J~L

Era quarta-feira e aquilo só significava uma coisa pra Lily: dia de monitoria de duelos.

Após sua primeira monitoria na segunda-feira e uma terça-feira considerada calma e sem incidentes de qualquer tipo - e isso também significava um dia um pouco longe de James, já que ambos estavam absurdamente ocupados -, mal podia esperar por aquela segunda monitoria.

E falando em ocupado, ele parecia muito mais do que ela. Na verdade, Lily sabia que James estava mais ocupado e cansado do que ela, já que o pegara dormindo na aula de Transfiguração, mas não de uma maneira tradicional que alunos dormem em aula, com os braços cruzados, cabeça em cima e roncos. Não, ele havia dormido de repente, enquanto prestava atenção na aula: o pescoço quase não conseguindo segurar o peso da cabeça que pendia para o lado, enquanto ele segurava a pena no meio de uma anotação. Remus quem o acordou com um leve tapa na nuca quando a professora McGonagall tinha acabado de passar magicamente as anotações no quadro e se virava para os alunos novamente, pronta para questioná-los.

Se ela estava cansada e atolada apenas sendo Monitora-Chefe e aluna do sétimo ano sem ser capitã do time do Quadribol e monitora do clube de duelos, não imaginava ele.

E por falar em "atolada", Lily não teve tempo de andar igual um pinguim ou ter o seu tempo para chegar até a sala da monitoria de duelos dessa vez, pois corria o risco de estar atrasada, então apenas se apressou pelos corredores, evitando trombar com todos os alunos no caminho. Sua bolsa quase caía de seu ombro a todo instante e os livros em seus braços já estavam cansando-a com aquela correria. Mas qual foi a surpresa ao chegar no corredor e se deparar com a porta fechada.

Se embaralhou com os livros e checou o relógio: eram 19h em ponto.

Largando os livros no chão, ela se permitiu encostar na parede e recuperar o fôlego, mas não teve tempo o suficiente, pois dez segundos depois a porta abriu.

- Lilykins! - Marlene disse ao ver a amiga ao lado da porta ainda um pouco sem fôlego. - Desculpe, eu acho que passei do tempo hoje com o nosso monitor.

- Você não escapa hoje, McKinnon! - A ruiva disse mudando de assunto. - Você fugiu de mim ontem, mas hoje nós vamos conversar depois do jantar.

- Ui, que medo. - Marlene jogou um beijo para a amiga. - Aproveite sua monitoria, querida. Ele é todo seu agora. - A amiga balançou as sobrancelhas e sussurrou a última frase, já que James vinha logo atrás dela.

- Desculpe, Evans. - James checou o relógio. - Demoramos mais do que deveria.

- Não tem problema, eu acabo de chegar.

Lily se despediu da amiga, que ainda lançava olhares maliciosos para a ruiva, e entrou logo atrás de James.

- O que é isso?

Havia uma estrutura alta e grande que ocupava boa parte da sala, mas era só. Não podia nem imaginar o que era ou o que podia ter escondido atrás.

- Ah, exercício para Mckinnon. Eu nunca a vi tão focada na vida. - Ele riu, parecendo lembrar de algo. - Eu estava para tirar tudo daqui quando ouvi vocês duas conversando.

- Posso tentar?

Ele a olhou, curioso.

- Você quer fazer esse exercício?

- Eu gostaria. Assim começo a aula com um pouco de ação. - Lily sorriu para ele. James olhou para a tal estrutura e pensou por alguns segundos.

- Está longe de ser o seu nível.

- Não tem problema. - James parou para pensar por um instante novamente.

- Não faria mal. - Ele disse para si mesmo. - Venha.

Eles deram a volta na estrutura e Lily percebeu que eram quatro paredes juntas, como um pequeno quarto. Quando ele se aproximou de uma das paredes, uma porta apareceu magicamente e ele a abriu.

- Você tem medo do escuro? - Ele perguntou.

- Não.

- Ótimo. Você pode entrar então. - James apontou para a sala, com a porta aberta para ela. Com a ansiedade a mil, Lily abriu um sorriso enorme e rapidamente foi até a porta, não percebendo a expressão de pura satisfação de James ao vê-la sorrir daquela maneira. - Você terá que sair pelo outro lado do lugar, porque essa porta se abre apenas por fora. - Ela assentiu. - Me traga cinco pergaminhos e eu espero que suas vestes saiam limpas tanto quanto entraram, Monitora-Chefe. - Lily levantou as sobrancelhas para ele com sua audácia. James piscou para ela. - Boa sorte!

E assim, ele fechou a porta e Lily caiu na escuridão. Tudo havia acontecido tão rápido, que agora ela só se via em um lugar fechado, completamente escuro e sem nenhuma indicação do que poderia ocorrer. Um pequeno arrependimento a acertou? Não, não era arrependimento, era o fato de esperar por algo que não tinha ideia do que poderia ser.

O que não demorou para ela descobrir, já que viu uma luz vindo em sua direção e ela desviou a tempo. Não sabia se havia sido um feitiço ou apenas um flash de luz inofensivo, mas aquilo pareceu ser o responsável por dar um pouco mais de luz no lugar. Agora, ela conseguia ver mais além e não conseguia ficar mais chocada: o lugar era imenso.

Feitiço indetectável de extensão, claro.

Com a sua varinha em mãos, ela começou a andar, mas mal dando quatro passos e percebeu uma sombra se mover mais a frente e ela só teve tempo de conjurar um escudo rápido o bastante e evitar que um grande jato de tinta lhe atingisse em cheio. Teve tempo apenas de balançar a cabeça para se situar, antes de perceber algo vindo da sua direta com muita velocidade, fazendo-a se jogar para frente e evitar que uma imensa sombra se chocasse contra ela.

Se Marlene conseguiu se distrair aqui, ela ganharia um troféu.

Ok, certo. James falou de pergaminhos? Ele queria cinco deles. O lugar não estava bem iluminado, o que ela sabia ser de propósito, mas não estava tão ruim, então achou melhor manter sua varinha apenas para se proteger.

Viu algo flutuando a alguns metros e se apressou até lá, ainda olhando e prestando atenção a sua volta: era um pergaminho. Tentou um feitiço convocatório, mas é claro que não funcionou. Criou uma pequena escada estável o suficiente e subiu. Pegou o pergaminho e o leu:

"Cuidado"

Lily teve apenas um segundo para franzir a testa antes da sua escada ser violentamente nocauteada por uma sombra - talvez a mesma que quase a atingiu no começo -, e Lily cair no chão como um grande saco de batata. Aquilo deixaria um belo roxo em seu quadril. Pegou o pergaminho e o enfiou de qualquer jeito no bolso, se levantando e apontando a varinha para o nada.

Um jato de cor veio em sua direção da diagonal esquerda e ela rapidamente se protegeu, mas outro jato igualmente rápido e colorido veio de sua direta, então Lily mudou rapidamente o escudo para aquele lado também.

Mérlin, ela estava começando a suar. Pensou em Marlene e sua cabeça avoada por aqui.

Ah, outro pergaminho!

Lily se apressou até uma parede e o pegou. Olhou em sua volta, esperando alguma sombra bizarra tentar acertá-la, mas tudo parecia quieto. Abriu o segundo pergaminho:

"Muito fácil?"

Enrugou a testa. Sim, muito fácil. Ela tentou escutar ou ver algo, mas nada acontecia. Colocou o pergaminho no mesmo bolso do primeiro e foi para seguir o caminho, mas sentiu seus pés presos. Olhou para baixo e percebeu que estava em uma areia movediça.

- Ah, ótimo!

Com uma mágica rápida, ela criou uma corda na parede onde encontrou o pergaminho e se forçou para fora, usando todas as suas forças. Sentia o seu rosto vermelho e quente de tanta força que fez, mas finalmente conseguiu sair.

Logo em seguida, foi acertada por algo acolchoado e foi parar a quase dois metros de onde estava.

- Eu realmente pedi para tentar isso? - Perguntou enquanto se levantava e fazia uma careta com a dor no outro quadril. - Eu realmente pedi para entrar em uma espécie de armadilha de um maroto? Onde, diabos, eu estava com a cabeça?

Pelo visto, ela teria que trabalhar melhor, mais eficiente e mais inteligente a partir de agora.

E quarenta minutos depois, Lily estava exausta, com roxos por todo o seu corpo, suando...

Porém limpa e com cinco pergaminhos em seu bolso.

Quando viu a porta, saiu rapidamente antes de ser puxada para dentro daquele labirinto/caixa do inferno/nunca mais volto aqui-lugar que só pode ter sido orquestrada na cabeça de James Potter, Sirius Black ou do próprio diabo.

Porém, mesmo não sendo para o seu nível de problema, que no caso de Marlene era a atenção, foi muito legal. Se sua amiga tivesse se distraído ali dentro, Lily ficaria surpresa. Não tinha tempo para olhar em volta e pensar nas besteiras da vida, porque era um ataque atrás do outro e se você quisesse sair vitoriosa, era melhor focar.

Lily olhou para baixo e conferiu: nem um pingo de tinta em suas roupas. Se ele não ficasse orgulhoso dela, ficaria bem chateada.

Se desencostou da porta e deu a volta, procurando por James, mas parou quando o encontrou: ele estava, literalmente, dormindo em pé. O maroto estava encostado na parede, os braços cruzados e dormindo, a cabeça um pouco caída para frente.

Não sabia se ria ou se sentia pena dele. No final, acabaram sendo os dois. Lily se aproximou e cruzou os braços, o assistindo tendo a soneca do dia durante a sua monitoria de duelos. Bem, saindo em sua defesa, James não tinha nada a fazer além de esperá-la terminar o exercício.

- Caham! - Ela limpou a garganta.

James se desencostou da parede e levantou a cabeça, enquanto ajeitava os óculos que deslizavam pelo seu nariz.

- Ah, aí está você e completamente limpa. Eu deveria estar surpreso, mas eu já sabia que aconteceria.

- Por isso você tirou um tempo para dormir? - Ela perguntou com um sorriso sarcástico. - Eu não te surpreendo o suficiente, Sr. Potter?

Ele sorriu e de um jeito encantador: o nariz enrugou e suas bochechas ficaram levemente vermelhas. Claro que ela se pegou sorrindo também.

Sorrisos definiam seus momentos com ele e Lily não podia mais negar.

- Desculpe, eu não quis dormir e muito menos dizer que você não me surpreende, pois é só o que você faz e de um jeito bom. - Ela ficou desconcertada por um segundo, antes dele continuar. - Mas como eu disse antes: esse exercício era muito fácil para o seu nível de foco.

- Bom, foi muito legal. Eu confesso que tive que achar o ritmo primeiro. - Ela tirou os pergaminhos e os entregou. James os pegou e os leu. - Você não se lembra do que escreveu?

- Eu não os escrevi, nem montei as armadilhas. Eu apenas criei o lugar com funções específicas para coisas específicas que a pessoa deveria passar ou enfrentar lá dentro. O lugar é inteligente, o que quer dizer que se adapta com a sua trajetória. - James sorria enquanto os lia, antes de levantar os olhos para ela. - Por exemplo: "Muito fácil?" - Ele levantou o pergaminho com o escrito. - Provavelmente você passou por coisas antes e, quando viu esse pergaminho, foi correndo ao pote, querendo finalmente pegar algo que estava tão perto; ou talvez achou que era uma espécie de compensação pelo o que havia passado antes. - James estalou a lingua algumas vezes. - La fora, ninguém vai te dar as coisas de mão beijada e se parece fácil, desconfie.

- Bem, a sua armadilha infernal me deixou bem ciente disso. - Apesar da frase, ela sorria.

James deu alguns passos para trás e foi até a sua bolsa, pegando a varinha. Qual era a dele em deixar a varinha tão longe sempre? Será que era um requisito para os monitores de duelos, para evitar que algum monitorado dissesse que foi atacado?

Com alguns acenos aqui e ali, a estrutura desapareceu, deixando assim a sala em seu tamanho e espaço normais.

- Certo, Evans. Considerando os seus interesses nessa monitoria, eu queria começar com um feitiço bem especial e muito importante que pode salvar a sua vida lá fora. Quando aprendemos em DCAT, eu lembro de ver apenas um fleche de luz seu. Hoje eu quero ver se conseguimos algo mais firme.

- Ah droga.

Ele estava falando de um patrono.

- Qual o problema? - James perguntou, curioso pela exclamação dela.

- Se estamos falando de um patrono…

- Estamos sim. - Ele levantou uma sobrancelha.

- Eu consegui conjurar apenas um patrono corpóreo antes. Não foi durante as aulas que tivemos sobre, mas no quarto enquanto eu treinava. E algumas semanas depois...

Se calou e respirou fundo. Algumas semanas depois, ela havia perdido os pais e, desde então, não conseguira conjurar novamente. James pareceu entender o que se passava, já que podia ligar o período que eles tiveram as aulas sobre patrono e o período que os Evans faleceram.

- Se você não quiser, podemos deixar para outro dia.

- Não, não. - Ela se apressou para responder. Não podia ficar fugindo daquilo e nem teria sentido, na verdade. Hoje em dia se sentia melhor e mais forte do que na época, sem contar que esse feitiço era muito importante para o que ela queria e precisava. - Vamos fazer isso.

Tentando inútilmente esconder sua expressão de pesar e culpa - culpa por ter tocado em um assunto que remetia ao falecimento de seus pais -, James assentiu.

- Me avise caso queira parar. - Disse ele e apontou para o meio da sala. Tirando a varinha do bolso, ela se postou onde James havia indicado. - Eu sei que você sabe como fazer, então tome o seu tempo.

Ele recuou até o canto da sala onde estava dormindo antes.

- Você vai dormir enquanto isso? - Ela perguntou com humor.

- Não. Agora que eu tenho você na minha frente, eu acho bem difícil.

O que aquilo significava, por Merlin?

- Eu acho bem difícil dormir na presença da professora McGonagall e eu tenho a leve impressão que eu o vi dormindo ontem durante a aula de Transfiguração.

James riu.

- Eu poderia me defender, mas eu acho melhor não comentar. - Soaria muito como uma cantada barata caso ele dissesse sobre as diferenças entre McGonagall e Lily Evans e o quanto e como cada uma lhe tira a atenção quando presente.

Lily deu de ombros e voltou seu foco no feitiço, era a coisa mais inteligente a se fazer naquele momento, na opinião dela.

- Expecto Patronum!

Ela sabia que seu patrono era uma corsa, pois ela o viu claramente na primeira vez que o conjurou, então aquele animal de formato um pouco bizarro lhe era familiar, mas tinha certeza que para James, era apenas um monte de luz junta com pernas finas. O patrono sumiu e Lily se virou para ele.

- Quase lá, Evans. Eu vi pernas e quase um corpo, o que é ótimo. - James sabia que ela não conjurou um patrono corpóreo, porque falaram, ainda que por cima, sobre seus pais e aquilo iria perturbá-la um pouco. Se não fosse por isso, Lily Evans teria um patrono correndo pela sala naquele momento, ele tinha certeza. - Quer tentar de novo?

Lily assentiu e lançou o feitiço novamente. Dessa vez, estava ainda melhor, mas as pernas e um pouco do tronco da corsa eram as únicas coisas reconhecíveis.

- Urgh! - Lembrava como se sentiu frustrada durante a primeira aula de patrono na época e era uma das razões dela treinar sozinha quando podia.

- Não seja dura com você mesma, Evans.

- Diz o cara que conseguiu conjurar um patrono corpóreo na primeira aula.

- Você não sabe o quanto eu treinei antes de chegar naquele resultado. - Ele se desencostou da parede e se aproximou. - E como foi difícil encontrar o pensamento feliz perfeito. - James a olhou como se lhe enviasse uma mensagem.

- Eu tenho um pensamento bem forte e feliz para isso. - Ela respondeu a indagação silenciosa dele.

- Posso fazer uma pergunta delicada?

- Claro.

- Esse pensamento tem a ver com os seus pais?

Os olhos verdes piscaram algumas vezes, um pouco perdidos.

- Sim.

- Eu não estou dizendo que não é um pensamento feliz ou forte o suficiente, mas nossas vidas mudam. - Ele parou em sua frente. - Você, talvez, tenha criado um patrono corpóreo antes com esse pensamento, mas a sua vida mudou desde então. Outras coisas aconteceram, coisas tristes, mas também coisas felizes. - Ele a fitou por um momento, antes de continuar. - Quando eu comecei a treinar o patrono, meu pensamento era o meu avô, Henry Potter - James sorriu com alguma lembrança. - Eu o adorava. Nós passamos muito tempo juntos antes de eu entrar para Hogwarts e ele tinha as melhores histórias sobre tudo. Foi de um alto cargo na Wizengamot, a Suprema Corte dos Bruxos e ele adorou chocar a todos por lá por sua posição e opiniões, assim como eu adoro saber que ele tomou aquela posição contra tantos bruxos poderosos. Eu sou quase um espelho dele em relação a comportamento e bem diferente do meu pai, então éramos muito mais próximos. Para mim, ele era o cara mais legal do mundo.

- Eu acho que já li algo sobre ele em um livro sobre a Wizengamot. - Lily comentou.

- Você leu um livro sobre Wizengamot? - O choque de James era enorme, fazendo-o engasgar, levando Lily a rir.

- Bem, eu vivo neste mundo agora e eu preciso saber como as coisas funcionam. - Ela deu de ombros, como se fosse óbvio. - Se você fosse viver no mundo trouxa, eu recomendaria ler sobre o parlamento inglês, a família Real e tudo que envolve isso.

- Justo! - Ele concordou. - Ainda que soe terrivelmente entediante. Talvez eu pediria algumas aulas com você.

- Eu posso te dar as aulas, se quiser.

- Ah! Não, obrigado. - A recusa foi rápida. - Não por ser você a me explicar, mas…

- Foi uma piada, Potter. Relaxa. - Ela deu um tapa no braço dele. - Mas você dizia sobre o seu avô e o pensamento feliz...

- Sim. Bom, ele faleceu quando eu estava no meu primeiro ano. De alguma maneira, mesmo ele não estando mais por aqui, o pensamento sempre foi forte e feliz o suficiente para que, durante os treinos de patrono que os marotos faziam, eu conseguisse quase um patrono corpóreo, mas isso durou até o quinto ano.

- Eu sinto que eu deveria estar perplexa por vocês estarem treinando feitiços avançados tão cedo, mas acho que essa fase de perplexidade da minha vida já passou. - Ela balançou a mão no ar. - Continue, por favor.

- No quinto ano, algo muito grande aconteceu e eu nunca estive mais feliz na vida.

- O que aconteceu? - Ela perguntou interessada, tentando pensar em algo de diferente naquele ano, mas além daquela briga estúpida com Severus, não conseguiu pensar em mais nada.

- Se eu te contasse, eu teria que matá-la depois. - Ele sorriu. - Mas foi algo grande, que durou anos de muito estudo e uma longa, complexa e complicada preparação.

- Você não está ajudando a minha curiosidade, Potter.

- Desculpe, mas isso é um segredo maroto. - Por um momento, James pensou que se um dia conseguisse namorar com Lily, talvez ele contaria sobre ser um animago ilegal. Na verdade, ele confiava nela o suficiente para contar mesmo estando naquela situação atual, mas saber sobre a ilegalidade de um animago poderia ser um fardo, pois ter aquela informação e não denunciar, era tão ilegal quanto. - Um dia, talvez. - Ele disse.

Porque ele esperava que seus planos dessem certo e, um dia, Lily gostaria dele o tanto quanto ele gosta dela, a ponto de estarem juntos e carregar um segredo dele.

- Espero que não demore muito, então. - Ela respondeu.

- Eu também! - Lily franziu a sobrancelha para ele e James viu a oportunidade de continuar a falar sobre o patrono antes que ela perguntasse o que ele quis dizer. - Então, resumindo toda essa conversa, o que eu queria dizer é: talvez você tenha que encontrar algo novo para usar para o seu patrono. Talvez um pensamento que ainda envolva os seus pais, mas algo diferente do que vinha utilizando. Ou algo novo que aconteceu em sua vida desde então, ou até mesmo algo antigo, mas que hoje em dia tem um significado diferente para a Lily Evans de dezessete anos, Monitora-Chefe e no sétimo e último ano de Hogwarts.

Não achava que era o cara mais inteligente do mundo, mas ficou feliz ao ver que suas palavras pareciam fazer sentido para ela de uma maneira que fez Lily desviar os olhos para a janela e assentir, mergulhada em pensamentos.

- Hm! - Ela soltou bem baixo, como se concordasse com algo que pensasse.

- Vamos fazer o seguinte: acabamos por aqui hoje e você terá tempo para pensar melhor sobre isso. No dia que quiser trazer o patrono de volta para a aula, nós o faremos.

- Então não será na próxima aula?

- Apenas se quiser. Que tal você me surpreender? - James sorriu de lado.

Ah, James Potter! O quanto eu gostaria de surpreendê-lo não está escrito em nenhum livro de nenhuma biblioteca deste mundo, pensou Lily.

- Com um patrono corpóreo?

- Com ele ou com qualquer outra coisa. Você escolhe e teremos a nossa próxima monitoria um pouco "às cegas". Pensamento ágil e habilidades para se adaptar ao ambiente e situação também fazem parte da sobrevivência.- James foi até a mesa e pegou a bolsa, jogando no ombro. Ele se virou para ela, uma expressão marota estampada em seu rosto. - Vamos agitar um pouco isso, Evans. O que acha?

Foi a vez de Lily sorrir de lado.

- Acho que terá que ativar o seu modo sobrevivência, pois eu não estarei vindo leve, James Potter.

James se aproximou, bastante aliás, e respondeu baixinho.

- Eu estou contando com isso, Lily Evans!

Eles se encararam firmemente, cada qual com seus pensamentos pouco inocentes.

- Ótimo! - Lily finalmente respondeu e quebrou a conexão entre eles, pegando sua bolsa.

James foi até a porta e a abriu, mas antes de saírem, ele deu uma olhada para fora e pelos dois lados do corredor. Sem sinal de Gideon Prewett dessa vez.

- Salão Principal? - Ele perguntou quando saíram.

- Sim.

Então, finalmente, James pôde acompanhar Lily para o jantar sem interferências corvinas.


Marlene tinha os braços cruzados, bem firmes, enquanto encarava além da janela do dormitório feminino da Grifinória. Depois do jantar e com a ajuda de Alice, Lily conseguiu arrastar Marlene para uma conversa séria. Desde sua conversa com Gideon na segunda, Lily tentou achar um jeito de falar com a amiga, mas foi driblada todas as vezes.

- E então? - Lily perguntou, de pé em frente da amiga, depois de um longo monólogo. Alice estava logo atrás da ruiva.

- O que você quer que eu diga a mais? - Marlene perguntou.

- Que vai falar com Fabian. - A ruiva respondeu. Marlene revirou os olhos e Lily se aproximou, sentando-se ao seu lado. - Lene, ele foi tão bom com você, vocês eram felizes. Independente do que você sinta agora, ele merece uma atenção, não acha?

- Se ele tivesse sido um idiota, eu super te apoiaria em ignorá-lo e tudo mais, mas qual foi o crime dele? Gostar de você? - Alice perguntou.

Marlene se levantou e se afastou das amigas, os braços ainda bem cruzados, apenas mostrando o quão fechada e sem vontade ela estava com toda aquela conversa.

- Eu…- ela começou e parou para respirar fundo, antes de continuar. - Eu não quero magoá-lo.

- Você está magoando-o. - Lily frisou.

- Não, eu digo que não quero olhar nos olhos dele e dizer tudo o que tenho que falar.

- Por que não? - Alice perguntou, confusa.

- Porque eu não tenho coragem. Ok? Era isso que vocês queriam saber? Eu não tenho coragem de chegar nele…- Marlene se aproximou das amigas, encarando-as. - ...e ver o coração dele se quebrando na minha frente, mostrando que eu sou responsável por isso.

As duas amigas não sabiam o que responder de imediato, tendo em vista aquela novidade diante de seus olhos. Marlene sempre fora alguém alegre, extrovertida e de conversa fácil, com bons conselhos, pronta para ajudar a todos, direta sobre o que queria e de um coração enorme, ainda que fosse dura na queda.

A garota também já havia tido outros romances em Hogwarts anteriormente, onde nunca havia chegado naquele ponto de fugir das pessoas.

- Lene, você está magoando-o muito mais agora do que se você conversasse com ele. - Alice começou. - Neste momento, ele está pendurado em uma corda, sem saber o que está acontecendo, sem saber se desiste e passa pelo momento de dor ou se continua insistindo e luta por vocês.

- Isso dói muito! - Lily confirmou, assentindo.

- Eu sou uma idiota, eu sei. - Marlene abaixou a cabeça.

- Você não é idiota. Apenas confusa. Eu tenho certeza que se você soubesse que não queria mais ficar com ele, não estaria fugindo do momento da conversa e de quebrar o coração dele.

- Isso é verdade. - Alice concordou.

Marlene não negou e nem confirmou. Mas para Lily e Alice, o silêncio soava mais como uma confirmação do que qualquer outra coisa.

- Diga a realidade para ele. Vai doer menos do que esse pega-pega.

- E qual é a realidade? Eu não sei. - Marlene disse como se, finalmente, conseguisse colocar aquilo para fora. - Eu adoro Fabian, eu adoro estar com ele, mas...algo está faltando. Não existe aquele frio na barriga, aquela vontade louca de vê-lo a toda hora, de beijá-lo até ficar sem ar…

As duas amigas apenas encaravam Marlene descascando a paixão em frente de seus olhos. Ambas sabendo exatamente do que ela falava, mas Lily não iria abrir a boca e dizer qualquer coisa sobre aquilo, então iria deixar para Alice e sua experiência com Frank dar um passo à frente.

- Lene, você está dizendo, então, que não está apaixonada por Fabian. - Alice disse o óbvio.

- Eu imagino.

- Então não vale a pena deixá-lo esperando por um feitiço que não existe. Fale com ele.

- Por favor. - Lily pediu.

- Mas se eu não falar com ele e nem procurá-lo, ele não entenderia a mesma coisa?

- Isso é maldade, não é maduro da sua parte, ele pode ficar pensando em se arriscar em te ter de volta e você é mais do que tudo isso. - Alice finalizou após enumerar nos dedos. - Quer mais um motivo?

- Não. - Marlene respondeu a contragosto.

- Ótimo. Essa semana, você fala com ele. - Lily decidiu pela amiga. Alice assentiu, concordando.

- Mas já? Assim, tão rápido?

- Marlene! - As duas grifinórias disseram em uníssono.

A garota ficou resmungando e cruzou os braços, claramente infeliz com a conversa. Lily revirou os olhos e conferiu o relógio. Tinha que resolver um problema trouxa ainda hoje, ou tentar, pelo menos.

- Eu tenho que ir. Eu tenho ronda com Remus logo mais. Eu vejo vocês amanhã.

- Até amanhã, Lils. Boa ronda. - Alice se despediu.

Marlene apenas bufou, o que fez Lily sorrir. Aquilo significava que haviam atingido o objetivo com a amiga.

Saiu do dormitório, seu antigo dormitório, e começou a descer as escadas. Na unção entre as escadas do dormitório feminino e masculino, ela viu Remus subir rapidamente, provavelmente indo até o próprio quarto. Sabia que todos os dias, após o jantar, Remus subia e pegava um chocolate de seu malão, mesmo tendo comido sobremesa, portanto sabia que o amigo não demoraria tanto para descer, já que ouvia as vozes de James, Sirius e Peter na sala comunal, assim como outros alunos.

Ela podia os ver dali, pela abertura na parede que dava para a sala comunal, conversando. James ainda parecendo miseravelmente cansado.

Som de passos a fizeram acordar e olhar para as escadas do dormitório masculino e viu Remus descendo, como previra. O maroto a viu ali, parada e franziu o cenho.

- Remus...eu poderia falar com você um instante?

Remus revirou os olhos, quando se aproximou.

- Lily, eu sou seu amigo. Por que você pergunta se "poderia"? - Ele sorriu. - Claro que você pode falar comigo por instantes ou horas.

A ruiva sorriu, agradecida. Se sentia um estorvo tão grande com Petúnia durante as férias de verão, que às vezes esquecia que agora estava rodeada de pessoas boas e que gostavam dela.

- Desculpe. - Ela colocou um pouco do cabelo ruivo atrás da orelha. - Er...eu queria pedir um favor, na verdade. - Ela o olhou rapidamente, antes de desviar o olhar. - Você é um maroto e eu acho que não teria pessoa melhor para me ajudar com isso.

- Ok. - Ele disse, se recostando na parede, curioso.

- Você poderia me dizer uma passagem secreta para Hogsmeade?

As sobrancelhas de Remus subiram muito alto em sua testa com a surpresa.

- Você quer ir para Hogsmeade fora do horário e dos dias de visita, Monitora-Chefe?

- Eu sei, eu sei. Eu não tenho outra escolha. Eu preciso enviar esta carta para Londres, porém...eu tenho que enviar de um jeito em que a pessoa não receba por uma coruja, entende? Ou não por uma coruja não treinada.

- Certo, você quer ir até os correios de Hogsmeade, porque eles podem fazer a entrega de um jeito trouxa. - Remus disse, compreendendo. - Você quer ir agora? - Remus perguntou, olhando o relógio em seu pulso. - Os correios estão fechados.

- Sim, eu sei, mas talvez eu conseguiria achar o dono pelo vilarejo?! Uma vez eu o ouvi dizer que jantava no Cabeça de Javali todas as noites e ficava até tarde lá.

- Você nunca chegaria antes dele terminar o jantar. Além do mais, eu não acho que seria uma boa ideia você ir sozinha para Hogsmeade tão tarde.

Lily respirou fundo e se recostou na parede, ao lado dele.

- Eu preciso tentar. Eu não terei tempo amanhã.

- Eu disse que você não chegaria a tempo. Eu conheço quem poderia. - Remus abriu o sorriso e esticou sua mão em sua direção. - Me dê a carta, Lily. Ela será entregue e do jeito trouxa.

- Remus, eu não quero dar trabalho para ninguém.

- Não será trabalho. Vamos, Lily...os minutos estão passando.

Sentindo que estava incomodando, mas sabendo que não havia outra solução, ela entregou a carta para Remus.

- Agora vá descansar um pouco, Monitora-Chefe. Você merece e eu preciso da minha Monitora-Chefe bem atenta durante a ronda.

- Aqui! - Ela disse, lhe passando alguns sicles. - Eu preciso pagar pelo envio. Obrigada, Remus.

- Os marotos sempre às suas ordens, Lily Evans. - Ele dizia enquanto descia o último lance de escada, em direção a sala comunal.

Ela o assistiu de seu lugar quando Remus se aproximou dos marotos e começou a falar com eles. Viu quando Peter deu de ombros e voltou sua atenção para um livro, mas Sirius e James continuaram a prestar atenção em Remus. Os dois morenos olharam para seus relógios ao mesmo tempo e Sirius disse alguma coisa. Remus deu de ombros, respondendo. No mesmo instante, James tirou a carta das mãos de Remus e se levantou, dizendo algo, porém Sirius também se levantou e arrancou a carta das mãos do Monitor-Chefe e o empurrou levemente, dizendo algo, parecendo bravo com James. Quando Remus lhe ofereceu os sicles, Sirius apenas revirou os olhos e ignorando Remus, apenas deu a volta no amigo e começou a ir em direção à saída da sala comunal.

Lily tinha a impressão de que teria que agradecer e muito Sirius Black mais tarde.


- Hey caras. - Remus disse quando se aproximou dos amigos, tendo a atenção dos três. - Eu preciso de quatro patas velozes.

Peter, sabendo que não era o caso dele, voltou sua leitura.

- Para…? - Sirius perguntou preguiçosamente.

- Ir até os Correios de Hogsmeade.

Os dois morenos conferiram a hora.

- Mas está fechado. Você não pode usar sua própria coruja? - Sirius voltou a perguntar.

- Aparentemente a coisa é urgente sim e precisa ser entregue de uma maneira trouxa. O dono dos Correios janta no Cabeça de Javali todas as noites e acredito que faria esse favor. - Remus bateu a carta na mão três vezes. - É para Lily.

James tirou a carta das mãos do amigo e se levantou.

- Eu sou mais rápido!

Sirius arrancou a carta das mãos de James.

- Não seja idiota, Potter. Você não vai cancelar a sua reunião com Bell e ir até Hogsmeade correndo igual um cervo tapado. Eu vou.

- Você vai precisar pagar pelo envio…- Remus esticou a mão com os sicles de Lily, mas Sirius bufou e revirou os olhos, ignorando o dinheiro e saindo da sala comunal.

- Idiota! - James disse se jogando de volta na poltrona e fechando os olhos.

- Quando será sua reunião com Bell? - Remus perguntou sentando-se na frente do amigo.

- Em alguns minutos. Será na sala dos monitores-chefes. Não posso fazer aqui e nem na sala dos monitores, para evitar plateia. - James esfregou os olhos com uma mão sem nem tirar os óculos, cansado. Cansado daquele assunto e cansado, cheio de sono. - Eu não vou descer para jantar hoje, então não esperem por mim.

Criando coragem, ele se levantou.

- Lily está aqui e tenho uma ronda com ela mais tarde. - Remus avisou. Quando James abriu a boca, Remus já respondeu antes do amigo perguntar. - Obviamente eu vou acompanhar Lily até o dormitório de vocês depois.

- Ótimo. - James deu dois tapinhas no ombro do amigo. - Eu te vejo amanhã, Moony. Até amanhã, Wormtail.

Peter acenou para James, que saiu da sala comunal arrastando os pés. Só queria que aquela reunião fosse rápida, apenas isso. Tinha que ter em mente que Eric Bell não mandava no time e que se ele estivesse insatisfeito, poderia desistir da vaga, ajudando-o ainda mais na tarefa. Acenou para um ou outro aluno e teve que parar para orientar um corvino primeiranista perdido.

Ao chegar no seu destino, se deparou com Bell já esperando-o em frente. Conferiu o relógio e viu que estavam cinco minutos adiantado. Perfeito.

- Boa noite, Bell.

- Noite, capitão. Você queria falar comigo? - O infeliz soava solicito e inofensivo. James conhecia aquele jogo.

- Sim. Entre, por favor. - James murmurou a senha do quadro e apontou para o batedor entrar.

Não julgaria Eric Bell por estar curioso e olhar ao redor. Ele mesmo tinha curiosidade sobre aquele aposento antes de ser monitor-chefe e ainda que tenha saído uma vez no ano passado com a monitora-chefe da época, uma lufana, ele nunca tinha entrado ali.

- Então é aqui que você e Lily dormem, hum?

- Monitora-Chefe Evans ou Evans! - Ele o corrigiu. - Eu duvido que você tenha qualquer intimidade para chamá-la pelo nome.

- Não ainda.

Eric Bell não estava sendo solícito mais e nem se ajudando com aquela conversa.

- Eu te chamei aqui sobre a vaga. - James resolveu ir direto ao assunto antes de desistir de oferecer uma chance para ele e colocar a Lula-Gigante em seu lugar.

- Eu imaginei. Muitas pessoas se candidataram e eu pensei que você me ofereceria a vaga discretamente.

- Não é essa a razão exata.

Agora ele via o real desespero no rosto de Bell. James quase conseguia ver a máscara de tranquilidade do grifinório cair e mostrar o que realmente estava sentindo em relação aquela conversa desde o começo.

- Eu estou fora?

- Não. Ou não ainda.

- Potter, você não pode. Eu sou o melhor batedor desta escola.

- Primeiro de tudo: sim, eu posso, se eu quiser. Não se esqueça que eu sou o capitão e eu posso fazer o que eu quiser neste time. - James se recostou na mesa e cruzou os braços. - Segundo: você não é o melhor batedor de Hogwarts, apesar de estar no top 3, com certeza. Terceiro e não menos importante: me deixe falar o que eu preciso falar, assim você estará livre mais rápido para fazer o que quer que tenha para fazer e eu para dormir.

Eric apenas se ajeitou em seu lugar, querendo muito responder, mas ele sabia ser esperto quando precisava. James apreciou isso, pensando que poderia ser de grande ajuda.

- Você sabe que está tendo uma revolta sobre…

- Ah, fala sério. Vamos mesmo voltar nisso?

- Bell! Você quer terminar essa conversa ou não? - James perdia a pouca paciência que tinha agora. Estava louco para deitar e dormir. - Se eu quiser encurtar esse papo, eu posso falar que você está fora e não te dar nem uma chance.

- Não, tudo bem. Eu não vou te cortar de novo.

- Ótimo! - James soltou todo o ar que tinha. - Eu fiquei com essa revolta das garotas nas mãos desde o fim de semana. Você sabe o quanto isso me deu dor de cabeça? - Quando viu que Bell iria falar algo, o maroto rapidamente continuou. - Foi uma pergunta retórica. Continuando, eu tive uma reunião com elas e depois de conversar e pensar, eu cheguei a uma decisão.

- Eu posso me defender depois de você falar algo?

- Não há do que se defender. Na verdade, não há defesas pelo o que vem fazendo.

- Eu não faço nada demais.

James se desencostou da mesa e se aproximou do batedor. Ele era muito mais alto do que Bell, então não precisou fazer mais do que isso para que Bell levantasse as sobrancelhas com receio.

- Eu já escutei muita merda que falou, porque você nunca fez questão de esconder, não é? Não foram aquelas garotas que me falaram o que anda fazendo, eu já ouvi por mim mesmo. Eu não sou seu pai e muito menos seu tutor, então não é meu dever cuidar de você ou te colocar na linha como um homem correto, mas eu sou o capitão do time e eu posso escolher ter alguém com a sua fama suja ou não.

- Mas…

- Então…- James continuou, ignorando que ele tenha tentado dizer algo. - … o fato de você ser bom em Quadribol não ajuda e eu posso e vou te oferecer a vaga. - Os olhos de Bell suavizaram. - Com uma condição!

Eric deu um passo para trás.

- Condições para entrar no seu time? Isso é brincadeira?

- Não, não é. Pegar ou largar.

- Potter, isso é ridículo.

- "Largar", então?

- Eu quero me tornar jogador profissional. Como eu poderia ter uma chance se eu não jogar em Hogwarts?

- Se comportando desse jeito, você nunca conseguirá uma vaga no time profissional. Eles controlam e têm cuidado ainda maior com a reputação dos jogadores, você sabe disso. Jogadores muito melhores já foram expulsos e caíram no esquecimento por menos.

Eric respirou fundo, sabendo que não tinha como argumentar com aquele fato.

- Qual a condição?

- Um simples e sincero pedido de desculpas.

Uma risada abafada foi a resposta.

- Desculpas pelo o que? Para quem?

- Eu desisto. - James jogou as mãos para o alto. - Você está fora do time.

- Não, não. Espera, espera. - Eric pediu. - Espere. Pedido de desculpas para as garotas? Para Hugh? Eu peço. Não tem problema, eu…

- Pedido público, na sala comunal. Você pode criar o seu texto, mas será corrigido por nós.

- Isso é ridículo.

- Bom... você não é obrigado. Foi muito bom ter essa conversa em menos de cinco minutos. - James ia até o quadro para abri-lo e mandar Bell para fora.

- Potter, espera.

O grifinório abaixou a cabeça e colocou as mãos na cintura, pensativo. James esperou que a divindade lhe fornecesse uma luz. Bell era um idiota, mas teria que dar o seu tempo para pensar no que fazer, era mais do que justo.

- Eu aceito. - Eric disse muito contrariado.

- Boa escolha. A vaga é sua até eu não mudar de ideia.

- Você poderia mudar de ideia mesmo com o meu pedido de desculpas público?

- Você acha que vai pedir desculpas e eu vou continuar aceitando o seu comportamento fora de campo? Uma escorregada sua, Bell, e você está fora. Um pequeno deslize seu novamente sobre isso e você não verá a cor do vestiário do time. Se você não aprender depois de ter que arcar com as consequências, eu realmente não sei qual será o seu futuro.

De saco cheio de toda aquela conversa e do assunto, James abriu o quadro como um singelo convite para que Eric saísse, o que não passou despercebido.

- Quando eu terei que fazer esse pedido de desculpas?

- O mais rápido possível. No fim de semana, provavelmente.

- Ok.

E assim o "por enquanto" batedor da grifinória saiu e James fechou a porta com um pouco mais de força.

- De nada, inclusive. - Disse para o vazio.

Se jogou no sofá e dormiu em menos de dois minutos.

L~J

- Não!

Lily se virou para Remus, surpresa.

- Remus!

- Lily, seja razoável. Imagina o que pode acontecer com você supervisionando a detenção de Macnair, Dolohov e Mulciber?

Os dois grifinórios estavam na ala leste do castelo agora, em uma ronda que estava tranquila até o momento. Nenhum casal em armários de vassouras, nenhum aluno correndo entre a sala comunal e qualquer outro canto do castelo e o vento que entrava pelas janelas era bem recebido, já que uma caminhada pelo castelo todo era cansativo e terrível de se fazer durante o calor. Não que fizesse realmente calor na Escócia naquele momento, mas ainda estavam no final do verão.

- Eles não poderiam fazer nada, já que todos saberiam que estaremos juntos. Sem contar que eu não quero fugir, Rem. Eu não posso ficar desviando meu caminho ou as minhas responsabilidades só por eles serem o que são.

- Lily, você está se ouvindo? Eles são Comensais, isso temos certeza, e eu duvido que o fato de outras pessoas saberem sua localização e com quem, os impediriam de fazer algo.

Lily deu de ombros.

- Eu gostaria de treinar minhas habilidades de duelo.

- Você tem monitoria de duelos para isso.

- Potter não está duelando comigo. - Ela respondeu com um bico.

- Porque ele deve ter seus motivos. A monitoria não é para se atacarem até alguém não levantar mais. Se esse fosse o intuito, seria apenas clube de duelos.

Ela bufou irritada, mas não com o amigo.

- Para isso servem as detenções com sonserinos Comensais. - Ela respondeu baixinho.

Remus jogou as mãos para o ar.

- Eu me sinto falando com James e Sirius. Por que ninguém me escuta? Não é como se eu falasse besteiras o tempo todo.

- Pare de reclamar. Você é o melhor. - Lily abraçou Remus de lado. - O que seriam das minhas rondas sem você?

- Maléficas, provavelmente. Você estaria arrastando um pobre coitado até a sala comunal da Sonserina, invadindo-a e atacando uma galera por lá.

Ela deu uma risada gostosa e o apertou mais, soltando-o depois.

- Eu gosto de alguns sonserinos. Não são todos malvados.

- Eu sei. - ele concordou. - Eu acho que esses bons sonserinos deveriam se destacar mais, porque os idiotas se destacam bastante.

- Tem razão.

Eles caíram em silêncio, prestando atenção nos vários corredores que teriam à frente, tentando ouvir ou ver algo.

- Falando em idiotas que se destacam, como está a vida com James no dormitório? - Lily não resistiu a lançar uma olhada e uma risada de deboche.

- Bem. Ele é limpinho, como você disse e não bagunça muito. Eu não sei como é o quarto dele, mas quem sou eu para julgar? Eu tenho algumas coisas esparramadas por aqui e ali também.

- E a convivência em si?

Lily parou para pensar um pouco. Era uma tortura, as vezes, mas não no sentido ruim da coisa. Todas as manhãs e noites - se estiver no quarto -, ela continuava ouvindo o chuveiro e se lamentando, o que ela não entendia já que todos tomavam banho e James não era uma exceção. Ela só tinha que parar de pensar nele no banho enquanto ele estava, de fato, tomando banho. Não pegou James em trajes indecentes até o momento e nem o contrário, o que achava uma vitória. Vitória essa que não queria cantar tão cedo, já que estavam ali há menos de uma semana.

- Harmoniosa. - Respondeu finalmente.

- Hm.

- Ele te disse algo? - Lily se virou rápido para ele. - Reclamou de mim ou…?

- Não, não. De maneira alguma. Não ouvi nenhuma reclamação.

- Talvez tenha reclamado para Black. - ela disse, pensativa.

- James não reclamou de você em momento algum, Lily. Ele está tão contente quanto você.

- Será? - James não deveria estar se torturando com os banhos dela. Nem deveria ouvir, na verdade.

- Você está muito cabeça dura hoje.

- Eu sempre sou.

Remus se limitou a assentir, o que o fez ganhar um tapa no braço.

- De qualquer maneira, eu vejo uma boa progressão entre vocês. Eu fico feliz.

- Obrigada, eu acho.

- E algo que eu posso confirmar: James também está feliz com essa guinada entre vocês.

- De verdade?

- Ele, com certeza, não estava feliz com as brigas, esnobadas e foras de antigamente, eu garanto.

- Honestamente, eu também não. É muito cansativo ter esse tipo de relação com alguém, todo o estresse e mágoa. - Lily parou de falar, sendo levada para a Sonserina e Severus. Gostaria de dizer que estava livre daquele tipo de relação com alguém, mas não era verdade. O que acontecia entre ela e James e o que aconteceu entre ela e Severus eram coisas incomparáveis, de graus e sentimentos diferentes, mas, de alguma maneira, com resultados parecidos naquele sentido de não deixá-la totalmentem em paz. Perdeu um amigo, um grande amigo, de uma forma que ela nunca pensou que aconteceria. E agora ganhou um outro amigo, mas que ela gostaria que fosse um pouco mais. - Eu estou feliz por onde as coisas estão indo.

- Que bom, porque eu acho que não tem como você voltar atrás. - Ele riu. - Uma vez que você entra no círculo dos marotos, você não sai mais. E se antes você já era uma protegida de James, hoje em dia não teria algo que pudesse te alcançar. E se alcançar, terá retorno mais do que imediato. - Lily se virou para Remus e diminuiu os passos. - E isso se estende para todos os marotos, você sabe.

- Rem…

- Não estranhe caso note James um pouco protetor no começo. Ele é assim com todos ao redor. Ele se preocupa demais e pode fazer loucuras para ajudar alguém.

Com isso, Remus continuou a caminhada com os pensamentos bem longe dali, como se estivesse caminhando pela "rua da memória" de sua amizade com James. Lily achou melhor não responder e tirá-lo das lembranças que devia estar tendo. Então apenas caminhou ao lado do amigo, que havia pego o caminho para o quinto andar, em direção ao seu dormitório.

- Está entregue, senhorita Monitora-Chefe. - Remus fez uma mesura exagerada.

- Você não precisava vir até aqui comigo.

- Ah, eu precisava sim. - Ele respondeu, parecendo se divertir com alguma piada interna. - Acho que nossa ronda acaba por aqui, mas se eu não me engano, teremos uma outra na semana que vem.

- Exato. Quinta-feira, eu acho.

- E eu acho que você terá uma com James nesse meio tempo.

Lily tentou disfarçar a reação sobre isso: a excitação, o nervosismo e uma certa ansiedade. Mas não soube se foi muito convincente.

- É, eu acho que sim. - Respondeu, olhando para as unhas.

- Eu tenho certeza que sim. Afinal, fui eu quem preparou as rondas, não? - Remus riu por um momento. - Até amanhã, Lily.

- Até amanhã, Rem.

Deu a senha para o quadro e entrou. Já estava tarde, então tudo muito quieto. Jogou sua bolsa em sua mesa e isso causou algum barulho no sofá perto da lareira. Se aproximando, seu coração deu um pulo ao ver James deitado ali, dormindo profundamente.

Por Merlin, se ela estivesse ali para atacá-lo, ele seria uma presa fácil.

E uma muito bonita.

Ele era um pouco grande para o móvel, então tinha uma perna cruzada embaixo do corpo e a outra perna apoiada no chão. Os cabelos, claro, uma bagunça e os óculos escorregando do seu rosto. Era a terceira vez naquela semana que o pegava dormindo aleatoriamente? Ele precisava urgentemente de uma revisão em sua agenda.

Talvez - e para a infelicidade dela -, seria melhor cancelar as rondas dele pelo menos no primeiro mês. Como ele iria aguentar aquele ritmo?

Se aproximou do sofá.

- Potter? - Chamou, mas muito baixo. - Potter?!

Ele apenas se remexeu, ficando ainda mais adorável. Droga, ela não precisava de mais incentivo com as suas imaginações.

- Potter! - Tentou mais alto. - Nossa, você está vivo, pelo menos?

Se aproximou, se abaixando ao seu lado e o tocou no braço.

- James?

O maroto se remexeu minimamente e os olhos se abriram lentamente. Por dois segundos, ele a encarou, mas talvez não realmente entendendo o que acontecia, porque no terceiro segundo James arregalou os olhos e Lily escapou por um triz de um feitiço da varinha do maroto que estava em uma das suas mãos.

A ruiva caiu sentada no chão e James sentou-se rapidamente no sofá.

- Evans! Você está bem? - Ele parecia muito preocupado, ajudando a levantá-la e colocá-la ao seu lado no sofá. - Me desculpe, eu não sei o que...Merlin, desculpe.

- Tudo bem, está tudo bem, eu não fui atingida.

Ela não estava entendendo nada. James não havia apontado para ela e nem parecia acordado o suficiente para lançar um feitiço. Era como se alguém tivesse lançado aquele feitiço no lugar dele, mas usando sua varinha.

- Eu não quis te atacar, eu juro.

- O que foi aquilo? Digo, eu sei que você não me atacou, mas…- Ela não terminou a frase, deixando a sua confusão estampada no rosto.

- Nada. Não foi nada. Digo, a varinha...às vezes dá problema. - Ele estava desconcertado e não fazendo muito sentido.

E foi ali, naquela sala, após quase ser acertada por um feitiço sem intenções de James, que ela descobriu que conseguia ler James Potter e saber que ele estava escondendo algo dela. Uma informação, ou um pedaço dela, ou apenas mentindo. Não havia sido a frase sem nexo, ou a quase gagueira para explicar, mas o seu rosto. Seus olhos não eram os mesmos de quando eles conversavam verdadeiramente.

- Algum problema? - Ela perguntou.

- Problema? Não, sem problema. Foi o susto, isso. - Aquilo soava tão estranho. Ela já havia tomado sustos com a varinha em mãos e não se recordava de lançar feitiços a torto e a direito por conta disso. - Como foi a ronda? - Ele perguntou passando a mão pelos cabelos. Aparentemente, o que quer que estivesse acontecendo, James não queria mais falar sobre.

- Normal. Boa, na verdade. Nada aconteceu e fiquei duas horas conversando com Remus.

- Ele te acompanhou até aqui?

- Sim, ele fez. - Ela cruzou os braços. - Por que estava dormindo aqui?

- As escadas pareciam infinitas quando cheguei. E esse sofá é confortável, então, por que não?

Lily estava pronta para responder, mas algumas batidas na porta os assustaram. Era a primeira vez que alguém aparecia por ali para chamá-los e pior, no meio da noite. A ruiva se levantou, mas James foi mais rápido e se apressou até a porta. Lily percebeu que ele tinha a varinha na mão.

- Sr Potter. - Era a voz de McGonagall. - Srta. Evans. - A professora a cumprimentou após ver Lily por cima dos ombros de James. Ela vestia um roupão bem longo e os cabelos presos de uma maneira diferente do que usava no dia a dia. - Que bom que estão acordados.

- Qual o problema, Professora? - Lily perguntou.

- Eu preciso de um de vocês como apoio, eu temo. Recebemos uma coruja sobre o falecimento dos pais de um terceiranista grifinório. - McGonagall engoliu em seco. - Por um ataque de Comensais. - Os dois Monitores-Chefes pararam de respirar. - E precisamos chamá-lo e avisá-lo.

- Eu vou. - James se prontificou imediatamente. - Eu vou apenas pegar o meu casaco.

Sem deixar ninguém responder, o maroto correu até as escadas e desapareceu.

- Um ataque? - Lily repetiu.

- Sim, querida. - A professora respirou fundo. - Às vezes, eu queria poder manter todos vocês por trás desses muros até essa guerra acabar.

- Eles precisam de nós lá fora.

- Oh Merlin. Mas são tão jovens… - McGonagall parecia responder Lily, mas falar consigo mesma ao mesmo tempo sobre algo que Lily não saberia dizer o que era.

- Estou pronto. - James vestiu sua capa da Grifinória e passou por Lily.

- Você precisa descansar. Eu deveria estar indo. - Ela tentou debater.

- Eu estou descansado. Você quem precisa descansar agora. - McGonagall se despediu de Lily e quando James estava pronto para segui-la, ele se voltou para a ruiva. - Eu sei que o que aconteceu foi fora do castelo e deveríamos estar bem seguros aqui, mas...lance alguns feitiços na sua porta do quarto antes de dormir, por favor.

Ele lhe lançou um sorriso triste e saiu.

Lily entendia o que ele estava sentindo e provavelmente McGonagall também. Algo havia acontecido lá fora, mas atingiu alguém muito perto deles, dando a sensação de que o perigo estava respirando em suas nucas.

Infelizmente aquele não era um caso isolado e nem uma enorme novidade, infelizmente. Não saberia contar quantos alunos perderam alguém da família nos últimos anos, quantas vezes ela não viu algum deles saindo da sala de aula aos prantos ou se ausentando por alguns dias. Ela mesma passou por isso, mas não por conta de um ataque de Comensais.

Se jogou no sofá e cobriu o rosto com as mãos. Até quando?

L~J

Vinte e quatro horas depois, quinta-feira, apesar de ter passado uma noite péssima com pensamentos sobre o que se passava do lado de fora de Hogwarts e o dia todo avoada durante as aulas e refeições, decidiu que havia dedicado muito tempo pensando em algo que ela não conseguiria controlar naquele momento. Infelizmente, Voldemort estava inalcançável naquele momento, então ela tinha que focar na sua vida ali.

E agora ela só conseguia pensar em uma coisa: ela era louca! Essa era a melhor explicação para o que Lily fez com ela mesma. Loucura.

Por que pegou aquela quantidade de aulas e aulas extracurriculares no sétimo ano quando era Monitora-Chefe?

E o clube de duelos ainda.

Quem poderia defendê-la quando ela sabia que teria tudo isso nas costas e, ainda sim, não pensou em conversar com McGonagall e replanejar seu curriculum? Agora já havia começado as aulas e não queria desistir como uma criança. Iria até o fim nessa escolha e iria ter ótimas notas nos NIEMs.

Ou não se chamava Lily Evans.

Ouviu a porta se abrir no andar de cima e estranhou. Era uma hora da manhã e James Potter estava se levantando? Depois de toda aquela louca semana em que dormiu em todos os cantos do castelo? Depois de ontem a noite voltar super tarde, quase dormir nas aulas novamente hoje, tirado uma soneca na mesa do Salão Principal durante o almoço e ter desaparecido em seu quarto depois do jantar?

Quando o mesmo apareceu, ele parecia tão confuso quanto ela. Tinha uma calça de pijama, uma camiseta branca de manga comprida com alguns dizeres sobre Quadribol que ela não conseguia ler de tanto cansaço e tênis. Ele também segurava uma capa nas mãos.

- O que está fazendo aqui? - Ambos perguntaram ao mesmo tempo, os fazendo rir logo depois. - Você deveria descansar, Monitor-Chefe.

- Sim, eu deveria, mas há coisas importantes que me impedem de dormir. Mas você aqui, fazendo lição? Eu pensei que nunca estivesse atrasada com elas. - James se sentou em sua frente de um jeito despreocupado, quase deitando.

- Bem, não quando estou no sétimo ano sendo Monitora-Chefe, NIEMs, aulas extracurriculares, monitoria de duelo e uma vida social para cuidar. - Ele balançou a cabeça, concordando. - E eu me sinto horrível de reclamar com você, pois a sua situação é mil vezes pior.

- São situações diferentes. - Ele deu de ombros. - Porém, de tudo o que você me disse, além da vida social, eu não ouvi nenhum prazer ou hobbies.

Aquela constatação foi como um tapa muito bem dado em Lily. Ele estava completamente certo! Quando a sua vida se tornou tão chata? Até ali, sua vida em Hogwarts havia sido um ótimo equilíbrio entre a vida acadêmica e uma boa vida social, incluindo alguns hobbies. Por que ela permitiu chegar naquele ponto agora? Não poderia fazer aquilo consigo. Tinha que viver, viver além da vida acadêmica.

- Está tendo uma epifania? - James perguntou, vendo que a ruiva havia partido dali e parecia desligada.

- E uma bem grande. Eu me deixei ser engolida por toda essa responsabilidade do sétimo ano, mas esqueci de que eu preciso viver mais do que isso.

James se levantou em um ímpeto.

- Então vamos fazer essa Lily Evans viver. - Ele ofereceu a mão. - E vamos começar agora.

Sem nem pensar na consequência ou imaginar o que ele estava propondo, Lily apenas se viu levantar a mão e aceitar a dele. O calor da mão dele na sua era um enorme conforto, o que a fazia pensar que só podia estar fazendo a coisa certa.

- Para onde vamos? - Perguntou quando ele a levantou da cadeira e a puxou para perto.

- Hoje começaremos pela cozinha. Eu estou morrendo de fome.

- Era para lá que estava indo?

- Sim. Você precisa se lembrar de se divertir e eu preciso me lembrar de comer mais durante as refeições.

- Poderíamos combinar de puxar a orelha um do outro. O que acha?

- Combinado!

- E como vamos despistar Filch e Madame Norris neste meio tempo? Qual desculpa de Monitores-chefes daremos se alguém nos pegar?

James olhou para o teto e respirou fundo, descrente.

- Ah, minha cara Evans. Você está mesmo perguntando isso para um maroto?

- Vocês já foram pegos em horário proibido antes. Qual seria a diferença agora?

- Bom ponto. - Ele admitiu. - Mas foram casos raros e estávamos despreparados. A quantidade de vezes que sai e a quantidade de vezes que fui pego não são compatíveis. E em boa parte graças a isso.

A capa que ele segurava foi desdobrada e assim como o tecido se desenrolou até o chão, o queixo de Lily acompanhou.

- Então é verdade. - Ela sussurrou ao grudar os olhos na capa de invisibilidade.

- Você sabia sobre a capa?

- Eu ouvi uma conversa entre Remus e Black uma vez sobre isso. Mas eu pensei que eles estavam tentando me pregar uma peça, já que eles não tomaram cuidado ao falar.

- Merlin! Eu imagino que quem falou sobre a capa foi Sirius. Remus nunca seria descuidado a esse ponto.

- Eu não vou abrir a minha boca sobre isso. - Ela levantou as mãos, não querendo se comprometer.

- Pelo menos foi você quem ouviu. - James deu de ombros. - Está pronta?

- Mais do que pronta.

Não estava acreditando que iria usar uma capa de invisibilidade. A Lily nascida trouxa estava gritando internamente, sem acreditar que mesmo após anos no mundo bruxo, ainda existiam coisas que a surpreenderiam. E tinha certeza que aquilo era só o começo.

- Quer experimentar primeiro? - Ele perguntou percebendo a agitação de Lily.

- Adoraria. - Os olhos verdes brilharam

James jogou a capa sobre ela, apenas sobre ela e sorriu. Lily ficou esperando, na expectativa de sentir algo, mas era como se jogasse um grande tecido em si, como um lençol. Nada mágico, nada de diferente.

- Você ainda está no mesmo lugar? - Ele perguntou.

- Sim. - Ela respondeu. Por um momento, não quis agir, pensando se não era uma brincadeira dele e que ela estava visível e fazendo um papel de idiota na frente dele.

- Você perdeu a oportunidade de me pregar uma peça? - James perguntou colocando a mão nos bolsos e olhando ao redor.

Sem responder, ela começou a se mover pelo cômodo, se distanciando dele. Como não teve resposta, James virou no mesmo lugar, tentando pegar algum indício dela pelo lugar. O que não demorou, pois ela bateu com a capa no tinteiro na ponta da mesa, acusando a sua localização.

- Erros de principiantes. - James anunciou. - Vamos ter que trabalhar nisso, Evans. Mas antes, eu adoraria comer.

- Você terá que me achar antes. - Ela disse sorrindo.

A expressão de desafio de James era encantadora. Tinha que se lembrar de desafiá-lo mais vezes.

Ele fechou os olhos por um momento. Lily tomou cuidado ao andar, evitando barulho de passos ou de trombar em algo, pois sabia que era isso que ele fazia: aguçando os ouvidos enquanto cortava o sentido de visão completamente. Não estava muito perto dele, mas também não muito longe. A intenção não era ficar uma hora ali nessa brincadeira, então ela tinha que ajudá-lo de alguma forma.

O silêncio era tão pesado, que os ouvidos dela pareciam tapados de alguma forma. De repente, James deu o bote em sua direção, mas ela conseguiu sair a tempo. A mão do maroto chegou a tocar o tecido.

- Estou perto.

Ela não respondeu, mas segurou a risada. Ou tentou, pois James deu um outro bote e, dessa vez, tendo sucesso. O maroto a abraçou pelos ombros, o braço bem firme passando por sua clavícula, fazendo a lateral de seus corpos colarem.

- Vencida por uma risada. - Ele disse em seu ouvido.

Lily não riu ou sorriu. A grifinória estava muito surpresa e sem reação com o abraço dele, mas longe ser algo ruim. Lentamente, o braço de James diminuiu o aperto, até ele segurá-la pelos ombros e tirar a capa.

- É muito estranho segurar alguém que não se vê. - Disse o maroto com um sorriso leve. - E eu também prefiro quando você está visível.

E sem aviso, ele passou a mão pelos cabelos rubros, mas quando o coração de Lily começou a palpitar loucamente, ela percebeu que James apenas abaixava os fios que se rebelaram quando a capa foi retirada.

Tentando se recuperar, ela limpou a garganta e sorriu.

- Na próxima, eu vou garantir não ser pega.

- Apostado. - Ele respondeu. - Vamos?

Ela concordou, sem querer privar aquele ser humano de comer por nem mais um minuto. Saíram pelo quadro e olharam para todos os lados, confirmando que o corredor estava livre. James resmungou algo ao seu lado, mas Lily só entendeu algo como "mapa" e "Wormtail".

- Espere. - James pediu, tirando um pequeno frasco do bolso com um líquido roxo e pulverizando- o pela capa.- Gatos não gostam de lavanda e Madame Norris foge toda vez que sente o odor.

- Esperto.

- Está mesmo surpresa que temos tática para tudo? - Ele perguntou com falsa ofensa.

- Bem, eu não estou surpresa por sua humildade.

James apenas riu, guardou o frasco e jogou a capa por cima de ambos.

Ah não, agora essa. Eles teriam que ficar grudados debaixo daquela capa. Como ela poderia sair dali sem cometer uma loucura? Dali até a cozinha, seria uma longa caminhada.

- Eu conheço uma passagem. - James sussurrou. Por Merlin, ele lia mentes?

Pegaram uma passagem que descia para o segundo andar mais rápido. Tiveram que parar e esperar pelas escadas se moverem. Droga, o cheiro dele estava por todo o lugar.

James Potter tinha um cheiro de limpo. Era quase como um cheiro de sabonete e de roupas limpas. Não sabia como explicar. Não era um perfume ou as próprias roupas recém-lavadas, mas vinha de sua pele...era o seu próprio aroma. Leve, bom e agradável.

E que estava por todo o lugar. Não que fosse surpresa, já que eles estavam mesmo grudados - seus braços um no outro, as pernas roçando ao andar -, mas era difícil.

Muito difícil. Mas poderia sentir aquele aroma o dia inteiro.

- Você...hmm…- Ele começou quando finalmente conseguiram descer as escadas para o primeiro andar e depois para o térreo.

- Sim?

- Voce usa algo com cheiro de baunilha, certo?

- Sim, por que? - Automaticamente, Lily levou a própria mão até o nariz e cheirou, querendo checar se o seu creme de corpo não estava muito forte - Está incomodando? Desculpe, eu passei um creme há meia hora…

- Não, não. Não se desculpe. É...um cheiro bom.

Sentiu suas bochechas corarem, ao mesmo tempo que começou a ter um mini ataque. Como ele falava sobre as mesmas coisas que ela pensava? Teria que se concentrar e pensar em banalidades, porque ela não ficaria surpresa se ele fosse um bom legilimens.

O que ela não sabia era que James apenas lutava contra as mesmas sensações. Quando se cobriram com a capa e se viu colado a ela, sabia que teria que pegar um caminho mais curto, mesmo que adorasse aquela situação. Não poderia colocar tudo a perder por simplesmente estar tão perto dela. Ou como o cheiro de Lily parecia hipnotizante.

Ele iria ter um treco antes de chegarem na cozinha se não acelerassem o passo. Então ambos ficaram aliviados e decepcionados quando chegaram no retrato que daria no destino final. James olhou para todos os lados e tentou ouvir passos ou movimentos por perto, mas eles pareciam completamente sozinhos, então tirou a capa de cima de ambos.

- Eu me sinto um pouco boba fazendo cócegas em uma fruta. - Lily murmurou, tocando a pêra e fazendo-a se contorcer. Uma maçaneta verde apareceu e ela rapidamente entrou, James logo atrás.

O lugar não estava tão barulhento quanto ela já conheceu, mas podia ver muitos elfos correndo de um lado para o outro, ingredientes voando por todo o lugar e a enorme lareira acesa. As quatro mesas correspondentes a cada casa estavam vazias e limpas, deixando a loucura do lugar ocorrer entre elas e pelas laterais.

- Sr. Potter, Sr. Potter.

James começou a ser rodeado por alguns elfos, os quais ele cumprimentou. Chegou a dar um "high-five" com um deles. Claro que ele era conhecido naquele lugar e ela não duvidava que todos os marotos fossem.

- O que podemos oferecer para vocês, senhor? Olá, senhorita. Seja bem-vinda. - Um elfo bem contente a cumprimentou, enquanto todos fizeram o mesmo.

- É a senhorita Evans. - Um deles disse, dando uma cotovelada no outro elfo. Lily o reconheceu da última vez que veio até ali com Marlene.

- Fixez? - Ela tentou se lembrar do nome do elfo. Ela não vinha na cozinha, para ser sincera, apenas uma ou outra vez, e Fixez havia sido um querido em ambas.

- Sim, a senhorita Evans se lembra de Fixez. O que gostaria? Um bolo de chocolate?

- Um chocolate quente seria ótimo.

- Fixez vai preparar imediatamente.

- Obrigada.

O elfo saiu pulando e animado pela cozinha. Lily se virou para o lado e viu James conversando com os outros elfos e sendo entregue vários sanduíches - e já comia um -, e suco de abóbora. O maroto se recostou na ponta da mesa correspondente à Lufa-Lufa, que era bem de frente para a enorme lareira. Ele se virou e a chamou para sentar-se ao seu lado, o que ela fez, mas sentando-se na mesa ao invés de apenas se recostar, deixando os pés balançarem no ar. Apesar de não fazer muito frio ainda, o calor da lareira era reconfortante.

- Eu vou sentir saudade disso. - James comentou enquanto encarava o fogo e voltava a devorar o sanduíche, cruzando os calcanhares.

- Apesar de não vir aqui sempre, eu acho que sentirei falta de poder fazê-lo.

- Eu te chamarei para mais lanches noturnos, se quiser. - Lily se virou para ele, assistindo-o devorar o primeiro sanduíche e partir para o segundo.

- Eu gostaria, obrigada. Espero que eu esteja tão faminta quanto você na próxima vez, assim eu não te deixarei comer sozinho. - Um sorriso leve brincava nos lábios dela. James engoliu rapidamente e deu um gole no suco antes de responder.

- Desculpe, eu estou sendo um sem educação?

- De jeito nenhum. Você está com fome, então coma e o tanto que quiser. Eu só gostaria de poder acompanhá-lo, mas estou sem fome.

- Aqui está o chocolate quente, senhorita Evans. - Fixez apareceu com uma caneca quase grande demais de chocolate. - Posso ajudá-la com algo mais?

- Obrigada, eu estarei bem apenas com esse chocolate.

O elfo fez uma mesura e saiu entre os outros elfos novamente, deixando-os sozinhos perto do fogo.

- Talvez um jantar. - James disse, levando o copo de suco aos lábios rapidamente até a boca.

- Hm? - Ela perguntou levando a caneca até os lábios vagarosamente, querendo testar a temperatura antes de virar o conteúdo.

- Na próxima vez, talvez eu a chame para um jantar ao invés de um lanche noturno. Você estaria com fome nessa hora, eu imagino.

A mão de Lily deu um solavanco, fazendo o líquido quente entrar em contato com seus lábios, os queimando. A ruiva quase deixou a caneca cair e a afastou da boca rapidamente.

- Você se queimou? - James perguntou se virando para ela, as sobrancelhas franzidas.

- Um pouco, está bem quente. - Ela disse, tentando disfarçar o choque com a frase dele e não com a queimadura na boca. Deu uma tossida leve, tentando se recompor. O que deveria dizer? Se falasse a verdade, ela diria que estaria livre na noite seguinte, se ele quisesse. Mas achava que não seria muito sutil. - Hm, bem, considerando que eu não tenho fome durante a madrugada, mais cedo seria ideal. Ainda que eu não fosse recusar uma aventura pelos corredores de madrugada com você. - Ela arregalou os olhos ao perceber o que disse. - Digo, sabe, como estávamos falando no dormitório, sobre ter mais prazer do que apenas trabalhar. - Merlin, ela estava piorando. James apenas a encarava com o início de um sorriso. - Você entendeu o que eu quis dizer.

- Eu entendi. - James apenas respondeu e desviou o olhar para o fogo. Lily percebeu que ele sorria e parecia perdido em pensamentos, enquanto bebia mais do próprio suco.

- Enfim…- Ela disse, querendo pensar rápido para escapar daquela situação. Ela não se importava em flertar com ele, mas queria estar ciente do que falava e estar no controle, não cuspir essas coisas quando estava nervosa. - É!

Não conseguia formar nada inteligente para falar, então era melhor parar por ali. E assim ficaram por um momento, apesar da cozinha ainda estar um pouco barulhenta. James terminou um terceiro sanduíche e bebeu todo o suco de abóbora logo depois.

- Sobremesa, Sr. Potter? - Um elfo se aproximou quase pulando de excitação. E de um jeito bizarro, Lily se pegou pensando em todas as criaturas do planeta terra que se aproximavam de James cheios de excitação. Ela tinha que confessar que, às vezes, ele lhe dava essa vontade. Começou a rir sozinha enquanto James conversava com o elfo. Claro, cada criatura deveria pensar coisas diferentes e Lily sabia que a sua excitação normalmente era bem particular.

- Do que está rindo? - A voz dele lhe deu um leve susto.

- Não vale a pena falar. - Ela respondeu e respirou fundo, um sorriso restante da risada ainda bem instalado em seu rosto. O elfo voltava com um prato de bolo de chocolate bem servido e James agradeceu, atacando. - Você realmente estava com fome.

- Um pouco, sim. - Ele respondeu.

- Meu deus, você jantou algumas horas atrás, comeu três sanduíches, tomou uma grande caneca de suco e um bolo de chocolate. Você faz isso todas as noites?

- Não todas, mas algumas. Eu jantei, mas não o bastante.

- No final, acho que são suas aventuras de madrugada que te deixam acabado de cansaço e não suas responsabilidades.

- Pelo contrário, será toda essa comida que me fará dormir como uma pedra logo menos.

Aquela frase a fez parar de pensar nas besteiras de flerte e tudo mais.

- Você está tendo problemas para dormir? - Perguntou preocupada.

- Ah, não. - James disse após engolir já a metade do bolo. - Eu acho que não me expressei bem. Como você viu durante a semana, eu consigo dormir facilmente e em qualquer lugar. - Ele riu rapidamente. - Mas não são as minhas aventuras na cozinha me cansando tanto. Aliás, você pode ficar tranquila quanto a isso, Evans. Eu vi que você se preocupou, porém eu estou me ajustando melhor. Mas obrigado pela preocupação.

James limpou a boca com um guardanapo e colocou o prato de bolo para trás, apoiando as duas mãos na mesa atrás de si. Sua mão direita encostou levemente na mão de Lily, que também estava apoiada na mesa. Nenhum dos dois se mexeu.

Não sabia se ele tinha feito de propósito, mas ele não estava olhando para a mesa quando se posicionou, então estava crendo que não. E ela não queria tirar a mão para não dar a impressão de que não queria que ele encostasse nela.

Porque, claro, aquilo estaria bem longe da realidade.

A pele dele era tão quente, absurdamente quente e sim, ela podia dizer isso apenas tocando o seu dedo mindinho com o dele. De repente, com os olhos focados no fogo, aquela cena que Marlene havia descrito há alguns dias na sala de Poções a atingiu forte: os dois no chão em frente da lareira, um beijo arrebatador…

Lily deu uma singela olhada para ele e tentou controlar a respiração. O que diabos Marlene fez com ela, colocando aquelas cenas em sua cabeça? Com a mão que não encostava na de James, ela pegou a caneca de chocolate quente esquecida e tomou um grande gole. Aquilo não iria dar certo, não iria. Ela iria fazer algo irracional em pouco tempo, podia sentir isso. Seu corpo parecia agir a favor dos pensamentos loucos que tinha, sem ligar a mínima para a razão. Só pedia para que não fosse algo completamente fora do bom senso, ou teria que pedir ao Professor Dumbledore para terminar os estudos em casa.

- Você quer voltar? - James perguntou. Lily se virou para ele e queria gritar "Não", mas ele talvez ficaria muito confuso. Ao invés, ela deu de ombros e assentiu.

- Se você terminou e quiser voltar.

- Eu não quero tirar as horas do seu sono. Já são mais de duas da manhã.

Ela arregalou os olhos.

- Ah, está bem tarde. Acho melhor irmos.

Nenhum dos dois se mexeu. Droga. Ir embora significava que teriam que se afastar, que as mãos iriam se distanciar. Mas quem tomaria o passo para aquilo?

- Está pronta? - ele perguntou.

- Sim.

- Ok, então vamos.

Nada. Ela era uma estátua assim como ele.

James finalmente se mexeu, pegando sua capa esquecida atrás dele, mas ele havia usado sua outra mão. Lily quase riu. Os dois agiam como se tudo estivesse normal e que nenhum deles estivesse evitando usar a mão que tocava o outro. E era tão óbvio para ambos o que faziam e que tentavam agir com naturalidade, que Lily queria rir.

- Eu estou pronto, se você estiver. - Ele tentou novamente.

Até quando eles teriam aquela conversa, ela se perguntou. Óbvio que era até alguém tomar a coragem de se afastar primeiro.

- Cuidado!

A voz vinda de trás os assustaram, fazendo ambos se virarem e desviarem de uma grande panela voando sem destino por cima de suas cabeças, jogando farinha para todos os lados. Lily sentiu um pouco de farinha cair em si, mas ficou feliz que tenha sido apenas farinha e não a grande panela de ferro.

Começou a rir e bateu no cabelo e nas vestes, tirando um pouco do excesso. Olhou para cima e viu que James fazia o mesmo enquanto ria.

- Está tudo bem? - Ele perguntou.

- Sim, apenas farinha. Você?

- Intacto. - Ele respirou fundo e tirou mais um pouco da farinha dos ombros. - Bom, acho que essa é a nossa deixa, antes de virarmos o café da manhã de Hogwarts.

Lily concordou e foi até a saída com ele.

Fixez os assistia com um sorriso satisfeito. Viu quando James abriu o quadro e a deixou passar, antes de olhar para trás e piscar para o elfo em agradecimento.


N/A:

Opa, apareci. Tudo bem? :D

Estamos vendo uma evolução Jily aqui? Passo a passo, a gente vai chegando :P

Não vou encher muito o saco de vocês dessa vez. Eu estou postando de um lugar onde eu não tenho acesso ao documento da fic, então o sneak peek (um pequeno pedaço do que vem no capitulo futuro) vai ter que ficar para o próximo capitulo :( Desculpa, desculpa, desculpaaa.

Resposta para review sem login:

Guest: Oieeeee. entao, sneak peek é um trecho do proximo capitulo, para dar um gostin do que vai acontecer :D mas dessa vez eu nao vou conseguir colocar :( Mulé, o romance ta vindo, Jily esta começando AHAAHAHHAA eu ri com os eu comentario :P Eu te entendo, mas se acalme, pequeno gafanhoto. Os dois estao vindo :P

Mah: Ai meu deeeeus, que lindo isso. Caramba, eu terminei aquela fic em 2014 e ver alguém que lia na epoca é tao legal *-* Bem-vinda neste novo trem. Espero que continue gostando :D

Jullie: eu to aquiiiii! Olha, teve mais Jily nesse capitulo, heein? As cenas Jily estao vindo...o forno ta esquentando para o bolo :P (que horrivel essa comparação LoL). Ah, Amos Diggory. Confesso que so coloquei, para fazer figurante HAHAHAHHA na verdade, ele nao deveria estar ai, ja que ele devia ser levemente mais velho que els (considerando quando Cedric nasceu), mas enfim...nao vou falar mais nada :X

Guest: Nao sei se voce é a mesma da outra review LoL Mas eu to aquiiiiii :D Espero que tenha curtido o capitulo de hoje :D

Até a próxima. Beijos e beijos! ;)