9

Edward

Acordei com o sol no meu rosto, com calor e tateei o controle da climatização do quarto, ligando e logo senti o ventinho gelado. As janelas estavam fechadas, as cortinas abertas, uma claridade infernal e virei na cama, sentindo Isabella e abracei seu corpo. Ela soltou um suspiro, mas ainda estava dormindo. Seu cheiro era muito gostoso. Passei a mão na sua coxa e mantive ali, voltando a dormir e quando acordei, estava sozinho na cama.

Levantei me sentindo bem considerando a quantidade de bebida e o baseado que fumei. Não fumava maconha desde a universidade. Nós olhamos para o cigarro e pensamos? Por que não? Foi divertido fazer algo adolescente já que estávamos passando o final de semana na casa dos nossos pais. Acho que fiquei realmente louco, porque tenho lembranças de comer quase uma pizza inteira e rolar na grama jogando bola.

Troquei de roupa, pegando uma sunga e um short, descendo a escada sem camisa e descalço, morrendo de fome. A mesa do café da manhã estava pronta, mas não vi a minha família. Entrei na cozinha e para minha completa felicidade, Isabella estava sozinha na cozinha. Ela parecia pegar alguns pães congelados e colocar na forma untada, em ordem completamente assimétrica.

— São apenas pães e não soldadinhos. — Parei atrás dela, que usava um vestido longo preto, transparente, dando para ver o biquini por baixo.

— Sua mãe disse que eles não podem ficar muito próximos porque vão inchar e grudar no outro. — Me apoiei do seu lado. — Dormiu bem, Snoopy Dog? — Sorriu timidamente. Ah, alguém tinha senso de humor.

— Sim, dormi muito bem, não por ter ingerido um pouco de cannabis, mas sim pela companhia na minha cama. Realmente gostei. — Me inclinei para beijar sua bochecha e minha mãe escolheu o exato momento para entrar na cozinha. Voltei para meu lugar e Isabella virou, colocando os pães no forno. Minha mãe nos flagrou em um momento e estava sorrindo feito louca. — Bom dia, mãe.

— Bom dia, querido. Dormiu bem? — Me deu um sorriso brilhante. — Obrigada por me ajudar, Bella.

— Vai fazer panquecas, mãe? — Provoquei e ela me bateu, rindo. As panquecas da minha mãe eram terríveis desde que podia me lembrar.

— Posso fazer. Segundo Alice, as minhas panquecas são as melhores. — Isabella disse e ouvi passos. Alice entrou na cozinha sonolenta, junto com um Jasper que parecia destruído.

— Ouvi você dizer que vai fazer panquecas? — Alice sentou-se no banquinho. — Bom dia a todos.

— São realmente boas? — Olhei para Isabella.

— As melhores. Principalmente as de bananas com chocolate, ela costuma cortar morangos por cima e ficam deliciosos. — Alice falou animada. Jasper tombou a cabeça na mesa. — Não me solidarizo.

— Fique à vontade, Bella. A dispensa fica naquela porta, a geladeira é toda sua e acredito termos bananas e chocolates... — Minha mãe ofereceu e olhou para seu filho caçula. — O que foi? Bebeu demais? — Ela falou propositalmente alto e Jasper gemeu.

— Ele vomitou a noite inteira. — Alice disse rindo.

— Pelo menos sabemos que não foram eles. — Comentei e ninguém além da Isabella entendeu o que quis dizer.

— Comporte-se. — Ela me avisou severa.

— O que estão falando? — Esme perguntou pegando umas laranjas.

Edward! — Isabella gritou da dispensa, mas era só para me manter calado.

Comecei a rir, meu irmão gemeu no lugar e minha mãe foi fazer suco de laranja, completamente confusa. Alice começou a acariciar a cabeça do Jasper, perguntando se ele queria algum remédio. Ajudei Isabella a fazer as panquecas, estávamos terminando quando meu pai entrou na cozinha e percebi que imediatamente ficou tensa. Toquei sua cintura com cuidado, acariciando e olhei em seus olhos, dizendo para relaxar.

— Bom dia, família! — Emmett entrou na cozinha com a filha mais nova no colo. — Dê bom dia, Claire.

— Bom dia a todos! — Ela gritou tão empolgada quanto o pai.

Jasper gemeu, eu ri e olhei para meu irmão muito empolgado. Rosalie entrou na cozinha de mãos dadas com a Carrie, sorridente.

— Agora sei quem foi. — Provoquei.

— Edward! — Isabella brigou comigo.

Rosalie me deu um olhar sabendo do que estava falando, riu e deu uma banana para Carrie comer. Emmett balançou as sobrancelhas.

— Mas não fomos nós que usamos música clássica. Dá certo mesmo? — Ele olhou para Bella, que me olhou e comecei a rir.

Jasper grunhiu com a gritaria na cozinha, Alice riu dele e meus pais pareciam totalmente perdidos.

— Vocês ainda estão chapados? — Esme quis saber e aí mesmo não parei mais de rir. — O que está acontecendo?

— Fique quieto. — Isabella sussurrou.

— Ontem a noite, depois que a Bella me mandou tomar banho, nos sentamos na cama para conversar e ouvimos os vizinhos em uma noite muito intensa. — Comecei a falar. Emmett estufou o peito todo orgulhoso.

— Toda aquela maconha me deu tesão. — Emmett dançou ao redor da Rosalie, que o beliscou rindo e ao mesmo tempo, mandando parar. — E não fui o único. Dançou ao som de Mozart, irmão?

Isabella escondeu o rosto nas minhas costas porque ninguém conseguia parar de rir. Meus pais entenderam, sorriram e reviraram os olhos. As crianças seguiam alegremente ignorantes da bagunça na cozinha. Terminamos de preparar a comida e nos reunimos na sala de jantar para comer. As panquecas estavam maravilhosas, porque teve briga para pegar as últimas, mas no final as meninas venceram.

— Estavam deliciosas, Isabella. — Meu pai elogiou polidamente, ela corou e sorriu timidamente de volta. Peguei sua mão e beijei, ela disse que queria ir com calma, descobrir se seríamos bons amigos, bons profissionais ou bons de cama. Eu sabia que seríamos os três. — Você gostaria que pedisse o almoço? — Perguntou a minha mãe.

Alice observou minha interação com a Bella e deu um sorriso encorajador com sua amiga. Estava surpreso que ela não tivesse relacionamentos. Eu era a pessoa que não tinha relacionamentos, o que aconteceria seria perfeito. Nós dois trabalharíamos juntos, teríamos muito sexo e ficaria tudo bem. Exceto pelo fato que pela primeira vez que cogitei minimamente ter algo mais com alguém incrível, enigmático, muito inteligente e sexy, a pessoa não queria.

Completamente estranho. Mas quem disse que ia desistir? Nunca.

Voltei a prestar atenção na conversa e minha família ainda estava discutindo o almoço. Isabella estava dando pequenos pedaços dos seus morangos com creme de avelã para minha sobrinha mais nova, que já tinha o rosto todo sujo de chocolate.

— Não precisa, querido. Tem bastante sobra de ontem, salada e posso fazer alguma coisa para complementar.

— Ainda sobrou frango, posso fazer novamente. — Emmett sugeriu.

— Então, vamos para piscina? — Carrie estava empolgada.

Ajudei minha mãe a recolher a mesa, como ajudei a cozinhar, ela ordenou que Jasper e Emmett lavassem a louça. Rosalie levou as meninas para piscina, convencendo Alice e Isabella a lhe fazer companhia. Parei por um momento para olhar meu telefone, tudo parecia sob controle, alguns e-mails de relatórios, alguns problemas que já estavam sendo resolvidos e as mensagens particulares estavam pipocando.

Respondi alguns amigos e quando olhei para piscina, Rosalie batia palmas e jogava água, incentivando Isabella a tirar seu vestido. Ela usava um biquini vermelho escuro, em contraste com sua pele branca. Alice estava com um maiô branco bonito, ela era muito bonita, meus futuros sobrinhos seriam lindos, mas nada se comparava ao quanto Isabella era linda.

Seu corpo era mais torneado e definido que imaginava, suas coxas eram grossas, ela tinha um quadril bonito, uma bunda redonda bem preenchida e uma cinturinha que minhas mãos ficariam incríveis. Sem contar seus seios. Eles eram redondos, médios, cheios e estava entrando em um coma sonhador que aquela mulher dormiu bem ao meu lado e não queria algo comigo, porque por mim, nós pularíamos na cama imediatamente.

Bella avisou que não ficaria muito tempo no sol por causa dos pontos e sentou-se na beira da piscina, com os pés na água e Alice puxou o guarda-sol para beira da piscina, protegendo-as.

Meu pai parou ao meu lado, também olhando para janela.

— Você realmente confia nela?

— Sim, por que?

— Isabella se destacou muito rápido na empresa. Ela é eficiente, pragmática e não se importava de ser aquela ficando tarde da noite. Foi por isso que lhe atribuiu uma vaga, porque fiquei preocupado com uma menina tão frágil colhendo dados até a meia noite. — Enfiou as mãos no bolso. — Ela é gentil, educada e ao mesmo tempo tão doce. Fico preocupado, Edward. Você pode destruir a carreira dela.

— Não pretendo fazer isso, pelo contrário, quero treiná-la como você treinou a Carmen e ela é uma mulher excepcional.

— Eu sei. Isabella me lembra muito a Carmen, principalmente na timidez. Acredite em mim, ela era muito tímida, falava tão baixo...

— Sério? Pagaria para ver.

— Então... Mesmo se as coisas entre os dois não derem certo, tentem ser adultos e resolver da melhor forma para que o trabalho não seja prejudicado. Sua mãe quer mais netos, mas eu agradeceria se você não engravidasse a garota enquanto ela estiver solteira e despontando na carreira. E se achar que ela é a mulher certa, não perca seu tempo, você passou dos trinta e não precisa ter sessenta anos para ser pai. — Me deu um tapinha e saiu de perto.

Era engraçado que minha família era a única preocupada com a minha idade quando eu me sentia cada vez mais jovem. Passei dos meus dezessete aos trinta anos estudando, trabalhando, me dedicando a empresa e era óbvio que saia, me divertia, bebia, mas eu tinha um foco, objetivo que me fez suar na roupa nos últimos cinco anos para chegar onde cheguei profissionalmente. Seria um péssimo pai e marido, porque estaria ausente e estando presente, não realizaria meus sonhos.

Era como se eu tivesse o direito de viver pela primeira vez, sem cobranças, sem pressões e eles achavam que podiam pressionar mais um pouco sobre casamento e filhos. Talvez esse fosse o meu momento, mas não estava com pressa.

O dia na casa dos meus pais foi muito divertido, porque fazia tempo que a nossa família não se reunia sem preocupações. Meu pai me colocou contra meus irmãos no último diversas vezes e impôs uma pressão sob nossos ombros para provar a ele quem era o melhor para herdar a empresa. Cada vez que nos reuníamos, brigávamos e estragava os momentos que minha mãe tanto preparava com carinho.

Quando Rosalie ameaçou nos privar da presença das meninas, nós paramos. Ninguém queria ficar sem ver as duas princesinhas da casa.

— Suas sobrinhas são realmente adoráveis. — Isabella comentou no carro, a caminho da casa que minha mãe queria que visitasse. — Hum, estamos perdidos?

— Não sei, mas aqui é tão bonito.

— A placa da casa já tem alguns metros... — Isabella olhou para trás no banco.

— Lá está ela.

— Isso tudo faz parte da propriedade? — Olhamos ao redor, era enorme, bonito, mas estava bem abandonado. — É enorme. Sua mãe não disse que era um rancho.

— Dona Esme costuma não dizer um monte de coisas. — Murmurei e estacionei o carro o mais próximo da entrada.

— É lindo. — Isabella saiu do carro e foi andando redor. — Olha só o tamanho dessas árvores! — Olhei para o alto e analisei a casa. Ela precisaria mesmo de uma reforma, mas, era bonita, antiga, tinha um ar acolhedor e a sua arquitetura era simplesmente apaixonante. Estiquei a mão e Isabella me olhou por um bom tempo antes de aceitar e pegar, andamos de mãos dadas até a escadaria da frente.

A corretora nos encontrou na entrada, estava acompanhada por um assistente, explicou que a casa estava fechada há seis anos. Os donos morreram, a propriedade passou por um processo judicial, ficou fechada e sem manutenção. A cada parecia ter o formado de um quadrado porque o pátio da piscina era bem no meio, com grandes arcos nas entradas para os corredores.

O chão era xadrez, preto e branco, cozinha com mármores claros bem antigos e eram dos mais caros. O primeiro andar consistia em sala de estar, jantar, uma biblioteca, uma cozinha muito espaçosa e mais duas salas que eram bem abertas, com uma visão que deveria ser muito bonita para o pátio. Na parte de trás da piscina, tinha uma casa como um solário, churrasqueira e o espaço atrás era de gramado, um possível jardim, um chafariz abandonado e algumas estátuas quebradas.

Passamos com cuidado pelo que seria uma área para criação de animais e retornamos para casa, subindo a escada e conhecendo os seis quartos, todos suítes, o quarto principal era enorme com closets separados, banheiro com duas pias, box separado da banheira e eram azulejos antigos. No meu ponto de vista, a casa após reformada seria um investimento e tanto.

E por algum motivo, podia me imaginar vivendo naquele lugar. Após a reforma, era possível ter um jardim charmoso. E sem contar que no quarto principal era possível ver o nascer do sol no lago principal da cidade.

— E então? — Isabella encostou no parapeito da janela. — Ela precisa mesmo de reforma... Mas tem um charme. Está querendo investir para vender depois?

— Não. Seria para morar. — Parei na sua frente, com minhas mãos no bolso da minha calça. — Minha mãe vem me enchendo o saco que só tenho carros em meu nome, moro no apartamento que meu pai me deu há anos e ela tem pavor de elevadores. — Sorri de lado, Isabella olhou ao redor e me deu um sorriso também.

— Sabe que não vai conseguir se mudar em meses.

— Talvez seja preciso dois ou três para reformar, mais um para o jardim e mais algumas semanas para decorar e mobiliar.

— Vai fazer a oferta?

— Você vai. — Pisquei e ela me olhou confusa. — Negocie um preço ótimo, justo, para mim e não para eles. Convença aquela corretora que vender por trezentos mil a menos é a sua melhor opção. Eu vou ficar bem aqui. — Me inclinei e rapidamente roubei um beijo dos seus lábios. Ela fechou os olhos por um momento, fez um ligeiro beicinho e beijei novamente, com mais calma, mas sem línguas. — Vai lá.

Isabella andou com calma até a corretora, fiquei encostado na parede, observando-a falar com a mulher com confiança. Por várias vezes, a corretora tentou me levar para a conversa, mas eu continuei parado. Isabella iria se sair bem, se ela conseguisse cem mil a menos já seria lucro. O assistente estava de longe, assistindo e quando as duas apertaram as mãos, a corretora se despediu prometendo levar os documentos no escritório.

— E então?

— Quinhentos mil a menos. — Isabella sorriu. — Você vai comprar esse incrível rancho por dois milhões e meio. — Parou na minha frente e fiquei estático.

— Como?

— Apesar da estrutura estar ótima porque é muito antiga, algo que não é mais construído hoje em dia, toda fiação terá que ser trocada. Meu pai me ensinou a olhar sobre fusíveis e disjuntores quando era criança e os da cozinha são muito antigos. Não vai aguentar um ar condicionado, dirá na casa inteira. — Cruzou os braços e parecia muito orgulhosa de si mesma. — Todas as lareiras precisarão ser trocadas para nova lei dos bombeiros, o chão de ladrilho xadrez dos corredores parece romântico e lembrando aquelas casas antigas do México ou Miami, mas, estão rachados e também precisarão ser trocados. E a piscina está vazia porque tem um vazamento. Consegui calcular os custos acima do lucro, ela estava querendo levar além, deixou aberto para negociação. E... Em troca de um post no seu instagram corporativo sobre a compra da casa, ela tirou mais cinquenta mil, já de olho nos novos clientes.

— Um post?

— Sim. Uma faca de dois gumes, porque se ela for ruim, será a sua ladeira abaixo. Então?

— Bem que minha mãe disse que era necessário vir com uma mulher ou um engenheiro. Obrigado por isso. Foi um bom negócio...

— Ora, ora. Foi um elogio? Você não vai dizer que poderia fazer melhor?

— Estupendo seria conseguir um desconto de um milhão, em troca de favores na CHE, mas foi um bom negócio. E não, não foi um elogio. — Abaixei e olhei em seus olhos. Isabella bufou, deu as costas e foi andando. — Aceite o que digo, Swan.

Isabella me olhou sobre os ombros.

— Aceito que vai pagar meu jantar porque estou com fome. — Me olhou sobre os ombros e foi descendo a escada. Andei com rapidez atrás dela, descendo juntos e quando saímos, pedi que parasse em frente a porta e fizesse uma pose. Por um milagre, fez uma pose engraçada, descontraída e fotografei, enviando a minha mãe que o negócio estava feito.

Isabella andou até a mim, descendo dois degraus da escada da entrada e não me movi, coloquei seus braços apoiados nos meus ombros e segurei sua cintura.

— Posso te contar uma previsão do futuro?

— Hum, os números da loteria premiada? Você não precisa disso...

— Não, algo realmente muito melhor.

— Então, o quê? Você já me fez te abraçar.

— Abraços não são proibidos entre amigos.

— Entre chefe e funcionária?

— Dedo mindinho.

— Você não pode invocar o dedo mindinho do nada! — Brigou comigo e só ri. — E qual a bendita previsão mestre dos magos?

— Hum, posso sim. Um dos dedos é meu e posso fazer o que quiser, sou Edward Cullen. Me processe. — Isabella soltou uma risada gostosa que até os pássaros cantaram. — E eu estou dizendo que no futuro, você estará nua bem na minha futura cama, no meu futuro quarto, nessa futura casa e nós faremos coisas realmente gostosas.

— É mesmo? Talvez tenha mais sorte na loteria premiada.

— Acredite no que estou te dizendo.

— Me leve para jantar. — Isabella respondeu pausadamente.

— É claro, prepare-se para ficar impressionada.

Andei na frente e a ouvi bufar atrás de mim, acreditando que iria leva-la em um restaurante de luxo, mas estava ansioso para vê-la ficar surpresa com a minha real escolha.