Levei o celular até a orelha adentrando meu quarto e me sentando na cadeira giratória. Tamborilei as pontas dos dedos sobre a escrivaninha enquanto esperava a chamada ser atendida, deslocando meus olhos para o papel de parede do notebook. O sorriso largo e perfeito de Demi abraçada a mim na foto me fez sorrir.
- Alô! - Ouvi a voz familiar do outro lado da linha. - Sel?
- Tay, oi! - Eu disse escutando algumas vozes misturadas ao fundo. - Você está podendo falar agora? - Perguntei incerta.
- Estou sim, aconteceu alguma coisa?
- Não, é só que eu... - Pausei ouvindo o falatório cessar. - Demi está com você agora?
- Ela está na emergência se não me engano, você quer que eu a chame?
- Não. - Recusei rapidamente. - É com você que eu quero falar, eu meio que preciso da sua ajuda.
- Oh... certo, pode falar.
- Okay. - Respirei um pouco mais fundo. - Quer saber, você pode me encontrar fora do hospital nas próximas duas horas?
- Provavelmente não, mas agora você me deixou curiosa então eu darei um jeito de sair.
- Tudo bem. - Soltei um riso baixo. - Obrigada, Tay!
- Não precisa agradecer, Sel. Mas eu posso saber alguma coisa antes?
- Você sabe... essa é minha última noite aqui, quero levar Demi para jantar...
- Entendi, será um prazer ajudar com seja lá o que você está pensando em fazer. - Riu.
- Então eu vejo você mais tarde? - Mordi o canto do meu lábio.
- Com certeza!
Descansei o celular sobre a mesa após encerrar a ligação. Deslizei minha mão pelo meu cabelo voltando a olhar a tela do notebook.
- Tem alguém aqui?
Me virei em direção da porta no mesmo instante que a voz conhecida penetrou meus ouvidos. Levantei num pulo extremamente surpresa, assistindo o sorriso no rosto da garota crescer.
- Meu Deus! - Corri abraçando minha melhor amiga. - Você voltou! Pensei que chegaria só amanhã. Por que não me avisou?
- Eu queria fazer uma surpresinha. - Deu de ombros. - Estava com saudade, eu disse que voltaria antes de você ir. - Me apertou mais em seus braços.
- Ainda bem que está aqui. - Me desvencilhei do abraço notando um embrulho vermelho de presente em sua mão. - Isso é pra mim? - Indaguei com um sorriso, apontando para o objeto.
- Não. - Negou seriamente me fazendo fechar a cara. - Estou brincando boba, claro que é!
Empurrei seu ombro levemente pegando o pacote que me foi estendido. Hayley se jogou em minha cama como de costume, enquanto eu abria o presente. Suspendi minha respiração, dentro havia cinco CDs de minhas bandas e cantores favoritos.
- Então, gostou? - Ela perguntou já sabendo a resposta.
- Está brincando? - Sorri largo. - Eu amei, você é a melhor!
- Sim, eu sei. - Encolheu os ombros convencida, rolei os olhos abraçando a garota novamente. - Está tudo bem? - Perguntou afagando meu coro cabeludo quando demorei para soltá-la.
- Não sei. - Suspirei fracamente. - Mas me conte como foi as férias. - Pedi me sentando no centro da cama.
- Foi super incrível, Sel! - Começou animada, entendendo que eu não queria comentar sobre o que estava acontecendo. - Visitamos diversos pontos turísticos...
(...)
- Deixa eu ver se entendi. - Taylor se acomodou na cadeira. - Você comprou uma casa? - Estreitou os olhos.
- Sim. - Reprimi uma risada. - Mas não é bem esse o ponto aqui.
- Eu sei, mas por quê? Quero dizer, você vai se mudar e tudo mais... - Levou o copo de café aos lábios bebericando mais um gole.
- Só quero ter um lugar só meu pra morar quando eu voltar, sabe? - Ela assentiu atenciosamente com a cabeça. - Além do mais esse ano eu completo vinte, não quero ter que voltar para casa de Brian depois. - Expliquei, deslizando a ponta do meu dedo pela borda do meu copo.
- Entendi, mas fazer as coisas com antecipação assim nem sempre é bom... e se... - Pausou torcendo a boca, segurando o copo repousado na mesa entre as mãos.
- E se...? - Levantei uma sobrancelha.
- E se por acaso acontecer de você não querer mais voltar? - Me fitou seriamente.
- Não tem como isso acontecer, Tay. - Afirmei soltando um riso curto. - Já está difícil deixar Demi aqui, eu ainda penso em desistir e você acha que eu vou abandonar tudo e ficar lá?
- Bom, não foi bem isso o que eu quis dizer... - Bebeu mais do líquido preto. - Só não desista de Demi. Eu sei o quanto o relacionamento de vocês é delicado mas ela realmente ama você.
- Fique tranquila quanto a isso. - Assegurei estranhando o pedido. - Eu a amo e vou voltar porque é com ela que eu quero viver o resto da minha vida. Vou esperar o tempo que for até que ela se sinta absolutamente pronta para estar comigo.
- É muito bom ouvir isso. - Sorriu exibindo os dentes brancos, fechando a cara no mesmo instante ao desviar os olhos para um ponto atrás de mim. - Esqueci que essa louca trabalha aqui.
- O quê? - Franzi a testa seguindo o olhar de Taylor.
Porém me arrependi de ter olhado. Meus olhos se encontraram com os da morena atrás do balcão da cafeteria. Vitoria esboçou um sorriso falso me encarando friamente. Senti a raiva me invadir e respirei fundo, voltando a olhar para Taylor.
- Você está bem? - Ela perguntou.
- Estou. - Beberiquei um gole do meu café. - Então, você vai me ajudar ou não?
- Mas é claro, nós podemos começar pela comida? Que tal mexicana? Você sabe que Demi adora, e eu conheço um ótimo restaurante...
Sorri entusiasmada apoiando os cotovelos no tampo de madeira descansando meu rosto em minhas mãos e ouvindo com atenção as sugestões da loira gesticulando em minha frente.
Era minha última noite com Demi antes de viajar e eu queria fazer alguma coisa simples e especial para esquecer um pouco da parte triste.
(...)
Me encostei na lateral de meu carro sem conseguir esconder o sorriso de ansiedade em meu rosto. Minhas mãos estavam geladas mas eu não estava muito nervosa, a noite estava fria.
Cruzei meus braços olhando em direção da entrada do hospital, esperando Demi sair por aquela porta. Ela não sabia que eu estava a sua espera, nosso plano era passar a noite em seu apartamento.
Eu estava tentando ocupar minha cabeça com milhares de coisas e acontecimentos felizes e evitando me preocupar com o dia seguinte, mas afastar todos esses pensamentos angustiantes da minha mente não era uma coisa fácil. Subitamente me pegava imaginando meus próximos dias longe de Demi, se eu ia conseguir lidar com toda a saudade.
Mordi meu lábio inferior olhando para o meu tênis, até algumas vozes familiares um pouco distantes atrair a minha atenção. Levantei a cabeça avistando os três amigos caminharem reto em minha direção. Sorri ao ouvir a gargalhada de Demi segurando o braço de Nick, ele balançou a cabeça rindo junto com ela. Taylor foi a primeira a me notar, na verdade ela já sabia da minha presença em frente ao edifício.
Passamos o fim da tarde em minha casa, minha nova casa. E apenas ela e meu padrasto estavam ciente sobre o lugar calmo e afastado da movimentação da cidade grande. Não sabia o que me levou a manter isso em segredo, mas sempre preferi fazer as coisas assim. Brian me ajudou a comprar o imóvel com o dinheiro que minha mãe havia deixado para mim e eu senti que havia feito uma coisa certa. Eu estava feliz por ter conseguido comprar, talvez tenha sido um pouco precipitado mas quando vi a casa eu não me importei ou muito menos pensei duas vezes.
Os olhos castanhos logo se encontraram com os meus. Assisti o sorriso bonito de Demi se alastrar e escondi minhas mãos nos bolsos da jaqueta, esperando os três se aproximarem.
- Selenita! - Nick sorriu abrindo os braços. - Que bom ver você!
- É bom ver você também. - O abracei brevemente.
- Estamos indo beber, você vem? - Perguntou quando nos afastamos.
- Oh... não, na verdade eu só vim pegar Demi. - Eu disse recebendo um breve selinho dela que me olhou com curiosidade.
- Certo então, boa noite garotas. - Desejou se direcionando à Taylor. - Vamos!
- Por que tanta pressa? - Ela reclamou. - Enfim, tenham uma ótima noite vocês duas! - Lançou uma piscadela para mim seguindo Nick em seguida.
- Okay... - Demi envolveu minha cintura. - O que foi isso? - Arqueou uma sobrancelha.
- O que foi o que amor? - Perguntei sonsa.
- Taylor, ela piscou pra você.
- Ela piscou? - Franzi o cenho. - Nem notei. - Biquei os lábios rosados brevemente abrindo a porta do carro para Demi entrar.
- Aonde nós vamos? - Ela perguntou se sentando no banco do passageiro.
- Jantar. - Sorri fechando a porta.
"And your heart's against my chest, your lips pressed to my neck..." O único som no carro era da música tocando no rádio.
Parecia que Demi tinha finalmente desistido de tentar descobrir para onde eu estava a levando. Depois de algumas tentativas falhas ela parou de perguntar. Desloquei meus olhos da estrada escura observando Demi silenciosa ao meu lado, ela parecia com os pensamentos distantes. Peguei em sua mão repousada sobre a coxa protegida pela calça justa levando na altura de meus lábios, beijando o dorso suavemente. Um sorriso meigo enfeitou a face alva me fazendo sorrir também.
- Não vai mesmo me dizer para onde estamos indo? - Tentou pela milésima vez. Eu ri pelo nariz negando com a cabeça. - Você é uma namorada má!
- Mas você me ama. - Lancei uma piscadela para ela ouvindo a risada gostosa.
- Verdade. - Se inclinou capturando meus lábios em um rápido beijo.
Conversamos sobre o seu dia durante o resto do percurso. Eu gostava de ouvir sobre cirurgias e seus pacientes. Notei que assim como eu ela estava evitando comentar sobre o dia seguinte. Quando comecei a diminuir a velocidade do carro ela olhou curiosamente pela janela, era possível ver as luzes da casa de madeira e vidro acesas.
Estacionei no gramado bem na entrada onde algumas árvores, flores e pequenas palmeiras enfeitavam a fachada. Soltei o cinto de segurança e Demi me olhou com um sorriso divertido no rosto.
- Pode esperar aqui um pouquinho? - Pedi.
- Okay... - Ela concordou parecendo desconfiada.
- Eu volto num segundo. - Avisei a beijando rapidamente antes de sair do carro.
Retirei as chaves do bolso rumando para a entrada da casa. Adentrei o cômodo de paredes rústicas mobiliado com móveis simples e sofás de cor marrom, encontrando tudo exatamente como havia deixado poucas horas antes. Apenas acendi a lareira e organizei a comida sobre a mesa no centro da sala confortável.
Demi me esperava do lado de fora encostada no carro com os braços cruzados sobre o peito. Me aproximei com um sorriso no canto dos lábios.
- Vamos! - A chamei entrelaçando nossos dedos.
- Onde estamos? - Perguntou enquanto caminhávamos em direção da porta.
- Em um local afastado da cidade...
- Certo mas... o que é esse lugar? - Correu os olhos pelas janelas grandes de vidro.
- Minha casa. - Abri a porta dando espaço para ela entrar. - Faz poucos dias que eu comprei, espero que não esteja chateada por eu não ter contado nada. - Eu disse receosa.
- Não, não estou...
- Que bom. - Soltei o ar que havia prendido me sentindo aliviada e fechando a porta ao entrarmos.
- É uma casa muito bonita. - Olhou ao redor parando os olhos em direção da mesa de centro preenchida com pratos de comida mexicana e uma garrafa de vinho. - Você fez isso?
- Sim... quer dizer Taylor deu umas sugestões... - Eu disse me divertindo com a expressão em seu rosto. - Eu só queria que essa noite fosse um pouco especial apesar de tudo. Você gostou? - Mordi o canto do lábio quando não houve resposta.
- Eu sinto que eu que deveria ter feito alguma coisa assim. Você vai embora amanhã e eu só... - Respirou fundo desviando os olhos dos meus por um momento. - Me prometa que nada vai mudar? Você vai... continuar me amando mesmo longe?
- Dem... - Afastei uma mecha do cabelo negro para atrás da orelha acariciando o maxilar rígido, fitando os olhos temerosos. - Eu nunca vou deixar de amar você.
Selei nossos lábios delicadamente iniciando um beijo lento, acariciando a bochecha macia com meu polegar. Demi apertou os braços em volta da minha cintura unindo nossos corpos.
A noite estava perfeita. A música lenta tocando no aparelho de som deixava tudo mais agradável e o fogo da lareira aquecia a sala de estar abrandando o frio. Eu não conseguia tirar meus olhos de Demi enquanto nós desfrutávamos da comida. Eu sempre me sentia bem por não ter que disfarçar quando ela percebia e sorria meigamente para mim.
Segurei sua mão livre repousada no lado da mesa, acariciando o dorso lentamente.
- No que está pensando? - Perguntou levando a taça até os lábios, bebendo mais do vinho.
- No quanto você é linda. - Eu disse a notando corar. Me levantei devagar sem soltar sua mão. - Dança comigo? Prometo que não piso no seu pé.
Ela soltou um riso baixo repousando a taça sobre a mesa e se colocando de pé em seguida. Abracei sua cintura levemente enquanto ela envolveu meu pescoço descansando o queixo em meu ombro. Sorri beijando ternamente a lateral de sua cabeça.
- Gosto do seu lado romântico. - Acariciou minha nuca com as pontas dos dedos.
- Você sabe que sou novata nisso mas eu tento. - Ri baixo a ouvindo me acompanhar.
- Obrigada... - Sussurrou roçando a ponta do nariz na parte abaixo de minha orelha.
- Pelo o quê? - Sussurrei de volta sentindo um arrepio percorrer minha espinha.
- Por ser essa garota incrível que você é, por estar comigo, por... me amar... - Soltou um suspiro calmo beijando meu pescoço morosamente. - Por tudo.
Fechei meus olhos com um sorriso em minha face e meu coração acelerado, desejando que aquele momento não tivesse fim.
(...)
Respirei ofegante recebendo beijos molhados ao longo de minha barriga enquanto as mãos delicadas passeavam pelo meu corpo. Agarrei os fios negros do cabelo bagunçado ouvindo um gemido baixo escapar dos lábios pressionados em minha pele. O hálito quente e úmido me provocando arrepios de prazer.
Levantei o tronco envolvendo o corpo perfeito e capturando os lábios convidativos com deleite. Nossas línguas se moviam em um compasso lento e sensual.
Demi enterrou as unhas curtas em meus ombros. Arrastei meus lábios úmidos e entreabertos para o pescoço suado beijando e mordiscando, sugando seu ponto de pulso.
Inalei com desejo o cheiro que emanava da pele cheirosa o guardando na memória enquanto percorria minhas mãos pelas costas desprotegida trazendo o corpo nu para mais perto do meu, sem conseguir reprimir um gemido baixo quando senti Demi rebolar sensualmente contra minha coxa.
Voltei a beijá-la com afinco sentindo a força das unhas cravadas em minha pele se intensificar, assim como o movimento em minha perna.
- Eu quero você. - Assoprou ofegante tocando brevemente meu lábio superior com a ponta da língua. - Quero você dentro de mim.
Deslizei minha mão em direção ao sexo molhado sem hesitar. Um gemido mais alto ecoou pelo quarto fracamente iluminado pelas luzes dos abajures em cada lado da cama de casal.
Nossos corpos se moviam juntos, nossos lábios se roçavam vez ou outra, e nossas respirações ofegantes se fundiam enquanto eu trabalhava meus dedos com movimentos lentos.
- Mais... - Arfou jogando levemente a cabeça para trás.
Beijei o pescoço exposto com fervor aumentando o ritmo.
Resfoleguei sentindo Demi mergulhar as mãos em meus cabelos puxando os fios e investindo o quadril contra meus dedos. Seus gemidos finos preenchiam o cômodo.
Não levou muito tempo para o corpo quente estremecer contra o meu e relaxar em meus braços.
Fitei os olhos castanhos e irresistíveis encostando nossas testas.
- Te amo. - Beijei a ponta do nariz levemente sardento juntando nossos lábios ternamente.
- Eu também te amo. - Sussurrou acariciando meu queixo com o polegar.
