- Por que não me contou sobre isso antes? Desde o começo? Sua mãe e eu teríamos evitado tudo. - Brian passou a mão pelo cabelo raspado.
Ele estava nervoso e preocupado.
- Não queria incomodar vocês. - Falei. - Quando estávamos juntos eu só pensava em me divertir e aproveitar o tempo com vocês. - Desviei o olhar do homem sentado em minha frente.
Um silêncio incômodo preencheu o escritório. Eu tinha acabado de contar tudo o que vinha se passando comigo no colégio. Falei sobre Justin e principalmente do ocorrido no estacionamento na tarde anterior. Revelar as coisas ao meu padrasto foi meio como tirar outro peso das costas mas não queria que ele se preocupasse ou se estressasse com tudo aquilo. Estávamos praticamente no meio do ano. Era difícil mas eu conseguiria aguentar tudo calada por mais alguns meses.
Honestamente eu só estava contando tudo por causa da promessa que fiz à Demi. Era por ela que eu estava ali sentada na poltrona do escritório encarando Brian.
- Eu sinto muito, querida. - A voz baixa rompeu o silêncio. Observei os olhos claros caírem em direção do porta retrato de família sobre a mesa. - Não sou um padrasto perfeito. Eu devia ter te ajudado há muito tempo.
- Não, não diga isso... - Senti meus olhos marejarem assistindo Brian se levantar de seu lugar. Pensei que ia sair mas o corpo alto parou diante à porta fechada e ele permaneceu de cabeça baixa. - Você sempre foi mais do que bom pra mim, B. Não permito que diga isso. - Eu disse me levantando.
Passei as mãos pelo rosto rapidamente secando as lágrimas que caíram de meus olhos e me aproximei de meu padrasto.
- Eu… estou tão… perdido sem sua mãe. - Me olhou com os olhos tristes e marejados. - Me perdoe por aquele dia aqui no escritório. Eu quero que saiba que sua mãe é insubstituível. Sempre vou amá-la pelo resto da minha vida.
- Eu sei. - Eu o abracei fortemente sentindo meu coração se apertar. - Eu sei. - Fechei os olhos deixando mais lágrimas rolarem e recebendo um longo beijo no topo da cabeça.
Não tinha ideia de quantos minutos permanecemos assim. Soltei um longo suspiro sem vontade de me desvencilhar dos braços acolhedores.
- Brian? Sel? - Ouvimos leves batidas na porta. - Tudo bem aí? - Maria perguntou.
- Sim, está tudo bem. - Brian respondeu ainda abraçado a mim.
- Só conferindo… e Selena, querida. Demi está aqui. - Avisou fazendo um sorriso surpreso surgir em meus lábios.
- Diga que já vou. - Falei, me afastando de Brian.
- Vou conversar hoje mesmo com a família de Bieber. - Brian se dirigiu à mesa, guardando alguns dos documentos dentro de sua pasta preta.
Suspirei sabendo que mesmo se eu pedisse para ele esquecer o assunto, ele não ia aceitar.
- Eles não se importam com as atitudes de Justin. Podemos apenas esquecer sobre esse assunto, por favor? - Tentei.
- De jeito nenhum, querida. Isso é muito sério e a propósito preciso agradecer pessoalmente à sua namorada por ter feito você vir até mim. - Sorriu. - Vamos lá! - Abriu a porta do escritório me dando passagem.
Balancei a cabeça sorrindo e satisfeita pelas coisas estarem melhor entre nós.
Chegamos na sala de estar e eu apenas observei quieta meu padrasto começar uma conversa com Demi a alguns passos de mim. Às vezes ela sorria tímida, os olhos castanhos encontravam com os meus rapidamente voltando encarar Brian e em um momento percebi as bochechas corarem. Sorri me divertindo com a cena.
- Querida, tem hambúrguer na cozinha se sentir fome. E deixe algum bilhete caso for sair com Demi. - Maria chegou ao meu lado falando rapidamente enquanto vasculhava a bolsa de couro.
- Por que? Aonde você vai?
- Brian me deixará no banco. Você vai ficar bem? - Franziu o cenho analisando um boleto antes de guardá-lo novamente e fechar a bolsa.
- Claro mas como você vai voltar pra casa depois? - Perguntei preocupada.
- Pego um táxi. Não vou demorar. - Beijou minha bochecha.
- Tem certeza? Pode me ligar para eu te buscar. - Eu disse a acompanhado até onde Brian e Demi se encontravam.
- Não precisa, meu amor. - Beijou minha testa virando para meu padrasto. - Vamos, vamos logo! Ainda teremos que enfrentar o trânsito. - Apressou o homem já abrindo a porta de casa.
Ri baixo abraçando Demi por trás e inalando o perfume suave do pescoço. Brian trocou mais algumas rápidas palavras com ela a agradecendo mais uma vez antes de se despedir e seguir Maria para fora de casa.
- Não estava esperando por você agora no meio do dia. - Comentei quando ela virou para me olhar.
- É que eu tenho um tipo de proposta pra você e não queria falar pelo telefone. - O sorriso enfeitou os lábios perfeitos quando pousou os braços em meus ombros. - É claro que isso é um pretexto pra te ver.
Ri terna.
- Que tipo de proposta? - Levantei uma sobrancelha a puxando pela cintura. - Eu aceito me casar com você. - Brinquei a fazendo rir.
- É sério. - Disse risonha. - Lembra do quarto livre no meu apartamento que eu queria fazer pra Liz? - Perguntou.
- É claro. Como eu poderia esquecer? - Sorri significativa dando um breve selinho nela. - O que tem ele?
- Então, Liz vai passar o fim de semana comigo e ainda não tive tempo de fazer nada lá e nem pensei em algo direito mas queria surpreendê-la, sabe? - Assenti interessada. - Aí pensei em você pra me ajudar. O que acha? - Mordeu o lábio.
- Eu vou adorar. - Sorri imaginando o quão legal seria decorar o quarto para Liz.
- Obrigada, amor! - Me abraçou alegre distribuindo beijos pelo meu rosto.
- Dem, qual é... você não tem que me agradecer. - Ri.
- Sim, eu tenho. - Sorriu docemente me fitando por um instante, fazendo as batidas do meu coração acelerarem. - Tenho algum tempo agora, quer sair e comer alguma coisa? Não sei. - Sugeriu.
- Ou podemos ficar aqui... tem hambúrguer na cozinha. - Encolhi os ombros.
- Tudo bem. - Concordou selando os lábios nos meus. - Me conte como foi com Brian...
(...)
Mergulhei as mãos nos fios macios do cabelo negro investindo minha língua na boca lasciva e explorando cada centímetro com urgência, aprofundando mais o beijo intenso. Arfei de leve com nossos lábios roçando ao sentir meu corpo ser facilmente levantado do chão. Demi me colocou sobre o balcão da cozinha e eu envolvi sua cintura com minhas pernas trazendo o corpo dela para o mais perto possível do meu.
Uma de suas mãos me seguraram firmemente pelas costas invadindo o tecido fino de minha camiseta enquanto a outra apertava minha coxa desprotegida, arranhando de leve minha pele quente.
Demi separou nossas bocas escorregando os lábios molhados pelo meu maxilar e pescoço, distribuindo beijos úmidos, sugando e mordiscando. Puxei o ar com força fechando os olhos e mordendo meu próprio lábio. Um gemido escapou de minha garganta ao sentir o lóbulo de minha orelha ser mordido e o hálito quente e pesado na minha pele me causando arrepios e uma sensação gostosa que me fez esboçar um sorriso.
A mão em minhas costas deslizou de encontro ao meu peito o massageando. Os dedos habilidosos rapidamente começaram a brincar com o bico rígido me deixando louca e excitada. Pressionei com mais força o corpo contra o meu em busca de mais contato e resfoleguei levantando o rosto bonito de encontro ao meu, capturando com rapidez a boca entreaberta e iniciando outro beijo ávido.
Desci com minhas mãos à gola da camisa social tentando com dificuldade desabotoar os botões do tecido branco.
- Sel… - Demi sussurrou ofegante contra meus lábios. Mordi o queixo bonito, trilhando beijos molhados até o pescoço alvo. - Está me deixando louca, mas.. é.. é melhor par…ahn, pode chegar… alguém…
- Não tem ninguém em casa. - Sussurrei em seu ouvido mordendo a cartilagem da orelha. - Vamos pro meu quarto… - Afastei a camisa aberta pela metade revelando o sutiã preto e desci os beijos pelo colo sentindo as mãos afagarem meu couro cabelo.
Subitamente, o contato de nossos corpos foi quebrado com rapidez por Demi. Ela se afastou ajeitando a roupa e passando as mãos pelo cabelo levemente alvoroçado. Franzi o cenho desnorteada e confusa avistando a figura loira e desagradável presente na entrada da cozinha, segurando um envelope cinza.
Bufei aborrecida.
- Desculpe, realmente não foi minha intenção interromper. - Susan disse, sua voz me irritando completamente.
- Que merda você faz na minha casa? Como entrou aqui? - Saltei da bancada fitando a mulher.
- Eu só vim trazer esse documento para o Sr. Brian assinar mas não o encontrei no escritório entã…
- Então decidiu sair procurando pela casa? - Interrompi expressando minha irritação. - Ele não está. Então por que você não cai fora agora? - Fui grossa.
- Está bem, como quiser. - Sorriu cínica. - Mas entregue isso a ele. É importante. - Avisou estendendo o envelope.
- Que seja. - Peguei o objeto sem muita delicadeza. - Da próxima vez use a campainha.
Larguei o documento de qualquer jeito sobre o balcão suspirando frustrada quando ela saiu.
- Então acho que essa é a tal da secretária de quem me contou? - Demi indagou.
- É, é ela. - Respondi um pouco mal humorada.
- Por que não tenta conhecê-la melhor? Não sei... talvez as coisas não sejam como você pensa. - Sorriu de lado, me abraçando pela cintura.
- Duvido muito, mas… - Envolvi meus braços em seu pescoço. - Não vamos perder tempo com isso e… - Aproximei minha boca de seu ouvido. - Ainda podemos subir pro meu quarto...
- Sel… - Riu baixo. - Preciso ir para o hospital. Já era pra eu estar lá, na verdade. - Me beijou morosamente. - Nos vemos a noite, está bem?
- Tudo bem. - Coloquei uma mecha do cabelo negro atrás da orelha juntando nossos lábios de novo.
Acompanhei Demi até a sala, pensando no que havia quase acontecido minutos atrás. Mordi o lábio reprimindo o sorriso bobo e girei a maçaneta da porta arqueando as sobrancelhas em surpresa ao encontrar a garota parada do lado de fora. Debby sorriu ao me ver, abaixando a mão estendida em direção à campainha.
- Não é a primeira vez que isso acontece comigo. - Comentou divertida. - Está de saída? - Perguntou olhando brevemente para a mulher ao meu lado. - Olá!
- Oi. - Demi respondeu gentil. - Sel, estou indo. - Pressionou os lábios nos meus. - Até mais tarde.
- Até! - Sorri dando um beijo em sua bochecha. - Então, a saudade bateu e veio me ver? - Brinquei desviando meu olhar para a garota.
- Oh, sim... - Riu. - Na verdade eu vim te buscar. Pegue um biquíni e vamos pra casa da Brenda!
- Mas eu tenho que estu..
- Não, não. Nada de "mas" Selena! - Me cortou me empurrando com um sorriso para dentro de casa. - Vamos nos divertir um pouco, garota!
- Se eu negar é capaz de você me arrastar até lá! - Comentei rindo enquanto seguíamos em direção à escada.
- Com certeza. Vai lá, eu te espero aqui embaixo. - Acertou um rápido tapa em minha bunda soltando uma gargalhada.
Balancei a cabeça com uma risada subindo os degraus.
(...)
Levei mais um pouco de pipoca à boca sentindo os dedos repousados em minha coxa nua se moverem com lentidão em uma carícia inocente. Demi parecia concentrada na tela da televisão onde as garotas eram esfaqueadas pelo famoso maníaco mascarado. Apenas a televisão ligada no filme de terror e a luz de fora iluminavam a sala escura. No sofá ao lado estava Hay, deitada com outro pote de pipoca nas mãos. Seus pais tinham viajado então ela ia dormir em casa. Já tínhamos visto aquele filme outras vezes antes mas sempre era divertido quando revíamos.
O som alto do celular da garota ecoou na sala em um momento de silêncio fazendo com que a mulher sentada perto de mim com as minhas pernas sobre seu colo saltasse ligeiramente no acento do sofá levando a mão ao peito. Não resisti e comecei a rir de Demi assustada recebendo um leve tapa na coxa seguido de uma carícia.
- Relaxe amor, não é o assassino. - Brinquei.
- Engraçadinha.
Ainda rindo eu desviei meus olhos assistindo Hay pegar rapidamente o celular e sair da sala sem dizer uma palavra.
- Hey… - Chamei a atenção de Demi me deslocando no sofá para sentar em seu colo com um joelho em cada lado de seu corpo. - Sabe o que eu acho? - Sussurrei contra os lábios entreabertos.
- O que? - Descansou as mãos em minhas coxas as alisando suavemente.
- Acho que… - A beijei na bochecha escorregando meus lábios para o maxilar. - Já está meio tarde pra você ir embora. - Comecei a distribuir breves beijos no pescoço quente.
- Você acha? - Sua voz saiu rouca.
- Uhmm. - Colei nossos lábios a puxando delicadamente pela nuca.
Estremeci sentindo as mãos adentrarem minha camiseta larga e as unhas curtas arranharem levemente minhas costas enquanto nossas línguas se encontravam aprofundando mais o beijo.
- Jesus Cristo! - Me afastei ao ouvirmos a voz da garota. - Não posso sair nem por cinco minutos e vocês duas já se pegam. - Suspirou se jogando no sofá.
Um riso escapou pelo meu nariz. Permaneci no colo de Demi a fitando e acariciando seu queixo com o polegar.
- Então? - Perguntei baixinho. - Durma aqui hoje. - Pedi.
- Por que será que não consigo negar? - Sorriu.
- Porque você gosta de dormir agarradinha comigo e também porque eu sou fofa. - Selei nossos lábios sorrindo entre o beijo singelo.
- E convencida. - Riu.
Me aconcheguei ao lado de Demi no sofá para terminar de assistir o filme que já estava na parte final.
- Vai começar outro de terror. Vou pegar mais refrigerante. - Avisou Hay ao levantar. - Vão querer? - Perguntou gentil.
- Não, obrigada. - Disse Demi sempre educada.
Eu apenas neguei com a cabeça começando a me sentir sonolenta com o carinho que recebia em meus cabelos.
- Não pensem que estou gostando de segurar vela! - Exclamou a garota saindo da sala.
Demi e eu rimos fraco e eu percebi o visor do celular repousado na mesa de centro acender apitando ao mesmo instante. Olhei alguns segundos para o portal da sala voltando a fitar o aparelho. Eu já estava intrigada sentindo que a garota estava escondendo alguma coisa, então sem me conter, saí de meu lugar confortável e peguei o celular de minha amiga.
- O que foi? - Demi perguntou confusa.
Justin:Estou feliz que tenha aceitado meu convite. Nos vemos no baile, linda ;)
Reli aquilo sem acreditar no que eu estava vendo. Não havia apenas uma, mas várias mensagens daquele garoto no celular de Hay e eles pareciam bem íntimos por sinal. Sabia que não era certo bisbilhotar e olhar sem permissão, mas já fazia dias que ela trocava mensagens com alguém misterioso. Eu só não esperava que fosse aquele garoto.
Sinceramente, que diabos estava havendo entre os dois e como isso era possível? Logo ele! Depois de toda a merda que me fez passar? Me senti traída de certa forma e magoada.
Olhei para Demi que ainda esperava alguma resposta minha mas antes que eu pudesse dizer algo, minha amiga apareceu novamente na sala segurando uma garrafa média de coca-cola. Ao me ver com seu celular, ela largou a bebida no sofá e arrancou o aparelho da minha mão com rapidez.
- Sel, eu posso explicar isso. - Tentou parecendo nervosa.
- O que você tem com esse garoto? E desde quando? Eu… achei que você o odiasse. - Eu disse aborrecida.
- O que está havendo? - Demi se levantou completamente confusa.
- Minha melhor amiga está saindo com Justin! - Falei em voz alta me movendo na sala para acender as luzes.
- Não, não estou! - Negou. - Quero dizer, nós não chegamos a sair. Eu entendo que esteja com raiva, Sel. Mas é que… eu fui obrigada a ajudá-lo em uma matéria e depois nós... começamos a flertar e ele parecia outra pessoa. Eu não controlo meus sentimentos, tá legal!? Eu conheci uma parte dele que você desconhece. Justin é legal e gentil comigo e… eu vou ao baile com ele. - Confessou parecendo envergonhada.
- Você só pode estar brincando. - Ri em deboche cruzando os braços no peito.
- Eu sei que é difícil de você acreditar depois de tudo que ele já te causou e eu sempre o odiei por te machucar mas ele me prometeu que mudou.
- Uh... é melhor eu... deixar vocês duas sozinhas. - Demi falou desconfortável se dirigindo para fora da sala.
- Como você pode confiar tanto assim nele? Talvez isso faça parte de alguma vingança estúpida depois do que Demi fez com ele. - Considerei.
- Agora você tá viajando. - Revirei os olhos. - Ficamos próximos antes disso acontecer, okay? Eu até pedi para ele te deixar em paz!
- Eu… - Suspirei chateada. - Eu não te culpo por estar gostando do… desse imbecil. Por que não me contou antes?
- Não estava preparada para sua reação… me perdoe, Sel. - Falou triste. - Será que ainda… nós somos amigas? - Perguntou com receio.
Rolei os olhos com a pergunta idiota puxando a garota em um abraço. Ela era como uma irmã que nunca tive. Estava chateada mas não podia deixar que essa coisa entre Justin destruísse a única e mais verdadeira amizade que tinha. Claro que ela merecia um cara melhor.
Embora não me agradasse nada aquela situação, ia me esforçar para aceitar. E se Justin a tratava bem, então não tinha problema. Além do mais depois do que Demi fez com o garoto no estacionamento do colégio, ele me deixou em paz e passou a não permitir que ninguém me ofendesse mais.
- Quero que vá ao baile também. - Falou Hay.
- Sem chances. - Afirmei.
- Ah qual é, Sel... faz isso por mim. Vai ser divertido. - Insistiu. - Vamos lá, leve a Doutora sexy com você!
- Não sei se é uma boa ideia… - Mordi o lábio pensativa.
- Fale com ela e depois me diga, tá legal? Por favor!
- Tá, tá bom. Eu falo. - Me rendi. - Mas não prometo nada.
