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Isabella.

O babaca do meu chefe estava andando ao meu lado e fez a gentileza de abrir a porta do hotel como se ele fosse gentil de verdade. A questão que o homem que me ajudou a livrar do Mike Newton no elevador era um grosso. Ele me deu dois foras em um curto espaço de tempo depois de ter desligado a chamada matinal bem na minha cara. Se ele estava pensando que a atitude de CEO babaca iria me intimidar e me tirar do foco, estava muito enganado. Podia aguentar suas merdas.

— Olá, Sr. Cullen. Estou muito feliz com sua nova posição e saiba que pode continuar contando com a minha dedicação... — Jacob Black parou no nosso caminho e estendeu a mão para o Sr. Cullen apertar e como fez com Mike ontem no elevador, ignorou e seguiu em frente. Jacob me encarou de cima abaixo. — Parabéns pela sua promoção. — O desdém escorreu da sua boca, revirei os olhos e ignorei.

— Sr. Cullen! — Chamei com firmeza. Ele parou de andar, virou e me encarou como se eu fosse abusada demais por chamá-lo daquele jeito. — Como sabe, há uma espécie de café da manhã em confraternização, mas você tem quarenta minutos para falar com as pessoas certas que deram inclinações em apoiá-lo na compra do Grupo Go Aero.

O Sr. Cullen arqueou a sobrancelha e por breve segundos, demonstrou surpresa.

— Você não pode dizer ao Sr. Cullen o que fazer. Essa é uma homenagem... — Jacob estava falando e por mais que sentisse meu rosto quente, por estar sendo intimidada, aprumei meus ombros. — Não começa assim no seu primeiro dia. — Me deu um sorriso que as meninas do escritório achavam atraente.

— Desculpe, você é funcionário da presidência agora?

— Não. — Sr. Cullen respondeu com um sorrisinho debochado.

— Então, por favor, nos dê licença. Esse assunto é confidencial. — Encarei Jacob e minha voz até tremeu um pouco, mas me mantive firme. Jacob me olhou com raiva, limpou a garganta, pediu licença e saiu.

— Essa demonstração de gatinha brava precisa melhorar, até porque, ele não esconde que quer a sua posição agora. — Edward me deu um sorriso que sabia que era de puro escárnio. Fiquei séria e ele também. — Quem está do meu lado?

— Não são muitos, mas são expressivos. Seu irmão Emmett está totalmente de apoio, já Jasper parece um pouco reticente por conta dos gastos e isso está fazendo com que alguns dos acionistas da Go Aereo não queira vender. Não vão aceitar a proposta.

— E o que mais?

— Seu pai já deixou claro que não vai te apoiar, mas a Carmen me disse que você não deve incluir a compra da Go Aereo no seu discurso, mas sim falar pessoalmente com cada acionista. Ela disse para fazer o que faz de melhor. — Edward olhou para o relógio e assentiu.

— Tem a lista de quem está interessado na venda e na compra?

— Sim. — Me atrapalhei e peguei na minha bolsa. — Fiz rápida pesquisa ontem a noite e os de vermelho são os que literalmente estão no vermelho. — Edward me encarou. — O que foi? Eu trabalhei como analista de dados nos últimos dois anos, sei como fazer uma pesquisa.

— Está bom, podia ser melhor.

Imbecil.

— Chame meus irmãos e diga que preciso de dez minutos com eles.

Simplesmente dei as costas, andando devagar, mas não muito. Pelo reflexo das portas de vidro, meu adorável chefe estava me olhando e eu não sabia se ele queria que corresse. Mas estava fora de cogitação, porque a única coisa que iria acontecer era cair na frente de todas aquelas pessoas. Senti o olhar de alguns gerentes em mim, todos estavam surpresos com a minha ascensão rápida dentro da empresa, mas nenhum dos estagiários sabiam tanto sobre a CHE quanto eu.

Ninguém se dedicou mais do que eu. Claro que jamais imaginaria que a Carmen estava de fato, avaliando alguém, também nunca pensei que a minha promoção seria logo para segunda assistente do CEO.

Olhei rapidamente ao redor, reconhecendo o Sr. Cullen, com sua esposa, seus dois filhos com suas companheiras. Alice me viu e sinalizei para não fazer uma bagunça. Ela era noiva de um dos herdeiros e minha colega de quarto, nós não podíamos misturar as coisas. Jasper conheceu Alice no saguão da empresa, enquanto ela me esperava para pegar uma carona para casa. Foi algo instantâneo, eles disseram olá, combinaram um encontro e começaram a namorar.

E no mês passado, ele a pediu em casamento. O grande sonho da Alice se realizará em alguns meses no qual sou a madrinha muito orgulhosa. Jasper é um homem muito gentil, completamente apaixonado e não poderia imaginar alguém melhor para minha melhor amiga.

Alice e eu nos conhecemos na internet há dez anos, em grupos de Harry Potter porque ela escrevia fanfics maravilhosas. Nos encontramos pessoalmente ao longo dos anos, mas sempre houve uma distância. Quando passei no processo seletivo da CHE, ela me abrigou em sua casa com seus pais e meses depois fomos morar juntas.

Hoje em dia ela trabalha como social media para uma agência de publicidade. Alice sempre gostou muito de internet, propaganda, fotografia e programas de edição.

Sinalizei para as assistentes dos irmãos do meu chefe, informando que ele gostaria de falar com ambos em particular. Rosalie Cullen, era uma mulher bonita que me deixou paralisada ao me analisar da cabeça aos pés. Ela tinha fama de ser muito difícil. Alice dizia que no começo, ela foi bem distante, mas agora saíam juntas e queria nos apresentar. Estava evitando esse encontro.

Emmett e Jasper seguiram para sala privada. Meu chefe estava lá dentro, sinalizou que entrasse e fechei a porta atrás de mim. Fiquei quieta conforme os três conversavam sobre dar ou não apoio ao Edward. Emmett parecia animado e realmente acreditava na fusão da GO Aerea na CHE, mas, Jasper ainda precisava ser convencido.

Pensei que sairia ilesa, mas o noivo da minha melhor amiga me encarou.

— Quanto?

Edward me olhou assim como Emmett.

— O quê? Jasper!

— Diga quanto...

Olhei a hora e abri o aplicativo no meu celular.

— 78% não favorável.

— Tá de brincadeira comigo. — Edward puxou o cabelo. — Quanto estão as ações por minuto?

— Doze dólares.

— Puta que pariu. — Emmett grunhiu.

— Como? Eles estavam vendendo a dois dólares ontem a noite. — Edward andou até a janela.

— A Emirates entrou na jogada. — Murmurei e ele me olhou.

— Por que nesse mundo não me falou isso logo que soube? — Se seu olhar fosse uma flecha, estaria caída no chão.

— Você desligou o telefone.

Edward soltou uma risada irônica.

— Vai ser um suicídio, Edward. Não duvido nenhum pouco que consiga fazer valer a pena, mas, o preço da compra estará muito alto. Os acionistas vão querer sair do vermelho de uma só vez. — Jasper falou com pesar.

— Não envolvam o papai nessa história. É a nossa chance agora... — Edward falou ainda olhando para o lindo céu azul. — Estou aberto a sugestões.

— E se aplicarmos um golpe? — Pensei em voz alta e os três olharam para mim. — Desculpa. Eu não deveria...

— Você é má, Isabella Swan.

Jasper se jogou no sofá.

— Por que você foi dar combustível a ele? Tenho certeza de que estava pensando nisso, só não queria dizer em voz alta porque seríamos contra. — Esfregou o rosto e sorri, sem graça.

— Qual seria a sua maneira? Espero que seja mais honesta que a do Edward. — Emmett murmurou e percebi que Edward era do tipo "quero isso, vou passar por cima de quem precisar para conseguir".

— Podemos atrasar a Emirates dando a entender que saímos da jogada para outra empresa. Retirando o nosso interesse, as ações vão cair pela metade. Podemos lançar uma fake News que a Emirates também saiu da jogada, teremos um curtíssimo espaço de tempo para convencer os acionistas a vender pelo menos cinquenta e seis porcento da empresa.

— Vai ser o suficiente para incorporar. — Jasper refletiu. — Quão curto tempo?

— Questão de minutos. — Edward estava com o telefone na mão. — Precisaremos chegar com tudo. Agressivos, aterrorizadores e usar alguns bancos ao nosso favor. Jasper, quem está nos devendo?

— Tudo bem, parece um filme do Tom Cruise. Só me digam como vou segurar a compra juridicamente quando os fatos forem esclarecidos? — Emmett colocou as mãos na cintura.

— Usando a imprensa. — Sugeri baixo, limpei minha garganta e tentei soar mais confiante. — Assim que o contrato for assinado, vamos liberar o anúncio da compra, não oficialmente, mas fazer com que os veículos de informação mais importantes do país noticiem. A Emirates não vai peitar. Estamos dentro e eles fora...

Edward guardou o telefone no bolso.

— Vocês estão comigo nessa? — Perguntou aos irmãos.

— Você vai me dar úlceras como CEO. — Jasper gemeu. — Mas sim, estou com você.

— Vamos fazer isso. — Emmett estava animado.

Edward sorriu e precisei controlar a minha respiração. Ele podia ser um babaca, mas era um babaca muito lindo. Edward Cullen, o novo CEO da Cullen Holdings Enterprise. Meu chefe. Um idiota arrogante, que acredita ser um deus nos negócios. Definitivamente era muito bom no que fazia. E como já disse: era muito lindo.

O café-da-manhã foi bem corrido. Edward parecia confiar na minha palavra sobre as pessoas certas. No meio de uma conversa e outra, ele sempre me perguntava muito sutilmente qual era o próximo e estava obcecada, absorvendo cada palavra, postura, ele era uma fera, sabia como ser político e como deixar seus objetivos bem claros. Em dado momento, deixou seu telefone comigo e disse para atender a ligação de J. Jenks.

Quando o homem ligou, me afastei e ouvi atentamente. Edward estava usando seus meios para cair as ações da GO Aereo e eu percebi exatamente o momento que alguns dos acionistas da empresa que foram convidados para o evento, recebendo mensagens e ligações. Edward adiou sua reunião no banco, era sobre investimentos pessoais.

— Toma. — Me entregou a chave do meu carro. — Você vai ter que dirigir. É melhor que não destrua meu carro e muito menos me mate.

— O quê? Por que? — O carro dele era luxuoso demais e certamente trabalharia o resto da minha vida para pagar um arranhão.

— Preciso estar livre para abrir a janela do golpe ou nada será feito. — Edward me deu um olhar impaciente, pegou sua pasta e ocupou o banco do carona. Respirei fundo, acenei para Alice que me olhava a distância e dei um cumprimento educado a Sra. Cullen, entrando no carro. Tirei meus sapatos, ajustei o banco e o retrovisor para minha altura. — Ande pela cidade. Vou te dizer para onde ir em alguns minutos. — Ele estava digitando em seu computador e com o telefone no ouvido.

Me concentrei no trânsito, desejando saber o que estava realmente fazendo. Edward falou ao telefone, ofereceu pagamentos e até brigou com alguém, mas ele estava estúpido, falando rápido e me disse para seguir para um lado da cidade que nunca passei porque todos diziam que era muito perigosa. Pelo retrovisor, reparei que estávamos sendo seguidos.

— Tem alguém nos seguindo. — Pontuei e não estava falando da segurança remota.

— Deixa que o Liam lide com isso. Despiste e siga em frente. — Edward olhou pelo banco. Havia um shopping com duas saídas, uma delas era do outro lado, entrei nele rapidamente e Liam bloqueou a entrada do carro. Peguei o ticket e dirigi rápido, para não perder os minutos gratuitos e perder tempo pagando a entrada. — Quem era? — Edward estava falando ao telefone. — Puta que pariu... Tudo bem, nós vamos seguir em frente. — Encerrou a chamada. — Paparazzis. Provavelmente porque ainda não te conhecem.

— Certo... Então, temos a janela?

— Temos. Eu vou deixar metade do pagamento e em seguida, vamos direto para GO Aereo. As ações vão cair em seis minutos. — Olhou em seu relógio, voltei a encarar a avenida. — Você percebeu que estávamos sendo seguidos... Menina esperta.

Poupe-me do seu sarcasmo, imbecil.

— Meu pai é um detetive, fui criada entre policiais e sei bem quando um carro está me seguindo ou não.

O telefone dele tocou.

— Denali. Preciso que pague um dos muitos favores que me deve. — Edward soltou uma risada. — Não. Não vai ser com sexo, embora seja maravilhoso. — Pensei que fosse vomitar. — A minha assistente vai te ligar no momento certo, mas quero que prepare uma matéria com as informações que vou te passar no privado. Nada que vai te colocar em problemas, relaxa. É um furo de reportagem. — Edward estava falando manso, de um jeito galante e sabia quem era a mulher do outro lado. Tanya Denali, era linda, rica, famosa e jornalista.

Todos diziam que o pai dela comprou sua carreira, mas ela era do tipo sexy e perigosa. Há anos rolam rumores que Edward Cullen era o amor da sua vida, eles já assumiram um relacionamento por um tempo há alguns anos, mas não foi para frente. São vistos juntos, mas ele sempre nega qualquer envolvimento, que são apenas amigos. Alice e eu tínhamos a teoria que ele era quem não queria nada e ela sim.

Edward tocou meu braço e sinalizou para estacionar a frente, parei o carro, mantendo-o ligado e ele abriu um compartimento abaixo do seu banco, tirando três rolos de dinheiro. Deveria ter cem mil em cada. Abaixou o vidro no exato segundo que uma moto parou ao lado, entregou o dinheiro e a moto saiu em alta velocidade.

— Troque comigo. — Edward pediu e saiu do carro. Peguei meus sapatos e pulei para o banco do carona. — Jesus Cristo! Você tem as pernas muito curtas! — Ajeitou o banco e fiquei quieta. — Ligue para meu irmão e diga para estar lá em três minutos.

Edward dirigiu em altíssima velocidade, me fazendo segurar no banco, mas não reclamei porque segundo Alice, corria o tempo todo. Liguei para Jasper, que parecia aguardar o sinal para sair e não demorou muito para entrarmos no estacionamento do aeroporto. Nós saímos do carro quase ao mesmo tempo, ele me entregou seu telefone e segurou meu cotovelo entre as pessoas apressadas.

— Olha por onde anda, idiota. — Ele empurrou um grandalhão da frente e entramos no elevador. — Mulheres e saltos altos.

— Quanto as ações caíram?

— Para 1,60.

Fiquei quieta, calculando mentalmente e no terceiro andar, por coincidência, Jasper entrou e parou ao lado do seu irmão com a mesma postura muito intimidante.

— As ações acabaram de cair para 0,80. — Jasper soou nervoso. — Baixo demais, teremos mais sócios do que gostaríamos se continuar caindo... — Secou o suor.

Minha mente estava quase entrando em parafuso quando agarrei o terno do meu chefe, antes que ele saísse do elevador.

— Você está maluca?

— Espera! Você precisa oferecer duzentos mil a menos... Não! Dois milhões a menos! Senão vai ser uma compra realmente mais alta que o esperado e eles podem desconfiar que é um golpe. — Falei baixo. Edward ficou parado, provavelmente calculando mentalmente, assentiu e nós saímos.

Andei atrás deles, de queixo erguido, percebendo que assim como a CHE, as assistentes e demais executivas, andavam extremamente bem vestidas. Me esforçava ao máximo com minhas roupas e da Alice para me vestir bem. Parei atrás do meu chefe, com seu telefone na mão e seu aplicativo de mensagens estava com mais de duzentas não lidas.

Edward invadiu a sala de reuniões, que estava frenética, no meio do caos, ele se fez presente. Ergueu-se como o homem poderoso que era, sem se deixar abalar com os gritos e acusações. Jasper me deu um olharzinho divertido, mordi meu lábio e quando as ações caíram para 0,60 centavos, o CEO jogou a toalha e vendeu 54% das ações da GO Aereo para a CHE. Edward pressionou mais um acionista, comprando mais dez por cento, o que incorporava a empresa aérea de vez na CHE.

Meu chefe me deu um olhar, abri a caixa de mensagem da tal da Tanya e ignorei as fotos nuas. Era realmente constrangedor e apelativo, já que ele não respondia. Ela enviou uma mensagem que estava aguardando, então, assim que os papéis foram assinados, nós tínhamos apenas três minutos na janela. Ele acenou e enviei um "ok", ela entendeu porque em menos de trinta segundos, enviou o primeiro link.

Edward fez sinal para segui-lo rápido. Nós estávamos nos elevadores quando ouvimos os gritos e palavrões, as ações voltaram ao topo, mas agora pertenciam a CHE. Foi emocionante fazer parte de um momento tão épico.

Quando cheguei em casa à noite, Alice estava no sofá com uma taça de vinho e milhares de revistas de vestidos de noiva ao seu redor.

Me joguei no sofá, cansada, porém, me sentindo extremamente sortuda por estar vivendo a rotina de um CEO tão jovem. Carmen me passou diversas tarefas, dizendo que confiava na minha astucia já que ajudei ao Edward um golpe que nos rendeu uma nova empresa bilionária. A imprensa não falava de outra coisa.

No dia que Edward Cullen foi apresentado como novo CEO da Cullen Holding Enterprise, ele fez a compra que os economistas julgavam ser impossível com a Emirates no páreo. Fiz parte disso. Fiz parte da história.

— Então, como foi?

— Nasci para ser uma mulher de negócios, Alice. Foi emocionante! Embora seu cunhado seja um babaca épico, muito imbecil, idiota mesmo, mesmo assim, ele é fera nos negócios. Ninguém vai segurá-lo como CEO e adivinha só? Eu sou a sua assistente! — Peguei sua taça e bebi quase toda. — Porém, eu usei a roupa mais arrumada que temos. Acho que é hora de usar aquele dinheiro na minha poupança e fazer compras.

Alice me deu um olharzinho engraçado.

— Você quer ser uma executiva profissional, porém, bonita ou uma executiva, sexy, profissional e muito bonita? Do tipo sofisticada?

— A segunda opção. A Carmen se veste de forma impecável, não posso andar do lado dela parecendo a garota da xerox. Tem mais vinho?

— Tem... Enquanto pega mais vinho, eu vou tentar arrumar algo no estilo para você amanhã. No final de semana nós iremos as compras e gastar aquele dinheirinho que está na poupança. — Alice estava querendo me fazer gastar esse dinheiro desde que nos conhecemos. Levantei, entrei na nossa cozinha, peguei a garrafa na geladeira e tirei meus sapatos. — Charlie ligou, não deixou recado e sua mãe lotou nossa secretária eletrônica de novo!

Sorri e peguei meu telefone, enviando mensagens para meus pais. Minha mãe e Phil estavam viajando em um cruzeiro e meu pai, como sempre, mergulhado em trabalho. Estava morrendo de saudades, não via minha mãe há dois anos, meu pai tinha mais facilidade de passar uma semana comigo no verão e eu fui para casa todo natal porque minha mãe sempre estava ocupada.

Ela era muito louca e às vezes queria fazer viagem para um destino exótico que eu poderia morrer de alergia ou insolação. Amava Renée, mas sua excentricidade me cansava. Pelo menos, meu padrasto era responsável ou minha mãe já estaria presa.

Enchi a taça de vinho, bebi e fui tirando minha roupa. Coloquei para lavar pensando que em algumas semanas Alice morará com Jasper. Ela ainda não se mudou porque o apartamento dele estava em reformas e não queria me deixar repentinamente. Com meu aumento de salário, vou conseguir manter o apartamento e como gostava muito do prédio, pensava em fazer uma oferta de compra.

Era um apartamento de dois quartos, muito espaçoso, que nos apaixonamos na primeira visita. Estava além do nosso orçamento, porque além de novo, estava pintado e com o chão inteiro de porcelanato madeira, paredes brancas, balcão de mármore branco e móveis planejados de madeira e branco. Era simplesmente perfeito. Um sonho para duas meninas recém-saídas da universidade, bolsistas, mas nossos pais ajudaram no aluguel por uns meses e depois conseguimos pagar sozinhas.

Ganhamos muita coisa das nossas famílias. As tias da Alice nos deram o sofá, minhas tias por parte de pai nos deram colchas, minha falecida avó todos os utensílios de cozinha e aos pouquinhos fomos mobiliando nosso apartamento. Era o meu lugar favorito, meu aconchego e amava chegar em casa, tirar minha roupa, tomar um banho e me jogar na minha cama. Mesmo quando Jasper estava por aqui, ele era tão na dele e gentil que não incomodava.

— Estou pensando em fazer um jantarzinho aqui em casa. Uma prévia para o noivado oficial. — Alice entrou no meu quarto com um monte de roupas nos braços e minha poltrona já estava cheia. — São para doação. — Jogou em cima. — Minha sogra insiste em dizer que um noivado privado é chique, como foi o meu, mas infelizmente a família deles é muito grande e ela quer que eu conheça a todos antes do casamento, estou pensando em convidar meus pais, os pais dele, irmãos e companheiras. O que acha?

Edward Cullen na minha casa? Ugh.

— Acho maravilhoso. Podemos fingir que perdemos o convite do meu chefe?

Alice riu e jogou uma almofada em mim, dizendo que não. Meu lugarzinho especial seria contaminado com aquele poço de estupidez e beleza.