J~L
Sentia que deveria estar como um desenho animado, com aqueles corações no lugar dos olhos e tudo parecer um pouco esfumado e cor de rosa. Só que, na verdade, estava no final de uma aula de Runas Avançado e nada do que tinha no livro fazia sentido e que, ao invés de só pensar na noite maravilhosa que teve e no estado letárgico que se sentia, sua mente também vagava até os três marotos ajudando Remus durante a noite.
Deu uma olhada para o lado, onde Frank sentava-se sozinho, o lugar de Remus vago e fazendo seu coração se apertar. Suas pernas não paravam de balançar de nervoso. Será que estava tudo bem? Remus tinha passado por uma noite tranquila ou o máximo que poderia passar? Será que Sirius e Peter estavam ok por James ter chegado depois? James estava bem?
Não saber como eles estavam era horrível.
Quando a aula acabou, jogou as coisas de qualquer jeito na bolsa e saiu da sala com Alice. Marlene as esperava no corredor, já que não fazia Runas, e se juntou às amigas.
- O que irá fazer nesse tempo livre, Lilykins? - Marlene perguntou, a tirando dos pensamentos.
- Eu preciso terminar a minha dissertação sobre Conjuração para esta tarde.
- Então você terá companhia, porque eu também não terminei. Biblioteca ou sala comunal?
- Sala comunal! Da Grifinória. - A ruiva respondeu rapidamente. Estando lá, ela poderia ter qualquer sinal dos marotos, seja qual deles fosse.
- Eu tenho aula de Adivinhação Avançada em meia hora. - Alice disse, gemendo. - Idiotice. Por que eu fui cair na ladainha da Professora para cursar isso?
- Nós te avisamos, Lice. - Lily deu alguns tapinhas nas costas da amiga.
- Acho que vou desistir. Tenho que falar com McGonagall sobre isso. - A grifinória arrumou a bolsa no ombro enquanto suspirava.- Frank vai me acompanhar até a classe. Vejo vocês na aula de Transfiguração, depois do almoço.
Elas se despediram de Alice e continuaram o caminho até a torre da Grifinória.
- Sabe, para alguém que teve um encontro ontem, você está bem desanimada.
Lily havia sido acordada pelas duas amigas pulando em sua cama naquela manhã e pedindo um relatório da festa. Alice quase gritava de emoção, dizendo que Frank contou que James havia dançado com ela e que eles pareciam bem felizes juntos. Morrendo de sono e cansaço, ela explicou que a festa tinha sido muito boa e que James era um ótimo dançarino e par para festas. Por alguma razão, ela não quis compartilhar sobre o beijo e o que o maroto lhe disse depois.
- Eu estou apenas cansada. Dormi muito mal e não o suficiente.
- Deixa disso. Você disse que saíram cedo da festa…- Marlene abriu a boca e arregalou os olhos. - Vocês ficaram acordados a noite toda juntos. Merlin! E você nem para contar! - A garota começou a pular ao lado de Lily. - Eu quero saber tudo. Me conta, me conta.
- Marlene, não foi nada disso. Eu te falei que ele tinha algo muito importante para resolver com os outros garotos e não nos vimos desde então. Eu apenas fiquei pensando em problemas, apenas isso.
Não era mentira. Por um bom momento, ela apenas ficou pensando em James, no beijo inocente e gostoso que haviam dado, além das palavras dele. Ah, o que ele havia dito. James queria tentar conquistá-la, sem nem saber que já havia conquistado. Mas ficou curiosa sobre o quão mais ele poderia e se isso fosse possível, sem contar que queria saber o quê ele queria, o quanto ele queria e até onde ele queria tudo aquilo.
Lily via aquelas palavras, aquela promessa de conquista, mais como uma demonstração dele do que estava disposto a ter com ela, do que qualquer outra coisa.
- Eu só espero que ele não tenha feito nada de errado ou que tenha te dado uma experiência ruim.
- Não, Lene, não foi nada ruim. Eu prometo...estou apenas um pouco aérea.
- Eu devo confessar que não era isso que eu esperava depois de um encontro com James.
Elas entraram na vazia sala comunal da Grifinória e sentaram-se na mesa de centro, perto da lareira acesa. Propositalmente, Lily pegou o lugar onde poderia manter um olho nas escadas do dormitório masculino. Sabia - e esperava - que eles estivessem lá, já que James não estava no quarto dele. Na primeira lua cheia, James também não dormiu em seu quarto, então imaginava que dormiria no antigo dormitório.
Evitando qualquer conversa sobre a festa de ontem, Lily mergulhou em sua dissertação que precisava de uma conclusão para ser entregue naquela tarde, então se forçou a não pensar em nada mais do que conjurar objetos. Quando o horário do almoço chegou, Marlene fechou o livro e jogou as costas contra a poltrona atrás de si.
- Eu não posso mais ver nada sobre conjurar coisas. Eu preciso comer e o almoço sai em dez minutos. Gostaria de ficar sentada no salão principal como uma criança ansiosa comigo?
Lily olhou disfarçadamente para o dormitório masculino e depois para a amiga.
- Eu não estou com muita fome. Vai na frente e nos encontramos depois.
Marlene lhe observou por alguns segundos.
- Você está muito estranha, mas eu sei que não vou conseguir arrancar nada de você desse jeito. - Ela levantou e juntou as próprias coisas. - Eu te encontro logo mais. Eu estarei no salão principal, caso precise. - Ela bagunçou os cabelos ruivos por um momento antes de sair pelo quadro.
Lily esperou um minuto ou dois enquanto se deliciava com um chocolate (ainda daqueles que James havia trazido), querendo ver se a amiga iria voltar, mas não parecia o caso. Levantou, respirou fundo e tomou o rumo que debateu tanto nos últimos minutos se seria o certo ou não. Ela era Monitora-Chefe e tinha o direito, certo? Estava com dúvidas sobre a integridade de alguns alunos e tinha o dever de checar, senão para que aquele distintivo serviria? Apenas para penalizar estudantes errantes nos corredores?
Esta era Lily Evans tentando se convencer que não estava quebrando nenhuma regra estando no corredor dos dormitórios masculinos. Especificamente a dois metros da porta do sétimo ano.
E como a piada que sua vida era, pensando que ninguém poderia pegá-la naquela situação, a bendita porta abriu, fazendo a ruiva pular no lugar.
- Hey Evans. Tudo bem?
Era Peter. Ele parecia calmo e sereno, sem nenhum pedaço faltando, e uma bolsa pendurada no ombro. Se algum dos seus amigos estivesse morto ou em estado grave, ele não estaria tão calmo daquele jeito, não é?
- Tudo. Erm...eu estive me perguntando se, han, se…
- Se James está aí dentro? - Ele levantou uma sobrancelha com o vermelho se espalhando pelo rosto dela. - James não voltou, Evans. Está machucado e perdido, e não conseguimos achá-lo.
- Sério? Nós precisamos encontrá-lo!
- Não se preocupe, isso acontece o tempo todo. Em dois dias ele deve voltar. - Os olhos dela se arregalaram mais, fazendo Peter explodir em uma risada. - Ele está aí dentro, dormindo como uma pedra.
Ela iria matá-lo por isso.
- Por que você é o único saindo então?
- Porque eu sou o melhor em ajudar Remus. - Ele deu uma piscadela e começou a descer o corredor. - Desculpe não poder ficar mais, mas eu preciso muito chegar no salão principal e ser um dos primeiros a tocar naquela comida.
E assim, Peter a deixou plantada no corredor, como se fosse a coisa mais normal do mundo encontrar uma garota ali. Talvez fosse.
- Boa sorte em dividir o almoço com Marlene, querido.
Meneando a cabeça, ela decidiu que as palavras de Peter não eram o suficiente e como a louca que vinha sendo, ela iria continuar com aquilo e, sim, iria entrar naquele dormitório. Aliás, o que havia sido aquela de "eu sou o melhor em ajudar Remus"? O que ele poderia fazer melhor do que James e Sirius? De tudo o que ela conhecia deles, talvez apenas comer e olha que até nisso ele estava acirrado com Sirius.
Deixando Peter de lado, ela foi até a porta e bateu. Ficou ali por quase um minuto e sem resposta. Ela segurou na maçaneta e só pedia para que não visse algo que não queria, independente do que fosse.
O quarto era normal. A decoração era um pouco mais rústica do que a das garotas, mas no mesmo tom de vermelho e dourado, claro, além da bagunça. Duas camas estavam vazias, uma delas completamente arrumada e nem precisaria ser um gênio para saber de quem era. As outras duas estavam ocupadas.
Lily puxou o ar em horror e tampou a boca para não os acordar.
Sirius estava na cama mais perto dela, à direita da porta. Ele estava sem camisa, mas não era exatamente o porte físico dele que a fizera perder o ar (dessa vez): ele tinha enormes cortes em seu peito e que ainda sangravam levemente. O maroto devia ter curado ou tentado algo antes de adormecer, mas os cortes se abriram neste meio tempo. Ele não parecia com dor, mas sim em um profundo sono, provavelmente merecido.
Seus olhos pularam para a cama ocupada seguinte, logo depois da de Sirius. Podia ver os cabelos desgrenhados e o rosto pacífico de James, mas a coberta tampava o seu peitoral, então ela não sabia se havia alguma marca. Antes de continuar sua inspeção, Lily saiu pela porta vagarosamente e a fechou, correndo pelo corredor. Saiu voando pela sala comunal e se apressou até o dormitório feminino que estava vazio. Pegou o kit de poções medicinais que preparou para as amigas caso houvessem alguma emergência, e saiu apressada.
Fechou a porta do quarto dos marotos e percebeu que eles não haviam mudado de posição. Precisava checar se Sirius tinha mais algum machucado e se James estava tão bem quanto Peter ou machucado por baixo das cobertas.
Céus, ela não poderia tirar a coberta deles! Lily, acorda, você não é enfermeira e não tem o direito de desnudar ninguém.
Poderia procurar por algo aparente, pelo menos. Se aproximou da cama de Sirius e conferiu a marca clara de garras. Estavam profundas e precisavam ser desinfectadas o mais rápido possível, porém, tirando aquelas marcas e mais alguns roxos e arranhões leves, nada mais estava aparente. Tinha que checar James agora.
Com os passos leves, foi até a cama dele e prometeu que não iria se desviar do seu propósito ali, que era curá-los. Então sem distração, por maiores que ela pudessem ser.
E tal qual foi a surpresa ao dar a volta na cama e ver que as costas de James estavam descobertas e com as mesmas marcas que Sirius tinha. O que aqueles loucos faziam? E por que eles dormiam sem tomar conta desses ferimentos direito?
Ah, ela teria muito o que dizer depois. Eles teriam um sermão para ouvir que seria muito pior do que Minerva McGonagall em seus piores dias.
Precisava começar pelo pior e esse parecia Sirius, apesar do corte de James estar maior, parecia menos infeccionado. Procurou entre as suas poções sem fazer barulho, não querendo acordá-los ainda e encharcou um pedaço de pano para ferimentos. Teria que aplicar devagar e sabia que aquilo iria arder.
- Desculpe - Ela sussurrou.
Vagarosamente, ela se aproximou do primeiro arranhão e pressionou. Sirius nem se mexeu. Conferiu a respiração dele para ver se estava vivo, ainda que ela pudesse sentir o coração dele bater contra a sua mão. Como ele parecia o paciente perfeito, ela continuou o trabalho de limpeza e desinfecção por alguns minutos antes de usar a sua poção cicatrizante. Em menos de uma hora, tudo desapareceria e, se ele não se mexesse muito, a cicatriz seria fina o bastante para ninguém perceber.
Tirando com o antebraço os cabelos que insistiam em cair em sua testa, ela olhou para James e respirou fundo. Pegou o seu kit e foi até ele, se postando em suas costas. Limpou sua mão magicamente e pegou outro pano para ferimentos e o embebedando com a poção desinfectante. Respirou fundo e ficou pronta para a reação dele com o contato da poção em sua pele. Novamente, sem reação quando ela pressionou. Conferiu se estava usando a poção certa, mas era a mesma que usara em Sirius e havia funcionado. Tirou alguns minutos a mais para limpar as quatro marcas de garras e ficou contente com o trabalho. Agora precisava passar o cicatrizante. Pegou o frasco e outro pano de ferimentos e pressionou contra suas costas. Seus olhos levantaram e se encontraram com os de James no reflexo do espelho perto da cama de Sirius. Sua mão congelou no lugar.
- Não se detenha por eu estar acordado. - Ele sussurrou, ainda a encarando pelo espelho.
Sem responder e tentando se acalmar por ter sido pega no flagra, Lily abaixou os olhos para o que fazia, ignorando o rubor que seu rosto devia estar. Alguns minutos depois, ela terminou.
- Obrigado!
- Você está machucado em mais algum lugar?
Ambos sussurravam para não acordar Sirius , mas ela notou a hesitação antes dele falar.
- Sim, mas eu posso cuidar dessa parte.
- Algum lugar que esteja escondido por roupas? - Ela perguntou, podendo ver que ele usava uma calça de pijama.
- Não, na verdade.
- Eu não me importo em ajudar, apenas caso te deixe desconfortável.
James se mexeu na cama com um pouco de cuidado, talvez por conta da dor, deitando de costas e olhando-a diretamente pela primeira vez. Seus olhos estavam pequenos de cansaço, mas também por tentar enxergar sem seus óculos.
- Certo. Bem…- Ele tirou o cobertor de cima e Lily encontrou um arranhão ainda maior e profundo em sua barriga. O corte começava logo acima do cós da calça do pijama do lado direito e subia até metade de seu ventre. - Se você quiser seguir essa carreira, você deveria esconder o seu choque. - Ele brincou, tentando quebrar a tensão.
- Desculpe. - Ela se virou para pegar a poção e um novo pano.
Santo Quadribol, se pegou pensando.
Para, Lily.
Focou no seu trabalho e começou a cuidar da ferida.
- Como vocês não reagem à poção? Eu sei que ela arde. - ela perguntou baixinho.
- Você se acostuma com a dor de algo quando ela é recorrente.
Lily suspirou.
- Vocês não podem dormir sem cuidar dessas feridas. Uma grande infecção poderia matá-los.
- Eu não posso discordar. - ele comentou. Lily levantou o olhar para ele, vendo James descansando um dos braços acima dos olhos e mordiscando a bochecha.
- Então por quê não tomam conta delas? Honestamente, James, é muita irresponsabilidade. Eu vou ter que fazer algo sobre isso e não quero ouvi-los reclamando, porque…- Ela aplicava a poção bem perto do cós de sua calça de pijama enquanto falava e levantou os olhos para ele, mas vendo que ele tinha uma expressão de dor, parou. - Estou te machucando?
Ele tirou o braço e a olhou.
- Não, por quê?
- Você parece estar tentando se distrair da dor ou desconforto. - James riu baixinho e deixou a cabeça cair no travesseiro.
- Não é de dor ou desconforto que estou tentando me distrair, não se preocupe.
Eles ficaram em silêncio por alguns segundos. Lily prestava atenção na ferida dele, tentando ser o mais delicada e profissional possível, mas seus olhos insistiam em acompanhar o "sobe e desce" de sua barriga quando ele respirava, como ela era definida, ainda que James não fosse enorme e cheio de músculos. Quadribol não era um esporte pesado o suficiente para criar músculos enormes por si só, mas era o suficiente para criar corpos muito bonitos e bem desenhados.
E em pensar que aquele tanquinho queria conquistá-la. Não! Que James queria conquistá-la.
- Remus? - ela decidiu perguntar, tentando se distrair. Sabia que ele estaria na ala hospitalar, mas gostaria de saber se o amigo estava bem.
- Se comportou bem. - ela ouviu o tom brincalhão na voz dele. - Se ele descansar o suficiente, pode voltar hoje à noite para cá.
- Ok. Isso é bom! - Ela soltou a respiração lentamente.
- Como soube que estávamos precisando de cuidados médicos? - Ela limpou a garganta, não querendo dizer que não parava de pensar neles desde a última vez que o viu ontem. Pensando nele de diversas maneiras, mas pensando nos quatro com grande preocupação.
- Eu queria ter certeza de que estavam bem. Eu invadi o dormitório e vi vocês dois.
- Hm! Outra coisa para adicionarmos na sua lista de surpresas: Lily Evans invadindo o dormitório masculino do sétimo ano. - Ele riu um pouco e Lily mordeu o lábio ao ver o corpo dele reagindo ao riso, em como os músculos se retraíram e ficando mais interessantes ainda, mas talvez James tenha entendido errado a sua reação, pois logo perguntou. - A não ser que não tenha sido a sua primeira vez no dormitório masculino do sétimo ano.
Não queria responder aquilo. Não quando ele, supostamente, queria conquistá-la. As escapadas dela com quem quer que fosse em qualquer momento da sua vida não ajudaria naquele caminho.
- Eu estou quase terminando. - Ela avisou antes de voltar ao trabalho e em silêncio eles ficaram até a última gota de poção cicatrizante ter sido aplicada na pele dele. - Você está pronto. - Ela olhou para o relógio e arregalou os olhos. - E eu perdi o almoço e estou atrasada para a aula! - Ela se desesperou, pegando as poções e colocando de volta em seu kit.
- Tudo bem, eu arrumo tudo e te levo o kit mais tarde.
- Certeza?
- Sim, pode ir.
Lily se levantou apressada e foi até Sirius, conferindo como estavam seus ferimentos. Tudo parecia ter progredido bem e quase não se via as finas linhas.
- Admirando? - Ela ouviu o sussurro de James um pouco mais alto e o fitou. O maroto estava agora sentado na cama e parecia divertido, ao mesmo tempo tinha a sobrancelha para o alto.
- Sim. Está muito bom. - ela respondeu.
- Eu não sabia que tinha essa fraqueza para os corpos de Quadribol, Lily Evans!
Se ele estivesse em sua mente alguns minutos atrás…
- Eu estava falando da cicatrização. - Lily respondeu, revirando os olhos e se endireitando, se preparando para ir. - Mas sim, eu gosto de corpos de Quadribol e o corpo de Sirius está tão bom quanto a minha cura.
James levantou as duas sobrancelhas com a surpresa da sua frase, mas ela não esperou por uma resposta e saiu do quarto com um sorriso maroto nos lábios.
O alívio que sentia agora era indescritível. Eles estavam bem, todos bem. Uns mais machucados do que outros, mas bem. Era como uma lavagem interna: sentia-se mais leve e tranquila, tudo parecia lindo novamente.
Voltou para as aulas mais disposta e as amigas quase pularam de alegria, tentando saber o que havia mudado, mas ela se limitou em dizer que estava com a mente mais limpa e tranquila, já que conseguiu terminar tudo o que precisava para aquele dia. Elas não caíram muito no conto, ela percebeu, mas não falaram nada.
As aulas da tarde passaram como lesmas, mesmo tendo sido tão interessantes. McGonagall lhes mostrou o quanto eles podiam aprender cada vez mais com Conjuração, mais do que ela podia imaginar. E mesmo estando encantada com tudo aquilo, mesmo tendo confirmado que todos estavam bem, Lily passou a tarde inteira pensando nos marotos.
Aqueles machucados eram horríveis, no sentido de não terem sido levados a sério por eles. Que maneira idiota de se morrer, quando você tem tudo o que precisa para curar aquilo, para cuidar daquelas infecções e inflamações. Perdeu, ao menos, duas horas planejando um kit de cura para eles que poderia ser fácil e rápido na aplicação. Talvez algo que durasse algumas horas, permitindo que eles durmam mais rápido, mas exigindo uma segunda aplicação ao acordarem. Para a poção cicatrizante seria mais complicado, pois a qual havia criado, exigia ser utilizada com rapidez logo após a limpeza da ferida. Naquele momento, ela tinha um pergaminho cheio de anotações, frente e verso.
Por volta das 16h, quando Lily parecia ter queimado todos os neurônios pensando apenas em curas, poções, lista de ingredientes que precisaria - mesmo estando na aula de Feitiços e estarem bem longe do assunto -, teve uma epifania. Uma das grandes, daquele tipo que te faz soltar o que segurava, seu queixo cai em queda livre até o chão e sente como se um elefante estivesse em seu peito.
Merlin! Eles estavam machucados, mas não eram lobisomens. Eles...eles ficavam com um lobisomem - apesar dela não saber como, quão perto, quão longe ou quão seguros -, toda a lua cheia e voltavam machucados daquele jeito e não eram lobisomens!
Não tinha ido por aquele caminho ainda, pois perdera o dia pensando em como poderia ajudá-los com os ferimentos e todo o resto, mas não em como eles conseguiam ficar perto de um lobisomem, serem atacados e não se transformarem.
Aquele deveria ser o primeiro pensamento, mas ele havia chegado apenas naquela hora.
A resposta era óbvia! Era malditamente óbvia. Colocou a mão no peito, sentindo uma leve falta de ar.
- Lily! Você está pálida. O que houve? - A voz de Alice era de pura preocupação.
- Eu...esqueci algo. Uma...poção no fogo. - Os olhos verdes estavam fixos em um ponto da parede, enquanto Lily aguardava aquele ataque do coração que devia estar chegando em alguns segundos.
- No máximo, você terá que refazer. Não fique com essa expressão de que o mundo está a ponto de implodir. - Marlene retrucou.
A ruiva apenas assentiu e engoliu a seco, tentando voltar sua atenção para o livro, mas se antes ela já estava aérea, completamente fora do seu mundo, agora é que ela não iria voltar.
Depois da última aula, ela dispensou as amigas dizendo que tinha que correr e checar se não colocou fogo no castelo com a poção. Chegou na torre da Grifinória antes de todos e subiu as escadas para o dormitório masculino e dessa vez ela não se permitiu sentir-se mal por isso.
Deu batidas rápidas e pesadas na porta. Se eles estivessem dormindo ainda, aquilo iria acordá-los.
A porta se abriu e ela se deparou com Peter.
- Olá de novo, Ev...
Ela colocou as duas mãos no peito de Peter e o empurrou para dentro, fechando a porta atrás de si. A cama de James estava vazia e Sirius estava sentado na sua, parecendo bem o suficiente. Se ele estava surpreso em vê-la ali, foi muito bom em não demonstrar.
- Onde está o outro? - ela perguntou.
- James Potter ou Remus Lupin?- Sirius perguntou, parecendo divertido. Ela limitou-se a olhá-lo como se Sirius fosse idiota. Ele riu.- Tomando banho.
Se dirigindo até a porta do banheiro, ela começou a bater forte, com as mãos espalmadas contra a porta.
-O que é? Merda! - James resmungou lá de dentro.
- Saia e irá descobrir!
Escutou coisas batendo e caindo, soava como algumas embalagens, e a porta foi aberta em um rompante. James tinha os olhos arregalados, os cabelos molhados e a toalha enrolada na cintura.
Pela santa sanidade dela, oh meu Merlin! Seu rosto corou de imediato, seu corpo todo parecia pegar fogo e sua mente...ah, a sua mente... começou a vagar, indo para longe. Na verdade, não tão longe...ela estava ali, acompanhando aquela gota que descia pelo peito dele, correndo todo o caminho até sua barriga...aquela barriga que estava saudável, sem machucados e tão bem trabalhada...e desaparecendo na toalha em sua cintura.
Era a segunda vez que o via sem camisa hoje, mas por todas as santidades existentes...ela ia ter um troço.
Céus, ela iria matá-lo por isso, porque não podia se distrair agora.
- O que aconteceu? - ele perguntou, preocupado.
Sem responder, ela deu as costas, precisando desviar os olhos dele urgentemente, e foi até o meio do quarto, onde podia ver os três marotos.
- Ilegais, eu imagino? - ela perguntou.
Cada um deles fez a sua própria cara de puro espanto. James e Sirius se entreolharam, mas foi Peter quem falou primeiro:
- Nós já temos mais de dezessete agora, Evans, nós podemos! Continua tudo escondido, mas não é um problema enorme mais.
- Do que você está falando? - ela perguntou, cruzando os braços e se virando para o maroto.
- Da mesma coisa que você?! - Ele perguntou indeciso e encabulado. - Ou talvez não?!
- Nós vamos voltar nesse tópico mais tarde. - Lily apontou para ele, fazendo Peter engolir com dificuldade e assentir. - O que eu falo é do fato de termos, provavelmente, três estudantes animagos em Hogwarts! E voltando para a minha pergunta inicial: ilegais, eu imagino?
Eles caíram em um silêncio mortal, com as cabeças baixas e sem sinal de que iriam reagir. Os olhos verdes passavam por cada um, talvez na esperança de que iria poder fazer algum deles falar. Lily batia o pé enquanto esperava, até se cansar de esperar.
- Francamente!
Sem dizer mais nada, ela foi até a porta e saiu do quarto. Certo, eles não iam falar nada, era um segredo. Tinham uma promessa de não falarem nada ou algo assim? Não importava. Se eles não quisessem dizer nada, ela é quem não iria forçar.
Saiu da sala comunal e ignorou os chamados de alguma das meninas que estavam prestes a entrar pelo quadro, não querendo falar com ninguém naquele momento. Precisava digerir aquela informação primeiro, já que o silêncio deles apenas confirmava a sua suspeita. O engraçado era que o fato de pensar nos marotos como animagos quase não era tão improvável ou chocante. Não havia nada espetacular ou perigoso que pudesse faltar na lista de afazeres deles agora, ela imaginava.
Entrou pelo quadro da sala dos monitores-chefe e se jogou atrás de sua mesa, apoiando o rosto na mão. Tinha tanto para pensar, ao mesmo tempo que uma voz lhe dizia que aquilo não lhe dizia respeito.
E daí que eles eram animagos? Nada mudava em sua vida. Era até melhor saber disso, já que animais não poderiam ser transformados em lobisomens e poderiam ficar perto sem se machucar. Ou não tanto, porque ela mesmo viu que eles poderiam se machucar de um jeito ou de outro.
O quadro se abriu e ela viu James entrando. Os cabelos ainda estavam molhados, a camisa vestida de qualquer jeito e desabotoada, a gravata sem nó pendurada no pescoço, apenas de meias...uma bagunça só.
- Me deixe adivinhar: você foi o escolhido para vir me obliviar ou algo parecido? - ela perguntou sem se mexer.
- Sim e não. - ele respondeu respirando fundo, recuperando o fôlego. - Eu fui escolhido para vir falar com você.
- A sua calça está aberta! - ela disse olhando para a braguilha de James onde ele havia abotoado apenas um dos botões. Não podia ver nada, mas sorriu jocosamente para ele.
Rapidamente, ele levou as mãos até sua calça e a fechou.
- Desculpe. - Disse, ficando com um leve vermelho nas bochechas. - Lily, olha, eu sei que isso vai além de quebrar regras, que estamos lidando com leis, mas quero que saiba que fizemos isso pelo bem estar de Remus. Não fazemos isso para tirar proveito de nada ou prejudicar as pessoas, nem machucá-las.
- Espere! - ela levantou a mão para ele, ao mesmo tempo que levantava da cadeira. - Você acha que eu vou denunciar vocês?
James não respondeu imediatamente, parecendo um pouco perdido sobre o que pensar ou responder.
- Eu espero que você não esteja pensando isso. - ela voltou a dizer e começou a andar pela sala.
- Você saiu correndo do quarto.
- Sim, porque vocês não pareciam afim de conversar sobre isso, então eu, com a minha ainda enorme surpresa, quis sair e deixar a notícia cair. Eu suspeitei, mas confirmar é outra coisa. - Ela parou sua andança ansiosa. A ficha estava caindo forte agora com a confirmação deles. Meu deus, eles eram Animagos. - ILEGAIS, James! - Ela quase gritou, fazendo James arregalar os olhos. - Se alguém descobrir, vocês serão presos! O que vocês tinham na cabeça? - Ela recomeçou a andar pela sala, ansiosa e nervosa. - Temos que pensar em um plano.
- Lily, calma. Nós temos um plano.
- Que seria…?
- Não contar para ninguém, não se transformar na frente das pessoas, negar até a morte, etc etc.
- Esse plano é horrível! - Sua voz estava estridente, fazendo James rir.
- Não há nada mais a fazer.
- Eu descobri, James, e sem vê-los, sem nada de nada.
- Você sabia que estávamos com Remus, nos viu machucados e não virando lobisomens e, o principal de tudo, você é inteligente e presta atenção nas aulas. - Ele deu de ombros e abriu os braços. - Você tinha todas as informações cruciais.
- Outra pessoa também pode ter.
- Não todas as informações. Ninguém é suposto saber que passamos a lua cheia com um lobisomem. Você é a única.
Eles eram loucos. Precisava interná-los antes de fazerem algo pior e acabarem se matando ou sendo presos. Sentiu voltando-se para aquela tarde, quando ela percebeu o que acontecia, aquela dor no peito, aquele desespero.
Será que tinha como se legalizar após todo o processo ou eles seriam, para sempre, ilegais? E se…
- Pare, Lily. - Ele segurou seus ombros. - Não enlouqueça por isso. Somos animagos por dois anos e nada nunca aconteceu e nem irá. A não ser que alguém conte…
- James Potter! - Ela o recriminou. - Você acha que eu faria isso? De novo, você acha?
- Não acho e não espero.
- Eu sei sobre Remus há alguns anos e você já me viu contando? Mesmo quando Snape falava sobre ele, desconfiando, eu nunca abri a minha boca sobre isso e, se pararmos para pensar, um lobisomem na escola é mais perigoso que uns gatinhos, coelhos e passarinhos ilegais por aqui e ali…
- Você passou longe em todas essas sugestões. - Ele comentou, rindo. Lily revirou os olhos.
-Enfim…- Ela frisou a palavra. - Eu vou levar essa informação para o túmulo, assim como todas as outras coisas que eu sei sobre vocês e as outras pessoas…
- Você sabe uns segredos de outras pessoas? - Ele perguntou, alegre. - Interessada em compartilhar algo sujo de alguém? Eu posso guardar segredo.
A ruiva jogou a mão para o alto, desistindo. Eles eram animagos, eram loucos, mas ajudavam Remus. Tudo o que ela podia fazer era guardar segredo e encobri-los se e quando necessário. Conversar com James quando ele estava naquele modo brincalhão e nada sério, seria apenas um círculo vicioso das mesmas palavras...e sendo jogadas ao vento.
- Eles são loucos. - Sussurrou para si mesma. e tampou o rosto com as mãos.
- Você está decepcionada? - o tom de voz chateado dele a pegou de surpresa, deixando para trás todo o tom maroto que ele usava segundos atrás.
Lily suspirou e o encarou por alguns segundos. Caminhou até ele, sendo seguida pelos olhos castanhos-esverdeados, e parou em sua frente.
- Eu já li sobre como se transformar em animago e sei que não é fácil, mas eu nunca ficaria decepcionada em saber que vocês fizeram isso para ajudar Remus, um amigo querido meu também.
- Então…?
- Eu estou surpresa, orgulhosa...um pouco brava por vocês serem tão loucos assim. Mas também estou agradecida. Eu tenho certeza que Remus tem momentos melhores com vocês por perto.
- Ele tem. Nós também. - ele respondeu com um sorriso se abrindo, parecendo pensar ou lembrar das noites que devia passar com Remus. - Saber que ele não passa por isso sozinho, nos deixa mais aliviado.
- Bom, então eu acho que estou aliviada também.
James se sentou na mesa onde ela estava e passou as mãos pelos cabelos.
- Bom, agora você sabe qual dia pode me convidar para uma Slug Party. - Ele sorriu de lado, fazendo Lily corar levemente. - Estou livre qualquer noite do mês, mas não nas noites de lua cheia.
- Ah, então nunca teremos um encontro na lua cheia? Que pena. - ela disse, entrando na brincadeira e gostando de ver o toque brincalhão nos olhos deles. - Posso perguntar qual animal vocês se transformam?
- Claro que pode perguntar.
Lily ficou esperando a resposta, mas percebeu, um pouco tarde, a brincadeira dele.
- Certo, eu entendi. Eu posso perguntar, mas você não irá responder.
- Eu teria que ter a permissão de Sirius e Peter para falar sobre isso.
- Claro, claro, eu entendo. Eu não quero me intrometer na vida de vocês. Era apenas curiosidade, já que a única animaga que conheço é McGonagall e eu adorei vê-la se transformando uma vez.
- Quem sabe um dia eu te mostro, hum? - Ele se levantou da mesa e começou a arrumar a camisa. Lily teve alguns flashes do torso nu e prensou os lábios com força. - No final, eu corri para te alcançar e esqueci de pegar o seu kit de poções. Posso te devolver de manhã? - Ele levantou os olhos dos botões e Lily desviou o olhar rapidamente.
- Claro, sem problemas.
- As monitorias de duelos vão voltar também. Eu enviei uma mensagem para McGonagall dizendo que o pior dos treinos de Quadribol acabaram, então eu posso recomeçar com vocês.
- Ah! As monitorias estavam mesmo fazendo falta.
- Amanhã soa ok para você? Mesma hora?
Ele terminou de abotoar os botões e Lily suspirou de tristeza. Poderia ficar encarando aquele torso por um bom momento…
Percebeu que James a encarava, esperando uma resposta.
- O que você disse?
- Amanhã, mesma hora? - Ele repetiu a pergunta.
- Sim, claro. Amanhã, mesma hora. - Ela o repetiu como uma boba. - Sim, seria gostBOM. Seria bom.
- Você está falando um pouco engraçada. Eu entendo, meus pais ficaram loucos quando eu contei sobre a animagia e tudo mais. Minha mãe ficou perdida por alguns meses, me enviando cartas todas as semanas. Mas não se preocupe, pois ninguém além de você, sabe...nenhum aluno, além de nós, eu digo.
- Eu vou ter um tempo para digerir. Como eu pensava comigo mesma antes de você aparecer, eu acho que não me choco tanto com as coisas que vocês fazem, porque eu já espero muita coisa. - Ela respirou fundo, tentando realizar que a pessoa na sua frente pode se transformar em um animal. Aquilo ainda é impressionante, bem impressionante - Animagos é ainda chocante.
James checou o relógio em seu pulso.
- Eu acho que você terá que deixar o choque de lado, já que temos reunião de Monitores em dez minutos.
Ah, que inferno era ser Monitora-Chefe às vezes. Não podia nem se deixar vagar em um choque decentemente.
- Ótimo, eu havia esquecido. Bom, suba e eu te espero. - Ela apontou em direção às escadas dos dormitórios.
- Subir para que?
- Terminar de se arrumar. Imagino que você não queira ir apenas de meias?
- Por que não? Talvez isso daria uma razão para você ficar com essa cara de choque na frente de todos sem levantar bandeira.
- Claro, você realmente faria isso. - Ela respondeu, desdenhando.
E Lily deveria saber melhor quando disse aquilo, já que agora ela se encontrava na sala dos monitores, na frente de todos eles, com James Potter ao seu lado apenas de meias. Estava frio agora e aquele louco iria ficar doente andando pelo castelo daquele jeito, com toda a certeza. Podia dizer com toda a convicção que ela não era a única que parecia surpresa com a falta de sapatos do maroto, já que muitos olhares, com as entradas dos monitores na sala, iam direto para James e sua falta de sapatos e sua gravata ainda pendurada de qualquer jeito.
- Halloween! - Ele anunciou e todos os monitores, menos Remus que ainda estava na enfermaria, logo pegaram seus pergaminhos e penas, prontos para ele. Desde a primeira reunião deles e o esporro de James sobre ninguém parecer se importar em anotar, todas as outras reuniões eram repletas dos sons das penas trabalhando.- Temos quatro noites e cinco dias para a preparação de tudo e eu quero trabalhar nas ideias.
- Ideias? - Um monitor perguntou.
- Claro. Acham que eu vou ser responsável por isso e vou me contentar com um jantar e abóboras voando pela minha cabeça? Aliás, mantenham as abóboras voando no plano, porque elas vão me servir bem.
- O que você vai fazer com elas? - Lily sussurrou ao seu lado.
- Nada malvado, eu prometo. - Ele respondeu e depois se virou para todos novamente. - Eu queria começar com a minha ideia que, devo avisar, roubei dos trouxas e não sei o motivo de nunca termos feito isso.
Lily levantou uma sobrancelha para ele.
- Qual delas? Há muitas tradições trouxas. - Uma monitora nascida trouxa perguntou.
- Fantasias! - Ele respondeu, empolgado, fazendo as conversas espalharem entre os monitores. - Como o nosso Halloween não é feito com fantasias? Acho essa ideia genial.
- Nós temos que arranjar fantasias em quatro dias? - Lily perguntou mais para ele do que para toda a sala.
- Cinco dias. - Ele a corrigiu. - E todos nós podemos fazer isso. Nada como alguns panos, roupas não usadas e varinhas não fariam o trabalho.
Era uma ótima ideia, ela poderia dizer. Era uma tradição trouxa, principalmente na América do norte, que ela gostava bastante. Mas ele poderia ter dito isso antes, não? Teria que correr para pensar e, depois, achar ou preparar uma fantasia.
- Gostosuras ou Travessuras! - Alguém falou alto entre toda a conversa da sala, fazendo todos se calarem. Amos Diggory sorriu quando teve toda a atenção e voltou a falar. - Há essa tradição também. Poderíamos incorporar. - Ele olhou diretamente para Lily. - Lembra quando conversamos sobre isso naquela vez? Você me explicou o que alguns trouxas faziam...
"Naquela vez". James se virou para Lily e esperou pela resposta dela. Naquela vez? Que vez? Que "naquela"? O que tinha naquela que não houve em qualquer outra?
- Sim, bem. Tem essa tradição de você bater na porta das casas e dizer "Gostosuras ou travessuras". A pessoa tem que dar doces para evitar um castigo.
- Ah, eu não tenho mais meu estoque da minha última visita de Hogsmeade. - Alguém reclamou.
- Nem eu. - Outra pessoa concordou.
- Talvez pudéssemos aperfeiçoar para o nosso mundo. - Amos continuou. - Para os que não têm doces, talvez poderíamos pedir algo considerado "gostosura", nada explícito ou que causaria desconforto grande para os outros.
Lily pensou em gostosura e naquele torso, agora coberto com a camisa, ao seu lado. Como incluir naquela lista - e apenas para ela -, algo relacionado ao torso de James Potter sem camisa? Já James, apesar de achar a ideia boa, não conseguia parar de encarar Diggory com os olhos cerrados, apenas imaginando que "gostosuras" ele iria querer pedir para Lily.
A sala estava explodindo com conversas e ideias, enquanto os dois Monitores-Chefes estavam quietos e reclusos em suas mentes, cada um vendo a vantagem e desvantagem do plano.
- Não, isso não pode. Não é justo, vai dar muito problema. - A frase de uma das monitoras chamou a atenção de Lily.
- O que é? - A ruiva perguntou.
- Beijo não vale. Imagina a bagunça que daria. - A monitora respondeu à Lily.
- E se for no rosto? Apenas algo para apimentar a brincadeira. - Um outro monitor deu a ideia.
- Mas isso seria uma Gostosura ou Travessura? - Amos perguntou. - Porque dependendo de quem for, pode ser qualquer uma das opções.
- Acho que pode se encaixar em ambas as listas. - James concordou. - Um beijo no rosto é aceito para pedir. Mais ideias?
Até o final da reunião, todos decidiram que quem tivesse doces, os daria. Caso não, os alunos poderiam ser livres para pedir o que quiserem, mas proibidos de exigir qualquer coisa. As travessuras, ou seja, se a pessoa não tiver doces para dar ou não querer cumprir a gostosura, teria que ser leve e ligada ao tema de Halloween: ter uma abóbora na cabeça, um feitiço que coloria sua pele de laranja por uma hora, etc etc. Beijo no rosto estava liberado para "travessuras" e nada mais do que aquilo.
A decoração ficaria nas mãos de James, que foi muito solícito ao se candidatar, fazendo Lily começar a temer um pouco. Qual era a dele com as abóboras voadoras e a decoração?
- Acho que vou te ajudar com a decoração. - Ela disse quando os monitores começaram a sair da sala.
- Não precisa, eu tenho tudo sob controle. - Ele sorriu enquanto arrumava o próprio pergaminho com as anotações.
- É isso que me assusta.
- Eu já deixei a desejar como Monitor-Chefe, Monitora-Chefe Evans?
Ela parou para pensar de verdade. Já? Tentou passar por todo Setembro e Outubro e não conseguia lembrar. Mas não lembrava por ele não ter feito nada ou por ela ter ficado distraída com ele esse tempo todo?
- Você está mesmo pensando. - James acusou.
- Você perguntou e eu tive que repassar os acontecimentos, mas acho que devo esse voto de confiança. De fato, eu não estou lembrando de nada agora.
- Então deixe essa decoração comigo. Aquele Salão Principal vai estar mais bonito do que todos esses últimos anos.
Ele piscou para ela.
Lily não tinha o que fazer, além de acreditar nele. E que Merlin os preparassem para aquilo.
No dia seguinte da descoberta dos marotos serem animagos e da notícia de que teria que correr para achar uma fantasia, Lily Evans estava exausta.
A noite quase em claro obrigou a ruiva a usar feitiços para esconder as olheiras e tomar uma gota de poção estimuladora para sentir-se bem durante o dia ou seria impossível participar das aulas e da monitoria do clube de duelos.
Animagos. Aquela informação não saía de sua cabeça e em como poderia evitar que fossem descobertos. Passou boa parte da madrugada tentando pensar em algo que pudesse ajudá-los, mas após horas pensando e pensando, não via nada mais além do que o próprio James havia dito: evitar que as pessoas os vissem, não contar para ninguém, negar até a morte e tudo o mais. E não havia nada que ela pudesse fazer para mudar, então tinha apenas que engolir a informação e continuar a vida.
Então lá se encontrava, a alguns metros da porta da sala da monitoria de duelos. Havia algumas boas semanas que não voltava ali e sentia falta daquele momento onde aprendia e avançava no assunto, assim como na hora que passava sozinha com James.
- Evans!
Ela pulou do lugar quando ouviu a voz de Sirius Black atrás de si.
- Infernos! Você me assustou.
Remus também estava com ele. O maroto parecia mais descansado do que ontem, quando ela o viu rapidamente voltando para a sala comunal depois do jantar, mas ele estava claramente ainda necessitando de descanso.
- Não queríamos te assustar, Lily. - Remus parou ao seu lado e olhou para a porta mais a frente. - Você não vai entrar?
Esperava que seu rosto não tivesse ficado da cor de seus cabelos ao pensar que ela sempre tirava alguns segundos para se preparar para entrar na sala, às vezes arrumando as vestes e o cabelo como uma boba.
- Sim, claro. Estava apenas pensando se esqueci algo.
Sirius abriu um sorriso.
- Vamos, Evans. Não queremos deixar o nosso monitor de duelos esperando. - Sirius a segurou pelos ombros e começou a dirigí-la para a sala.
- "Queremos"? - Ela repetiu. Eles vão estar ali também?
Entrou na sala ainda sendo guiada por Sirius e se deparou com James, pela primeira vez, não olhando para o tal pergaminho misterioso dele, mas sentado na mesa, esperando.
- Olha só o que encontramos empacada no corredor, Prongs. Alguém deve tê-la perdido, então decidi trazê-la. - Sirius finalmente soltou os ombros de Lily e bagunçou seus cabelos.
- Eu não estava empacada. - Defendeu-se inutilmente, já que James sorria, assim como Remus. Não adiantava ir contra eles, então era melhor não insistir. - Eu estou adiantada, atrasada ou entendi errado sobre a monitoria de hoje?
- Você está na hora e entendeu correto sobre a monitoria. - James respondeu. - Mas desde o ataque de Mulciber, eu não consegui cumprir com a minha parte do acordo de te deixar atacar algumas pessoas...
Agora foi a sua vez de sorrir largamente. De fato, James havia prometido e no dia que deveria ocorrer, ela foi atacada por Mulciber.
- Diminua esse sorriso vigarista, Evans, ou vamos pensar que você está louca para acabar conosco.
- Agora que ela sabe que vai poder atacar alguém, não tem mais volta. - James comentou e deu um tapa no ombro de Sirius. - Ela está sedenta por isso. - Ele se virou para Lily novamente. - Remus ainda está cansado, então vamos poupá-lo hoje, mas ele vai ser de grande ajuda.
- Vai?
- Vai!
Sirius já se posicionou no meio da sala, esperando por ela.
- Sou todo seu, ruiva. - Ele disse, abrindo os braços.
- Vamos juntar o útil ao agradável, ok? - James começou sussurrando para ela. - Duele com Sirius, mas eu gostaria que você o atacasse com o seu feitiço no meio do duelo. Pode ser?
- Eu nunca fiz isso antes…
- Eu sei, por isso precisamos fazer. Eu já fui atacado e já ataquei você, mas nunca vi alguém sendo a vítima. Eu preciso saber o que acontece do lado de fora de uma ilusão, assim a gente pode avançar nesse ponto. Além do mais, nós nunca testamos você usando o feitiço enquanto ataca alguém.
Olhando para o maroto esperando por ela, Lily assentiu para James.
- Ok.
- Acabe com ele. - James deu um tapinha encorajador em seu ombro.
Andou até Sirius e se posicionou em sua frente. Aquele pedaço de mau caminho, por si só, era uma distração e tinha certeza que o maroto poderia vencer um duelo apenas pelo seu charme. Ou talvez ele só sorrisse galanteador assim para ela, querendo distraí-la propositalmente.
- Pronta?
- Muito pronta.
Eles se abaixaram, cumprimentando com respeito o adversário e logo entraram em modo ataque. Lily tinha que focar nele, esquecer que James e Remus estavam ali por perto, observando.
Lily atacou primeiro, um simples stupefy apenas para aquecer, e Sirius defendeu.
- Vamos, Evans. Eu quero aquela duelista que acabou com dois sonserinos.
James sorriu e cruzou os braços, esperando. Em um duelo entre aqueles dois, não tinha a mínima ideia de quem poderia vencer. Sirius tinha a experiência ao seu lado e Lily contava com a sua força de vontade de iniciantes. Conhecia ambos como duelistas e sabia que seria um espetáculo à parte.
Porém, o que ele mais queria era ver o Illusio pela perspectiva de um telespectador. Aquele feitiço era forte e poderia ser de uma enorme ajuda lá fora, mas se Lily ficasse desprotegida, teriam que planificar como aquilo poderia ser usado.
- Eles estão se divertindo. - Remus comentou ao seu lado.
De fato, eles estavam. Alguns feitiços foram lançados de ambos os lados e os dois sorriam, como se brincassem.
De repente, os dois duelistas pararam, os braços caídos ao lado do corpo. James se desencostou da mesa e descruzou os braços, indo até eles e confirmando que Lily atacara Sirius com o seu feitiço. Os dois tinham os olhos fechados, mas Sirius era o único que parecia relaxado. Lily tinha a testa franzida, como se estivesse bem concentrada em algo.
- Ela não pode usar esse feitiço sozinha lá fora. - Disse Remus observando-a também.
- Não, não pode. - Ele concordou. Afastou-se um pouco novamente para ter uma figura geral e pensar.
Se um dia Lily usar aquele feitiço fora das monitorias, teria que ficar sob vigilância. Talvez pudesse usar a capa de invisibilidade, mas ainda sim seria muito arriscado, além de não ter sua capa consigo o tempo todo para emprestá-la.
E ainda que a tivesse, eles teriam que estar juntos para isso.
Não. Aquele feitiço não era para duelos como aquele...como Remus havia comentado uma vez, teria que ser para armadilhas ou coisas parecidas, onde ela estaria fora da mira de todos.
- O que acontece se…
Remus começou a falar, mas não terminou. Apenas apontou a varinha para Sirius e o atacou, lançando o maroto para o outro lado da sala.
- Que porra foi essa? - Sirius resmungou enquanto levantava e cambaleava. Lily também estava de volta, parecendo perdida.
- O que aconteceu? - A ruiva perguntou.
- Eu ataquei Sirius para saber o que aconteceria. Pelo visto, vocês foram tirados da ilusão.
- O que aconteceu na ilusão? - James perguntou.
- Sirius simplesmente alçou vôo sem que eu tenha planejado.
- Hmm. Então o que ocorre aqui, de fato, interfere lá também. Sirius quem os tirou da ilusão ou foi você? - James perguntou novamente, uma mão no queixo.
- Eu não faço ideia. - Ela respondeu.
- Que dor de cabeça do diabo. - Sirius reclamou. - Não poderia ter amortecido a minha queda, pelo menos?
- Não. - Remus deu de ombros e sorriu inocentemente.
Por toda a hora da monitoria, Lily atacou Sirius e James com o feitiço, enchendo um pergaminho com anotações dos três marotos sobre o que viam e o que achavam. Ela não reclamou nenhuma vez, adorando atacá-los e criando as mais diversas histórias, deixando-os confusos e perdidos.
James sempre tentava lutar contra, percebendo a ilusão algumas vezes. Já Sirius apenas aceitava a história que ocorria e seguia, mas reclamando com todos os testes que Remus fazia sem avisá-lo.
- Na próxima vez, eu quero participar. - Remus disse após uma enxurrada de palavrões que Sirius proferiu após ser cobaia de um teste do amigo.
- E eu vou adorar estar aqui, Remus John Lupin. - Sirius arrumou o uniforme. - Você não sabe o quanto.
Enquanto os dois marotos discutiam, Lily ia até a janela e se apoiava por ali, respirando fundo. Nunca havia treinado tanto com aquele feitiço, nem quando estava criando-o com Severus e agora sentia uma dor de cabeça do diabos.
- Forcei muito com você hoje. - A voz de James veio de suas costas.
- Não, não é sua culpa. Se eu não estivesse tão cansada ou dormido tão mal, eu não estaria me sentindo assim.
- Tem algo te incomodando?
Ela se virou para ele e viu que os outros dois marotos também a observavam um pouco mais de longe.
- Está tudo bem, eu estou bem. - Ela sorriu querendo provar o seu ponto.
- Eu sei do que você precisa e eu tenho em estoque. - Remus disse se aproximando. - Vem comigo.
Se despedindo de James e Sirius, Remus a levou para fora da sala e sabe-se lá para onde. Se havia alguém que entendia como lidar com dor e cansaço, essa pessoa era Remus e James sabia que ela estaria em ótimas mãos.
- Vai deixar aquele lobo safado levar a tua garota assim? - Sirius brincou indo até sua bolsa e pegando o pergaminho que havia anotado sobre Lily e o feitiço.
- Melhor ele do que você.
- Eu sei que você tem medo de deixar Lily sozinha comigo e ela escolher a melhor opção do grupo, mas eu já disse que me sacrifico em não agir com ela por respeito aos seus pais, que me acolheram tão bem.
James pegou o próprio pergaminho e deu uma olhada rápida nas anotações, ignorando Sirius. Virou-se e se escorou na mesa, pensando. Ou tentando.
- Eu não sei o que fazer. - Por fim, disse.
- Sobre o quê?
- Este feitiço. Ele é poderoso, mas Lily não pode usá-lo caso seja atacada. - Jogou o pergaminho para trás, deixando claro o seu descontentamento.
- Por que você está contrariado assim?
- Porque eu não vou conseguir ajudá-la.
A confusão era clara no rosto de Sirius, que só podia pensar que o amigo havia enlouquecido.
- Você está ajudando.
- Não como deveria. - James soltou um muxoxo.
- É sério isso? James, você ajudou a desenvolver mais o feitiço, mostrou como ela poderia ter o controle em mãos para finalizar uma ilusão, mostrou como ela poderia ser atacada com o próprio feitiço e nem perceber, trouxe uma cobaia - Sirius apontou para si mesmo. - E deixou que ela te atacasse também. E mesmo depois de tudo isso, você diz isso?
- Você não está entendendo…
- Não, eu absolutamente não estou entendendo.
O maroto se remexeu na mesa, desconfortável.
- Eu queria muito, de alguma maneira, fazer esse feitiço se tornar um escudo para ela, algo que ela poderia usar para se proteger, para...para ficar segura. - James estalou a língua e olhou para os pés. - Ninguém conhece o feitiço, não saberiam o que estaria vindo para eles, seria completamente inesperado. Ela teria a vantagem em uma batalha, mas...não vou conseguir. Não por culpa dela, não por culpa de ninguém, mas eu só não consigo.
- E você acha que a culpa é sua? - Sirius não teve uma resposta, mas sabia o que o amigo estava pensando.- Não seja injusto com você. O fato do feitiço não ser padronizado para isso, não é sua culpa. Imagine se Lily tivesse inventado o feitiço Densaji. Qual seria a sua desculpa para se culpar caso não conseguisse que Lily se protegesse de um Comensal com dentes gigantes?
Sabia que Sirius tinha razão, que era exagero o que estava sentindo, mas havia se agarrado com tanta força na ideia de que poderia ajudar Lily a ter algo a mais para se proteger, que agora se sentia um inútil.
- Eu sei, eu sei. Apenas queria achar algo a mais.
- Esse feitiço será bom apenas com um plano, mas será absurdamente útil. De resto, você já está fazendo bastante, que é ajudá-la a ficar pronta caso seja atacada.
- Você viu quantas famílias nascidas trouxas foram atacadas na semana passada? Sete, em uma noite. Sete! - James soava exasperado.
- Você viu os nossos duelos hoje? Honestamente, eu pensei que iria perder em todos eles, antes dela me iludir. Ela está segura aqui em Hogwarts e, bom, por mais triste que seja, os Evans não estão em perigo...digo, já que eles não estão mais...bem, vivos. - Sirius disse muito desconfortável.
- Eu vi o quão segura ela está aqui depois daquele ataque de Mulciber.
Sirius foi até James e lhe deu um tapa amigável em seu ombro.
- James, alguém tem que te falar isso e eu sinto muito por ser eu…- James franziu a testa. - Mas você não tem o dever e, muito menos, o poder de salvar a porra toda. O mundo vai cair e entrar em colapso caso você lute ou não, as pessoas vão morrer caso você faça algo ou não e você pode criar mil feitiços para ensinar e proteger a Evans, e ainda sim, as probabilidades de algo acontecer ainda vão existir. Não por sua culpa, mas porque a vida é assim e você não tem como impedir tudo de acontecer.
Odiava quando Sirius estava certo, porque ele soava completamente distinto do que era. Ao mesmo tempo, adorava quando Sirius estava certo, porque lhe mostrava que ele estava com a cabeça centrada, mais centrada do que ele era.
No resumo, Sirius e Remus eram o caras que sempre o colocam no lugar quando sentia que seus olhos estavam cobertos pelas incertezas e dúvidas da vida e era por esse motivo que queria salvar "a porra toda", porque eles mereciam um mundo melhor, longe dos imbroglios de uma família disfuncional ou de uma condição que não podia escapar.
Se ele pudesse fazer algo para ajudar qualquer um deles, ele iria fazer.
- Mudando de assunto, mas não muito longe dele…- Sirius interrompeu seus pensamentos. - Seu pai ainda não te falou sobre aquela história que você ouviu no começo do verão?
- Não. Eu mandei uma carta para ele semana passada perguntando sobre o assunto de novo, mas ele sempre desvia.
- Então você tem certeza que ouviu mesmo sobre um grupo além do Ministério que está lutando contra Voldemort?
- Sim.
- E que envolve Dumbledore?
- Eu não posso garantir que envolve Dumbledore, mas o nome dele foi citado na conversa.
- Depois daquela bagunça no verão com aqueles policiais trouxas, quando perseguimos aqueles comensais com a moto e seu pai ficou furioso, duvido que ele vá abrir a boca sobre qualquer coisa do tipo. Já bastou termos ouvido atrás da porta sobre esses caras e termos ido atrás deles...agora é que ele não vai te falar nada mesmo.
- E se eu for até Dumbledore e perguntar, minha cabeça será arrancada do meu pescoço. Vamos ter que achar um outro jeito de descobrir sobre isso.
- Tenho a sensação de que conseguiremos isso apenas com Dumbledore. - Sirius finalizou a conversa e cruzou os braços, intrigado. - Bom, Moony me deu uma dor de cabeça infernal e nem para pensar em mim também, então tenho que ir atrás de algo para ajudar. - Sirius jogou sua bolsa no ombro e olhou para o amigo. - Vai ficar ai?
- Estou indo, mas vai na frente. Te vejo no jantar.
Pegando sua bolsa e o pergaminho com as anotações da monitoria de Lily, olhou pela sala e com a sensação de que ainda faltava muito para eles estarem prontos para combater o que quer que seja do lado de fora, mas tendo a plena consciência de que o mundo não iria esperar para que estivessem.
E que o pior estava para vir e que eles seriam balançados de um jeito que mal esperariam.
L~J
Lily se olhou no espelho e sorriu, satisfeita.
- Nós estamos matadoras com essa roupa! - Marlene colocou para fora as mesmas palavras que Lily pensava.
- Frank vai morrer. - Alice dizia enquanto puxava o top para cima. A amiga tinha uma boa comissão de frente, o que lhe deixava bem sexy naquela fantasia.
- Pelo menos, tentem aproveitar antes de matá-lo. - Lily sorriu e puxou o próprio top para cima. Teria que colocar alguma mágica para evitar ter que puxá-lo o tempo todo.
- Lily, você tem andado muito com Marlene. A sua cabeça está tão suja.
Com a correria para fantasias, Lily deu a ideia de se fantasiarem de três personagens de uma das suas séries trouxas favoritas: Charlie 's Angel. Com uma revista trouxa que tinha trazido consigo onde tinha as três na capa, ela conseguiu explicar um pouco para as amigas, que toparam na hora. Agora as três vestiam calças brilhantes, cintura alta e absurdamente apertadas, um top tão apertado quanto a calça com um decote em formato de coração, cintos marcando a cintura (ainda mais do que a calça) e sandálias altas.
Lily se sentia um pouco exposta? Sim, mas adorou a fantasia, sentindo-se bonita.
- Não esqueçam a tal arma. - Marlene passou uma arma transfigurada para cada uma. Elas as colocaram na cintura, deixando-as aparente. - Estamos prontas?
- Mais do que prontas. Vamos, eu mal posso esperar para ver as fantasias de todos. - Alice bateu palmas e começou a empurrar as amigas porta a fora do dormitório feminino da Grifinória.
Já no corredor, viu algumas garotas fantasiadas e trocaram algumas palavras com elas. Uma nascida trouxa do segundo ano reconheceu a fantasia das três e foi animada conversar com o trio.
Desceram para a sala comunal e depararam-se com muitos alunos ali, conversando sobre as fantasias ou sobre o jogo que começaria em alguns minutos e finalizaria ao toque de recolher. Ainda era cedo, então todos os alunos planejaram andar pelo castelo e terreno para brincarem de "Gostosuras ou Travessuras". Lily segurou firme a sua pequena bolsa que continha alguns doces que conseguiu coletar pelo quarto - não os chocolates que James lhe dera, pois ela se recusava dá-los -, mas achou uma boa quantia para caso alguém pedisse "Gostosura", ela apenas desse logo um doce, evitando ser pega em travessuras.
Quando o relógio bateu às seis horas da tarde, os alunos começaram a debandar da sala comunal e as garotas esperaram por alguns minutos antes de saírem. Pelos corredores, ouviam risadas altas e alguns gritinhos de susto.
- Foi ótimo fazermos algo diferente neste Halloween. - Comentou Marlene assistindo um grupo de garotas cercando uma dupla de garotos, rindo descontroladas.
- O último Halloween em Hogwarts tinha que ser especial. Temos sorte de um maroto ter saído como Monitor-Chefe.
Lily não respondeu, apenas passando seus olhos pelas pessoas. Não via James desde o café da manhã, quando disse que estava terminando as últimas preparações da decoração para botar a mão na massa depois do almoço. Desde então, ela passou em frente ao Salão Principal, mas a porta ficou fechada a tarde inteira.
E sem sinal dele.
- Alice!
Elas pararam no corredor quando ouviram a voz de Frank vindo de um corredor lateral. O grifinório estava muito bem fantasiado de Hans Solo e Lily quase pulou de alegria ao vê-lo.
- Adorei, adorei. - A ruiva foi até ele, fazendo-o virar no lugar para apreciar a fantasia. - Star Wars realmente conquistou o mundo bruxo também, não?
- Com certeza. - Frank respondeu, mas não tirou os olhos da namorada. Depois, se virou para Lily e Marlene. - Vocês estão...uau.
- Somos detetives da Califórnia que matam com essas armas aqui. - Marlene tirou sua arma da cintura. - Só nos falta o bronzeado, mas acho que estamos bem vestidas.
- Vocês matarão vários bruxos essa noite e não vai ser com uma arma trouxa. - Ele deu um beijo na namorada e cochichou algo em seu ouvido, fazendo Lily e Marlene virarem o rosto para o outro lado. Ouviram a risada de Alice.
- Casal de namorados cochichando safadezas ao lado de duas solteironas. - Marlene cruzou os braços. - Isso não é justo.
- Solteironas? - Lily perguntou, indignada. - Poxa, não estamos tão mal assim.
- Quando foi a última vez que beijou alguém, Lily? Porque eu coleciono alguns meses assim.
Contava aquele beijo que James lhe dera no fim da Slug Party? Não havia sido suficiente para matar a sua vontade, mas…
- Você está livre para sair dessa situação, Lene. Basta querer.
- Querer eu quero, basta eu agir. - A grifinória pareceu pensar por alguns segundos. - Gostosuras ou Travessuras…- Murmurou logo em seguida. Virou para o casal que ainda sorria e conversava entre si. - Desculpa, Frank, mas temos que continuar e Alice faz parte da nossa fantasia.
Puxando Alice pelo braço, Marlene começou a arrastar as duas amigas pelo corredor, deixando Frank perdido para trás.
- Para onde estamos indo? - Lily perguntou apressando o passo para acompanhar a rapidez da amiga.
- Encontrar alguém.
- Alguém específico ou apenas alguém? - Alice perguntou.
- Um alguém bem específico.
Marlene as conduzia, mas as outras duas não sabiam para onde. Pararam no meio do caminho várias vezes quando foram interceptadas pelo jogo, distribuindo doces para alguns garotos bem decepcionados ao verem que as três estavam com estoques para dar ao invés de conseguirem algo a mais.
- Aquele sonserino era um gato, Marlene. Você deveria ter salvo seus doces para os outros e ter jogado diferente com esse.
- Lily, estamos em uma missão aqui, não se desvie.
Lily e Alice se entreolharam.
- Quantas voltas mais você dará neste castelo, Lene? Eu estou cansada e meus doces acabando...
Marlene parou no topo da escada, fazendo as duas amigas pararem com ela. Seus olhos azuis estavam fixos em algo à sua frente, logo abaixo.
- Finalmente!
Sirius estava parado ao lado da porta do Salão Principal, um pé apoiado na parede e rodando a varinha nas mãos. Ele parecia falar com alguém, mas elas não viam ninguém ao redor, então a pessoa devia estar atrás da porta do Salão.
Aliás, Lily reconheceu imediatamente sua fantasia: vestia calça jeans escura, uma camiseta branca, jaqueta vermelha fechada apenas na parte debaixo, os cabelos escuros penteados para trás de um jeito muito charmoso. Sirius Black era a pura alma de James Dean, um "ladrão de suspiros" ambulante.
- Por Merlin, ele é uma visão do paraíso. - Marlene murmurou e começou a descer as escadas. - Mas nunca quis tanto embarcar em um trem para o inferno com alguém.
A amiga estava louca, as fazendo rir. Elas se dirigiram até ele, chamando a atenção do maroto, que se desencostou da parede e as mediu.
- Pelas barbas de Merlin...eu não sei do que estão fantasiadas, mas vocês têm o meu coração.
-Com quem você está falando? - Ouviram a voz vindo de dentro do Salão.
- Vem dar uma olhada. - Sirius respondeu e sorriu, cruzando os braços.
Apenas a cabeça de James apareceu pela porta entreaberta em um primeiro momento, parecendo ocupado com algo, mas ele logo deixou de lado o que fazia e veio até eles.
- Estamos de tirar o fôlego ou não? - Alice dizia, sorrindo, mas quase se escondendo atrás de Lily, querendo deixá-la em evidência.
A cara dele estava impagável, mas Lily não prestou muita atenção, já que também estava focada na fantasia do maroto que usava calças e sapatos sociais pretos, uma camisa branca enrolada até os cotovelos e o colarinho com a parte da frente levemente levantada, uma gravata borboleta e um colete escuro que era parte de um conjunto de terno, mas que ele não o usava no momento. Seus cabelos estavam penteados para trás, mas de um jeito diferente do de Sirius.
Não conseguiu identificá-lo, achando que alguma parte importante da fantasia estava faltando. Mas Merlin, a última coisa que ela queria fazer era adicionar peças de roupas nele...preferiria que as subtraíssem.
- Vocês estão...uau. - James, finalmente, disse. - Bem uau, bastante uau.
- Obrigada, Potter. - Marlene deu de ombros, como se já soubesse o quão linda estava. Ela se virou para Sirius, sem perder tempo. - Gostosuras ou Travessuras?
As sobrancelhas de Sirius subiram.
- McKinnon, a gostosura está toda com você, querida.
Lily e Alice riram, James limitou-se a sorrir de lado. Marlene jogou os bonitos e brilhantes cabelos para trás.
- Travessuras, então? - Ela perguntou.
- Com certeza.
A grifinória se aproximou dele e colocou a boca em seu ouvido, cochichando algo e deixando todos os outros curiosos. Sirius ouviu, parecendo compenetrado nas palavras de Marlene e, assim que ela terminou e se afastou, ele abriu um sorriso matador que apenas Sirius Black possuía.
- Se eu fosse você, eu manteria meus dois olhos bem abertos esta semana. - Foi o que Sirius respondeu. Todos olharam para Marlene, talvez esperando por uma resposta, mas ela apenas sorriu e se virou para as amigas.
- Vamos? Temos poucos doces ainda para distribuir. - Marlene comentou e olhou para as mãos de Lily, que estava sem entender, esperando que Marlene fosse agarrar Sirius. - Quantos doces tem sobrando mesmo, Lily? Um único Fudge Flies? Quem será o cara que receberá e o que você terá que começar a distribuir depois, hm?
Marlene lançou um olhar significante para James, que apenas baixou o olhar para as mãos de Lily, conferindo o saco de doces quase vazio.
- Estamos vestidas de Charlie's Angel. - Lily disse sem ninguém perguntar, tentando desviar o assunto e trocando de mãos o seu saco de doces que, realmente, continha apenas um doce sobrando. - Um seriado trouxa bem na moda e...a gente tem arma. - Ela tirou a arma de brinquedo e mostrou para eles.
- Ah, James também tem uma dessas. - Sirius seguiu Lily na conversa. - Mostre para elas o bom trabalho de transfiguração, Prongs.
- Ahm, está no meu terno. - James apenas levantou a mão e convocou seu terno de dentro do salão principal com um feitiço não verbal. Lily quase deixou um muxoxo escapar ao ver que ele colocaria mais uma peça de roupa, mas quando ele vestiu o terno, a fantasia ficou clara. Alice pegou a arma de brinquedo que ele carregava.
- Diferente da nossa…- Ela comentou.
- Por conta da época em que se passa, não é mesmo, Don Corleone? - Lily apontou a flor vermelha na lapela do maroto. - Eu adoro esse filme.
E James acabava de ficar ainda mais irresistível daquele jeito, vestido de mafioso. O que Marlene estava passando para ela? Lily só podia pensar em embarcar no tal trem direto para o inferno com ele e, de preferência, arrancando aquele terno no caminho.
Ah uau, estava quente ali.
- Quente por aqui, não? - James perguntou tirando as palavras de sua boca, vendo-a se abanar um pouco. Ele mesmo tentava afrouxar um pouco a gravata.
- Eu estou achando bem fresco, na verdade. - Alice disse, alheia ao que parecia tomar os dois.
Impedindo que a conversa continuasse, Remus saiu do Salão Principal, fechando a porta atrás de si.
- Garotas! - Ele disse. - Uau!
- "Uau" deve significar algo bem especifico para vocês, garotos, pois já é a terceira vez que ouvimos isso. - Alice encarou os três marotos em sua frente.
- Você quer mesmo saber o que significa? - Sirius perguntou, uma expressão não muito convidativa, na opinião de Alice. Como Remus parecia um pouco fora de contexto, Marlene resolveu ajudá-lo.
- Potter já disse isso, mas muito obrigada, Remus. - Marlene abanou a mão no ar. - Quem é você?
- Ele é Joe, de Man with no name. - Lily respondeu pelo o amigo. - Um filme de cowboy de Clint Eastwood. Adorei, vai muito bem com você.
- Um cowboy em Hogwarts. Apenas um Halloween para proporcionar isso. - Remus bateu com o dedo em seu chapéu de cowboy, algo que Lily, realmente, nunca imaginou ver por ali.
Apenas os dois riram, sendo os únicos com cultura trouxa o suficiente para aquilo. Lily olhou para James, que rapidamente desviou o olhar para o lado e, se não estivesse enganada, ele parecia estar olhando para o seu decote antes. Se ele estivesse, não iria culpá-lo, já que aquela fantasia mostrava muito mais do que ela mostrou em todos esses anos.
- Continuamos o nosso caminho? - Marlene perguntou e já começou a andar em direção às escadas novamente, tendo os olhos cinzas de Sirius a seguindo.
- Nos vemos no jantar, ou nos corredores. - Lily piscou para eles, seguindo Alice.
Era uma boa ideia saírem dali mesmo, porque estava tendo a impressão que o verão havia voltado e James parecia a peça perfeita para acabar com aquela onda de calor.
- Lily!
Oh Merlin, ele estava dificultando manter as coisas sãs entre eles no meio do corredor.
Ela se virou, já no segundo degrau da escada, e se deparou com James se aproximando. Sirius e Remus ainda estavam no mesmo lugar, os assistindo, enquanto Marlene e Alice esperavam no topo da escada.
- Sim?
- Acredito que se lembre da Lei de Gamp de Transfiguração Elementar? - Ele perguntou. Lily deixou a cabeça cair para o lado, curiosa sobre onde ele estava indo.
- Claro. Fala sobre quais elementos podem ou não serem criados ou invocados por intermédio da Transfiguração.
- Exato. Não podemos criar comida do nada, mas podemos multiplicá-la. - James apontou a varinha para o seu saco de doce. - Geminio!
O seu saco de doces começou a pesar e o abriu, vendo o seu único fudge flies virar dezenas deles.
- Ah! - Ela não tinha nada inteligente para falar, pois nem chegou a pensar em fazer aquilo.
- Melhor garantir os doces. - Ele sorriu aquele maldito sorriso torto que a fazia sentir-se no deserto de tão quente.
James deu as costas e começou a voltar para os amigos. Mas como ele ousava pensar que iria escapar?
- James. - Ele se virou, surpreso, e Lily esperou que ele chegasse até ela novamente. - Gostosuras ou travessuras?
O sorriso de antes voltou e Lily quase esqueceu de onde estavam e o atacou ali mesmo.
- Bem, eu não tenho nenhum doce comigo e a lei de Gamp me impede de criar. - Ele levantou os braços, fingindo pesar pelo fato de não ter doce, mas claramente feliz por não tê-los. - Então acho que vamos de travessuras.
- Hmmm…- Gostosura e travessura nunca combinaram tanto com uma pessoa quanto ele. Lily quis rir com aquele pensamento idiota e que era bem coisa de Marlene. - Então, como castigo, que tal sentar comigo para o jantar?
James subiu um degrau, parando bem em frente a ela...centímetros os distanciando.
- Eu tenho certeza que você pensou: "Eu vou lhe fazer uma oferta que ele não poderá recusar"! - James citou uma fala do filme "O Poderoso Chefão", surpreendo-a. Talvez ele também gostasse do filme tanto quanto ela. E a surpreendendo ainda mais, James se aproximou e lhe deu um beijo no rosto, um pouco mais longo do que deveria ser. Ele afastou os lábios da pele dela, mas ficou perto o suficiente para sussurrar bem baixo e ela ainda ouvir. - Não foi o beijo que você pediu, mas acho que devo me redimir em dobro por não ter nenhum doce comigo. - Ele se afastou o suficiente para que pudessem se encarar. - Eu estarei te esperando aqui para o jantar.
Antes de deixá-lo ir, e tentando não demonstrar o quanto ela mal podia esperar por aquilo, Lily pegou um fudge flies e entregou para ele.
- Multiplique e, assim, garantimos o seu estoque de doces também.
Querendo evitar que Sirius, Remus ou suas amigas gritassem alguma piada que acabasse com aquele momento, Lily apenas se despediu e subiu o restante dos degraus.
No final das contas, James a ajudou bastante com os doces, pois saiu distribuindo para todos que brincavam com ela. Enquanto isso, Marlene brincava e aproveitava. Dava doces a rodo quando queria e pedia beijos no rosto quando lhe convinha, o que estava mexendo completamente com a mente das amigas.
- O que falou para ele? - Alice perguntou pela décima vez. - O que custa nos contar?
- Eu prefiro esperar. - Marlene respondeu pela décima vez. - Vocês adoram ficar com os segredinhos de vocês com os seus namoradinhos...eu apenas estou mantendo um segredo com um cara que eu gostaria muito de dar uns beijos.
- Namoradinhos? - Lily se virou para a amiga.
- Namoradinho, paixão arrebatadora, amor da vida...fica ao seu critério como nomear James Potter.
Lily revirou os olhos e parou no corredor quando dois primeiranistas a pararam, obrigando-a distribuir seus últimos doces. Na hora perfeita, pois o jantar iria começar.
- Apenas estamos curiosas. Você caçou o cara pelos corredores, cochichou algo para ele e depois saiu por aí, distribuindo beijos no rosto dos outros...eu não entendi nada. - Alice continuou após também dar seus doces para os mesmos primeiranistas.
- A vida de solteira, que você não conhece a alguns anos, é assim mesmo. - Disse Marlene.
- Deixe Marlene e seu segredo, Alice. Ela não vai falar o que aconteceu.
- E você que não reclame, porque eu estou esperando até hoje para saber o que aconteceu na Slug Party e você não nos conta.
- Eu já contei o que aconteceu.
- Mas não tudo, eu sei. Eu sinto no ar, esse cheiro de "James fez algo, mas foi tão bom, que não quero espalhar por ai". - Marlene fingiu sentir um odor em torno de Lily, fazendo a amiga empurrá-la para longe.
- Cala a boca.
As três grifinórias seguiam o fluxo da maioria dos alunos agora, que pegavam o caminho para o Salão Principal. Lily sentia um frio na barriga, sabendo que iria sentar com James e, mesmo que tivesse a escola toda e seus amigos ao redor e que sentara com ele para refeições antes, sabia que daquela vez era algo diferente. Ele sabia, ela sabia...depois da Slug Party, ambos sabiam que o que era dito ou feito, havia uma razão explícita. Lily não havia perguntado se podia tentar conquistá-lo, mas aceitando que ele fizesse, dava a certeza que ela estava afim de algo…
- Ai Merlin. - Ela sussurrou, percebendo que tomara um caminho sem volta agora e que ainda que tivesse todas as borboletas do mundo em seu estômago, aquela sensação era ótima.
Ela já podia ver o Salão Principal e quando se aproximou mais, pode vê-lo esperando por ela, encostado displicentemente na parede, um calcanhar cruzado no outro, as mãos no bolso da calça...e aquele sorriso ao vê-la.
- Senhor, James sabe que ele é malditamente bonito. - Marlene comentou ao seu lado. - Prometo que vou me comportar, mas me deixe ouvir o que vocês vão conversar. Preciso um pouco dessa emoção na vida.
- Vai procurar com o seu maroto, Lene. - Lily murmurou com a boca torta, já que estavam a poucos passos de James.
- Eu vou tomar conta dela. - Alice se prontificou e agarrou o braço da amiga. - Oi de novo, James.
- Olá de novo, garotas. - Ele respondeu.
- Estamos entrando…- Alice continuou, puxando Marlene com ela.
Alguns alunos passaram por eles, curiosos, alguns cochichando sobre os Monitores-Chefes estarem ali fora, parecendo longe de estarem conversando sobre algo da monitoria. Honestamente, com toda aquela história de animagia e lua cheia, Lily nem havia dado um segundo pensamento sobre possíveis fofocas sobre eles depois da Slug Party. E, no fundo, não se importava.
- Está pronta? - Ele perguntou se desencostando da parede.
- Claro.
Ela se virou e começou a ir em direção ao Salão, mas James a parou.
- Por aqui. - Ele disse fazendo um aceno com a cabeça para outra direção.
- Por aí?
Ele assentiu e começou a se distanciar do Salão Principal e Lily o seguiu. Desceram a escadaria que daria no porão da Lufa-Lufa e na…
James parou em frente ao quadro de frutas que dava acesso à cozinha. Ela olhou para os lados e verificou que estavam sozinhos enquanto James se ocupava de fazer cócegas na pera e fazendo surgir a maçaneta verde. Abrindo o quadro, ele apontou para que ela entrasse primeiro.
O lugar estava a pleno vapor, com elfos andando e correndo por todos os lados. A comida chegava nas grandes mesas de cada casa e desapareciam, se apresentando para os alunos acima deles.
- Senhor Potter. Venha, por aqui. - Era o mesmo elfo que Lily viu dando um high-five com James na primeira vez que vieram ali de madrugada. - Fixez também ajudou. Quer tomar conta de vocês...disse que faz questão de servir a senhorita Evans. - O elfo a olhou, contente. - Ele já deve chegar.
Lily apenas seguia todos, ainda sem falar. Nunca imaginaria que uma brincadeira de Gostosuras e Travessuras a levaria a um jantar com James na cozinha. Quando ela ditou seu castigo, nem cogitou fazer aquilo em outro lugar, apenas sentados juntos no Salão Principal.
Mas ela havia castigado James Potter e ela deveria saber que nada é simples quando se trata dele.
Aliás, ela deveria começar a parar de subestimá-lo e de pensar "ele não faria isso", porque sim, James faria. Ele sempre faria.
- Uma vez, eu disse que eu te chamaria para um jantar aqui ao invés de um lanche noturno, já que você não tem fome de madrugada. Achei que hoje seria uma ótima oportunidade.
Em uma alcova afastada - que, provavelmente, servia para estocar coisas da cozinha -, havia uma pequena mesa toda decorada em volta com o tema de Halloween. Havia quatro abóboras voadoras ao redor servindo como lanternas e as paredes e teto arredondado estavam com tons de azul escuro e roxo, com galhos secos surgindo por entre as pedras.
- Isso é maravilhoso. - Ela disse aproximando-se.
- Uma cópia de como está o Salão Principal. Podemos subir e eu te mostrarei a decoração depois.
- Claro.
Passos contentes vinham atrás deles, alertando a chegada de Fixez.
- Senhorita Evans, senhor Potter. - O elfo os cumprimentou com grande felicidade. - Sentem-se. - Fixez puxou a cadeira para Lily, enquanto James sentava-se em sua frente. Ela estava deslumbrada, mas começou a sentir-se estranha por estar em um jantar tão bem planejado com aquela fantasia. James passava batido, já que usava terno, mas ela…
- O que há? - James perguntou percebendo sua expressão.
- Acho que eu devo me desculpar pela minha fantasia. De repente, me sinto bem deslocada.
- Qual o problema com a sua fantasia?
- Ela não parece se encaixar com o momento. - Lily se impediu de subir mais seu top, mesmo que não tivesse necessidade, mas queria apenas tentar cobrir mais da sua pele.
Fixez trouxe os sucos de abóboras em taças bonitas e bem diferentes das que normalmente usavam e eles agradeceram.
- Eu não vejo nada de errado com a sua fantasia. - Comentou James, enquanto se ajeitava na cadeira e lançando um rápido olhar para a fantasia de Lily. Limpou a garganta e pegou a taça. - Um brinde à sua fantasia.
Rindo, Lily pegou a sua própria taça e brindou com ele.
- À sua fantasia, James
- Por falar nela...agora eu posso me livrar disso. - Após tomar um gole do suco, James tirou seu terno e puxou as mangas da camisa, sem se importar em dobrá-las corretamente, o que só fez a cabeça de Lily girar ainda mais.
- Você…- Ela fez uma pausa tentando se concentrar em uma conversa normal. - Você conseguiu se divertir hoje, pelo menos? Ficou a tarde inteira cuidando da decoração do Salão Principal.
- Eu arranquei vários doces de alguns primeiranistas, então posso dizer que meu estoque está garantido até a próxima visita à Hogsmeade.
- Não acredito que você atacou os mais novos. - Ela riu.
- Eu? Você não sabe o que Remus fez para arrancar chocolate de todo mundo que encontrava pela frente. Eu apenas entrava na onda. Juro que ele nem perguntava "Gostosuras ou Travessuras", ele já chegava com a ameaça caso eles escolhessem a segunda opção. Não deve ter espaço mais no quarto para guardar o tanto de chocolate que ele coletou.
- Que bom que eu não esbarrei com ele nos corredores. - Ela riu e bebeu mais de seu suco.
- Ninguém estava sendo perdoado. Nessas horas, não existe amizade, família ou Merlin. No final, quando chegamos no Salão Principal e depois de termos arrancado doces de todos do castelo, ele ameaçou Sirius, obrigando-o a dar todos os chocolates. Eu consegui escapar a tempo, mas não tenho certeza sobre Peter.
Rindo, ela só conseguia pensar em quanto os adorava e como aquele ressentimento pelos marotos era algo tão no passado, que mal podia pensar que ele foi real. Eles tinham uma amizade, um laço que nunca encontraria, muito mais do que ela tinha com suas amigas, independente do quanto as amava.
A comida chegou pelas mãos de Fixez, que não parava de sorrir. Quando o elfo se afastou e eles estavam prontos para atacar, ela ficou pensando como perguntar algo, mas sem dar muita bandeira.
- E Remus ia só nos doces ou ele tentou arrancar algo mais de alguém? - Talvez usar Remus o faria entrar no assunto que ela queria chegar.
- Só doces para ele. - James respondeu prestando atenção no próprio prato. Aquele "para ele" soava, para Lily, como "ele não tentou, mas nós, os outros três, sim".
- Ah, que coisa, não.
Focou em sua comida, assim como ele.
- Alice, eu imagino, deve ter ficado só nos doces também. - James falou.
- Sim, ela focou apenas nos doces.
- Certo.
Eles ficaram em silêncio por um minuto ou dois. Lily desviou o olhar para a cozinha, vendo o trabalho imenso que aqueles pobres elfos tinham, mesmo os vendo felizes. Aquilo era algo do mundo bruxo que ela não conseguia entender ou aceitar.
- E os seus doces? - A voz de James a fez virar para ele novamente.
- Acabaram todos. Obrigada, aliás, foi de muita ajuda. Eu nem sequer pensei em fazer aquilo.
- Que bom que eu pude te ajudar. - Ele sorriu. - E você coletou alguns para você?
- Não muitos.
Os olhos dele se abriram um pouco, as sobrancelhas levantando. Logo depois, ele virou o rosto para o prato, dando uma garfada no jantar, parecendo digerir a resposta dela.
- Legal. - Ele mastigou por um momento, antes de dar um gole de seu suco. - Aconteceu algo nos corredores? Digo, você viu algo que não deveria acontecer, ou teve alguma reclamação de algum aluno sobre outro ter passado do limite? Sabe, pedindo ou forçando algo?
- Não. Acho que todos se comportaram. E você, ouviu algo?
- Não, nada. - James batucou a mesa com uma mão. - Alguém tentou algo com você? Algo que você não queria ou…?
- Tiveram alguns pedidos, mas com o meu saco de doces cheios, eu consegui me livrar de todos. - Ela sorriu e viu que James sorriu também, parecendo aliviado. - Teria sido o seu caso, de alguma maneira?
- Não. Estava ocupado roubando doce de crianças com Remus.
Eles deram muitas voltas, mas Lily relaxou ao, finalmente, chegar onde queria chegar. Aparentemente, James não saiu pedindo beijos por aí. Não que ele não tivesse o direito, porque ambos tinham, mas era interessante saber por onde ele ia com aquela coisa toda de conquista e tudo mais. E se ela o visse saindo com alguma outra garota neste meio tempo? Será que ele faria isso? Mais uma vez, ele tinha o direito, era livre e solteiro...mas ela não iria ficar muito impressionada se alguém decidisse conquistá-la enquanto beijava outra garota por aí.
Argh, aquelas questões todas eram tão idiotas e não sabia de onde tirava. Por merlin, ele estava na sua frente, jantando a sós com ela. O que mais ela queria? Tinha que parar com aquelas inseguranças bobas.
Mas ele a deixava louca.
Falando nele, virou para James e percebeu que ele a observava.
- Às vezes, você parte tão longe com os seus pensamentos e fico me perguntando o que te faz sair daqui desse jeito. Agora, você tinha uma expressão preocupada...mas algumas vezes você parece feliz. Em ambas situações, eu fico curioso tanto para te ajudar quanto para participar dessa felicidade que te pega de repente.
- Eu penso demais. Um defeito, eu diria. - Ela disse.
- Isso é recorrente no seu dia a dia ou só eu tenho o azar de te fazer tão pensativa?
- Você diria que é azar se você me faz pensativa?
James deu de ombros e se recostou na cadeira, deixando o jantar esquecido.
- Considerando que você disse que pensar demais desse jeito é um defeito, eu só posso ver como algo ruim.
- Pensar desse jeito é uma das razões para estarmos aqui, juntos. Se eu não desse segundas chances para os meus pensamentos, talvez não teríamos esta oportunidade.
Eles se encaram por alguns segundos, até James sorrir e pegar sua taça.
- Acho que eu posso conviver com isso.
Lily sorriu de volta e atacou o jantar novamente, assim como ele. A próxima meia hora passou com conversas leves e risadas, algumas interrupções de Fixez para trazer algo a mais para eles ou completar suas taças. Sentia-se tão acomodada e confortável com James, que mal percebia o que ocorria em volta, a correria da cozinha e dos elfos...talvez se uma bomba explodisse ao seu lado, ela não se importaria. Ele tinha uma conversa fácil, ao mesmo tempo que prestava atenção quando ela falava, como se não quisesse perder nem uma palavra que saísse de sua boca.
- Sobremesa? - Fixez perguntou quando os pratos já haviam sido retirados e eles apenas ficaram com sua taça.
- Pode mandar lá para cima, mesa da Grifinória? - James se virou para Lily. - Eu ainda preciso mostrar a minha decoração para a Monitora-Chefe.
- Claro, senhor Potter. Duas porções de sobremesa subindo assim que chegarem lá.
- Obrigada por tudo, Fixez. Estava ótimo. - Lily agradeceu.
- Fixez agradece ao senhor Potter por pedir ajuda. Sempre uma honra.
- Obrigado por ter preparado tudo isso em tempo recorde. - James piscou para ele.
O elfo fez uma mesura para eles e ajudou Lily a levantar da cadeira. James pegou seu terno e indicou o caminho para Lily ir na frente, quando Fixez o chamou de canto.
- Não precisa da ajuda de Fixez dessa vez? Uma panela voando sobre suas cabeças para impedir algum momento embaraçoso?
- Dessa vez não. - James deu um tapa amigável no ombro do elfo. - Dessa vez, eu me encarrego do resto.
Fixez os assistiu sair da cozinha pela segunda vez em poucos meses e feliz com o caminho que eles seguiam, orgulhoso de fazer parte e esperançoso para que desse certo.
L~J
A maioria dos alunos saía do Salão Principal já, rindo e se divertindo, já que a brincadeira ainda não havia terminado. A porta que dava aos jardins estava aberta, criando um corredor de ar frio pelo saguão. Lily passou as mãos pelos braços e apressou os passos para a porta do salão, fugindo do frio.
Quando estava quase lá, sentiu algo quente cair pelos seus ombros, bloqueando todo o frio que sentia.
- Está melhor? - James perguntou após soltar seu terno.
- Muito melhor, obrigada.
Ou não. De novo, ela se via com alguma roupa de James - apesar da capa de invisibilidade não ser considerada uma roupa em si -, e cheia do cheiro dele. Como alguém podia cheirar tão bem?
Seus pensamentos foram quebrados pela magnitude da beleza do Salão, fazendo-a parar na porta com o choque. Era a versão maior e mais poderosa da alcova da cozinha, muito mais brilhante com o roxo e azul se misturando no teto mágico, os galhos secos eram enormes e davam uma cara horripilante e dentro do tema; as abóboras voadoras tinha diferentes cores de luzes e expressões talhadas, além de todas as outras enormes abóboras espalhadas pelo lugar. Estava tudo lindo e de um jeito que ela nunca havia visto em sete anos em Hogwarts.
- Uau! - Ela conseguiu dizer.
- "Uau" não. Essa palavra não encaixa para decoração, apenas para fantasias como a sua. - James piscou para ela e passou em sua frente. - Vem, você não quer perder a sobremesa, certo?
Ela o seguiu como uma boba, ainda olhando por todo o lugar e admirando cada pequeno detalhe. Seus amigos já não estavam mais por ali, mas ainda havia algumas poucas pessoas sentadas ali, conversando ou terminando suas sobremesas. Na mesa da Grifinória, apenas cinco pessoas restavam e pareciam alheios a qualquer outra coisa no salão.
Os dois sentaram-se mais perto da mesa dos professores e do diretor, agora vazia, para ficarem mais afastados de todos: Lily sentou-se na mesa e James no banco, cada perna de um lado. Lily não sabia como Fixez fez aquilo, mas uma tonelada de sobremesa apareceu bem ao lado deles, com talheres e mais suco de abóbora incluso.
- Alguma preferência? - Ele perguntou levantando-se.
- Definitivamente o bolo de chocolate. - James a serviu. - Obrigada.
Ele pegou um grande pedaço de trifle de frutas vermelhas e sentou-se novamente, aproveitando a deliciosa sobremesa, assim como Lily.
Quando ela estava pronta para dar uma segunda garfada, sentiu que havia algo espreitando e olhou para cima: uma abóbora com um grande sorriso que se mexia voava sobre sua cabeça. Ela voltou o olhar para James que comia sua trifle feliz.
- James?
- Sim?
- Qual é a das abóboras voadoras? - Ela perguntou voltando seu olhar para a bendita que voava exatamente sobre sua cabeça.
- Por que haveria algo com elas? - Ele voltou sua atenção para a sobremesa.
- Porque você fez questão de mantê-las e essa está agindo muito estranho.
- Impressão sua. - James respondeu rapidamente e ainda sem olhá-la.
- James Potter!
- Por que eu faria algo com elas? Olhe em volta, você não vê ninguém irritado com abóboras voadoras, ou abóboras voadoras que perseguem os alunos. - Ele sorriu. - Você está vendo coisas.
- Estou vendo coisas e estou vendo uma abóbora voadora que encucou comigo.
Deixando de lado seu prato, ela pulou da mesa e andou por alguns metros no corredor entre a mesa da Grifinória e da Lufa-Lufa.
- Viu? Ela está me seguindo. - Ela apontou quando a abóbora, de fato, a seguiu, sempre parando em cima de sua cabeça. - James, o que esse negócio vai fazer comigo?
- Lily, você está vendo coisas demais. Ela não está te seguindo.
Batendo os pés, ela o deixou sozinho e andou todo o Salão, até a porta e se virou. Além de James a assistindo, divertido, a abóbora a seguiu e parou novamente sobre sua cabeça. Pegou o terno dele e cobriu a cabeça, se protegendo caso aquele negócio voador resolvesse cuspir algo nojento sem si e voltou até James, que ria.
- Eu estou vendo coisas, é?! - Ela perguntou ao se aproximar.
James esticou os braços, sem se levantar, e tirou o terno da cabeça dela, colocando-o de volta em seus ombros.
- Tente afastá-la, lhe dando um cutucão.
- Não, isso vai vomitar alguma coisa em mim.
- Você não está totalmente errada, mas eu juro que não será nada nojento. - Lily o encarou, descrente. - Eu não juraria em falso, ainda mais para você.
Ainda com os olhos cerrados e desconfiados, ela olhou para cima e, dando-se por vencida, ela tentou afastar a abóbora para longe, quase não a tocando. Sem tentar se esquivar, a abóbora apenas aceitou a rejeição, mas no segundo seguinte, a luz piscou e começou a mudar de cor. Lily puxou o terno de James para cima de sua cabeça de novo e esperou para o que fosse, mas a abóbora cuspiu um pergaminho que desceu lentamente até ela. Lily o pegou e abriu, lendo.
Seus olhos se levantaram para James.
- Cada convidado recebeu um e era por isso que eu precisava ter controle sobre as abóboras voadoras. - James apoiou o cotovelo na mesa e descansou o rosto em sua mão, a fitando. - E então, podemos contar com a sua presença?
Lily virou seus olhos para o pergaminho novamente:
FESTA DE ANIVERSÁRIO DE 18 ANOS DE SIRIUS BLACK
QUINTA-FEIRA, 03 DE NOVEMBRO DE 1977
CUBRA SEUS OLHOS
TRAGA SPRAY DE LAVANDA
ESQUEÇA AS AULAS DE SEXTA-FEIRA!
Esse convite é intransferível, traga-o com você.
- Duvido que eu perderia essa oportunidade.
N/A:
Oi, tudo bem? :D
Esse capítulo foi betado como deu, então desculpem os erros de gramática ou concordância hahahaha
Para o próximo, não esqueçam os seus convites para a festa ;) Sirius adora invadir festa alheia, mas não aceita penetra na dele!
Resposta para reviews sem login:
Mah: hahahha fui rapida da ultima vez, mas lenta nesta xD Sobre o encontro real...nao sei se valeu o de hoje, mas, né..vamos ver o que Novembro nos reserva :x Beijoooos, lindaaa
Guest: Oooohh meu deus. Voce esperou uma att no dia 09 e eu vindo aqui apenas no dia 23 =( Desculpe por te deixar aperreada hahahahha mas aqui esta o capitulo. Vou tentar (veja bem: tentar) nao demorar muito com o proximo. Nao posso prometer pro fds que vem, mas veremos :D Beijooos, lindaaa(oooo)? xD
Não tenho Sneak Peek, porque não estou postando do meu lugar de sempre =( mas o que eu posso dizer é que estamos entrando em Novembro (na fic, claro LoL eu juro que tive que olhar a data do computador quando eu disse isso) e há muitas coisas acontecendo neste mês: aniversário do Sirius, primeiro jogo de Quadribol, uma visita à Hogsmeade... e há coisas importantes acontecendo neste meio ai :x CHEGA!
Beijooos
