Capítulo 4

Boa Leitura!!!

Enquanto tentava prestar atenção no longo discurso de um dos diretores mais importantes do Banco Cullen, Edward foi levado por uma série de devaneios sensuais. Quanto mais o discurso se prolongava, mais ele se perdia nas fantasias que a sua mente criava.

Ele imaginava Bella deitada sobre a cama, a luz do sol que entrava pela janela refletindo sobre seu corpo sensual, destacando os seios perfeitos e os mamilos rosados, úmidos pelo champanhe que ele sugava pouco a pouco das curvas sensuais do corpo dela, para depois começar a beijar-lhe os lábios cheios e sensuais...

— Sr. Cullen?

Edward interrompeu os devaneios e, embora estivesse sentindo um enorme desconforto causado pelo desejo sexual que as imagens lhe despertaram, voltou à realidade e declarou com firmeza no tom de voz:

— Minha opinião? Em poucas palavras? Seja rigoroso. Demita a equipe administrativa. Eles tiveram a chance e não souberam aproveitar. Dê a oportunidade a funcionários que tenham sede de progredir. — Edward aconselhou sem hesitar, dando um fim à reunião com a calma e a eficiência que fizeram dele uma verdadeira lenda no mundo dos negócios.

Seguido de perto pelo grupo de assistentes, Edward saiu da sala de reunião e seguiu para o extenso corredor. Ele estava irado pelas imagens sensuais que invadiram sua mente, tirando-lhe a concentração nos momentos mais inapropriados do dia.

Mas será que, antes de Bella, o sexo havia sido tão importante para ele? Tão selvagem? Tão quente? Se tivesse sido, ele não conseguia se lembrar.

Para dar um fim à própria tortura, Edward finalmente resolveu ligar para um dos números que estava em sua agenda telefônica. Ele marcou um jantar com uma linda mulher loira, que era divorciada. Durante o encontro, a mulher havia praticamente se atirado nos braços dele.

Mas, infelizmente, Edward descobriu que o seu apetite sexual não poderia ser preenchido com esse tipo de mulher. Ele ainda desejava Bella e parecia que nenhuma outra mulher seria capaz de substituí-la.

Então, por que hesitar em procurá-la? Edward se perguntava. Ele tivera diversas mulheres antes de se casar com Victória e agora aquela fase havia terminado. Sexo era apenas sexo e ele era jovem e saudável. Ele trabalhava demais, e por que não deveria se divertir na mesma proporção? Não havia nada de errado com a busca pelo prazer. Além do mais, ele possuía a desculpa perfeita para procurá-la novamente: ele precisava saber se a noite em que fizeram amor havia tido alguma repercussão.

Bella deu um forte suspiro de frustração quando retirou as peças de cerâmica de dentro do forno elétrico. Ela usara uma força desnecessária, provocando com que as peças ficassem com diversas rachaduras. Mais danos desnecessários! Ela repreendia-se mentalmente.

Durante os últimos dias, ela cometera inúmeros erros enquanto trabalhava. Contudo, suas emoções não a deixavam em paz, pois ela estava muito aborrecida por ter dormido com Edward. O fato de tê-lo conhecido e se tornado vítima do charme dele havia forçado Bella a aceitar que ela tinha mais em comum com a sua mãe biológica, Renne, do que ela poderia imaginar.

Renne sempre seguira os instintos com homens que ela nem mesmo tivera tempo de conhecer direito. A mãe costumava chamar esses impulsos de "amor" e "espontaneidade". Bella, por sua vez, preferia dar outros nomes aos seus próprios impulsos.

Durante a semana inteira ela se censurava mentalmente, chamando-se de estúpida, emotiva e ingênua. A atitude que Edward tivera na manhã seguinte, após a noite de amor que eles haviam compartilhado, fizera com que ela se sentisse completamente humilhada. Ela havia se entregado a um homem que desejava ter uma mulher comportada e que aceitasse ficar em segredo apenas para a satisfação sexual dele. Ele não a respeitara e nem a valorizara.

Como ela pôde chegar a esse ponto? Bella se perguntava, com tristeza. Ela estava na cozinha, preparando um café, quando a campainha tocou. Bella ficou chocada quando avistou o homem alto, bronzeado e bem vestido que estava parado na entrada da casa. Ela ficou em silêncio e sentiu a boca se ressecar.

Sob a luz do sol, os cabelos acobreados agitados pela brisa da primavera e os traços clássicos do rosto exibindo seriedade, Edward estava incrivelmente lindo.

— Posso entrar? — Ele indagou, com o olhar fixo nos olhos dela.

Bella estava completamente pálida. O abalo que ela sentiu ao vê-lo parado na porta era visível. Os cabelos escuros e encaracolados caíam-lhe sobre os ombros roliços e o avental que ela usava estava todo sujo de lama.

— Por quê? O que você quer?

Edward ergueu uma das sobrancelhas de forma irônica.

— Quero ver você... não posso?

Bella apenas permitiu que ele entrasse, porque não queria começar uma discussão na porta de casa. Ele não tinha o direito de vir procurá-la, ela pensava desconcertada. Assim que avistou de relance o carro luxuoso que estava estacionado em frente a casa, Bella ficou boquiaberta.

— Aquela limusine é sua?

— Si. — Edward respondeu e, entregando um balde de gelo com um champanhe para ela, acrescentou: — Achei que poderíamos tomar um drinque juntos.

Bella fixou os olhos na garrafa e ficou pasma. Tratava-se de um dos melhores e mais caros champanhes: Bollinger Blanc de Noir.

— Estamos em plena tarde. — ela murmurou, espantada.

— E qual é o problema? — O brilho fascinante dos olhos dele encontrou com os olhos dela, deixando-a sem fala.

Bella sentiu um frio na espinha e uma perigosa onda de desejo invadiu-lhe a região mais íntima do corpo. Por um momento, ela perdeu o controle e as lembranças da qual havia se esforçado tanto para abafar voltaram como uma forte onda, dominando-lhe a mente e deixando-a sem reação. Ele estava ali, bem na sua frente, fazendo-a se recordar do amor intenso e selvagem que eles haviam feito naquela noite.

— Almoce comigo, querida.

— Não, eu estou ocupada... com as cerâmicas. — Bella declarou, com certo nervosismo.

Sem se importar com o que ela acabara de falar, Edward fechou a porta atrás dele.

— Então... é aqui que você mora. — ele observou, gesticulando com uma das mãos, enquanto caminhava através do corredor estreito e escuro que dava acesso aos quartos.

As velhas mobílias e o espaço minúsculo e desconfortável do ambiente exibiam uma humildade que ele raramente vislumbrava e com certeza nunca conhecera.

— Como você descobriu meu endereço?— Bella questionou com tensão, enquanto abria a porta do quarto dela.

Ela estava começando a se sentir incomodada com a presença dele em uma área tão confinada. Sem contar que a sala de espera estava uma verdadeira bagunça, pois era o local onde Jacob costumava deixar revistas de motos, peças de carros e latas de cerveja espalhadas por todo o lado.

Edward imediatamente notou que em uma das paredes do quarto dela havia um lindo quadro exibindo a imagem de um papagaio. A cama estava enfeitada com uma manta de seda na cor azul-claro e o piso havia sido pintado na cor branca. Um pequeno vaso colorido chamou a atenção dele. Erguendo o enfeite, Edward indagou:

— É seu?

Bella sorriu e assentiu com um gesto de cabeça, satisfeita por ele ter adivinhado que fora ela que havia feito a peça. Ao contemplar o sorriso meigo que ela dera, Edward sentiu vontade de envolvê-la em seus braços e beijá-la com ardor. Dando um profundo respiro para tentar manter o controle, ele a assistia enquanto Bella retirava o avental, revelando o vestido com delicadas estampas de flores. Embora ela estivesse trajando roupas casuais, ele a achou incrivelmente sexy.

— Você ainda não me disse como descobriu o meu endereço. — Bella o lembrou.

— Não, eu não disse. Eu disse? — Ele indagou distraído, enquanto a sua atenção ficava voltada para as curvas sensuais do corpo feminino. — Eu pedi para que a seguissem naquela manhã...

— Você fez o quê? — Bella indagou, chocada.

Edward dirigiu o olhar cor de mel para ela, sem demonstrar nenhum arrependimento.

— Eu disse que não estava preparado para perdê-la, gatita.

— Então, eu fui seguida! Por quem?

— Por minha equipe de seguranças. E, quando eu descobri que você morava aqui, fiquei ainda mais determinado a cuidar de você.

Bella ergueu o queixo e, lançando um olhar furioso para ele, censurou:

— Somente crianças precisam ser cuidadas...

— Ou, uma linda mulher. — Ele interrompeu-a e, aproximando-se dela, colocou as mãos em seus ombros delicados a fim de puxá-la para mais perto.

— Eu não queria vê-lo novamente. E já havia deixado isso bem claro. — Bella falou, sem rodeios.

Ignorando o que ela dizia, Edward encostou-a contra a parede e entrelaçando os dedos das mãos nos dedos dela, deixou-a aprisionada. Ao sustentar o brilho intenso daqueles olhos cor de mel, Bella sentiu a respiração se acelerar. O calor do corpo másculo e poderoso contra o seu provocou uma forte sensação de anseio, fazendo seus mamilos enrijecerem por baixo do tecido fino do vestido que ela usava.

— Dios mio! — ele murmurou num tom sensual de voz. — Sua pequena mentirosa. Você queria me ver e agora mesmo está ardendo de desejo por mim.

Bella sentia os joelhos bambearem, mas continuou resistindo.

— Essa é a sua opinião...

— Estou errado? — Edward indagou, exibindo um brilho matreiro nos olhos, enquanto se inclinava para depositar um beijo na curvatura delicada do pescoço feminino. — Você não acha que me deu bons motivos naquela noite para eu chegar a essa conclusão? — ele sussurrou num tom rouco de voz, próximo a seu ouvido.

Uma sensação de culpa a invadiu, fazendo com que suas faces delicadas ficassem completamente enrubescidas.

— Eu não quero falar sobre isso... — ela devolveu, com a voz ofegante.

Com um suspiro de impaciência, Edward inclinou-se e tomou os lábios dela com voracidade. Enquanto ele deslizava as mãos pelas curvas de seu corpo, ela envolveu o pescoço largo de Edward, e sentia o coração bater desenfreado dentro do peito.

Bella tinha se esquecido da sensação de ter os lábios dele contra os dela e da incrível excitação que ele conseguia despertar em seu corpo apenas com um beijo. Os beijos sensuais que ele dava conseguiam despertar nela os instintos mais primitivos e destruir qualquer defesa que ela pudesse ter.

Bella queria mais. Ela dizia a si mesma que no próximo minuto poderia afastá-lo e pedir para que ele fosse embora. Mas, no instante em que ele moveu as mãos para os seios dela e começou a provocar-lhe os mamilos com as pontas dos dedos, uma onda de calor percorreu-lhe o corpo inteiro até chegar à região mais sensível, fazendo com que qualquer pensamento desaparecesse da mente dela.

Atento à resposta que ela lhe dava, Edward afastou as pernas femininas e pressionou uma das coxas fortes contra a parte sensível do corpo dela, fazendo com que um gemido de prazer e ansiedade escapasse dos lábios femininos.

— Você me quer, gatita.— Edward murmurou num tom baixo e sensual de voz, enquanto fitava o verde dos olhos dela. — E eu a quero. Eu a quero o tempo todo...

O tempo todo. Essas três palavras decisivas chamaram a atenção de Bella, porque ela estava tendo de encarar o mesmo desafio. Ela não conseguia afastá-lo dos seus pensamentos nem por um minuto.

Edward mordiscou uma das orelhas, incitando-a e fazendo com que ela arfasse e sentisse um arrepio de excitação, ao mesmo tempo que com uma das mãos começava a provocar a parte úmida e pulsante de seu corpo.

Ela arqueou as costas, enquanto ele encontrava o ponto mais sensitivo e intensificava a carícia, deixando-a enlouquecida.

— Nunca mais diga que não me quer.— ele falou, enquanto sentia uma satisfação ao ver a forma com que ela reagia à carícia dele.

Bella não conseguia encontrar palavras que pudessem responder ao que ele acabara de dizer. Ela estava completamente fora de controle. E, quando sentiu que não suportaria mais, uma forte sensação de prazer a dominou e ela deu um gemido alto enquanto seu corpo estremecia por inteiro. Um segundo depois, o arrependimento tomou conta da mente dela, deixando-a chocada pelo que permitia que acontecesse.

— Preciso ter uma conversa com você, querida. — Edward confessou, avisando em seguida: — Vou pegar o champanhe.

Com as mãos trêmulas, Bella começou a ajeitar o vestido que usava. Ela estava convencida de que nunca mais conseguiria encará-lo. Quando Edward chegou a sua casa, ela tencionara mandá-lo embora, mas, ao invés disso, permitira com que ele a levasse a outro êxtase alucinante.

Não havia explicação para o que acabara de acontecer. Edward havia ignorado todos os protestos que ela fizera e passado por cima do orgulho dela. Bella refletia com embaraço.

— Taças? — Edward pediu usando um tom macio de voz, assim que retornou ao quarto e depositou o balde de gelo com a garrafa sobre a penteadeira.

— Eu percebi que estou lhe dando a impressão errada, mas eu realmente não quero ir para a cama com você de novo. — ela confessou.

Edward encarou-a exibindo divertimento no olhar, pois ele sabia que se quisesse poderia ter prolongado os minutos passados. Ela estava com as faces coradas como a de uma adolescente, o que fez com que ele a achasse ainda mais atraente.

— Não sou fanático por camas, querida. Da forma como me sinto agora, qualquer lugar serviria. — Ele provocou e depois repetiu: — Taças?

— Não tenho nenhuma. — Bella devolveu num tom seco, e em seguida, quis saber: — O que você precisa conversar comigo?

Edward ficou tenso e deu um profundo respiro, antes de revelar:

— Na noite em que nos conhecemos, eu não usei preservativo quando fizemos amor. Você está tomando algum anticoncepcional?

Bella fixou o olhar no rosto dele, sentindo uma mistura de medo e raiva.

— Não.— ela admitiu com nervosismo. — Mas eu pensei que você estivesse protegido.

— Não, eu não estava. Mas, acho improvável que você engravide. — Edward revelou num tom calmo de voz, dando um fim à conversa e deixando-a ainda mais nervosa.

— Fico feliz em saber que você está dormindo tranquilamente à noite, mesmo sabendo que colocou o meu futuro em risco! — Bella desabafou com fúria. — Como você pôde ter sido tão negligente?

Exibindo serenidade nos bonitos traços do rosto e com o brilho dourado dos olhos semi-encobertos pelos longos e espessos cílios, ele declarou num tom seco de voz:

— Nós dois fomos negligentes.

Bella encarou-o indignada.

— Você é bem mais experiente do que eu! Eu estava descobrindo uma nova situação e não pensei por esse aspecto... e você? Qual é a sua desculpa?

Edward lançou um olhar irônico para ela.

— Eu não tenho que lhe dar nenhuma desculpa. Cometi um descuido, foi só isso. Se houver algum problema, vamos encarar juntos e eu lhe darei todo o apoio, mas duvido que você possa ter engravidado de um filho meu.

Bella se perguntava por que ele estava tão confiante. Será que ele vivia em um mundo perfeito, onde nada de errado acontecia em sua vida? Ele havia feito amor com ela por duas vezes. Será que ele não percebia o quanto ela era jovem e fértil?

— Só de pensar na possibilidade de ter engravidado, eu já fico apavorada...

— Isso também é um problema meu. — Edward a interrompeu usando um tom áspero na voz.

— Mas eu não posso descartar essa possibilidade da mesma maneira com que você descarta. Talvez porque eu saiba que o mundo não é o lugar perfeito para uma criança que nasce de forma indesejada. Uma criança que pode ser humilhada pelo simples fato de existir...

Edward franziu as sobrancelhas, sentindo-se confuso por ver o ataque emocional que ela estava tendo.

— Que demônios! O que você está tentando me dizer?

— Eu sou filha ilegítima e o resultado de um do caso que a minha mãe teve com um homem casado. — Bella revelou por entre os dentes. — Minha mãe faleceu quando eu estava com 9 anos de idade e a minha avó materna criou a minha meia-irmã e me entregou ao serviço social para que eu fosse adotada. Eu presumo que a minha avó tivesse vergonha de mim e desejasse que eu nunca tivesse nascido.

Edward ficou desconcertado ao ouvir a história que ela acabara de contar.

— Lamento muito pela sua experiência...

— Sente nada! — Ela interrompeu de forma rude. — Mas eu não quero que nenhum filho meu sofra esse tipo de rejeição.

— Não haverá essa criança. Você não tem que se preocupar. — Edward informou secamente.

— Mas, o que você fará se eu realmente estiver grávida?— Ela indagou, aflita.

Bella sabia que não teria condições de criar uma criança sozinha e isso a deixou em pânico. Ela não tinha esperanças de um bom futuro em seu emprego; na casa onde morava, não havia um quarto onde a criança pudesse ficar; não havia um suporte familiar e ela sabia muito bem a dificuldade que seria criar uma criança sozinha. A própria mãe não havia fracassado ao ter de encarar a mesma situação?

— Nós enfrentaremos o problema. Você é sempre tão pessimista? — Edward indagou com ironia e em seguida, enfatizou: — Precisa ser tão dramática?

Uma onda de raiva invadiu-a, fazendo com que um rubor lhe subisse às faces. Bella avançou alguns passos na direção dele.

— Como você ousa? — ela repreendeu. — É a minha vida que está em jogo e não a sua. Então, eu tenho o direito de saber onde estou pisando. E por que eu não deveria me preocupar? Estou certa de que o melhor que você poderia oferecer seria o dinheiro para que eu fizesse um aborto!

As feições do rosto de Edward ficaram tensas pelo desgosto que ele sentiu. Uma tempestade de revolta dominou-o por inteiro.

— Como você pode pensar uma coisa dessas de mim? — ele falou num tom severo. — Eu jamais teria uma atitude dessas.

— Que seja! — Bella devolveu. — Vamos rezar para que essa situação difícil não venha a acontecer.

Edward chegou à conclusão que suportara ofensas demais e não queria continuar sendo o alvo principal da ira e do desprezo de Bella. Exibindo indignação no brilho dourado dos olhos, ele quis saber:

— Quando você começará a assumir as consequências de seus próprios atos e parar de me culpar?

— Nesse momento, tudo o que eu quero é que você vá embora! — ela gritou.

— Não se preocupe. Eu não sinto o menor desejo em ficar aqui.

Nesse instante, a porta do quarto foi aberta e Jacob apareceu. Franzindo o cenho, ele dirigiu o olhar para Bella e em seguida para Edward.

— Por que você estava gritando, Bella? O que está acontecendo aqui?

— Edward já está de saída. — ela informou, lançando um olhar indiferente para Edward.

— Eu sou Jacob, amigo da Bella. — Ele se apresentou a Edward e se posicionou na frente da Bella, num gesto protetor. — Acho que você deveria fazer o que ela pediu.

Edward estava surpreso pela súbita aparição de outro homem e seus instintos agressivos ameaçavam a sua autodisciplina. Ele notou o brilho possessivo nos olhos pretos do homem.

Edward sentiu uma mistura de aborrecimento e desconfiança, pois ele não sabia que Bella e Jacob moravam na mesmo casa e que possuíam um relacionamento familiar.

— Você sabe como me procurar se precisar.— Edward falou a ela e sua voz soou fria como o gelo.

Bella permaneceu imóvel onde estava, até que a porta do quarto fosse fechada. Em seguida, ela não se conteve e lágrimas começaram a rolar desenfreadas por suas faces. Todas as emoções pela qual ela havia passado durante os últimos dias voltaram a dominar sua mente.

Jacob envolveu-a num abraço carinhoso, tentando confortá-la.

— Quem era aquele sujeito? — Jacob perguntou, quando e se acalmou um pouco. — E o que ele tem a ver com você?

Bella contou toda a história, incluindo o medo de que pudesse estar grávida, mesmo porque não suportava mais guardar para si toda aquela mágoa. A expressão de Jacob tornava-se cada vez mais crítica a cada palavra que ele ouvia. Embora ele não dissesse uma palavra, a surpresa que exibia no olhar conseguia falar por si própria. De qualquer forma, quando ela voltou a falar sobre Edward, ele não se conteve e censurou:

— Uma mulher como você não combina com limusines. — Notando o espanto que ela exibiu no olhar ao ouvir a crítica que ele fizera, Jacob apressou-se em acrescentar: — Um sujeito que possui tanto dinheiro só pode estar querendo se aproveitar de você, porque deve estar cansado do tipo de mulheres que o rodeia.

— Você acha que está certo sugerir que eu seja amante dele? — ela desabafou. — Jake, eu pareço ser uma mulher fútil?

— Eu deveria ter espancado ele. — Jacob resmungou.

— Se eu estiver grávida, meu futuro irá por água abaixo. Eu nunca conseguirei parar de lutar para sobreviver.

— Vamos esperar pelo melhor. — aconselhou o amigo. — Sabe, eu sempre achei que um dia nós dois poderíamos acabar juntos.

Bella o olhou confusa. Nunca lhe havia ocorrido que ele pudesse considerá-la mais do que uma amiga.

— Mas, nós somos amigos... — ela o lembrou, sem jeito.

— Sim, eu sei. — Jacob deu de ombros e prosseguiu: — Mas dizem que a amizade é o primeiro passo para um relacionamento sério, não é? Nós nos conhecemos desde a infância e poderíamos ser um casal perfeito. Não haveria surpresas desagradáveis. Isso faria sentido.

— Não diga mais nada. — Bella pediu de modo infeliz, pois ela nunca havia pensado em Jacob por esse aspecto. — O fato de eu ter me envolvido com Edward foi um ato de loucura.

— Não fique se culpando por isso. — Jacob falou com firmeza na voz. — Isso não a ajudará em nada.

Bella conseguiu fazer duas peças de arte naquela semana e a venda de diversos artigos elevou o seu espírito. Contudo, com o passar da semana, ela começou a ficar deprimida devido ao atraso do ciclo menstrual e a suspeita de que o seu pior medo pudesse estar se tornando realidade. Ela estava trabalhando por muitas horas, mas sua costumeira energia estava desaparecendo.

Bella se sentia incrivelmente cansada e ao mesmo tempo enjoada. A inquietação começava a dominá-la, porque ela temia pelo pior e os anéis escuros ao redor dos seus olhos pioravam conforme ela passava as noites em claro, revirando-se na cama.

Ela planejava sair de casa para comprar um teste de gravidez, quando Jacob convenceu a ir ao médico a fim de obter um diagnóstico mais preciso. O médico foi bem meticuloso e assegurou que não havia a menor dúvida de que ela estaria carregando o seu primeiro filho no ventre.

Embora Bella achasse que estivesse preparada para essa possibilidade, ela ficou arrasada, Jacob telefonou da oficina para ela a fim de saber o resultado e ela confirmou com a voz embargada, enquanto fitava o próprio reflexo no espelho do hall de casa e tentava se imaginar com um bebê nos braços. Um bebê precisaria da total atenção dela dentro de nove meses. O aborto definitivamente não era uma opção para ela. Sua própria mãe havia lhe dado a chance de nascer, sendo que estava nas mesmas circunstâncias.

Renne havia feito o melhor, ainda que esse melhor não tivesse sido o suficiente. Será que ela poderia fazer ainda menos pelo seu próprio filho? Bella estava se fazendo essas perguntas quando lembrou do cartão de Edward e foi apanhá-lo. Ela decidiu enviar uma mensagem de texto para o celular dele, porque no momento não estava em condições de conversar.

"Eu preciso vê-lo com URGÊNCIA". Na sala de conferência do Banco Cullen, onde se encontrava ocupado em uma reunião importante, Edward leu a mensagem e sua atenção ficou voltada para a palavra que fora escrita com letras maiúsculas. Ele estava convencido de que ela tinha descoberto que não estava grávida e agora quisesse lhe pedir desculpas por ter feito tanta confusão. Dirigindo-se à sala de escritório, ele telefonou para ela.

— Vamos jantar esta noite. — ele sugeriu. — Vou pedir para que um motorista vá lhe buscar às 20h.

Bella sentiu um frio na espinha com a expectativa de contar a notícia a ele em uma mesa de restaurante, mas depois se repreendeu mentalmente por estar se preocupando com uma coisa tão trivial. Edward era tão culpado quanto ela, então por que ela deveria estar sentindo medo em dar a noticia a ele?

Quando Jacob chegou em casa após o trabalho, foi ao encontro de Bella na cozinha.

— Como está se sentindo? — ele indagou, sem jeito.

— Péssima. Eu não sei como pude ter sido tão estúpida. — ela respondeu com sinceridade.

— Você já contou a ele?

— Vou conversar com Edward esta noite... não que eu espere que isso vá fazer alguma diferença em relação aos meus planos, mas...

— Você já tem planos? — Jacob quis saber.

— Prosseguir com a minha vida da melhor forma possível. — Bella murmurou, entediada.

Alcançando uma das mãos dela, Jacob confessou:

— Mas, você não tem que fazer isso sozinha...

Bella o encarou exibindo dúvida no olhar.

— O que você quer dizer com isso?

Jacob deu um longo e profundo respiro.

— Eu pensei bastante desde o dia em que tivemos aquela conversa. Então, pense bem antes de dizer não. — Ele avisou e após dar um longo respiro, declarou: — Estou disposto a me casar com você e assumir este filho como se fosse meu...

Bella ficou surpresa ao ouvir aquela declaração.

— Jacob, pelo amor de Deus! Eu jamais permitiria que você se sacrificasse desse jeito...

— Eu quero ajudá-la. Juntos poderemos enfrentar melhor essa situação. — Jacob avaliou com seriedade. — Eu não espero que você me ame, mas, quando o momento certo chegar, tenho certeza de que ficaremos mais próximos.

Bella sentiu um nó se formar em sua garganta. Pela primeira vez, ela não foi capaz de responder a Jacob, porque agora tinha o conhecimento de que ele não a considerava apenas como uma amiga. Ela não poderia alimentar esperanças de um futuro que não existia para eles como casal. Bella confiava em Jacob, mas não sentia a menor atração por ele. Jacob era o seu melhor amigo e nada mais.

— O melhor para nós dois é continuarmos amigos, Jake.— ela falou com a voz embargada e se dirigiu para o quarto a fim de trocar as roupas.

Bella se sentia mais insegura do que nunca. Como ela faria para continuar morando na casa do amigo, após saber dos sentimentos que ele nutria por ela? Jacob estava muito envolvido com a vida dela e isso não era bom, pois ele não se sentiria confortável para conhecer alguém enquanto ela estivesse por perto, Bella reconheceu com tristeza. As 20h em ponto, um chofer uniformizado tocou a campainha da casa para dizer a Bella que a limusine já a aguardava...

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