Kagome e Sango estavam almoçando num restaurante próximo a escola, Sango pedira uma yakisoba e Kagome uma refeição completa, agora estava com fome.
– Você não disse que estava de dieta? – Sango interrogou vendo a quantidade que a amiga pedira
– Não me culpe, não comi nada o dia inteiro – disse colocando outra peça de sushi na boca
– Não tomou café? – Kagome fez que não e colocando mais molho no prato – Faz mal sair sem comer nada e ainda mais se empanturrando de comida desse jeito
– Não seja estraga prazeres – disse mostrando língua de forma infantil
– Ai, ai, ai, Kagome, você não toma jeito, O que Sesshoumaru disse quando você falou que voltaria a estudar?
Kagome parou de mastigar por um momento e ficou em silêncio
– Eu... bem... – e depois de um longo suspiro – eu não disse nada a ele, ele nunca ligou para o que eu fazia ou deixava de fazer, então não deve interferir nas minhas decisões agora
– Mas Kagome...
– "Mas" nada Sango, estou trabalhando agora, terei meu próprio dinheiro e mesmo se não tivesse... não foi o sentido de tudo isso? Nos unir para tornar nossas famílias ainda mais poderosas, a única razão dele estar comigo hoje, não foi essa? O poder, o dinheiro... – havia amargura na voz de Kagome e Sango detectou isso bem
– Está certa, mas eu acho que deveria tomar cuidado com mudanças drásticas, ele pode não ver com bons olhos
– Como se ele estivesse ansioso por saber como foi ou vai ser meu dia – Kagome rolou de olhos – ainda vai voltar para escola?
– Não, por quê?
– Preciso ir às compras
– huuuuuum, vestidinhos novos para as aulas?
– Não, livros! Meu pai achava perda de tempo gastar tanto tempo nisso, mas... eu gostava, desisti de muita coisa por esse casamento e pelo que meus pais achavam certo, bem... Não vejo nenhum razão para continuar fazendo isso – disse colocando outro sushi na boca – afinal... meu maridinho ganha bem – disse rindo da própria piada
A tarde passou tranqüila, Kagome passou tanto tempo nas comprar que nem se deu conta da hora, quando percebeu já era sete na noite. Ela atravessou a sala indo falar com Kaede
– Kaede, peça para Toutossai pegar as compras que estão no carro e levar para o quarto de hóspedes, aquele com as cortinas lilás, e prepare o quarto, lençóis, roupa de cama... tudo
– Algum convidado inesperado?
Sesshoumaru falou pegando Kagome de surpresa, ele estava sentado na poltrona ao lado da porta impedindo ser visto num primeiro momento e o entusiasmo de Kagome foi tanto que ela nem notara sua presença
– ah...De maneira alguma – Kagome disse se recompondo do susto – faça o que lhe pedi, sim Kaede?!
– Como desejar, senhora
– Boa noite Sesshoumaru, não o esperava tão cedo em casa
– Percebe-se que não, já que você, não estava presente
Após um breve momento de surpresa ela respondeu...
– Interessante como em todo esse tempo nunca percebi que você fizesse questão de eu estar a sua espera
E ele de fato não fazia questão, mas a sua fera interior o atormentou tanto naquele dia que ele simplesmente não viu sossego até decidir averiguar com os próprios olhos se havia algo errado em seus domínios, estranhamente a única coisa fora do lugar era a miko, que não estava lá.
– Já jantou? – o silencio dele era uma confirmação, apesar dele passar pouco tempo com ela, ela o conhecia bem – pedirei para que Kaede ponha o seu jantar
Dito isso ela seguiu para o quarto, chegando lá ela começou a recolher algumas coisas, como roupas, escova, apenas as jogou em cima da cama, estava tão concentrada escolhendo quais mais precisaria que nem notou quando a porta foi aberta.
– Este Sesshoumaru deveria perguntar o que está fazendo?
Novamente ela foi pega de surpresa
– Esta maneira de falar sempre na terceira pessoa não é tão intimidadora quanto imagina
– hm, o que pensa que está fazendo, miko?
– A sua vontade, finalmente perceb... aceitei o seu desejo e aversão a este casamento e não há sentido em estarmos nessa situação, você não me quer compartilhando a sua cama, bem... digamos que finalmente aceitei a mensagem, seja feliz como quer, afinal... esse casamento não é nada mais que isso: uma farsa! Um acordo comercial, como você mesmo disse tantas vezes
– E o que a fez aceitar os fatos?
Kagome nada respondeu, apenas estreitou o olhar e saiu passando por ele com a pequena trouxa de coisas que havia separado
O jantar foi servido, apenas Sesshoumaru estava presente, o que era de fato estranho
– Kaede!
– Sim, senhor?
– Recolha o jantar, não tenho fome
Dito isso ele se levantou da mesa e foi em direção ao quarto, mas outro quarto atraia sua atenção. O quarto dela não era em frente ao dele, era no fim do corredor, era um dos menores quartos da mansão e ficava a uma boa distancia do dele, mas não importava, ele não ligava para ela e nada mudaria isso, nem mesmo o choro que ele ouvia. Ele fechou a mão desistindo da súbita idéia de ir até lá
– a humana sofre, precisa de consolo, precisa deste Sesshoumaru a seu lado
– Foi decisão dela aceitar esse casamento, seus problemas não interessam ! – não entendia, por que de repente ele sentia a necessidade de estar com ela
Nunca admitiria, mas sentir o perfume da mulher a seu lado o acalmava, ela possuía um aroma de sakuras, instintivamente ele agarrou o travesseiro ao lado dele e o levou ao nariz, aprofundando as garras nele até perfurá-lo. Mas o que acontecia com ele, em duas noites a maldita miko o havia aborrecido mais do que todas as noites do casamento!
No outro quarto a miko se revirava na cama, ela sentia falta dele, mesmo que ela nunca o tivesse realmente o tido, mas ela admitia que era melhor assim, ela contava que ele não ouvisse seu choro sufocado, ela não queria se rebaixar a ele novamente e como falhava miserávelmente.
– Por que você não pode me amar? Nem que seja um pouquinho...
Kagome escondia o rosto sobre o travesseiro, como ela se sentia idiota por isso, ela sabia que ele não merecia suas lágrimas, mas por que ainda sim... permitia-se sofrer?
Sesshoumaru foi até a mesa tomar seu café matinal e novamente não havia sinal da miko, aquilo o aborrecia, mas ele nunca comentaria, seu orgulho era maior que isso, ela não importava para ele.
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Sesshoumaru desceu para tomar seu café da manhã e novamente Kagome não estava lá, aquilo o aborreceu, ele fechou o punho em sinal de frustração. Sentou numa cadeira, se serviu um pouco de café e decidiu pegar uma torrada, passando manteiga nela, olhava o relógio uma vez ou outra, passava um pouco das 8horas, mas por algum motivo ele queria a presença dela ali.
– isso é perda de tempo – pensou enquanto mordia a fatia
– Este Sesshoumaru não gosta de ser enganado, a humana esconde algo! – sua besta interior sentia a mudança e não gostava disso
– O que importa – pensou deixando a torrada de lado – Kaede!
– Sim, Sr Sesshoumaru – a empregada que estava a poucos metros atrás dele se prontificou ao ser chamada
– Diga a miko que almoçarei em casa hoje – disse se levantando
– Ah, Sr Sesshoumaru... – ela tentou começar um pouco receosa
– Diga! – falou num tom perigoso, não gostava que as coisas fossem escondidas dele
– A Sra Kagome, já saiu
– Bem... ela apareceu mais cedo e saiu
– Não há nenhum cheiro dela recente aqui – disse estreitando os olhos
– Ela disse que não queria comer nada, apenas saiu
A raiva que cruzou seu olhar se dissipou e ele voltou a ter o mesmo olhar frio e sem emoção. Por um momento Kaede achou que fosse atacá-la, mas ele apenas pegou a maleta e saiu
A primeira aula era teoria inter-espécies, ela se sentou no final da sala e professor chegou, olhos vermelhos, cabelos negros, vestia um terno simples
– Bom dia alunos, sou o Sr. Onigumo Naraku e ministrarei essa aula, para iniciar nossa jornada devemos entender como o mundo evoluiu ao passar dos anos. Desde os tempos feudais, onde youkais e humanos viviaM em guerra, até a 'paz' conhecida hoje.
– Mais história, quem nunca ouviu essa besteira toda, youkais VS humanos, estes em geral como mikos, monges e exterminadores, será que não tem nada mais interessante pra falar – ela pensave distraída
– A senhorita aí atrás! – Kagome se assustou ao perceber que era com ela – minha aula parece não estar agradando, acho que já deve conhecer isso muito bem, o banho de sangue que ocorreu na época, os humanos medrosos que tentavam inutilmente lutar
– medrosos? Os humanos lutaram bravamente contra os a perversidade dos youkais, aquela foi uma época sangrenta onde a questão era se defender das feras – a maneira que Naraku falou não agradou Kagome
– Feras? Mikos queimavam os youkais com simples flechas e como se os humanos fossem dignos de misericórdia, quantos ataques não foram arquitetados por eles, os indefesos
– Não podemos generalizar nenhum lado, cada um possui seus defeitos e uma natureza perversa! Mas isso não os impede de conviver! – ela estava se exaltando e isso começava a liberar pequenos feixes de luz em suas mãos
– Conviver? Isso não passa de um falso teatro!
– Falso? Quantos humanos não viram a beleza e o amor que pode existir num youkai, quantos não casaram com um? – aos poucos ela ia se acalmando - Os hanyous estão aí para provar o que digo
Naraku ficou em silencio, voltou para a mesa e olhou para os alunos antes de continuar
– Vamos voltar a matéria de hoje
No final da aula, Kagome se sentia um pouco tonta, mas sabia que logo passaria, Naraku foi então até ela
– Belo discurso senhorita... – apontando para ela
–Taisho Kagome
– Sabia que tinha um rosto familiar, Sra. Taisho, casada com Sesshoumaru Taisho, um youkai conhecido por estraçalhar se desafetos, literalmente... sabe Sra. Taisho, quando digo falsa paz, falo do que está embaixo dos panos, abaixo do que se é comentando... hanyous aceitos? Tolice, são odiados pelos dois lados
– Então o senhor se odeia? – disse com a voz impassiva
Aquilo o pegou meio de surpresa, ela sentira e sabia o que ele era
– Miko – não passou de um sussurro, então continuou – todo youkai ou hanyou tem uma besta interior e essa besta diz o que é melhor para si, na maioria dos casos o youkai tem o controle dela, mas no fundo ela sempre fica a espreita do que realmente importa
– E... e o que importa? – ela não entendia aonde ele queria chegar, por que de repente tentava falar aquelas coisas para ela
– O poder, uma linhagem forte que posso ter seu nome conhecido, mesmo que não haja mais guerra, isso... é instinto! Um casamento pelas leis dos homens nada significa para um youkai, é uma vergonha para os outros a companheira que não foi marcada, o macho não a quer – ele se inclinou olhando bem o pescoço de Kagome, quando ela percebeu a intenção, levou a mão escondendo a pela exposta instintivamente – comprova apenas o que eu disse, a "paz" de hoje não é real, tenha um bom dia Sra. Taisho
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