto era muito bonito. Seu cabelo longo estava jogado de um lado só.

— Sinto muito, não sabia que ainda havia alguém aqui. — Sua voz era suave, tímida. — Sou Isabella Swan, a nova segunda assistente do Sr. Cullen e a Carmen disse que poderia trazer algum material de trabalho para deixar na minha mesa.

— Acenda a luz. — Ordenei e atrapalhada, quase deixou as pastas caírem no chão e apertou o painel ao seu lado. — Olá, Isabella.

Ela suspirou ao perceber que estava falando comigo.

— Olá, Sr. Cullen. Sinto muito te atrapalhar...

— Não tem problema. — Ela era linda, era pálida, longos cabelos castanhos, lábios cheios, vermelhos e um nariz arrebitado. Parecia uma boneca com os cílios proeminentes nos olhos castanhos. Isabella era definitivamente ainda mais bonita na luz. — Seja bem-vinda, Isabella.

— Obrigada, Sr. Cullen. — Me deu um sorriso brilhante e se afastou. Ouvi que ela chutou a mesa, soltando um palavrão e sorri. Ela era um desastre. — Desculpe, até amanhã Sr. Cullen. — Acenou e se afastou.

Sorrindo, peguei meu terno, minha pasta e sai da minha sala. Ela ainda estava parada em frente ao elevador, segurando um casaco e com a bolsa pendurada nos ombros. Parei ao seu lado, apertando o botão repetidas vezes.

— Sempre fica até esse horário? — Olhei-a e aturdida, disse não.

— Precisei passar todo meu trabalho para minha colega de sala e passei no RH para fazer o upgrade e pegar as senhas de acesso. — Colocou o cabelo atrás da orelha. A melhor parte daquele movimento era que ela não estava fazendo para bancar a tímida, a vermelhidão das suas bochechas e pescoço provava que estava praticamente sufocando por falar comigo.

O elevador chegou e fiz sinal que ela entrasse primeiro, bancando o homem gentil que normalmente não era. Isabella entrou, ajeitou a bolsa e apertou o botão da garagem dos funcionários. Então ela guardava o carro ali dentro? Pouquíssimos funcionários ganhavam vagas dentro do prédio, então, estava curioso sobre isso.

O elevador parou no andar comercial e Mike Newton entrou, abrindo um sorriso para Isabella. Ele não percebeu o quanto ela ficou tensa com a presença dele.

— Oi, Bella! — Ele praticamente gritou de alegria, então, me percebeu atrás dela, encostado na parede de aço. — Oh, caramba. Oi, Sr. Cullen. — Esticou a mão, olhei para ela e encarei seu rosto. Mike recolheu a mão e voltou a olhar para Bella. — Ficando até tarde hoje? Quer uma carona para casa?

— Não, obrigada.

— Está de carro, então?

— Estou todos os dias... — Isabella foi vaga.

— Quer comer em algum lugar? Conheço um restaurante japonês maravilhoso que precisa de reserva, mas meu amigo é o garçom e ele pode nos colocar para dentro.

— Estou cansada, Michael. Obrigada pelo convite.

Interessante, ela o chamava pelo nome e ele a chamava pelo apelido. Mike passou a viagem insistindo que ela o acompanhasse para o jantar. Isabella estava nitidamente irritada e só o idiota não percebia, resolvi acabar com o assunto ao sairmos do elevador.

— Você me segue? Ainda temos muito trabalho a fazer. — Olhei-a e imediatamente sacodiu a cabeça. Mike ficou parado do lado sem entender nada. — Boa noite... Desculpe, qual seu nome?

— Mike Newton. — Se apressou a dizer. — Então você tem trabalho a fazer. Parabéns pela promoção, então, precisamos comemorar.

— Em outra oportunidade. — Isabella ajustou seu casaco e foi andando até a seu carro. Michael foi andando para o outro lado, de vez em quando olhando para trás e Isabella me encarou.

— Por que seu carro está na vaga do meu irmão? — Olhei para o sedan de marca popular, parecia limpo, bem conservado. Típico carro de mulher.

— Ah... Jasper quis trocar comigo porque a minha vaga era ao lado do elevador.

— Jasper?

— Desculpe... O Sr. Cullen.

— Você conhece meus irmãos?

— Hum, eu sou colega de quarto da Alice, a noiva dele...

— Então é por isso que você tem uma vaga aqui?

— Não. Eu era analista de dados, era a primeira a chegar e normalmente a última sair. A vaga foi atribuída porque sou mulher e seu pai gostava de garantir que as funcionárias fossem embora seguras... — Explicou e assenti, destravando meu carro. — Obrigada por me ajudar. — Ela abriu sua porta. Seus olhos eram realmente bonitos.

— Se ele insistir, é assédio sexual. Faça uma denúncia.

Isabella entrou no seu carro, colocou o cinto e ligou o carro, saindo da garagem devagar. Quando chegou na rua, ela foi na mesma direção que eu, andando rápido, ela corria como um ligeirinho. Um carro esportivo na mão dela seria um perigo. Virei na direção do meu bairro, andando tranquilamente, sem nenhuma pressa porque ao chegar em casa, iria tomar banho e dormir.

Encontrei com um vizinho chegando e nós apenas trocamos um cumprimento cansado. Entrei no meu apartamento, em silêncio, estava escuro e joguei minha pasta no sofá, meu casaco e terno. Abri a geladeira, peguei uma garrafa de água e uma de cerveja, bebi a água primeiro e fui bebendo a cerveja até meu quarto. Tirei a roupa, tomei banho e me deitei na cama só de cueca, ligando a televisão. A combinação da televisão ligada no mudo e a televisão me fazia dormir.

Minha mãe ficava apavorada que aos trinta e cinco anos e precisava de bebida para dormir. Ela vivia dizendo que a minha vida era vazia, mas foda-se, eu amava as minhas sobrinhas, mas elas eram barulhentas demais. Minhas cunhadas, ambas falavam muito e era aterrorizante passar mais de duas horas ao lado delas.

Acordei com meu despertador e com Lauren, minha personal, dentro do meu quarto.

— Levanta, filho da puta! — Ela jogou um travesseiro na minha cara.

Lauren tinha a sorte de ser minha amiga de infância.

— Não lembro de ter combinado com você hoje. — Voltei a fechar os olhos.

— Foda-se. Está sem malhar desde a semana passada. Você deve estar se embriagando para dormir e pela garrafa de cerveja ao lado da sua cama, estou certa. — Lauren puxou meu edredom. Ela não se importava se estava de cueca ou nu, além de ter me visto sem roupa milhares de vezes, era seguramente casada com uma mulher. Lauren nunca ficou com um homem na vida. Ela era minha amiga, minha personal e um diabo em forma de mulher. — Seu telefone está tocando.

— Foda-se, não acordei ainda, caralho!

— Alô? — Lauren atendeu e tentei pegar dela. — Não, aqui é a amiga dele. Sou Lauren Mallory. Você é a nova assistente? Então pode agendar um horário comigo todos os dias pela manhã? Sim... Umas seis horas, por aí. Caramba, obrigada. Qual seu nome? Isabella? Já te adorei e nem conheço. — Lauren sorriu. — É claro, um minuto. — Me entregou o telefone. — Te espero na academia.

Oi, Sr. Cullen. Bom dia! Desculpa incomodar, mas a Carmen pediu para ligar e lembrar...

— Nunca mais me ligue antes das sete da manhã. — Encerrei a chamada.

Lauren me deu um olhar impaciente.

— Carmen te ligava todos os dias às 06h30. — Colocou as mãos na cintura. — Não tem o direito de fazer a vida da menina nova um inferno.

— Ela é toda fofinha. Quer dizer... Ela é bonita, sendo um babaca como sou, posso dizer que é gostosa, mas, ela é toda branquinha, delicada, com um olhar arregalado, inocente, bochechas coradas... Vai ser tão divertido infernizar a vida dela. — Abri um sorriso e Lauren bateu com o travesseiro no meu rosto. — Você é a única mulher que permito que esteja no meu quarto, de roupas e me batendo.

— Porque sou felizmente lébisca e sabe muito bem que se colocar seu pau para fora, vou servir no café-da-manhã. Sai da porra dessa cama, estou te esperando na academia. — Saiu do meu quarto e bateu a porta em um estrondo. Minha avó me avisou. Ela disse "a filha dos Mallory é um problema". Ela se tornou nossa melhor amiga, mas era brava e me batia desde que me entendo por gente. Emmett morria de medo dela até hoje.

Me arrastei da cama até meu armário, procurando alguma roupa para malhar e meu telefone apitou. Abri a mensagem de um número desconhecido e pela foto, era o telefone da minha nova assistente. Salvei o número como Srta. Swan e logo sua foto apareceu, alguém tirou sua fotografia, porque não parecia ser uma selfie e não revelava absolutamente nada sobre ela.

Apenas era uma foto bonita e parecia arrumada para sair a noite. Li a mensagem e ela enviou tudo que precisava falar comigo, em detalhes, grifando em negrito, colocando horário e observações. Se não podia falar comigo, deu um jeito da mensagem ser entregue sem se abalar. Meu primeiro compromisso era um café da manhã com alguns dos muitos parceiros da CHE e meu pai estará presente, como se me apresentasse como novo CEO.

Esses eventos eram insuportáveis.

Selecionei a mensagem do evento e respondi "Você irá me acompanhar nesse evento e em seguida, iremos para reunião no banco. Você está em casa ou na empresa?".

"Ok. Sr. Cullen. Em casa".

"Ótimo. Irei te buscar em 1h30".

"Sim, Sr. Cullen".

Tão fofinha.

Após me vestir, liguei para Carmen.

— Bom dia, Carmen.

Você desligou o telefone na cara da menina? Eu vou te matar, Edward. Eu preciso me aposentar! — Carmen começou brigando comigo.

— Carmen...

Sua mãe quer falar com você!

Ah puta que pariu.

Seu pai não te ensinou nada, menino? — Esme entrou na ligação. — Se você fizer a vida dessa assistente um inferno, eu vou te matar! São cinco assistentes por ano, a maioria sai da empresa direto para o psicólogo! Você é o CEO agora...

— Eu juro que não fiz nada.

Tem sorte de ser lindo e o amor da minha vida, mas é tão difícil de lidar que não culpo essas meninas por saírem correndo. — Esme me castigou e sorri.

— Eu te amo, mãe. — Usei a frase que ela se derretia toda.

Oi, garoto. — Carmen voltou para chamada.

— A número dois irá comigo para os eventos da manhã, estaremos na empresa na hora do almoço, portanto, preciso que assuma a reunião com os gerentes para anunciar as mudanças no regimento interno.

Tudo bem e o nome dela é Isabella. — Carmen desligou.

Carmen era melhor amiga da minha mãe desde a infância. Ela começou a trabalhar comigo há três anos quando meu pai interviu na rotatividade de assistentes. Eu não tinha culpa que o RH só me trazia mulheres realmente tontas. Elas variavam em querer dormir comigo ou ter medo de mim. Não era pedir muito que elas fizessem a porra do trabalho direito.

Malhei com a Lauren por uma hora, ela foi embora para seu próximo cliente dizendo que voltaria no dia seguinte no mesmo horário e apenas grunhi, tomando banho, me vestindo com rapidez para não me atrasar. Se Isabella era colega de quarto da tagarela noiva do meu irmão, elas moravam em um prédio descente não muito longe do meu.

Escolhi usar meu Porsche Cayenne. Era um dos meus favoritos e por ser todo escuro, me dava a sensação de privacidade. Normalmente não dirigia, mas meu guarda-costas estava de folga, portanto, estava com a segurança remota e sendo seguido por Liam, a distância. Tyler precisou de uma semana para ficar com sua mãe, que caiu e quebrou o braço, normalmente, ele dirigia e me acompanhava por todo lugar. Não dirigir me otimizava um tempo de trabalho.

Estacionei em frente ao prédio e Isabella logo apareceu. Ela estava com uma bolsa grande nos ombros, era preta, parecia ser de couro, usava uma calça preta com botões brancos nas laterais justa da cintura aos joelhos, saltos pretos de bico fino, uma blusa preta, de botões, fechada até o socialmente aceitável. Usava um cordão que dava um brilho atraente no colo dos seios, cabelos soltos e uma maquiagem bem-feita, nada exagerada. Reparava aquilo tudo porque me irritava ser seguido pela imagem do coringa e mulheres que se vestiam mal.

Isabella sabia se vestir, valorizar seu corpo e ao mesmo tempo aparentar profissional. Abaixei o vidro e destravei o carro. Ela abriu a porta de trás para colocar sua pasta e entrou na frente com sua bolsa, seu telefone estava na mão e caramba, estava muito cheirosa.

— Bom dia, Isabella.

Mesmo com as bochechas coradas, ela me deu um olhar meio irritado.

— Bom dia, Sr. Cullen.

Seria um dia muito divertido.