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Edward.

— Você precisa ir embora. — Acordei a mulher ao meu lado. Tanya ergueu o rosto e me deu um olhar irritado ao constatar que era quatro da manhã. — Minha assistente vai estar aqui em vinte minutos e não quero que ela te veja aqui.

— Não fez com que assinasse um acordo de confidencialidade? — Ronronou voltando a deitar em cima de mim e me desvencilhei.

— Não é isso. Nós concordamos que seria sexo de despedida, Tanya. Não dá mais. Gosto da sua amizade, mas não dá para confundir com sexo. Você me atrai, tenho tesão, só não acho certo devido ao nosso passado. E a mídia finalmente parou de especular sobre nós como um casal. Tentamos milhares de vezes e não deu certo. Por que continuar?

Tanya rolou para o lado, emburrada e pegou sua calcinha.

— Você é irredutível quando enfia algo na cabeça. — Murmurou e saiu seminua até o meu banheiro. — Nós demos certo. A desculpa era que você estava focado na carreira, agora chegou ao topo, o que mais?

Sentei-me na cama e peguei minha cueca.

— A desculpa nunca foi essa. Na verdade, nunca foi uma desculpa. Nós brigamos, nós somos bons amigos, mas péssimos no relacionamento. Ontem você veio aqui, era só uma conversa, bebemos, quisemos e eu deixei claro... Era a nossa última vez e foi. — Vesti minha cueca.

Irada, bateu a porta do banheiro. Peguei meu telefone e olhei para mala no canto. Faria uma viagem de alguns dias acompanhada da minha mais nova assistente, que estava sobrevivendo ao cargo e me surpreendendo a cada dia. Já fazia um mês.

Ela nunca pestanejou, mesmo quando a acordei as três da manhã porque não tinha um terno limpo. Ela apareceu aqui, pegou todas as minhas roupas sujas, mandou entregar um conjunto inteiro limpo antes que terminasse de malhar. Eu tentei usar essa brincadeirinha depois, mas, ela simplesmente passou a buscar as minhas roupas sujas e colocar para lavar.

Inventei que queria meu café todos os dias às 06h45.

Ela programou uma entrega da Starbucks com meu pedido todos os dias às 06h45. Ainda mandava um bolinho que achava delicioso. Tudo que tentava para fazê-la perder as estribeiras, tirar o sorriso doce e as bochechas coradas, ela vencia. Isabella era um enigma tão divertido de desvendar que em algum momento, suas bochechas vermelhas serão de raiva.

Inventei que meu apartamento precisava ser limpo todos os dias e a primeira vez, contratou uma faxineira, que usou produtos que me deram crise alérgica, então, com o aval da Carmen (e da traidora da minha mãe), Isabella contratou uma funcionaria que cuidaria da minha comida, limpeza da casa, lavagem das roupas e regaria as plantas que surgiram na minha varanda após uma visita da minha mãe.

Não podia negar, ela era eficiente, sua memória era assustadora e seu jeito detalhista, embora muito irritante, era necessário. Pensava rápido e tinha um sério controle das suas emoções. Quando mais impassível ficava, mais eu tinha vontade de quebrar sua armadura em milhares de pedaços.

Tanya se vestiu e saiu, sem se despedir. Ela ficaria com raiva por algumas semanas. Entrei no banheiro depois de ler a mensagem do Tyler informando que já estava a caminho com a Srta. Swan. Tomei banho e me vesti rapidamente, pegando a minha mala e saindo.

Ângela chegaria em algumas horas, era jovem, casada e falava pouco. O tipo de pessoa que não me incomodava nenhum pouco. Mais uma vez, Isabella venceu.

Estava muito cedo para encontrar qualquer vizinho no elevador, o que era bom. Minha mala estava pesada e minha mochila também, a diferença que a mochila com todas as pastas, computador, iPad e documentos fui eu quem arrumou, já a mala pedi ajuda para minha cunhada Rosalie. Ela era a melhor em separar ternos e combinações. Trouxe minhas sobrinhas, enquanto meu irmão e eu comíamos na cozinha, ela mostrava as roupas e separava.

Minhas sobrinhas deixaram marca de dedinhos em todas as telas que puderam encontrar. Quando eles foram embora, antes do horário de dormir das meninas, Tanya ligou avisando que estava na portaria com um champanhe. Ela vinha querendo me encontrar fazia semanas, desde que publicou a matéria e estava ocupado, ou negando. Ontem não teve escapatória. Não sou idiota, o sexo era bom, raramente nego sexo com uma mulher bonita, mas o problema estava além do sexo.

Não queria estar em um relacionamento com ela e não aceitava esse importante detalhe. Sempre colocava relacionamento sério, dava um jeito de aparecermos em público, postava fotos nossas com legendas românticas e o babaca no fim era apenas eu. Tanya sempre soube que não queria namorar, ainda tentava com sua insistência, mas era irritante demais ter todas aquelas lembranças, lembrar que ela não gostava de uma coisa e queria outra. Um saco.

— Bom dia. — Tyler estava encostado no carro segurando um copo de café quentinho. — Cortesia da Bella. — Me deu um aceno e abriu a porta.

— Bom dia, Tyler. Tudo certo?

— Tudo dentro do esperado, devemos pousar com tranquilidade em três horas. Vão precisar se arrumar na aeronave, partiremos do aeroporto para sua primeira aparição na exposição.

— Obrigado. — Entrei no carro e Isabella estava usando uma roupa totalmente fora do que estava acostumado. — Bom dia, Isabella.

Descruzou as pernas e me entregou um café. Os copos eram de papel, como das lanchonetes, mas não havia nenhuma marca. Ela deve ter preparado antes de sair.

— Bom dia, Sr. Cullen.

Seu guarda-roupa mudou logo na primeira semana de trabalho, não sabia se havia sido por iniciativa própria ou Carmen lhe deu o cheque para roupas, porque apesar de bem vestida no primeiro dia, ela passou a vestir-se muito bem. Bastante sofisticada e às vezes, odiava admitir, era bem sexy. Para viajar, estava com uma calça justa, que parecia do material para malhar, mas era longa, tênis all star, uma camisa branca longa e casaco.

Nós ficamos em silencio na parte de trás. Ela nunca oferecia um assunto. Nunca. Com a Carmen falava pelos cotovelos, com meus irmãos também, principalmente com Jasper. Comigo não. Talvez tivesse medo. Ou talvez não gostasse de mim. Apostava bastante nas duas opções.

— Gostaria que revisasse seu discurso? — Isabella ofereceu e assenti, abrindo o aplicativo de notas, copiando o texto e enviando para ela. — Terá apenas seis minutos, o restante será preenchido com o vídeo 3d das melhorias implantadas na GO Aerea.

— Após a minha apresentação, demita o CEO.

Isabella me olhou um pouco chocada, mas o homem já sabia que seria demitido, faltava a formalidade e até o final da semana, iria anunciar o novo nome para seu lugar.

Nós chegamos ao aeroporto, Tyler conduziu o carro até ao avião da CHE e parou ao lado. Havia um tapete vermelho antes da escada e esperei no carro que todas as malas fossem levadas. Isabella saiu primeiro, conferindo algo com o piloto e em seguida, desci do carro após terminar de digitar um e-mail. Nós embarcamos, não levou muito tempo para decolagem e a primeira hora de voo, trabalhamos no meu discurso, em seguida, foi servido nosso café da manhã.

— Esses morangos são enormes! — Isabella comentou e pegou um. Entreguei a ela o creme de avelã. — Não gosta muito?

— Não sou fã de doces. — Passei uma pastinha de queijo na minha torrada.

— Essa é a melhor combinação do universo. — Ela encheu seu morango de creme. Tyler me olhou divertido, porque ela basicamente tomou conta do pote de frutas. — Desculpa, você quer?

— Não, obrigado. — Tyler riu. — Posso pedir mais morangos. Quer?

— Não me zoa. Eu amo morangos...

Hum, fazia sentido. Ela sempre cheirava a xampus de morango, creme ou algo do tipo. Ofereci a ela um dos croissants, que colocou morangos em cima e encheu de creme de avelã.

— Beba um pouco de café. — Tyler implicou, enchendo a sua xícara e sorri.

— Vou certificar que sempre tenha morangos ao seu redor. Você fica tão surpreendentemente calma...

Exibindo um sorriso brincalhão, muito raro, mas com as bochechas coradas, desviou o olhar e voltou a comer. Assim que terminamos, as comissárias recolheram e Isabella disse que iria ocupar o banheiro para se arrumar. Ela foi com sua mochila e mais uma bolsa, ficando dentro do banheiro quase o voo inteiro e quando saiu, fez toda diferença. Não parecia mais uma menina, mesmo com vinte e cinco, ela tinha um rostinho de anjo, mas arrumada, estava mais fatal.

Seu cabelo estava preso, bem puxado, dividido ao meio com toda massa caída de um lado dos ombros. Usava uma blusa branca que deixava todo seu colo do seio a mostra, mas não havia um decote vulgar, calças pretas jutas e um salto preto muito alto. Estava claramente maquiada, mas só conseguia identificar o batom rosa escuro.

Cruzei minhas pernas e a olhei divertido.

— Qual o nome desse tipo de blusa? — Apontei e Tyler me olhou divertido.

— Blusa envelope, por que? — Isabella estava desconfiada.

— Curiosidade. Vou me vestir, por favor, não tente espiar o banheiro. — Provoquei e quando ela pensou que não estava olhando, revirou os olhos, cruzando os braços e encarando a janela.

Troquei de roupa no espaço apertado que estava cheirando a Isabella. Ela esqueceu o pequeno e delicado vidro de perfume em cima da pia, era muito cheiroso, era exatamente como ela cheirava. Guardei minhas roupas e sai do banheiro, entregando-lhe o vidro. Não sei porque ficou com vergonha como se fosse uma calcinha, arrancando rápido da minha mão e guardando na sua bolsa.

Mudou rapidamente de assunto enquanto era a vez do Tyler se trocar. Ficou falando do cronograma, parecendo cada segundo mais ansiosa e quando pousamos, Tyler saiu primeiro. Já havia um carro nos aguardando. Desci e ela veio em seguida, com seu telefone na mão e sua bolsa. Com eficiência e muita simpatia, ordenou com nossas bagagens fossem enviadas para o hotel.

Por algum motivo, se inclinou para frente e a sua bunda me chamou atenção o quanto a sua bunda era incrível. Redonda, cheia, marcada naquela calça preta justa e os saltos muito altos deixavam suas pernas bem agradáveis. Isabella tinha um corpo muito bonito, atraente e infelizmente, me enchia os olhos. A minha assistente deveria representar absolutamente nada na minha mente.

— Isabella? Vamos! — Abri a porta do carro, meu tom saiu ríspido, mas ela nem se importava. Me deu um olhar indiferente e entrou no carro. Vi o momento que dois funcionários do aeroporto falaram da sua bunda e engoli seco, olhando-os com raiva. — Fique sempre perto de mim, será um evento muito cheio e não se afaste sem avisar.

— Tudo bem.

— Tyler ficará por perto.

— Vai ficar tudo bem. — Isabella me acalmou como se a minha preocupação fosse uma espécie de ansiedade. — Nós chegaremos em vinte e cinco minutos.

Olhei para janela, seu telefone vibrou e pediu desculpas, dizendo que precisava atender. Escutei a conversa carinhosa com seu pai. Tyler me encarou pelo retrovisor. Desde que retornou, ele tem observado a Srta. Swan de perto. Me contou que nasceu em uma minúscula cidade em Washington, morou um tempo em Portland, retornando para Forks.

Se mudou para faculdade, estudou em Stanford, era a primeira da turma e a mais jovem também. Seu pai era chefe da polícia em Forks, mas trabalhou a vida toda em Seattle, era um detetive com medalhas e hoje em dia, Sargento. A mãe dela parecia hippie, cada hora se registrava em um lugar, seu padrasto também tinha empregos estranhos desde que se machucou e perdeu seu contrato com uma equipe de beisebol mediana.

Isabella era diferente. Era ambiciosa, mas queria conquistar com as próprias mãos. Era muito inteligente, não podia negar e a cada vez que a via no trabalho, pensava no quanto poderia fazer dela uma mulher de sucesso. Algo me dizia que Isabella era muito mais forte do que realmente deixava transparecer.

O local da conferência estava lotado.

Nós entramos na garagem designada com dificuldade. A imprensa estava em cima do carro. Desci primeiro e Isabella em seguida, a imprensa queria saber quem era a mulher misteriosa que tanto me acompanhava. Nunca aparecia com minha segunda assistente, ou com Tyler, ou sozinho, mas, meu acordo com a Carmen era treinar a Isabella para que Carmen pudesse se aposentar, então, ela tinha que ficar perto.

Entreguei meu telefone a Isabella.

— Oi primo! — James apareceu e apertou minha mão. — Srta. Swan. — Deu um aceno. Victória, sua noiva, se aproximou mais devagar. — Saltos nesses eventos não são uma boa ideia.

— Liam e Tyler ficarão com Isabella e Victória. Sua assistente?

— Jacob Black é meu assistente agora e já está lá dentro, preparando nossos lugares. — James segurou a mão da sua noiva. — Amor, essa é Isabella, assistente do Edward. Vocês vão ficar juntas.

— É um prazer conhecê-la. — Isabella apertou sua mão.

Liam sinalizou que era hora de sair do caos e confusão. Ele chegou na cidade um dia antes, para analisar a segurança do local, preparar nossa chegada e coordenou tudo a distância com Tyler. Entreguei meu telefone e carteira para Isabella.

— Se precisar comprar qualquer coisa, sabe a senha do meu cartão e tem dinheiro na carteira.

— Tudo bem. Quer revisar seu discurso?

— Vou improvisar. Dizem por aí que sou o melhor na arte do improviso. — Pisquei e ela apenas me olhou, sem esboçar uma reação. — Pagaria milhões para ler seus pensamentos.

— Seriam milhões desperdiçados, porque você pode não gostar do que está na minha cabeça. — Me deu um sorrisinho irônico e entrou no elevador.

Meu primo James estava muito ansioso. Era seu primeiro evento fazendo parte da direção da CHE e com um grande projeto. Ele me irritava, era do tipo bonzinho, ficava na dele, minha mãe adorava me comparar a ele "olha só seu primo James, tão doce, tão calmo...". Definitivamente fazia parte da personalidade dele ser tão tranquilo, desde criança. Enquanto eu e meus irmãos vivíamos de castigo, ele estava sempre sendo elogiado. Irritante.

Pelo menos parecia que colocá-lo na direção foi uma boa ideia. A única coisa que realmente não gostei foi colocar Jacob Black como seu assistente, o cara era um puxa saco, irritante, infelizmente não havia nada que pudesse comprovar minha intuição contra ele. No escritório, tinha fama de sair com as mulheres, mas nenhuma delas prestou queixa ou ele pareceu ter comportamento inadequado. O jeito dele me incomodava, me deixava em alerta e eu não confiava.

— Bella! — Jacob sorriu ao ver minha assistente.

— Você conseguiu se rastejar até a viagem, Jacob?

— Sou um dos assistentes da direção também. — Abriu um sorriso. — Sr. Cullen. — Me deu um aceno respeitoso e não ofereceu sua mão para apertar.

— Boa sorte no seu novo cargo, Jacob. — Isabella lhe ofereceu um sorriso.

— Não preciso de sorte, sou competente.

Para minha grande surpresa, Isabella fingiu um bocejo.

— Desculpe. — E saiu de perto, andando calmamente na direção das cadeiras marcadas e achou o meu lugar.

Aquela atitude me fez gostar ainda mais dela.