~L~

Havia adormecido razoavelmente cedo, então acordou um pouco mais disposta.

Sua primeira noite de volta para Hogwarts se passara muito bem e agora Lily percebia que dormiu absurdamente mal durante todo o verão e apenas ali ela se sentiu relaxada o suficiente para dormir. Talvez fosse a sensação de segurança, ou de não estar na casa dos Evans com o constante lembrete de que seus pais não estariam na cozinha tomando o café da manhã juntos quando ela se levantasse.

Porém, ela poderia ter adormecido mais tranquilamente. A única coisa que a impediu, era o fato de ouvir o eco do chuveiro do Monitor-Chefe ligado. As loucuras adolescentes de Marlene atingiram-na e ela se pegou tendo pensamentos um pouco indelicados.

Engoliu em seco ao pensar naquilo. Se levantou e foi tomar um banho. Seu uniforme já estava separado desde ontem, então rapidamente o vestiu, prendeu o cabelo em um rabo de cavalo alto e saiu do quarto.

Deu de cara com a porta do Monitor-Chefe entreaberta e pôde ver que ele não havia mudado a decoração de Remus. Desceu as escadas rindo internamente e se deparou com ele ali: os cabelos molhados (Remus estava certo em dizer que ele era limpinho) e de uniforme. James lia um pergaminho que estava aberto em cima de sua mesa enquanto ele se ocupava com a gravata.

Oh pelas barbas de Merlin, isso seria muito difícil. Apenas aquela cena lhe dava frio na barriga.

- Bom dia, Potter. - ele levantou os olhos do pergaminho. Quando seus olhos se encontraram, ele sorriu.

- Bom dia, Evans. Teve uma boa noite de sono perambulando pelo lugar com o seu sonambulismo?

- Com certeza. Mas não devo ter feito muito, já que acordei bem disposta. Fez bem em ter trancado seu quarto.

- A porta ficou bem aberta a noite toda.- ele respondeu sorrindo de lado. O tiro saiu pela culatra, já que Lily sentiu suas bochechas corarem. Foi muito inocente ao pensar que ele não revidaria.

- O que é esse pergaminho? - ela perguntou depois de alguns segundos de vergonha.

- Eu escutei um barulho enquanto estava me arrumando e quando desci, tinha esse pergaminho na minha mesa. São algumas instruções da professora McGonagall sobre a monitoria do clube de duelos e o que eu devo dizer ou explicar hoje a noite na sala comunal.

- Certo. Eu devo ler e te ajudar de alguma forma?

- Você pode ler, mas as instruções são para os monitores de duelo. Aliás, Amélia Bones é a outra monitora da Grifinória. Eu acho que não havia dito antes.

- Bones? Foi uma ótima escolha.

De fato, Amélia Bones era muito boa nas aulas de Feitiços. E pelo o que lembrava de uma conversa uma vez, ela frequentava um acampamento de verão todos os anos voltado para prática de magia em geral. Com certeza, ela tinha algum treinamento relacionado à duelos por lá.

- Ela deve ter recebido um desses também. - ele dizia distraído com a leitura e com a gravata que ele não conseguia terminar por estar prestando atenção no pergaminho.

- Me avise se precisar de algo. - ela pegou sua bolsa com os livros para as aulas da manhã. - Eu te vejo em Poções, eu imagino?!

- Sim, em Poções.

- Saiu de Runas?

- Se ficasse em Runas, não poderia continuar Estudo dos Trouxas. - ele sorriu para ela e se recostou na mesa, cruzando os calcanhares, finalizando a gravata e abaixando a gola da camisa. - Prioridades! - ele disse.

Lily quis sorrir, tanto por saber que ele queria tanto aprender sobre os trouxas quanto pelo sorriso dele, mas não queria ficar parecendo uma idiota o tempo todo sorrindo, então apenas assentiu.

- Até Poções, Potter.

- Até Poções, Evans.

Ela estava saindo, quando o quadro se abriu e deu de cara com Sirius Black.

- Bom dia, Evans.

- Bom dia. - ela franziu a testa para ele. - Devo me acostumar com as suas idas e vindas por aqui?

- Que absurdo, Evans. Como ousa perguntar isso? É claro que sim.

Revirou os olhos e apenas ali ela percebeu que Remus e Peter estavam logo atrás.

- Bom dia, Lily. Desculpa pela invasão. - Remus a cumprimentou.

- Não tem problema. Bom dia, Pettigrew.

- Dia, Evans.

Já estando atrasada para o que queria fazer, ela saiu rapidamente pelo quadro.

Quando os três marotos entraram na pequena sala comunal, encontraram James bagunçando os cabelos com as duas mãos. Para os amigos, conhecendo-o há tantos anos, sabiam que o "bagunçar com as duas mãos" era um grande sinal de estresse/preocupação/desespero. Um deles ou os três.

- O que aconteceu? - Remus perguntou assim que o viu.

- Eu não sei se consigo fazer isso. - James resmungou.

- Eu falei que Monitor-Chefe não era para você. Vamos até Dumbledore e pedimos para que ele dê para Frank ou alguém assim. - dizia Sirius se jogando na poltrona.

- Por que não Remus? - Peter perguntou.

- Porque esse cargo é muito alto e está destruindo nossa reputação. - Sirius respondeu.

- Não é por ser Monitor-Chefe que ele está falando isso. - disse Remus que não tirava os olhos de James.

- Não, não é. - O maroto confirmou. - Uma noite e apenas alguns minutos e palavras trocadas...Merlin, eu consigo ouvir o chuveiro quando ela está tomando banho e isso é horrível para a imaginação.

- Bom, nesse caso você sempre pode...

- Cala a boca, Padfoot. - Remus cortou o maroto. - Você está seguindo o seu plano? De não dar em cima dela, sem piadas de duplo sentido, sem convites? - Remus perguntou.

Quando soube que fora nomeado Monitor-Chefe, James, por dentro, ficou desesperado por alguns segundos. Não pelo trabalho, não por Sirius surtar, não pela responsabilidade...mas por ter certeza que Lily seria escolhida Monitora-Chefe. Toda a cena passou por sua cabeça: as reuniões, rondas, trabalhos, horas e horas a fio ao seu lado. Como ele poderia não estragar as coisas, os avanços entre eles? Ele iria fazer uma cagada monumental, com certeza.

Mas no minuto seguinte, achou que foi o melhor acontecimento da década. Ele teria, sim, inúmeras horas com ela, mas poderia usar isso a seu favor. Então decidiu que iria continuar como estava agindo com ela, mas agora teria a chance da vida dele: mostrar para Lily quem ele realmente era e tentar conquistá-la. Aos poucos, dia após dia, fazendo-a confiar nele, gostar dele e da sua companhia...

Era a última oportunidade que tinha estando tão perto dela.

- Eu meio que disse algo com duplo sentido hoje. - James respondeu lembrando da coisa toda do sonambulismo e a porta aberta. - Mas ela quem começou.

- Ela disse algo com duplo sentido? - Sirius perguntou.

- Fez uma piada ontem à noite e hoje, quando o assunto surgiu, eu respondi. - James deu de ombros. - Tirando isso, eu não fiz mais nada.

- Você é o nosso orgulho, Prongs. - Peter deu leves tapas no ombro do maroto.

- Mas por que você estava todo nervoso quando entramos? - Remus se aproximou dele, sem entender.

- Porque eu estou vendo que vai ser difícil continuar assim. Ela desce essas malditas escadas com aquele penteado bonito, os olhos verdes brilhantes e um cheiro bom de baunilha. Eu não sei quantas vezes eu tive que fazer e desfazer essa maldita gravata e reler esse pergaminho.

Os três marotos se olharam, um riso preso, acostumados a ouvir os delírios de James sobre Lily.

- Não saia do foco. Vocês nunca estiveram em uma situação tão boa e favorável quanto agora.

- Eu sei, Moony. Eu não irei, eu estou focado em fazer isso funcionar, mas se ela me ajudasse um pouco, seria bom.

- Ela estar jogando coisas de duplo sentido para você já é bom. Você tem que inverter esse seu pensamento e deixar com que ela se sinta bem em fazer e você tem que ver isso como algo positivo e não entrar em desespero. - Sirius finalizou.

- Exato. Se ela começar a jogar a corda, pegue-a, mas não puxe. Deixe que ela continue a lançar mais, você vai acompanhando, administrando...na hora certa, você saberá quando puxar. - James assentiu, como se ouvisse dicas para um jogo de Quadribol.- Se ela flertar com você, flerte de volta, mas do seu jeito de agora...não daquele jeito bizarro que você flertava no quinto ano. - Remus o lembrou.

- Aquilo nem era flertar. - James reclamou. - Eu era um babaca.

- Ainda bem que você reconhece. - Sirius disse. - E agora que vemos que a nossa querida ruiva está mais na sua do que fora, você tem que ir devagar, deixe-a com vontade, mas tem que fazê-la continuar interessada.

- Tipo...a cortejar? - Peter perguntou.

- Cortejar? Isso era o que os nossos pais fizeram, nossos avós. - Sirius devaneou. - De qualquer maneira, independente do nome que dará para isso, vá com calma.

- Cortejar de um jeito diferente. - Remus continuou a linha de raciocínio dos outros dois marotos. - Você quer ficar com ela, mas não pode ir todo sedento. Ela parece interessada, no mínimo curiosa, então deixe com que ela dite o ritmo e deixe-a guiar. - disse Remus.

- Mas tomando cuidado para impor limites. Isso não pode virar apenas uma brincadeira. - Sirius finalizou.

Ok, James tinha uma linha para seguir agora, pois tudo o que seus amigos falaram, lhe soava bom o bastante para aquele momento que pareciam viver.

- Ok!- Ele disse. Se desencostou da mesa e arrumou a camisa, se preparando. - Ok, vamos logo para essas aulas. Eu tenho muito o que fazer ainda.

L~J

Lily saiu da sala de Runas com Alice ao seu lado. Tinham que se apressar para chegar na sala de Poções nas masmorras, então quase não se falaram no trajeto. Se tivesse que fazer esse trajeto toda a semana, era melhor achar uma solução, pois poderia dilubriar Slughorn algumas vezes, mas chegará um ponto onde ele não aceitaria tantos atrasos.

- Eu tenho certeza que existe uma passagem secreta que poderia nos ajudar nesse percurso. - disse Lily enquanto estava no meio de uma das escadas que as levariam para baixo, mas estava em pleno movimento.

- Frank descobriu algumas passagens com os marotos. Eu vou perguntar para ele depois. Eu não quero fazer essa maratona toda sexta-feira de manhã.

- Onde estão Remus e Frank, aliás? - Lily perguntou enquanto olhava em volta.

- Foram os primeiros a sair da sala, porque Frank tinha que voltar para a Sala Comunal e Remus foi com ele para acobertar caso algum outro monitor o visse fora da sala e indo de volta para a Torre.

Quando elas estavam a ponto de sair daquele lance de escadas e continuar a descer o próximo, Lily viu um vulto se esconder no corredor à direita. Alice já descia os degraus das outras escadas.

- Lice, continue sem mim. Eu já te alcanço.

- Tem certeza? Você vai se atrasar.

- Eu lido com o professor Slughorn mais tarde.

Sem esperar a resposta da amiga, Lily se virou no corredor e se apressou. Estava tudo quieto, já que não havia nenhum aluno à vista por ali, mas o vazio permitiu com que Lily visse uma sombra agachada atrás de uma estátua. Se aproximou devagar, não vendo sinal de que a pessoa se mexia com a sua aproximação.

Sua mão estava firme na varinha, apenas caso aquilo fosse uma brincadeira ou um ataque longe de ser engraçado.

- Mary?

Mary Macdonald, a loira grifinória do sexto ano, estava agachada atrás da estátua, seus braços abraçados em suas pernas. Lily se abaixou e percebeu algumas lágrimas escorrerem em seu rosto.

- Desculpe. Eu não tinha intenção de chamar a atenção de alguém. - A loira respondeu.

- Não precisa se desculpar. Eu sou a Monitora-Chefe e meu dever é ajudar os alunos. O que houve?

Vê-la naquela situação deixava Lily com o coração despedaçado. Lembrou-se do dia em que Mulciber atacou a pobre garota. Aquilo havia sido uma das coisas mais malvadas e sem piedade que já vira.

Sabia que Mary carregava traumas por conta do ataque, assim como sabia que Mulciber carregava cicatrizes em retaliação de alguns alunos da Grifinória. Não havia nomes dos que retaliaram em nome de Mary, mas tinha noção de alguns deles.

E como Mulciber não havia sido expulso, aquilo ainda permanecia uma grande incógnita para ela.

- Eu...tenho aula de Herbologia.

- Sim?!

- E...- Mary respirou fundo, suas bochechas corando. - E há alguns sonserinos sentados perto da porta principal.

A raiva que a consumiu não tinha como ser medida. Aqueles filhos da...

- Venha, Mary. Eu lhe acompanho até às estufas.

- Mas você é nascida trouxa também. - Os olhos castanhos da garota quase clamavam para que não fossem.

- Eu tenho uma bendita varinha e quero ver algum deles decidir nos atacar. Venha, vai ficar tudo bem, eu prometo.

Aceitando a mão que Lily oferecia, Mary se levantou. Ela não parecia nem um pouco pronta ou certa sobre aquilo, mas seguiu Lily. As duas saíram do corredor vazio e começaram a descer as escadas. Lily era apenas alguns centímetros mais alta, mas isso não a impediu de colocar uma mão no ombro de Mary, a confortando e, principalmente, lhe dando todo o seu suporte.

- Você deve estar pensando que eu estou longe de ser uma grifinória. - Mary disse em um fio de voz.

- Por que está dizendo isso? - Lily perguntou surpresa.

- Porque eu estou sendo uma covarde, me escondendo desse jeito.

Lily parou e se virou para a sextanista, uma grande ruga em sua testa denunciava o quanto ela discordava daquilo.

- Você acha que a coragem grifinória é medida sobre coisas como essa? Você sabe o nível de medo que eu tive durante todo o verão, apenas esperando que um Comensal entrasse pela minha porta e me matasse? Todos os feitiços de proteção e alarmes que coloquei em toda a casa? Isso não me faz ser menos grifinória, me faz ser precavida. - Lily olhou bem fundo nos olhos da garota. - Você não querer passar por eles sozinha não te faz ser covarde, te faz ter coragem o suficiente para dizer que está receosa e que aceita a minha ajuda. E essa coragem, Mary, não são todos que têm.

Os olhos de Mary brilharam para Lily, um pequeno sorriso escapando de seus lábios rapidamente, antes dela voltar a ficar séria.

- Obrigada, Lily.

A ruiva assentiu e colocou sua mão em seu ombro, voltando a guià-la.

As conversas e risadas dos tais sonserinos eram ouvidas já, informando o quão próximas elas estavam. Quando viraram a esquina, Lily suspirou: Mulciber, Dolohov e Macnair estavam lá. Esses três deviam estar na aula de Poções com ela.

Os três se viraram para elas e um silêncio tenso caiu sobre o saguão de entrada, os passos das duas sendo o único som ressoando pelo lugar. Os ombros de Mary pareciam tremer sob a mão de Lily, que lhe deu um leve aperto para mostrar que não haveria problema.

- Continue. - Lily sussurrou para Mary que parecia querer congelar. Os olhos de Mulciber em cima da garota eram de puro divertimento maldoso.

Dolohov, de repente, deu um passo para frente e mordeu o ar, como se tentasse morder Mary. A garota deu um passo para trás com o susto, fazendo os sonserinos caírem na gargalhada.

- Continue. - Lily repetiu, ainda sem sair do lado da loira até saírem nos jardins.

A própria Lily pareceu soltar todo o ar que segurava quando saíram. Mary relaxou os ombros e Lily lhe fez uma leve massagem. Sem trocar nenhuma palavra, elas caminharam até as estufas.

- Com licença, madame Sprout. - A jovem professora que devia estar em seus quarenta anos, se virou para a porta, assim como toda a classe. - A senhorita Macdonald gentilmente me ajudou com um problema nos corredores, por isso está alguns minutos atrasada.

- Oh sim, claro. Entre, senhorita Macdonald.- Madame Sprout fez sinal para que a loira entrasse

- Obrigada, Lily. - Ela repetiu.

- Conte comigo, ok? - A ruiva deu um tapinha gentil nas costas da grifinória.

Saiu das estufas e acelerou o passo. Estava bem atrasada para aula e mesmo conseguindo driblar Slughorn, ela não queria perder Poções. Entrou no castelo e, claro, os três sonserinos ainda estavam lá. Não se preocupando, ela continuou os seus passos, passando por eles e sem dar uma única olhada em suas direções, ainda que sentisse os olhares dos três em si. Quando estava perto das escadas, ela se virou.

- Detenção para os três e menos vinte pontos de cada um por estarem fora da sala de aula. Receberão um comunicado ainda hoje sobre a data e hora de suas detenções, assim como uma nota será enviada para o Professor Slughorn.

Sem esperar pela reação deles, ela se virou e subiu o primeiro degrau para quase cair com o susto que tomou logo depois.

- O que está fazendo aqui? - ela perguntou.

James estava parado no alto das escadas, olhando além dela, em direção aos sonserinos.

- Achei estranho você não estar na sala. - ele respondeu, sem tirar o foco dos que estavam em suas costas.

- E como sabia que eu estava aqui? - perguntou subindo os degraus e se aproximando dele.

- Sorte. - ele respondeu enquanto mexia no bolso frontal da calça, onde Lily viu um pedaço de pergaminho.

- Bom...- Lily lançou um olhar rapidamente para trás, para os sonserinos. - Estamos atrasados.

Ela passou por ele e virou na esquina, já descendo as outras escadas em direção às masmorras. Percebendo estar sozinha, ela parou e se virou, encontrando James ainda no mesmo lugar e seu olhar gélido ainda na direção dos três sonserinos.

- Você vem? - ela o chamou.

Alguns segundos se passaram. Lily estava a ponto de voltar e puxá-lo, quando James finalmente se mexeu e veio em sua direção.

- O que aconteceu? - ele perguntou.

- Nada aconteceu.

- Alice avisou Marlene sobre você ficar para trás por ter visto algo?

- Era Mary. - ela revirou os olhos com a fofoca entre eles.

- Macdonald?

- Sim. Ela tinha aulas nas estufas e não queria passar por ali. - Ela apontou com a cabeça para trás.

- Mulciber ou qualquer outro não teria a coragem de encostar um dedo nela novamente. - A voz dele estava carregada de raiva. - Mas você fez um bom trabalho, Evans, apesar de saber que eles não hesitariam em encostar um dedo em você.

- Eles poderiam tentar. - ela deu de ombros. - Eu estou louca para testar as minhas habilidades.

Os olhos dele acalmaram e viraram para ela.

- Monitora-Chefe, você está sedenta por duelos nos corredores?

- Você não imagina o quanto. - ela respondeu com um tom leve na voz.

Chegaram na sala de Poções e James deu três batidas na porta.

- Eu acho que vou descobrir coisas muito interessantes sobre você. - James disse.

- Você ficará chocado com os meus segredos, Potter.

O maroto sorriu e pareceu pronto para dizer algo, mas a porta se abriu.

- Senhorita Evans, onde esteve? E Senhor Potter, o senhor estava na minha aula quando eu comecei, o que houve?

- Assuntos urgentes de monitoria, professor. - Lily começou. - Potter veio me ajudar. Desculpe pela demora, mas eu mal posso esperar para começar. Qual poção começaremos o ano? - Ela sorriu e entrava na sala.

- Oh senhorita Evans, a poção Envelhecedora... - Slughorn sorria e a seguia, deixando James sozinho na porta. O maroto apenas riu, não tão espantado com a lábia de Lily em fazer o professor esquecer do atraso.

Marlene estava com o lugar de Lily guardado ao seu lado em uma das grandes e longas mesas, enquanto James voltava para o seu lugar ao lado de Sirius.

- O que aconteceu? - Marlene perguntou. A grifinória já tinha todos os ingredientes separados na mesa, o caldeirão já no fogo e esperando que começassem.

- Mary. - Lily suspirou e contou rapidamente o ocorrido para a amiga enquanto trabalhava com as sementes de ébano.

- Aqueles desgraçados. - Marlene comentou colocando a água no caldeirão e as folhas de carvalho. - Eu adoraria vê-los tentar algo novamente. Tentem, seus pedaços verdes de...

- Lene! - Lily chamou sua atenção quando a amiga começou a falar muito alto e chamar a atenção dos outros alunos, inclusive sonserinos. - Não arranje mais rivalidade com eles do que já temos. Imagine quantos alunos teríamos que duelar para poder salvar a sua bunda? Não são todos os sonserinos idiotas como os três, mas eles não aceitariam bem ofensas gratuitas.

Marlene deu de ombros.

- Você, provavelmente, ficaria salva. Nosso querido James iria atrás de você novamente, te resgatando, atacando todos os sonserinos e pessoas más que ousariam tocar em sua amada Lily Evans! - as bochechas de Lily coraram.

- Potter não veio me salvar de nada por dois motivos: eu não estava em apuros e eu não precisava de proteção. - Lily revirou os olhos e lançou um rápido olhar para o maroto na outra ponta da mesa, lendo as instruções para a poção enquanto falava com Sirius. - O que você vem lendo, afinal, para vir com essas histórias loucas?

- Eu venho assistindo vocês dois. - Ela disse, largando as folhas de bálsamo e trazendo as mãos para o rosto, com um olhar apaixonado. - James nunca desistindo, você se deixando levar pelos seus sentimentos finalmente...trancados nos aposentos dos Monitores-Chefes, a chuva caindo lá fora, James se declarando e você respondendo que o ama tanto quanto ele a ama, vocês se jogam no chão, a lareira acesa, um beijo arrebatador...

Lily levou a mão no rosto, sem acreditar no que ouvia. Marlene começou a rir da amiga.

- Por favor, pare. - Lily pediu.

- Eu estava brincando. Você me conhece, sabe que eu não sou romântica assim. Eu imagino que seria diferente: você entraria na sala comunal, James teria acabado de sair do banho e...

- Chega! - Lily a cortou, apesar de ter um sorriso quase escapando de seus lábios. - Você é impossível! Nós estávamos falando de algo sério e você me vem com essa história lunática.

- Bom, Lils, eu não posso fazer muito sobre comensais idiotas que, infelizmente, devemos compartilhar o café da manhã. Você sabe também que piada e conversas maliciosas são o meu escape para quando eu fico nervosa. Ou eu fico aqui xingando aqueles merdas ou eu vou falar sobre a sua vida sexual com James Potter.

- Eu não tenho uma vida sexual com ele, Marlene! - Lily disse entredentes.

- Porém, em breve...!

Desistindo, a ruiva apenas fechou os olhos e tentou não pensar sobre uma vida sexual com James, porque aquilo era algo não muito longe de seus pensamentos corriqueiros. Sim, ela já teve e tem pensamentos sujos com ele, porque afinal das contas, ela era uma adolescente com vontades.

E James Potter era um cara que lhe dava vontades.

Do outro lado da mesa, a "vida sexual" estava bem longe de ser o tópico da conversa.

- O que poderemos fazer, então? - Sirius dizia após James ter descartado a sexta ideia para atacar os três sonserinos sobre os quais conversavam desde o momento que o maroto voltara para a sala.

- Eles não fizeram nada, então não há muito o que possamos fazer.

- Mas é ridículo esperar que eles ataquem inocentes, para só depois agirmos.

- Atacando primeiro, nós estaríamos atacando "inocentes". - Sirius largou sua faca e olhou incrédulo para o amigo. - Você entendeu o que eu quis dizer com "inocentes", Padfoot.

- De qualquer forma, devemos fazer algo.

- Ficar de olho, por enquanto. Mary está com medo e, ainda que eu tenha certeza que Mulciber não a atacaria novamente depois do que fizemos com ele, eu não quero que a garota ande por aí se escondendo ou sem viver. Eu vou chamá-la para uma reunião, vou pegar o itinerário de aulas dela e fazer um mapa para que ela use as passagens secretas para caso ela se sinta insegura. - James assentiu para si mesmo, pensando na ideia. - Se ela não se inscreveu para a monitoria de duelos, eu vou convidá-la para a minha turma de qualquer maneira e vou ensiná-la a se defender. Eu saio de Hogwarts em menos de um ano, mas ela pode ficar pelo resto do seu sétimo ano mais aliviada.

- E eu me perguntava por que Dumbledore escolheu você para Monitor-Chefe. - Sirius disse para si mesmo, provavelmente pensando alto, enquanto encarava o livro, mas sem prestar atenção nas instruções.

James espremia as folhas de bálsamo para coletar o gel, antes de partir para as sementes de ébano para a poção Envelhecedora, quando ouviram uma leve batida na porta, fazendo todos os alunos se virarem. Slughorn abriu a porta com um aceno de varinha, enquanto estava debruçado na mesa de dois Sonserinos e McGonagall entrou.

- Me desculpe, professor Slughorn. Poderia falar com o senhor Potter por um minuto?

- Claro, claro. Senhor Potter, por favor...- Slughorn acenou para James acompanhar a professora.

- Já vão tirar o seu distintivo ? Em menos de 24h, Prongs ? – Sirius brincou ao seu lado, fazendo James revirar os olhos.

Enquanto saía da sala, seus olhos cruzaram com os de Lily por um segundo e sorriu para a ruiva, fazendo-a sorrir de volta.

Aos poucos, James. Isso...um sorriso aqui, outro sorriso ali. Ela já os corresponde, agora continue assim.

- Olá, Senhor Potter. Eu não o terei por muito tempo.

- Olá, Professora McGonagall. Em que posso ajudá-la ? - A professora o olhou surpresa com a falta de piada do maroto e do apelido que a chamava constantemente. Ela limpou a garganta antes de continuar.

- Bem, eu tenho todos os interessados para a monitoria do clube de duelos para lhe passar.

- Já? - James estava surpreso. Mal passava das 10h da manhã e o prazo para os alunos entregarem para a professora era 12h.

- Eu os tenho desde às 8h, e caso queira saber, eu também descobri que muitos dos pergaminhos haviam sido criados por eles mesmos, provavelmente por todos os outros estarem esgotados. Eu tive que checar cada um deles antes de lhe passar, por isso estou lhe entregando apenas agora.

James arregalou os olhos de surpresa. Não imaginava que haveria tanta procura para treinar com ele. Mais um indício de que seria uma boa ideia analisar um por um e saber mais sobre o motivo de quererem saber duelar. McGonagall lhe entregou vários pequenos pergaminhos e James os aceitou, dando uma rápida olhada em alguns nomes.

- A maioria do sétimo ano tem metade da tarde livre de sexta-feira, então recomendo enviar um aviso para cada um deles e marcar as reuniões para esta tarde, assim poderá começar o mais rápido possível...- Ela parou por um momento. – E não irá atrapalhar o reagrupamento de Quadribol amanhã. – Ela sorriu levemente.

- Obrigado, Minnie. Farei isso o mais rápido possível.

Com um leve revirar de olhos e sorrindo com o apelido de volta, McGonagall se virou e tomou seu caminho para a sala de Transfiguração. O moreno voltou para a sala, tendo alguns olhares curiosos sobre si.

- E então ? O que Minnie queria com você ? - Sirius perguntou.

- Apenas me entregar os interessados para a monitoria de duelos.

- Sério ? Ela não deveria esperar até 12h para receber todos e te entregar ?

- Sim, mas aparentemente os lugares esgotaram e ela tem todos os nomes. Tenho que entrevistá-los, um por um, esta tarde.

- Eu disse para desistir de ser Monitor-Chefe.

- Isso não tem nada a ver com ser Monitor-Chefe, Sirius.

Sirius tirou os pergaminhos das mãos de James, sem responder, e começou a ver os nomes. James pegou novamente as folhas de bálsamo, quando percebeu que o amigo ficou inquieto ao seu lado. Virou o rosto por um instante e viu um sorriso brincar nos lábios dele.

- O que foi ? – Perguntou.

- Veja por você mesmo.

Sirius levantou um dos pergaminhos e James viu anotado, com a bela caligrafia que ele conhecia, o nome Lily Evans.

Ele largou a faca que usava, encarando embasbacado para o nome dela. Lily queria fazer monitoria de duelo com ele ? Ela poderia ter escolhido Amélia Bones, a outra responsável pela monitoria de duelo da Grifinória.

Mas se inscreveu com ele !

- Talvez valerá a pena, no final das contas. – Sirius tirou o papel das vistas de James. – Talvez era isso que faltava para ela, finalmente, cair na sua.

Uau, ele não esperava por isso. Lily não havia comentado nada ontem quando falavam sobre o Clube de Duelos e a monitoria. Talvez Amélia Bones já estivesse cheia e ela teve que recorrer à ele ?

Se virou para trás, procurando por Amélia. Ela sentava com Alice na outra longa mesa da sala. Largou novamente o bálsamo e foi até a Monitora.

- Amélia, Alice. – Ele cumprimentou as duas, que levantaram o rosto de seus livros e sorriram para ele.

- Olá, James.

- Como estão as candidaturas para a monitoria de Duelos ? – Ele perguntou, se virando para Amélia.

- Boas, eu recebi alguns candidatos da professora McGonagall esta manhã.

- Certo. Você ainda tem vagas ?

- Sim. Acho que ainda tenho uma disponível, mas acho que Mcgonagall recebeu uma candidatura esta manhã que ainda vai checar. Por que ?

- Curiosidade. Obrigado.

Voltou para perto de Sirius, ainda um pouco surpreso.

- Amélia ainda tinha uma vaga disponível nesta manhã.

- E ?

- Lily quer fazer monitoria comigo e não por falta de oportunidade.

Sirius deu um tapa nas costas do maroto.

- Esta é a sua chance, Prongs.

Eles teriam, pelo menos, uma hora juntos algumas vezes na semana. Sozinhos, em uma sala. Será que Lily estaria disposta a conhecer o James Potter que ele tanto queria mostrar?

Após as duas aulas seguidas de Poções, Lily estava pronta para descansar por meia hora antes de seguir para o salão Principal e almoçar. Marlene tomava o seu tempo para arrumar suas coisas em sua bolsa, enquanto Lily esperava ao seu lado.

- Garotas, vou com o Frank. Vejo vocês no almoço ?

- Claro, Lice. Aproveite. – Lily piscou para a amiga, a fazendo corar. – Vamos, Lene. Antes que acabemos por fazer uma terceira hora de poções.

- Estou pronta. Onde quer ir ? Jardins ?

- Poderíamos descansar um pouco perto do lago, o que acha ? – A ruiva propôs, jogando a bolsa pelo ombro e franziu o cenho quando viu que Marlene olhava por cima de seu ombro, a fazendo se virar para trás.

- Hey Evans. Posso falar com você por um momento ? – James pediu, se encostando na mesa.

- Eu te espero lá fora, Lils. – Marlene piscou para a amiga e deu um tapinha amigo no ombro de James, fazendo-o menear a cabeça e rir.

- Mckinnon, você vai receber uma coruja minha em alguns minutos. - James lhe avisou. - Seria legal se você me respondesse o mais rápido possível.

- Nossa, que mandão. Monitor-Chefe e Capitão de Quadribol te caem muito bem, Potter. - Marlene riu e saiu da sala.

- Sim ? - Lily perguntou, tentando parar de sorrir de sua amiga.

- Eu recebi a lista de McGonagall para a monitoria de duelos.

Sentiu seu rosto esquentar. Certo, ela havia se inscrito naquela manhã e sabia que James queria fazer entrevistas com todos eles antes de aceitá-los.

- Certo. Teve candidaturas ?

- Muitas. – Ele riu e passou a mão pelos cabelos. – Inclusive a sua.

A ruiva engoliu em seco e trocou o apoio do corpo no outro pé, ligeiramente tímida.

- Sim, eu me candidatei. Eu sei que eu aprenderia muito com você.

Agora havia sido James que sorria timidamente.

- Fico feliz em ouvir isso. Bem, eu iria enviar uma coruja, mas como estamos aqui, eu queria saber a que horas eu poderia conversar com você hoje? Eu sei que você deve estar com a agenda um pouco complicada.

- Temos reunião às 18h com os monitores. Nós podemos fazer logo após, o que acha ?

- Perfeito. – Ele se desencostou da mesa e ia em direção a porta, mas se virou novamente. – Para informação : você já está aceita.

Sorrindo, ele se virou e saiu da sala, deixando uma Lily Evans mais do que contente para trás.

J~L

O quadro para a sala dos monitores estava entreaberto e Lily podia ouvir as conversas e risadas altas. Duas coisas poderiam sair dali: satisfação ou muitas brigas. Por dois anos, ela presenciara tudo isso e mais um pouco, até uma quase briga física entre dois monitores da Corvinal e da Sonserina no ano passado por um simples erro na descrição de um relatório.

Ser Monitora era infinitamente mais fácil, ela sabia. Viu quatro Monitores-Chefes passando por ali antes e viu quando o desespero tomava conta deles muitas vezes, ou como as olheiras eram regulares.

Assim que passou pelo quadro, se deparou com alguém alto, parado logo na entrada, ainda nas sombras da sala.

- Nervoso? - Ela perguntou e James se virou para ela, sorrindo.

- Não. Eu estou apenas me perguntando como será isso. Remus já havia dito algumas coisas sobre essas reuniões.

- Sim, elas podem ser feias.

Ambos continuaram a assistir todos os Monitores e o falatório, já dando uma dor de cabeça na ruiva. Aquilo seria divertido e longo.

- Eles calam a boca em algum momento? Eu devo incorporar o capitão de Quadribol e pedir para calarem a boca, ou algo assim? Eles estavam tão tranquilos no trem.

- O problema aqui é que eles não nos viram ainda.

Falando isso, Lily deu alguns passos para dentro, finalmente aparecendo para todos. James a acompanhou. De repente, as cabeças começaram a virar e as vozes diminuíram, dando espaço para um total silêncio.

- Acho que eles têm medo de você, Evans.

- Eu acho que eles sabem que quem manda, chegou. Ganhe o respeito deles agora e nós não teremos problemas pelo resto do ano. - Ela respondeu, baixinho. - Boa noite, Monitores. - Ela os cumprimentou.

- Boa noite! - Eles responderam.

Tirando sua bolsa do ombro, Lily andou até uma das cadeiras da longa mesa e a apoiou ali, olhando para todos.

- Eu, primeiramente, gostaria de me desculpar pela minha ausência na reunião do trem ontem. Isso não se repetirá. Porém, eu soube que o Monitor-Chefe...- Lily se virou para o lado, onde James agora estava. - ...a conduziu muito bem. Eu tenho todas as informações que foram passadas, então acho que podemos partir daí e conversar sobre as rondas, pois é algo que devemos iniciar hoje. Antes de começarmos, alguém tem alguma questão sobre o que se foi discutido no trem?

Uma monitora da Corvinal levantou o braço.

- Eu gostaria de saber sobre o clube de duelos. Um dos monitores do clube da Corvinal, que é o melhor duelista e será o melhor monitor de duelos de Hogwarts, aliás, está com a lista cheia. Quando haverá mais oportunidades para novos alunos?

- Estamos falando de McLaird? - Lily perguntou, sabendo que o corvino havia sido escolhido entre um dos monitores de duelo.

- Obviamente! - a garota repetiu.

- Você chegou a conversar com ele sobre isso, monitora? - A ruiva perguntou novamente.

- Sim.

- E?

- Ele não soube responder.

- Bom, estamos vendo que como monitor de duelo ele provavelmente não alcançará o status de melhor de Hogwarts, não é mesmo? Potter, você, como monitor de duelos da Grifinória, teria algo a dizer?

James deu um passo à frente e colocou a própria bolsa na mesa, ao lado da cadeira de Lily.

- Se o melhor monitor de duelos e duelista de Hogwarts tivesse prestado atenção na carta e nas instruções do professor Dumbledore, ele saberia que as turmas serão trocadas de acordo com a progressão de cada um. Há grandes chances de uma única turma ficar por apenas dois meses e ser trocada depois, assim como vagas se abrirem aos poucos, de acordo com a época do ano e das atividades extras do monitor do duelo, como jogos de Quadribol, treinos, exames N. ou N. etc. - A sala continuou em silêncio, assim como a Monitora Corvinal. - Alguma outra pergunta que um simples e fraco monitor de duelos que leu todo o conteúdo de sua carta poderia ajudar?

A monitora da Corvinal apenas negou com a cabeça e se recolheu um pouco mais em sua cadeira.

- Bom, alguma outra pergunta, talvez não relacionada ao clube de duelos?- A maioria apenas negou. - Eu sei que os alunos estão empolgados com o clube de duelos, por diversos motivos. Caso queiram tirar alguma dúvida após esta reunião, acho que o Monitor-Chefe poderá lhes ajudar. - Lily se virou para James, pedindo uma confirmação, ao qual o moreno assentiu para ela. - Podemos partir para as rondas, então?

Lily se sentou, sendo acompanhada por James ao seu lado. Todos da sala os olhavam, esperando pelas instruções. Remus, sorrindo para ambos, e Severus com um olhar frio para James eram os únicos que tinham um pergaminho e pena em mãos.

James limpou a garganta.

- Esta reunião será uma das mais importantes de todo o ano, com informações válidas por meses e sobre tópicos cruciais. - Todos o ouviam atentamente. - Vocês são vinte e quatro monitores ao total e por que eu vejo apenas dois preocupados em anotar o que será dito?

Rapidamente, a sala foi ocupada por barulho de bolsas se abrindo, tinteiros sendo colocados na mesa e pergaminhos voando das estantes após feitiços de convocações. Lily sorriu, orgulhosa.

- Eu acho que ficou nítido que não aceitaremos meio monitores. - James continuou. - Eu não quero enviar comunicados e eles não serem lidos, assim como fez o melhor monitor de duelo de Hogwarts com uma importante carta enviada pelo diretor sobre a única bendita função que lhe foi dada. - James mandou um singelo olhar para a garota corvina. - Assim como eu não quero ouvir a Monitora-Chefe repetindo sem parar a mesma coisa, porque vocês não se preocuparam em anotar e repassar a informação adiante. Estamos claros quanto a isso?

- Sim! - Foi dito em uma única voz por todos. Remus foi um dos únicos a não responder, mas por estar se divertindo muito para pensar em abrir a boca e acompanhar seus colegas. O outro havia sido Snape que apenas se limitou a olhar para a parede em sua frente.

- Ótimo. - James relaxou um pouco mais na cadeira. - Evans, gostaria de começar? Acho que estamos prontos para você!

Tentando segurar o riso com toda aquela cena, Lily tirou seu próprio pergaminho com tópicos a serem discutidos e entrou diretamente sobre as rondas. Repetiu sobre o que fora dito no trem, sobre rondas serem sempre em duplas e que se alguém tivesse algum imprevisto, ela ou James deveriam ser informados imediatamente para que encontrassem um substituto ou eles mesmos tomarem o lugar da pessoa indisposta. Lily deu a tarefa de organizar as rondas dos próximos meses para Remus, considerando o ótimo trabalho que ele vinha fazendo há dois anos. Dois monitores da Lufa-Lufa do sexto ano se voluntariaram para começarem a ronda naquela noite, assim tendo direito a uma folga quando precisarem pela boa vontade em ajudar a todos hoje.

Lily e James seriam avisados das senhas para as salas comunais da Grifinória e Sonserina, da combinação de barris para se tocar para a sala comunal da Lufa-Lufa e os enigmas para a sala comunal da Corvinal que seriam relacionadas a um assunto específico, assunto este que mudaria com a mesma rotatividade de todas as outras, e repassariam para os monitores.

James ainda reforçou a importância de detenções e o relatório sobre alunos que fossem pegos fora da sala comunal após o horário de recolher ou fora de suas classes durante as aulas para os diretores das casas.

Com a cooperação de todos, a reunião se passou sem problemas e todos pareciam concordar e estarem cientes de tudo o que havia sido dito. Os vinte e quatro monitores se levantaram e a bagunça e conversas encheram o lugar, o que acabou levando Lily até uma mesa para explicar para uma nova monitora da Sonserina como preencher corretamente os pergaminhos de detenções e de pouco em pouco, a sala começava a esvaziar.

Se sentia uma tonta inocente, vendo todos os monitores saindo e sabendo que James iria ficar. Seu coração estava acelerado de uma maneira que lhe dava dores no peito e suores nas mãos.

Pegou todos os pergaminhos com as informações dos monitores e começou a juntá-los, dando tchau para aqueles que passavam por ela e acenava.

- Vejo você depois, Lily?! - Remus parou em frente à ela, a bolsa pendurada em um ombro e um sorriso leve.

- Claro. Sala Comunal?

- Te espero lá depois do jantar com a lista das rondas. - O sorriso leve virou um sorriso maroto. - Não tenha pressa. - Ele piscou para a ruiva e foi em direção à saída. - Te vejo mais tarde, Prongs.

James não respondeu ou talvez tenha acenado, já que ela não o olhava. Terminou com os pergaminhos e os colocou dentro de uma gaveta em sua mesa. Teria que revisar todos amanhã no horário de almoço, ainda que fosse sábado e a previsão ainda prometia muito calor e ela preferia ficar no lago, curtindo com as amigas.

- Na mesa, no sofá ou no chão? - A voz dele estava perto agora, o que a obrigou levantar os olhos em sua direção.

- Você tem uma preferência? - Ela perguntou, inocentemente. Notou o sorriso maroto dele.

- Para mim, tanto faz. Deixo à sua escolha, eu posso me adaptar.

Dando de ombros, ela deu a volta na mesa e se dirigiu ao sofá, sentando-se e se aconchegando.

- Iremos de "confortável" então. - Ele disse, sentando-se ao seu lado, um pergaminho na mão e uma pena na outra. James se recostou em um dos braços do sofá, colocou o calcanhar direito sobre o joelho esquerdo e ficou de frente para ela. - Está pronta?

- Sim. - Ela respondeu.

James colocou a pena no pergaminho e rabiscou algo. Logo em seguida, ele ofereceu para Lily, que o pegou. Era o mesmo pergaminho que havia usado para se inscrever, o seu nome ainda estava lá, mas algo havia sido adicionado embaixo:

"Aceita"

Lily franziu o cenho e o fitou.

- O que é isso?

- A sua aceitação para a monitoria.

- Bem, você meio que havia me dito que eu estava aceita mais cedo, mas e a entrevista?

- Eu não preciso te entrevistar, Evans. Eu marquei essa reunião apenas para tornar tudo formal.

- Tem certeza? Você não sabe os meus motivos para aprender a duelar.

- Tenho certeza que não é para ajudar Voldemort! - Ele riu, bufando.

Droga, mas...ela esperou o dia inteiro por essa maldita entrevista.

Droga de novo. Sim, ela queria conversar com ele, passar um tempo com ele... se sentia uma idiota. Depois de tudo o que já havia se passado entre eles, sentia que o jogo havia virado e James parecia completamente sem interesse nela, enquanto Lily tinha seu coração disparado sempre que o encontrava.

- Por que você quer monitorar os duelos? - Bem, se ele não queria entrevistá-la, ela poderia entrevistá-lo.

- Eu não me candidatei, mas foi uma oferta. - Ele respondeu, se ajeitando, colocando um dos braços no encosto e o outro no braço do sofá. Uma das mãos brincava com a pena.

- Professor Dumbledore te ofereceu quando chegamos ontem? Por isso não estava no Salão quando a cerimônia começou?

Um sorriso imenso cresceu no rosto de James. Lily quis imitá-lo, se sentindo contagiada, mas se freou.

- Eu fico lisonjeado por ter notado a minha ausência, Evans. - Ela corou de imediato, fazendo o sorriso dele ficar ainda maior, se aquilo era possível. - Mas não. Professor Dumbledore me ofereceu durante as férias, logo após a carta com o distintivo de Monitor-Chefe ter aterrissado na minha cama.

- Então você teve muito para assimilar, eu imagino.

James deu de ombros.

- Sirius foi quem teve mais dificuldade, eu diria. - Os dois riram. - Ele teve até pesadelos nos dois dias seguintes. Na madrugada da primeira noite após o distintivo chegar, ele invadiu o meu quarto, indo até as minhas coisas apenas para confirmar se era real ou se era pesadelo.

- Deve ser um choque para ele ter dois marotos monitores. Um deles como Monitor-Chefe e não é Remus.

- Ele disse que a última coisa que falta, é um maroto comensal agora. - James revirou os olhos. - Sempre dramático.

Eles riram por um momento, deixando o clima leve e relaxado. Conversar com James poderia ser muito fácil e legal. Não podia ter certeza de ter sido sempre assim, mas ultimamente ela se pegava tendo o prazer de ter uma conversa com o maroto.

Ele não tentava se exibir, nem dizer o quão bom era jogando, ou como suas notas eram uma das melhores do ano sem se esforçar. O assunto surgia e tudo simplesmente tomava o seu curso. Claro, agora que tinha o maroto por muito mais tempo em sua cabeça, mais do que era considerado normal pensar em um colega da escola que você pensava não sentir nada, Lily se sentia um pouco presa e tímida no começo. Porém, James conseguia quebrar o gelo e fazer Lily querer saber mais, perguntar mais, ouvir mais.

- E seus pais? Como reagiram com ambas as notícias?

- Incrédulos, no começo. Pensavam que a carta de Remus havia sido mandada para casa por erro, já que ele passou um tempo lá durante as férias. Depois, tiveram que dar atenção para Sirius, porque era o filho que estava mais sofrendo com aquilo. - Lily riu novamente. Quando ela parou, viu como os olhos dele brilhavam para ela. De repente, ele abaixou o olhar. - Minha mãe conversou comigo uma noite...- Ela sentia que James estava contando algo íntimo, pela maneira que ele falava. - ...disse que estava muito orgulhosa de mim. Sabe, Evans, meus pais são mais velhos e eu sei que eles me mimaram bastante por ter finalmente vindo ao mundo, mas eles também sabem quando ser duros. Eles também têm expectativas para a minha vida, para o meu futuro e eles querem me ver feliz. Mas...- James se remexeu no lugar. Lily o encarava, atenta, sem querer perder nem uma palavra. - Acho que as coisas mudaram, ou talvez o modo como eu vejo o mundo mudou e a minha mãe foi quem mais sentiu isso nos últimos tempos. Quando ela disse que estava orgulhosa de mim, eu senti orgulho de mim mesmo e a única coisa que eu podia pensar era que eu queria sentir isso mais vezes.

Lily estava embasbacada. Não esperava ir profundamente em uma conversa com James assim. Já havia visto os pais do maroto na plataforma diversas vezes, inclusive eles acenaram para ela uma vez, quando Sirius havia cochichado algo para o casal. Os Potter pareciam simpáticos e alegres, com a alma leve como a do filho. Ouvir um pouco mais deles e, consequentemente, mais de James também lhe fez sorrir internamente.

Lhe fez querer estar com seus próprios pais novamente.

- Eu vou enviar uma coruja para a sua mãe toda semana, dizendo o bom trabalho que o filho dela está fazendo e o quão orgulhosa ela pode ficar.

James sorriu.

- Eu sou oficialmente Monitor-Chefe há 24h. Como você poderia saber que eu não vou explodir o castelo até o final da semana que vem?

- Eu sinto que você não irá.

Eles se encararam por alguns segundos, antes de Lily desviar os olhos.

- Como reagiu quando soube que era Monitora-Chefe? - Ele perguntou.

Lily respirou fundo. Tinha duas opções: dizer que havia sido legal descobrir aquilo e que ficou muito feliz ou dizer a verdade. Levantou os olhos e se deparou com um James curioso, porém levemente confuso com a demora de sua resposta.

- Qual resposta você quer? A de verdade ou a que eu inventei para dizer rapidamente para as pessoas? - James sorriu um sorriso triste e piscou lentamente.

- A qual você quiser me dar.

Droga, era muito fácil e prazeroso conversar com James Potter. Respirou fundo novamente e começou a brincar com um fio solto do sofá.

- Foi como ler o nome de um outro livro que precisaria comprar para o sétimo ano: assenti e passei para a informação seguinte da carta. A única diferença de ler o título de um livro e ler aquela informação, foi não precisar comprar o distintivo no Beco Diagonal. - Olhou rapidamente para ele e viu que James a fitava, provavelmente do mesmo jeito que ela fez quando ele contou sua versão. - Quando fui nomeada Monitora no quinto ano, eu achei que seria a coisa mais legal ser a Monitora-Chefe no sétimo. Hoje eu vejo que há coisas mais importantes na vida do que esse título. Claro, há dois anos eu não imaginava que, no sétimo ano, eu estaria juntando os caquinhos do que uma vez foi Lily Evans. Então aqui, respondendo a sua pergunta verdadeiramente: ter sido Monitora-Chefe não foi tão interessante como foi para você.

As diferenças entre eles eram gritantes. Riu por dentro ao perceber o quanto o lado dele era, de certa forma, algo positivo e ela chegou com um balde d'água por cima de tudo aquilo, com uma parte do que foi o seu verão.

Se ela contasse o resto, James provavelmente daria as costas e sairia da sala, sem querer ouvir toda aquela negatividade.

- Você está feliz por estar de volta à Hogwarts? - A voz dele quebrou o silêncio. Ela ainda não o encarava.

- Eu estou aliviada e mais contente de estar de volta à Hogwarts do que eu estava lá fora. - Ela respondeu, corrigindo.

James respirou fundo, mexendo nos cabelos.

- Eu pensei em não voltar. - Ele confessou. - Pensei em, simplesmente, me juntar a algo e lutar contra o que anda acontecendo. Isso foi antes de receber a carta de Hogwarts. - James se distraiu com a pena que ainda segurava e seus pensamentos. - E também...eu pensei, pensei muito sobre o que eu perderia caso não voltasse: diploma, conhecimentos que eu ainda não tenho e outra coisa.

- Que coisa? - Ela perguntou.

- Algo que eu sentiria muita falta. - James respondeu. - Mesmo que...enfim. - Ele engoliu em seco antes de continuar. - Você pensou em não voltar?

- Eu não acho que tenha pensado nisso, mas para ser sincera, eu não andei pensando muito nessas coisas, pois...bem, esse verão foi... esse verão foi...

Sentia que havia algo travando suas palavras. Pensou tanto em não falar sobre o verão, sobre o que aconteceu, sobre deixar enterrado apenas com ela, que seu cérebro não parecia aceitar que Lily compartilhasse aquele sofrimento com outra pessoa.

- Está tudo bem, você não precisa falar. Quando eu perguntei ontem sobre o seu verão, eu percebi que algo estava errado. - Lily acenou em agradecimento. - Eu sei que você tem suas amigas e sei que é muito próxima de Remus, mas se um dia você quiser conversar com alguém que tem muito interesse em te ajudar e te ver bem, eu soube que o novo Monitor-Chefe não hesitaria.

Os olhos levemente arregalados dela o fizeram rir. Mas ao contrário do que ele pensava, Lily não estava chocada por James parecer interessado.

Ela estava chocada por ele ter oferecido e ela sentir que queria. E muito.

- Obrigada, Potter.

- Ao seu dispor, Evans.

- Então...- Ela começou, para mudar de assunto. - No final, não tivemos uma entrevista sobre a monitoria de duelos, mas eu pude te conhecer um pouco mais, mesmo que tenha sido um pouco mesmo. - disse Lily.

- Saiba que o que conversamos aqui só me garantiu ainda mais a sua aceitação. Então de alguma forma, a entrevista ocorreu.

- Considerando que eu fui facilmente aceita, significa que você vai pegar leve comigo?

James jogou a cabeça para trás e riu.

- Eu vou pegar muito mais pesado com você, Evans!

L~J

James voltou para a sala comunal da Grifinória para resolver algo e Lily desceu para o Salão Principal para o jantar, encontrando Marlene e Alice já sentadas e guardando o seu lugar.

- Argh, é sério isso? - Marlene perguntou quando a ruiva sentou-se ao seu lado.

- O que?

- Rápido assim?

- O que? - Lily repetiu a pergunta.

- James é do tipo rapidinho? Estou decepcionada.

Os olhos verdes reviraram. Alice riu abertamente.

- Ele não tem cara de ser rapidinho. - Alice comentou pegando o seu suco de abóbora.

- Você vai começar também, Alice? - Lily perguntou se servindo de suco também.

- Já que estamos no assunto, por que não? - Alice respondeu e sorriu.

- Frank é do tipo rapidinho? - A ruiva perguntou, fazendo Alice ficar vermelha como a sua gravata.

- Não vale. Estávamos falando de hipóteses...você está falando de alguém que realmente tem algo com a pessoa.

- Não vejo a diferença. - Lily respondeu, baixando a voz para a próxima frase. - E vocês poderiam parar de falar de James Potter em um contexto sexual, sensual ou qualquer coisa que for toda a vez que me veem?

- Não!- elas responderam juntas. - Até você se deixar levar pelo o que quer, eu acho que não vamos parar. - Marlene comentou.

- Vocês esquecem que para tudo isso que comentam, as duas pessoas precisam querer.

- E lá vamos nós. - Alice resmungou baixinho.

- Vai mesmo continuar a forçar a barra, Evans? - Marlene perguntou. - Ainda batendo nessa tecla de que ele não gosta de você?

- Se vocês vissem como ele tem se comportado comigo, vocês entenderiam. Potter está bem tranquilo, sem brincadeiras, sem flertes, nada. Aparentemente eu sou uma boa candidata para ser uma amiga ou colega chegada.

A ruiva deu de ombros e tentou esconder o máximo a sua frustração. Talvez James tivesse gostado dela ou talvez estivesse interessado nela há alguns anos, mas ele parecia ter superado isso ou era uma vontade do James irresponsável e imaturo de antes.

- Lily, honestame...AI.- Marlene reclamou do chute que levou de Alice por baixo da mesa e fechou a boca quando os quatro marotos se sentaram ao lado delas.

- O que houve? - Remus perguntou.

- Nada. - Lily respondeu rapidamente. - Como foi o primeiro dia de aula de vocês?

- Blah! - Sirius respondeu. - Queria mais ação. Eu tinha um plano espetacular para nos dar as boas-vindas, mas foi cruelmente cortada pelos dois abortos do grupo.

Remus revirou os olhos e James imitou Sirius com uma careta.

- Era realmente um bom plano. - Peter concordou.

- Eu não impedi ninguém de fazer nada. Você tinha o caminho livre. - James disse.

- Mas vocês não iam estar lá. Nem você e nem Moony.

- Porque estávamos ocupados, Sirius. - Remus resmungou. - Quantas vezes vamos discutir isso hoje?

- Ah, vocês também costumam ter que repetir outra e outra vez a mesma coisa para os seus amigos também? Que coincidência. - Marlene lançou um olhar enviesado para Lily.

- Sirius é impossível! - Remus disse.

- Ah, vocês também tem um amigo impossível no grupo? Que coincidência. - Lily lançou um olhar para Marlene dessa vez.

- Bem, pelo visto tem um assunto inacabado entre vocês e chegamos na hora errada. - dizia James se servindo agora que o jantar havia aparecido.

- Ou na hora certa. - Foi a vez de Alice.

Lily não respondeu, tentando se afastar o máximo daquele assunto possível na frente do próprio assunto. Melhor, ela se pegou pensando quando aquela aproximação de todos havia ocorrido para que comessem juntos. Ela não conseguia se lembrar de muitas vezes que sentou com os marotos no Salão Principal ou o contrário, por vontade própria.

Não iria reclamar. Vinha apreciando a companhia deles há algum momento já e estava mais do que contente com a conversa entre eles e elas naquele jantar. Era apenas perigoso, porque qualquer um deles poderia fazê-la rir com a boca cheia, quase a fazendo cuspir a comida ou o suco. Também tentava disfarçar os olhares constantes para James quando se virava para o grupo, mas era impossível focar apenas em quem estava falando: seus olhos insistiam em cair nele e o assistir rir, falar, assentir ou até comer. Ele a pegou olhando algumas vezes, mas ela desviava o mais rápido possível, torcendo para que ele não tivesse reparado. Quando ele falava era mais fácil, pois era uma desculpa para olhá-lo.

- Você vai comer o resto desta torta, Evans? - Sirius perguntou ao seu lado.

- Não. Seja meu convidado. - Ela disse, empurrando o prato para ele. Sirius se virou para James e cochichou algo, fazendo o maroto de cabelos despenteados bufar e olhar Lily de relance.

- Vamos subir? - Alice perguntou para as duas amigas. - Sala Comunal, para a explicação dos nossos monitores de duelos?

- Vocês podem desacelerar, eu ainda não estou lá.- James comentou pegando um pedaço da torta que Lily dera para Sirius.

- Isso é apenas uma desculpa para irmos e falar sobre garotos, queridos. - Marlene se levantou, com Lily logo depois.

- Garotos? - Sirius perguntou engolindo a torta rapidamente.

- Quais? - James perguntou logo depois.

- Não é da nossa conta. - Remus respondeu. As três agradeceram para Remus antes dele continuar. - Mas com certeza é sobre algum de nós.

James, Sirius e Peter riram quando elas ficaram de boca aberta para Remus, que sorria angelicalmente.

- Você me paga. - Lily sorriu e disse entredentes.

As três saíram do salão ainda indignadas com Remus. E no final, elas falaram sim sobre algum deles, mas o monitor foi o alvo. Ao chegarem na sala comunal, perceberam que muitos outros alunos tiveram a mesma ideia, já que o lugar estava um pouco cheio.

- As pessoas estão mesmo a fim da monitoria. - Lily comentou.

- Eu é que sei. Acordei hoje pensando em pegar o pergaminho e me inscrever com James, mas não havia mais. E eu acordei às 7h. Para Amélia, havia apenas duas vagas. - Alice disse chateada. - Não que eu não goste de Amélia, claro.

- Eu te falei para fazer isso ontem quando eu fui, você não me ouviu. - Marlene disse passando com dificuldade entre as pessoas, indo até a janela.

- Eu não estava imaginando que as pessoas estavam tão desesperadas para isso.

Lily não participava da conversa, perdida em pensamentos. Prestava atenção naqueles alunos com olhares ansiosos para cada vez que o quadro se abria, pensando ser James e Amélia, provavelmente. Aquilo era excitação por algo que eles pensavam ser diversão? Era ansiedade para começar? Era medo de não estarem prontos e vontade de aprender logo?

Ela, com certeza, era o último caso.

Durante aquela tarde, se pegava pensando no episódio da manhã, com Mary e os três idiotas. Se eles a atacassem, ela teria destreza o suficiente para se defender e defender Mary? Aqueles três eram, sem dúvida alguma, Comensais. Ela colocaria a sua mão no fogo por isso.

Ela poderia vencer três Comensais? Talvez com a ajuda de Mary, se ela não congelasse?

- Lily?

Virando na direção da voz, a ruiva se deparou com Frank.

- Olá, Frank.

- Está tudo bem? - ele perguntou. As duas amigas também a olhavam.

- Sim. - ela sorriu sem jeito. - O que eu perdi?

- Nada. Eu apenas te cumprimentei, mas já que querem saber: eu soube que rolou uma briga aqui na Sala comunal mais cedo por conta de Quadribol.

- Quadribol? A temporada nem começou. - Marlene comentou.

- Foi uma disputa pela vaga de batedor, na verdade. Todos sabemos que o time está complet melhor desde que se formou assim, mas há uma certa reivindicação de um grupo de garotas que querem tirar Eric do time.

Ah! Eric Bell. Um grifinório do sexto ano agora, bonito e todo galanteador... e um desperdício de tudo isso.

- Ele é um idiota. - Lily não pode deixar de comentar.

- Não posso discordar. Mas quem brigou com ele? Não foi uma das garotas, certo? - Marlene perguntou.

- Não, foi Sirius.

- Sirius? - as três perguntaram juntas. - Estivemos com ele agora durante todo o jantar e não comentou nada. - Alice parecia surpresa.

- Ele é diferente, vocês sabem. Se vangloria pelas brincadeiras e pegadinhas que faz, mas quando faz algo bom, ele fica quieto. - Frank deu de ombros. - Vai entender. Ele entrou na discussão que ocorria, tentando entender, então Eric começou a ofender as garotas e Sirius não deixou quieto. A coisa toda só parou quando James chegou.

- Agora está explicado o "algo" que ele tinha que resolver agora. - Mas como ele sabia o que acontecia na sala comunal quando estavam na sala dos monitores era um mistério, pensou Lily.

- Sirius está no topo da lista de todas as garotas desta casa agora.

- E quando ele não estava? - Lily apontou.

- Fato. - Marlene concordou.

- Agora será pior. - Frank finalizou.

Tudo o que precisavam na vida, era Sirius ser mais desejado do que já era. Bom, isso não era algo que incomodava Lily, já que ela achava sim o maroto lindo de morrer, mas não era aquele maroto que fazia seu coração perder um passo.

O ruim era que James era tão desejado quanto Sirius.

- Argh!

- O que foi? - Marlene perguntou ao seu lado.

- Nada.

As conversas ao redor diminuíram drasticamente de volume, fazendo os quatro se virarem e verem os marotos e Amélia Bones entrando.

Sirius falou algo e deu tapinhas nos ombros dos dois monitores de duelos, criou um pequeno palco perto da saída e se afastou com os outros marotos. James e Amélia olharam para o palco que Sirius conjurou e pareceram falar sobre ele. Vencidos, James ofereceu sua mão para a garota e ela aceitou a ajuda para subir.

- Cavalheiro! - Marlene sussurrou e mostrou um dos dedos, como se estivesse contando. Lily pedia a Merlin que Marlene parasse com isso.

- Olá a todos! - Amélia começou, quando James fez um sinal para que ela começasse. Todos a cumprimentaram em uníssono e o silêncio caiu. Amélia era uma doce e dedicada pessoa, a qual Lily tinha um profundo respeito. Era uma das poucas pessoas naquele castelo que não deveria ter um inimigo ou algum desentendimento. - Obrigada por estarem aqui. Eu vejo que temos além dos nossos monitorados aqui, então acho que estão todos curiosos sobre a monitoria do clube de duelos. James e eu estamos aqui para explicar um pouco.

- Olá! - James deu um passo à frente e sorriu. Todos o cumprimentaram em uníssono também, apesar das vozes femininas estarem mais altas.- Imaginamos que tenham muitas dúvidas, mas antes de partirmos para as questões, vamos explicar e esclarecer alguns pontos. Amélia e eu entrevistamos todos vocês que se inscreveram e os que foram aceitos, sabem que isso não será uma brincadeira ou passatempo. - James estava mais sério agora. - Essa monitoria será para ajudá-los, para que possamos progredir juntos e para um dia, se você precisar, você esteja mais preparado e saiba como agir. Se a sua intenção é brincar de azarar as pessoas, tente a monitoria de outra casa. Nesta casa, nós vamos levar a sério. Nós vamos exigir seriedade, trabalho duro e dedicação. Amélia e eu estamos no sétimo ano, com muito em nossas mãos e ainda sim, aceitamos ajudar com o nosso conhecimento no assunto. O mínimo que poderíamos pedir é respeito pelo tempo e dedicação que nós mesmos colocaremos nisso.

- Mandão. Adoro quando ele é mandão. - Marlene sussurrou para Lily levantando outro dedo.

- Então para os interessados na próxima turma que abrirá, saibam disso e não se inscreva se você tem como ideia uma diversão. - James olhou para Amélia e ela assentiu.

- Dizendo isso, podemos passar para as explicações gerais. - Amélia retomou a palavra. - As primeiras monitorias começarão segunda-feira. Uma sala foi reservada para cada monitor de duelo e informaremos todos vocês da localização e hora. Vocês terão uma hora por dia de monitoria e James e eu teremos que enviar um relatório para Dumbledore sobre o seu desempenho em cada aula. Vocês não terão uma nota, isso não ajudará em nenhuma nota de outra matéria, é apenas para que o corpo docente tenha controle sobre o que ocorre nessas aulas. Tanto para vocês quanto para nós.

- Uma única apresentação ocorrerá um mês após as aulas começarem. Além disso, não haverá duelos entre vocês. - Um muxoxo foi ouvido pelo lugar. - Porém, os monitores podem conversar entre si e arranjarem duelos MONITORADOS. Não são os alunos que decidirão isso, mas nós. Então, por favor, não choraminguem e não tentem nos comprar para isso.

- Uau, eles tem química, não?

Uma sextanista comentou com a amiga ao seu lado. Lily, quando ouviu, se virou para elas, mas rapidamente voltou seu olhar para frente.

- Totalmente. - A amiga respondeu. Lily engoliu em seco e encarou os dois no palco. Amélia falava agora, mas ela não prestava atenção.

Eles, de fato, tinham química. Ambos eram muito bonitos, gentis, todos sorrisos e olhares. Amélia com seus cabelos escuros até os ombros, os olhos castanhos e sempre brilhantes, sorrindo com eles para todos que cruzavam. E os dois naquele palco, na frente de todos, pareciam um casal e tanto.

- Queria eu ter uma química dessas com ele.

- Eles não tem química alguma! - A voz de Marlene cortou a conversa das duas. - Eles são apenas legais e gentis. Isso causa uma sensação diferente.

- Imaginem a pegação deles enquanto fizerem os relatórios de cada aluno. - A primeira garota voltou a falar, ignorando Marlene.

- Eles são apenas colegas de classe. James nunca teve interesse em Amélia e vice-versa. - Alice se meteu.

- Como você poderia saber? - A segunda garota perguntou.

- Sabendo! - Alice respondeu um pouco ríspida.

Mais algumas informações foram dadas, mas Lily desviou completamente a sua atenção de todo aquele discurso que, no começo, ela estava adorando. Agora, ela apenas queria voltar para o seu dormitório e dormir.

Quando as pessoas começaram a gritar, animadas e irem até James e Amélia para, provavelmente, perguntar mais, Lily olhou para as amigas.

- Eu preciso pegar a lista de rondas com Remus, depois eu volto para o meu dormitório. Eu vejo vocês amanhã.

Sem esperar nenhuma delas impedi-la, Lily se virou e começou a procurar Remus pela bagunça de alunos. Encontrou o maroto perto das escadas do dormitório masculino, com Sirius e Peter.

- Hey Lily. - Remus acenou e tirou um pergaminho do bolso, a entregando. - Aqui está a lista das rondas. Eu entreguei uma cópia para os monitores que devem fazer a ronda até terça-feira, então você terá tempo de mudar algo até segunda ou de darmos o restante das cópias para os outros monitores depois. Você gostaria de discutir sobre?

- Não há necessidade, eu confio 100% no seu trabalho. - Ela lhe deu um sorriso fraco.

- O que há? - Ele perguntou.

- Nada. Eu preciso ir.

- Parece que alguém comeu alguns feijõezinhos estragados. - Sirius comentou a encarando. - O que podemos fazer para melhorar esse seu sorriso, Evans?

Ela deu um sorriso verdadeiro, apreciando a oferta do maroto.

- Obrigada, mas não é nada demais. Boa noite, garotos.

- Você vai embora sozinha? - Remus perguntou. Ele começou a olhar por cima dos alunos, na direção onde ela sabia que James estava. - James deve estar indo também, espere por ele para não ter que ir sozinha pelos corredores a essa hora.

- Por favor, eu posso muito bem chegar viva até o meu dormitório. Até amanhã.

Se virou e foi na direção do quadro, sem olhar para trás ou para ninguém.

Ah, o karma. Ele poderia vir cedo e na mesma vida, ela via. Não que ela não tivesse motivos para dizer "não" para James antes, porque ele não se ajudava com as besteiras que fazia, mas...droga. Mil vezes droga.

Como? Como, infernos, ela passaria aquele ano daquele jeito? A vida queria brincar com a cara dela agora. Havia chegado sua vez na roda da fortuna de gostar de alguém e ter que passar por aquelas situações.

Foi pisando duro até o dormitório dos monitores-chefes. Não estava com raiva de James, não estava com raiva de Amélia, apenas de si. Raiva de estar sentindo aquilo, raiva de estar gostando dele naquela situação, raiva de não poder chegar no maroto e dizer que gosta dele.

Infernos! Era sexta-feira, o primeiro dia de volta para Hogwarts e ela deveria estar na sala comunal comemorando com as suas amigas, provavelmente bebendo uma cerveja amanteigada contrabandeada e se divertindo. Mas ali estava ela: se jogando em sua cama, enfiando o rosto no travesseiro e rosnando de raiva por estar com ciúmes. Ciúmes de algo que não existia, por assim dizer, mas por palavras de algumas adolescentes sonhadoras.

Abriu os olhos e se deparou com uma foto trouxa de seus pais, sorrindo. Como sentia falta deles, do carinho, das palavras, conselhos por cartas e ansiedade de vê-la nas próximas férias. Sabia que se estivesse triste, não deveria se forçar com mais tristeza, mas aquele sentimento era agridoce: o olhar deles em si, mas a falta que faziam martelava em seu peito.

Com lágrimas nos olhos, Lily dormiu.

N/A:

Olá, pessoas lindas. Eu tive que cortar esse capitulo, ou iria ficar absurdamente longo então desculpe se ele ficou sem sentido.

Obrigada pelos comentários, pelos favoritos e pelas views. Eu fico contente de ver que estejam gostando *-*

Resposta para reviews sem resposta:

Lene Mckinnon: Oi, lindaaaaa (que agora eu sei que é a irmã da Juh Godoy *-*) Aqui tem maaaaais, aqui tem maaaais. Se tudo der certo, fim de semana que vem também (ou seja, 2021 0.0). Beijoooos

Julie: Meu deus, eu cai de bunda com a sua review quando eu li. Ninguém da minha vida pessoal sabe que eu escrevo ou conhece as minhas historias, apenas o meu noivo (nunca leu, nao sabe do conteudo e nem nada...so sabe que é sobre Jily) e eu fui obrigada a mostrar para ele o que voce disse, porque me fez muito feliz. Escrever e ter um retorno desse, falando que gosta da personalidade dos personagens (que mesmo que tenhamos uma ideia de como eles sao, nao temos 100% deles nos livros e tal), me faz explodir de felicidade. Inclusive eu comentei uma vez com alguém que havia dito algo parecido em uma outra fic minha: voce falando que gosta deles, da personalidade deles, quer dizer que voce gosta de mim também hahahaha ja que tem muito "eu" ali misturado. E eu nao poderia concordar mais com voce sobre como estamos acostumados a ler as Lily's e os James por ai. As vezes é sempre a mesma coisa: gritos, brigas eternas, James parecendo um coelho nos outros etc. Hoje em dia eu imagino muito além disso, apesar de ler fics que eles sao assim também LoL mas nao consigo escrever isso, ou nao mais. Pelo contrario, os meus sao um grude que meu deus HHAAHAHAHAHHAHA Obrigada pela review e pelas palavras, eu amei. Voce tirou uma folga de nao comentar, mas quando comentou, fez alguém bem feliz :D Beijoooos

lolla: Oi Lindaaa. poxa, eu sempre coloco, mas eu tive que fazer e refazer o começo dessa historia (o resumo, a epoca, etc etc) e eu esqueci de colocar os personagens, que burrica. Muuuito obrigada por me informar e espero que continue gostando *-* Beijooooos

Até a próxima.

Beijos!