~L~
Após trocar suas roupas trouxas pelo uniforme de Hogwarts, Lily voltou a se sentar na mesma cabine das primeiranistas. Era divertido ouvir as ideias e esperanças das garotas, lembrando de si mesma naquela época.
Evitou todo e qualquer contato com alguém durante toda a viagem. Quando ia ao banheiro, olhava pelo corredor e corria, tampando seus cabelos quando passava pelas cabines e voltando rapidamente.
Quando o trem finalmente chegou na estação de Hogsmeade, ela orientou as três garotas a se encontrarem com Rubeus Hagrid, que as guiariam por um lindo e inesquecível passeio de barco até Hogwarts. Elas saíram animadas da cabine, sendo seguidas por Lily.
- Honestamente, você poderia ter nos avisado que tinha pego o trem, pelo menos.
Ela se virou e encontrou Alice e Marlene. Ambas com os braços cruzados. Seu peito, por um momento, tirou todo aquele peso que parecia segurar e se apressou até as amigas, que a receberam com um abraço forte.
- Eu precisava. - Ela apenas disse.
- Talvez você quisesse, mas talvez não fosse o que precisava. - Marlene respondeu. - Ficar sozinha não vai resolver as coisas, principalmente quando você tem a nós.
Um pequeno riso foi ouvido da ruiva, antes de se afastar e admirar suas amigas. As duas enviavam cartas a cada dois dias e se ofereceram para passar o verão com ela, mas Lily recusava todas as vezes, dizendo que estava bem e que não precisava. Não queria que nenhuma delas perdesse as férias estando trancadas dentro da casa, acompanhando o ir e vir de possíveis compradores para a casa dos Evans e escutar Lily chorando algumas noites. Elas mereciam descanso.
- Você nos fez muita falta, ruiva. - Alice colocou um pouco do cabelo rubro atrás da orelha, deixando o belo rosto de Lily à luz. - Você consegue estar mais linda do que da última vez que a vi. Você está madura, uma verdadeira mulher.
- Considerando que eu fui quase forçada a ser uma adulta, eu não me surpreenderia.
Ela começou a passar por cada cabine, conferindo se tudo estava em ordem. Estava na hora de agir como a Monitora-Chefe que era à partir de agora. As amigas a acompanharam, dando alguns detalhes de suas férias. Apesar de não ter tido férias divertidas ou nada parecido, estava feliz em ouvir que elas tiveram um bom momento.
Saindo do trem, foram em direção às carruagens mágicas que as levariam para o castelo.
- Soubemos que o professor Dumbledore irá voltar com uma espécie de clube de duelos. - Alice dizia enquanto subia na última carruagem, sendo seguida pelas duas amigas.
- Um clube oficial, você quer dizer, porque sabemos que existem os clandestinos. - Lily comentou.
- Sim, oficial. Ninguém tem muitos detalhes, mas parece que será algo um pouco diferente.
- Diferente como? - A ruiva voltou a perguntar.
- Remus não nos deu muitas informações. Saberemos mais durante o passar dos dias, eu creio.
O caminho até o castelo foi feito com conversas leves, o que Lily agradeceu imensamente. Porém, com a notícia sobre o tal clube de duelo, Lily começou a devanear.
Sabia se defender e sabia fazer aquilo muito bem. Poderia duelar e ganhar talvez...contra um aluno de Hogwarts. Mas e na vida real?
E lá fora?
Nunca havia atacado alguém, fora as aulas de DCAT. Seus feitiços eram bons, inclusive os não-verbais. Mas um duelo?
Contra Comensais da Morte?
Voldemort?
Seria a primeira pessoa a cair e isso ela tinha certeza.
Não era de hoje que seus pensamentos voavam por aquele campo. Intensificaram mais durante o verão, quando se via sozinha em casa e lia sobre os ataques. Colocou todo e qualquer tipo de feitiço de proteção que achou em livros, mas com tantos desconhecidos entrando e saindo, tinha que tirá-los e colocá-los depois de cada visita. Chegou a pegar um pergaminho e escrever para a professora McGonagall, pedindo por ajuda, mas desistiu quando pensou que a professora devia ter coisas mais importantes para fazer.
Tinha que aprender a duelar, tinha que saber como usar todos os feitiços que sabia e se proteger, se salvar.
Sobreviver.
Agora que estavam de volta à Hogwarts, ela tinha que melhorar. Se o clube de duelos for realmente instaurado, ela poderia fazer ainda mais, ficar mais preparada, pronta para se defender e defender quem precisava.
Desceu da carruagem com as amigas assim que chegaram aos portões da escola. Alice e Marlene a puxaram e a abraçaram pelos ombros, entrando no castelo daquele jeito, finalmente não se sentindo mais sozinha. Era muito bom estar de volta.
O Salão Principal estava cheio e pronto para receber os primeiranistas. Lily cumprimentou muitas pessoas em seu caminho até a mesa da Grifinória e se sentou com as amigas. Deu uma rápida olhada ao redor, tentando ver os rostos tão conhecidos. Viu os marotos sentados quase no meio da mesa. Sirius, Remus e Peter conversavam e riam, como sempre.
- Está faltando alguém naquele grupo, não? - Comentou, fazendo as duas amigas se virarem para ver do que Lily falava. Alice e Marlene se olharam, sorrindo.
- James veio, não se preocupe. - Alice começou.
- Você não vai perder o seu maroto favorito no último ano, Lilykins.
- Pare de me chamar assim, Lene. - Lily revirou os olhos. - E Remus é o meu maroto favorito.
- Depende do ponto de vista. Talvez para ser apenas seu amigo.
- Cala a boca, Alice.
Minerva McGonagall adentrou o salão com o grande grupo de primeiranistas completamente alucinados e sonhadores. A cerimônia podia ser chata, sim, mas seria a última vez que presenciaria cada sorriso ou olhar de desespero quando o Chapéu Seletor gritasse a casa para um deles e era muito estranho realizar aquilo.
Se sentiu saudosa agora, se lembrando da primeira vez que entrou por aquelas portas, seu queixo caído com a imensidão e magia do teto, os outros alunos assistindo a entrada dos primeiranistas...
Severus ao seu lado. O desgosto dele ao ouvir o Chapéu Seletor gritar Grifinória, sem demora e sem muito pensar. O sorriso do pequeno James Potter ao vê-la ir até a mesa da Casa onde ele queria ser sorteado e que causara a discussão no trem entre James, Sirius e Severus.
Bons tempos, ela pensou ironicamente.
- Corvinal. - Marlene chutou.
- Ela tem cara de Lufana. - Alice disse.
- Não sei, ela poderia ser Grifinória.
- Grifinória! - O Chapéu Seletor anunciou, fazendo Lily sorrir e as duas amigas reviraram os olhos. - Certo, eu vim com ela no trem. O discurso daquela garota durante toda a viagem era muito como o nosso.
- Você trapaceou, então não valeu.
Os olhos de Lily se desviaram de Alice quando viu alguém entrando no Salão.
Os cabelos continuavam despenteados. Por trás dos óculos, os olhos castanhos-esverdeados tinham um brilho ao qual não estava acostumada e sua postura parecia diferente. Ele caminhava por onde os primeiranistas haviam passado e se sentou com os marotos, sem dar muita atenção ao seu redor. Ele parecia cansado e quando se acomodou com os amigos, não parecia tão falante como normalmente.
James Potter estava diferente. O que havia acontecido?
Certo, ele estava diferente desde o ano passado, não podia e não teria como negar. A bola dele havia baixado e o "garoto insuportável" estava dando lugar para "o homem James Potter", ainda que de pouco em pouco. Ela acompanhou a mudança, bem atentamente: passava menos tempo azarando alunos e Severus, menos convites para Hogsmeade - chegando ao número 0 no começo do sexto ano. Suas notas continuavam uma das melhores da classe; ele elevou ainda mais o time de Quadribol da Grifinória pelo segundo ano consecutivo como capitão no ano passado. Até a amizade com os marotos havia mudado. Por um momento no sexto ano, algo havia acontecido e abalado completamente os quatro, mas parece que depois do acontecido, eles ficaram ainda mais fortes e inseparáveis. Não sabia o que era, mas foi forte o suficiente para trazer uma certa maturidade para o grupo
Ainda se lembrava de como ele foi atencioso e gentil quando os Evans faleceram. Lily ainda tinha guardadas a carta e a linda flor vermelha, que ela não sabia de qual espécie era, que ele a enviara quando se ausentou por alguns dias para enterrar seus pais. O agradeceu quando voltou para Hogwarts.
- Eu gostaria de poder ter feito mais. - O maroto disse na época.
- O que fez já foi imenso. Obrigada, Potter.
E ali ela deu o pequeno e primeiro sorriso após a notícia. Sem saber, ele havia feito mais.
Quando a seleção dos primeiranistas terminou, e que Lily não havia mais prestado atenção por estar perdida em sua própria mente, o professor Dumbledore se levantou.
- Sejam bem-vindos, novos alunos e um bom retorno para os nossos já conhecidos. Como todos os anos, eu sinto o dever de lhes dar alguns avisos, então eu devo informá-los e lembrá-los que a Floresta Proibida continua a seguir o seu nome e que todo e qualquer passeio pela mesma acarretará em punição e pontos perdidos para suas casas. - O diretor fez uma pequena pausa dramática antes de continuar. - Para os alunos a partir do terceiro ano, uma novidade: vocês terão a chance de participar da monitoria do clube de duelos! - Uma explosão de falatório ecoava pelo salão agora. Dumbledore parecia esperar que a notícia se assentasse antes de continuar. - Vocês saberão mais com os seus devidos monitores de duelo de suas casas no final do dia letivo de amanhã, que vocês têm muita chance de ter caído em uma sexta-feira, mas as inscrições deverão começar ainda hoje à noite. Então eu recomendo que fiquem de olho no quadro de avisos em suas salas comunais.- Ele sorriu e olhou para todos por cima dos óculos. - Gostaria de avisá-los que o toque de recolher começa às 21h, então não saia de sua Sala Comunal, pois qualquer aluno pego será reportado para o chefe de Casa. Todas essas informações e outras estarão, igualmente, no quadro de avisos de suas respectivas salas comunais. Bom apetite!
Com o fim de seu curto discurso, o jantar finalmente apareceu e o barulho costumeiro do salão principal voltou, dando uma sensação de normalidade para Lily. Após passar tantos dias com a própria voz, ou o som da televisão ou o rádio, ouvir as conversas do Salao Principal durante as refeições nunca foi tão bem-vindo.
- Resumindo: tentem ficar vivos com as minhas ordens, crianças. - Marlene murmurou mais para si do que para qualquer outra pessoa.
Enquanto comiam e conversavam, Lily não evitou olhar para todos os garotos presentes nas mesas de todas as casas, tentando ver quem diabos era o novo Monitor-Chefe, mas ninguém do sétimo ano, perto o suficiente, estava usando o distintivo.
- Fabian não para de olhar para cá. - Lily comentou com uma falsa inocência após reparar pela quinta vez durante o seu check-up nos garotos setimanistas.
- Hm. Eu me pergunto o por quê. - Alice continuou.
Marlene apenas gemeu em resposta.
- Depois da nossa trombada no Beco Diagonal há um mês, ele deveria saber melhor. - a grifinória reclamou.
- Lene, ele é louco por você. - dizia a ruiva enquanto se servia de mais batatas.
- Eu também era. - Marlene respondeu. - Mas acabou.
- Você não deixou isso muito claro para ele. - Alice apontou.
- Mais claro e transparente do que não querer sair mais com ele, eu não sei o que eu poderia fazer.
- Conversar! - disse Alice.
- Explicar que não sairão mais. - Lily continuou.
- Ao invés de apenas não falar mais com ele. - Alice concluiu.
Além de uma revirada de olhos, Marlene não comentou, se ocupando de seu jantar durante alguns minutos.
- Eu acho engraçado vocês duas ficarem aqui me dando sermão amoroso, sabe. - ela começou, fazendo as duas amigas levantarem os olhos para ela.
- O que, na terra, você teria para me falar?- Alice perguntou. - Namoro Frank há dois anos. A partir do momento que eu mostrei interesse e ele também, saímos para Hogsmeade na próxima visita, nos beijamos, eu perdi...- Alice abaixou o tom. - Eu perdi minha virgindade com ele e estamos felizes e bem até hoje.
- Você não conta. - Marlene resmungou, mas olhou para Lily depois. Alice seguiu o olhar da amiga.
- O que agora? - a ruiva perguntou.
- Se fazendo de desentendida.
- Não estou "me fazendo" de nada, Lene.
- Deixe-a por agora, Lene. - Alice sorriu, pegando sua taça de suco. - Deixe nossa querida Lily se preparar mentalmente como Monitora-chefe.
- Obrigada, Lice.
A ruiva agradeceu, mas perdeu o olhar que as duas amigas trocaram.
Quando a sobremesa havia sido servida há muito tempo e os alunos dos outros anos começaram a se levantar, Lily fez o mesmo, indo em direção aos primeiranistas da Grifinória. Sabia que Remus ou um outro Monitor poderia levá-los, mas sendo a Monitora-Chefe e tendo feito aquela tarefa por dois anos, sentia-se no direito de continuar, além de ser a última vez que poderia fazer. Quando estava perto deles, todos eles sentados juntos, ainda parecendo um pouco perdidos, ela parou.
Não estava na reunião no trem, então não tinha informação alguma, assim como a senha do quadro da Mulher Gorda para repassar.
Estúpida.
- Perdida?
Ela olhou para o lado e se deparou com James Potter. Um pequeno sorriso brincava em seus lábios.
De perto, ele estava ainda mais charmoso.
- Perdão?
O maroto não a respondeu e se virou para todos os novos alunos:
- Primeiranistas: bem-vindos à Grifinória. A casa mais legal, com os alunos mais inteligentes, com as garotas mais bonitas e com mais troféus de Quadribol em Hogwarts. De nada, inclusive. - O moreno completou, piscando. - Eu me chamo James Potter, ou para todos vocês agora, Monitor-Chefe Potter. Esta é a minha colega de casa, Lily Evans. Ou, a partir de agora, Monitora-Chefe Evans. Queiram nos acompanhar, por favor. Vocês vão conhecer a sua, ou melhor, a nossa Sala Comunal.
O barulho de tantos traseiros sendo levantados, pernas sendo jogadas para o lado e crianças se aproximando não foram o suficiente para tirar o completo choque de Lily. Ela continuava a olhar para James, o distintivo de Monitor-Chefe brilhando em seu uniforme.
Aquilo era uma brincadeira? Pior: aquilo era sério?
Seus olhos se viraram para Remus, sentado não muito longe dali. O sorriso que havia dado no trem e o sorriso agora, que eram o mesmo, só confirmavam que aquilo não era uma brincadeira.
- Vamos, Monitora-Chefe? - O maroto pediu, indicando o caminho.
Sem pensar, ela simplesmente se virou e começou a caminhar pelo corredor principal, indo em direção à saída. Seus olhos se encontraram com os de Alice e Marlene e ambas sorriram. Elas já sabiam e não haviam contado.
Bruxas!
- As escadas mudam de direção o tempo todo. - James explicava em suas costas. - Então prestem atenção para onde estão indo. Vocês não querem parar na Torre de Astronomia quando estão atrasados para a aula de Poções. Acreditem em mim.
Estava em uma espécie de transe catatônico. Lily apenas subia as escadas, como se fosse a motorista de um ônibus de turismo e James o guia, explicando tudo para os alunos maravilhados e curiosos, olhando para todos os lados. O maroto respondeu uma pergunta ou outra de alguns deles, com algumas piadas que os faziam rir.
Parou em frente ao quadro da Mulher Gorda. Ela sorriu para Lily, esperando.
- Olá, Monitora-Chefe.
- Olá. - Respondeu debilmente.
- Para entrarmos, precisamos de uma senha. Quando ela é trocada, vocês serão informados. Às vezes, nossa querida guardiã decide visitar outros quadros e precisamos esperar por um tempo até a sua volta. Não desanimem, mas pensem em ter algum snap explosivos ou algum artigo da Zonko's com vocês para passarem o tempo.
- Ou um livro. - Lily finalmente disse, parecendo acordar.
James se virou para ela.
- Ou uma companhia para conversar. - Ele continuou e depois sorriu.
De repente, ela sentiu todos os olhos nela: os de James, os dos alunos e o da Mulher Gorda. Por que todos a olhavam?
- A senha, querida? - A Mulher Gorda pediu.
- Sim, é...
- Seminviso! - James sussurrou, fingindo coçar o nariz.
- Seminviso! - Ela repetiu.
- Muito bem. Sejam bem-vindos!
Não conseguiu ainda sair do estado de choque. Nada fazia sentido.
James Potter era Monitor-Chefe. O maroto James Potter era Monitor-Chefe, e ele nem havia sido monitor antes. Não que isso importasse, mas tinha um motivo para ele nunca ter sido monitor.
Professor Dumbledore escolheu James ao invés de Remus! Alguém precisava intervir e levar o diretor de Hogwarts até St. Mungus. Urgente!
Depois de assistir a todos os alunos entrarem e receberem mais instruções de James, como onde se encontrava os dormitórios masculinos e femininos, para os garotos nem pensarem em se aventurar nas escadas do dormitório feminino, ela se viu na Sala Comunal sozinha com ele, já que os outros alunos dos outros anos ainda não haviam chegado.
- Poderia voltar à realidade, Evans? Sim, você está surpresa. Acredite, eu passei por essa fase, assim como meus pais, os marotos e as suas amigas. Mas vamos focar no presente? Eu simplesmente fiz todo o trabalho aqui.
- E honestamente? Estou mais chocada ainda pelo bom trabalho, mesmo que nunca tenha feito.
- Obrigado.
- Certo. Eu...preciso encontrar Remus para saber sobre a reunião do trem, que infelizmente perdi.
- Você está bem?
A pergunta dele a fez parar, quando estava prestes a se virar para sair da Sala Comunal e não sabia o porquê, já que Remus disse de se encontrarem ali.
- Por que a pergunta?
- Apenas queria saber se está bem, como passou suas férias de verão.
A maldita pergunta sobre as férias. Lily engoliu em seco.
- Bem, obrigada! - E ali estava a resposta. James levantou uma sobrancelha, pronto para continuar, claramente não caindo na veracidade das palavras dela, mas passos vindos do quadro interromperam o que quer que James estivesse prestes a dizer e ambos se viraram.
- Deve ser sua culpa, Evans. - Foi a primeira coisa que Sirius Black disse quando a viu. - A desonra começou com Remus, mas né, era o Remus. A gente entende. Mas James? Monitor-Chefe? O que ele fez? Onde eu errei? Onde erramos? O que você fez?
- Eu não fiz nada, Black. Eu gostaria de saber tanto quanto você.
- Dumbledore deve ter algum motivo para isso. - Peter comentou. - Oi, Evans.
- Oi, Pettigrew. - Ela sorriu para o garoto. - Bom, eu preciso me encontrar com Remus...
- Evans, eu sou o Monitor-Chefe e estava na reunião. Eu posso te informar tudo o que precisa.
Lily se virou para ele e o fitou por alguns instantes. James levantou uma sobrancelha para ela, como se não acreditasse que ela estava tão descrente dele.
Seu cérebro ainda não estava associando as coisas. Mas alguém poderia culpá-la?
- Você tem alguns minutos, então?
- Claro. Eu vejo vocês depois. - James acenou para Sirius e Peter.
Os dois Monitores-Chefes se sentaram em uma mesa afastada, já que mais alunos começavam a chegar, e James tirou um pergaminho de sua veste.
- Você fez anotações?
- Você está realmente duvidando da minha capacidade para isso, Evans. Eu estou levando a sério.
- Desculpe. Ainda estou me acostumando.
- Sem problemas.
Seguindo o pergaminho, que havia muita coisa anotada, Lily percebeu, James fez um resumo do que havia sido discutido: as rondas não seriam feitas por nenhum monitor ou Monitor-Chefe sozinho, então seria sempre duplas, não importava o horário, o dia e a casa. As maneiras de adentrar em cada Sala Comunal seria reforçada, o que significava que a senha para os grifinórios seria trocada frequentemente. Os avisos para que os alunos não ficassem fora da cama em horários proibidos deveriam ser reforçados diariamente por todos os monitores e qualquer pessoa pega, deverá ser reportada para o diretor de cada casa, fazendo as detenções não serem a única resposta.
- O clube de duelos...
- Sim. O clube. - Ela quase pulou da cadeira, ansiosa.
- Bom, o clube de duelos vai começar, mas de uma maneira diferente do que já foi um dia. Professor Dumbledore, eu creio, esteja querendo nos preparar. - Aquele havia sido o primeiro tópico que James parecia falar fora do seu novo papel de Monitor-Chefe. Ele se recostou na cadeira antes de continuar. - Uma monitoria será instaurada. Cada casa terá dois monitores de duelos com uma quantidade de alunos para treinar durante um certo período. As turmas serão renovadas de acordo com a progressão de cada um, assim dando chances para todos os interessados.
- Para uma competição para o Clube?
Os olhos do maroto a fitaram por alguns segundos. Raríssimas vezes ela viu aquele olhar sério nele.
- Não há competição. Essa monitoria do clube será apenas para os alunos botarem em prática o que estão aprendendo, apesar de ter uma apresentação um mês depois das monitorias começarem e, eventualmente, monitores podem agendar um duelo entre os monitorados para eventuais treinos.
Ficou mais do que claro agora o que ele falava: Professor Dumbledore queria os seus alunos prontos para o que estava acontecendo lá fora.
E lá dentro.
Lily olhou para trás e para os lados, tentando conferir se alguém os ouvia, antes de continuar.
- Nós temos Comensais aqui. Você sabe, eu sei... o quão horrível seria para esses monitores do clube os treinarem? Estaríamos dando mais força e armas para Voldemort. O que seria dos outros alunos aqui dentro, duelando contra esses malditos?
- Fico feliz por ter perguntado isso, mas não estou surpreso. Foi a mesma pergunta que fiz ao Professor Dumbledore.
- Você já conversou com ele sobre isso?
- Sim. - James passou a mão pelos cabelos, claramente nervoso. - Eu serei um dos monitores de duelo.
Agora era ela quem não estava surpresa com aquela informação. Na verdade, se alguém pedisse sua opinião para a vaga de monitor de duelo da Grifinória, ela indicaria James. E Sirius. Remus era ótimo também, mas sua condição poderia não ajudá-lo.
Eles eram exímios bruxos, com qualidades absurdas em Feitiços e Transfiguração. Uma coisa que aprendeu assistindo os marotos azararem os outros alunos, além deles serem idiotas irresponsáveis na época, era a destreza e a força que tinham para duelar - quando alguém revidava. Sirius havia dominado a arte dos feitiços não-verbais antes de todos da classe, sendo seguido por James e Severus logo após. Sabia que James foi o primeiro a conjurar um patrono corpóreo e na primeira aula, causando tamanho espanto a todos. Remus era absurdamente ótimo nas aulas de DCAT, o primeiro da classe. Seguido claro, dos outros dois mencionados anteriormente.
- Eu acho que fará um ótimo trabalho, Potter.
Ele sorriu.
- Obrigado.
- E como você fará para não treinar esse tipo de aluno? Ainda que tenhamos ideia de alguns, não sabemos todos que estão do lado de lá.
- Eu aceitei a oferta apenas se a minha fosse aceita também: entrevistar e escolher os alunos, um por um. Eu quero saber o por quê, quero entender o que faz cada um vir até mim e pedir para que eu mostre o que eu sei. Eu nunca me perdoaria caso um dia, lá fora, eu estiver frente a frente com um Comensal e ele usar o que aprendeu comigo para matar pessoas ou a mim.
A guerra havia alcançado James Potter, ela poderia dizer. Lily podia ver a raiva e o ódio que ele proferia naquelas palavras e o quanto ele parecia estar levando a sério aquela responsabilidade. Ele poderia não ser o seu amigo, ou alguém de convívio contínuo, além de serem colegas de classe e James dizer, inúmeras vezes, que gostava dela... mas um sentimento de orgulho a acertou ao ouvir aquelas palavras. Orgulho de estar em frente a um homem que queria lutar contra Voldemort, um colega de classe que estava fazendo o seu possível para ajudar...e o cara que ela, não podendo esconder mais, sentia algo.
- Como fará isso? - Decidiu, finalmente, perguntar. - Quantos alunos você irá monitorar? Onde? Como...?
- Muitas perguntas, Evans. - Ele riu levemente. - Vou começar pelo começo.
Com um aceno de varinha, apontando para um ponto específico do salão, ela viu um pergaminho se materializar no ar e se colar contra o mural de avisos. Lily levantou e caminhou até lá.
Monitoria para o CLUBE DE DUELOS com Monitor-Chefe.
Alunos a partir do terceiro ano interessados:
pegar um dos pergaminhos oficiais abaixo e se apresentar para professora McGonagall até amanhã, ao meio dia.
Entrevistas serão feitas na parte da tarde.
Vagas limitadas.
Simples, direto e objetivo. Sem piadas, sem "marotice".
Lily voltou para o seu lugar. James a assistia, com a pena passando levemente pelos lábios, um pequeno sorriso escondido.
- Está ótimo. Você precisa de ajuda para algo relacionado a isso?
- Não, está tudo bem, mas agradeço a oferta.
Lily o encarou por um momento. Até agora, ele não havia dado nenhum sinal de que ser escolhido Monitor-Chefe havia sido uma má ideia.
Sabia que sendo escolhido para aquela vaga, Dumbledore e o corpo docente concordavam que ele merecia. Eles não poderiam se confundir e enviar o distintivo para James por engano.
- Desculpe caso eu tenha dado a entender algo sobre a sua nomeação. Eu tenho certeza que você não foi escolhido em vão, então estou ansiosa para trabalharmos juntos. E desculpe por não estar na reunião no trem ou ter ajudado com os primeiranistas. No final, você foi um excelente Monitor-Chefe, mesmo sendo sua primeira vez neste mundo de monitoria e sem a Monitora-Chefe do seu lado.- Ela riu, sem graça. - Eu não costumo ser relapsa desse jeito.
- Ah, eu sei que você é uma ótima monitora e será ainda melhor como Monitora-Chefe. Disso eu não tenho dúvida. - James se aproximou, por cima da mesa. - Olha, eu entendo a sua surpresa e talvez até o seu descontentamento por ser eu ao seu lado agora, mas eu vou levar isso a sério. Eu estou levando isso a sério. Eu sou um maroto, capitão do time de Quadribol, um adolescente e tudo mais, então eu não sou perfeito e muito menos a pessoa mais responsável desta escola, mas eu vou fazer isso corretamente. Você pode contar comigo.
Ela respirou fundo, encarando os olhos dele, que ainda estava apoiado na mesa em sua direção.
Além de toda a maturidade que ocorrera em James, ela também havia reparado nas mudanças físicas, claro. Ele tinha o cabelo com um corte diferente do que costumava usar, ainda que continuassem bagunçados e apontando para todos os lados. Talvez para combinar melhor com o seu rosto mais maduro, seu queixo e mandíbulas que estavam mais marcadas e seu corpo mais desenvolvido pelo Quadribol. Havia crescido muitos centímetros desde o ano passado, ficando quase tão alto quanto Remus.
Bem, pensando em tudo o que havia mudado nele - não contando a parte física, já que duvidava que Dumbledore havia escolhido James para ser Monitor-Chefe apenas por estar ainda mais bonito-, fazia muito sentido o distintivo ter ido para ele. James, de fato, preenchia todos os critérios.
- Eu vou contar com você então, Potter. Saiba que pode contar comigo também. - ela finalmente disse depois de se repreender pelos pensamentos naquele momento.
- Eu sei! - Ele sorriu. Um sorriso bonito e charmoso. Aquilo não impediu que Lily sorrisse de volta.
Após alguns segundos se encarando, Lily limpou a garganta e James engoliu em seco, ambos parecendo retomar seus pensamentos para a realidade.
- Há uma outra questão que eu gostaria de discutir com você, mas que não está na lista da reunião do trem.
Não sabia o motivo, mas o coração de Lily disparou. Ela fez sinal para que ele continuasse.
- Como Monitores-Chefes, teremos nosso próprio dormitório e sala de estudo/comunal e eu pensei que talvez poderíamos ter algumas regras?! - O maroto finalizou como uma pergunta ou sugestão.
Lily levantou uma sobrancelha, muito curiosa por James Potter estar falando sobre regras, mas engoliu o riso e tentou ficar o mais séria possível, curiosa para saber onde aquilo iria dar.
- Eu concordo. Você tem algo em mente, eu vejo.- ela comentou, cruzando as pernas e os braços, muito interessada.
- Sim, eu tenho. - Ele se arrumou na cadeira. - Eu não vou trazer ninguém para o dormitório. Acho que isso é o mínimo de respeito que eu devo à você. - James a olhou sob as pálpebras, parecendo esperar uma confirmação da parte dela também.
- O que? Eu não posso trazer ninguém para transar no meu dormitório? - ela perguntou surpresa.
O maroto abriu os olhos, chocado.
- Você quer trazer... você costumava levar...mas não pode, nós não somos permitidos lá em cima...- Ele começou a gaguejar e foi a deixa para Lily começar a rir do desconserto dele. As bochechas dele estavam vermelhas, mas ela não sabia se era de vergonha.
- Eu estou brincando, Potter. - Lily enxugou uma lágrima que escorria do canto do olho. - Eu acho mais do que justo abrir o retrato e não dar de cara com você dando uns amassos em uma garota ou garoto.
- Garota! - ele confirmou.
- Tanto faz. - Lily abanou a mão. - Então regra posta: nada de amassos no dormitório.
James parecia querer dizer algo, mas fechou a boca. Ela mesma teve um pensamento sobre talvez ser permitido que ela desse uns amassos nele, mas também achou melhor fechar a boca.
- Nada de trazer pessoas de fora para amassos, não. - Ele disse. Lily percebeu que havia uma enorme diferença entre "nada de amassos" e "nada de trazer pessoas de fora para amassos".
Ou talvez fosse ela quem queria entender que ele estava corrigindo a frase.
- Outra regra? - ela perguntou.
- Na verdade, a próxima não é minha. Minnie disse...
- Minnie? - Lily perguntou franzindo a testa.
- Professora McGonagall. - ele corrigiu.
- Ah!
- A professora nos disse que alguns Monitores-Chefes gostam de dormir em seus antigos dormitórios e nós somos permitidos, mas não podemos fazer isso no mesmo dia, já que um Monitor-Chefe deve estar disponível para a escola nos aposentos de Monitores-Chefes. Eu não me importo com isso, eu posso ir de acordo com a sua agenda, porém eu terei uma noite a cada mês que não estarei no dormitório. Eu tenho as datas até Junho, ou seja, quando estaremos partindo de Hogwarts, então eu posso te passar e assim você pode se organizar para todas as outras noites que quiser.
Aquilo parecia justo. Queria passar algumas noites com as amigas, ou talvez trazê-las para dormir em seu quarto e não se importava em não fazer isso em uma noite específica por mês.
- Sem problemas.
Os dois Monitores-Chefes se viraram para o lado ao verem uma sombra se aproximar deles.
- Lily, desculpe a demora. Eu tive um imprevisto com um dos novos monitores e tive que acompanhar todos os primeiranistas e os monitores da Lufa-Lufa até seus dormitórios e explicar algumas coisas no caminho. - Remus parecia cansado, como se tivesse corrido até ali.
- Algo que devemos intervir? - Ela perguntou.
- Não, está feito. Eu preferi agir ao invés de trazer o problema para vocês.
- Obrigado, Moony! - James deu um tapa no ombro do amigo.
Remus olhou para o pergaminho de anotações de James em cima da mesa.
- Acho que James te colocou a par de tudo?
- Sim, ele fez. - Lily sorriu para o maroto sentado em sua frente. - Obrigada, Potter.
- Ao seu dispor. - ele sorriu de volta.
- Vocês não devem ir para os seus próprios dormitórios agora? - Remus perguntou.
- Certo, eu acho que sim. - ela disse, de repente se sentindo um pouco tímida, esfregando as mãos um pouco desconcertada. Não sabia o motivo de reagir assim. Quando James comentou sobre o dormitório e a regra, ela não se impediu de fazer uma piada. Talvez fosse Remus estar ali agora, comentando que eles tinham um dormitório à parte e que estariam lá juntos.
Não perdendo o movimento dela e as bochechas rosadas, James se virou para Remus.
- Eu tenho que pegar umas coisas no dormitório da Grifinória primeiro.
- Ok. Eu posso acompanhar Lily até o dormitório dos monitores. - Remus assentiu.
- É muito gentil da sua parte, Rem, mas não há problema em eu ir sozinha.
- Não seria a melhor ideia, considerando que estamos perto do toque de recolher e não há muitos alunos pelos corredores. Vamos, eu te acompanho.
Ela revirou os olhos, mas se levantou. Olhou para James que continuou sentado, com um braço apoiado no encosto da cadeira.
- Eu te vejo depois, Potter.
- Até daqui a pouco, Evans! - ele sorriu de lado.
Que maldito sorriso!
Sem esperar que sua cara denunciasse o quanto gostava daquilo, ela se virou e foi em direção ao quadro com Remus a seguindo. Olhou para trás rapidamente e viu que James havia se levantado e ido em direção às escadas dos dormitórios. Remus já entrava no pequeno corredor que dava até a saída, então ela se apressou e foi até o quadro de avisos e pegou um pergaminho do aviso do clube de duelos e enfiou no bolso, saindo atrás de Remus logo depois.
L~J
No final, foi uma ótima ideia ter Remus com ela, porque também não sabia a senha do dormitório dos monitores. James não havia dito nada, talvez pensando que iriam voltar juntos, provavelmente.
- Eu nunca entrei aqui. É razoavelmente grande para duas pessoas, considerando a sala pequena que temos para tantos monitores.
- Estou ouvindo uma reclamação, Senhor Lupin ?
- Eu estava a ponto de negar, mas quer saber? É sim, é uma reclamação. Monitora-Chefe, você gostaria de torná-la formal?
- Só se você realmente quiser trazer esse problema para McGonagall e Dumbledore.
James e ela agora tinham seus próprios aposentos como monitores-chefes. Quando passavam pelo quadro, havia uma espécie de sala comunal, mas menos "prazer, vamos descansar" e mais "olha, eu posso trabalhar confortavelmente desta poltrona ou da minha mesa ou desse sofá". E só. Era nítido que era para se trabalhar, mas que como todo mundo que trabalha, eles tinham direito de descansar.
Ao fundo, havia uma escada. Lily foi em sua direção e subiu. Ao topo, dava em um único corredor com apenas duas portas: do lado direito havia uma onde se lia "Monitora-Chefe", então olhou para a esquerda e viu a outra porta "Monitor-Chefe".
Hm. Sem escadas para testar se um garoto entraria em seu quarto? Se o Monitor-Chefe não entraria em seu quarto?
Ela se importava com aquilo, de verdade?
Riu consigo mesma e foi até a sua porta, abrindo-a. Era exatamente como o seu quarto na torre da Grifinória, mas em um modelo muito menor. O tamanho da cama continuava o mesmo, tinha o guarda-roupa, as mesas de cabeceira e uma porta que deveria ser o seu banheiro.
- Posso subir? - ela ouviu a voz de Remus lá debaixo.
- Claro!
Sentou-se na cama e verificou que era igualmente confortável como a sua anterior.
- Vocês são muito sortu...
Remus estava entrando no quarto quando bateu com a cara no vazio, jogando-o para trás sem delicadeza alguma. Lily levantou rápido e foi até ele.
- Rem ?
O maroto se levantou e riu, enquanto massageava o nariz.
- Avisamos o Monitor-Chefe de que ele não pode entrar aí ou esperamos que ele quebre o nariz tentando?
- Acho que você já sabe a minha resposta!
Eles riram. O maroto se aproximou devagar, com a mão no ar até ela parar em uma espécie de parede invisível, um pouco depois da porta.
- Aqui está o limite. - ele tentou empurrar, mas ele continuava parado no mesmo lugar. - Eu cheguei a pensar que era estranho não ter escadas para cada um de vocês, mas então pensei: "monitores-chefes são considerados responsáveis e tudo mais"...vejo que estava enganado. Pelo menos vocês têm um quarto normal. Se tivessem mais mordomias, eu ia sim considerar fazer uma queixa.
- Inveja não combina com você, Rem.
- Essa é uma inveja que eu não costumo ter, na verdade. - ele sorriu e deu de ombros. - Eu vou passar no quarto de James... aproveitar que ele não está e deixar uma lembrancinha minha.
Remus se virou e foi até o quarto do outro lado do corredor. Lily viu quando ele abriu a porta e testou o ar só para o desencargo de consciência, e depois entrou. Começou a perceber que ter os marotos na sua vida mais recorrentemente, ela provavelmente se divertiria um pouco.
Desceu novamente para a sala comunal e foi até uma das mesas, já proclamando-a sua. Deu uma olhada em todas as gavetas, encontrando um livro sobre as regras da escola, muitos pergaminhos, incluindo os pergaminhos já prontos para detenções, penas e tinteiro. Foi até a outra mesa e viu que continha os mesmo itens. Pelo visto, o livro sobre regras da escola não havia sido uma piada para James, mas algo mandatório para todos os Monitores-Chefes.
- Bem, eu vou te deixar em paz agora. - Remus dizia enquanto descia as escadas. - Por um acaso, você teria aula de Runas no primeiro horário amanhã?
- Sim! Depois, duas aulas de Poções.
- Ótimo. Te vejo em Runas, então. E por favor, não mate James.
- Você que dividiu o dormitório com ele por seis anos: eu terei motivos para isso? - Ela cruzou os braços, mas usava um tom de brincadeira na voz.
- Você tem o seu próprio quarto, então estará livre das roupas jogadas no chão. Mas ele é limpinho, toma banho todos os dias.- Remus brincou. - Vocês vão se dar bem, eu tenho certeza.
Alguns anos antes, ela ficaria aliviada em ouvir aquilo. Hoje em dia, ela tinha medo de quão bem eles se dariam. Medo não era a palavra certa, mas...ela iria dividir os aposentos com James Potter agora. Apenas eles, sozinhos ali. Com aqueles sentimentos novos e estranhos que vinha nutrindo por ele, tinha certeza que eles não iriam diminuir com aquela aproximação.
Uau, ela ia dividir aquele espaço com ele durante um ano inteiro. Apenas agora a ficha caiu por completo.
E como se tivesse sido chamado, Lily e Remus se viraram para trás quando ouviram o quadro se fechar.
- E então, estamos bem acomodados? - James perguntou ao entrar.
- Descubra por você mesmo.- Remus se aproximou do amigo e deu um tapa em seu ombro. - Boa noite para vocês.
Os dois Monitores-Chefes se despediram de Remus. James olhou ao redor, indo até as mesas e checando as gavetas como ela havia feito.
- Os dois quartos são lá em cima? - ele perguntou apontando para a única escada.
- Sim. - ela respondeu enquanto o assistia andar pelo lugar.
- Uma única escada?
- Pois é!
- Hum! - James exprimiu, provavelmente achando tão estranho quanto ela e Remus haviam achado. - Eu vou subir e dar uma conferida.
Lily apenas assentiu e o viu subindo as escadas rapidamente. Ela se sentou no sofá que tinha perto de uma lareira - que não estava acesa ainda, claro -, mas podia se imaginar trabalhando dali durante o inverno, aproveitando um bom fogo.
Uma pequena explosão a tirou de seus pensamentos e seus olhos se viraram para as escadas.
- Seria inocência minha pensar que Remus não veio no meu quarto? - ela ouviu a voz de James lá de cima.
- Sim, seria muita inocência.- ela respondeu. - O que aconteceu?
- Se quiser, pode vir ver por você mesma.
Curiosa, ela se levantou do sofá e subiu as escadas. Ela virou à esquerda e deu de cara com James.
Lily começou a gargalhar.
- Pelo menos alguém está achando graça! - ele disse.
Ele estava coberto por um pó rosa choque dos cabelos aos pés. Ele tirou os óculos e Lily riu ainda mais ao ver apenas seus olhos não tocados pelo pó. Desviando dele, ela foi em direção ao quarto: o lugar estava completamente rosa-choque. O teto, o chão, a cama, os lençóis, cobertores, travesseiros...tudo! Havia ursinhos de pelúcia espalhados por todo o lugar, um balanço em formato de hipogrifo para crianças, vários dragões fofinhos pendurados acima da cama dele e um tapete de unicórnio colorido. Disfarçadamente ela testou o ar e percebeu que podia entrar, então ela o fez.
- Eu não sabia que podíamos customizar nossos quartos. Eu fiquei com uma decoração bem medíocre em comparação a sua.
- Quer trocar? - ele perguntou atrás dela.
- Não, tudo bem. Deu para ver que foi feito com muito amor. - ela se virou para trás e sorriu.
- Sim, bastante amor. - ele resmungou. - Bom, eu acho que terei um pouco de trabalho no banho antes de dormir. - James disse passando as mãos pelos cabelos e espalhando pó rosa choque pelo ar.
Lily passou por ele e saiu do quarto.
- Essa cor te vai muito bem. Acho que já sei qual cor de suéter eu devo te presentear no Natal.
- Trocaremos presentes de Natal? - ele perguntou se virando e apoiando o braço no batente da porta.
Ela estava pronta para fazer alguma piada em um estilo flerte, mas ele não estava ajudando com aquela aparência, fazendo-a querer rir.
- Boa noite, Potter. - ela respondeu segurando a risada. - Tenha lindos e coloridos sonhos.
O maroto revirou os olhos.
- Vejo você pela manhã, Evans. Por favor, não ronque.
- Eu não ronco.- Ela iria continuar seu caminho, mas se virou. - Mas sou sonâmbula. Melhor fechar bem a porta do seu quarto.
Sem ver a reação dele, ela foi até o seu próprio quarto e fechou a porta. Encostando-se nela, deixou todo o ar de seus pulmões se esvair de uma vez.
Foi a primeira vez que dizia algo neste sentido para James Potter em sua vida e se sentia aterrorizada e completamente extasiada.
Mal podia esperar por mais.
N/A: Primeiro capitulo postado. A história está apenas começando, segurem-se ai :P
Voltarei no final da semana que vem, então: FELIZ NATAL! :)
Resposta para review sem login:
Guest: Você não colocou o seu nome, mas aqui vai a sua resposta :) Eu fico imensamente feliz em saber que voce ja acompanhou historia minha antes e que adora *-* Espero que esta também entre nesta lista *-* Beijoooos!
E para todos vocês: até semana que vem.
Beijoos
