Demi não tardou em se juntar a mim no carro, todavia nenhuma palavra foi proferida. Com os pensamentos desalinhados e o coração exaltado, mantive o olhar turvo no para-brisa e assim ficamos por longos segundos sem encarar uma a outra enquanto a chuva lavava a cidade. Venturosamente, o silêncio entre nós não era mais tão torturante e o resto do percurso até a minha antiga casa foi quieto.

A intensidade da chuva havia diminuído razoavelmente quando chegamos. Demi estacionou o carro na garagem e após uma troca de olhares banhados de suavidade, ela fez questão de me acompanhar até a porta. A princípio cheguei a contestar, alegando que não era necessário, mas a mulher insistiu com a mesma tenacidade admirável de antes e eu não poderia ter ficado mais grata por isso, pois ao subirmos o degrau da entrada, acabei tropeçando e só não caí de joelhos porque seu braço forte enlaçou minha cintura com firmeza, me amparando perto de si no mesmo instante.

Nossos corpos de novo praticamente colados um no outro e os olhos intensamente fixos nos meus me fez suspirar. Os dedos gélidos pressionados em minha pele me provocaram um arrepio e eu engoli em seco fitando os tentadores lábios carnosos.

- Você pode me soltar agora. - Falei baixinho próxima ao seu rosto.

Anuindo meio sem jeito, Demi me soltou movendo o olhar para a porta iluminada pelas arandelas acesas. Apesar de tudo que tínhamos revelado e desabafado, ainda havia uma certa tensão no ar, podíamos sentir toda vez que nos fitávamos.

Abri a porta, e com a mão na maçaneta, busquei os olhos da mulher sob a luz amarelada.

- Quer... entrar um pouco? - Perguntei.

Ela respondeu com um sorriso no olhar e um menear de cabeça.

Adentramos o ambiente aquecido e eu respirei mais relaxada, mesmo com o enjoo que vinha sentindo piorando a cada minuto.

Brian ainda devia estar acordado, pois uma melodia calma e afastada vinha da direção do escritório. Reparei Demi observando tudo a sua volta enquanto me acompanhava pela casa até que sua atenção perdurou na fotografia em cima do móvel perto da escada onde paramos. Na foto tirada no Natal do ano passado em NY, eu sorria com os olhos fechados usando um gorro de Papai Noel e um suéter natalino de rena.

Através do espelho na parede, vi um sorriso sutil aparecer no rosto de Demi.

- Adorável. - Seu olhar doce se encontrou com o meu e eu não sei o porquê, mas eu corei terrivelmente, como se fosse a primeira vez que ela me elogiasse. - Gostei do suéter. - Virou-se, e com um passo se aproximou.

- Agora você tá mentindo. - Acusei, arrancando um leve riso dela.

- Hey, uh... - Mirou os degraus que levavam ao andar de cima quando segurei no corrimão. - Sei que consegue andar, mas... de jeito nenhum eu vou deixar você subir essa escada sozinha.

Dessa vez eu não contestei até porque existia uma grande chance de eu tropeçar outra vez e cair rolando escada abaixo.

- Me carrega no colo de uma vez então. - Sugeri de brincadeira, tentando ignorar a náusea insuportável.

- Posso fazer isso tranquilamente se você quiser. - Apoiou as mãos na cintura, o tom confiante continuava o mesmo, e eu não tinha dúvida de que ela realmente podia fazer aquilo.

Um riso escapou pelo meu nariz ao ver sua postura.

- Okay, supergirl!

É claro que não a deixei me carregar, isso tornaria tudo mais... insustentável.

Já no segundo andar, meu estômago reclamou impiedosamente, me obrigando a seguir às pressas para o meu antigo quarto. Atravessei o cômodo escuro meio cambaleante, tropeçando em alguma coisa no caminho até o banheiro. Acendi a luz com rapidez e ajoelhei na frente do vaso sanitário, colocando para fora tudo o que eu tinha ingerido.

Segundos depois, senti meus cabelos serem segurados.

- Não.. - Tentei afastar Demi com a mão. - Você não.. não precisa fazer isso.

- Só deixa eu te ajudar. - Insistiu prestativa.

Permiti que ela ajeitasse os fios úmidos de meus cabelos em suas mãos enquanto eu vomitava, os impedindo de cair em meu rosto ligeiramente frio e suado.

Ao sentir uma pequena melhora, sentei no azulejo gelado ao lado do vaso, dobrando um pouco os joelhos, a fenda da saia expondo minha perna.

- Sabe... - Limpei a boca com as costas da mão enquanto Demi continuava agachada perto de mim. - Eu não ia para a festa hoje... - Funguei de leve, sentindo meus olhos superficialmente lagrimados.

- O que te fez mudar de ideia? - Questionou em um tom delicado.

Ainda enjoada, encostei a cabeça na parede e soltei um riso baixo ao fechar os olhos.

- Uma foto. - Suspirei ao vê-la me observando. - E Hay... - Acrescentei. - Eu estava... com medo de te ver de novo, te ver com... com outra pessoa... - Confessei abaixando a voz. - E agora... você está bem aqui... - Comecei a rir da situação fugindo do olhar atencioso. - No meu banheiro.. segurando meu cabelo enquanto eu.. - Prensei os lábios e me inclinei de volta no vaso. - Isso é... engraçado, mas também um pouco constrangedor... - Falei sem olhá-la quando voltou a segurar meus cabelos.

- Hey... - A mão cuidadosa alisou minhas costas. - Já passamos por isso uma vez, lembra?

- Deus... sim... - Eu ri, cuspindo. - Não sei... por que você me ajudou aquela noite. Eu era tão... estúpida. - Balancei a cabeça.

- Não, não era... - Sua voz emitia ternura. - E eu... - Pausou com um suspiro entrecortado. - Honestamente... eu já estava apaixonada por você naquele tempo.

Esbocei um sorrisinho de canto de boca voltando a me sentar no chão.

- Eu também. - A fitei com carinho.

- É... eu sei, era bem óbvio... - Falou sorridente e convencida. - Quer dizer, você sempre se babava todinha quando me via.

- Pff, claro que não! - Fingi indignação. - Eu disfarçava muito bem, okay?!

- Claro.

Nós nos encaramos em silêncio por um segundo e então rimos; nossos risos juntos soava tão bem, certo e natural...

- O universo é mesmo muito engraçado, não é? - Comentei ao pararmos de rir.

Um tempo atrás eu não imaginava que algum dia nós voltaríamos a partilhar pequenos momentos como esse...

- Sim, às vezes...

Permanecemos com um sorriso brando estampado em nossos rostos borrados de rímel, olhando uma para a outra com puro apreço.

- Acho que... eu me sinto melhor agora. - Falei após um instante quieta.

Levantei do chão escorando na parede e Demi se pôs de pé. Fechei a tampa do vaso e dei descarga, me sentando ali.

- Tem certeza que está bem? - Questionou quando fiz uma careta ao sentir minha garganta arranhar. - Precisa de alguma coisa? - Perguntou solícita.

- Sim, um banho. - Ri. - Sério, você pode... pegar uma roupa pra mim na minha mala fazendo um favor? Tá lá no quarto. - Indiquei com a cabeça.

- É claro.

A vi sair do banheiro e suspirei, largando minha bolsa de lado. A roupa úmida colada em minha pele estava me incomodando desmedidamente, portanto comecei logo arrancá-la do meu corpo. Retirei a saia sem problema algum, largando no chão junto de minhas sandálias, mas ao tentar puxar o cropped molhado para cima, não obtive muito sucesso e me atrapalhei com a peça que ficou presa, cobrindo minha face e expondo meu corpo.

- Merda. - Rezinguei.

- Eu peguei a roupa que achei mais con.. - Escutei Demi falar e virei em direção à porta sem conseguir enxergá-la. - Confortável... uh.. você.. quer ajuda aí?

- Eu meio que estou precisando, não? - Ri meio encabulada.

Logo a seguir, senti as pontas dos dedos de Demi relarem em meus braços e a roupa ser cuidadosamente puxada para fora do meu corpo, fazendo com que meus cabelos úmidos e desgrenhados caíssem sobre os meus ombros e seios despidos.

E lá estavam novamente, os olhos abrasadores pregados nos meus de uma forma profunda, eriçando a superfície de minha pele. Mergulhamos no olhar uma da outra sem conseguir formular uma única palavra, cercadas por uma descomunal tensão sexual quase palpável.

Pigarreando, Demi acabou com o intenso contato visual, felizmente me impedindo de dizer algo estúpido.

- Aqui... - Entregou a blusa para mim. - Coloquei suas roupas aqui em cima. - Apontou para o gabinete se afastando até a saída do banheiro.

- Demi... - Falei antes que saísse, ganhando um olhar afável. - Obrigada.

Um sorriso ameno se fez presente em seu rosto.

- Não tem de quê.

Inúmeras perguntas sem respostas rodeavam minha mente ainda ébria enquanto a água quente escorria deleitavelmente pelo meu corpo. Eu não estava certa de mais nada e continuava tão atarantada por conta do que havia acontecido, do que quase havia acontecido...

Minha cabeça ainda estava confusa, mas de uma coisa eu tinha plena certeza naquele momento...

Eu queria Demi de volta na minha vida.

Após sair do banho, eu escovei os dentes e deixei o banheiro usando as roupas que Demi tinha pegado para mim; uma larga camiseta cinza e uma calça preta de moletom.

O abajur sobre a mesinha de cabeceira estava aceso, gerando uma luminosidade tênue e parcial ao quarto silencioso. Escorei as costas no batente da porta do banheiro ao avistar Demi perto da janela falando calmamente ao telefone, respingos finos da chuva se chocando no vidro.

- Eu sei... me desculpe... - Ela soava pesarosa e não me notou ali. - Podemos nos encontrar amanhã para conversar melhor? - Uma longa pausa e um suspiro. - Tudo bem. Boa noite. - Então ela desligou, se deparando comigo ali a observando.

- Hey... - Guardou o celular, jogando o cabelo para o lado.

- Sua namorada? - Indaguei cruzando os braços no peito. - Ela sabe onde você está?

- Uh... - Demi ficou sem reação e ao perceber quão ridícula, inconveniente e enciumada eu estava sendo, abaixei a cabeça.

- Foi mal, isso não é da minha conta... - Falei em voz baixa.

- Acho... melhor eu ir agora...

A olhei depressa, sentindo o peito apertar. Não queria que ela fosse embora assim tão rápido. Na verdade, queria que ela passasse a noite comigo.

- Você.. - Falamos em uníssono, rindo fraco.

- Pode falar. - Eu disse.

- Não, fala você. - Replicou em um tom suave.

- Uh... bem... - Fiquei um pouquinho nervosa e esquivei os olhos para os meus pés descalços. - Você não precisa ir se não quiser. Você pode secar suas roupas e... - Eu falava lançando rápidos olhares a ela que me observava com atenção. - E sei lá, né... - Dei de ombros. - Já deve estar tarde e a chuva ainda não parou completamente... - Cocei a nuca. - Talvez... seja melhor você passar a noite aqui.

Os olhos minuciosos de Demi liam cada movimento meu enquanto eu tentava me manter indiferente, porém meu coração ansioso e agitado me entregava.

- Posso... - Ela pendeu a cabeça para o lado procurando meu olhar. - Tomar um banho quente?

Elevei as sobrancelhas ao encará-la, tomada por surpresa e contentamento.

- Claro! - Exultei. - Uh... tem toalhas limpas no banheiro e... você pode usar uma roupa minha, não sei...

- Tem certeza? - Perguntou andando até mim em passos incertos.

- Sim, absoluta. Pode pegar ali na minha mala... - Apontei, esfregando o tornozelo com o dorso do pé.

Demi examinou meu rosto atenciosamente mais uma vez.

- Tudo bem, então...

E de um jeito meio tímido, ela foi até a mala aberta no chão perto da cama e agachou ali, procurando algo meu para vestir.

De repente minha mente voltou para anos atrás quando Demi passava a noite em minha casa depois de um dia agitado e emocional no trabalho, usando uma de minhas camisetas largas para dormir. Adorava essas noites quando ela saía do hospital e vinha direto para os meus braços. Tinha vezes que ela trazia donuts quando eu estava naqueles dias e nós comíamos assistindo Netflix...

- Pode ser essas aqui? - Olhou-me por cima do ombro.

- Claro, qualquer uma...

Permaneci recostada na porta do banheiro vendo Demi se aproximar e parar em minha frente cerrando os lábios.

- Não vou demorar. - Falou.

- Leve o tempo que precisar. - Dei um sorriso acolhedor. - E uh... - Falei quando ela deu um passo para dentro do banheiro. - O que você ia dizer naquela hora?

- Só queria saber se você está se sentindo melhor.

- Oh... bom... eu me sinto melhor agora que você vai ficar. - Fui honesta sorrindo torto e Demi riu pelo nariz. - Você vai ficar, certo? - Eu quis ter certeza, exalando contente quando ela confirmou com a cabeça.

Depois que Demi entrou no banheiro e fechou a porta, eu me joguei na cama. Soltei um suspiro profundo, descansando as mãos na barriga ao encarar o teto incapaz de refrear o sorriso abobalhado.

Era um tanto inimaginável o que estava acontecendo. Para dizer a verdade, eu nem sabia exatamente o que se passava entre a gente até então. Não esperava nada disso quando resolvi ir à despedida de solteira de Taylor, pelo contrário, pensava que terminaria a noite bêbada, triste e sozinha em minha velha cama.

A vida é mesmo uma loucura e é incrível como tudo pode mudar do dia para a noite...

Horas atrás, temia reencontrar Demi e agora eu não queria que ela fosse embora e me deixasse. Eu não queria ir embora e deixá-la. Não mais.

Contudo, ainda sentia medo de quebrar a cara e sair machucada, visto que ela estava com alguém, morando com essa pessoa...

Mas Deus...

Demi ainda me olhava da mesma forma que disparava meu coração e me dava borboletas no estômago. E às vezes quando nos olhávamos era como se... nada de ruim tivesse acontecido no passado, como se não tivéssemos vivido tanto tempo separadas.

- Estou tão fodida. - Murmurei enrugando o rosto ao fechar os olhos.

- Esqueceu o fogão ligado em NY?

Imediatamente, apoiei os cotovelos no colchão e ergui o tronco, encontrando Demi na entrada do banheiro segurando suas roupas úmidas e me observando com um sorriso contido. Eu estava tão imersa na bagunça de meus pensamentos que nem ouvi a porta abrir.

- Como você pode ver, meu senso de humor só melhorou com o passar dos anos. - Falou sarcástica me fazendo rir.

- Na minha sincera opinião esse sempre foi um dos seus melhores atributos.

Com um sorriso contemplador, desci descaradamente os olhos pelo seu corpo. Demi estava usando minha regata preta e um simples short curto e confortável que deixava suas pernas bonitas a mostra. O tempo só tinha feito bem a ela que sempre ficou ótima com qualquer coisa minha e vice-versa, o que me lembrou...

- Sabe... - Levantei mais um pouco apoiando as mãos no colchão. - Eu ainda tenho a sua camiseta, mas está em NY... - Mencionei.

- Oh...

- Quer de volta?

- Não, não... é sua. - Sorriu breve e amável.

- Beleza porque eu não ia te devolver mesmo. É um dos meus pijamas.

Outro sorriso brincou em seus lábios.

- Bom, eu vou... - Gesticulou para as roupas nas mãos.

- Você sabe o caminho, fica a vontade.

Segui Demi com os olhos até ela sair do cômodo e com um suspiro audível, voltei a deitar na cama, rindo baixo comigo mesma ao abraçar um travesseiro.

Eu estava começando a parecer àquela adolescente frouxa e apaixonada de antigamente e isso era tão estranho e assustadoramente bom.

Alguns instantes depois, a porta do quarto abriu e Demi entrou, encostando as costas na madeira com uma garrafa de água nas mãos.

- Que foi? - Questionei curiosa quando ela me mirou na cama, os lábios apertados como se estivesse segurando um riso.

- Dei de cara com seu padrasto na cozinha. - Contou.

Não evitei e comecei a rir ainda abraçada ao travesseiro.

- Não ria... - Advertiu rindo. - Foi meio embaraçoso.

- Imagino.

- Mas eu fiquei feliz de vê-lo... - Falou chegando perto da cama. - Trouxe pra você. - Me estendeu a garrafa.

Apenas a admirei por um segundo antes de sentar para beber um pouco de água.

- Obrigada... - Sorri. - Aposto que Brian também ficou feliz de te ver. Ele sempre gostou de você. - Levei a garrafa aos lábios.

- Ele ficou meio confuso e eu não soube o que dizer, mas fora isso foi tudo bem.

Soltando um riso fraco, coloquei a garrafa em cima da mesa de cabeceira e comecei a puxar as cobertas para me cobrir, porém parei ao perceber Demi inerte encarando o outro lado do quarto.

- Não vai deitar? - Perguntei a analisando com curiosidade.

- Você... - Hesitou mordendo o lábio. - Tem certeza que eu posso ficar?

- Você quer ficar? - Respondi com uma nova pergunta a vendo aquiescer sutilmente. - Então não tem problema, certo?

- É... - Os olhos incertos se desviaram dos meus. - Eu acho... - Coçou a nuca mirando o sofá. - Eu posso dormir no sofá então...

- Demi não seja boba... - Ri. - A cama é enorme! E convenhamos... - Dei um meio sorriso. - O sofá pode ser bastante desconfortável para certas... posições, lembra? - Meu tom era insinuante, e a expressão embaraçada que se formou em seu rosto só constatou que as lembranças estavam tão vivas em sua memória como estavam na minha. - Mas... você que sabe... - Dei de ombros sorrindo astuciosamente.

Demi balançou a cabeça e com um débil riso tímido ela abaixou o olhar para a minha cama e comprimiu os lábios parecendo sem saber como agir.

Suspirei satisfeita quando, hesitantemente, ela decidiu me fazer companhia sob as cobertas. Sem perder tempo, deitei de lado perto dela com as mãos juntas sob o rosto e a observei embevecida.

Demi não me olhava, seus olhos estavam fixos no teto enquanto eu admirava as charmosas sardas que salpicavam seu rosto, lembrando o quanto eu amava beijá-las quando namorávamos...

Curvei os lábios em um sorriso saudoso com a lembrança logo antes de bocejar cansada.

E pela primeira vez desde que se deitou ao meu lado, Demi me olhou, passeando veemente os olhos intensos pelo meu rosto perto do dela.

- Quer que apague a luz? - Perguntou com a voz baixinha.

Neguei com a cabeça piscando com lentidão.

- Estou te admirando. - Sussurrei risonha. - Lembra... - Molhei os lábios notando Demi observá-los. - Da última vez que estivemos juntas nessa cama? - Percebi seu corpo tensionar e seu olhar desviar do meu. - Eu... te deixei nervosa falando sobre isso? - Inquiri. - Você parece tão tensa... - Falei em meio a outro bocejo.

- Você parece com sono. - Demi replicou ao recolocar os olhos em mim. - E bêbada.

- Estou bem. - Assegurei arrastado. - Você é quem precisa relaxar um pouquinho, tá parecendo um bloco de concreto.

Um riso ecoou de sua garganta e ao virar de lado para se deitar na mesma posição que eu, uma mecha do cabelo curto caiu em seu rosto. Espontaneamente, levei a mão até os fios negros e com o dedo indicador, os ajeitei delicadamente atrás da orelha, acariciando com sutileza a bochecha macia de Demi que, sentindo a leve carícia, fechou os olhos.

- Senti falta das suas sardas... - Sussurrei cativada, sorrindo ao ver o canto de seus lábios se curvarem. - Posso... - Pausei, vendo seus olhos se abrirem, encontrando os meus.

Encontrei em seu olhar carregado de afeição o consentimento que precisava para continuar e sem dizer mais nada, me aproximei detidamente, sentindo sua respiração quente e o aroma de meu sabonete em seu corpo. Gentilmente, pressionei um beijo moroso nas sardas do nariz bonito e repeti o ato caricioso na maçã de seu rosto, arrastando devagarinho e com leveza a ponta de meu nariz na pele aveludada até o maxilar onde entreabri meus lábios e deixei um ousado e suave beijo úmido.

- Elas estavam implorando pelo meu beijo. - Brinquei ao me distanciar.

Demi abriu os olhos soltando o ar.

- Estavam, huh? - Sua voz saiu falha.

Assenti lentamente, ficando séria quando um pensamento infeliz e desagradável cruzou minha mente. Tentei ignorá-lo, mas não consegui.

- Ela faz isso? - Questionei piscando com as pálpebras pesadas. - Ela te beija assim? Porque... você merece. Sempre.

- Acho que... você devia dormir um pouco... - Desconversou com a voz delicada. - Podemos conversar amanhã.

- Você vai estar aqui quando eu acordar?

- Sim.

Nossas vozes não passavam de doces sussurros.

- Promete?

E como eu sempre fazia com Sam, ergui o dedo mindinho para Demi que sorriu terna com meu gesto e acariciou meu dedo com o dela antes de entrelaçá-los.

- Prometo.

Sorri sonolenta olhando nossos dedos enlaçados e gradualmente me rendi ao sono. No entanto, antes que o cansaço me derrubasse por completo, pude sentir os lábios gentis e carinhosos de Demi em minha testa, pressionando um longo e casto beijo.

(...)

A primeira coisa que fiz ao acordar na manhã seguinte foi procurar Demi na cama, mas ao esticar o braço no colchão encontrei somente frio e vazio. Passei os olhos pelo cômodo, piscando e me acostumando com a claridade. Ao constatar que estava mesmo sozinha, bufei descontente e deitei de novo a cabeça no travesseiro, massageando minhas têmporas enquanto as lembranças da noite anterior me vinham à memória.

Virei o rosto para o lado que Demi havia dormido e suspirando desanimada, agarrei o travesseiro que ela havia usado, inspirando seu cheiro delicioso na fronha que indicava que tudo não foi apenas um sonho. Nós realmente tínhamos passado a noite juntas em minha cama.

Grunhi indisposta ao escutar meu celular tocando ao longe e cobri a cabeça com o travesseiro, ficando assim até o som irritante cessar. Quando o telefone parou de tocar, eu me espreguicei e meio azonzada me arrastei para fora da cama a contragosto para usar o banheiro.

Ao olhar no espelho após lavar o rosto quase me assustei com a minha cara amassada. Eu estava um trapo e me sentindo como se tivesse sido atropelada por um ônibus. Dei um jeito rápido em meus cabelos bagunçados os prendendo em um coque e saí do banheiro, retornando um segundo depois para pegar minha bolsa.

Apanhei o celular e vi que era quase nove horas da manhã. Eu precisava me arrumar e ir para a casa de Hay, mas primeiro necessitava imediatamente de um café.

Respondi algumas mensagens e ignorei as de Ashley, aproveitando para bloquear seu número. Sentia meu sangue fervilhar só de pensar nas coisas horrendas e absurdas que ela foi capaz de fazer.

Larguei o telefone na cama e desci a escada com passos descalços, o aroma de café se intensificando conforme eu me aproximava da cozinha. Sorri me sentindo em casa, mas ao chegar no portal eu empaquei e meu coração errou uma batida com a cena impremeditável com a qual me deparei.

Demi estava apoiada na bancada da cozinha com a jaqueta pendurada no ombro, tomando café e comendo cookies enquanto ouvia atentamente o que Maria dizia.

Abri um sorriso mais largo, fogos de artifício explodindo dentro de mim em comemoração. Ela não havia ido embora.

- Olha ela aí! - Maria exclamou ao me notar ali e Demi me olhou risonha. - Bom dia, querida. - Saudou, mas não consegui tirar os olhos dos castanhos de Demi e do sorriso caloroso que aquecia meu coração.

- Você está aqui. - Falei ainda meio embasbacada, tentando não mostrar toda a minha animação e assustá-la.

- Prometi que estaria.

- Toma café e come alguma coisa, Sel... - Maria falava enquanto eu e Demi nos olhávamos fixamente. - Bom, eu vou... aguar as plantas lá fora. - Falou nos deixando a sós.

Nisso nós rimos baixo e eu finalmente me movi. Andei até o armário e peguei uma caneca, sentindo Demi me assistindo.

- Eu só desci para pegar minhas roupas e Maria me convidou para um café. - Explicou ela.

- Oh... - Despejei café na caneca.

- Preciso dizer... senti falta disso... - Comentou, dando uma mordida no cookie.

Sorri contida, bebericando um gole do líquido preto. Demi parecia tão à vontade, muito diferente da noite passada e isso era ótimo.

- Você... dormiu bem? - Perguntou.

- Mhm... - Pousei a caneca na bancada. - E você?

- Também...

Sorrimos levemente uma para a outra, permanecendo em silêncio por um instante até ela suspirar.

- Selena...

- Sel. - Retifiquei serenamente. - Me chame de Sel. Ontem à noite eu estava.. bom, você sabe... - Fiz careta. - Aliás, eu.. eu não te machuquei, certo? Com todos aqueles empurrões e... - Lembrei preocupada. - Eu não.. não quis ter exagerado daquele jeito. Sinto muito. - Falei constrangida abaixando os olhos.

- Hey... - Demi deixou a jaqueta na bancada e deu a volta, segurando minha mão sobre o mármore ao se aproximar. - Está tudo bem, não se preocupe. - Assegurou docemente. - Você não me machucou e eu sei que nunca faria isso.

Respirei com alívio vendo seu polegar afagar as costas de minha mão.

- Posso te pedir uma coisa? - Perguntou ganhando meu olhar no mesmo segundo.

- Claro.

- As coisas que te contei... que me levaram a... manter distância...

- Eu lembro de cada palavra e quando eu for para..

- Não faça nada. - Ela me cortou calma. - Não esquente sua cabeça e se estresse com isso, Sel. É passado.

- Mas... Ashley só conseguiu te afastar completamente de mim... - Soei incrédula, trincando o maxilar. - E eu não fazia ideia...

- Eu estou aqui agora. - As íris castanhas focalizaram as minhas com brandura e devoção. - Vamos focar apenas nisso. No presente. Pode ser?

Suspirei profundamente e ponderei por um momento. A vontade que eu tinha de encarar Ashley e tirar satisfação era tão grande e seria difícil não fazer, mas eu ia tentar me conter. Faria isso apenas por Demi.

- Tudo bem... - Eu disse, observando a mão quente ainda na minha e retendo o desejo de levá-la aos meus lábios e beijá-la.

- Bom dia! - A voz grossa e animada de meu padrasto fez com que Demi retirasse a mão da minha, limpando a garganta.

Dei um sorriso de canto achando sua reação engraçada. Parecia que nada havia mudado...

- Bom dia. - Ela respondeu gentil.

- Não se incomodem comigo, só vim pegar um café fresco para começar bem o dia!

Demi e eu nos entreolhamos segurando um sorriso enquanto Brian fazia o que havia dito, assoviando alguma melodia. Ele parecia feliz e vê-lo assim me deixava contente. Fazia dias que eu o notava diferente, com um certo brilho no olhar.

- Tenham um belo dia! - Sorriu se retirando com sua caneca de café.

- Acho que ele está namorando... - Comentei pensativa.

- Bem... ele parece muito feliz. - Demi notou.

- É... ele merece.

Ao mirar o relógio na parede da cozinha, Demi estalou a língua no céu da boca e suspirou.

- Droga, uh... eu preciso ir. - Informou, pegando sua jaqueta. - Ainda tenho que buscar meu carro na casa de Cara.

- Eu te levo. - Me ofereci prontamente.

- Não precisa se incomodar, eu posso..

- Sem essa, Demi. - A interrompi roucamente. - Eu deixei você me trazer ontem à noite, agora você vai deixar eu te levar.

- Okay. - Respondeu baixo sem contestar.

- Só... - Tomei mais um pouco de café e deixei a caneca na pia. - Me dê um minuto para trocar de roupa.

Demi meneou a cabeça em assentimento e eu me apressei até o andar de cima, encontrando meu celular tocando ao entrar no quarto. Era Hay.

- Droga. - Murmurei e aceitei a ligação, acionando o viva voz antes de deixar o aparelho no chão ao lado da mala.

- Eu sei, eu estou atrasada, mas posso explicar. - Fui logo falando, caçando algo para vestir.

- Ótimo. Só não me diga que está de ressaca.

- Não, quer dizer... mais ou menos... - Peguei uma camisa branca, um sutiã e uma legging preta e joguei tudo na cama. - Demi está aqui. - Contei com pressa, tirando as roupas que eu usava.

- É o quê?!

- Eu sei... meio inacreditável, né? - Ri colocando o sutiã. - E nós estamos bem, eu acho...

- Espera, como assim? - A confusão era nítida em sua voz. - O que ela está fazendo aí agora? O que aconteceu na festa?

- Ela dormiu aqui. - Vesti a legging, me apoiando na cama. - Nós dormimos juntas.

- Cala a boca! Vocês... - Fez uma pausa. - Transaram!? - Indagou surpresa em um sussurro.

- Não, a gente só dormiu e... foi perfeito. - Suspirei abotoando a camisa larga.

- Uau...

- Eu sei. Vou te contar tudo pessoalmente, agora preciso desligar e levá-la para a casa.

- Tudo bem...

- Até mais!

Encerrei a ligação e calcei o único par de tênis que tinha trazido. Após amarrar os cadarços do All Star, eu corri para o banheiro para escovar os dentes, e antes de sair, borrifei um pouco de perfume e coloquei meu relógio. Guardei o celular na bolsa e peguei meus óculos de sol, encontrando as chaves do carro em cima da escrivaninha.

Desci a escada arregaçando as mangas de minha camisa e logo avistei Demi se despedindo de Maria.

- Foi muito bom te ver de novo! - Ela disse ao abraça-la.

- Igualmente, querida. E vê se não some mais, hein?!

- Não vou. - Sorriu cordial, direcionando sua atenção em mim.

- Vamos? - Falei e ela anuiu.

Seguimos até a porta com Maria nos acompanhando e convidando Demi para um jantar. Eu apenas ouvia e sorria com a ideia da mulher. Ela sempre quis saber por que eu e Demi não estávamos mais juntas e eu nunca soube certo o que responder, pois na época eu mesma não sabia a resposta.

- Dirija com cuidado, querida. - Acautelou quando abri a porta dando passagem para Demi sair primeiro.

- Pode deixar. - A beijei no rosto e coloquei meus óculos, seguindo Demi até o carro.

O tempo estava nublado e o vento soprava um tanto gélido. Senti minha cabeça começar a doer ao entrar no carro e fiz uma nota mental de passar em uma farmácia no caminho para a casa de Hay.

- Então... suponho que esse carro não seja seu... - Demi comentou quando dei partida, olhando para o banco de trás.

Ela parecia realmente encucada com as cadeirinhas e ao invés de eu dizer logo que pertencia a Hay, achei que seria engraçado brincar com ela.

- Como assim? - Comecei me fazendo de sonsa. - Espera... - Fingi incredulidade. - Taylor nunca te contou sobre os meus filhos?! - Prendi o riso e Demi estreitou os olhos com suspeita. - São gêmeos. Um casal...

Ela sabia que eu estava de gozação e entrou na brincadeira boba.

- Posso ver fotos? Aposto que eles são a sua cara!

Soltei uma risada rouca.

- É o carro da Hay. - Contei.

- Oh, ela tem duas crianças?

- Sim... - Sorri fazendo uma curva. - Sam de cinco anos, minha afilhada. E Ben de oito meses, o bebê mais fofo do universo!

Demi sorriu ternamente sem tirar os olhos de mim.

- Você deve ser a melhor madrinha do mundo.

- A melhor eu não tenho tanta certeza... mas garanto que sou a mais legal. - Parei em um semáforo. - Então, eu te levo para o seu apartamento ou você quer pegar seu carro?

- Uh... pode ser meu apartamento. Posso pegar meu carro à noite.

- Certo.

Caímos em um silêncio agradável e eu aproveitei para ligar o rádio. Quando "I'm Yours" de Jason Mraz começou a tocar, Demi esboçou um pequeno sorriso meigo brincando com o anel.

- Adoro essa música.

- Eu sei. - Sorri torto, me perdendo em sua graciosidade cativante.

Só me dei conta que o sinal tinha aberto quando o carro atrás de nós buzinou impaciente. Demi riu recostando a cabeça no encosto do banco e o restante do trajeto seguiu tranquilo sem muita conversa com a gente apenas desfrutando da companhia uma da outra, trocando olhares e sorrisos singelos.

Ao chegarmos ao prédio no qual ela ainda morava, não consegui reprimir o suspiro nostálgico.

- Aqui estamos... - Falei, percebendo que Demi me observava com uma feição imersa e afetuosa. - Que foi? - Sorri um pouco acanhada perante o olhar cálido oscilando entre meus olhos por trás da lente marrom e meus lábios. - Pare de me olhar assim.

- Assim... como? - Um sorriso audacioso e carinhoso brotou no canto de sua boca.

- Como... - Fiquei sem fala ao vê-la morder sutilmente o lábio inferior.

Deus...

Eu estava tentando agir com racionalidade e ela faz isso comigo?

- Diga. - O tom encorajador soou baixo e um tanto sedutor.

Engoli em seco.

- Como se..

- Demi! - Alguém chamou imprevistamente, me impossibilitando de continuar a frase.

Expeli o ar toda extasiada quando Demi virou o rosto para a janela do passageiro.

- Bom dia, Sra. Wright. - Ela cumprimentou simpática uma senhora de idade avançada que se aproximou do carro carregando um saco de pães.

- Bom dia, meu bem. - A idosa sorriu. - Oh, quem é essa moça bonita? - Questionou ao me avistar no carro.

- Ela é minha.. uh.. - Demi se atrapalhou.

- Sou Selena. - Me adiantei oferecendo a mão para cumprimentá-la. - Muito prazer.

- O prazer é meu, querida. Presumo que também seja médica?

- Não, não. Eu mal consigo olhar para o meu próprio sangue. - Brinquei.

- Ora, mas essa é nova! - Riu alternando os olhos rugados para Demi que sorria fraco. - Bom, deixa eu entrar...

- Eu posso acompanhar a senhora. - Demi se ofereceu.

- Oh não se incomode! Fique com sua amiga, nos vemos mais tarde. - Sorriu. - Até mais ver, Selena!

- Até! - Acenei a assistindo se retirar.

- Ela é minha vizinha. - Demi clarificou.

- Imaginei. - Chequei rapidamente as horas em meu relógio.

- Precisar ir? - Deduziu.

- Uh... - A olhei, irresoluta. - Hay e eu vamos passear com as crianças.

- Oh, legal... - Suspirou. - Nesse caso... é melhor eu deixar você ir... - Tirou o cinto de segurança, mas permaneceu no carro.

- Então... nós... - Umedeci os lábios, indecisa. - Nos vemos no casamento da Tay?

- Uhh... - Franziu brevemente o cenho. - Claro...

Nós nos olhamos com hesitação por alguns segundos, pensando se nos despedíamos com um abraço ou não, como se não tivéssemos ficado longos minutos abraçadas sob uma tempestade na noite passada.

- Tchau, então... - E com uma leve expressão de insatisfação, Demi saiu do carro.

Bufei frustrada e recostei a cabeça no banco fechando os olhos.

"Nos vemos no casamento da Tay"?

Crispei o rosto.

Sério, Selena?!

Como se eu fosse aguentar ficar sem vê-la de novo até o próximo sábado...

- Merda. - Murmurei me soltando do cinto de segurança.

Saí apressadamente do carro, e para a minha sorte, Demi ainda não tinha entrado no prédio.

- Demi! - Gritei correndo até ela que se virou assim que me ouviu chamando, afastando os fios negros que o vento jogou em sua face. - O que você vai fazer amanhã? - Fui direta ao parar em sua frente, deslizando os óculos de sol para o alto da cabeça.

- Eu... tenho plantão.

- Oh, certo... uh... e quando você vai estar de folga?

Droga.

Eu estava começando a parecer desesperada...

- Por quê? - Perguntou com um olhar intrigado.

- Eu apenas... - Fitei os olhos suaves e curiosos sentindo meu coração acelerado enquanto buscava as palavras certas. - Pensei que podíamos nos ver antes do casamento, só... eu e você... - Vi as sobrancelhas perfeitas se erguerem e prossegui. - Tipo... sair para comer e conversar, sabe? Tem... tanta coisa que eu quero te contar... - Eu ri nervosa e ela me acompanhou. - E eu quero tanto saber da sua vida também... - Parei, levantando o olhar para o prédio alto por um segundo. - Eu sei que... você tem alguém, eu não... não estou te convidando para um encontro romântico... eu só... - Notei Demi abrir a boca prestes a dizer algo, mas eu não conseguia parar de falar. - Eu só sinto falta de você na minha vida. Sinto falta das suas piadas, do seu senso de humor único e de te ouvir falar sobre coisas que até hoje não sei como pronunciar corretamente. - Gesticulei, outro riso escapando de minha garganta. - Sinto falta de... - Dei um passo para mais perto dela, olhando no fundo de seus olhos ternos e lacrimejados. - De simplesmente te olhar... - Com desvelo, coloquei uma mecha teimosa de seu cabelo atrás da orelha, acarinhando a bochecha levemente ruborizada com o polegar. - Então... o que me diz? - Perguntei, ficando mais receosa quando ela não disse nada. - Eu vou entender se..

E de uma forma inesperada, seus braços calorosos envolveram intensamente minha cintura. Pisquei arrebatada com o contato tão almejado e fechei os olhos, mergulhando os dedos nos cabelos macios e os afagando ao corresponder o abraço gostoso e sincero.

- Posso considerar isso como um sim? - Questionei quase sussurrando, inebriada com a mulher em meus braços.

- Sim.