5

Edward.

Isabella estava andando de um lado ao outro na minha frente. Batia meu telefone na mão e repetidas vezes, pensando, enquanto aguardava a ligação para sabermos do paradeiro do idiota do Sr. Barnes. Ela usava um vestido justo, meio vermelho e mostrava o quanto seu corpo era bonito. Seu cabelo estava preso, enrolado em um coque, exibindo seu pescoço branco e bonito.

— Simplesmente nada. — Liam entrou na sala do meu quarto do hotel. — Depois da ligação do advogado, ele saiu do hotel e não pegou nenhum avião para casa.

— Ele não pode ter desaparecido do mapa! Encontrem! — Isabella apontou para porta. Liam suspirou e saiu novamente.

— Relaxa, Isabella. Ele é um homem com medo... Seja lá o que você disse...

— Só prova que não é profissional. Perdeu o emprego, ao invés de sair por cima e manter-se como um dos acionistas, está agindo como um louco. — Seu pescoço estava um pouco vermelho. — Acho extremamente irritante pessoas que agem assim.

— Está de TPM? — Provoquei e ela me olhou impassível.

Continuou andando de um lado ao outro.

— Sente-se aqui. — Bati no lugar livre ao meu lado. Contrariada, sentou-se e cruzou as pernas. — Se ele desaparecer, tudo bem. Será o único a não comparecer a reunião. Nós vamos emitir uma nota que ficamos esperando e ele não apareceu. Ele foi demitido por atitudes realmente ruins e que levaram a GO Aerea quase falir.

— Eu sei. Ele fez escolhas realmente ruins.

— Alguma mensagem importante no meu telefone? — Ela estava brincando com o meu aparelho.

— Sua família enviou mensagens.

— Perguntei mensagens importantes. — Isabella me deu um olhar impaciente.

— Defina você, então. — Sorri para seu mal humor e peguei meu telefone. Dei uma olhada, não havia nada realmente importante. Meu irmão enviou fotos das minhas sobrinhas fazendo gracinhas, meu pai enviou um vídeo sobre política e minha mãe fotos que ela achava engraçado. Abri a do Jasper e era um convite para jantar na casa da sua noiva, semana que vem. — Parece que vou jantar na sua casa semana que vem.

— Eu sei.

— Já deixou a minha agenda livre?

— Por mim, deixaria muito ocupado. — Murmurou bem baixo, talvez fosse para não me ouvir. Ficou parada contra janela, de braços cruzados e Tyler entrou no quarto, balançando a cabeça negativamente. Isabella suspirou. — Temos que voltar para conferência.

— Vamos almoçar antes, eu não vou ficar o dia inteiro com fome.

Queria impressionar a Isabella e a levei para almoçar em um dos melhores restaurantes de Manhattan. Precisava de reservas, mas meu sobrenome me dava algumas vantagens além de muito trabalho. Nós fomos levados a uma sala privada com uma excelente visão para o Central Park. Tyler ficou do lado de fora e Liam foi a frente, para a conferência.

— É um lugar lindo. — Isabella tocou o vidro e olhou para baixo. — E muito alto.

A visão dela por trás que era realmente incrível. Sempre que ela estava pelos corredores da conferência, muitos pescoços torciam. A imprensa queria saber sobre ela, por estar muito divertido, não disse nada. As informações sobre ela eram sigilosas, então, nenhum funcionário poderia realmente dizer quem Isabella era. Todos sabiam que falar com a imprensa era proibido, por contrato e se pegos, demitidos.

Além do mais, não tinha a mínima obrigação de responder as perguntas.

— O que sugere? — Isabella pegou o cardápio.

— Gosto muito do filé, mas dizem que frutos do mar é melhor parte. Nunca experimentei.

Na minha experiência, qualquer outra mulher aproveitaria a oportunidade para manter uma conversa comigo de forma pessoal, para me conhecer melhor, mas Isabella leu o que era relevante sobre mim e para ela era o suficiente, então, a nossa conversa girou em torno do trabalho. Queria saber mais do que li, mas ela era uma fortaleza sobre suas emoções e vida pessoal. Estava claramente irritada, mas não falava absolutamente nada além do que era socialmente esperado.

Meu telefone vibrou em cima da mesa, nós dois olhamos e era Tanya Denali me ligando. Depois de bancar a louca, queria exclusivas. Não atendi a chamada, porque não queria ter que lidar com suas desculpas melosas. Isabella desviou o olhar, encarando a carta de vinhos com muito interesse.

— Procurou Tanya Denali para alguma informação?

— Não. O nome dela não estava na lista que a Carmen me passou.

— É mesmo? — Carmen e minha mãe odiavam a Tanya. — Interessante. — Fazia todo sentindo estar me ligando. — Conte-me algo seu que ninguém mais sabe.

— Por que faria tal coisa?

— Porque você tem as minhas senhas de cartões, mexe no meu telefone, a chave da minha casa e comanda a minha vida.

— Faço isso porque sou paga e porque você comanda a vida de milhares de pessoas. — Bebeu um pouco de água e me encarou.

— E se eu contar algo sobre mim que ninguém mais sabe?

— Talvez te conte algo. — Deliberou e me olhou com expectativas.

— Nem a Lauren sabe sobre isso, meus pais ou qualquer pessoa. Apenas eu e a minha ex-namorada. — Era uma situação real e só estava falando para enganá-la e colher uma informação. Também não era um segredo grave, se descobrissem hoje em dia, seria facilmente esquecido. — Minha namorada do ensino médio engravidou. Minha primeira reação foi surtar. Eu tinha dezessete anos, ela também e meu pai tinha todos aqueles planos do futuro. Nós brigamos, eu disse a ela para ficarmos calmos que tudo iria se acertar. Ela disse que ia passar as férias de verão com o pai, que contaria a ele, mas na verdade, fez um aborto.

— O que você fez?

— Fiquei chateado. Ela disse que por mais elegível que fosse, ter um filho meu seria um completo desastre.

— Aos dezessete anos, ter um filho seria um desastre, não o fim do mundo porque certamente você poderia dar a ela todo apoio do mundo, principalmente financeiro. Parece que você ainda guarda bastante rancor sobre isso.

— Um pouco. Não tanto quanto antes. Ninguém sabe sobre isso e prefiro manter em segredo. E o seu? — Fui interrompido pelo garçom com as entradas e o vinho. — Não vai me enrolar?

Isabella bebeu quase sua taça inteira de vinho, lambeu os lábios e pareceu pensativa, abriu um sorriso.

— Não tenho segredos.

— Fala sério, trapaceira.

— Trapaceira? Estou tentando entender o que realmente quer. — Apoiou os cotovelos na mesa. — Tudo bem, qual é o jogo?

— Não é um jogo. Vamos lá, quero te conhecer.

— Por que? Você tentou fazer a minha vida um inferno nas últimas semanas.

— E você passou com louvor. Agora quero te conhecer... — Me inclinei para frente também. Isabella olhou dentro dos meus olhos e arqueou a sobrancelha.

— Para buscar novas maneiras de me infernizar?

— Eu só quero te moldar para ser melhor. Você mostra todos os dias que é uma excelente profissional, só que apesar de ser boa em esconder o que está pensando, ainda aparente ser frágil. Você não pode ser frágil no meio em que trabalha. — Isabella pegou seu guardanapo de linho e colocou no colo. — Você já mudou seu guarda-roupa, mas guarda aí dentro algo realmente feroz.

Antes de falar, limpou a garganta.

— Não sei porque sinto uma vontade de te conhecer e te ver desabrochar.

— Você está dizendo que quer me treinar?

— Quero. Por que não?

— Você tem um histórico de espantar todas os seus pupilos.

— Nenhum deles aguentou ser acordado as três da manhã, pegar meus ternos, todos os cafés e as minhas inúteis exigências sobre minhas meias aquecidas. — Trocamos um sorriso. — Nenhum deles pensou que em resolver, estavam ocupados demais querendo me agradar e não querendo ser eficientes. Eles não conseguiam enxergar a necessidade de resolver o simples, de tirar os obstáculos da frente para focar no necessário. Você sim. Além de ternos limpos, meias, eu tenho uma funcionária que você entrevistou pessoalmente, que faz tudo isso e mais um pouco.

— Não costumo falhar nos meus objetivos.

— Confie em mim. — Estiquei minha mão e ela pegou, virei o dorso e beijei. — Então, um segredo?

— Minha vida nunca foi realmente interessante. — Apoiou o queixo na mão. — Morava com meu pai policial, que tinha amigos policiais e vizinhos policiais. Eu não engravidei ninguém aos dezessete, pelo contrário. Era do tipo muito certinha, não exatamente por opção. Estudei muito, sempre a mais jovem da turma, acostumada a ser melhor, mas pelo visto, isso não me ajudou a ser socialmente extrovertida como a maioria. Mudei muito quando conheci a Alice, ela me fez enxergar o lado da vida fora dos estudos.

— O que gosta de fazer para se distrair?

— Gosto de sair para beber com minhas amigas, de vez em quando vamos a boates e normalmente aproveito a minha folga para ler, fazer cursos de culinárias e bordar. E você?

— Bebo e durmo. Você tem acesso a minha agenda, não sei quando tive um dia de folga.

— Você gostaria de ter mais dias de folgas? Posso organizar na sua agenda. Aproveitar que estamos em uma época bastante flexível.

Peguei a torrada e passei a pastinha.

— E o que nesse mundo irei fazer? Minha vida é o trabalho.

— Tudo bem.

Podia dizer que Isabella não estava totalmente confiante em mim, mas, depois de lhe dizer algumas formas de finalizar um negócio, pareceu relaxar mais e almoçamos. A comida estava deliciosa. Em frente ao elevador, havia uma série de executivos esperando e todos eles olharam para Isabella. Parei ao seu lado, chamando o elevador mais uma vez. Seu blazer estava no meu braço junto com meu terno.

Assim que as portas abriram, Tyler passou na frente de todos, segurou as portas e fez o sinal para que ela passasse.

— Senhoras. — Acenei e parei bem no meio do elevador.

As portas fecharam e sorri.

— Se olhos fossem armas, você estava morto. — Tyler brincou.

— Não gosto de dividir o elevador com estranhos.

Isabella sorriu e quando percebeu que vi pelo reflexo do espelho, ficou séria, olhando para os números. Quando chegamos ao térreo, ela passou por mim e murmurou "exibido", andando com seus quadris balançando suavemente de um lado ao outro.

Balancei a cabeça sorrindo, andando atrás dela, tentando não olhar para sua bunda o tempo todo. Chegamos na conferência poucos minutos antes da minha entrada para ser o palestrante da tarde, apresentando junto com o setor de tecnologia algumas melhorias nos principais produtos e empresas da CHE. Do palco, meu olhar estava sempre nas primeiras fileiras.

Meu primo James prestava atenção em mim, sua noiva cochichava algo para Isabella que a fez sorrir. Sorrir mesmo, chegando a cobrir a boca para a risada não sair alta. Ela era realmente muito bonita quando sorria. Fiquei parado, olhando, enquanto o vídeo aparecia atrás de mim e então, nossos olhares se cruzaram. Isabella imediatamente se aprumou, me dando um olhar de desculpas e sorri, estava tudo bem.

James trouxe Victória e a coitada era muito gentil, aguentando um monte de eventos sem entender nada, com um sorriso no rosto e dando-lhe o apoio necessário. Reparei que não era o único observando o sorriso da Isabella. Jacob estava na lateral do palco, ficava sempre a postos para mostrar que estava disponível. E o olhar dele estava fixo na Isabella.

Entendia, não era difícil gostar dela. Isabella era inteligente, bonita, bondosa e muito gentil. Sempre agia com graça, era delicada, comportando-se como uma princesa da realeza, o que não era comum no meio executivo. Mulheres na posição dela são agressivas, querem provar sua competência o tempo todo porque homens como eu são idiotas. Isabella sobreviveu a mim, deu a volta e agora, provavelmente, me odiava.

Ela se saiu bem. Todos os dias se saía muito bem.

Cada merda que joguei nela, me fez engolir com um sorriso no rosto porque resolveu os problemas. Jacob era bom, mas não tanto quanto ela. O que ele sentia era um misto de admiração e inveja. A questão é que não gostava dele nenhum pouco.

Tarde da noite nós saímos da conferência. Não quis jantar no local, porque estava cansado e decidi pedir algo no quarto. Tyler e Liam estavam exaustos, passaram o dia fazendo minha segurança no evento e trabalhando para encontrar o Barnes. Não considerava o homem realmente perigoso, mas, ele foi demitido e segundo minhas pesquisas, estava falido. Desviando dinheiro da empresa para sustentar seu estilo de vida e isso, era inaceitável.

Se ele pedisse um empréstimo no banco ou para própria empresa seria compreensível. Desviar, não. E eu não poderia manter um CEO que não pudesse confiar.

Entramos no hotel, andando devagar porque ela estava de saltos e seus pés deveriam estar doendo.

— Quer comer alguma coisa em especial? — Isabella perguntou mexendo no seu celular.

— Eu vou de hamburguer com batatas fritas. Quem me acompanha? — Liam sorriu e meu estômago roncou. Tyler murmurou que queria dois e Isabella pediu um combo que tivesse milkshake. — Algum acompanhamento?

— Pode ser cheddar. — Ela corou um pouco com todos os olhares sobre seu rosto. Sorri e meu estômago rosnou.

— Traga o maior que encontrar porque estou com muita fome. — Pedi de acordo com a minha fome.

— Já volto. — Liam saiu do hotel para comprar nosso jantar.

Não demoramos muito para chegarmos no quarto. Isabella disse que ia trocar de roupa e tirar a maquiagem, cansado, me servi com uísque, ela tirou os sapatos e prendeu o cabelo, atendendo uma ligação comercial no meu telefone. Disse muito gentilmente para retornar no dia seguinte dentro do horário de atendimento.

Entrei no meu quarto depois de virar minha dose, tirei minha roupa e ouvi um gritinho assim como algo quebrando.

— Isabella? — Chamei do meu quarto. — Caiu?

— Edwar! — Ela gritou e em seguida ouvi mais um baque. Sai do quarto correndo e me deparei com um homem arrastando-a que usando apenas uma calcinha e sem sutiã. Demorei a reconhecer que era o próprio Barnes.

— Solta ela agora! — Avancei para cima dele e parei imediatamente ao ver a arma grudada na cabeça dela. Ele segurava a boca dela com força. — Barnes, você está fazendo uma loucura e com a pessoa errada. Eu mandei te demitir.

Ele me olhou e sorriu.

— Então lide com a consequência disso.

Me arremessei nele, empurrando contra parede. Isabella caiu no chão. Ele podia estar armado, mas não estava com tanta raiva quanto estava. Torci seu punho, ele deixou a arma cair e chutei para longe, entrando em uma luta corpo a corpo. Tudo que conseguia pensar era arrebentar a cara dele.

— Edward! Solta! Ele apagou! — Isabella me puxou pelos ombros. Tyler arrombou a porta, ele estava molhado, usando uma calça.

— Eu fui tomar banho! Que porra aconteceu? — Gritou e puxei Isabella, cobrindo-a com meu corpo.

— Ele estava dentro do meu banheiro. — Isabella gaguejou. — Tirei a roupa no quarto, quando fui ao banheiro ele estava lá e ai meu Deus! Ele estava lá armado, foi tão rápido. — Começou a chorar.

— Está tudo bem. — Abracei-a apertado. — Vai ficar tudo bem. — Seu cabelo estava com cacos de vidro.

— Vocês estão feridos? — Tyler estava falando conosco, a segurança do hotel estava do lado de fora e como Barnes entrou no meu quarto, não queria que nenhum deles entrassem. — A polícia está chegando.

Isabella estava sem sutiã, seus seios estavam no meu peito, nervosa, sequer estava se importando, chorando e tremendo. Passei a mão no seu braço e vi que estava com um corte e outro na cintura, ambos pareciam profundos. Quando caiu no chão, deve ter caído em cima do vaso de plantas que derrubou na confusão.

— Chame um médico também. — Pedi a Tyler, levando-a para quarto comigo. Sentei-a na cama, peguei um roupão, uma toalha úmida e com cuidado, tirei alguns dos cacos de vidros do seu cabelo, suas costas e passei a toalha úmida. — Sinto muito, mas vai doer. — Puxei alguns vidros do corte.

— Ele tinha uma arma. — Olhou em meus olhos e as lágrimas escorreram no seu rosto.

— Isso é minha culpa, me perdoa. — Passei meus polegares nas suas lágrimas.

— Como entrou aqui?

— Não sei, mas vou descobrir e quem o ajudou, vai pagar muito caro por isso. Fique aqui, vou vestir umas roupas e o paramédico quando chegar, vai vir direto aqui. — Levantei e me vesti, usando as mesmas roupas que joguei no chão quando cheguei. Uma policial bateu na porta do quarto, falando suave e dando atenção a Isabella. Fiquei perto, mas a mulher foi profissional, treinada a lidar com mulheres após trauma.

Dei meu depoimento, uma enxurrada de pessoas entrou e saiu do quarto. Enquanto o paramédico cuidava das coisas, arrumei as malas. Isabella estava com tudo organizado, ela mantinha suas coisas guardadas. Apenas sua roupa do dia estava do lado de fora. Liam voltou, com lanches e pedi que procurasse outro hotel. Não iria ficar naquele nem mais um segundo.

— Aluguei um apartamento. — Liam pegou as malas da Isabella. — Está levando pontos nos cortes.

— Estou com tanta raiva. — Minhas mãos ainda tremiam.

— Você fez um estrago no rosto do homem.

— Filho da puta miserável. Ele entrou aqui, foi para o quarto dela e queria que ela pagasse para que eu lidasse com a consequência. — Respirei fundo e puxei meu cabelo. — Filho da puta! — Repeti com raiva.

— Vamos levá-la para um lugar seguro e lidar com isso. — Liam me acalmou.

Isabella era a única ferida e nervosa. Entrei no quarto, ela estava sentada, com o braço tapando os seios e a paramédica costurando seu corte na cintura. Coloquei uma calça jeans, uma camisa branca e um sutiã ao seu lado.

— Tem certeza de que não quer ir para o hospital? — A paramédica perguntou quando terminou.

— O que houve?

— Ela tem um corte na cabeça, disse que bateu no chão com força e estou aconselhando a ir a um hospital fazer um exame de imagem, só para garantir. — A paramédica me respondeu.

— Nós iremos. — Garanti e não dei espaço para discussão. — Nós estamos saindo desse quarto. A polícia disse que volta a conversar conosco pela manhã. Tyler está buscando as imagens de vídeo e o Liam vai nos levar ao hospital antes de irmos para um lugar mais seguro.

— Eu vou me vestir. — Isabella choramingou.

Dei privacidade para se vestir, quando ela saiu vestida, peguei sua bolsa e pedi para Liam dar mais uma olhada no quarto. Vários hóspedes se assustaram com a briga e a barulheira, além da polícia e paramédicos, estavam pelo corredor e curiosos. O gerente do hotel queria falar comigo a todo custo e eu não queria vê-lo na minha frente. Isabella andou na minha frente, com o rosto baixo, passei meu braço no seu ombro e deixei que escondesse o rosto em mim.

Nós saímos do hotel direto para um hospital, explicamos o acontecido, ela foi atendida e logo encaminhada para um exame.

— Você pode ir descansar, vou ficar bem sozinha. — Isabella estava sentada na cama do hospital, usando uma camisola que foi obrigada a colocar para os exames.

— De jeito nenhum. Nós vamos sair daqui juntos e voltaremos juntos. Como está se sentindo?

— Latejando em todos os cortes, no mais, estou bem. Desculpe por surtar, mas nada parecido aconteceu comigo antes. Cresci a acostumada com armas, sei atirar, na hora me deu apenas pânico.

— Não precisa pedir desculpas, acho que a minha reação não foi das melhores. — Sentei-me ao seu lado na cama.

— Você estava com raiva.

— Não queria que ele te machucasse.

— Só me assustou. — Abriu um sorriso. — Obrigada por me defender.

— A culpa disso tudo é minha.

— É nossa. Trabalhamos juntos e eu fiz o meu dever, ele estava roubando a companhia e claramente não tinha um caráter confiável.

— Não vai sair da cadeia se depender de mim.

— Você me viu praticamente nua.

Soltei uma risada e ela me empurrou de brincadeira.

— Será nosso segredinho já que eu também não estava vestido. Até porque não foi uma visão de se jogar fora. — Isabella me bateu, brigando comigo e pedindo para parar. Ela riu e gemeu de dor. — Desculpa, não ria. Não abra seus pontos da barriga.

— Cara de pau... — Continuou rindo. — Não acredito que a noite terminou assim e pior de tudo, estou morrendo de fome.

Após sairmos do hospital, ela estava liberada, mas era para ficar atenta a dores de cabeça, enjoo e tonturas. Nos reunimos com Tyler no apartamento. Era mobiliado, tinha segurança privada, mesmo assim, Liam chamou seus contatos de confiança para complementar a equipe enquanto não vinha mais de Denver.

Um dos seguranças do hotel deu a chave-mestra para Barnes, ele esperou que saíssemos, entrou no quarto e lá ficou por horas até retornamos. Foi assim que ninguém percebeu, porque ele aproveitou um momento de extrema movimentação no hotel para passar despercebido.

Quatro da manhã, estávamos na cozinha, comendo pizza, hamburguer, batatas fritas e cerveja. Isabella estava cheia de analgésicos, mas quis beber uma cerveja.

— Seu chefe parecia um touro. — Ela brincou com Liam.

— Fui eu que te joguei no chão?

— Não. O idiota me arremessou longe.

— Certamente achou que poderia brigar na mão com você. — Tyler brincou.

— Idiota.

— Como um touro? — Liam balançou as sobrancelhas.

Isabella ficou vermelha, o que nos fez rir sem parar.

— Vocês que são uns idiotas. — Isabella enfiou umas batatas na boca, ainda toda vermelha de vergonha. Quanto mais vermelha ficava, mais nós ríamos.