Capítulo 1

Boa Leitura!!!

Edward Anthony Mansen Cullen, o duque de Cullen , acordou quando um dos criados abriu as cortinas do quarto e o cumprimentou com um animado bom-dia.

Exibindo seriedade nos traços aristocráticos do rosto bronzeado, Edward duvidava que o dia pudesse ser diferente de qualquer outro dos últimos meses.

Novas toalhas haviam sido colocadas no banheiro da suíte, e o terno feito sob encomenda, a camisa de seda e a gravata estavam separados e prontos para que ele vestisse após o banho.

Elegante e, como sempre, refinado, Edward finalmente desceu a magnífica escadaria do castelo da família com toda a segurança e a dignidade de seus descendentes. Ele tinha ciência dos aborrecimentos que tinha, mas decidiu desprezar esse sentimento, já que se julgava abençoado pela saúde, a riqueza e o sucesso que possuía.

As paredes pelas quais passava sustentavam os retratos de seus antepassados... a beleza e o orgulho da aristocracia castelhana... desde o primeiro duque, um famoso militar contemporâneo de Cristóvão Colombo, até o pai de Edward, um ilustre banqueiro que morrera quando o filho tinha apenas 5 anos.

— Vossa Excelência. — Após receber os cumprimentos de Caius, o mordomo, e dois serventes na base da escadaria, com a mesma glória e a cerimônia que o primeiro duque deveria ter recebido no século XV, Edward foi conduzido para a enorme sala onde era servido o café-da manhã. Os jornais do dia com as principais publicações financeiras rapidamente foram entregues a ele. Não havia necessidade de pedir qualquer coisa. Todos os seus desejos eram cuidadosamente atendidos pela dedicada equipe de funcionários.

Enquanto Edward apreciava a primeira refeição do dia, o silêncio reinava no ambiente, pois a preferência dele pelo silêncio durante o café-da-manhã era conhecida e respeitada. O telefone foi levado até ele por um dos serviçais. A mãe de Edward, a nobre duquesa, Dona Esme, lhe pedia que fosse almoçar com ela em Sevilha.

Isso não o agradou. Teria de remarcar as reuniões do Banco Cullen. Mas Edward, que se sentia constrangido por despender pouquíssimo tempo com a família, resolveu concordar.

Enquanto sorvia um gole do café fresco, o brilho dourado de seus olhos cor de mel se direcionou para um enorme retrato na parede do outro lado da sala, a imagem de sua falecida esposa, Victória.

Edward se perguntava se mais alguém da família se lembraria que em 48 horas seria o aniversário da morte dela. Victória, a amiga de infância de Edward, que falecera havia quase um ano, havia deixado um enorme vazio em sua vida. Ele se perguntava se um dia conseguiria superar a culpa pela morte trágica de Victória, e decidiu que o melhor a fazer no momento seria passar o dia longe de casa, trabalhando em Londres. Sentimentalismo não era uma de suas fraquezas.

Edward passou uma manhã atribulada no Banco Cullen, uma instituição constituída pelas fortunas dos mesmos clientes por gerações e havia se tornado mundialmente conhecida como uma das instituições financeiras mais bem sucedidas do mercado. Grande parte do sucesso atual se devia a Edward, que desde cedo havia sido considerado um verdadeiro gênio com administração e números. Resolver equações complicadas era um grande prazer e satisfação para ele. Mesmo porque... entender os números sempre fora mais fácil do que entender as pessoas, ele pensava com ironia.

Quando ele foi ao encontro da mãe, ficou surpreso ao ver que sua tia Carmem e suas duas irmãs, Tânia e Kate, também estavam presentes no almoço.

— Eu acho que já chegou o momento de termos uma conversa. — Dona Esme murmurou, lançando um olhar significativo para o filho.

Edward ergueu uma das sobrancelhas e questionou:

— Sobre o quê?

— Já faz um ano que você está viúvo. — Tânia interveio.

— Onde vocês querem chegar com isso? — Edward indagou num tom seco.

— Você passou tempo demais se lamentando. Está na hora de pensar em se casar novamente. — a duquesa declarou.

Com a expressão serena e inabalada, Edward fitou o rosto da mãe e declarou com firmeza:

— Eu não concordo.

Kate, a irmã mais nova de Edward, apressou-se em dizer:

— Ninguém irá substituir Victória, Edward. Nós não esperamos isso e nem você poderá...

— Mas, você precisará de um herdeiro. — Dona Esme interrompeu com seriedade. — No ano passado, quando Victória faleceu, todos nós aprendemos sobre como a vida pode ser frágil e instável. E se alguma coisa acontecer com você? Você precisa se casar e conseguir um herdeiro, meu filho.

Edward comprimiu os lábios até formar uma linha fina. Ele não precisava ouvir esses comentários, porque durante toda a sua vida costumava atender diariamente as responsabilidades que lhe eram impostas. Na verdade, ele nunca se livrava das expectativas que acompanhavam a sua posição social privilegiada e a sua vasta riqueza. Edward havia sido educado de acordo com as tradições de seus ancestrais e tinha que colocar as obrigações e a honra da família sempre em primeiro lugar. Contudo, certa rebeldia começava a se formar em seu interior.

— Estou ciente desses fatos, mas não estou preparado para me casar de novo — ele devolveu com firmeza na voz.

— Acho que poderíamos ajudá-lo se preparássemos uma lista com possíveis noivas para você — a duquesa insistiu, dando um largo sorriso.

— Não acho que isso poderia me ajudar. Aliás, eu acho que essa ideia é absurda. — Edward respondeu friamente. — Quando e se eu me casar novamente, escolherei a minha noiva.

De qualquer forma, a tia dele, Carmem, decidiu que não deveria ficar calada. Assim que ela indicou uma candidata de uma família rica e importante, Edward dirigiu um olhar desdenhoso para ela.

Em seguida, a mãe dele começou a falar sobre uma jovem viúva que tinha um filho, o que a mulher mais velha designou como um recorde de fertilidade comprovada. O tédio em que Edward se encontrava podia ser visto claramente nos bonitos traços do rosto bronzeado. Ele sabia exatamente aonde elas queriam chegar. Infelizmente, ouvir sobre recordes de fertilidade não o agradava nem um pouco. A irmã mais velha, Tânia, sugeriu que a filha adolescente de uma amiga próxima poderia ser uma noiva perfeita para ele.

Edward quase deu uma estrondosa gargalhada ao ouvir o comentário da irmã. Ele tinha plena convicção de que casamento poderia ser um desafio, até para aqueles que parecem ter um relacionamento compatível e bem equilibrado.

— Vamos organizar uma festa e convidar algumas mulheres. — Dona Esme declarou, determinada a dar a última palavra. — Mas, não convidaremos a adolescente, Tânia. Eu não acho que uma mulher tão jovem possa ser conveniente. Uma noiva Cullen precisa ser madura, possuir etiqueta, educação, além de carregar um passado digno.

— Eu não vou comparecer a festa alguma. — Edward afirmou sem hesitar. — Por enquanto, não tenho intenções de me casar de novo.

Kate lançou um olhar compreensivo para Edward e observou:

— Mas, ao menos se você for à festa, poderá se apaixonar por alguém novamente.

— Não haverá festa. — Edward protestou, sentindo-se incomodado com os comentários da família.

Ele mal conseguia acreditar que os próprios parentes podiam ser tão rudes e impertinentes. Mas, até aí, ele tinha que admitir que nenhum deles fosse muito próximo. A formalidade imposta pela mãe provocara com que o comportamento entre eles fosse polido e distante.

— Nós apenas estamos pensando no que é melhor para você. — a duquesa murmurou com doçura no tom de voz.

Edward fitou a mulher que o havia mandado para um internato inglês quando ele estava com 6 anos de idade e que havia permanecido rígida apesar das cartas que ele enviara, implorando para que ela permitisse que ele voltasse para a casa.

— Eu sei o que é melhor para mim. Mama.

— Feliz aniversário, Bella! O que você achou? — Jacob Black perguntou animado, enquanto se afastava do carro e acenava para ela.

Surpresa, Bella Swan analisou o seu carro antigo. Jacob havia feito uma nova pintura na cor rosa, que ela adorou assim que olhou no veículo.

Bella deu alguns passos ao redor do carro e ficou encantada pela transformação que fizera com que as ferrugens, os amassados e os arranhões simplesmente desaparecessem.

— É incrível! Você fez um verdadeiro milagre, Jake.

— É para isso que servem os amigos. Eu substituí várias peças do carro. Eu sabia que consertar o seu carro seria o melhor presente que eu poderia lhe dar. — admitiu o amigo.

Bella se aproximou e o abraçou. Moreno e de estatura média, Jacob ainda conseguia ser alguns centímetros mais alto do que Bella, que por sua vez era baixa e possuía cabelos castanhos e olhos verdes.

— Eu não sei como lhe agradecer.

Jacob deu de ombros e afastou-se um pouco.

— Não foi grande coisa. — ele declarou, sem graça.

Mas Bella reconhecia o valor da generosidade dele, e o fato de Jacob ter usado o tempo livre para consertar o carro dela deixou-a comovida. Ele era o melhor amigo dela e sabia que ela precisaria do veículo para ir às feiras de exposição e às lojas de arte onde vendia as mercadorias durante os finais de semana.

Bella e Jacob haviam ficado juntos no orfanato quando eram crianças e a ligação entre eles era muito forte.

— Não se esqueça que eu vou ficar com Sue esta noite. — ele a lembrou. — Vejo você amanhã.

— Como está Sue?

Ao pensar na idosa que estava seriamente doente, Jacob deu um suspiro de tristeza.

— Do mesmo jeito... parece que ela não está tendo nenhuma melhora.

— Disseram alguma coisa sobre a vaga na casa de repouso?

— Não. Mas ela está entre as primeiras da lista.

Enquanto entrava na casa, Bella refletia sobre o quanto Jacob costumava se preocupar e cuidar da mulher que o havia educado quando ele era adolescente.

Jacob havia recebido a casa situada em Hackney como herança de um tio. O dinheiro que ele também herdara permitira que ele financiasse e montasse uma oficina de carros, onde atualmente trabalhava. Jacob oferecera um quarto a Bella e a preciosa oportunidade de ela usar a pequena casa que ficava nos fundos do jardim a fim de usar o forno de oleiro para os vasos de cerâmica que ela fazia.

Até então, o sucesso havia iludido Bella. Ela concluíra a escola de artes com grandes esperanças para o futuro. E, apesar de trabalhar na companhia de bufê que a havia contratado, ela ainda tinha que se esforçar muito para conseguir pagar o aluguel e as contas.

Contudo, o sonho dela era vender peças de cerâmica para que pudesse trabalhar como oleira em tempo integral. Bella costumava se sentir um fracasso em relação à arte, porque a cada dia que se passava esse sonho parecia ser inalcançável.

Assim como Jacob, Bella também tivera um passado cheio de altos e baixos, no qual enfrentara constantes mudanças, relacionamentos fracassados e uma total insegurança. A mãe dela havia falecido quando ela estava com 9 anos de idade e a avó a colocara para a adoção, enquanto escolhera ficar com Alice, a irmã mais velha de Bella.

Ela nunca conseguiu superar o fato de a própria família tê-la entregue para os serviços sociais simplesmente porque, diferente da irmã, ela era filha ilegítima. E, o que era pior, Bella era a prova viva de que a mãe tivera um caso com um homem casado. A dor de ter sido cruelmente rejeitada pela família fez com que, durante a infância, Bella tivesse receio de contatar os parentes quando se tornasse adulta.

Mesmo agora, com 22 anos de idade, Bella pretendia bloquear as memórias do passado para impedir que essas dolorosas lembranças voltassem a perturbá-la.

Naquela noite, os patrões de Bella estavam promovendo um serviço de bufê para uma festa de casamento que seria realizada em uma mansão em St John Wood.

Era uma reserva muito especial para um novo cliente e o gerente dela, Mike, estava ansioso para que tudo saísse perfeito.

Bella apertou o laço do avental sobre a saia de cor preta e a blusa branca que usava para trabalhar. A mãe da noiva, Heidi Volturi, uma mulher loira e magérrima trajando um vestido na cor rosa, estava censurando o gerente Mike, ao dar instruções em um tom agudo de voz.

Mike acenou para Bella, pedindo para que ela se aproximasse.

— Essa é Isabella, minha garçonete mais experiente. — Ele a apresentou à mulher e depois prosseguiu: — Esta noite teremos um convidado... — Sr. Edward Cullen...

A mãe da noiva interrompeu com arrogância.

— Ele é um banqueiro espanhol e, como patrão do meu marido, nosso convidado mais importante. Quero que ele seja atendido da melhor maneira possível. Eu mostrarei quem é assim que ele chegar.

— Está bem. — Bella assentiu com um gesto de cabeça e retornou para a cozinha.

— O que foi aquilo? — indagou Ângela, a colega de Bella, que também era garçonete.

Bella explicou.

— Posso apostar que ele deve ser mais um daqueles ricos que possuem mais dinheiro do que bom senso. — opinou a garçonete.

— Se ele é banqueiro, é de se esperar que tenha os dois! — brincou Bella.

A noiva, trajando um magnífico vestido de seda na cor branca, uniu-se à mãe para verificar a mesa de bufe. Bella assistia enquanto a sra. Volturi ajustava cuidadosamente a tiara que a filha usava na cabeça. Sem se importar com a atenção que estava recebendo da mãe, a noiva começou a queixar-se da cor dos guardanapos, dizendo que não era exatamente o que ela havia exigido. Mike apressou-se em desculpar-se, enquanto Bella se perguntava por que ela mesma tinha fracassado em ganhar o amor da mãe, e porque o único afeto que recebera durante a infância fora o da irmã. Será que a própria mãe também tivera vergonha da ilegitimidade dela?

Alguns minutos depois, Bella foi chamada na entrada do salão para ver o banqueiro espanhol a quem teria que dar mais atenção. O homem alto e de cabelos acobreados que estava conversando com os pais da noiva era de uma beleza tão impactante que Bella sentiu o coração dar um salto dentro do peito ao observá-lo.

Ele era deslumbrante. Os cabelos eram curtos, acobreados e brilhantes. Os traços do rosto bronzeado eram clássicos e perfeitos. Os ombros largos e poderosos, os quadris estreitos e as pernas musculosas formavam o conjunto de um físico atlético e imponente.

— Ofereça um drinque ao nosso convidado VIP. — pediu Mike.

Bella começou a caminhar com a respiração acelerada, sentindo-se agitada e embaraçada pela reação que tivera ao observá-lo. Ela não era assim. Bella nunca reagira aos homens da mesma maneira que faziam suas amigas, O relacionamento inconstante que a mãe tivera com diversos homens que a trataram mal havia deixado marcas em Bella, apesar de ela ser apenas uma criança na época.

Desde adolescente, Bella já sabia que desejava algo diferente para ela, algo além do sexo casual com homens que não quisessem compromisso, contribuir dentro de casa ou ajudar na criação dos filhos. Ela tivera alguns namorados, mas ninguém especial; certamente ninguém que tivesse sentido o desejo de experimentar uma intimidade maior.

Para Bella, o fato de olhar para o outro lado do salão e vislumbrar um homem que conseguiu tirar-lhe o fôlego e o bom senso foi um grande choque. Quanto mais Bella se aproximava dele, mais ele parecia notar o olhar curioso que ela lhe lançava, observando cada detalhe da aparência sofisticada e elegante dele.

O terno que ele vestia era de corte clássico e o resplendor do design mais caro e da mais alta qualidade.

— Senhor? — Bella estendeu a bandeja com os drinques e no instante em que ele se virou para encará-la, ela descobriu que ele possuía cílios longos e espessos e olhos cor de mel que pareciam refletir um brilho dourado. Ao deparar-se com aqueles lindos olhos, ela se sentiu zonza e perturbada.

— Obrigado. — Edward aceitou uma taça e apressou-se em beber, pois sentia a boca ressecada.

Não fosse o fato de os Volturi serem muito amigos da mãe dele, ele teria ficado em casa naquela noite. Uma inflamação na garganta e uma série de antibióticos estavam fazendo com que ele se sentisse péssimo. Mas, de qualquer forma, a consciência dele não o deixou em paz e Edward se sentiu obrigado a comparecer à festa de casamento, já que não havia ido à cerimônia que já fora realizada na igreja.

Desejando ficar só, ele decidiu dispensar o chofer e os guarda-costas por aquela noite e preferiu ir à festa dirigindo o próprio carro. Edward desviou a atenção para o casal de noivos, que no momento discutiam, e percebeu o olhar irritado que a noiva exibia e o embaraço do noivo, como se estivesse desejando estar em qualquer lugar, exceto ali.

Edward sabia como era aquela sensação. Ele também não gostava de casamentos. A alegria artificial o perturbava e as estatísticas de divórcio faziam com que as promessas de amor e o romance parecessem vazios e sem sentido. Ele não conseguia se imaginar casando novamente e abdicando da sua liberdade.

Ocupada em servir os convidados, Bella ficou surpresa quando notou que o belíssimo banqueiro estava com o olhar fixo no rosto dela. Ela enrubesceu, perguntando-se por que ele parecia estar tão amedrontado e não resistiu em sorrir no intuito de animá-lo.

O sorriso meigo da pequena garçonete era tão encantador quanto seu rosto, Edward admitiu, e o mau humor que o havia dominado repentinamente começou a desvanecer enquanto ele a admirava. Os olhos verdes e brilhantes como o de um felino, o nariz perfeito, as covinhas graciosas e os lábios cheios e rosados o deixaram fascinado. No instante em que Edward se deu conta de que estava olhando fixamente para o rosto dela, desviou o olhar e fitou a taça que segurava.

Mas, estranhamente, tudo o que conseguia ver eram aqueles olhos felinos e os maravilhosos lábios rosados que combinavam a curiosa mistura da inocência de uma menina com o charme sedutor de uma mulher.

Ele estava surpreso consigo mesmo e ficou ainda mais perturbado com o desejo intenso que o dominou. Desde que Victória falecera, ele não estivera com nenhuma outra mulher. A culpa havia exterminado a sua libido da mesma forma com que a morte havia levado a sua esposa.

— Aqui, amor! — um dos convidados chamou a atenção de Bella.

Ao ouvir o pedido, ela apressou-se em servir os drinques. Enquanto Bella os servia, o trio de jovens que evidentemente já havia tomado algumas bebidas começou a fazer comentários indesejáveis sobre as curvas do corpo dela.

Bella cerrou os dentes e, ignorando a ousadia dos jovens, afastou-se logo que terminara de servi-los. Em seguida, retornou ao bar para atender mais pedidos.

— O copo do convidado VIP está vazio. — Mike avisou-a, exibindo preocupação no olhar. — Vá servi-lo.

Desta vez, Bella esforçou-se para não olhar diretamente para o banqueiro, mas podia sentir o coração bater desenfreado enquanto cruzava o salão até chegar à mesa onde ele estava. Contudo, a ansiedade e a tentação foram mais fortes e ela não resistiu em contemplá-lo outra vez: ele realmente era incrível, os cabelos acobreados cintilavam sob as luzes fracas do ambiente que evidenciavam os traços perfeitos do rosto másculo.

Ela sentiu a boca ressecar, enquanto uma onda de desejo a invadiu, fazendo-a se sentir indefesa. O poder daquela sensação deixou-a chocada. Ele era um estranho e ela não sabia nada sobre ele. O que ela sentia era desejo físico. Contudo, a força daquela atração era quase irresistível.

Pela primeira vez, Bella se perguntou se algo similar havia atraído sua mãe e a fizera se envolver com um homem casado. Ao ter esse pensamento, Bella sentiu certa culpa por ter julgado a mãe de forma tão severa até então.

Edward assistia enquanto Bella caminhava na direção dele, maravilhando-se ao ver o quanto ela era delicada... os passos graciosos que ela dava pareciam acompanhar o ritmo da música.

"Dios mio! O que está acontecendo comigo?", Edward se perguntou, intrigado.

Contudo, manteve o olhar fixo nas curvas sensuais do corpo de Bella, que assim que lhe dirigiu aqueles olhos verdes, sentiu como se um choque elétrico tivesse percorrido todo o seu corpo.

Ele depositou a taça vazia sobre a bandeja que ela estendeu e apanhou outro drinque. Por um momento, ele achou que a sua sede de desejo poderia ser controlada com água ao invés de álcool, mas o que aconteceu em seguida mudou completamente o rumo dos seus pensamentos.

Assim que foi chamada pelo mesmo grupo de jovens que havia servido, Bella apressou-se em atendê-los. Ao se aproximar, um dos homens fez um comentário rude sobre os seios dela e, enquanto ela se esforçava para manter a calma, outro jovem do grupo a envolveu pela cintura com um dos braços e puxou-a para mais perto.

— Solte-me! — Bella exclamou com desdém, sentindo-se aborrecida. — Estou aqui para servir os drinques... e nada mais!

— Ah, não precisa ficar zangada, querida — zombou o jovem de cabelos loiros, que, sem se importar com a queixa dela, atirou uma nota de alto valor sobre a bandeja. Registrando o nome dela no crachá de identificação, ele prosseguiu: — Você quer ir para a minha casa mais tarde, Bella? Confie em mim, vamos ter bons momentos...

— Não, obrigada. Agora, tire suas mãos de mim! — ela exigiu.

— Você faz ideia de quanto dinheiro ganhei neste ano?

— Não me interessa nem um pouco. — ela falou, amassando a nota em uma das mãos dele e livrando-se do braço que a segurava no momento em que ele afrouxou a pressão que fazia sobre a cintura dela.

Como ele ousava falar com ela dessa maneira? Bella se perguntava indignada, enquanto se afastava do local, ouvindo a explosão de risos dos jovens.

Constrangido, Mike a assistia da entrada do salão e, assim que ela passou por ele, avisou-o de que era preciso ficar atento ao grupo, antes que a situação ficasse fora de controle.

— Eu não vou suportar ser tratada dessa maneira. Tenho o direito de me queixar quando alguém faz uma coisa dessas comigo — Bella declarou, furiosa.

Preocupado com a ameaça que ela acabara de fazer, Mike ergueu as sobrancelhas e falou:

— Esses sujeitos estão zombando e querem apenas flertar com você. Bella, você é uma linda mulher e não há muitas mulheres bonitas neste salão. Eles devem ter exagerado nas bebidas. Tenho certeza de que não tiveram a intenção de insultá-la.

— Eu discordo. E fiquei muito ofendida. — Bella protestou e em seguida dirigiu-se ao bar, sentindo-se furiosa por sua queixa não estar sendo levada a sério.

Ela sabia que o gerente gostaria de evitar qualquer confusão que pudesse colocar em risco a chance de conseguir novos clientes da alta sociedade. Mas, pela primeira vez, Bella ressentiu-se por sua humilde posição na vida. Evidentemente, Mike achou que a queixa dela era menos importante do que o conforto dos jovens arrogantes que a haviam insultado.

Edward deu um profundo respiro para tentar manter o controle. Ele havia testemunhado a cena e sentiu vontade de interferir para defender a garçonete dos jovens embriagados. Entretanto, achou que o chefe dela fosse protegê-la do assédio.

Então, o nome da garçonete era Bella... ele ouvira quando um dos jovens falara o nome dela. Não seria um diminutivo de Isabella? E se fosse, porque deveria se importar? Ele não gostava de se sentir vulnerável.

Acompanhado da anfitriã, Heidi, Edward foi conduzido para se sociabilizar com outros convidados. Jasper Hale estava presente, mas viera sozinho e explicara, com grande satisfação, que a esposa estava dando à luz ao terceiro filho deles. Contudo, se ele estivesse procurando por bajulações, certamente não encontraria ali.

Quando o assunto era crianças, Edward não tinha nada a declarar e nem mesmo se interessava. A atenção de Edward ficou concentrada em Bella, assim que ela reaproximou-se dos jovens que pediram mais uma rodada de bebidas.

A tensão estava estampada nas delicadas faces dela e a relutância em responder aos comentários dos homens era evidente. O jovem de cabelos loiros novamente colocou um dos braços na cintura dela. Em seguida, ele moveu as mãos e de forma grosseira beliscou-lhe uma das nádegas.

Bella reagiu zangada, e Edward caminhou a passos largos na direção dela.

— Tire suas mãos de cima dela! — Edward comandou.

O jovem liberou Bella e, ao erguer-se da cadeira, deu um empurrão em Edward.

Surpresa ao ver que o banqueiro viera resgatá-la, Bella ficou preocupada pelo perigo que ele corria em ser agredido pelos três jovens embriagados. Ela apressou-se em colocar-se entre os homens, mas por instinto desviou-se de um soco que acabou atingindo uma das têmporas de Edward, que caiu pesadamente ao chão.

Por um instante, ele ficou desacordado. E quando abriu os olhos, deparou-se com os lindos olhos verdes de Bella, que exibiam extrema preocupação. Ela estava tão próxima que ele podia sentir o delicioso aroma cítrico dos cabelos encaracolados invadindo-lhe as narinas e fazendo com que uma onda de excitação o dominasse.

Quando Bella fitou os olhos cor de mel de Edward, sentiu o corpo inteiro vibrar e o calor da sensação que a dominou fez com que ela quase perdesse o fôlego. Os jovens desapareceram em meio à multidão quando se deram conta de que diversas pessoas haviam presenciado a cena.

Heidi Volturi aproximou-se e, de forma arrogante, censurou Bella:

— Acho que você já causou problemas demais! — e, dirigindo o olhar para Edward, a mulher ofereceu: — Sr. Cullen? Devo chamar um médico?

Bella ergueu-se do chão e assistiu enquanto Edward também se levantava e calmamente declarava que não precisaria de assistência médica.

— Eu acho que o senhor deveria ir ao hospital. — Bella sugeriu. — O senhor ficou desacordado por um momento e pode ter sofrido uma concussão.

— Obrigado, mas eu realmente não preciso. — Edward assegurou com firmeza no tom de voz, enquanto ajeitava o paletó amarrotado. — Mas, acho que um pouco de ar fresco seria bom. Está muito abafado aqui dentro.

— O que foi aquilo? — Mike indagou, e, segurando em um dos braços de Bella, afastou-a para ter uma conversa em particular.

Assim que Bella explicou o que havia acontecido, Ângela exclamou admirada:

— O espanhol é um verdadeiro herói... ele se aborreceu tanto que a defendeu quando o jovem embriagado lhe deu um beliscão! Você esperava que ele fizesse isso?

O comportamento do banqueiro também havia surpreendido Bella, mesmo porque o único homem que ela conhecia e achava que fosse capaz de intervir em uma briga para defender uma mulher de um assédio era o seu amigo Jacob.

Após selecionar um prato do bufê e colocar algumas iguarias e um drinque sobre a travessa, Bella dirigiu-se para a sacada onde Edward Cullen se encontrava.

De costas para o salão, ele estava recostado no parapeito da sacada, contemplando as luzes da cidade.

— Eu queria agradecê-lo por ter exigido que aquele homem se afastasse de mim. Foi uma atitude muita corajosa — Bella falou com a voz ofegante, enquanto depositava a travessa sobre a pequena mesa que estava atrás dele. — Sinto muito que o senhor tenha sido agredido.

— Se você não tivesse se colocado entre nós dois, eu poderia ter revidado. — Edward declarou, girando o corpo para encará-la.

Ele ainda podia sentir a onda de raiva que o dominou quando viu o jovem embriagado tocando o corpo dela.

— Mas, o senhor era um contra três homens. — Bella observou, enquanto ficava na ponta dos pés e traçava gentilmente com a ponta de um dedo sobre o local onde ele havia sido agredido. — O senhor poderia ter ficado gravemente ferido e eu me sentiria muito culpada. — E, após dar um suspiro, ela prosseguiu: — Bem, eu trouxe alguns petiscos. Por favor, coma alguma coisa.

A sensação de ter os seios dela contra o seu peito e a proximidade do calor do corpo feminino proporcionou-lhe uma nova oportunidade de sentir o delicioso aroma cítrico dos cabelos dela. Uma onda de excitação o invadiu novamente.

Edward estudou os lábios cheios e sensuais de Bella e sentiu um desejo incontrolável em prová-la.

— Eu não quero nada além de você... — Ele sussurrou em um tom rouco de voz.

Eita! Rsrs primeiro capítulo já chegando! Essa é uma adaptação de um romance maravilhoso da Lynne Graham, e os personagens da Stephanie Meyer! Espero que vcs tenham gostado do primeiro capítulo! Comentemmm e até o próximo! Bjimmm! Quarta eu venho com mais!