7
Edward.
Isabella estava andando na minha frente, ignorando os flashes do outro lado do vidro. Nós estávamos caminhando pela área privada, porém, não secreta do aeroporto para embarcamos no avião de volta para Denver. Conseguimos autorização para usar os acessos da primeira classe, mas, todas as paredes eram de vidro e os fotógrafos insistiam em querer mais uma imagem.
A imprensa estava sedenta.
Anunciei o novo CEO da Go Aerea e o caos explodiu. Ele era, ninguém menos, que o último acionista que faltava para me vender as ações e foi ele quem deu a informação sobre as ações, o roubo do Barnes e em troca, ele me venderia mais dois porcento e seria nomeado o CEO, usufruindo de todos os novos benefícios e claro, do poder de fazer parte da CHE. Foi um golpe? Talvez.
Um golpe positivo, como gostava de nomear.
— As bagagens ainda estão sendo guardadas. — Tyler avisou e paramos próximo à saída, aguardando a van que nos buscaria para levar até a aeronave.
— É a vigésima ligação do seu pai. — Isabella me entregou o telefone.
— Ele não sabe que é você negando as chamadas. — Sorri para sua cara de espanto. Isabella mordeu o lábio quando encerrei a chamada e logo em seguida o telefone voltou a tocar.
— Tudo bem, eu atendo. — Gemeu e pegou o aparelho de volta. Meu pai não estava satisfeito, na verdade, ele parecia irado nas suas mensagens. Mas ele passou o bastão do poder para mim, ou confiava ou ficava quieto. Essa eram as suas duas únicas opções. Meus irmãos estavam cientes, animados e queriam participar da próxima parte do jogo. — Oi, Sr. Cullen. Ah... Sim. Não! É claro, vou avisar. Certamente, senhor. Entendi. Mas... Hum, tudo bem.
Isabella me devolveu o aparelho.
— O que aconteceu?
— Ele está nos vendo ao vivo, porque alguma emissora está transmitindo e acabou de me demitir. — Ela engoliu seco. — Tenho que pegar minhas bagagens e encontrar um voo comercial para retornar a Denver. — Disse automaticamente e foi andando na direção oposta. Tyler me olhou meio confuso. Andei atrás dela, evitei olhar na direção dos fotógrafos, abri a primeira porta que encontrei e a puxei para dentro.
Era um armário de limpeza.
— Você não está demitida.
— Mas o seu pai...
— O meu pai é o meu pai, eu sou o CEO da empresa e ele apenas o meu pai. — Segurei seus ombros. — Carlisle me passou a posição do CEO sob as condições que eu teria 60% da empresa, cada irmão 20%. Ele não sabe, mas tenho um acordo com meus irmãos no qual divido os bens igualmente entre nós três. Então, você é minha funcionária. Não da CHE, minha. Assim como a Carmen, para onde for, vocês irão e mesmo assim, ele não tem absolutamente nenhum poder sobre quem contrato ou deixo de contratar.
Isabella mordeu o lábio e senti uma vontade maior que o mundo de beijá-la.
— Você está chateada?
— Claro que não, são coisas que podem acontecer. — Tentou soar firme.
— Lembra da nossa conversa no almoço? Sobre confiança? — Olhei em seus olhos e ela assentiu, mas não falou nada. — Vamos fazer o seguinte. Que tal termos um gesto de confiança?
— Gesto de confiança?
— Nós podemos ter um sinal, um toque, alguma coisa que será o momento que poderemos falar sobre qualquer coisa sem profissionalismo ou qualquer coisa. Será apenas algo entre nós, em total e completa confiança.
Isabella me encarou.
— Cruzar os dedos mindinhos. Faço isso com meu pai desde que era menina...
Ergui meu dedo mindinho, ela ergueu o dela e cruzamos.
— O que está sentindo? O que ele falou?
— Seu pai disse estava profundamente decepcionado que nós estávamos em um relacionamento e que ele imaginava que no mínimo, fosse ainda mais profissional que você. — Respirou fundo e precisei controlar a minha vontade de explodir com meu pai. — Eu sou profissional. Muito mesmo.
— Sei muito bem disso, meu pai está com raiva de mim e porque estou provocando-o, não atendendo suas chamadas. — Segurei seu queixo e ela suspirou, olhei bem dentro dos seus olhos e sorri. — Vou lidar com meu pai.
Isabella sorriu e me abraçou, foi espontâneo e ela logo quis encerrar o abraço, mas não ia perder a oportunidade de tê-la em meus braços, então, não soltei. Ofereci meu braço e saímos do quartinho de braços dados. A mídia estava gritando, olhei e dei um aceno. Eles queriam uma declaração. O mercado financeiro estava pegando fogo e a mídia especulando além do que deveria.
Tyler e Liam nos aguardavam pacientemente para embarcar na van. Isabella entrou primeiro, cumprimentou o motorista e sentou-se no canto. Liam sentou-se bem na minha frente.
— Surtou, branquela?
— Um pouco. — Isabella corou. — Fui demitida e readmitida.
— Tu demitiu a branquela, chefe? — Liam me encarou chocado.
— Não. Eu readmiti.
— Ah bom. Nada de tirar a branquela da equipe. Quem vai rir das minhas besteiras? E ficar vermelha por elas?
Isabella deu um chute nele, rindo.
— Sossega, crianças. — Tyler castigou e nós rimos.
A viagem de volta foi tranquila. Isabella dormiu o tempo inteiro, Liam ficou lendo, Tyler jogando e eu brincando no telefone celular. Nós pousamos sem problemas, felizmente, o tempo estava bom em Denver, diferente do chuvoso em Nova Iorque. Esperamos as bagagens, deixamos Isabella em casa e em seguida, Tyler nos levou para meu prédio no qual os dois dividiam um apartamento e eu vivia na cobertura.
Entrei em casa só para deixar as malas. Ângela estava na minha cozinha, com compras, dizendo que estava preparando uma lasanha, se quisesse jantar, era só descongelar umas partes. Agradeci, peguei a chave do meu carro e avisei aos meus seguranças que iria para casa dos meus pais e não precisava de companhia.
Peguei meu audi e-tron, explodindo AC/DC pelos altos falantes, dirigindo em alta velocidade pelas avenidas porque meus pais moravam em um rancho em Lakewood, pouco mais de uma hora de viagem na velocidade que eu estava. Eles saíram de Denver há alguns anos, pouco depois que descobri que meu pai tinha um caso e minha mãe decidiu que era hora de sair da cidade para morar em algum lugar mais calmo. Compraram um rancho e desde então, vivem lá como se nada tivesse acontecido.
Meus irmãos não sabiam. Descobri que meu pai estava sendo infiel ao ouvir uma briga deles, fiquei puto, o confrontei, ele assumiu e por mais que a nossa relação fosse complicada devido as suas exigências sobre sermos excelentes homens de negócios, jamais imaginei que meu apaixonado pai traísse minha incrível mãe. Foi uma decepção que não quis compartilhar com meus irmãos. Eles ficam divididos na briga sem saber a verdade.
Buzinei, com a música alta, passando pela estrada da entrada do rancho. Era um incrível sábado de sol, de longe, avistei meus pais na mesa da piscina com minha cunhada Rosalie, Alice, a noiva do Jasper e meus irmãos na churrasqueira. Era um evento de família que não fui convidado. Estacionei e atravessei o gramado, minhas sobrinhas estavam me gritando e acenei, sorrindo.
— Se não é a minha família que se reúne sem mim. — Cheguei perto.
— Se tivesse atendido as minhas ligações, saberia. — Carlisle retrucou no mesmo instante.
— É mesmo? Pensei que estivesse me ligando para discutir algo que não lhe cabe mais, além disso, quando a ligação foi atendida, se achou no direito de demitir a minha assistente. — Arqueei a sobrancelha.
— Você demitiu a Bella? — Emmett perguntou chocado.
— Carlisle! — Esme bateu em seu braço. — Querido, nós não nos reunimos sem você. Estava ocupada cozinhando, pedi que seu pai te convidasse.
— Certamente não falou sobre isso... Somente sobre as minhas decisões como CEO, chamou minha assistente de antiprofissional e por aí vai. — Cruzei meus braços. Alice estava encarando a mesa, Jasper parou atrás dela e apertou seus ombros, mas encarava meu pai.
— Ela é, se está em um relacionamento com você, não podem trabalhar juntos! — Carlisle ficou de pé, bateu na mesa e me aproximei.
— Essa não é a sua decisão. Isabella é minha! Não se meta com ela. Nunca mais na sua vida ouse fazê-la sentir menor, menos profissional ou inadequada. Você tem sorte que ela é uma mulher gentil, porque qualquer outra teria te colocado em seu devido lugar.
— Meu lugar? Eu sou seu pai e ela trabalha para a empresa que eu fundei!
— Então por que me nomeou como CEO? Pensou que iria sentar na cadeira para você comandar? Ledo engano. — Abri um sorriso.
— Chega, vocês dois! — Emmett entrou no meio. — Papai, você tem de deixar o Edward trabalhar. Não dá para ficar se metendo! E a Bella é uma excelente pessoa.
— Isso é verdade. — Jasper entrou na defesa. — Nós começamos agora, nos dê espaço.
— Seus filhos têm toda razão. Você prometeu uma aposentadoria... Espero vive-la. — Minha mãe tocou seu braço. — Nós somos uma família antes de sermos uma empresa. E Edward, faça a gentileza de trazer Isabella aqui hoje, quero conhecê-la melhor. Ela parece próxima dos meus filhos e é melhor amiga da minha nora mais nova. Ou ela é minha nora mais nova. — Arqueou a sobrancelha e todos me olharam.
— Não vou responder a isso. — Sorri sem nenhuma vergonha. — Vou ver se ela quer vir.
— Ajude-o a convencê-lo, Alice. Prometa que Carlisle estará no seu melhor comportamento e ansioso para pedir desculpas por ter sido grosseiro. — Esme disse e ri da careta do meu pai. — Edward, amor. Vem aqui. Você foi louco de atacar um homem armado, menino. — Me abraçou apertado.
— Não me machuquei, então, fiz a coisa certa. — Beijei sua bochecha.
— Ele foi homem. — Carlisle grunhiu. — Estúpido, porque se você morresse, eu ia te matar. — Ele me abraçou também.
— Estamos bem.
— No seu quarto tem roupas de banho, vá se trocar. — Esme me deu um beijo na bochecha.
Enquanto andava, enviava uma longa mensagem para Isabella. Primeiro negou, disse que Alice já estava falando com ela, mas eu disse que Tyler já estava a caminho para buscá-la e era melhor estar aqui com roupas de banho. Para minha completa surpresa, me enviou uma sequência de carinhas furiosas. Soltei uma risada, guardei meu telefone no bolso.
— Então, está rolando? — Emmett me empurrou e comecei a rir.
— Não estou falando sobre isso.
— Você gosta dela? — Jasper estava subindo a escada atrás de mim. Andei o corredor inteiro pensando sobre isso. — Não me leve a mal, irmão. Você é o mais velho, mas também sempre foi o pior de todos nós em relação a mulher. Nunca gostou de relacionamentos...
— Isso é verdade, mas sim, gosto dela. Nós não temos nada... Embora cada vez que ela morde o lábio, minha mente escorrega para lugares realmente profanos. — Suspirei e puxei meu cabelo. — Sei que vocês dois gostam dela, eu também, não quero... Só não sei. Quero que ela venha hoje e fique tudo bem, apenas isso.
— Tudo bem. — Jasper ainda estava desconfiado.
— É a primeira vez que você não é pervertido sobre uma mulher. — Emmett encostou na parede. — Vai ser divertido ver isso acontecer.
— Não a assustem ou eu mato vocês, digo a mamãe que foi um acidente e sigo a minha vida. — Sorri e entrei no meu quarto, pegando uma roupa de banho. Minha mãe mantinha várias roupas no armário do meu quarto.
Troquei de roupa e conferi se ela estava a caminho. Tyler enviou uma mensagem que a branquela estava meio nervosa e emburrada, sabia que era antecipação por estar com a minha família e que chegariam em por mais de trinta minutos. Passei na cozinha, fiz um sanduíche de queijo com mostarda, por estar com muita fome e sem paciência para esperar os lerdos dos meus irmãos no comando da churrasqueira.
Jasper me entregou uma cerveja e sua noiva me encarou um pouco, me deu um sorriso e pensei que Alice ainda estava reticente comigo porque quando meu irmão disse que iria se casar com uma completa desconhecida, disse que ela era uma caça-tesouro. Jasper certamente abriu a boca. Meus irmãos adoram me fazer de vilão. Estava bêbado e mal-humorado.
— Eu quero, Tio Edward. — Claire saiu correndo da piscina com suas boias de unicórnio.
— Você quer meu sanduíche ou a minha cerveja? — Brinquei com ela.
— Edward! — Rosalie me empurrou, rindo.
— Os dois! — Claire respondeu rindo.
— Com trinta anos, você pode beber a cerveja, mas agora com dois o Tio Edward te dá o sanduíche. — Ofereci a ela meu pão, que comeu quase todo. — Alimente sua filha, loira. — Rosalie me deu o dedo médio, indo até a mesa, montando um prato de comida para as meninas. Emmett deu a ela dois pedaços de frango que estavam prontos.
— Só pode beber com trinta anos? — Carrie perguntou da piscina. Ela tinha quatro anos e era muito esperta.
— Sim, amor. — Respondi ciente que ela iria soltar uma bomba.
— MAMÃE! Você não pode beber! Tem vinte e oito! — Acusou. Rosalie me bateu de novo, rindo, foi explicar para filha que a maior idade para beber era aos vinte e um e que tio Edward estava sendo um bobo. — Tio Edward nunca é bobo, mamãe. Tio Edward é incrível.
— Escute a sua filha. — Gritei do meu lugar. Todos riram. Rosalie revirou os olhos e tirou Carrie da piscina para comer.
Alice me deu um sorriso e apontou, olhei para trás e Isabella estava andando pela entrada de arcos do rancho, usando um macacão branco elegante, um pouco curto, sandálias baixas e um chapéu de sol e óculos escuros. Deixei minha cerveja na mesa, caminhando até ela, já erguendo meu dedo mindinho.
Isabella agarrou meu dedo quase torcendo.
— A sua família vai pensar que realmente estamos em um relacionamento.
— Meu pai foi grosseiro com você, ele precisa se desculpas e todos gostam de você, inclusive eu, então, minha mãe quer te conhecer melhor. Obrigado por vir.
Isabella tirou os óculos.
— Você gosta de mim?
— Sim...
— E o que isso significa?
Segurei sua mão.
— Não sei, não estou com pressa para descobrir. Por que não aproveitamos uma folga? Nós dois merecemos. — Apoiei sua mão no meu braço. — Vamos?
— Tudo bem, mas é melhor me proteger. — Apertou a unha nos meus braços.
— Sempre, mulher. Isso você pode ter certeza. — Sorri e a conduzi até a minha família muito ansiosa por um tempo com ela.
N/A: Obrigada pelo carinho incondicional no último capítulo!
