Capítulo 5

Boa Leitura!!!

Edward a viu quando Bella cruzou o enorme salão do restaurante. O vestido que ela usava era simples, mas adequado para evidenciar os seios perfeitos e revelar as pernas bem torneadas. Os cabelos escuros e encaracolados, os olhos de um verde cristalino e os lábios carnudos e rosados conseguiam tirar completamente o costumeiro autocontrole que Edward possuía.

— Esse lugar é realmente elegante. — Bella observou, enquanto se esforçava para não olhar diretamente nos olhos dele e permitir que o incrível magnetismo que ele possuía a influenciasse.

Contudo, ela não pôde deixar de notar o quanto ele estava fabuloso, vestido com um terno de cor cinza e uma gravata de seda na cor azul-escuro. Bella sentiu as batidas do coração se acelerar, antes mesmo de se acomodar à mesa.

— Eu costumo jantar neste restaurante. — Edward respondeu e em seguida, elogiou: — Você está linda, querida.

Sentindo o corpo tenso, Bella sacudiu a cabeça em negativa e devolveu:

— Não, eu não estou. E pensei que você fosse escolher um restaurante mais tranquilo, onde pudéssemos conversar.

Conversar! Edward não ficou muito contente ao ouvir aquela exigência. Ele gostava de ser direto: tudo o que ele desejava era jantar com ela e depois levá-la ao apartamento dele. De qualquer forma, ao notar a expressão preocupada que ela exibia, resolveu iniciar o jantar com uma questão que o estava perturbando.

— Não acha que já está no momento de me contar sobre Jacob?

Ao ouvir o tom severo que ele usara na voz, Bella parou de examinar o cardápio e dirigiu o brilho dos olhos para ele.

— Por que você acha isso?

Exibindo frieza no castanho do olhar, ele comentou:

— Você parece ser bem próxima a ele...

— Jake é o meu melhor amigo. — ela confessou e em seguida acrescentou: — E também é o dono da casa onde eu moro.

Edward nunca acreditara na amizade entre homens e mulheres e estava convencido de que o interesse que Jacob possuía por ela deveria ir além de uma simples amizade.

— Ele se comporta como se fosse seu namorado.

Bella sentiu uma onda de calor aquecer lhe as faces. Ela ficou aborrecida pela conclusão de Edward. Será que ele sempre costumava julgar as pessoas da pior maneira? Ou isso seria um sinal de que ele era do tipo ciumento?

— Nunca houve nada entre eu e Jake. — ela se defendeu. — Nós nos conhecemos durante a infância, na época em que estivemos no mesmo orfanato.

— Eu pensei que você fosse adotada. — ele contestou.

— Não por muito tempo. Um casal de meia-idade que possuía um filho resolveu me adotar porque queriam uma filha. Meu pai adotivo faleceu devido a um ataque do coração, seis meses depois que eu fui morar com eles. — explicou Bella. — Minha mãe adotiva ficou muito deprimida e decidiu que não conseguiria cuidar de duas crianças. Eu fui mandada de volta ao orfanato no final daquele mesmo ano.

Enquanto ouvia a triste história dela, Edward refletia sobre a infância privilegiada que ele tivera. Tendo sido o herdeiro de uma vasta riqueza, ele era a pessoa mais importante da família. Os longos anos de solidão que passara no internato haviam contrastado com o luxo e a atenção excessiva que ele recebia durante as férias.

— Deve ter sido muito difícil para você. — ele observou.

Bella deu de ombros.

— Eu sobrevivi. Tenho uma personalidade forte, Edward. Mas, acho que você não percebeu isso ainda.

Ao notar a forma arrogante com que ela se comportava, ele deu um riso de mofa. Edward se perguntava como ele pôde ter se deparado com uma das poucas mulheres que não ficariam entusiasmadas com a oportunidade de ter um bilionário que estivesse disposto a fazer com que qualquer sonho delas se tornasse realidade.

— Ah, não? — ele indagou em um tom seco. — Se você quer mesmo saber, eu a considero muito geniosa.

Nesse momento, o garçom se aproximou para servir o vinho. Irritada com o olhar crítico que Edward lançara para ela, Bella recusou a bebida e pediu para que o garçom lhe trouxesse um suco. Quando estavam sozinhos novamente, ela desabafou:

— Eu não sou geniosa!

— Não gosto de fazer cena em lugares públicos. — Edward devolveu com desdém e acrescentou: — Eleve a sua voz novamente e ficará sozinha nesta mesa.

— Eu deveria atirar alguma coisa em você. — ela falou num tom baixo de voz.

— Nem pense em fazer isso. — Edward avisou, fulminando-a com o olhar.

— Por quê? O que você faria? — Bella provocou, erguendo uma das sobrancelhas.

— O seu problema é que você me deseja, mas não quer admitir, gatita. — Edward devolveu com ironia.

— Isso não é verdade! — ela protestou, lançando um olhar furioso para ele.

— Às vezes, a verdade pode ser dolorosa. — Edward falou num tom calmo, sustentando o brilho feroz dos olhos dela.

— Você já sabe o motivo por eu ter entrado em contato? —Bella pressionou, obviamente mudando o assunto.

— Suponho que você tenha me chamado para dizer que está tudo bem e que nós não temos com o que nos preocupar, é isso? — ele sondou.

Bella ficou tensa ao ouvir a infeliz interpretação que ele fizera.

— Não. Eu não estou tão bem quanto você imagina. — ela ironizou.

O garçom reapareceu para anotar o pedido, enquanto Edward se perguntava sobre o que ela estaria se referindo, já que ele não conseguia acreditar que ela pudesse estar grávida.

— O que você quer dizer com isso? — ele quis saber.

— Será que não está óbvio? Eu fui ao médico hoje, Edward. Eu vou ter um bebê!

Edward a estudou em silêncio, chocado por aquela afirmação. Ele quase chegara a acreditar que fosse estéril e que nunca seria o pai de uma criança. E até planejara fazer alguns exames para ter a certeza daquela suspeita.

A declaração de Bella o acertou como um raio. Com o rosto completamente pálido, ele olhava fixo para ela, perguntando-se sobre o que ela esperava ganhar por contar uma mentira.

— Tudo bem. Então, você ficou chocado. Bem, eu também fiquei assim, mas não há dúvidas quanto a essa questão. Eu estou grávida. — Bella assegurou.

Edward piscou por duas vezes. Seria possível que ele pudesse ser pai? O fato era que Victória não conseguira engravidar durante os cinco anos em que estiveram casados.

Contudo, ela também nunca havia se consultado com um ginecologista. Será que uma noite de aventura poderia virar o mundo dele de cabeça para baixo?

Por um segundo, Edward sentiu-se aliviado ao pensar na possibilidade de ter um herdeiro e prosseguir com o nome da família. Contudo, uma nova preocupação começou a dominar a mente dele. Se Bella realmente estivesse grávida, ele teria que se casar com ela pelo bem do filho deles.

Ele não conseguia encontrar outra solução para o problema. E, infelizmente, Edward não sentia o menor desejo em se casar novamente. Ele estava apenas começando a curtir sua liberdade e de repente tudo poderia mudar. Era uma pena que ele não curtira a liberdade ao máximo enquanto pôde. Edward se lamentava interiormente.

— Fale alguma coisa. — Bella pediu, angustiada.

— Aqui não é o lugar certo para discutirmos um assunto tão particular. Depois que terminarmos o jantar, iremos conversar em meu apartamento.

Pela primeira vez, Bella observou o quanto ele era resistente. Ela não se conformava em ver a serenidade que Edward exibia nos bonitos traços do rosto. A calma com que ele agia deixava a irritada, uma vez que ela raramente conseguia esconder as emoções e conter os sentimentos.

Pouco tempo depois, o prato que Edward ordenara foi servido. Ao sentir o aroma do salmão grelhado, Bella começou a ter náuseas.

— Certos aromas me deixam enjoada. — ela confessou.

Quando Bella sentiu que não suportaria mais o cheiro da comida, apressou-se em ir ao toalete. Edward entendeu o que estava se passando e pediu para que a travessa com o peixe fosse retirada da mesa. Conforme os minutos se passavam, ele ficava mais nervoso.

Por fim, Edward pedia para uma das funcionárias do restaurante verificar se Bella estava bem. Mais tarde, ela reapareceu com o rosto pálido e anéis escuros ao redor dos olhos.

— Desculpe-me, mas eu realmente estou sem apetite. — ela murmurou, afastando o prato que estava a sua frente.

Quando Edward sugeriu que eles fossem embora, Bella protestou dizendo que ele não havia se alimentado. Contudo, ele ignorou o protesto, pois também estava sem o menor apetite. Envolvendo a cintura dela com um dos braços, ele a acompanhou até a saída do restaurante.

Do lado de fora, Edward ficou surpreso ao ver tantos jornalistas. A equipe de segurança dele tinha sido pega de surpresa pelos paparazzi, pois já havia se passado muito tempo desde que Edward fizera algo que atraísse a atenção dos jornalistas.

Edward ficou aborrecido ao ver que o interesse dos paparazzi tinha voltado justamente no momento mais crítico da sua vida. Certamente não seria o momento que ele teria escolhido para introduzir Bella ao público.

— Eu quero que você vá ao médico. — Edward falou assim que eles entraram na limusine.

— São apenas enjoos matinais...

— Mas, são 21h30! — ele contestou.

— Isso não significa que exista algo de errado comigo. Eu só preciso de um tempo para me acostumar. — ela respondeu.

Edward estudou-a com preocupação. Ela estava fraca para enfrentar uma gravidez e não poderia ficar sem se alimentar. Ele realmente achava que a melhor coisa a fazer seria se casar com ela. Ele carregava a responsabilidade de cuidar dela e do bebê que nasceria. Além de ser o responsável pelo nome da família.

Porém, isso não significava que ele teria que gostar de abdicar da sua liberdade novamente. Ainda assim, se isso fosse pelo bem da próxima geração de sua família, talvez o sacrifício valesse à pena, pensava Edward. As luzes da cidade que entravam através das enormes janelas iluminavam a sala de estar do apartamento.

Irritada, Bella assistia enquanto Edward andava de um lado para o outro na sala. Ele não dissera nada de errado, mas ela percebia que ele não conseguia esconder a tensão em que se encontrava. Poderia parecer imaturidade, mas ela não pôde deixar de admirar a incrível beleza que Edward possuía. Os traços aristocráticos do rosto másculo e os espessos cílios chamavam-lhe atenção.

Deparando-se com o olhar inquieto de Bella, Edward se aproximou dela e declarou com firmeza no tom de voz:

— Assim que a sua gravidez for confirmada, nós nos casaremos.

Bella piscou por duas vezes, sentindo-se confusa.

— Não pode estar falando sério. Você mal me conhece...

— Presumo que você esteja grávida de um filho meu. E isso é tudo o que eu preciso saber por enquanto. Se o bebê for um menino, ele será meu herdeiro e o próximo duque Cullen...

Surpresa, ela arregalou os olhos.

— Existe um título em sua família?

Edward assentiu com um gesto de cabeça.

— Então, quem é o duque atual? — Bella quis saber.

— Eu sou, mas só uso esse título em casa.

De súbito, ela ficou tensa.

— Você é um duque... e está me pedindo em casamento?

— Estou exigindo e não pedindo. Você não poderá criar nosso filho sem a minha ajuda. — Edward falou com nervosismo. — Quero que meu filho cresça em minha casa, com a minha família e fale a minha língua. E só poderemos fazer isto se nos tomarmos marido e mulher.

— Mas você ainda está tentando superar o que aconteceu com Victória. — Bella resmungou.

— Não sou do tipo emocional, querida. E também não faço comparações sem sentido. Eu a achei extremamente atraente e não vejo motivos para não termos um ótimo casamento.

Irritada ao ver o ponto de vista imparcial que ele possuía, Bella meneou a cabeça.

— Eu quero ser amada pelo homem que se casar comigo.

Edward deu um longo suspiro de frustração.

— Eu não posso lhe dar amor. — ele respondeu, sem hesitar.

Ele era um duque, um verdadeiro duque espanhol, Bella ficou horrorizada por aquela revelação, pois ela não conseguia entender como uma pessoa tão simples como ela poderia se tornar esposa de um homem com tanto status e riqueza.

— Eu respeito a sua preocupação em relação ao bebê. — ela admitiu.

— E em relação a você também, querida. — Edward acrescentou, alcançando uma das mãos dela.

Bella sentiu a boca se ressecar conforme ele a puxava para mais perto.

— Apenas há algumas semanas, você achava que eu só serviria para ser sua amante. Se eu nem mesmo poderia ser intitulada como sua namorada, como pode dizer agora que quer se casar comigo?

Nesta altura Edward já estava imaginando como seria ter Bella deitada sobre os lençóis macios da enorme cama do castelo; uma imagem sedutora que amenizou a relutância que ele tinha em se casar.

Dirigindo um olhar desejoso para as curvas sensuais do corpo feminino, ele falou:

— Meu desejo sexual não requer nenhuma intitulação. Eu a quero, independente de quem você seja.

Bella estremeceu ao sentir o corpo musculoso dele contra o seu. Ele a desejava e ela podia sentir o evidente desejo que ele nutria por ela. Mas será que somente essa atração serviria como base para um casamento?

— Eu acharia melhor que você se esquecesse que um dia eu a pedi para ser minha amante. Mesmo porque, você será a mãe do meu filho. — ele completou.

— Você está determinado a colocar o seu nome no bebê?

— Você quer que o seu filho seja ilegítimo?

Bella empalideceu e baixou os longos cílios.

— Não, mas eu também não quero me casar às pressas e depois me arrepender. — ela confessou.

Edward a observou com frieza. Ele esperava que ela ficasse entusiasmada com a ideia de um casamento. Poucas mulheres que estivessem no lugar dela teriam hesitado. O que havia de errado com ela? O que a impedia de tomar essa decisão? Será que ela estava indecisa por causa do amigo dela? Edward se perguntava em pensamento.

— Não haverá possibilidade de divórcio. — ele acrescentou.

Edward não daria amor a ela, mas poderia lhe proporcionar outras coisas. Casar-se com ele certamente traria segurança financeira e todo o suporte que o filho deles precisaria. Bella refletia, com melancolia.

— Bella... qual é a sua resposta? — Edward pressionou.

Ela estava confusa.

— Eu preciso de um tempo para pensar...

— Mas, nós não temos tempo. Sobre o que você precisa pensar? — ele indagou de modo arrogante.

Quando ela insistiu em se manter calada, Edward ficou impaciente.

— Não aceitarei um "não" como resposta, querida. Se você não se casar comigo, eu serei forçado a brigar com você na corte pela custódia da criança.

Bella deu um passo para trás e o olhou com espanto.

— Você está me ameaçando?

— Não. Eu estou sendo sincero. Só estou dizendo o que acontecerá se você não se casar comigo. — Ele devolveu num tom seco. — Você precisa saber de todos os riscos, antes de tomar uma decisão.

— Você realmente teria coragem de me separar do meu próprio filho? — Bella perguntou, horrorizada pela ameaça que ele fizera.

Edward segurou firmemente em um dos pulsos dela e declarou:

— Eu acredito que você é sensível o bastante para tomar à decisão certa.

A impiedade dele deixou-a chocada. Ela estava tão despreparada para isso quanto estivera há duas semanas, quando ele pediu para que ela fosse sua amante. Agora, ela podia ver claramente o que estava escondido por trás da bela aparência de Edward. Ele era cruel, agressivo e dominador.

— Eu quero ir para a minha casa. — ela disse, sem rodeios.

— Pela manhã nós teremos o resultado do seu novo teste de gravidez e eu também exigirei a sua resposta. Mas, antes... — Edward interrompeu-se e inclinando a cabeça, tomou os lábios dela de assalto.

Bella tentou resistir, mas, ao sentir os lábios dele contra os dela, uma sensação de prazer a dominou por inteiro, fazendo com que ela ficasse completamente indefesa.

Ela agarrou a jaqueta que ele usava a fim de manter-se equilibrada. Bella estava quase sem fôlego e podia sentir os joelhos bambearem.

— Você não quer ir para casa, querida. — Edward murmurou num tom macio de voz.

Ele a contemplava com um olhar sedutor e, embora Bella sentisse vontade de se atirar nos braços fortes de Edward, ela preferiu resistir à tentação. Infelizmente, a ideia de fazer amor com ele novamente deixava-a irritada. Por mais que ela tentasse ignorá-lo, não poderia negar para si mesma que não conseguiria abandoná-lo.

Jacob apressou-se em falar com Bella assim que ela entrou em casa.

— E então?

— Edward me pediu em casamento.

O amigo ficou visivelmente surpreso.

— Eu disse a ele que daria a minha resposta amanhã.

Jacob franziu o cenho.

— Você está cegamente apaixonada por ele. Acho difícil que recuse a proposta.

Bella empinou o nariz.

— Ele é o pai do meu filho. Será que eu não devo dar essa chance a ele?

Naquela noite, Bella não conseguiu dormir. Será que ela estaria "cegamente apaixonada" por Edward Cullen? Ela achava que sim, porque, desde o primeiro instante em que o conheceu, não foi capaz de afastá-lo da sua mente por mais de cinco minutos.

Deitada em sua cama, Bella reviveu o momento em que ele a beijou e descobriu que o desejo que sentia por Edward aumentava a cada dia que se passava. Embaraçada por seus próprios sentimentos, ela afundou o rosto no travesseiro.

Ele a havia ameaçado com uma batalha na justiça. E havia deixado bem claro que desejava a criança que ela estava esperando, ainda que não fosse dentro de um casamento. Será que ela não deveria estimá-lo por isso? Bella não poderia criar sozinha uma criança. Ela não conseguiria oferecer a segurança, o conforto ou as vantagens que o casamento com Edward poderia oferecer ao bebê. Como ela poderia dizer não a ele?

Ainda assim, casar-se com um homem que ela mal conhecia e ter que se mudar para outro país, adaptar-se a outra cultura, sendo que ela nem mesmo falava a língua deles poderia ser um grande desafio. Certamente não seria uma escolha fácil, ela reconheceu em pensamento.

Fora isso, ela seria a segunda esposa dele e não estava segura de que poderia desempenhar esse papel. Edward havia dito que comparações eram sem sentidos, mas será que isso significava que ela nem mesmo poderia ser comparada ao nível da primeira esposa dele? Ou, ela estava sendo paranoica?

Paranoica, Bella decidiu em pensamento. A verdade era que ela queria que Edward nunca tivesse ficado com outra mulher, muito menos ter se casado com uma.

Pouco depois das 10h, Edward a apanhou em casa para levá-la à consulta que fora marcada com um ginecologista em Harley Street. Um novo teste de gravidez confirmou o que ela já sabia.

Bella foi censurada por estar tão magra, o que a deixou aborrecida, porque ela sempre fora magra apesar de se alimentar bem.

— Você não deveria discutir com o médico. — Edward a repreendeu assim que ela voltou para a limusine.

— Bem, você mesmo disse que eu era geniosa. — ela o lembrou de forma petulante. — Eu sou baixa e magra. E nasci assim. Acostume-se!

— Será que eu terei a oportunidade de me acostumar? — Edward indagou, intensificando o brilho do olhar.

Bella ergueu as sobrancelhas de forma irônica e devolveu:

— Você não me deu muita escolha quando ameaçou fazer uma briga na justiça...

— Então, a sua resposta é sim?

Bella deu de ombros.

— Não sou muito fã de casamentos. — Edward admitiu. — Eu gostaria de uma cerimônia discreta na igreja, apenas com a presença de testemunhas. Depois poderemos partir para a Espanha.

Bella não ficou impressionada. Edward não parecia se importar com o que ela queria. Notando a maneira com que ela estava entediada, Edward resolveu levá-la a uma joalheria exclusiva a fim de que eles pudessem escolher a aliança de casamento.

Feito isso, ele a levou para almoçar em um restaurante. Mas, até lá, o silêncio em que Bella se encontrava começou a deixá-lo seriamente irritado.

— O que há de errado com você? — ele perguntou e a voz soou fria como o gelo.

— Você é um dominador. Isso é intolerável. Você nunca para de dizer sobre o que eu devo ou não devo fazer. — ela se queixou.

— Você deveria ter falado isso antes. — ele declarou. — Eu sou naturalmente autoritário.

— E eu sou naturalmente rebelde.

Edward dirigiu um olhar frio para ela e declarou:

— Então, teremos sérios problemas.

Durante os dez dias que se seguiram, Edward retornou para a Espanha para tratar de negócios e apenas contatava Bella algumas vezes por telefone.

Enquanto ele estava ausente, uma assistente ficou encarregada de passar as instruções para ela. Bella assinou um acordo pré-nupcial, pediu demissão do local onde trabalhava e começou a empacotar os pertences a fim de realizar a mudança de Londres para a Espanha.

Edward mandou um cartão de crédito para ela e pediu para que ela comprasse o vestido que usaria no casamento, além de roupas adequadas para o clima mais quente da Espanha. Bella foi à loja Harrods e comprou o vestido de noiva.

Edward havia sugerido algo "elegante e comportado", mas ela ignorou o conselho e optou por um belíssimo vestido de seda na cor branca com um generoso decote.

Quando ela chegou em casa naquele mesmo dia, encontrou uma carta intrigante na caixa de correio. A carta era um convite feito por uma advogada, pedindo para que ela comparecesse ao escritório dela para tratar de assuntos confidenciais.

Curiosa em saber o porquê de tanto mistério, Bella decidiu telefonar para o escritório da advogada a fim de fazer perguntas que pudessem adiantar o assunto. Contudo, ela não conseguiu obter nenhuma informação adicional por telefone.

— Você acha que pode ser alguém da sua família querendo contatá-la? — Jacob indagou. — Ou até mesmo uma herança?

— Eu duvido. Havia apenas a minha irmã e a minha avó materna e ela me entregou ao serviço social. — Bella o lembrou exibindo tristeza no olhar.

Contudo, Bella não conseguiu conter a curiosidade e a esperança de que algum parente pudesse estar querendo contatá-la e decidiu ir ao escritório da advogada.

Ao chegar, ela foi conduzida a uma pequena sala e apresentada a Elena Carson, uma advogada de meia-idade e de cabelos castanhos, que prontamente a convidou para sentar.

— Eu soube que você está prestes a se casar, srta. Swan.

— Sim. — Bella franziu as sobrancelhas, imediatamente perguntando-se como a outra mulher tivera acesso a informação e por que isto estaria sendo mencionado.

— Eu preciso pedir para que a senhorita seja paciente enquanto eu explico o motivo de tê-la chamado até aqui. — a advogada prosseguiu. — Meu cliente deseja permanecer anônimo e me contratou para que eu lhe apresentasse uma oferta generosa.

— Uma oferta? — Bella questionou, perplexa.

A decepção ficou estampada nas delicadas faces do rosto dela. Evidentemente, o encontro com a advogada não estava relacionado com os parentes dela e Bella se sentiu uma completa tola até por ter pensado nessa possibilidade.

— Meu cliente quer impedir que o seu casamento se realize. — Elena Carson revelou de forma direta.

Esforçando-se para absorver aquela surpreendente declaração, Bella lançou um olhar surpreso para a outra mulher.

— Impedir o meu casamento?

— Meu cliente tem ciência de que o seu casamento seria muito vantajoso e está disposto a lhe oferecer uma grande quantia em dinheiro a fim de fazê-la mudar de ideia. — a advogada revelou calmamente.

Bella ficou boquiaberta. Alguém queria pagar para que ela desistisse do casamento com Edward? Quem faria uma coisa dessas? Um membro da família dele? Outra mulher que planejasse ficar com ele?

— Não estou interessada em mudar de ideia. — ela respondeu sem hesitar.

— Você já pensou nas dificuldades que terá que enfrentar ao fazer parte de uma família espanhola que pode rastrear os ancestrais até o século XV? Já pensou na dificuldade que seria viver com um marido da alta sociedade?

Bella estava com as faces coradas pela raiva que sentia.

— Eu não quero ouvir mais nada. Se Edward fosse um rei, eu enfrentaria o desafio da mesma maneira, porque ele é o pai do meu filho e eu presumo que ele sabia exatamente o que estava fazendo quando me pediu em casamento! — ela proclamou fervorosamente.

A advogada não pareceu ter se importado.

— Meu cliente quer agir em prol do interesse de todos e reconhece que você poderia estar fazendo um sacrifício considerável ao optar pela desistência do casamento...

— Ah, é mesmo? — Bella ironizou.

— Meu cliente está preparado a lhe oferecer dois milhões de dólares para que você possa começar uma nova vida em outro lugar e nunca mais voltar a contatar o sr. Cullen. — a mulher de meia-idade declarou com uma total frieza.

— Como eu não estou me casando com Edward pelo dinheiro dele, você não poderá usar o dinheiro para me subornar e tentar me convencer a desistir do casamento! — Bella exclamou.

— Essa não é a intenção do meu cliente, srta. Swan. Meu cliente está ciente de que você espera um filho e deseja que você e a criança tenham um futuro seguro. A senhorita deveria considerar a oferta. Eu gostaria de deixar claro que se assinar ou já tiver assinado o contrato pré-nupcial com seu noivo, poderá receber uma quantia bem menor em dinheiro no caso de um divórcio.

Tendo assinado o acordo pré-nupcial há alguns dias, Bella já estava ciente desse fato. Em resumo, qualquer ato de adultério, abandono ou o que seria nomeado como "comportamento impróprio" durante o curso do casamento poderia resultar na perda dos direitos matrimoniais.

Mas, Bella estava desesperada para saber quem estaria preparado para oferecer uma vasta quantia em dinheiro a fim de evitar que ela se casasse com Edward.

De qualquer maneira, a advogada recusou-se a divulgar a informação. Bella se sentiu ofendida por não conseguir saber quem estaria querendo interferir na vida particular dela.

Para quantas pessoas Edward teria contado sobre a gravidez dela? Será que se ela contasse a Edward sobre a oferta que havia sido feita para ela, ele saberia quem estaria por trás disso?

Naquela noite, há apenas dois dias antes do casamento, Bella mal conseguia dormir enquanto agonizava na cama, refletindo se deveria contar ou não sobre a oferta para Edward.

E se fosse alguém da família dele que estivesse tentando comprá-la e convencê-la a desaparecer da vida dele? Com uma quantia tão grande de dinheiro envolvida, ela só poderia pensar que o culpado seria um parente dele.

Edward poderia ficar horrorizado. Será que ela realmente se arriscaria a causar problemas e conflitos dentro de um círculo familiar antes mesmo de chegar à Espanha? Não seria mais sensato se ela se mantivesse calada por enquanto e desse a chance de os parentes dele conhecê-la primeiro...?

E aí meninas quem será que não quer que a Bella e o Edward se casem?? Comentemmm!! Bjimmm!