J~L
A Slug Party havia sido cancelada.
Sim, exatamente isso. A Slug Party havia sido cancelada e Lily Evans nunca sentiu-se tão desgostosa em toda sua vida do que quando recebeu a notícia dois dias depois de decidir que convidaria James. Qual era a de Slughorn? Como você cria expectativas assim na cabeça de adolescentes e depois arranca fora sem dó nem piedade?
Por mais de uma semana, ela remoeu aquela informação. O professor até se aventurou a perguntar se Lily estava com algum problema, pois a ruiva estava evitando o seu olhar ou mesmo lhe direcionar a palavra. Ah, ela estava brava com ele, mesmo sabendo que o professor não podia fazer as coisas ao seu bel-prazer.
E enquanto ela remoía toda a raiva por Slughorn, os olhares perdidos para James também aconteciam. Quando o via, fosse de manhã antes do café da manhã; apoiando a cabeça em sua mão enquanto prestava atenção na aula (quando o fazia seriamente); voltando de uma ronda a noite... qualquer coisa que o via fazendo, lembrava-a de que eles não iriam naquela festa. Vê-lo apenas fazia seu interior dizer: está vendo esse cara lindo ai na sua frente? Esqueça, não será dessa vez.
A sua sorte era que a sua tortura não estava tão grande, já que James estava tão ocupado com os treinos de Quadrilbol, que eles mal se viram nas últimas semanas. E, ao mesmo tempo, azar por não ver James o tanto quanto ela gostava.
Mas nem tudo são apenas lágrimas. No começo daquela semana, o convite para a segunda chance da Slug Party chegou. Quase não acreditou quando entrou no seu quarto e viu o pergaminho, brilhando, chamando-a, e Lily não se conteve em soltar um gritinho de felicidade, como se fosse uma idiota, o que chamou a atenção de James e o fez correr pelo corredor, perguntando qual era o problema.
Não é problema, James. É a solução, pensou ela.
E agora, ali se encontrava ela: na frente da sala dos monitores. Teve uma ronda com Amos Diggory e ele a acompanhou até ali, já que Lily alegou ter que fazer algo muito importante antes de ir para o dormitório. O que não era mentira. Então, após se despedir de Diggory e agradecer pela ajuda na ronda daquela noite, Lily ficou, pelo menos, quinze minutos andando de um lado para o outro em frente da sala dos monitores.
Sabia que James estava ali e estava na hora de chamá-lo para ir para a Slug Party com ela. Era a sua segunda chance para fazê-lo e não podia perdê-la.
Não, não era o melhor evento para se chamar alguém, nem o mais divertido, mas ela se recusava esperar até Novembro e a próxima visita à Hogsmeade. Não, não podia mais esperar. Desde a conversa na sala comunal, após ela decidir que iria convidá-lo para sair, entre o cancelamento da primeira festa e a chegada do novo convite, ela havia criado coragem e desistido tantas vezes. Respirava fundo e ia até ele, mas então ele a observava tão profundamente, sorria daquele jeito absurdamente lindo...e quando percebia, já estava falando sobre outra coisa e eles se engajavam em uma conversa longe de seu propósito. Na única vez que acordou e dissera para si mesma que ele não escaparia de receber seu convite, ela recebeu o cancelamento da primeira festa antes.
Mas agora seria diferente. Quando recebeu o segundo convite para a festa, Lily Evans ganhara uma semana e meia para criar coragem e convidar James, mas lá esteve ela novamente: já era sábado, quase uma semana inteira havia se passado desde que recebera o segundo convite e ainda não o tinha convidado, se acovardando. Agora ela tinha apenas poucos dias, bem poucos dias. E se não o chamasse hoje, não conseguiria mais.
Respirou fundo três vezes. Você nunca foi assim antes, Lily. Por que esse receio? Vamos lá. Se ele aceitar, é ótimo. Se ele negar, você lidará com isso de cabeça erguida. E afinal, você tem um bom plano. Tem Roderick Plumpton para fazer a festa ser mais interessante.
Ah, Roderick Plumpton. Ela teve que investigar quem era o homem, já que Slughorn havia dito que era um convidado especial. Bem, não seria para ela, devia dizer. Mas para James...
Com uma coragem louca, ela entrou na sala dos monitores e seu coração começou a dançar quando o viu: James estava entulhado de pergaminhos e penas voando ao seu redor, ao mesmo tempo que ele mesmo estava ocupado escrevendo algo. Ele levantou os olhos rapidamente para checar quem entrara e deu um sorriso para ela, virando seus olhos para o pergaminho.
- Como foi a ronda com Diggory? - ele perguntou, sem parar o que fazia.
- Como uma ronda com Amos Diggory pode ser: chata ou interessante. Hoje, foi bem chato. - Ela agradeceu por ele ter começado uma conversa banal.
- Diggory é o bom caso do cara bonito, mas insuportável. - Ele finalmente parou de escrever e conferiu as horas. Se deixou recostar na cadeira e fechou os olhos. - E por que aquele idiota te deixou aqui? Se eu não estivesse aqui, você teria que voltar sozinha a essa hora.
- Eu tenho algo para fazer. - Ela deu de ombros e limpou a garganta. Ainda não era a hora, pensou consigo mesmo, se acovardando de novo, então mudou de assunto. - O que está fazendo com tudo isso?
- Eu estou há três horas com essas malditas listas de detenções dos últimos sete anos.
- E por que? - Lily perguntou, sentando-se no sofá perpendicular à mesa de James.
- Preciso entregar um relatório para McGonagall amanhã sobre alunos que podem ser considerados suspeitos de atividades ilegais. Então tenho que checar todas as detenções e os motivos, saber o que eles estavam fazendo quando foram pegos. Podemos extrair algumas boas informações por aqui e talvez investigar mais a fundo. Coisas que não foram consideradas na época, mas que sendo vistas hoje, poderia nos dar uma ideia quando e onde os Comensais começaram aqui.
- Aposto que você nunca se arrependeu tanto de ter levado tantas detenções na vida, não? - Ela riu apontando para as pilhas de pergaminhos.
- Eu não nego que meu nome e o de Sirius aparecem muito por aqui, mas eu posso nos descartar assim que eu vejo.
- McGonagall teve uma boa ideia, mas não deveria ter te designado para fazer sozinho.
James colocou as duas mãos atrás da cabeça e deu de ombros.
- A ideia foi minha, na verdade. - Lily levantou uma sobrancelha. - E eu não te levaria comigo nessa loucura. Você já tem coisas demais para fazer.
- Você está brincando, James? - Ela disse, nervosa, enquanto se levantava e ia até a sua mesa. Com a varinha, ela trouxe metade dos pergaminhos da mesa dele até a sua. - Você tem muito mais a fazer do que eu. Além disso, eu disse para me chamar quando precisasse de ajuda.
Lily murmurava mais reclamações enquanto começava a olhar os pergaminhos. Ele era realmente impossível.
- Obrigado, Lily.
- Sim sim, de nada. - Ela abanou a mão, ainda nervosa com ele.
Por uma hora e trabalhando como uma equipe, eles puderam passar por todos os pergaminhos. A maior parte do tempo, eles ficaram em silêncio, apenas conversando quando surgia alguma dúvida sobre alguém que talvez o outro pudesse saber. James não podia dizer o quanto estava aliviado por ela tê-lo ajudado, pois provavelmente levaria muito mais do que duas horas para terminar tudo aquilo sozinho.
Teria uma palavra com Sirius depois. Detenções eram uma dor na bunda de revisar e apenas sendo um bendito Monitor-Chefe para lhe mostrar isso.
- Está pronto para ir? - Lily perguntou, parando em frente de sua mesa. Se James tivesse olhado melhor, teria visto o nervosismo em seus olhos.
- Mais do que pronto. Hoje é a sua noite na torre da Grifinória, certo?
- Sim. Está tudo bem para você?
- Claro. Eu te levo até lá.
Eles saíram da sala de monitores juntos e cansados, indo em direção a torre. Mal podia esperar para cair na cama naquela noite. Realmente, mas que ideia absurda de revisar todas aquelas detenções sozinho, mas pelo menos conseguiu algumas informações. E com a ajuda de Lily, foi tudo muito mais rápido.
- Hm...- Lily começou, chamando a atenção de James. - Soube da Slug Party na semana que vem?
- Não. Soube que a primeira teve que ser cancelada no começo do mês. Um convite de honra para uma reunião no Ministério que chegou para Slughorn e que no final, era uma pegadinha. - James sorriu para não rir. Conseguia imaginar Horace Slughorn chegando no Ministério todo pomposo e dando meia volta depois. Não que desgostasse do professor, mas gostaria de ter visto sua cara.
- Vocês não teriam sido os responsáveis por isso, certo? - Ela perguntou.
- Não, não dessa vez. Eu juro. - Ele adicionou, vendo o olhar dela. - Apesar de ter sido uma ótima ideia. O professor adora se exibir e cair um pouco do pedestal ajuda de vez em quando.
- Certo. - Ela pareceu acreditar. Ainda bem, porque ele estava dizendo a verdade. Não tinha motivos para fazer Slughorn perder uma noite toda saindo de Hogwarts e indo até o Ministério para nada. - Pois então, a festa oficial de abertura do ano está marcada para a semana que vem.
- Você está compartilhando comigo, porque quer que os marotos façam algo para impedir? - Ele perguntou, chutando alto.
- Longe disso...apesar de que algo vindo de vocês seria divertido. Mas não. - Ela se corrigiu logo em seguida. - Você soube quem será um dos convidados de honra dessa vez?
Apesar de não estarem fazendo a ronda, James olhava para todos os lugares, atento para qualquer movimento. Era 1h da manhã e qualquer um andando nos corredores, além deles e dos professores, estaria fazendo algo que James adoraria descobrir.
- Não. Slughorn já tentou me enfiar na lista de convidados da festa dele umas mil vezes, assim como para o seu clubinho, mas eu sempre recuso. Se ele comentou algo, eu não prestei atenção. - Ele olhou para ela rapidamente. - Desculpe, eu sei que você costuma ir.
- Não há necessidade de se desculpar. Eu gosto de ir, porque encontro pessoas muito interessantes lá e que poderiam ajudar na minha carreira fora de Hogwarts. Pessoas inteligentes e famosas que eu posso escutar sobre suas histórias, suas experiências...
- Você tem os marotos logo ao seu lado para isso, Lily. - Ele brincou, ainda patrulhando os corredores.
- Muito humilde da sua parte. - Ela comentou ironicamente e revirou os olhos - Bom, nesta festa da semana que vem, ele chamou alguém chamado Roderick Plumpton.
James parou imediatamente e encarou Lily como se ela tivesse lhe dado um tapa na cara. Ele se aproximou dela, pois a ruiva tinha continuado o seu caminho sem perceber que ele havia parado.
- Você está falando sério? - ele perguntou.
- Bem sério.
O maroto levou a mão aos cabelos, perplexo. Era simplesmente o maior ex-jogador de Quadribol que James mais amaria conhecer em toda a sua vida, desde que ouvira falar dele quando criança.
Estavam falando de Roderick Plumpton, por Merlin. O cara que obtinha o recorde de captura mais rápida do pomo da história do Quadribol: três segundos e meio. Assim como havia jogado vinte e duas vezes para o time da Inglaterra, havia liderado e ganhado 5 Ligas da Copa com os Tutshill Tornados e, mesmo que não fosse o seu time, aquilo era fantástico.
- James, respira.
Ele voltou à realidade quando ouviu a voz dela novamente. Se sentia em um sonho. Plumpton estaria ali, nos mesmos corredores que ele, tocando no mesmo chão...
- Como Slughorn consegue ter contato com essas pessoas? Pelas cuecas de Mérlin!
- Eu também não faço ideia. Para mim, ele é apenas mais um professor de Poções de Hogwarts, mas ele deve ter uma rede de contatos muito forte fora daqui.
- Você acabou de finalizar a minha noite de uma das formas mais magnífica do mundo, Lily Evans! - Ele disse, sonhador. - Eu não estou acreditando.
- Uau, se eu soubesse que ficaria assim, eu teria deixado essa parte por último.
- Tem mais? - Ele perguntou se virando rapidamente para ela. Lily riu com aquele James. Parecia que toda aquela preocupação que estava constantemente nos olhos castanhos-esverdeados, tivesse evaporado. E agora, com toda aquela empolgação dele pela presença ilustre na festa, ela ficou tímida. Tinha a impressão que o maroto estava esperando que o tal homem precisasse de uma cama para passar a noite e James estaria mais do que feliz em oferecer a sua e dormir agarrado com ele.
- Não é nada demais. - Ela disse, tentando tirar a esperança de James em receber um pedido de casamento do senhor Plumpton. - Eu estava pensando se... você gostaria de vir comigo?
Não houve uma reação tão rápida quanto Roderick Plumpton teve. Dessa vez, James tomou o seu tempo para apenas olhar para Lily e absorver suas palavras. Aquela euforia de um ex-jogador de Quadribol, mundialmente conhecido e com um recorde no currículo, estar vindo para Hogwarts sumiu e percebeu que o brilho dos olhos dele mudou. Estava mais leve, parecia mais calmo e...mais esperançoso?
- Você quer que eu te acompanhe na Slug Party? Digo, você me chamou para ser o seu par?
- Sim.
Ele sorriu. Um sorriso bonito e puro, ela arriscaria dizer.
- Eu gostaria de ser o seu par, Lils. - Ele respondeu, usando o seu apelido que as meninas sempre usavam, pela primeira vez. Não queria pensar em como soava bem na sua voz, em como achava que ele deveria chamá-la assim mais vezes.
Ok, Lily, haja naturalmente. Ele aceitou. Isso é ótimo, mas haja naturalmente.
- Então está marcado. - Ela sorriu e voltou a andar, tentando disfarçar a alegria. Lily Evans praticamente acabou de chamar James Potter para sair. E ele aceitou. Tinha que se acalmar.
- Quando será? - Ela ouviu a voz dele ao seu lado.
- Na próxima quarta, dia 26.
Ouviu que os passos de James pararam, então se virou.
- Na próxima quarta? Dia 26 de Outubro? - Ele perguntou, querendo confirmar.
- Sim. Por que? Você, aluno de Hogwarts que deve ficar confinado neste castelo, tem algo agendado na noite do dia 26 de Outubro de 1977? - Ela riu. Mas James não riu com ela.
- Na verdade, sim.
Ela arregalou os olhos e parou de rir. Era sério aquilo?
- Como assim, James?
- Lua cheia.
- E? - Ela se aproximou do maroto e sussurrou. - Até onde eu saiba, o lobisomem do grupo não é você. Certo?
- Certo, eu não sou. Mas...- James passou a mão pelo rosto, incrédulo. - Eu...não posso, Lily.
Lily deixou os ombros caírem, em pleno desapontamento. Ela havia beijado James uma vez e ele não havia beijado-a de volta. Hoje, ela o convida para ser o seu par e conhecer Roderick Plumpton e ainda sim, ele não queria. Se fosse Remus ali, na sua frente, entenderia a negativa, mas ele?
- Tudo bem, James. - Ela respondeu, vestindo a armadura contra a decepção. Não iria deixá-lo ver o quanto aquilo havia machucado. A ruiva deu as costas e continuou o seu caminho, agradecendo por já ver o quadro da mulher gorda dali. Só mais alguns segundos na presença dele.
- Lily! - Ele a chamou. - Eu não saberia mostrar o quão horrível é dizer não para você agora.
- Você terá mais oportunidades de conhecer o tal Plumpton na vida, James. Sei que seus pais são bem influentes e tudo mais. Glisseo. - Ela disse a senha para o quadro, entrando na sala comunal da Grifinória logo em seguida. Ela ainda o ouvia atrás de si e quase virou para mandá-lo de volta para o dormitório dos Monitores-Chefes.
- Este não é o problema aqui. - James dizia, ainda tentando alcançá-la. - Espere, por favor, você anda bem rápido para quem tem pernas tão curtas assim.
Como era sábado, a sala comunal ainda tinha alguns alunos espalhados pelos sofás e poltronas. Alguns deles os encararam quando entraram, esperando que uma antiga briga entre Lily Evans e James Potter fosse começar.
Mas para a decepção de todos, Lily apenas se virou para ele, já indo para as escadas dos dormitórios.
- Está tudo bem. Eu já entendi, James. Boa noite. - e com um sorriso desapontado escapando pela armadura, ela subiu.
Não, não, não, não, não!
James pegou as escadas para o dormitório masculino como se tivesse uma goles embaixo do braço e precisava marcar um gol de último minuto. Entrou no quarto do mesmo jeito, fazendo os três amigos se virarem um pouco assustados para a porta.
- Quem está na forca? - Sirius perguntou.
- Eu mesmo! - Ele respondeu e se virou para Remus. - Quando é a lua cheia?
- Quarta, dia...
James não deixou o amigo acabar e já cobriu o rosto. Por um momento, pensou que talvez tivesse errado ou algo assim, mas é claro que o Universo não queria ajudar.
- O que houve, Prongs?
- Eu preciso falar com Slughorn! Ele precisa mudar a data da festa dele...
Se apressou em direção à porta, mas antes de alcançá-la, a mesma se fechou. Estava ficando cansado das pessoas fechando a porta na sua cara que precisava resolver coisas importantes. Se virou para trás e percebeu que havia sido Remus.
- Você quer ir falar com Slughorn à 1h da manhã? Ele deve estar nos braços do Morfeu desde às 21h. - Remus começou. Quem diabos era Morfeu? Não sabia que Slughorn tinha um caso com alguém. - Agora explique-se!
- Lily-me-chamou-para-sair! - Ele disse muito rápido, fazendo os três marotos franzir a testa.
- Hãn?
Ele respirou fundo antes de voltar a falar.
- Lily me chamou para sair!
Será que, quando ela fez o convite, James ficou com a mesma cara dos outros três ocupantes do quarto? Aquela cara de quem ouviu que o mundo estava acabando e que eles tinham apenas cinco minutos restantes de vida? Aqueles olhos arregalados, aquelas bocas abertas.
- Tem certeza? - Sirius perguntou. - Você não entendeu errado?
- Eu tenho certeza do que eu ouvi! Eu não me deixaria errar com esse assunto, Padfoot.
- E o que tem a lua cheia com isso? - Peter perguntou. - E Slughorn?
- Slughorn vai dar, finalmente, aquela festa de abertura do seu clube e Lily me convidou para ser seu par.
- E me deixe adivinhar: será na quarta que vem? - apontou Remus.
James assentiu. E se ele criasse algo para impedir a festa de acontecer, obrigando Slughorn a adiar novamente? Não era uma má ideia. Usando a capa e tendo a regalia de sair tarde por ser Monitor-Chefe, seria o plano perfeito.
Um dia. Precisava adiar um dia apenas, não precisaria nem ser um mês ou uma semana.
Um diazinho.
- Prongs, honestamente, você ficar uma noite sem vir conosco não vai ser a pior coisa do mundo. - disse Remus, voltando a se sentar em sua cama.
- Moony, nós temos um compromisso com você pela vida. Nós prometemos que não participaríamos das transformações apenas em caso de vida ou morte.
- Bom, eu diria que...
- Cala a boca, Padfoot. - James cortou a piada pronta do amigo, fazendo Sirius rir. - Eu pretendo estar vivo até semana que vem, então...
Remus se levantou novamente, pegou sua varinha e, revirando os olhos, veio até James.
- Eu, Remus John Lupin, concedo a você, James Fleamont Potter, o privilégio de se ausentar por uma noite de lua cheia para ser par de Lily J. Evans na Slug Party. Oh todos os deuses e Merlin, sejam misericordiosos com essa pobre alma.
O maroto fez umas firulas sem sentido na cabeça de James com a varinha e depois deu as costas, indo para a cama novamente. James revirou os olhos.
- Sabe que isso não mudou em nada a minha opinião, certo?
- Porque você é um idiota! - Remus respondeu. - Espero que você não tenha dito "não", porque se você disse...
- Eu disse sim!
- Então está feito, continue assim.
- Mas depois eu disse "não".
O tapa na testa foi coletivo, fazendo um barulho engraçado pelo quarto.
- Você só pode estar brincando comigo, James. - Sirius comentou, se aproximando do amigo. - Lily Evans, a ruiva por quem você derrubaria esse castelo na base do chute, te chamou para sair. Você tem que ir!
- E você deve corrigir isso o mais rápido possível. Ela já disse que não iria te beijar e que tem certeza que você superou e não gosta dela mais, então eu sugiro que você corrija isso logo.
- Pera, que história é essa, Moony?
James levantou as duas mãos ao alto com aquela informação. Do que diabos Remus estava falando? E por que, diabos, ele estava ouvindo falar disso só agora? Seu melhor amigo estava querendo lhe matar com aquela frase?
Com um aceno, Remus pediu que James se aproximasse. Sirius e Peter os encaravam, curiosos.
- Quando deu aquele problema na aula de duelos, Lily me disse que não iria te beijar novamente, que uma recusa já foi o suficiente e que por você não ter correspondido, ela tinha entendido que você não estava e nunca esteve realmente interessado nela. - James arregalou os olhos. - Agora, você me conta que ela te chamou para sair, para ser o par dela na festa do Slughorn e você disse não! - A voz de Remus tremeu de raiva. - Eu tentei segurar suas chances quando eu conversei com ela, mas agora você pode ter estragado tudo, seu idiota!
- Não! - James meneou a cabeça em negação, não crendo no que havia feito.
- Sim! - Agora Remus já falava em um tom normal, para os outros dois marotos ouvirem. - Ou você conserta isso amanhã, com o primeiro raio de sol, ou você esquece Lily Evans!
Peter se aproximou dos dois amigos:
- Nas transformações, Moony fica um pouco lerdo e mais fraco no começo, por conta da dor. - O maroto deu de ombros. - E se você vier mais tarde? Padfoot e eu podemos ficar com ele nessas primeiras horas e você pode curtir um pouco a festa.
Remus, Sirius e Peter olharam para James. Não era uma má ideia. Lhe soava ótima, na verdade. Remus, realmente, ficava mais tranquilo nas primeiras horas da transformação e mais agitado apenas depois.
- Prongs, você pode curtir, pelo menos, uma hora ou duas com ela. - Sirius bateu nos ombros do amigo.
- Você deve fazer isso, James. - Remus afirmou. - Isso não será uma traição do tipo "você está escolhendo uma garota acima de nós". Você vai, curte com ela e, depois, se quiser, você nos encontra.
- Mas se...
- Você vai nessa porcaria de festa ou eu vou arrancar os seus chifres nos dentes na quarta-feira. - Remus o cortou, sem paciência mais.
De repente, com a sua felicidade crescendo no peito e sua ansiedade de falar com ela, James sentiu a sua maldita varinha começar a queimar em seu bolso. Tirou-a rapidamente e jogou perto da sua velha cama.
- Você promete que isso não será um problema, Moony?
- Problema seria ver Lily triste de novo por sua causa e você se arrependendo pelo resto da vida.
James sorriu. Não poderia pedir por amigos melhores do que eles.
"Descobrindo o inimigo: como conhecer a fundo o seu combatente durante o duelo" era o título do seu novo livro de cabeceira e que ela fez questão de trazer consigo. Não sabia quantas reflexões Alice já havia feito sobre ter trocado o tema da sua leitura noturna e as piadas de Marlene que viam logo após.
Além do mais, naquele momento ela precisava de muita distração e aquele livro era ótimo para isso, ainda que lhe fizesse pensar em James. Depois de mais de uma hora de conversas, risadas e tratamentos de beleza entre elas, decidiram dormir. Porém, Lily não encontrava o sono e preferiu continuar sua leitura.
James e sua segunda negação. Ao lembrar da cena, sentia o rosto esquentar de vergonha. Havia levado dois foras do cara que ela havia dado centenas anteriormente. Será que era uma revanche, uma vingança?
- Fique à vontade para apagar a vela e dormir, Lily querida. - Alice disse, de sua cama, logo a frente da de Lily. - A não ser que você esteja com medo de dormir no escuro e alguém nos ataque, então você pode deixar a varinha acesa.
- Ou talvez ela esteja à espera do monitor de duelo vir e a atacar. - Marlene riu na cama ao lado.
- Eu estou terminando o capítulo, Lice. Menos de cinco minutos. - A ruiva respondeu, ignorando Marlene.
- Tudo bem. Eu vou apenas fechar o dossel da cama, mas não me deixem dormir demais amanhã. Boa noite, meninas.
Lily e Marlene responderam. Dorcas Meadowes, a outra colega de quarto, ainda não havia chegado. Provavelmente estava na sala comunal jogando snaps explosivos, o seu jogo favorito e que sempre lhe rendia alguns níqueis.
Aquele livro era extremamente interessante. Era engraçado ver que muita coisa que aprendia com James, ela encontrava em cada capítulo. Quantos livros ele já havia lido sobre duelos? Como ele teve tempo de fazer tudo o que fez desde o primeiro ano, até hoje, e ainda ter devorado tudo sobre o assunto?
Três batidas leves na porta a fez dar um pulo do lugar. Olhou para o lado e viu que Marlene também se sentou, desconfiada.
- Está muito tarde para qualquer uma de nós, pobres estudantes do sétimo ano, terem visitas...então acho que é para você, Lily! - Alice disse de sua cama.
- Só pode ser alguma reclamação para a Monitora-Chefe. Você vai atender! - Marlene apontou a porta com a cabeça, mas pegou sua varinha. Lily revirou os olhos.
- Você acha que Voldemort iria bater na porta? - Lily dizia enquanto jogava as pernas para fora da cama, calçava suas pantufas e colocava o seu roupão leve por cima do pijama. Claro, Voldemort ou Comensais não teriam tanta gentileza, mas ela também pegou sua varinha.
Foi a passos lentos até a porta, talvez a demora fizesse a pessoa desistir e procurá-la no dia seguinte para o problema. O que poderia ser tão grave que não poderia esperar até o café da manhã ou o almoço?
- James?! - a sua voz saiu estranha por conta da surpresa. O maroto estava parado, com as mãos no bolso, ainda usando as mesmas roupas de quando se despediram da última vez. Ele não havia voltado para os aposentos dos Monitores-Chefes? Se despediram há mais de uma hora.
- Eu te acordei?- Ele perguntou, sem graça. Lily percebeu que os olhos do moreno se desviaram para suas costas, indo para dentro do quarto e ela se virou: Alice e Marlene estavam em pé, tão chocadas quanto ela mesma.
- Como? - Marlene perguntou. - Como você conseguiu subir?
- Lene, você acha mesmo que os marotos não saberiam como subir aqui? - Alice respondeu.
- Eu juro que nunca fizemos mal uso dessa informação e nem repassamos. - Ele disse, colocando a mão no peito. - Mas eu posso dizer para Frank, se quiser. - Ele sorriu para Alice, fazendo a garota ficar escarlate.
- Bem...- Alice se limitou a dizer, mas não foi muito mais além.
- Eu vou descer com James até a sala comunal, antes de termos problemas. - Lily resolveu intervir. - Eu já volto. - Ela disse para as duas grifinórias e fechou a porta. - Vamos?
Lily tomou a dianteira e foi em direção às escadas. Quando ela se virou para perguntar como ele iria descer sem causar uma bagunça e um barulho enorme com o alarme, percebeu que estava sozinha. Voltou um pouco pelo corredor e James não estava em lugar algum.
Meneando a cabeça, ela começou a descer as escadas e tal qual foi a sua surpresa em encontrá-lo já na sala comunal.
- Irá me contar como fez isso?
- Você sabe que não. - Ele sorriu, tentando parecer angelical, mas falhando miseravelmente.
- Foi com a sua capa?
- A capa é invisível apenas para todos os seres animados e vivos. Para as escadas, ela é bem visível, eu te garanto.
- Claro, você tentou antes.
- Foi a primeira coisa que tentei. - Ele sorriu.
- Então você estava bem investido para descobrir como subir até lá, eu vejo. - Lily cruzou os braços.
- Nunca se sabe quando precisamos subir às duas da manhã até o dormitório do sétimo ano para falar com a monitora-chefe. Fico feliz que eu tenha descoberto antes.
- Claro, ótima desculpa, James. - Ela revirou os olhos. - Então diga, Monitor-Chefe, o que precisa me dizer que não podia esperar até amanhã?
A sombra marota no rosto de James se foi. Ele olhou para os lados, conferindo que estavam longe o suficiente dos poucos alunos em volta, antes de se virar para ela.
- Primeiramente, eu gostaria de dizer obrigado por saber sobre o problema peludo de Remus e não espalhar ou se afastar. Eu acho que nunca havia agradecido. Eu tomo essa questão muito pessoal, como se fosse meu próprio segredo, assim como minhas próprias dores quando eu vejo o preconceito que ele sofre e que ele pode sofrer no futuro por essa condição. Remus gosta muito de você e seria uma decepção enorme em sua vida caso você reagisse ao contrário.
Lily não sabia onde James estava indo com aquela conversa, mas começou a ficar arrepiada. Era claro que nunca deixaria Remus para trás por ser lobisomem e lutaria ao seu lado e por ele sem pensar duas vezes.
- Eu não faria diferente nem em mil vidas! - Ela disse, arrancando um rápido sorriso verdadeiro dele.
- Eu sei! - Ele respirou fundo antes de continuar. - Em segundo lugar: tendo esse assunto tão importante na minha vida, as noites de lua cheia são mais do que importantes para nós. - Ele conferiu ao redor novamente para garantir que todos continuavam longe. - Eu não posso te contar tudo, porque vai além de mim, da minha vida, então eu vou ser um pouco breve: nós, marotos, ajudamos Remus desde o nosso quinto ano todas as luas cheias. Eu também não irei descrever pelo o que ele passa, mas você pode ter ideia com o que aprendemos nas aulas dos anos anteriores. O ajudamos a passar por isso de uma maneira mais leve e descontraída, tentando fazer a vida dele melhor. E é um compromisso que eu levarei para a minha vida inteira.
- Ah Merlin, não quero chorar.- Ela murmurou.
- Eu disse tudo isso para poder explicar o motivo de eu ter reagido daquele jeito mais cedo, sobre a Slug Party. - James se aproximou dela, olhando fundo nos olhos de Lily. - Eu apenas pensei na lua cheia e em mais nada. Tudo o que há nessas épocas, nós não estamos presentes. Ainda que nossa formatura caísse em uma lua cheia, você não nos veria lá. - James apertou os olhos antes de continuar. - Mas o que eu quero dizer agora é: eu quero ir com você, eu quero ser o seu par...e se você ainda me aceitar, você me faria mais feliz do que a notícia da presença do Roderick Plumpton.
Lily o encarou, um pouco confusa. Ele invadiu a ala feminina às 2h da manhã para lhe fazer chorar com a história de Remus e a amizade deles, sobre como eles doam tanto de suas vidas, ainda que seja uma noite por mês, para tentar dar uma melhor qualidade de vida para o amigo...mas ele iria deixar Remus para ir com ela a uma festa?
Estava absurdamente feliz em saber que ele queria ir com ela, mas deixar Remus na noite que ele mais precisava? Aquilo lhe inquietava.
- Eu não quero que você abandone Remus, especialmente quando ele mais precisa, para ir nessa festa boba.
- Esta era a outra parte que eu estava para dizer: se você ainda me aceitar, eu apenas terei que ir embora mais cedo. - James levantou as sobrancelhas, como se esperasse uma negativa dela. - Se você não se importar.
- E Remus?
- Ficará bem até a minha chegada.
- E os outros?
- Também!
Quando ele havia negado o convite mais cedo, ela mesma havia desistido de ir naquela festa. Não por que não seria interessante, mas por não estar com ânimo algum para celebrar ou estar no meio de adolescentes um pouco bêbados e bajuladores de semi-celebridades e afins. Não sozinha.
- Eu não quero causar problemas. - Ela disse.
- Não causará. Porém, se você não me quiser mais como o seu par, Remus vai ficar muito nervoso comigo pela minha burrice de mais cedo e, provavelmente, teremos que cancelar nossas monitorias de duelo, porque eu não poderei fazê-las do leito da enfermaria e em coma. Eu também não poderei exercer o meu excelentíssimo trabalho de Monitor-Chefe de lá, e nem treinar o time de Quadribol, e então perderemos a taça no nosso último ano. - Ele deu de ombros e sentou no encosto da cadeira atrás de si. - O futuro da Grifinória e de Hogwarts está em suas mãos, Lily Evans.
Ela soltou um pequeno riso tímido e virou os olhos para o teto com o drama.
- Eu tenho uma proposta: amanhã, eu falarei com Remus. Eu preciso me assegurar de que isso não lhe impactará tanto. E então, nós conversamos.
- Você não acredita em mim? - James levou a mão ao peito, como se tivesse sido atingido.
- Eu acredito, mas eu preciso ir naquela festa de consciência limpa.
- Certo, você quer pedir permissão para me levar na festa. Eu não pensei que você fosse tão tradicional assim, mas eu estou ok com isso.
Lily meneou a cabeça, mas riu. Quem diria que haveria tantos risos e sorrisos com James? Aquela era uma sensação tão boa.
- Então se está de acordo, nós conversaremos sobre isso amanhã novamente. - Ela dizia, dando a entender que estava a ponto de partir.
- Amanhã então, depois de pedir a minha mão para Remus. - Ele confirmou, mas não se mexeu.
- Até amanhã, James. - Ela sorriu, cruzando os braços ao sentir uma brisa fria passar por ela.
- Boa noite, Lils.
O apelido dela novamente, com aqueles olhos baixos e sorriso torto. Outro arrepio passou por ela, mas não era da brisa dessa vez. Dando as costas para ele, Lily foi em direção às escadas do dormitório feminino, mas antes de subir, ela se virou para ele, constatando que ele ainda estava no mesmo lugar.
- Tudo isso apenas para conhecer Roderick Plumpton, hum? Talvez ele quem deveria conversar com Remus e pedir sua mão em casamento, já que estamos vendo uma paixão avassaladora aqui.
James se levantou do encosto da cadeira, o sorriso de antes ainda brincando em seus lábios.
- Como você mesma disse antes: meus pais são bem influentes e eu poderia conhecê-lo. - Ele se aproximou dela. - Não é a minha chance com ele que estamos tentando ajudar aqui. - Lily sentiu que seus olhos se abriram. James pareceu ver aquela expressão como o seu momento de partir. - Até amanhã.
E então, o maroto deu as costas para ela e foi em direção ao quadro. Antes de entrar no corredor para a saída, ele deu uma última olhada para ela e sorriu de lado, saindo da torre da Grifinória.
Slughorn tinha uma rotina e ele não gostava de ser pego desprevenido ou ter alguém lhe forçando a mudar algo.
Então todo domingo, acordava cedo e tomava seu chá em seu escritório, antes de partir para o café da manhã. Ele tinha paz, silêncio e poderia ler o seu jornal tranquilamente, podendo amaldiçoar no tom que quisesse, sem atrapalhar ou receber olhares tortos dos outros professores. E ele tinha muitos motivos para amaldiçoar as notícias ultimamente. Era incrível como as mortes só aumentavam. O que o Ministério faria para parar aquilo? Por que eles não faziam mais do que estavam fazendo? Era falta de Aurores, de Inomináveis? Talvez um cérebro melhor do que o Ministro Harold Minchum? Alguém precisava parar Tom!
Três batidas na porta o tiraram de seu devaneio sobre o Ministro. Ninguém batia em sua porta tão cedo assim, muito menos durante o fim de semana. Se levantou rapidamente, indo até a porta e esperando que não fosse problema.
- Sr. Potter?!
- Por que todos ficam tão surpresos ao me verem em suas portas, eu me pergunto. - James murmurou para si. - Bom dia, professor Slughorn. Como vai? - Ele perguntou prontamente.
- Er, bem, ainda me situando. O que aconteceu?
- Eu gostaria de saber se tem um minuto? Eu preciso falar com o senhor, se for possível.
- Mas às...8h da manhã? - Slughorn fez uma careta ao notar a hora.
- Eu estou acordado, o senhor me parece acordado. Por que não? - Sorriu.
O professor forçou os olhos a abrirem, tentando acordar. Com um suspiro, abriu a porta, deixando James entrar.
- Aceita um chá, Sr. Potter?
- Não, obrigado. Eu irei para o café da manhã logo depois.
Slughorn apontou para a cadeira em frente de sua mesa e James se sentou, sentindo- se confortável e em casa.
- Eu devo dizer que não fabrico Amortentia para alunos, não importa o quão desesperado você me soar ou 10 galeões que poderia oferecer.
- Professor, eu não preciso de Amortentia, mas obrigado pela informação.
- Claro, claro. - Slughorn limpou a garganta. - E então? Em que posso ser útil?
- Bem, o senhor dará a sua típica festa inaugural na quarta-feira que vem, o bendito dia 26 de Outubro de 1977...
- Foram os senhores que sabotaram a festa no começo do mês, não?
James riu.
- Professor, eu mal estou tendo tempo para respirar, muito menos para sabotar a sua festa.
Slughorn não parecia de todo convencido.
- Se você diz. O que tem a festa da semana que vem? O senhor procura por um convite, finalmente? - Slughorn se recostou em sua cadeira, pegando sua xícara de chá, pronto para tomar um gole. - Seria uma pena, pois todos os convites já foram distribuídos.
- Ah, não se preocupe, Professor. Eu virei como par na festa, então não estou aqui para um convite.
- Par? Com quem, meu garoto?
- Lily Evans!
A xícara de chá foi posta muito rápido em cima da mesa.
- Virá como par da Srta. Evans? - Ele perguntou.
- Sim. - James respondeu.
-Como? Digo...desculpe, Sr. Potter, isso não é da minha conta. - Horace disse, mas olhou de lado para James, esperando que o aluno desse a resposta de qualquer jeito, o que não aconteceu.
- Bem, o único problema é que há algo muito importante que eu tenho que fazer neste mesmo dia e ele é inadiável. Então eu me peguei pensando se era muito tarde para pedir, encarecidamente, uma mudança de data?
Slughorn começou a rir levemente, inicialmente, antes de rir um pouco mais. James apenas sorriu para o professor, o assistindo se divertir com o seu pedido.
- Ora, Sr. Potter. Nós estamos há três dias do evento. Acha que eu poderia, novamente, cancelar com pessoas importantes em cima da hora? Eles foram muito gentis entendendo o problema da primeira vez, mas se eu cancelar a cada momento que um de nós tivermos um problema, é melhor nem planejar, certo?
- Certo, eu estou de acordo com o senhor, professor. E eu imaginava que seria complicado, mas eu quis tentar.
- Sim, claro. Eu fico honrado por seu grande interesse. Não é todo dia que um dos melhores alunos de Hogwarts clama para participar de um dos meus prestigiados eventos.
Realmente é no seu prestigiado evento que estou interessado, pensou James ironicamente, mas o moreno apenas deu de ombros, assentindo.
- Tendo em vista a dificuldade de adiamento, eu gostaria, então, de saber se há a possibilidade de começar mais cedo. - James insistiu. - Essa possibilidade existiria?
- Mais cedo? - Slughorn soava um pouco perdido. - O quão mais cedo?
- Ao invés das 20h30, começar às 18h30?
- Sr. Potter! Qual evento de alto prestígio começa tão cedo assim? Eu sou um professor e tenho aula até às 18h. Eu não poderia me preparar em meia hora!
- Não? - James perguntou inocentemente.
- Claro que não!
James se levantou, parecendo desapontado. Ele parou logo atrás da cadeira e bateu seus dedos ali, despretensiosamente.
- Uma pena. Bom, obrigado, professor.
- Eu sinto muito, Sr Potter. Eu adoraria a sua presença mais do que imagina.
- Sim, claro. Bem, eu tentei.
Ele deu as costas para Slughorn e ia em direção à saída, quando se virou.
- Não tem nada a ver com o que estávamos conversando, mas eu esqueci de dizer antes. O senhor sabe que eu sou bom em Poções. Digo, eu não posso me comparar com a sua pupila Lily Evans ou com o Ran-Snape.
- Sim, sim, o senhor tem ótimas notas em Poções. O seu NOMs foi admirável.
- Pois é, e a minha nota no ano passado melhorou ainda mais durante os trimestres. Meus pais ficaram bem orgulhosos, sabe. Principalmente o meu pai, Fleamont Potter. Acho que o senhor o conhece...?
Os olhos de Slughorn brilharam ao mero som do nome de Fleamont.
- Oh sim, Fleamont Potter. Ainda que seja meu camarada de profissão, Pocionista, eu nunca tive o privilégio de conhecê-lo. Sei que vendeu os negócios há alguns anos e se aposentou, além de estar fazendo alguns trabalhos para o Departamento de Aurores. - Slughorn cochichou a última parte, como se alguém pudesse escutar.
- Este é o meu excelentíssimo pai. Vendo que o conhece bem, deve imaginar a curiosidade dele em saber sobre o meu professor de Poções, que tanto me ajudou a progredir. - James não pensava que fosse possível, mas os olhos do professor brilharam ainda mais. - Então durante o verão, eu conversei e falei um pouco mais sobre o senhor, professor. Ele ficou intrigado e curioso. Talvez, se um dia o senhor estiver disposto, eu poderia tentar arranjar um encontro entre vocês. Eu tenho certeza que ambos iriam apreciar.
- Sim! Seria um prazer recebê-lo para uma Slug party. Muitos alunos ficariam fascinados com sua presença. - Slughorn se deixou relaxar na cadeira, pensativo e fantasioso. - Sim, uma honra, de fato. - Pensou alto.
- Até mais, professor. Tenha um bom domingo.
Em um rompante, Slughorn se levantou e olhou para James se direcionando para a porta.
- 19h30. O que acha de mudarmos para 19h30 a festa na quarta que vem?
Antes de se virar, James teve que esconder o sorriso vitorioso.
- Soa perfeito para mim. - Respondeu.
- Ótimo. Eu irei avisar a todos os convidados. Muito trabalho agora...sim, mudar o horário. Até mais, Sr. Potter.
- Até mais!
Nunca havia usado o velho truque de pais influentes antes, mas o que ele poderia fazer? Lily Evans o queria como par e ele iria usar tudo o que podia para poder desfrutar daquilo, além dela mesmo ter dado essa brilhante ideia, ainda que indiretamente.
Agora teria que avisar Fleamont sobre esse pepino que o filho arrumou para ele.
Algo pesado caiu contra ela.
- Ouvi dizer que queria falar comigo?
- Como você sempre consegue me encontrar? - Lily perguntou olhando para Remus que acabara de se sentar ao seu lado em frente ao lago. Era um bom domingo ensolarado e, apesar de não estar quente, os raios de sol eram muito bem-vindos.
- O importante não é "como", mas sim que eu sempre encontro. - Ele sorriu para a ruiva. - Mas nós vamos te mostrar um dia o "como" acontece.
O cansaço já batia na porta de Remus e era bem visível. Os olhos dele ficavam um pouco mais caídos, o seu rosto ficava pálido e os cabelos quase tão bagunçados quanto os de James.
- Como se sente, Rem?
- Bem, na medida do possível. Está preocupada comigo por alguma razão, por isso quis conversar longe de todos?
- Podemos dizer que sim. - Ela comentou, soltando a respiração e se virando para o lago. - Eu conversei com James ontem.
- Do que estamos falando exatamente? Pois eu soube do convite para uma tal festa...- O tom de voz dele era brincalhona, fazendo Lily tentar segurar o riso tímido, mas não conseguindo.
- Você é mesmo amigo deles, Remus John Lupin.
- Eu nunca neguei. Ok, continue.
- Sim, eu convidei James para ser meu par na Slug Party. E então ele aceitou e depois negou.
- E depois ele foi bater às 2h da manhã no dormitório feminino apenas para te dizer sim. - Ele a completou. - Eu disse para ele, mais de cinco vezes, para esperar até hoje de manhã, mas ele insistiu. Depois de tanta conversa, ele saiu do quarto dizendo "eu não quero deixá-la dormir com essa ideia na cabeça".
Ela sorriu com aquela frase.
- Não foi um problema ele ter ido...quero dizer, sim e não. Vocês sabem mesmo como burlar as escadas e invadir o dormitório feminino. Digo, isso é um problema.
- Você não deveria estar surpresa por sabermos isso.
- Eu não estou, apenas consternada por ter confirmado a minha teoria. De qualquer forma, eu queria pular para a parte em que conversamos e ele quase me fez chorar.
- O que? De novo? - Remus estava chocado. James não havia contado isso para eles. O que o imbecil do seu amigo havia feito mais uma vez?
- Calma, não foi por maldade. - Ela sorriu e voltou sua atenção para o lago. - James me contou que te ajuda na lua cheia.
- O que ele disse exatamente? - Remus perguntou, surpreso.
- Nada demais, apenas que sempre está lá para você. Ele e os outros. Eu nunca poderia pensar diferente...eu sei o quanto vocês se amam.
- Os Marotos é igual uma família: você não escolhe amar, mas como eles estão ali, você se apega.
Lily riu e assentiu.
- Assim como eu acho que quando vocês amam alguém, a pessoa não tem muita escolha também.
- Não, não tem. - Ele meneou a cabeça.
Eles ficaram em silêncio, contemplando a companhia um do outro e o bom tempo que fazia. Lily gostava de ter esses momentos com Remus, poder sentir a calma que ele exalava e a bondade que parecia fluir por todo o seu corpo.
- Eu não quero que você seja prejudicado por conta de uma festa boba. - Ela recomeçou a conversa. - Eu me sentiria a pior pessoa da face da terra.
- Eu não serei prejudicado, Lily.
- Se James está lá todas as vezes, então há uma razão. Eu não quero desequilibrar algo, fazer faltar uma peça importante de algo que te ajuda a ter uma noite mais tranquila.
- James é uma peça importante nas minhas noites de lua cheia, mas nenhum deles é o meu pilar. - Remus respondeu, os olhos perdidos na superfície do lago. - Não por não serem o suficiente, mas porque eu não posso deixá-los ser. Não posso jogar essa responsabilidade neles, assim como eu não quero que eles se sintam responsáveis por mim.
- Eu acho que você já está bem fora da realidade aqui. Aqueles três caras fariam tudo por você...e essa garota aqui também.
Ela se deitou no ombro dele, de um jeito que já fizeram muitas outras vezes e sentiu o respirar fundo dele, como se tivesse que se acostumar com aquela ideia de que havia quatro pessoas, pelo menos, à sua volta e que fariam tudo e mais um pouco por ele.
- Eu quero que James vá com você na Slug Party, Lily. Eu quase preciso que ele vá.
- Por que? - Ela perguntou com um tom de riso.
Remus quase respondeu que precisava que James tivesse aquele momento para parar de quase ter um treco por causa dela todos os dias. Mas ao invés, ele limpou a garganta e continuou.
- Porque vocês dois precisam!
- Do que está falando, Rem? Eu não preciso que alguém me acompanhe na festa, sabe?!
- Não é por isso que eu digo que você precise que James vá. - Ele tentou olhar para Lily deitada em seu ombro. - E você sabe do que estou falando.
- Não sei não. Desculpe.
Ele gemeu de frustração, fazendo Lily rir novamente.
- Apenas aceite que ele vá. James pode vir nos encontrar depois da festa ou nem vir.
- Remus, mas e se...
- Pelo amor de Merlin, vocês dois são tão teimosos. Não é à toa que está tudo tão lento. - Ele disse, quase irritado. - Deixe o cara vir te pegar no seu vestido bonito e te levar nessa miséria de festa, Lily Evans.
Ela se levantou de seu ombro, um sorriso ainda brincando em seus lábios.
- Eu o convidei, então eu quem o buscará nas vestes bonitas dele e levá-lo nessa miséria de festa.
- Tanto faz a semântica! - Ele abanou a mão.
Lily pensou por um momento e, sabendo que Remus era tão responsável quanto ela e nunca iria deixar dois amigos ficarem em perigo caso um não estivesse por perto, talvez...talvez, então, deveria deixar aquela festa acontecer de vez, deixar com que ela fosse buscar James Potter em suas vestes bonitas e levá-lo.
Finalmente levá-lo naquela miséria de festa.
- Ok.
- Ok? - Ele perguntou, se virando para ela. - Você vai, então, levar James na festa com você? - Remus parecia tão feliz, que quase parecia que era ele quem estava recebendo a melhor notícia da vida.
- Sim, eu vou levá-lo para a festa.
O maroto fechou os olhos e sorriu enquanto levantava o rosto na direção do céu.
- Obrigado, Lily. Obrigado. - Ela franziu a testa, mas riu. - Agora, por favor, vá atrás dele para dizer isso.
- Eu não sei onde ele...
- Na sala dos monitores-chefes. - Antes que ela perguntasse como sabia, ele continuou. - Apenas acredite em mim e vai.
A ruiva se levantou e começou a se encaminhar para o castelo enquanto Remus a assistia. E por um longo momento, o maroto ficou pensando sobre os desdobramentos das últimas semanas, da festa de Slughorn ter sido cancelada pelo professor ter sido convidado para um evento no Ministério e ter sido uma pegadinha, assim como o pedido estranho e secreto de Alice e Marlene para Sirius e ele há algumas semanas atrás: conseguir um carimbo oficial do Ministério para um "pequeno trabalho".
- Este lugar está ocupado?
James sorriu antes de levantar os olhos de sua revista de Quadribol e se deparar com os olhos verdes brilhantes. Não ouviu o quadro abrir ou Lily se aproximar.
- Gostaria...? - Ele perguntou, apontando para a poltrona ao seu lado na sala comunal dos Monitores-Chefe. Lily sentou na ponta da mesma, provavelmente não planejando ficar por muito tempo.
- Eu acordei bem cedo e vim para me trocar, mas não te vi por aqui. Você esteve fora com os primeiros raios de sol hoje.
- Tive que fazer uma visita para alguém. - ele deu de ombros, sorrindo.
- Engraçado, porque eu recebi uma retificação no meu convite para a Slug Party. Aparentemente, ela começará 1h antes do previsto.
- Hm, sério? Interessante. - Ele fechou a revista e cruzou os braços, a fitando. - Estranho Slughorn ter mudado de ideia assim, em pleno domingo cedo.
- Sim, também achei. - Ela tamborilou na mesa com as unhas por alguns segundos, enquanto o encarava. James tentou parecer o mais angelical possível enquanto esperava pela continuação da conversa, já que via que Lily estava prestes a falar algo, mas estava refletindo como. - Eu vou te perguntar algo, James Potter...e você me responda como quiser, mas será a minha última vez.
- Diga.- Ele ficou intrigado.
- Você aceita ser o meu par na Slug party semana que vem e sair mais cedo para ajudar Remus depois?
Ele tentou não sorrir como um louco, mas talvez tenha falhado um pouco.
- Bom, vejamos...quantos "nãos" eu já recebi anteriormente? Será que eu deveria ser tão fácil assim? - Lily levantou uma sobrancelha para ele. - Sim, Lily Evans. Eu serei o seu par e não, eu não vou mudar de ideia até lá.
Foi a vez de Lily sorrir para ele.
- 19h20 na sala comunal da Grifinória? - Ela perguntou.
- Eu estarei lá. - Ele se recostou na cadeira, cruzou os braços no peito e esticou as pernas.
Ela se levantou e começou a se direcionar até o quadro para sair, sabendo que Marlene e Alice a aguardavam para um domingo pelas terras de Hogwarts.
- Hey, Lily! - Ele a chamou, fazendo-a parar seu caminho e o fitar. - Viu como não é tão difícil dizer "sim" para um inocente e agradável convite, ainda com todo o histórico de recusas que temos?
Lily abriu um sorriso malicioso.
- Se eu for convidada à Hogsmeade na próxima vez, talvez eu possa concordar com você! Até lá, são apenas suas suposições.
Abrindo mais o sorriso ao ver a surpresa estampada no rosto de James, ela se virou e foi se juntar às amigas, não dirigindo o seu olhar para ele novamente até sair.
Quando passou pelo quadro, tentou acalmar o coração que batia descontroladamente. Ela tinha, oficialmente, um encontro com James.
Será que ele também via assim? Ou talvez apenas algo amigável? Droga! Agora iria ficar com aquilo na cabeça.
- Acorda, Lilykins! - Marlene estalou os dedos na frente do rosto de Lily.
- Eu vou sair com James Potter! - ela disse realizando apenas agora o que iria acontecer.
- O que? - Marlene e Alice perguntaram ao mesmo tempo.
- Eu vou na Slug Party com James. Nós temos um encontro. Eu realmente convidei James Potter para sair.
Marlene começou a rir e Alice deu um grito de alegria, abraçando a amiga logo depois.
- Eu não estou crendo. Minha Lily cresceu e vai sair com James Potter. Eu não acho que isso seja a realidade, eu devo estar dormindo. - Marlene dizia.
- Cala a boca, Lene.
- Imagina o quanto ele não está feliz? - Alice disse, sorrindo. - Aposto que se entrarmos por este quadro, ele estará dançando.
Lily revirou os olhos, mas de repente teve mesmo vontade de voltar e ver o que ele fazia. O que não precisou, já que o quadro abriu e James saiu logo em seguida. O maroto parou de repente ao ver as três grifinórias paradas ali, olhando para ele.
- Ooooi, James! - Marlene o cumprimentou com um tom pervertido na voz enquanto acenava para ele.
- Hey Marlene. - Ele sorriu para ela. - Por que você está soando assim?
- Nada! - ela respondeu no mesmo tom. - Como você está hoje?
- Feliz? - Alice continuou.
A ruiva apenas quis morrer. Elas conseguiam ser piores que os marotos. Nenhum deles havia feito piada até o momento sobre nada que envolvesse os dois tão abertamente. E um dos marotos era Sirius Black, por céus.
- Sim. Por que? - Ele perguntou. Os olhos dele caíram em Lily. Ela apenas respondeu dando os ombros.
- Imaginamos. - Alice sorriu enquanto se entreolhava com Marlene.
- Bem, eu vou indo. - James disse um pouco confuso, apontando para trás. - Bom dia, senhoritas! - Ele piscou para elas e deu as costas.
As três garotas assistiram o maroto se afastar pelo corredor.
- Ele tem um belo traseiro! - Marlene comentou.
- Verdade! - Alice concordou.
- Bem, o que eu posso dizer? Eu concordo com vocês!
Elas riram e se viraram para o outro lado do corredor, indo aproveitar o domingo juntas nos jardins.
Lily não estava acreditando que estava esperando por James na sala comunal da Grifinória e ele estava cinco minutos atrasado. Sim, era muito bobo da sua parte pensar que seria o contrário, ainda que ela odiava atrasos e evitava o máximo, mas imaginava aquele básico clichê de que desceria as escadas e ele estaria esperando por ela.
Ledo engano.
Começou a se perguntar se ele estava falando sério quando disse "eu estarei lá" quando eles combinaram a hora. Cinco minutos não era nada, mas considerando que ele ainda teria que ir embora mais cedo, já eram minutos a menos juntos.
A quem ela estava tentando enganar? Estava daquele jeito, porque estava nervosa. Era o primeiro encontro - achava que poderia chamar de encontro - com James e seu coração estava louco de nervoso. Por que tanta demora?
Arrumou o seu vestido pela quinta vez, querendo se distrair dos olhares dos poucos estudantes por ali. Muitos já haviam descido para o jantar, mas os poucos que restaram estavam bem curiosos sobre Lily Evans estar portando um elegante vestido azul escuro, sapatos altos da mesma cor e o cabelo caindo em ondas macias...além da expressão de nervoso.
Ela iria matar James Potter.
- Eu estou perdendo algo, não?
Se virando para o lado, Lily se deparou com Eric Bell, o sextanista batedor do time da Grifinória e idiota nas horas vagas.
- Talvez o jantar? - Ela apontou.
- Talvez eu perderia algo se tivesse descido para o jantar.
- Talvez você deveria descer para jantar! - Ela continuou. Não que Eric Bell fosse um idiota sem fronteiras, mas não era o grifinório favorito na lista de Lily. Não quando ele tratava e falava das garotas como se fossem lixo.
Na verdade, Eric Bell era sim um idiota sem fronteiras.
- Lily, Lily. Quando vai me dar bola? - Ele tentou soar galanteador, mas para ela parecia mais uma zueira sem precedentes. - Você está no último ano e logo irá embora. Precisamos começar nosso tórrido romance o mais rápido possível.
- Você está brincando, certo?
- Vamos lá. Eu sei que não sou feio e a diferença de idade não influencia em nada.
- Você pode ser agradável de se ver, mas horrível de suportar. Você ser mais novo do que eu não influencia, de fato, mas o resto sim.
Eric fez uma careta e estava pronto para responder, quando foi cortado.
- Treino sexta-feira às 17h, certo, Bell?
A voz de James em um tom cínico fez ambos se virarem. Lily poderia esperar por alguns minutos a mais caso tivesse aquela visão todos os dias. As vestes negras e elegantes de James a fizeram abrir a boca por alguns segundos. Os cabelos continuavam bagunçados, mas naquele momento ela conseguiu ter a visão do homem que ele estava se tornando.
E que homem.
- Sim, está marcado. - Eric respondeu, olhando James de cima a baixo, percebendo as vestes do maroto que gritavam dizendo que ele e Lily estavam indo juntos para algum lugar.
- Imagino que era por isso que estava aqui perturbando a Evans? Na próxima, pode vir me perguntar diretamente.
- Na verdade, não era sobre o treino. - Aparentemente, Eric Bell não sabia usar as oportunidades de escapar de uma situação complicada, mesmo elas sendo dadas de mãos beijadas.
- Não? Sei que Lily é a Monitora-Chefe, mas nunca imaginei que teria algum assunto para discutir com ela.
- Nós temos muitas coisas que poderiam ser discutidas. - Eric olhou para Lily e sorriu. Ela revirou os olhos. - Mas eu imagino que perdi a oportunidade hoje. Você foi mais rápido, Potter.
- Pelo pouco que ouvi, você nunca teve a oportunidade e nem terá. - James respondeu, depois se virou para ela. - Desculpe a demora, eu tive um pequeno problema lunar para resolver.
- Sem problemas. Eu estou pronta se você estiver.
Lily aceitou o braço que James lhe ofereceu e ambos, ao mesmo tempo, acenaram para Eric Bell. Antes de saírem pelo quadro, James enviou um olhar atravessado para o seu batedor esperando que fosse o suficiente para que ele mantivesse a distância.
- Ele é intragável. Como vocês podem suportar aquele tipo de pessoa na equipe? - Ela começou quando já estavam no corredor. Sentia o corpo em ebulição de raiva.
- Você está linda!
As palavras dele talvez escondiam um feitiço de perda de memória, pois ela conseguiu esquecer da raiva no segundo seguinte, fazendo seu rosto corar.
- Obrigada, Potter. Você também!
- Um elogio seu assim. Eu só posso estar lindo mesmo.
Ela riu e deu um leve tapa no braço dele.
Caminharam e conversaram durante o trajeto, um tipo de conversa leve que estavam acostumados, o que deixou Lily menos nervosa. Se deveria realmente considerar aquilo como um primeiro encontro, ela ainda não sabia, então era difícil saber como agir. Deveria tentar ser sedutora? Deveria apenas deixar tudo ser levado naturalmente? Deveria deixar claro que ela gostaria de ser beijada?
Por Merlin, aquilo era algo que queria, mas não sabia se era a melhor ideia no momento. Sentia que James estava perto, que ele talvez também quisesse, mas não parecia ter aquilo em mente como "prioridade" entre eles.
Para ser sincera, ela estava gostando do que estava acontecendo. Sorriu ao pensar nisso. Era instigante e excitante não saber o que iria acontecer, flertar com ele, ter seu corpo revirado com palavras ou as atitudes dele. Ao mesmo tempo, gostava da amizade de James Potter. Lily podia ver o motivo das pessoas gostarem de estar à sua volta, de ter três amigos muito leais, até de seu fã clube.
Apreciava muito a companhia dele, seja para qualquer uma das opções acima.
- Como estão as preparações para o primeiro jogo de Quadribol, capitão Potter? - ela perguntou após ele ter dito que teriam muitos treinos no fim daquela semana, já que o primeiro jogo seria no fim de semana que vem.
- Ótimas. Nas reuniões e treinos que tivemos, estamos bem alinhados, como se não tivéssemos parado entre o último jogo do ano passado e esse.
- Vocês fizeram uma campanha impecável no sexto ano. Vitórias fáceis e rápidas.
- Eu espero que não seja diferente dessa vez. - ele deu de ombros.- Mas a Corvinal está com um time tremendo. Não será um jogo fácil ou rápido, tenho certeza. Lufa-Lufa e Sonserina estão desestabilizados com a perda de bons jogadores, mas...
- Conversa sobre Quadribol? Eu estou dentro!
Os dois grifinórios já estavam alguns passos perto da festa, já podiam ouvir a música e a conversa, mas o senhor estava parado entre duas estátuas ao lado de Lily, quase a matando do coração. A ruiva sentiu que James ficou tenso de repente e ela não sabia se ele era alguém que deveria temer ou não.
- Sr. Plumpton! - Sem soltar o braço de Lily, James se aproximou do homem e ofereceu sua mão. - James Potter. Capitão da equipe da Grifinória.
- Olá, Sr. Potter. Um prazer conhecer um capitão de Hogwarts.
- É um imenso prazer da minha parte, com certeza.
Pronto. Lily havia perdido James para o Roderick Plumpton. Ela riu internamente com o olhar brilhante de James para o seu suposto ídolo, como se fosse uma criança vendo o Papai Noel com um saco cheio de presentes.
- Esta é Lily Evans. - James apontou para ela. Roderick Plumpton segurou sua mão e a beijou de um jeitinho galante.
- Um prazer, Srta. Evans. Veio como par do capitão?
Lily soltou um riso pelo nariz.
- Não, James veio como meu par.
- Ah sim? - o homem parecia surpreso. Lily não entendeu a surpresa.
- Pois é. Como eu poderia ignorar a honra de um convite desses. - James se virou para Lily e sorriu.
- As coisas mudaram ultimamente. - O homem comentou.
- O que quer dizer? - Lily perguntou levantando uma sobrancelha.
- Eu nunca pensei que seria o senhor sendo convidado, ainda mais sendo um capitão de Hogwarts. Duvido que seja capitã de um time, senhorita. - Roderick Plumpton se virou para Lily, com um sorriso leve. - Me pergunto o que Slughorn vê em tal dama. Beleza, certeza. - Ele piscou para ela.
Ela tentou manter o seu rosto o mais passível possível, tentando esconder o fato de que ele soava como alguém que gostaria de receber um soco no meio da cara.
- Lily Evans é tão bonita quanto é inteligente. A melhor aluna desta escola, eu posso confirmar. - Disse o maroto, arrumando a postura, ficando ainda mais alto do que era.
- Claro, o clássico esteriótipo da garota inteligente saindo com o esportista do castelo. - O homem riu sozinho e quando James abriu a boca para responder, Lily pousou sua mão no braço dele e balançou a cabeça, virando-se para o infeliz senhor na sua frente.
- Desculpe, Sr. Plumpton. - Lily limpou a garganta. - Eu li coisas maravilhosas de sua pessoa, de seus ganhos, de suas conquistas, mas eu vejo que admirei um homem um pouco perdido em seu tempo. Com licença.
Desvencilhou-se do braço de James e rumou até a festa. Assim que passou pela porta, alguém pediu o seu convite e ela o entregou.
- Sem acompanhantes, Srta. Evans? - O garoto responsável por checar os convites perguntou. Tinha quase certeza de que ele era do quinto ano da Corvinal.
- Um acompanhante! - James parou ao lado da ruiva e sorriu para ela. O maroto suspirou ao ver a expressão da garota. - Desculpe por aquilo lá atrás. Eu acho que Roderick Plumpton é um idiota, no final. Agora não duvidarei quando disserem que a captura do pomo em três segundos e meio foi um acidente. Ele não soa como alguém inteligente o bastante para isso. - Lily sorriu e assentiu. Talvez ela também não duvidaria. - Eu também fiz questão de deixá-lo saber disso, uma pena você não ter ficado para ver.
- Oi, James! - O garoto que recolhia os convites chamou a atenção de ambos e quando o par se virou para ele, o garoto corvino ficou vermelho. Lily levantou as sobrancelhas e segurou o sorriso.
- Como vai, Stefan? - James o cumprimentou dando um tapa amigável em seu ombro. - Trabalhando hoje à noite?
- Sim. Assim que soube quem estaria na festa, eu não pude deixar de me candidatar. - O garoto respondeu.
- Eu não sabia que a minha presença era de conhecimento geral. - James brincou, fazendo o garoto ficar mais vermelho ainda. Lily revirou os olhos.
- Eu...er...
- Não se dê o trabalho de responder, Stefan. - Lily abanou a mão. - Deixe-o pensar que essa piada foi engraçada. - Ela sussurrou para ele, o fazendo sorrir.
- James é engraçado. - Stefan respondeu fitando o maroto com os olhos brilhantes.
- Obrigado, Stefan. Alguém com uma boa dose de humor é sempre bom. - Lily o fuzilou com o olhar, mas deixou um leve sorriso escapar. - Mas se está aqui por Plumpton, sinto informar que acabamos de descobrir que ele é um imbecil. - O maroto deu de ombros, lamentando. - Bem, vamos atrás das bebidas? - James ofereceu para Lily sair na frente. - Até mais, cara.
- Até mais.
Lily liderou o caminho por entre as pessoas, estando bem ciente do corpo de James logo atrás dela.
- Arrasando corações até dos quintanistas corvinos? - ela disse segurando a risada.
- Do que você está falando?
- Não! - ela disse, sem acreditar. - Não vai me dizer que você não reparou.
- O que? - James perguntou de novo.
- James Potter, aquele garoto estava completamente derretido por você, só faltou se abaixar e beijar seus pés.
- Sério? - O maroto olhou para trás, em direção a entrada. Ela não podia crer que ele era tão obtuso com alguém tão afim dele.
- Você me choca assim.
- Oras, ele sempre foi simpático e eu sempre fui simpático de volta.
- O que é muito legal da sua parte, mas ele não é simpático apenas para ser seu amigo.
James olhou em direção a porta novamente antes de se virar para ela.
- Bem, espero que ele não espere algo de mim, porque ele nunca esteve e nem estará nos meus planos.
- Oh pobre Stefan. Vai mesmo quebrar o coração dele? - ela dizia em tom de brincadeira.- James Potter, o arrasa-corações.
- Eu não arraso o coração de ninguém. Na verdade, o meu é que sempre é arrasado!
- Conta outra.
- E você gostaria de falar sobre você mesma? - Lily colocou a mão no peito. - Você destruiu o coração de tantos caras nesta escola. Continua destruindo, aliás.
- Absurdo esse tipo de acusação.
- Lily querida!
Slughorn se aproximou de ambos e colocou sua mão no ombro da ruiva, apertando-o. Havia um outro homem com ele que ela não conhecia.
- Olá, Professor Slughorn. - ela respondeu.
- Sr. Potter. Eu vejo que conseguiu vir. - Slughorn assentiu para James.
- Eu não perderia essa oportunidade por nada.
Lily sentiu a mão dele se acomodando na parte baixa de suas costas. Ela respirou fundo.
- Muito bem, muito bem. Lily, este é o Sr. Ludovic Jigger, neto de...
- Arsênio Jigger? - ela perguntou rapidamente.
- Exatamente. - Ludovic pegou a mão de Lily e a beijou. Sentiu a mão de James ficar mais firme em suas costas. - Um prazer, Srta. Evans.
- O prazer é meu, Sr. Jigger. Uma cópia de "Bebidas e Poções Mágicas" fica sempre ao lado da minha cama. - Ela sorria como uma boba. Virou para James, que tinha os olhos um pouco cerrados. - James Potter, meu acompanhante. - Ela o apresentou e os dois homens se cumprimentaram.
- Potter! Algum parentesco com Fleamont?
- Filho! - James respondeu.
- Olhem só, mas esta roda de conversa é muito intrigante. - Slughorn começou. - Temos Jigger, neto de um dos melhores pocionistas que conheci. Temos Lily Evans, a minha melhor aluna de Poções e James Potter, filho de um outro melhor pocionista que já ouvi falar. E, claro, eu mesmo.
Slughorn sorria como se tivesse ganhado na loteria bruxa e os encarava apaixonadamente. James não poderia achar aquela conversa mais tediosa, porém apenas ficou por conta de Lily, que adorava o assunto.
E aquele tal Jigger que não tirava os olhos dela. O cara deveria ter uns trinta anos?! Não havia outras mulheres mais velhas e desacompanhadas naquela festa para ficar de olho?
- Champagne? - Uma garota ofereceu as taças para o grupo. Todos eles pegaram, menos James.
- Não é chegado à alcool, Sr. Potter? - Ludovic perguntou levantando a própria taça para o maroto. - Talvez, pela idade, não esteja acostumado?
- Não por isso, mas eu tenho coisas muito importantes para serem feitas depois. - James sorriu educado para o homem. - Apesar da idade, eu diria que estou sendo mais responsável do que alguns mais velhos essa noite.
- Então um brinde, Srta. Evans. - Ludovic piscou para Lily enquanto suas taças se encontravam. - Um brinde à melhor aluna de poções de Hogwarts, como foi dito. Espero conhecer um pouco do seu trabalho. - Ele disse baixinho para ela.
Lily sorriu e limpou a garganta.
- Se nos der licença, Sr. Jigger. Nós temos alguns amigos para encontrar e botar o papo em dia.
Lily acenou para ele, enlaçou seu braço com o de James novamente e o puxou para longe. James não poderia ficar mais feliz por aquilo e tão surpreso por ter sido tão de repente.
- Eu pensei que você estivesse feliz conversando com o neto do cara que escreveu o livro que fica ao lado da sua cama. - Ele não resistiu em dar uma alfinetada.
- Eu estava, até o momento em que ele começou a ficar inconveniente. Francamente, os homens são idiotas e eu consegui ter um combo deles em menos de meia hora.
- Wow! O que eu fiz? - James perguntou.
- Nada. - Ela o olhou de lado. - Ainda!
- A sua falta de confiança em mim é tocante, Evans!
Com um riso que tirava James dos trilhos, ela se postou em sua frente, dando pequenos passos de costas enquanto o fitava.
- Eu estou confiando em você. Senão, não estaríamos aqui hoje. Portanto...- ela se aproximou dele e colocou sua boca em seu ouvido. - ...não me decepcione!
Antes que ela se afastasse, James colocou uma mão em suas costas e a segurou contra si, aproximando sua boca do ouvido dela agora.
- Eu não irei.
Eles trocaram um sorriso significante até James se dar conta que estavam no meio de uma Slug Party, com professores e pessoas importantes fora de Hogwarts e segurava Lily de um jeito provocativo. Aquela noite não era sobre ele, seu futuro ou seu interesse naquela gente - ainda que estivesse ansioso para conhecer Roderick Plumpton, mas que acabou caindo em decepção ao vê-lo tratar Lily daquele jeito -, mas era para ela. Lily gostava daquela festa, achando interessante e importante para o próprio futuro e não queria ser o cara que daria uma imagem estranha para aqueles velhos sensíveis.
Ou pessoas mais novas, porém sem ideia de sua idade um pouco mais avançada, e que ficam flertando com adolescentes. Independente quem tivesse sido o seu bendito avô.
- James Fleamont Potter!
Um velho senhor com um sorriso gentil, apesar de seu duro olhar, se aproximou de ambos.
- Sr. Tugwood. - James o cumprimentou e ouviu um suspiro vindo de Lily ao seu lado.
- Imaginei que fosse o filho de Fleamont. Este cabelo não tem como esconder, tem? - O senhor deu uma leve risada debochada, fazendo James dar de ombros enquanto concordava.
- Esta é Lily Evans. A melhor pocionista deste castelo.
As bochechas de Lily se avermelharam instantaneamente e deixou sua mão ser beijada pelo homem em sua frente.
- Um prazer, Sr. Tugwood. Devo dizer que sua esposa e suas poções foram, de fato, de grande ajuda para mim.
- Ora, senhorita Evans, me dirá que não é tão bela quanto a imagem que tenho neste momento? Eu duvido que tenha precisado de uma poção embelezadora da minha falecida esposa.
- Aaaah! - James se virou para a ruiva e um sorriso brincalhão. - Todo esse tempo tem usado uma poção embelezadora, Lily? Tudo faz sentido agora. - O maroto se virou para o homem e cochichou alto o suficiente para Lily ouvir. - Confesso que achava estranho que fosse tão bonita assim.
- Pare! - Ela disse mais vermelha que os próprios cabelos. - Na verdade, foram as poções para cicatrizes. Consegui entender melhor como os ingredientes funcionavam e consegui grandes avanços em algumas poções de cura.
- Isso me deixa extremamente feliz, senhorita Evans. Pretende compartilhar suas notas algum dia?
- Quando estiverem mais bem organizadas e desenvolvidas, com certeza.
Sr. Tugwood tirou um cartão de dentro de seu casaco e entregou para a ruiva.
- Fique com o meu contato. Ou poderia pedir diretamente para Fleamont me contatar. Eu adoraria discutir mais sobre isso.
A felicidade que a invadiu não poderia ser maior.
- Obrigada, seria uma honra.
- E espero que salve a primeira dança para mim em alguns minutos.
- Será um prazer.
- Mande meus cumprimentos ao seu pai. - O sr. Tugwood se virou para James. - Ele ainda me deve uma garrafa de whisky de fogo escocês desde o nosso último encontro.
- Eu enviarei a mensagem.
Sorrindo, o Sr. Tugwood se afastou e se dirigiu a um grupo de senhores que bebiam e conversavam alegremente. Lily o seguia com os olhos como se estivesse apaixonada. Aquele homem era o marido de Sacharissa Tugwood, que era responsável por muitas poções embelezadoras de hoje em dia. Seus artigos sobre as poções ajudaram Lily com as próprias poções de cura e era uma pena a mulher ter falecido há alguns anos.
- Como você o conhece? - Ela não resistiu perguntar.
- A família Tugwood sempre foi próxima dos Potter. Quando meu pai inventou a poção Sleekease, muitos do meio se aproximaram para conhecê-lo.
A ruiva assentiu.
- Tocando neste assunto...- Ela olhou para cima, para os cabelos de James. O maroto começou a rir na mesma hora.
- O quê? - Ele perguntou ainda rindo, mesmo já sabendo.
- Por que?
- Por que o quê?
- Por que a poção de seu pai não funcionou nos seus cabelos?
Ele riu mais um pouco antes de responder.
- E se eu te disser que meu cabelo é assim, porque meu pai testou uma poção nova e nunca conseguiu reverter?
Lily abriu os olhos com surpresa.
- O seu pai foi o responsável pelo seu cabelo ser desse jeito? E eu pensando que você fazia de propósito.
- Bom, eu fico feliz que você goste do meu cabelo, Lily. - James resmungou, fazendo a garota se desculpar.
- Não, não, não é isso. - Ela riu, sem graça. - Eu gosto do seu cabelo. Os acho...
Sexy.
- ...os acho bonitos e estilosos.
- Havia um tempo que você não concordava.
- Naquele tempo, nem o branco do seu olho me agradava, James. - Ele não pareceu se importar, dando de ombros e sorrindo. - Mas eu gosto do seu cabelo e estou chocada que foi seu pai quem causou isso.
- Eu estava brincando. - Ele a cutucou na costela. - Meu pai não é o responsável por essa bagunça e a poção dele funciona muito bem nesse ninho de hipogrifos...eu só não gosto de tê-los arrumados.
- Ah, finalmente. Duas pessoas sãs. Posso me escorar em vocês?
Frank estava vestido tão elegante quanto James. Alice odiava aquelas festas, principalmente depois de passar quase três horas morrendo de tédio na primeira vez que o namorado a chamara para ir com ele. Então o pobre Frank ia sozinho, não culpando a namorada em não querer ir já que o grifinório marcava presença por sua mãe e não por querer estar ali voluntariamente. Passar alguns momentos de tédio na festa era melhor do que receber um berrador na manhã seguinte durante o café da manhã.
James tinha outras ideias, mas não iria despachar o pobre garoto.
- Junte-se a nós, Frank. - Lily começou. - Estamos fazendo comentários maldosos das pessoas.
- Quem é o alvo do momento?
- James e seu cabelo. Depois, eu estava pensando em falar mal de Roderick Plumpton.
- Nós já acabamos de falar do meu cabelo, obrigado. - James grunhiu.
- Ah, eu vejo que vocês trombaram com Roderick Plumpton também. - Frank fez uma careta. - Qual o problema desse cara? Ele estava sendo bem desagradàvel com um senhor ali atrás.
- Desagradável deveria ser apenas o apelido. - Lily concordou. - Mas enfim, falar mal dele só vai me deixar com mais raiva. Vamos deixar isso para lá.
- Além do mais, acho que alguém está vindo reclamar a sua dança. - James sussurrou para ela.
O sr. Tugwood se aproximou exatamente na hora em que a música começou.
- Senhorita Evans, desculpe voltar tão cedo, mas daria a honra desta dança? Então estará livre deste compromisso com este velho e poderá dedicar sua noite para os mais novos. - O homem olhou para James e piscou.
- Eu volto já. - Ela disse para os dois grifinórios e foi levada até a pista de dança pelo Sr. Tugwood.
- Se até senhores nada atraentes conseguem uma dança com ela, talvez essa seja a sua noite de sorte. - Frank riu quando levou uma olhada torta do maroto.
Ela estava sendo conduzida perfeitamente pelo o Sr. Tugwood. Finalmente alguém que lhe foi apresentado e que não foi um total imbecil com ela. Honestamente, Roderick Plumpton caiu totalmente em seu conceito e o tal Sr. Jigger, aquele predador de adolescentes, poderia ir para o inferno. Conhecia o sr. Tugwood por toda a sua vida e conseguia imaginar que Lily teria um divertido e respeitoso momento com ele. Isso se confirmou quando a ruiva jogou a cabeça para trás e riu abertamente, enquanto o Sr. Tugwood sorria e parecia confidenciar algo para ela.
Aquilo era bom, era muito bom. O seu peito doía, mas não por tristeza, muito longe disso. Era uma felicidade sem igual ao ver Lily dançando e sorrindo daquele jeito, tão leve, jovem e graciosa...tão diferente da Lily que estava sofrendo e implodiu toda a tristeza algumas semanas atrás. Então hoje o seu peito doía de felicidade por ela, com um aperto de alívio ao vê-la se divertir, mesmo que não fosse com ele ali na pista.
Mesmo ele sendo um mero expectador.
E, no fundo, era bom. Era bom não ser ele ali naquele momento, pois podia assisti-la e ficar feliz por ela. Se estivesse dançando com Lily, ele estaria, talvez, focado demais em sua própria felicidade para notar o quanto ela também estava feliz. E ele queria que ela continuasse daquele jeito, que continuasse a sorrir.
- É louco, não ? - A voz de Frank soou ao seu lado, fazendo-o tirar os olhos de Lily por um momento.
- O que é louco?
- Quando a gente sabe que ama alguém. - James não reagiu, apenas olhando para o amigo que sorria como um idiota. Frank bebeu um pouco mais da sua champagne antes de continuar. - Foi assim que descobri que amava Alice.
- "Assim"? - James ecoou a palavra, tentando entender.
- Eu sabia que estava apaixonado por ela. Tudo o que eu sentia quando estávamos juntos, era fato que eu estava apaixonado por ela, porém...- O amigo parou e olhou para o teto por um momento, parecendo procurar as palavras. - Foi diferente de quando eu notei que amava. - Frank deu uma rápida olhada para James, antes de se virar para a pista, tendo James o imitando e focando a atenção em Lily ainda dançando. - Foi em uma festa depois de uma vitória da Grifinória. O salão comunal estava fervendo, música alta até tarde da noite, bebida indo e vindo... e Alice estava tão feliz, tão desprendida de tudo e ela dançava também, assim como Lily está agora.
Os dois acompanhavam os movimentos da ruiva com o Sr. Tugwood, ambos rindo, o que fez James levantar o canto dos lábios em um sorriso.
- Então eu soube, simplesmente soube. - Frank continuou. - Que eu queria fazê-la feliz daquele jeito. Que eu não me importava quem a estivesse fazendo rir, sorrir ou gargalhar, contanto que eu estivesse com ela e pudesse ser um dos responsáveis também. - Frank deixou a taça vazia na mesa logo atrás e se virou, mas olhando para James agora. - Não foi quando eu a beijei debaixo das estrelas, nem quando tivemos nossa primeira noite, ou quando ela me levou até a enfermaria louca de preocupação quando me acidentei caindo de uma vassoura. Não. Foi quando eu a vi feliz e eu queria que ela fosse assim para sempre.
O maroto não sabia o que responder, porque o que Frank dizia era louco, realmente louco. Louco por terem tido pensamentos parecidos ao ver uma cena semelhante...
...louco, porque ele estava certo.
E a inveja, uma pequena inveja lhe bateu quando percebeu que Frank estava com Alice quando aquilo aconteceu, mas James ainda estava no caminho para conquistar Lily, lutando para que eles tivessem uma chance e esperando que, mesmo que conseguisse sair com ela novamente, mesmo que pudesse beijá-la algumas vezes, que ela sentisse o mesmo que ele.
Não uma paixonite de alguns meses, não algumas saídas e escapadas por aqui e ali...não.
- Vocês vão se casar quando saírem de Hogwarts? - Foi a única coisa que o maroto conseguiu deixar sair de seus lábios naquele momento, mesmo ele já sabendo a resposta.
- Ela precisará aceitar o pedido, claro.- Frank riu. - Mas vou pedi-la.
- Ela vai aceitar, Frank. Você sabe que vai, todos sabemos que vai.
- Merlin te ouça, mas sei que vou fazer de tudo para que assim seja.
A música que Lily dançava parecia estar chegando ao fim. Frank pegou uma taça de champagne de uma bandeja ao mesmo tempo que James viu uma sombra se movimentando pela sua direita: Ludovic Jigger parecia se livrar de uma roda maçante de velhos chatos e tinha os olhos presos em Lily, pronto para ir até ela e, provavelmente, chamá-la para dançar. O homem apenas parou e se virou rapidamente para a pessoa responsável pela música e piscou, como se desse o sinal de algo combinado entre eles.
- Nem se o inferno congelar. - ele murmurou.
- O que disse? Hey! - Frank perguntou e exclamou logo depois quando James pegou sua taça de champagne e virou tudo em um gole rápido, entregando a taça vazia e se apressando até Lily.
James Potter teria que ver chover galeões sendo vomitados por unicórnios antes de imaginar a remota possibilidade daquele cara ter uma dança com Lily naquela noite. Galeões e unicórnios, nada menos do que isso.
Então por isso andou decidido até o par que respirava com dificuldade pela dança e sorriu para o Sr. Tugwood.
- Se importa se eu tiver a próxima? - Perguntou James olhando para ambos, mas principalmente para Lily. No final, quem deveria aceitar era ela e não Tugwood.
- Foi divertido, senhorita Evans. Espero ter outras oportunidades no futuro. - O homem disse e depois se virou para James e assentiu, antes de sair da pista.
Olhando discretamente para fora da pista, viu Ludovic Jigger parado como um idiota não muito longe do grupo que havia se livrado. Riu internamente com a sua cara de fracassado.
Não, não, amigo. Aqui não! Galeões vomitados por unicórnios, no mínimo!
- Eu serei agraciada pela sua fantástica habilidade em danças, Sr. Potter? - Lily sorriu tão abertamente para ele, que sentia vontade de pegá-la no colo e correr, gritando para todos que ninguém se aproximaria mais dela, apenas ele.
- Minhas habilidades de dança? - Ele perguntou enquanto ainda ouviam os últimos acordes da última música.
- Eu já te vi dançando sem pudor nenhum em muitas festas. - Ela riu.
- Bom, o que eu posso dizer? Eu sou apenas um almofadinha mimado da família tradicional bruxa que teve muitas aulas de dança.
- Quando eu te vi dançando, não era música clássica.
- Essas danças das festas são realmente de pura alegria mesmo.
Os primeiros acordes da música que deveriam dançar começaram e James viu o sangue sumir do rosto de Lily.
I've been really tryin', baby
Eu tenho realmente tentado, querida
James não conhecia a música, mas aparentemente Ludovic Jigger escolheu uma canção trouxa razoavelmente lenta para dançar com Lily e ele não poderia ficar mais grato.
Tryin' to hold back this feelin' for so long
Tentado reprimir esse sentimento por tanto tempo
And if you feel like I feel, baby
E se você se sente como eu me sinto, querida
Then come on, oh come on
Então vamos, vamos...
- Vamos? - Ele perguntou sorrindo ao ouvir a letra da música e, sem querer perder mais tempo, James ofereceu sua mão e ela aceitou. No final das contas, teria que mostrar suas habilidades que Euphemia o fizera aprender desde pequeno.
Let's get it on, oh baby
Vamos deixar rolar
Ah, baby, let's get it on
Querida, vamos deixar rolar
E pensava que não poderia ficar mais feliz naquela noite, mas ah como ele se enganara. Como era bom ter Lily em seus braços daquele jeito, ter a mão direita bem firme em volta de sua cintura e sentir sua mão com a sua. A música era bem diferente de uma valsa ou música clássica, então eles dançavam conforme o ritmo um pouco mais rápido que demandava.
Obrigado, mãe, pelas aulas. Ou estaria fracassando em seguir uma música que não conheço e guiar Lily ao mesmo tempo.
- Eu não acho que seja um almofadinha mimado da família tradicional bruxa. - Disse Lily enquanto deslizava ainda mais sua mão esquerda entre o ombro e o pescoço de James.
- Não? - Ele perguntou surpreso.
- Longe disso.
Ele a rodopiou no lugar antes de segurá-la firme contra si novamente. Os olhos dela estavam tão brilhantes que sentia vontade de mergulhar neles.
- Ou talvez eu seja apenas um mimado de família tradicional bruxa.
- Ou talvez apenas um membro de uma família tradicional bruxa, que teve aulas de dança e que eu posso confirmar que foram um sucesso.
- Há quem discorde de você.
Ela deu de ombros, um toque de rebeldia no ato.
- O que as pessoas pensam de você não me importa.
There's nothing wrong with me
Não tem nada de errado comigo
Loving you, baby no no
amando você, querida, não não
And giving yourself to me can never be wrong
E se entregando para mim nunca poderia ser errado
If the love is true
Se o amor é verdadeiro
Ele queria rir com as últimas palavras dela e a letra da música, mas a única coisa que pôde fazer foi apertar a mão dela com a sua.
- Obrigado. - Ele finalmente disse.
- Pelo o que está agradecendo, James?
- Por não se importar com o que os outros pensam sobre mim.
Ela sorriu.
- Eu estou tendo a minha própria dose de James Potter e não haverá ninguém mais nessa vida que me dirá como me sentir em relação a você, além de mim mesma.
I'm asking you baby to get it on with me
Estou te pedindo, amor, para deixar rolar comigo
I ain't gonna worry
Eu não vou me preocupar
I ain't gonna push, won't push you baby
Eu não vou pressionar, não vou pressionar você, querida.
Sentia que podia perder todas as forças de seu corpo, ao mesmo tempo que suas palavras lhe faziam sentir o homem mais forte do mundo. Agora, mesmo se chovesse unicórnios vomitando galeões, James não sairia do lado de Lily para dar espaço para ninguém.
Então nem unicórnios vomitando galeões seria o suficiente. O mundo teria que acabar.
Percebeu que Lily parecia se divertir com a sua falta de palavras e se xingou por isso. Era naquele momento que deveria dizer o quanto queria ouvir o que Lily sentia por ele, mas aquilo havia sido ainda melhor. Porque mostrava que ela estava livre das amarras dos achismos de antigamente e aberta para vê-lo de verdade, ver que o que ele era de verdade: nada além de um cara que a amava e queria tanto ser correspondido.
- Deixei James Potter sem palavras. - Ela sorriu.
- Você pode ser a única com esse dom.
I know you know what I've been dreamin' of
Eu sei que você sabe o que eu tenho sonhado
Don't you, baby?
Não sabe, querida?
My whole body is in love
Meu corpo todo está apaixonado
E estando completamente confortáveis, eles apenas continuaram a seguir a música. Ele olhou ao redor e percebeu que vários casais também dançavam e não apenas alunos, o que lhe deu um chocante alívio em pensar apenas nisso agora: eles não eram os únicos ali. Não que importasse muito, mas naquele momento gostaria de ter aquele momento apenas com ela, sem ninguém prestando atenção apenas neles.
Porém, sabia que não teria como escapar dos muitos comentários por Hogwarts no dia seguinte.
- Eu não conheço essa música.
- Marvin Gaye, um cantor trouxa bem famoso. As músicas dele são conhecidas por... - Ela parou de falar no mesmo momento.
- Conhecidas por...?
Ela limpou a garganta.
- Ahn, por ajudar os casais a...aumentarem a família. - Ela soltou uma risada. James olhou para ela.
- Sério? Você está me dizendo que essa música não é romântica, mas sim...
- Exatamente. - Ela confirmou. James continuou sem palavras, apenas pensando naquela informação e o quanto não queria fazer uma piada que envolvia adolescentes grávidas em Hogwarts naquela noite. - Obrigada por confirmar o quanto eu posso te deixar sem palavras. Tentarei utilizar mais vezes.- Ela deu de ombros. - Talvez posso surpreender alguém com essa informação, caso alguém me pergunte.
Eles riram.
- Mas eu duvido que alguém fique surpreso ao saber que você me deixa sem palavras.
E ali estava a sua vez: Lily ficou sem palavras.
I wanna get it on
Eu quero que aconteça
You don't have to worry that it's wrong
Você não precisa se preocupar se isto é errado
If the spirit moves you
Se o espírito move você
Let me groove you good
Me deixe te enlouquecer
Let your love come down
Deixe o seu amor aparecer
Oh, get it on, come on baby
Deixe rolar, vamos, querida
- Aparentemente eu também tenho esse poder. - James sorriu e a girou novamente, fazendo o vestido azul de Lily formar uma linda onda entre eles.
- Você tem muitos poderes, James. Muitos que ainda não tem noção. - Ela respondeu quando voltou para ele.
Nothing wrong with love
Nada de errado com o amor
If you want to love me just let yourself go
Se você quer me amar, apenas se entregue
Oh baby, let's get it on
Querida, vamos deixar rolar
A música acabou e eles pararam, assim como todos os casais, todos felizes.
- Eu espero descobrir todos eles.
- Lily, querida. - Slughorn cortou o clima com uma faca bem afiada enquanto se aproximava com uma taça pela metade e um sorriso um pouco grogue. James nunca quis tanto que o professor tivesse bebido todas e estivesse caindo de bêbado em algum canto do salão como agora.
Quem? Quem em plena sanidade corta um casal que acabava de dançar uma música romântica? Ou no caso, não tão romântica assim, mas...
QUEM?
- Professor?! - Lily perguntou um pouco desnorteada.
- Eu tenho alguém para lhe apresentar e você ficará... Sr. Potter, posso roubá-la por um instante?
Você já roubou o momento, qual é o problema em enfiar essa faca mais fundo no meu peito?
- Espero que a pessoa aproveite essa chance da noite. - Ele respondeu já que estava difícil para ele mesmo aproveitar a companhia dela.
Lily lançou um sorriso culpado enquanto era quase arrastada por Slughorn, mas ele apenas deu de ombros, não querendo que ela se preocupasse ou visse a raiva que borbulhava dentro dele.
Como queria um pouco de sorte.
- Abandonado de novo. - Frank disse ao seu lado.
- Está difícil concorrer com tanta gente importante. - James olhou para o relógio e percebeu que tinha trinta minutos antes de se juntar aos outros marotos. Trinta minutos que poderia usar beijando Lily Evans atrás daquelas cortinas até fazer os dois perderem a cabeça, mas que seria desperdiçado com Slughorn tirando-a de seu alcance.
- Você é James Potter. - Recebeu um tapa forte no ombro de Frank. - Acho que está na hora de mostrar para essa gente quem são os verdadeiros astros deste lugar.
A ideia de Frank lhe acendeu uma luz. Claro. A luta não estava sendo justa e estava mais do que na hora de começar a brigar pela atenção.
Afinal, ele sabia como fazer isso.
L~J
O coração dela ainda estava na boca e suas mãos tremiam enquanto Slughorn a levava até um grupo de senhoras e senhores ao fundo da sala.
Ah meu Merlin...que terror. Por que o professor fazia aquilo com ela?
Por favor, me devolvam para os braços de James!, ela choramingava.
Maldita fosse sua educação que a impedia de fincar os pés no chão e dar meia volta, deixando aquelas pessoas desinteressantes - naquele momento - para trás e voltar para a pista e dançar todas as músicas de Marvin Gaye que existissem com James Potter. Dane-se sobre a fama do cantor, nada do que um feitiço de contracepção não ajudasse depois.
Ela riu sozinha ao pensar aquilo. Tinha sido tão sem filtro aquele pensamento, mas como poderia se impedir quando acabara de sair de uma dança com James? Com uma música de Marvin Gaye? Era praticamente os céus intercedendo por eles, obrigando-a pular no pescoço dele e enrolar as pernas na cintura dele. Bem ali, no meio de todos.
Bendito fosse James Potter e sua habilidade para dançar, sua beleza, seu cheiro e seu sorriso.
Estava tão frustrada que queria gritar. E quase o fez, tendo que comprimir os lábios com força e grunhir, o que a fez parecer sair dos pensamentos e ver que cinco pessoas a encaravam.
Merda.
- Lily, querida, estávamos dizendo sobre as novas descobertas do...- Dane-se essa descoberta. Onde está James Potter?
- Muito interessante, de fato. - Ela concordou quando percebeu que Slughorn havia terminado de falar e precisava fingir prestar atenção. Seus olhos voaram para o relógio de um dos senhores da roda e ela entortou a cabeça, tentando ver o horário. Droga, mil vezes droga. James teria que ir embora em trinta minutos.
- Está tudo bem, senhorita Evans? - Uma das senhoras perguntou.
Apenas naquele momento percebeu que devia ter sido apresentada para o grupo, mas estava tão concentrada no fato de que arrancaram o paraíso de suas mãos, que nem percebeu. Nem fazia ideia do nome deles ou com quem falava. Talvez fosse alguém que ela adoraria ter uma conversa, mas...
Sinto muito, péssimo timing. Porém não é culpa de nenhum de vocês - apenas de Slughorn -, que me tirou de onde eu não deveria ter saído.
- Estou ótima. Desculpem, estou um pouco distraída.
- Sem problemas, querida...
Gargalhadas foram ouvidas por toda a sala, mesmo por cima da música, e Lily se virou para trás, mas estava tão fundo no lugar, quase escondida, que não conseguiu ver ou identificar o que ocorria. Nunca ouviu tantas gargalhadas em uma Slug Party daquele jeito. O que estava fazendo ali mesmo, com aquelas pessoas?
- Como íamos dizendo... - A mulher retornou a palavra e Lily sentiu uma leve cotovelada em seu braço.
- Essas pessoas podem ser a sua entrada para uma carreira magnífica, Lily. - Slughorn sussurrou.
Ótimo. Agora ele a fazia sentir-se culpada por estar fechando os ouvidos para aquelas pessoas enquanto tinha um ataque de loucura por James Potter. Slughorn não podia ser mais anti-romance do que aquilo. Poderia? Não queria nem saber se poderia, ou ela seria capaz de gritar de verdade.
A cada assunto que entravam e que Lily não fazia ideia de qual era, ela olhava para o relógio, vendo os minutos voarem, completamente desperdiçados. Quando ouviu a quinta onda de gargalhadas, achou que tivera o suficiente.
- Com licença, senhores. Eu preciso discutir um assunto muito importante com alguém, antes que ele escape das minhas mãos.
Teve o sangue frio de esperar as saudações de todos e voltou para o salão. Quando virou na esquina de onde tinha desaparecido, parou no lugar: a grande maioria dos convidados estavam ao redor de James e Frank, ambos parecendo os locutores de uma grande história, cheio de gestos e risadas de todos.
Olhando para os cantos da festa, viu que alguns dos convidados muito importantes, como Roderick Plumpton, estava completamente sozinho e assistindo tudo de longe. Ludovic Jigger não estava muito diferente, bebendo sua champagne e os olhos soltando faíscas em direção ao grande grupo. Lily balançou a cabeça, sem acreditar e, ao mesmo tempo, não surpresa por um maroto estar roubando a atenção da festa.
- Eu pensei que tinha te perdido de vez.
A voz de James ao seu lado lhe assustou, já que não estava mais olhando diretamente o grupo. Mas a falta de atenção no grupo foi compensada com toda a atenção que os dois estavam recebendo de todas as pessoas que James esteve conversando até alguns segundos atrás. James potter parecia estar deixando uma grande base de fãs para trás e ela não podia culpá-los.
- Eu consegui me livrar deles. Eu vejo que você estava longe de estar entediado.
- Era isso ou entrar em conversas sobre poções para cura da artrite. Frank e eu achamos melhor contar sobre como um grifinório pode se divertir mesmo sob horários restritos. Acho que alguns convidados ficaram felizes em mudar um pouco de assunto.
- Na próxima vez, por favor venha comigo caso eu seja arrastada para um grupo tão chato. Eu poderia muito bem ter aproveitado um pouco dessa sua estratégia.
- Na próxima...- ele repetiu e sorriu. Lily apenas percebeu que estava convidando-o novamente quando já era tarde demais. - Conte comigo. - James olhou para o relógio e respirou fundo.
- O horário da Cinderela acabou. - James a encarou completamente confuso. - Um conto trouxa, deixa para lá.
- Indo embora, Sr. Potter? - Um dos convidados perguntou ao longe.
- Poderia, pelo menos, terminar a história? Como poderemos te deixar partir sem contar como o cachorro se salvou das garrafas do lobisomem naquele caso?
- Desculpem, mas o final terá que ficar para a próxima. - Ele olhou para Lily e ela assentiu. Agora, para o bem de todos, teria que ter uma próxima. - Desculpe, Frank, mas terei que te deixar com os convidados radicais da festa. - James comentou com Frank quando o grifinório se aproximou para se despedir.
- Eu não vou demorar. Apenas fazer um pouco de cerimônia para um das amigas da minha mãe, deixá-la contar um pouco da viagem para o leste. - Frank revirou os olhos. - Vejo vocês dois amanhã.
Finalmente sozinhos, com todos os convidados e Frank se espalhando pela festa novamente, James se virou para ela.
- Eu acho que a festa também acabou para mim. - A ruiva deu de ombros. - Posso dormir mais cedo e ficar menos cansada para o dia seguinte.
James levantou os olhos para a multidão e pareceu encontrar quem procurava. Ele sorriu de lado antes de voltar a olhar para Lily.
- O Sr. Jigger está apenas na espera que eu saia para se aproximar. Tem certeza que não quer lhe dar uma dança?
- Uhg. Ele deve ter quase o dobro da minha idade, James. Eu não tenho interesse algum em homens mais velhos assim, muito menos incovenientes como ele.
Satisfeito o bastante em deixar Ludovic Jigger apenas chupando dedo, ele sorriu como se tivesse ganhado.
- Está tarde para ficar andando pelos corredores. - Ele ofereceu o braço para ela. - Eu vou te levar até a o dormitório, então.
- Não precisa me acompanhar, você só perderá tempo. - Ela revirou os olhos. - Eu faço aula de duelos, sabe? Eu sei me defender.
- Eu sei que não precisa de ninguém para te defender, mas se eu for embora sabendo que você não teve que fazê-lo, vai me deixar mais tranquilo.
Lily o encarou por alguns segundos e revirou os olhos novamente, mas sorriu e entrelaçou seu braço no dele.
- Qualquer coisa que te faça feliz, James.
- Isso me faz muito feliz, obrigado.
O horário de recolher estava acertado para às 21h todos os dias, então não era surpresa os corredores estarem vazios. Duas duplas de monitores também deveriam estar fazendo as rondas e, de vez em quando, eles podiam ouvir alguns passos apressados por corredores não muito longe. Provavelmente alguns alunos tentando escapar da ronda.
Ela olhou pela janela e viu a lua cheia brilhar no céu limpo e estrelado. Era tão injusto algo tão bonito daquele jeito fazer mal para alguém tão bom como Remus. Aquilo era a vida tentando ser engraçada? Porque não era. E como em uma piada bem fora de contexto e maldosa, ela se pegou pensando que nunca poderia estar sentada do lado de fora com Remus, apreciando uma noite como aquela, conversando e rindo como duas almas despreocupadas que deveriam ser.
Balançou a cabeça e tentou ignorar aqueles pensamentos. Se continuasse por ali, ficaria muito melancólica e não seria justo com James após os bons momentos que tiveram juntos.
- Então...- ele começou. - Espero que você tenha se divertido um pouco, mesmo sendo arrastada para todos os lados por Slughorn e ter dançado uma música sexualizada comigo, enquanto eu pensava que era romântica.
Lily explodiu em gargalhadas. Ter dançado Marvin Gaye não poderia ter combinado mais com o momento que estavam tendo. Bom, pelo menos da parte dela, pois pensava em James com toques românticos, mas também muitas outras coisas.
- Desculpe por ter sido arrastada por todo o lugar. Não era assim que deveria ter sido.
- E como deveria ter sido?
Ela limpou a garganta bem baixinho.
- Deveria aproveitar mais a noite com o meu par. Eu sei que você não ficou sozinho e pareceu entreter a todos, mas...
- Mas não quem deveria ter sido entretida, aparentemente.
- Eu garanto que você me entreteu, inclusive com a dança. Eu não me importo o quão sexualizada a música tenha sido. - Ela olhou para ele e sorriu. - Foi uma ótima noite, James. - Ela disse. O dormitório não estava longe agora e eles desaceleraram o passo. - E boa parte foi graças a você, que nos salvou da monotonia. Eu e todos os convidados.
James sorriu, parecendo feliz consigo mesmo.
- Desculpe por ter que ir embora mais cedo. - Ele disse com um suspiro.
- Não peça desculpas por isso. Eu fico feliz por você estar ajudando-o. - Lily viu o quanto aquelas palavras pareciam agradar e muito James. Bem, era a pura verdade. - Você promete que não será perigoso?
- Eu não posso prometer que não há perigo, mas as chances de algo acontecer são pequenas. Nós ainda temos 100% de sucesso, sem grandes danos. - Ele sorriu e colocou a mão dentro de sua veste, tirando a capa de invisibilidade de um bolso com um feitiço de extensão. Vê-lo se preparando para algo que sabia ser perigoso lhe dava uma bomba de adrenalina. Quase preferia não saber para onde ele estava indo.
- Eu acho que vocês sabem o que estão fazendo.
- Na maior parte das vezes, sim.
James, ainda segurando a capa, a olhava. Como estavam perto da janela, ambos eram banhados pela luz branca e forte da lua cheia, sua inimiga em comum naquele dia e em muitos outros.
- Então eu vou confiar em você. - ela disse, com uma voz suave.
Um uivo alto, claro e assustador, mas muito longe, chegou até eles, fazendo-os olharem pela janela. O coração de Lily acelerou, tentando pensar na distância que Remus estava deles, querendo ajudar, querendo ajudá-lo assim como os marotos.
- Ele está bem. - James respondeu parecendo ler os olhos dela. - Ele vai ficar bem.
- Fique bem também. Por favor.
- Eu irei.
Ela deu uma última olhada pela janela, antes de se virar para ele.
- Eu te vejo amanhã então.
- Até amanhã, Lils.
A ruiva sorriu e pegou seu caminho até o quadro. James a assistia, o vestido bonito que combinava tanto com ela ondulando ao seu redor parecendo dizer a todos que ela era a mulher mais bonita daquele lugar e que ele nunca poderia discordar. Seu coração estava tão disparado, que sentia correr pela floresta proibida em sua forma animaga, tão rápido...
- Lily, espere.
Ele tinha que tentar. Algo pequeno, mas tinha que tentar. Tinha que saber, ter uma ideia. Não poderia ficar mais no escuro, sem saber se ia pela direção certa.
- Sim?
Ele respirou fundo e caminhou até ela.
- Antes de ir, eu gostaria de esclarecer algo que eu descobri há pouco tempo e que você está interpretando de um jeito muito errado.
- O que é?
Por favor, não esquive.
James se inclinou para frente, segurou o rosto dela com a mão livre e selou seus lábios delicadamente. Ele não tentou aprofundar o beijo, apenas cobriu a boca de Lily de um jeito gostoso e suave. As mãos dela subiram até a parte da frente das vestes dele e o puxaram levemente contra ela, fazendo os lábios se afastarem, ambos fazendo contato visual cheio de significados, antes de se beijarem novamente, na mesma doçura de antes.
Não era um beijo que durou mais do que alguns poucos segundos e não era para ser longo, profundo, cheio de mãos e línguas. Era um beijo que deveria ser além de apenas "James Potter e Lily Evans matando sua vontade"...deveria ser um beijo que transmitia o que ele queria e precisava dizer, e que ela precisava muito entender.
Quando eles se separaram, os olhares se reencontraram. Ele queria tanto poder continuar, ir muito além, mas não iria. Não só por ter dois animagos e um lobisomem o esperando, mas porque tinha que fazer aquilo direito. Ele iria fazer as coisas direito com Lily, porque aquilo tinha que dar certo.
E um beijo apressado no meio do corredor não era o certo. Ela merecia muito mais.
- Você deixou eu me aproximar, me tornar um amigo...- A voz dele estava baixa e, quando falava, ele quase sentia os lábios se encostando novamente. - Você me deu a oportunidade de mostrar que eu sou mais do que você pensava e eu sou eternamente grato por isso, assim como eu espero que você não esteja arrependida por essa decisão.
- Você conquistou esse lugar, James. E eu não estou nem um pouco arrependida.
- Então... - Ela assentiu de leve, esperando pela continuação. Os dedos de James se perderam um pouco mais pelos cabelos ruivos em seu pescoço. - Eu queria poder me aproximar agora, mas de um jeito diferente. Eu gostaria de saber se eu posso tentar.
Assistiu os olhos dela se arregalarem levemente com a surpresa.
- Você...você...- Ela gaguejava.
- Escute, eu sei que te pressionei anos atrás, quando eu era um babaca, e eu não quero e nem vou repetir isso. - Ele se ajeitou no lugar, mas sem desgrudar dela. - Eu não iria pular na sua frente toda vez que saísse do quarto, nem ficaria como uma sombra atrás de você, muito menos te chamando para sair aqui e ali para que você aceite e eu aproveite a oportunidade. - James largou a capa de invisibilidade no chão e colocou sua outra mão do outro lado do rosto dela, aconchegando-o com tanto carinho e de um jeito que ele sempre quis fazer. - As coisas não iriam mudar muito do que são hoje, eu só iria te mostrar o quanto eu gosto de você.
Os olhos verdes eram tão doces e esperava que não estivesse errado ao interpretá-los, pois parecia que ela queria sim lhe dar aquela oportunidade. Estava quase destrinchando seu coração ali, deixando bem claras suas intenções e se Lily não quisesse, sabia que seria um golpe muito duro de se recuperar.
- E depois? - Ele franziu a testa, obrigando Lily a elaborar melhor a frase. - Se deixarmos as coisas rolarem, se eu disser que eu gostaria que você fizesse isso?
Ele sorriu.
- Depois, eu vou esperar pelo seu sinal...para caso você quiser seguir em frente e tentar comigo.
Os olhos dela se fixaram nos seus, parecendo tentar decifrar se o que ele dizia não era uma brincadeira, mas ela pareceu ficar feliz e satisfeita com o que via nele. Não teria como ele decepcioná-la naquele momento, porque James estava botando tudo em seu olhar e em suas mãos, ainda a acariciando, o que precisava para que ela visse o quão verdadeiro ele estava sendo.
- Dê o seu melhor, James. - Ela o puxou de leve para que sua boca chegasse no ouvido dele. - Eu mal posso esperar.
Ela soltou as vestes de James delicadamente, fazendo-o soltar o seu rosto. Por tudo o que era sagrado no mundo, ele tinha que se recuperar daquilo agora.
- Eles estão te esperando. - Ela fez um aceno com a cabeça para o lado de fora.
James se virou e já jogava a capa por cima dos ombros, o deixando com parte do corpo invisível, ao mesmo tempo que tentava o máximo não parecer completamente feliz e estremecido.
- O que faz ainda neste corredor? O toque de recolher já passou. Entre logo nesse dormitório, Srta. Evans.
- Eu estou indo, Monitor-Chefe Potter.
Após os sorrisos trocados, James jogou a capa completamente por seu corpo e desapareceu. Lily deu as costas e foi até o quadro. Deu uma última olhada para trás, mesmo sabendo que James já não estava mais ali. Ela sorriu e levou a mão aos lábios.
James havia lhe beijado. Não estava acreditando.
- Sakndenberg.
Ela anunciou a senha e entrou, sem saber que James não havia saído do lugar até vê-la desaparecer pelo quadro.
N/A:
Happy Harry Potter Day :D
Caso também siga Rewrite, voce me ama neste fim de semana, né? :D
Resposta para reviews sem login:
Jullie:Voce amou, pediu por mais e aqui esteve. E eu nem demorei. Espero que tenha gostado, lindaaa; Beijoooos.
Mah: Lily sempre ai nos mostrando a que veio, né. Nao é a toa que a mulher deu boa parte para a derrota do Voldy. Ninguém culpa o James por perder a paciencia com aquele COISO. Espero que tenha gostado do capitulo e da reaçao do James...leve, simples e cheia de amor S2 beijooos
Jullie: Estou tendo duas Jullies, mas talvez sejam diferentes ahahahaha Obrigada pela review e pelas palavras, linda. J/L maduros: nos vemos por aqui. Talvez role alguma escorregada ai, quem sabe...nao sei xD Espero que tenha gostado dese capitulo xD Beijooos
Não vou me prolongar mais. Segue um sneak peek pequenininho:
"- O que aconteceu? - ele perguntou preocupado.
Sem responder, ela deu as costas, precisando desviar os olhos dele urgentemente, e foi até o meio do quarto, onde podia ver os três marotos.
- Ilegais, eu imagino? - ela perguntou."
Eu mereço um amorzin depois desse capitulo e ter vindo tão rapido, não acham? *-* uma palavrinha, um coraçao ai ;)
P.S: Feliz dia da morte do Snape (esse meu ódio precisa ser levado na terapia, eu acho).
