J~L

Quinta-feira, dia 03 de Novembro de 1977 às 23H30, Lily, Marlene, Alice e Frank estavam na sala dos monitores, assim como alguns outros alunos grifinórios convidados para a festa. Dorcas também estava por lá, assim como Mary McDonald e todo o time de Quadribol da Grifinória. Todos conversavam entre si, mas o mais baixo possível, já que nenhum outro aluno deveria saber o que estava acontecendo e não queria que alguém que pudesse passar pelo corredor aquela hora, ouvisse as conversas.

Dizer que uma parte da casa da Grifinória iria sair às escondidas para uma festa de aniversário de 18 anos de um maroto em plena quinta-feira, não era bem uma boa ideia.

- Eu nunca saí para algo tão secreto assim. Estou tão ansiosa. - Alice dizia esfregando as mãos.

- Eu também não. - Marlene concordou. - Eu só espero não ser pega ou eu vou matar Sirius Black.

- Aposto que não foi apenas ideia dele. - Disse Frank.

- E você quem aceitou o convite. Poderia estar na sua cama, sonhando em estar aqui. - Alice riu.

- Não importa, ele é o aniversariante. Então ele tem mais culpa.

Lily não participou da conversa, apenas mexia nervosamente suas mãos, querendo esquecer o fato de que os dois Monitores-Chefes estariam fora dos aposentos e que se alguém precisasse deles, talvez poderiam esquecer os distintivos para sempre.

Bom, um pouco de paz das tarefas seria bom, mas isso significaria ter aquilo estampado em seu currículo e voltar para a torre da Grifinória ... e ainda que amasse suas amigas, bem, ela não estava pronta para ir embora dos seus aposentos de Monitora-Chefe por vários motivos.

Ouviram o quadro se abrir e todos, sem exceção, se viraram para três marotos adentrando a sala - um deles sendo um dos motivos para ela não querer perder aquele distintivo. Assim como todos os outros, eles também tinham roupas normais e pareciam tão animados quanto os convidados.

- Estão prontos? - James perguntou, recebendo uma confirmação de todos. - Então, sem demora, vamos às condições: nós vamos desiludir vocês, porém terão que continuar o mais silenciosos possíveis. Todos com seu spray de lavanda? - Outra onda de confirmação de todos eles. - Perfeito. Vocês precisam passar esse spray de lavanda para despistarmos Madame Norra. Passem em suas pernas principalmente, mas não se preocupem, pois o cheiro vai sair em meia hora. - Todos eles abriram o frasco e passaram o perfume pelas pernas, sapatos e até nos braços. - E por último: vocês serão vendados!

Um barulho na mesa central da sala despertou a atenção de todos: uma caixa cheia de vendas para cada um deles. Marlene foi quem trouxe uma para cada um dos amigos e eles se prepararam, colocando-as na testa, esperando as próximas condições.

- Só eu que penso que somos loucos de ir em algum lugar vendados, cheirando a lavanda, desiludidos e guiada por marotos? - Alice perguntou.

- Eu acho que talvez estejamos todos loucos. - Lily concordou.

- Peter vai na frente, Remus ficará no meio com alguns de vocês e eu ficarei no fim da fila. Peter será o responsável por limpar o caminho para nós também. Então os primeiros da fila, tomem cuidado com as direções dele.

Opa, Lily deu alguns passos para trás disfarçadamente, mas ela não parecia a única a ter a ideia de ficar por último:

- Acho uma boa ideia ficar por último, vamos. - Alice segurou em seus ombros e começou a empurrar Lily para o final da estranha fila que começou a se formar.

- Vendas, senhoras e senhores. - James anunciou, vindo para o fim da fila. Quando seus olhos caíram sobre seus amigos no final, ele deu um leve sorriso satisfeito.

Todos ajeitaram a venda nos olhos e sentiram que não eram simples pedaços de pano: tudo ficou absurdamente escuro, sem nem uma luz entrando pelas laterais e impossível de espiar por qualquer lugar.

- Coloque uma mão no ombro da pessoa da frente, assim vocês não irão se perder ou desfazer a fila. - A voz dele estava ao lado dela e estar vendada com James tão perto de si, fazia seus outros sentidos aflorarem: no meio de todo aquele cheiro de lavanda, ela ainda podia sentir o cheiro dele; a voz dele parecia mais bonita e mais clara e a sua presença era uma força de calor.

Colocou a mão no ombro de Marlene logo em sua frente e esperou.

- Teremos que descer escadas? - Ela perguntou.

- Não muitas. - Ele respondeu. - Mas não vamos deixar vocês caírem como um baralho nelas, não se preocupe. - A voz dele estava brincalhona.

- Marchando! - Ela ouviu a voz de Peter no começo da fila.

Sentiu que Marlene se moveu, então ela a seguiu. Queria rir ao imaginar aquela cena pela visão dos marotos, os únicos ainda podendo ver qualquer coisa: Um monte de alunos vendados, segurando no ombro do outro e em fila indiana, tropeçando nos próprios pés e parecendo uns bonecos desengonçados.

Percebeu quando saíram da sala dos monitores pelo frio que a atingiu. Mal podia ouvir os passos dos outros alunos, imaginando que algum outro feitiço, além da desilusão, foi lançado para abafar o som o máximo possível.

- Nós vamos pegar a tal passagem do espelho? - Ela sussurrou para o lado que sentia James.

- Não vamos sair do castelo. - Ele respondeu em sussurro de volta. - Um degrau em cinco metros, cuidado. - Ele avisou para a sua parte da fila.

Ela sentiu que Marlene havia diminuído o passo e desceu, então a imitou, tateando com os pés procurando pelo degrau e descendo lentamente. Nisso, ela acabou perdendo o ombro de Marlene.

- Droga.

- Não tem problema, eu ainda estou aqui. Tem uma escadaria logo à frente e Marlene está a apenas dois metros de distância. - James anunciou.

- Devo seguir reto?

- Sim.

Continuou reto, não tendo ideia para onde ia e morrendo de medo de bater com a cara na parede.

- Um pouco mais reto. - James riu e segurou seus ombros, a colocando no caminho novamente.

- Não é fácil seguir em linha reta quando não se enxerga nada e não tem nada te guiando. - Ela reclamou.

- Eu sei, por isso que estamos aqui com vocês. Aqui, eu vou te guiar até Marlene.

James pegou a mão de Lily e a colocou em seu ombro. Ela não pôde resistir e apertá-lo, lembrando de alguns dias atrás quando dançou com ele, suas mãos estavam exatamente ali...a dele na sua cintura...e Marvin Gaye.

Merlin, cadê o ombro de Marlene? Precisava de um ombro que não lhe desse tantas lembranças.

- Se vamos ficar no castelo, porquê as vendas?

- Não é uma sala de conhecimento geral e queremos mantê-la o mais incógnita possível.

- Por quê?

- Porque ela é foda demais para qualquer um saber. - Não era sempre que James falava palavrão na frente dela, apenas quando está nervoso ou não percebendo que ela estava no recinto. Isso a fez rir por ver que ele se importava menos em ser tão certo com ela. - Escadas de cinco degraus em um metro. - Ele anunciou alto para que os alunos da parte de trás da fila também ouvissem.

James desceu um degrau e esperou por ela segui-lo. Fez a mesma coisa com os outros quatro degraus e acelerou o passo, levando-a até Marlene novamente.

- Não há mais degraus para descer. - Ele anunciou para todos, antes de falar apenas para Lily. - Terei que te deixar por um momento. Tem um contratempo.

Sentiu o ombro de Marlene ficar tenso em sua mão, assim como seu próprio corpo. Todos eles pararam no meio do corredor e podiam ouvir vozes ao longe, como se estivessem em uma bolha. Ou talvez eles mesmos estivessem em uma bolha e os Marotos estavam fora.

Esperaram assim apenas por alguns segundos.

- Vamos continuar. - A voz dele a assustou por um momento, ao mesmo tempo que a fila continuou o caminho.

- O que aconteceu?

- Ronda. Pararam Peter, querendo saber o que ele estava fazendo fora da torre. Tudo resolvido.

- Jogou a carta de Monitor-Chefe?

- Fui obrigado. Tenho jogado muitas cartas ultimamente para conseguir o que quero. - Lily não entendeu o que ele quis dizer, mas não aprofundou. Talvez fosse melhor não saber. - Estamos chegando.

Depois de alguns metros, eles pararam. James teve que deixá-los novamente, enquanto todos esperavam ainda em fila, segurando-se no ombro do outro.

- Conversa interessante com o nosso querido maroto?- Marlene perguntou, parecendo se virar para trás.

- Você esteve ouvindo o tempo todo, por que pergunta?

- Porque teve um momento que eu não os ouvia mais, muito menos tinha sua mão no meu ombro. - Lily, às vezes, queria matar Marlene quando a amiga usava aquele tom de voz malicioso.

- Porque você desceu o degrau e se apressou, então eu me perdi de você. Apenas isso. Durou alguns segundos.

- O suficiente para muita coisa acontecer. Ops! - Marlene percebeu que a pessoa da frente andou, então a seguiu, sendo seguida por Lily logo depois.

A cada passo que dava, conseguia ouvir uma música ficando cada vez mais alta, um cheiro de festa e fumaça - se é que poderia explicar esse cheiro -, e muita conversa e gritos animados. Quando a música estava alta o suficiente para Lily imaginar que estava a poucos metros da porta, uma voz masculina do seu lado direito chamou sua atenção.

- Potter!

Lily soltou o ombro de Marlene e parou seu caminho, ainda usando a venda.

- Black! - James respondeu. Considerando que havia apenas dois Black do sexo masculino no castelo e que Sirius não tinha aquela voz e, muito menos falava com James daquele jeito, só podia ser uma pessoa. De repente, ela queria muito tirar sua venda e sair da desilusão em que estava para perguntar o que ele estava fazendo nos corredores naquela hora.

Só que ela também estava e não tinha razão para estar, além de uma festa clandestina. Era melhor deixar James lidar com aquilo.

- Festinha particular, eu imagino? - Regulus deve ter se aproximado, pois sua voz estava mais perto.

- O que você quer por aqui? Aliás, o que está fazendo fora do ninho a essa hora? Tendo a sua festa particular com os seus amiguinhos? - O tom de James era calmo, porém uma nota de aborrecimento era nítida.

Lily tirou a venda e encontrou os dois garotos em sua frente. Como ela imaginava, ainda estava desiludida e duvidava que algum deles soubesse que estivesse ali, assistindo. Sentiu-se mal por estar ouvindo a conversa, mas Regulus Black estava longe de ser como Sirius. Sabia que ele estava andando com os possíveis Comensais do castelo e ouviu, mais de uma vez, brigas entre os irmãos e reclamações de Sirius por aqui e ali.

Então ela não deixaria James ali sozinho, independente dele ser um bom duelista ou não.

- Ele está aí dentro? - Regulus perguntou.

- Você não é o esperto? Sendo que hoje é o aniversário do seu irmão, onde mais ele estaria?

O tom de James continuava calmo, mesmo suas palavras estarem em grande discrepância.

- Poderia chamá-lo?

-Er, não?! - Agora James estava pura ironia. - De repente, você quer dar um abraço no seu irmão mais velho no seu aniversário?

- Apenas preciso falar com ele.

- Você teve o dia todo para isso, por que agora? - O maroto cruzou os braços e ajeitou a postura. Regulus não era muito alto, ou não ainda, então James parecia ainda mais velho do que o sonserino, mesmo sendo separados por menos de dois anos. - Eu vou responder por você: porque você quer fazer da vida dele uma miséria.

Regulus soltou uma risada pelo nariz e revirou os olhos.

-Ciúmes, Potter? Só porque eu sou o verdadeiro irmão dele, com o mesmo sangue?

- A porra do seu sangue me enoja. E ciúmes eu diria que vem de você, pois você tem um irmão incrível, que você sabe que é incrível, mas não tem força o suficiente para fazer a sua parte nessa relação.

- Você não sabe do que está falando, Potter. Acha que estando aí lado dele, pensa que tem algum direito de falar ou achar qualquer coisa, mas esquece que está ouvindo apenas um lado da história.

- Eu sei muito bem do que eu estou falando. - James o mediu por um segundo. - Você fez dezesseis recentemente, não? Me diga, se eu pegar o seu braço esquerdo e levantar a sua manga, o que eu vou encontrar aí embaixo? Um desenhinho de um Amasso? Uma fada? Ah, não, já sei: um Mini-Pufe! - James descruzou os braços e se apoiou contra a parede. - Você chorou quando fizeram? Sua mamãe segurou a sua mão?

- Cale-se! Você não sabe o que acontece na minha vida, nem você e nem ele. - Regulus começou a ficar vermelho de raiva, mas isso pareceu apenas divertir James.

- Se ela não segurou, o que ela fez? Ela te arrastou para ir? Duvido, já que você sabe muito bem o que tem feito, com quem anda.

O sonserino se projetou para frente, como se estivesse pronto para uma briga. James nem se mexeu no lugar. Os olhos do maroto mudaram agora, passando de raiva e ironia, para algo mais triste. Lily não foi a única a perceber, já que Regulus pareceu baixar a bola e deu um passo para trás.

- Reg, você sabe que poderia ter ido com ele. - James continuou. - Naquela noite, quando ele fugiu...você poderia ter ido. Você seria acolhido tão bem quanto ele.

- Eu não poderia.

- Sim, você poderia. Iriamos te proteger, você estaria a salvo e longe de tudo isso.

- Eu não sou o meu irmão. Sirius tem uma visão deturpada das coisas, ele não vê o que a nossa família fez e faz pelos nossos. Ele decidiu que não nos queria, que não nos amava e que preferia outros no nosso lugar. Sirius escolheu sua vida bem longe de todos, pensando apenas nele.

Não poderia dizer que era uma grande conhecedora da família Black, que entendia toda a conversa ou a relação dos irmãos Black ao todo. Mas não precisava daquele conhecimento para entender que naquela narrativa, quando Regulus dizia "família", "nosso" e "todos", na verdade ele dizia "irmão", "meu" e "mim". E James pareceu ter compreendido tão bem quanto ela.

- Você está enganado, muito enganado. - O maroto se desencostou da parede. - Faça-nos esse favor e volte para a sua masmorra. Eu poderia dizer que é perigoso andar por aí a essa hora, mas acho que não precisa se defender de nada que é perigoso para o resto do castelo, certo?

James parecia pronto para entrar na porta às costas de Lily ao mesmo tempo que Regulus dava as costas e seguia seu caminho.

- Reg! - James chamou, fazendo o sonserino se virar. - Ainda há tempo. Aquela foi a noite de Sirius, mas a sua ainda pode vir. Sabe que ele te receberia, nós te receberíamos.

Regulus deu as costas rapidamente e acelerou os passos pelo corredor, sendo assistido por James. Lily fazia o mesmo, então não percebeu quando o maroto finalmente se virou e tentou entrar, porém, ela estava desiludida no meio da porta. James trombou com ela, fazendo-a cair de cócoras.

- Diabos! - Ela exclamou. James desfez o feitiço de desilusão enquanto ela já estava a meio caminho para ficar de pé.

- Lily! O que estava fazendo ai?

- Sendo intrometida. - Ela respondeu, com sinceridade. - Desculpe. A intenção não era ouvir a conversa em si, mas quando eu vi que era Regulus Black te chamando, ficando sozinho com você no corredor a essa hora, eu preferi ficar.

- Estava de segurança, protegendo as minhas costas? - Ele sorriu.

- Podemos dizer isso.

- Que sorte a minha ter a melhor duelista do castelo me protegendo. - Ele sorriu. - Obrigado.

- Você não vai dizer que não precisa de segurança, que pode se defender sozinho ou o que for?

- Nunca. Ninguém é tão poderoso e perfeito assim, então eu nunca irei reclamar de reforços. - Ele levantou uma sobrancelha como se quisesse enviar uma mensagem para ela. - Talvez eu resmungue uma vez ou outra, principalmente com os meus pais, mas orgulho não vence guerra.

Ela merecia aquela repreensão. Deixava o orgulho ditar muitas vezes e deveria se lembrar daquela lição

- Você tem razão.

- Bom, deixemos isso de lado e vamos entrar. Eu tô precisando de uma bebida.

Eles passaram pela porta e Lily percebeu que esta se fechou sozinha e desapareceu logo após James passar. Estavam em uma espécie de túnel onde a música estava bem presente, assim como a festa. Quando saíram dele, Lily se deparou com um enorme lugar com luz azul, outras luzes piscando de acordo com a música e muita gente.

- Como vocês trouxeram todos eles? - Ela falou alto, tentando ser ouvida.

- Tivemos que fazer muito bate-volta, mas conseguimos. Fizemos por casa e, claro, deixamos a Grifinória por último. Não iríamos fazê-los chegar no começo, quando a festa ainda está morna. - James pegou dois copos de um aparador cheio de bebidas e passou um para ela. - Firewhisky.

- Ah! Você está aí. O que aconteceu? - Sirius perguntou vindo do meio da multidão que dançava.

- Nada. Um aluno no corredor na hora errada.

-Certo. - Sirius se virou para Lily. - Espero que aproveite essa festa, Evans, do jeito que você nunca aproveitou antes.

- Eu vou tentar. - Ela levantou o copo em sua direção. - Feliz aniversário! - E deu um longo gole em seu firewhisky em homenagem a ele.

- Cuidado com essa bebida. Não queremos que você apague ou fique sem memória no dia seguinte, certo? - Sirius piscou para ela. - Eu vi Marlene e Alice dançando. Se não se importa, eu preciso falar com James por um instante. Eu o devolvo depois.

James rolou os olhos e Lily assentiu, despedindo-se de ambos e indo para a pista de dança.

- Qual o problema? - James perguntou enquanto assistia a ruiva se distanciar e dando um gole de sua bebida.

- Era Reg, não?

A pergunta de Sirius fez com que o outro quase se engasgasse. Engoliu com dificuldade, sentindo a bebida arder mais do que o normal em sua garganta. Tentou pensar em algo para dizer, inventar qualquer história, mas era Sirius na sua frente e sabia que, se ele estava perguntando, é porque já sabia de algo relacionado a isso.

- Sim, era ele.

- O que ele queria?

- Parece que queria falar com você. - Sirius desviou os olhos para as danças, pensativo. - Talvez dar o troco para o que você fez no aniversário dele da última vez.

Era fato por anos na mui antiga e nobre casa dos Black que, assim que completasse dezesseis anos, Regulus receberia a marca negra, assim como todos os Comensais da família. No aniversário do irmão mais novo, como presente, Sirius lhe enviou, por coruja, um pergaminho com um desenho infantilizado da marca negra e os dizeres "Use esse desenho no dia que marcá-la na pele. Vai lhe cair bem".

- Tenho certeza que ele adoraria. Me pergunto se ele usou o mesmo desenho que eu dei ou eles não tem escolha sobre isso.

- Voldemort me parece um pouco antiquado para aceitar qualquer alteração na marquinha dele. Enfim...- James deu um último gole no seu firewhisky e deixou o copo de lado. - Qual a boa da festa? Você esteve aqui desde o começo.

- A boa da festa chegou a pouco tempo, querido Prongs.

- McKinnon?

Sem responder, Sirius pegou um copo de firewhisky para si.

- Aproveite a festa. Talvez seja hoje "o dia" para nós dois. - O maroto deu um tapa no ombro de James, que foi puxado para um outro canto da festa, mas parou quando viu uma cabeleira ruiva passar e não era a que ele gostava.

- Você chamou os Prewett? - James perguntou um pouco surpreso.

- Só Gideon, não chamei Fabian.

- Por que só um gêmeo?

- Porque não se traz concorrência para a festa, Prongs. Muito menos no meu aniversário.

- Ah, mas trazer a minha concorrência não tem problema?

Sirius riu com gosto, jogando a cabeça para trás, enquanto James tinha a cara fechada.

- Não se garante, Potter?

- Eu me garanto, isso você pode ter certeza. Já você...se garante tanto, que nem chamou a sua.

- Se garante tanto, que quase tremeu agora ao ver o cara.

- Vai se foder. Ele pode ir dançar e fazer o que quiser com ela...ele não vai conseguir nada com Lily.

- Isso soa como uma aposta? - Sirius colocou uma mão em formato de concha no ouvido. - Sim ou não?

- Eu não vou apostar em cima dela, Padfoot. Quando eu era mais idiota, eu sei que apostaria apenas para provar um ponto.

- Mas agora que você é apenas meio idiota, não quer provar nada para ninguém? - James apenas abanou a mão para o amigo. - De qualquer jeito, eu posso apostar sozinho. Ou melhor...

James seguiu Sirius que parecia ter um alvo em mente, pela maneira que andava. Perto de uma das janelas, estava Remus e Frank conversando e rindo.

- Você quer apostar algo? - Sirius perguntou direcionando-se à Remus. - Estou disposto a apostar alto, se quiser, mas você terá que pegar o lugar de James, porque eu já tenho um lado.

- Nenhuma aposta criada por você me parece boa, Padfoot. - Remus respondeu.

- Essa é boa.

- Não é. - James apontou.

- Eu estou curioso. - Frank comentou.

- Você pode apostar também, Frank, mas terá que manter isso entre nós, sem compartilhar com Alice.

- Isso começa a não soar bem. - O garoto pensou alto.

Olhando para os lados e garantindo que não havia ninguém ao redor perto o suficiente para ouvir, Sirius deu as costas para a multidão, formando um pequeno círculo entre eles.

- Vocês acham que se Gideon Prewett tentar algo com Lily, ele consegue?

- Ele quer tentar algo? - Remus perguntou.

- Óbvio que quer.

- Ele te falou isso?

- Não. - Sirius respondeu, prolongando a palavra. - Mas é óbvio que ele gostaria. A questão não é essa, mas sim se Lily o corresponderia.

Remus e Frank pareceram pensativos por alguns segundos, às vezes lançando um olhar para James.

- Digam o que quiserem, mas eu não estou fazendo parte disso. - James levantou as mãos ao ar. - Não é como se eu estivesse preocupado com ele, mas não quero jogar o cara para cima dela só para provar algo.

- Bom...eu acho que Lily não aceitaria. - Frank, por fim, respondeu. - Prewett é um cara cobiçado e, sejamos sinceros, tem motivos para isso. Mas acho que ela não cairia na dele, já houve muitas oportunidades e nunca ouvi nada sobre os dois juntos.

- Eu estou com Frank. - Remus concordou.

- Vocês pensam pouco da nossa ruiva. - James levantou uma sobrancelha para Sirius. - Talvez ela aceitaria, já que James não avança mais rápido. - Sirius deu de ombros, como se pedisse desculpas para o amigo. - Então faremos o seguinte: eu dou cinco galeões para cada caso ela não caia na de Gideon. E cinco galeões de cada um para mim caso ela caia. Fechado?

- Fechado! - Remus foi o interceptor e aceitou a aposta, balançando a mão de Sirius.

- Que comecem os jogos.

Esfregando as mãos, Sirius se afastou dos amigos.

- Se a casa cair, me tirem dessa. Eu não vou me ferrar por conta desse idiota.

- Não se preocupe, James, porque Lily não vai cair na de Gideon. - Frank deu um tapa em seu ombro.

- E você não está apostando. - Disse Remus.

- Mas você sabe que tudo relacionado à ela, pode cair no meu colo. - Menos ela, pensou James. - Enfim...vou tentar manter um olho em Sirius e desviar o foco, talvez fazê-lo prestar atenção em McKinnon, por exemplo.

Neste meio tempo, Sirius caçava Gideon entre as pessoas. Diabos, eles passaram por ele há poucos minutos e parecia que o corvino tinha tomado chá de sumiço. Os olhos cinzas cruzaram os de Lily na pista de dança e ele mandou uma saudação para ela, fazendo a ruiva franzir as sobrancelhas, desconfiada.

- Você sabe que eu estou tramando algo, não é, Evans? - Sirius murmurou para si quando voltou sua atenção para a multidão.

Conseguiu escapar de algumas pessoas aqui e ali que o pararam de tempos em tempos, completamente bêbadas. Só imaginava o rastro que eles deixariam pelos corredores mais tarde, botando toda aquela bebida para fora.

Ah, ali estava Gideon, se reabastecendo com firewhisky. Sirius foi em sua direção e se apoiou na parede ao lado do ruivo.

- Prewett! - O maroto o cumprimentou.

- Hey Black. Boa festa e um ótimo firewhisky, inclusive.

- Esse não foi contrabandeado de Hogsmeade. Na verdade, foi usado alguém que mora em Hogsmeade, mas as garrafas vieram do outro lado das highlands. Muito mais saboroso.

- Concordo. Eu preciso saber o nome depois, se não se importar.

- Não me importo. - Sirius sorriu e voltou sua atenção para a festa. - Então, o que faz aqui sozinho?

- Estou sozinho aqui, agora, enquanto pego uma bebida. Mas temos um grupo do outro lado.

- Grupo? Cadê a pessoa que você deveria estar beijando em algum canto desta festa? No final, é meu aniversário...por favor, honre esse convite.

Gideon riu e se virou para a festa, olhando os alunos se divertirem.

- Não há. Ainda.

- Ah, este é o espírito, Prewett. - Sirius colocou um braço por cima dos ombros do garoto. - Me diga, você está procurando garota ou garoto?

- Garota.

- Ok. Vamos fazer uma varredura das pessoas em nossas vistas. - Sirius apontou para a pista, para a loira bonita de cabelos cacheados. - Emmeline Vance. Nunca saí com ela, mas sei que namorou um grifinório por um tempo e ele era bem apaixonado nela.

- Não muito meu estilo, eu temo.

Sirius fingiu decepção e continuou procurando.

- Temos Helen McAndrews. Lufana super simpática, artilheira e olhos da cor do mar. - Gideon pareceu pensar a respeito, considerando. - Ah não, ela está saindo com um setimanista sonserino, esqueci. - Era mentira, claro.

- Está?

- Sim, está. Parece sério. Continuemos...- Lily estava em suas vistas agora, dançando com as amigas. O maroto tentou segurar o sorriso. - Lily Evans.

Sentiu que Gideon mudou de peso entre os pés e levou o copo à boca, enquanto assistia Lily dançando. Sim, havia um interesse e ele era bem grande.

- Eu acho que toquei em um nome interessante, eh? - Dando um tapa no peito de Gideon, Sirius não conseguia parar de sorrir. Foram os dez galeões mais fáceis da vida. - A ruiva mais famosa deste castelo, os olhos verdes mais bonitos que já cruzamos na vida, inteligente, esperta, boa em duelos...

- O que está fazendo, Sirius?

James cruzou os braços ao se postar na frente dos dois garotos. Gideon limpou a garganta ao vê-lo e tomou um outro gole de sua bebida, quase fazendo Sirius gargalhar com a cena. Nenhum cara parecia querer comentar ou sequer pensar em Lily daquela maneira com James Potter por perto.

- Conversando. Por que não vai dar uma volta? - Sirius o expulsou, fazendo sinal com a mão para que o amigo se afastasse. - Está intimidando nosso amigo Prewett.

- Ele não está me intimidando.

- Eu não estou intimidando ninguém. - Gideon e James disseram ao mesmo tempo.

- Então sai da frente, você está atrapalhando a vista. - Sirius puxou James para o seu lado, tendo Lily de volta em sua mira. - Como dizíamos, em qual adjetivo eu parei mesmo?

- Falávamos de McAndrews. - Gideon disse apressado.

- Não, não. Falávamos de Evans. - Sirius o corrigiu. - Acho que parei em "boa em duelos", mas eu dei muito mais adjetivos de sua pessoa no geral, mas mal falamos dos físicos...

- Não precisamos. - Gideon, novamente, tentou cortar a conversa.

- Verdade, porque é bem óbvio, não é? - Sirius ignorou a inquietude de James ao seu lado. - Sabe o que eu acho? Que você deveria tentar. Ela está solteira, você também, estão na festa do meu aniversário.

- Er, eu acho que não. - O pobre corvino respondeu.

- Por que não? Eu mesmo iria, sabe...mas eu estou interessado em alguém ao lado dela. - Sirius pareceu ter tido uma boa ideia. - Como eu não pensei nisso antes. Vamos juntos, Gid.

- Gid? - Gideon e James perguntaram ao mesmo tempo. Aqueles dois pareciam mais alinhados que qualquer outro. Além de estarem a fim da mesma garota, adoravam falar ao mesmo tempo.

- Ouvi tempos atrás que esse era o seu apelido. Vem.

O corvino ruivo não teve outra saída, além de seguir Sirius até onde Lily, Marlene e Alice dançavam. Olhando por cima do ombro, Sirius reparou que James ficou no mesmo lugar, apenas observando.

- Garotas! - Sirius se fez presente por cima da música, fazendo-as pararem de dançar. - O que estão achando da festa?

- A bebida está ótima. - Alice foi a primeira a responder.

- As músicas também. - Lily concordou.

Marlene não respondeu. Aparentemente ela não estava muito à vontade com o irmão de seu ex ao seu lado, ainda com Sirius a tiracolo. Ou o contrário, na verdade.

- Bom saber. - Sirius se virou para Lily. - Eu soube que gosta muito de música, mas principalmente as trouxas. Gosta de dançar também, não?

- Quem não gosta? - A ruiva mandou de volta.

- Eu não gosto de dançar. - Sirius se defendeu. - Não esse tipo de dança, não na frente de todos.

As garotas tentaram esconder a surpresa do descaramento dele, enquanto Gideon parecia arrepender-se até o último fio de cabelo em ter começado a conversa com Sirius e ter ido parar ali.

- Meu Merlin, Black. - Marlene resmungou.

- Ah, McKinnon. Você adora esse jogo de falar coisas sem dizer nada.

- Pelo contrário, eu falo o que eu quero. Esse jogo é mais o de Lily.

- Hey! - A ruiva exclamou. - Me tirem dessa conversa.

Olhando para Gideon, completamente desconfortável com a situação, Sirius começou a pensar. Ele não iria agir na frente de todos e Marlene estava muito arredia.

Não havia sido uma boa ideia trazê-lo para as garotas. Marlene não iria agir normalmente com o corvino por perto.

- Alice, Frank está te chamando. - O maroto apontou para um canto da festa.

- Está? - Alice tentou achar o namorado.

- Acho melhor ir ver o que quer, ele parece apressado.

- Oh.

A grifinória se afastou do grupo rapidamente. Ok, uma já foi. Os quatro, agora, encontravam-se no meio da pista de dança, sem dançar, parecendo bem desconfortáveis.

Estava na hora de mudar aquela situação para algo bem confortável.

- Lembra do Halloween? - Sirius comentou baixo para apenas Marlene ouvir. Viu que ela se ajeitou no lugar, prestando atenção.

- O que tem o Halloween? - Ela respondeu, tentando parecer desinteressada.

Sirius notou que conversar com Marlene obrigou Gideon a conversar com Lily. Era ponto duplo.

- "Uma pena que nesta brincadeira, beijo no rosto é a única coisa permitida. Os meus planos foram adiados, aparentemente". Não lembra dessa frase? - Marlene sorriu de lado. - Porque eu lembro de cada palavra que saiu da sua boca.

- E eu lembro quando você disse para manter meus dois olhos bem abertos nos próximos dias. Eu fiz e não vi nada demais. - Ela respondeu.

- Porque eu estava falando desta noite.

Ela se virou para ele, o interesse bem explícito em seus olhos azuis.

- Como vê, eu ainda estou com os meus dois olhos bem abertos e eu nada vejo de excepcional.

- Eu pretendo mudar isso agora. - Sirius se aproximou mais, fazendo seus corpos se encostarem, colocando a boca no ouvido dela. - E então você decide manter os olhos abertos, mas eu recomendaria fechá-los.

Sem avisar ninguém, os dois grifinórios saíram da pista de dança. Lily, alheia ao que aconteceu, continuava a conversar com Gideon.

- Claro que naquela visita, as coisas só saíram errado. Nunca vou esquecer. - A ruiva dizia sobre uma visita em Hogsmeade feita no ano passado com Marlene e Fabian.

- Pelo menos, demos risada. - Gideon comentou. O corvino estava muito mais relaxado agora. - Quer algo para beber?

- Talvez uma cerveja amanteigada. Melhor eu evitar o firewhisky, porque é muito bom e não quero causar uma cena.

Os dois iam até o aparador das bebidas, com certa dificuldade pela quantidade de alunos sedentos por uma gota. Gideon pegou uma garrafa para ela e outro copo de firewhisky para ele.

Sentindo que estava sendo observada, Lily virou para a esquerda e deu de cara com James. O maroto estava sozinho, olhando para ela, mas não parecia incomodado por ela estar acompanhada de Gideon.

- Está tudo bem? - Ele perguntou, percebendo a expressão de Lily um pouco desconcertada.

- Sim. - Respondeu vendo Gideon parecendo lutar para voltar até ela.

James desencostou-se da parede e se aproximou da ruiva.

- Eu pedi uma chance para te conquistar, mas isso não significa que outro cara não podia tentar também. - Ele deu de ombros e lançou uma rápida olhada para Gideon. - Mas será que ele tem tudo o que precisa para isso?

Ele sorriu e piscou para ela, saindo em seguida, já que Gideon voltava até eles, alheio que os dois conversavam dois segundos antes.

- Cerveja amanteigada para a senhorita. - Gideon passou a garrafa para uma Lily ainda congelada no lugar, olhando para o nada.

- Obrigada. - Respondeu sem pensar.

Era só o que faltava: James pensar que ela estava dando espaço para outro cara se aproximar daquele jeito. Gideon era um amor e foi um grande amigo no ano passado, apesar de terem se distanciado depois da loucura de Marlene em dispensar Fabian sem nem avisar o pobre garoto.

- Faz muito tempo que não conversamos. - Ele começou uma conversa quando se afastaram das bebidas. - Como tem sido esse começo de ano para você?

- Um pouco louco, com muitas coisas para fazer. O sétimo ano é realmente uma loucura, com monitoria fica ainda pior.

- Ser Monitora-Chefe não deve ser fácil. Potter tem ajudado, pelo menos?

Aquilo lhe incomodou um pouco. Já era bem velha aquela história de James não ser um bom Monitor-Chefe só por ser um maroto também.

- Ele é muito capaz no que faz, sendo melhor do que eu para lidar com todos os monitores do castelo. É absurdamente respeitado e faz com que todos sigam suas diretivas. - Jogou o cabelo para trás e bebendo sua cerveja. - Faz as regras serem respeitadas por todos.

- Wow! Isso é que é uma defensiva. - Gideon riu um pouco. - Ele sabe que tem uma protetora voraz ao lado?

- Se ele não sabe, deveria saber. - Ela sorriu um pouco.

- Podemos ir até ele para informar, já que ele não para de lançar olhares na nossa direção.

Lily não quis virar para onde Gideon parecia indicar onde estava James, preferindo focar no corvino e não dar abertura para que ele risse dela.

- Como tem sido o seu começo de ano? - a ruiva mudou de assunto.

- Como você disse, o sétimo ano é bem cansativo, mas ter mais períodos livres é bom.

- Eu não sei nem o que é isso. Raramente os tenho.

- Uma pena. - Ele deu um gole na bebida. - Era legal quando aproveitávamos os períodos livres no sexto ano, juntos.

- Quando eles coincidiam ou quando vocês dois faltavam na aula para isso. - Ela lembrou-se, nostálgica. Eram bons momentos, quando Lily passava por aquela turbulência por conta da morte dos pais. Seus amigos haviam sido a força que ela precisava, fazendo-a esquecer um pouco da dor que parecia trazê-la para um local escuro.

- Uma pena que Fabian e Marlene terminaram, causando esse distanciamento. - Ele comentou.

- Pois é.

Gideon limpou a garganta antes de continuar.

- Sabe, não precisávamos nos distanciar. Nós dois, eu digo. Antes, não precisávamos deles para nos encontrar ou passar um tempo juntos.

- Verdade. Acho que com a confusão entre eles, meio que tivemos que escolher um lado para dar suporte, o que acaba nos distanciando.

- Eu acho que não é tarde demais para voltarmos. - O corvino olhou rapidamente para ela. - Não acha?

- Claro que não. Não vejo motivos para não nos falarmos mais ou coisa parecida.

Os olhos verdes captaram Alice andando pela sala, provavelmente procurando por ela. Mas quando a amiga viu que estava afastada dos outros e conversando com Gideon, estacou no lugar. Lily pôde ler em seus lábios "mas que diabos...?".

Dando meia volta, Alice voltou até Frank e Remus, quase batendo os pés.

- Que porra é aquela ali?

- Alice! - Remus, chocado com o palavrão, riu. Alice era sempre tão tranquila. - Do que está falando?

- Lily e Gideon! - A voz dela estava quase sumindo.

Rapidamente, os dois garotos procuraram pelo o que ela falava, temendo encontrar Lily e Gideon aos beijos em algum canto.

- Ali! - Frank apontou discretamente. Os dois respiraram aliviados ao vê-los apenas conversando e garantindo seus cinco galeões em seus bolsos.

- Por que essa preocupação grande e repentina sobre isso? - Alice perguntou, desconfiada.

- Nada, meu amor. - Frank a trouxe para perto, abraçando-a.

- Você não me engana, Frank Longbottom.

- Acha que precisamos intervir? - Remus perguntou, tentando salvar o amigo, ao mesmo tempo que procurava pelo salão novamente.

- Se Potter não age, porque iríamos? - Alice respondeu em um tom reclamão. - Ele não se importa? Qual é a dele, afinal?

- Lily não vai dar brecha para Gideon. - disse Frank.

- Como você pode ter certeza disso? Não que eu saiba menos do que você, já que eu sou a melhor amiga dela, mas gostaria de saber de onde saiu essa confiança.

Frank sorriu.

- Eu vi quando James e Lily dançaram na Slug Party. E se vocês vissem o que eu vi, vocês teriam certeza absoluta do que eu digo.

Assim como Frank, James Potter, do lado oposto do salão, era pura confiança. O grupo com quem conversava o fazia rir, ele os fazia rir, mas sua atenção, mesmo que indireta, estava em algum lugar fora dali.

Não sabia o porquê, mas a partir do momento que ele deixou claro para Lily que ele queria tentar, as coisas ficaram mais fáceis dentro dele. Não tinha que lidar com a constante de ter que se fazer presente, de enviar pequenas indiretas sobre o que ele queria... não. Aquilo havia acabado. Agora era uma outra fase, onde precisava agir.

Às vezes, não agir era, de fato, agir. Sim, ele adoraria se enfiar naquela conversa de Lily e Prewett, acabando com as esperanças do corvino. Merlin, ele olhava para ela como se estivesse a ponto de beijá-la a qualquer momento. Mas não achava que agir como um bruxo do século 1, invadindo a vida dela e atrapalhando sua vida social, iria ajudar na causa. Além do mais, uma dose de um outro cara podia fazê-lo se destacar ainda mais. James estava sempre por perto, nunca conseguindo ficar longe dela por muito tempo, então talvez Lily necessitava um pouco de outra figura masculina interessada nela para que ela visse que ele era uma boa escolha.

Lembrou de ter pensado que nem galeões sendo vomitados por unicórnios faria deixá-lo outro cara se aproximar, mas talvez, neste caso, seria uma boa ideia. Era só Prewett não conseguir nada e ele estaria feliz.

Não era possível que ela escolhesse Prewett do que ele, certo? O que aquele cara tinha de melhor? Nunca estava por perto, não parecia se importar muito... provavelmente querendo apenas algo rápido com ela, como poderia ser com qualquer outra. Ou talvez soubesse que não tinha chances de ter algo com Lily, por isso nem tentava.

Estava se mordendo por dentro, com receio de uma ação de Prewett, mas tinha que se concentrar nela. Lily não parecia entusiasmada em levar as coisas para aquele lado com o corvino, então aquilo lhe dava conforto e tranquilidade que ele sentia, apesar desses dois estarem disputando o lugar com o ciúmes.

Era um risco que corria. Ela era livre para escolher, mesmo ele torcendo para que Lily não escolhesse Gideon Prewett.

L~J

De volta para o par que era observado por tantos, Lily suspirou e deu um gole de sua bebida. Conversava com Gideon por duas horas agora e sentia como se voltasse para uma época tão longínqua, ao invés de um ano atrás.

Ele era inteligente, bonito, engraçado, generoso e muito gentil. Tudo o que uma garota procurava, tudo o que uma pessoa desejava... tudo o que Lily não conseguia querer vindo dele.

Bufou discretamente. Não por estar de saco cheio de estar com ele, mas por estar ali com ele sabendo que Gideon parecia interessado, enquanto ela ficava olhando, de tempos em tempos, pela festa atrás de alguém específico. Encontrou James diversas vezes aproveitando a festa do jeito que ele sempre fazia: trazendo uma aura de felicidade, de risadas constantes, brincadeiras e dança. Tão diferente do James preocupado que via aqui e ali.

Os olhares se cruzaram inúmeras vezes nestas duas horas e trocavam sorrisos, como se eles tivessem um segredo, uma cumplicidade que ninguém ali teria ou entenderia. Não sabia se os marotos sabiam o que aconteceu no fim da Slug Party, mas tinha a impressão que não. Que aquilo havia ficado apenas com eles e que se tornara algo secreto, demonstrando em seus olhos toda vez que se viam, que aquilo era real, que estava acontecendo e era deles. Apenas deles.

- Você tem um sorriso muito bonito, sabia? - Gideon a trouxe de volta para o seu lado. Não tinha percebido que sorria.

- Obrigada. - Agradeceu, percebendo que foi a primeira vez naquela conversa que o corvino estava sendo direto sobre algo. Provavelmente, estavam entrando em terrenos desconhecidos para ambos, onde ele estava querendo deixar as coisas bem claras sobre o que queria.

-Eu sempre achei, mas nunca tive coragem de dizer. - Era fofo do jeito que ele parecia nervoso e tímido. - Pensei que não seria inteligente da minha parte enquanto Marlene e Fabian estavam juntos, com medo de acabar causando um afastamento do grupo.

Lily só podia pensar que, se ele fizesse isso um ano atrás, ela teria aceitado aquele elogio de um jeito diferente, levando-os aproveitarem aquela festa de um jeito diferente. Mas agora...agora era tarde demais.

- Gid...- Ela colocou a mão em seu braço de um jeito que fizeram inúmeras vezes com ele, mas aquele tom que usara foi a primeira.

- Ah. - Ele sorriu embaraçado. - Não precisa dizer mais nada, Lils. Eu consigo ouvir na sua voz.

Gideon, com toda a sua graça e honestidade, sorriu. Apenas ele para ser um amor daquele jeito naquelas ocasiões. Apesar de ter Fabian como o seu irmão gêmeo, Gideon era muito mais sereno e cabeça no lugar do que o irmão.

- Sinto muito.

- Não sinta, está tudo bem. - Ele se ajeitou no lugar. - Eu não estive aqui por horas conversando com você apenas para tentar algo, mas também por sentir falta de ser seu amigo. Não quero que pense isso quando eu me levantar em alguns segundos e ir embora. - Eles riram levemente. - Mas acho que vale a pena eu ir lamber a minha ferida em outro lugar.

- Não desapareça e não deixe isso nos afastar, por favor.

- Eu não irei. Antes de tudo, você era a minha amiga. Não vou deixar isso atrapalhar um bom relacionamento com alguém como você. Acho que, o que estamos vivendo ultimamente, devemos manter os aliados perto.

Com um sorriso bondoso, Gideon se levantou e se afastou, passando entre os alunos já um pouco bêbados.

Bem, aquilo havia sido mais fácil do que o esperado. Pelo menos, não perderam mais um amigo na sua vida, mantendo alguém do lado do bem o mais próximo possível.

Sua mente quase a levou para Severus, mas forçou-se a pensar em outra coisa. Gideon havia dito que havia algumas portas francesas em uma parte do lugar que dava em pequenas sacadas individuais. Aquilo era estranho, já que o castelo não possuía isso, mas o amigo garantiu que era verdade.

Deveria acreditar, já que estava na festa de, ninguém mais ninguém menos, que Sirius Black. Aliás...

...onde estava Marlene? E Sirius?

Levantou e tentou dar uma rápida olhada pelas pessoas, mas não era alta o suficiente para ver além de alguns metros a sua frente.

- Quem está procurando? - Remus perguntou ao se jogar na cadeira antes ocupada por Gideon. Lily voltou a sentar-se em sua cadeira.

- Marlene.

- Eu não vejo Sirius a um tempo...eu acho que, onde quer que Marlene esteja, ele estará junto.

- Você deve estar certíssimo.

Aquilo a fazia feliz. Desejava que a amiga estivesse curtindo aquela festa como merecia. E se Sirius Black não estivesse lhe dando isso, não sabia quem mais poderia.

- Mudando de assunto, mas também aproveitando que estamos falando de Sirius, vim até aqui apenas para informar que estava rolando uma aposta sobre você.

Aquilo a alertou.

- Aposta sobre mim?

- E Prewett.

Ela cruzou os braços.

- E?

- E eu ganhei. - Remus sorria aberta e descaradamente.

- Posso saber o teor dessa aposta e quem apostou?

- Não darei nomes, mas alguém apostou que você aproveitaria a festa com Gideon e outras duas apostaram que não. Caso você não tenha pego o começo da conversa, eu ganhei...então eu acreditei que você não se deixaria levar.

Sua atenção voltou para a multidão novamente, procurando por uma pessoa específica. Seus olhos queimando...

- James não apostou. - Remus continuou, vendo a expressão de raiva da ruiva. Imediatamente, seu rosto suavizou.

- Não?

- Ah, não. Ele pediu, encarecidamente, para deixar bem claro que ele não estava incluso. Então antes que algo chegue em seus ouvidos, vim aqui me entregar e deixá-lo de fora disso.

Bem, aquilo a deixou tranquila. Dane-se a aposta então.

- Quanto você ganhou?

- Cinco galeões.

- Espero que me pague uma bonita caixa de chocolate com esse dinheiro, Sr. Lupin, porque não tem como você se safar desta tão fácil assim.

- Mesmo eu tendo apostado a seu favor?

- Sim!

Remus se deixou escorregar na cadeira, como um garoto de cinco anos emburrado.

- Acho que é justo, então.

- É muito justo. - Deu um beijo no rosto dele e levantou. - É verdade que tem portas francesas com sacadas por aqui?

- Sim, estão mais no fundo da sala. Difícil achá-las vazias, mas você pode tentar.

- Irei. Preciso de um pouco de ar.

Com a direção apontada por Remus, Lily se espremeu entre os alunos dançantes no ritmo de Queen e foi a sua caça. Não demorou muito para as encontrar e ela continuou sem entender como podia haver sacadas naquela sala desconhecida. Havia quase uma dezena de portas, o que a chocou ainda mais em pensar em dez sacadas.

Quando abriu a porta da primeira sacada, quase teve o reflexo de fechar imediatamente, mas o seu choque foi maior que sua educação: era Marlene e Sirius em um beijo de tirar o fôlego.

Lily percebeu que tinha os olhos esbugalhados e a boca aberta e isso a fez acordar e perceber que estava observando um casal se beijar bem intensamente, então ela fechou a porta rapidamente e se apoiou contra ela. Sorriu ao pensar que Marlene finalmente tinha dado um passo para aquilo. Ou Sirius. Sem saber quem havia começado, ficava difícil dizer. Mas depois do Halloween, talvez tenha sido algo mútuo.

- Viu um fantasma? No caso, um fantasma que não deveria estar em Hogwarts? - Alice perguntou ao seu lado.

- Não. Mas se você quiser saber o que é, pode abrir essa porta, mas seja discreta.

Não negando uma boa fofoca, Alice abriu uma brecha na porta e levou uma mão à boca. A garota fechou a porta rapidamente e se virou para Lily, sorrindo largamente.

- Merlin!

- Exato. - Lily concordou, rindo. - Não sei no que isso vai dar, mas já estava na hora.

- Já havia passado da hora. - Alice bateu palmas rapidamente, excitada. As duas se afastaram daquela porta, rindo e felizes pela amiga. - E por falar nisso, o que estava fazendo aqui? Procurando um canto para se agarrar com Gideon? - Alice quase cuspiu a pergunta na amiga.

- Nossa, mas o que eu fiz para ser atacada assim?

- Passou não sei quantas horas com Gideon Prewett nesta festa, ao invés de estar em uma sacada colocando sua mão por dentro da camisa de James Potter, de uma maneira parecida como Marlene está fazendo com Sirius.

Apesar da raiva da amiga, aquilo fez Lily rir. E querer transformar aquele sonho da amiga em realidade.

- Lice, se acalma.

- Tô calma, calmíssima. Se Marlene e Sirius fossem um bolo no forno, eles estariam queimados de tanto que se cozinharam. Já você e James...acho que o forno já teria explodido.

Lily continuou rindo da raiva da amiga, apesar dela não estar errada. Mas Alice também não sabia que eles haviam dado um passo grande dias atrás.

Eles se beijaram. Não intensamente no sentido de línguas, mãos e tudo mais, mas intenso de uma outra maneira e o bastante para seu coração disparar loucamente apenas em lembrar.

Aproveitando que não tinha ficado muito com as amigas na festa, Lily e Alice encostaram-se por ali e conversaram por muito tempo, compartilhando histórias aqui e ali do que ocorreu e ocorria na festa, antes de Frank se aproximar e tirar Alice para dançar.

Isso fez com que Lily voltasse para sua saga de encontrar uma sacada. Agora precisava ainda mais de ar.

Tentou outra porta e estava abarrotada de lufanos bebendo. Melhor não.

Será que todas as portas estariam pegas? Apenas queria dar uma olhada na magia que fizeram para cada sacada. Quando abriu aquela em que Marlene estava aproveitando o máximo o aniversariante, nem teve tempo de olhar ou perceber nada, além dos dois.

Ah, três garotas saíram de uma sacada logo a frente e ela correu para segurar a porta e entrar. O lugar estava completamente livre e ela comemorou internamente até realmente perceber o que tinha em sua frente: um lindo pôr do sol nos terrenos de Hogwarts. Se não soubesse que era madrugada, ela podia jurar que era bem real o que via. Fechou mais o casaco e apoiou os cotovelos na balaustrada, aproveitando a vista e a paz que trazia, assistindo alguns pássaros e suas bonitas manobras ao longe, fazendo-a esquecer da realidade por alguns minutos.

A porta abriu em suas costas e ela virou o rosto para ver um casal entrando e ignorando sua presença, colocando-se do lado oposto da varanda. Pelo menos, eles começaram a conversar ao invés de se atacarem com os lábios e línguas, como era o caso de uma sacada a alguns metros dali. Olhou para os lados e achou genial o fato de não conseguir ver nenhuma outra varanda, o que foi uma ideia bem pensada dos marotos para qualquer um que quisesse privacidade.

- Você está tão entediada que veio passar frio aqui fora? - Não ouviu a porta abrindo, então se assustou ao ouvir a voz de James em suas costas. Ele olhava para o casal do outro lado, uma sobrancelha levantada, provavelmente perguntando-se se eles iriam começar a se beijar logo e eles seriam testemunhas.

Lily não poderia ficar mais feliz em finalmente encontrar aquele pedaço de mal caminho naquela festa. Finalmente.

- Nem um pouco entediada, mas eu estava tentando conferir os feitiços na sacada e estava difícil de achar uma vaga. Acabei aqui e adorei a vista.

- Eu concordo que o pôr do sol em Hogwarts é bonito, mas...você já foi até bem alto para admirar a noite? Não da sua janela, mas alto, com nada para atrapalhar sua vista? Eu diria que é tão bonito quanto, ainda mais com uma noite tão clara como a de hoje, apesar de não conseguirmos ver daqui.

Lily se virou minimamente para ele.

- Nunca, além da típica aula de Astronomia, mas com um monte de aluno querendo espaço com seus telescópios. Esquece que eu não sou uma marota? - Ela sorriu e se virou novamente para o pôr do sol que nunca se punha.

James riu e passou a mão pelos cabelos.

- Mas desde o começo desse ano, você é uma grifinória fora da lei, aumentando o seu currículo a cada dia que passa. Logo, haverá pouca coisa que pode dizer não ter feito.

- Verdade. Acho que minha carreira fora de Hogwarts está finalmente salva com toda essa atividade extracurricular.

Os dois riram e se viraram para a vista privilegiada que tinham. James dedilhou a balaustrada por alguns instantes e olhou para cima, como se tentasse ver algo no céu, antes de voltar a falar:

- Gostaria de riscar isso da sua lista? - Lily se virou completamente para ele dessa vez.

- Riscar da minha lista? Você diz...ver Hogwarts de noite? Do alto?

- Sim. O que acha?

Como se ela fosse louca de negar qualquer convite dele, principalmente algo tão interessante quanto aquilo. Além daquele sorriso e olhar que eram como próprios feitiços, fazendo-a querer segui-lo até para uma volta na Floresta Proibida.

- Eu adoraria. - Ele pareceu esconder a felicidade por ela ter aceito, mas um pequeno sorriso escapou de seus lábios.

- Accio vassoura.

Eles iriam voar? Sua barriga deu uma cambalhota. A última vez que voou, foi no primeiro ano quando aprendia. Tinha se virado bem para uma trouxa que nunca tinha pego aquele objeto para voar e até tinha gostado da experiência, mas nunca mais se inscreveu nas aulas extras de voo, já que pensava não haver necessidade para tal. Então, no resumo da obra, ela não voava há seis anos, pelo menos, e nenhuma experiência em voar com outra pessoa na mesma vassoura.

Seu nervosismo pareceu crescer quando escutou um silvo cortar a noite e, passando a ilusão do pôr do sol, a vassoura se aproximou como se tivesse rasgado o céu alaranjado e rosa. James a pegou com maestria, provavelmente convocando o objeto com mais frequência do que ela poderia imaginar. O maroto olhou para o lado e viu que o casal estava, finalmente, fazendo o que queriam fazer ali, então não prestavam atenção neles.

Como a varanda que estavam não era muito larga para içar voo dali, ele sentou no beiral, jogando suas pernas para fora e montando na vassoura como se estivesse respirando, como se tivesse nascido ali. Já Lily se recuperava do medo de vê-lo fazendo aquilo, pedindo internamente que ele não caísse.

Se aproximando e bem acomodado na vassoura, ele fez um sinal para ela. Lily arregalou os olhos quando percebeu que ele pedia que ela fizesse o mesmo que ele.

- Você tem medo de altura? - ele perguntou ao ver a expressão dela.

- Não quando eu estou segura.

- Você estará! - ele garantiu.

Sem pensar duas vezes, sentou-se no beiral da varanda, como ele antes, jogando suas pernas para fora. James ofereceu sua mão, a qual ela aceitou de bom grado. Olhando para baixo e, mesmo vendo apenas algo falso, ela sabia que por trás daquilo, havia uma queda de verdade. Aquela constatação fez com que Lily apertasse mais a mão dele.

- Olhe para mim. - Ele pediu, sendo atendido por ela. - Você tem que prestar atenção aqui em cima, no que está sustentando você, e não lá embaixo.

- "Lá embaixo" talvez seja algo que me sustentará caso eu caia, mesmo eu não sobrevivendo.

James riu com vontade e firmou ainda mais suas mãos.

- Isso não vai acontecer. - Ele voou mais perto dela. - Eu não vou te soltar.

Ela confiava tanto nele, que podia até estar vendada naquele momento e ela iria, apenas seguindo sua voz. Ela se virou de costas para ele e sentou-se de lado na vassoura. James soltou sua mão para que ela firmasse ambas na vassoura. Assim que ela se acomodou na frente dele, James prendeu a outra mão na frente da vassoura, fazendo com que o seu peitoral grudasse nas costas dela.

- Para você cair dessa vassoura, você terá que se esforçar muito. - ele disse atrás dela. Lily assentiu tendo plena certeza disso, já que os braços de James formavam um cordão de segurança à sua volta. - Ou que o seu perfume não me distraia tanto.

Ela sorriu, ainda que James não pudesse ver seu rosto.

Quando ele gentilmente começou a voar, Lily não conseguia parar de pensar se ele queria tudo aquilo do mesmo jeito que ela. E o quanto ela queria que ele quisesse.

James gentilmente içou voo, indo devagar para que ela não se assustasse. Eles começaram a pegar altitude cada vez mais e ultrapassaram o pôr do sol falso, e a noite entrou em sua visão como se tivesse saído de uma nuvem. Eles rodearam os terrenos e a vista era de tirar o fôlego com as estrelas tão brilhantes e a lua quase minguante que iluminava boa parte da paisagem, já que não havia muitas luzes por ali.

Percebeu que a vassoura ia perdendo velocidade e se deparou com a torre da Astronomia. James parou paralelamente ao telhado da torre e Lily ficou imaginando se ele queria mesmo que ela fizesse o que estava pensando.

- Eu vou soltar a minha mão direita da vassoura, ok? - ele avisou. Lily assentiu e se segurou mais firmemente quando perdeu aquele braço dele ao seu lado. - Eu vou te dar a minha mão e você vai descer devagar. Não precisa ter medo, eu estou te segurando.

James ofereceu sua mão e ela a segurou, depositando um pé no telhado da torre e depois o outro. Sua mão ainda segurava a de James com todas as suas forças, até ela se virar e poder se sentar, colocando seus pés contra a pequena mureta que rodeava a borda da torre. Percebendo que estava segura, ela se sentiu bem em soltar a mão dele.

E com a maior tranquilidade e facilidade do mundo, ele saiu da vassoura e se sentou ao seu lado, como se estivesse acostumado a fazer aquilo todos os dias.

Talvez fosse o caso.

E dali, a vista era ainda mais esplêndida, pois ela tinha a vista de uma boa parte do castelo, de toda cadeia de montanhas e florestas, assim como Hogsmeade ao fundo, como um ponto de luz ao longe. O reflexo que a lua fazia no lago era quase mágico. Estar no telhado da torre era uma experiência completamente diferente de apenas estar na torre em si, como se estivesse em um lugar completamente novo.

Era lindo e sentia-se tão sortuda por fazer parte de tudo aquilo, de ter todo aquele mundo para si.

- Não é maravilhoso?! - ela disse com os olhos brilhando.

- Sim. - ele confirmou. - Seria ainda mais se fosse o pôr do sol, mas chegamos muito tarde.

Lily franziu a testa e o encarou.

- Você disse que a noite era mais bonita.

James deu de ombros.

- Talvez tenha sido apenas uma desculpa para virmos. O pôr do sol de Hogwarts não bate nem o amanhecer e nem a noite, apesar de todos serem bonitos.

Ela soltou uma risada incrédula.

- Você não tem vergonha de ter me enganado assim?

- Um pouco. - Ele deu de ombros e deu uma singela olhada de lado para ela, antes de sorrir. - Ou talvez nem um pouco, tudo depende se você for ficar brava ou não.

- Você é incorrigível, James Potter. - Lily observou a bela vista que tinha, que, apesar de não ser o pôr do sol, era ainda linda de cair o queixo. - Eu não vou ficar brava, não se preocupe.

- Ok, então não, eu não tenho vergonha alguma de ter te enganado.

Seus lábios abriram em um sorriso fácil com as palavras dele. Ficaram ali por alguns segundos, apenas aproveitando a companhia um do outro, o ar fresco e a vista.

- Mas não se engane por completo, pois mais bonito ainda é o pôr do sol em Hogsmeade. - James recomeçou a conversa após parecer ter viajado em pensamentos. - Dá para subir em uma colina atrás da casa dos gritos e ter uma visão de outro mundo de Hogwarts.

- Você já...- Lily parou a sua pergunta por ser tão óbvia. - Esqueça, é claro que vocês já ficaram em Hogsmeade após o horário, tendo essa experiência.

- Eu não vou responder a isso. - James passou um dedo pelos lábios, como se os selassem.

Ficaria surpresa caso eles nunca tivessem ficado. Já sabia que os marotos faziam viagens clandestinas até o vilarejo quando não tinha visita, quem dirá ficar por lá depois do horário. Teria que ser muito ingênua em perguntar aquilo.

- Bem...eu nunca fiquei até depois do horário permitido em Hogsmeade, então nunca tive essa bela visão do pôr do sol de lá. - Lily mordeu o lábio. - Talvez seria algo legal de tentar.

- Ouvi dizer que nas próximas semanas o tempo estará fechado, mas que depois estará limpo o suficiente para um pôr do sol. - James comentou.

Ela sorriu, ainda sem olhar para ele.

- Você diz que na próxima visita à Hogsmeade, o tempo estará aberto o suficiente para um bom pôr do sol?

James se virou para ela ao mesmo tempo que Lily se virou para ele.

- Eu não disse nada, você quem disse. - Ele piscou para ela e voltou o olhar para a paisagem. Ela balançou a cabeça, rindo. - Mas sim, se fizermos as contas, é exatamente isso.

- E como você saberia sobre a meteorologia daqui algumas semanas?

- Talvez eu tenha checado. Sabe, por curiosidade...- Ele jogou no ar.

- Costuma ter curiosidade por metereologia, principalmente o de Hogsmeade, sempre ou só de vez em quando? - Lily perguntou com um tom de piada clara na voz.

- Bem... - Ele fez uma pausa. - Só quando eu tenho um real interesse pela visita.

Ele não a olhava e parecia fazer de propósito, ignorando que Lily o observava.

James Potter, se isso não for um indício de que você irá me convidar para este vilarejo centenário ou o que for, eu te mato.

Antes dela dizer qualquer coisa, James continuou, mudando completamente de assunto:

- Não é estranho saber que este é o nosso último ano aqui? - Ele continuou, um tom saudoso na voz que a fez relaxar enquanto observava Hogwarts.

- Estranho e triste. Se passaram quase sete anos, mas olhando para trás agora, parece que foi menos. - Ela suspirou e olhou para suas mãos em seu colo. - Era tão bom ser jovem e inocente, com preocupações bobas sobre a vida.

- Brigar comigo pelos corredores, por exemplo. - ela riu e olhou para ele.

- Você não merecia?

- Totalmente. Ainda bem que as pessoas crescem e mudam...ou aquelas que querem mudar, claro.

- Eu acho que você amadureceu, é diferente. Eu não era sua amiga naquela época, mas eu acho que a sua essência permanece a mesma, mas com um pouco mais de consciência. Você continua brincalhão, fazendo as outras pessoas rirem, pregando peças mais saudáveis. Mudar seria se tornar um James que passa despercebido pelas pessoas, que não vê mais graça nas coisas, que causa mais choro do que sorrisos. - ela piscou para ele e se virou para frente, se perdendo na paisagem. - Então ainda bem que você amadureceu, pois nem todas as pessoas amadurecem.

- Cuidado, Lily, você tem feito muitos elogios ultimamente. - ele murmurou. - Quem sabe o que pode acontecer com o meu ego se houver mais.

Lily sentia-se bem quando via James se sentir apreciado por ela daquele jeito, não só por ela estar louca por ele, mas por saber que já havia dito muita coisa ofensiva anteriormente, ainda que merecesse muitas vezes. Estava na hora de recuperar o tempo perdido e mostrar que sim, ela via aquele James maduro e sim, ela gostava.

Aliás, era hora de recuperar o tempo perdido de muitas coisas. Não imaginava que no seu sétimo ano, faria tantas coisas que nem imaginava antes. Estar fora da cama em plena quinta-feira e beber com os amigos? Pf, nunca. E naquele momento, naquela quinta-feira - na verdade, já era sexta-feira há muitas horas - fora nos terrenos da escola, a fez sentir um certo terror ao pensar que logo menos eles iriam embora, sem mais Hogwarts e sua rotina escolar que ela tanto se acostumou e amava e que um futuro ainda incerto que parecia lhe aguardar. Futuro este, inclusive, que ela postergava em pensar e planejar com toda aquela guerra acontecendo, com o fato de não ter para onde ir e nem certeza do que fazer.

- Você é puro sangue. - ela começou. James a olhou com certa desaprovação. - Espere, me escute. Você vive no mundo bruxo desde que nasceu, antes de Hogwarts, durante Hogwarts, nas suas férias de verão e por aí vai, nunca saindo deste universo. Entendendo bem este mundo, sendo testemunha das mudanças...o que você acha desta guerra? Quais seus pensamentos sobre isso?

Os lábios de James se comprimiram. A luz da lua iluminava o rosto dele, mas assim que ele abaixou a cabeça, era como se uma sombra sinistra o cobrisse.

- Eu acho que está longe de acabar. - ele finalmente disse. Aquela frase foi como uma corda apertada em seu peito, quase a sufocando. - Eu não vejo nada mudando para melhor pelos próximos anos, honestamente. Voldemort ainda está em ascensão, os seus subordinados crescem muito a cada dia e nós, do outro lado, estamos um pouco reclusos em um canto sem saber por onde começar a agir.

- O Ministério da Magia não está conseguindo segurar tudo isso? Digo, nós temos pessoas o suficiente também do nosso lado para lutar contra, não?

- O Ministério da Magia está comprometido desde o começo. Voldemort não usa apenas jogos de violência, medo e pânico. Ele está jogando politicamente também. Não há um setor do ministério que não esteja sujo com Comensais infiltrados. Porém, tudo isso que eu falo são apenas coisas que sei por alto, conversas em casa, informações sendo passadas por pessoas que conhecem pessoas que trabalham no ministério e tudo isso.

- Então, na visão de James Potter, nós vamos sair de Hogwarts e cair no meio deste caos e sem muitas esperanças de que as coisas irão mudar logo?

- Eu acho que precisamos nos estruturar e nos preparar para o que nos espera. Mas, mais importante do que isso, temos que lutar. Não importa se será na linha de frente, nos bastidores, oficialmente ou não. Quanto mais pessoas tivermos, mais chances temos.

Não havia conversado com ninguém ativamente sobre aquilo e ouvir tudo o que temia era...perturbador. Lentamente, puxou as pernas para cima e as abraçou, apoiando o queixo em seus joelhos.

- Você vai lutar, eu imagino. Na linha de frente, quero dizer.

Viu pelo canto do olho que James também puxou uma perna para cima, mas deixando a outra pendurada pela borda da torre. Como ele era mais alto, a impressão que ela tinha era que o maroto estava prestes a escorregar e ela quase quis pedir para ele puxar aquela perna para cima, com medo dele cair.

- O máximo que eu puder.

Ela assentiu, sentindo mais medo ainda. Não sabia o que lhe assustava mais naquele momento: vê-lo sentado na borda da torre daquele jeito ou pensar em James lá fora duelando com Comensais da Morte.

- Você não acha que alguém como Dumbledore não seria uma ótima opção para lutar com Voldemort? Ele já derrotou Grindelwald antes, um grande bruxo das trevas.

- Eu acho que se compararmos Grindelwald com Voldemort não seria muito justo com o primeiro. - James riu sem humor. - O jogo de poder de hoje em dia está muito maior do que antes. Do que eu já ouvi dos meus pais sobre Grindelwald, ele era um bruxo extremamente talentoso, um dos melhores que já ouviram falar. - Ele fez uma pausa parecendo colocar os pensamentos no lugar. - Mas eles dizem que há algo muito diferente dessa vez e que, mesmo com a guerra trouxa ocorrendo ao mesmo tempo que a guerra bruxa naquela época, eles nunca temeram tanto quanto temem hoje em dia.

- Super! - ela respondeu sem emoção.

- Mas não entenda que Dumbledore não seria capaz de derrotar Voldemort, não é isso que eu digo. Mas eu acho que essa guerra não se resolverá com uma pessoa só. Primeiro: ninguém sabe o paradeiro de Voldemort. Segundo: Dumbledore está mais velho agora, ainda que esteja em boa forma, eu acho, e continua sendo um bruxo tão poderoso quanto Voldemort. Mas um único bruxo parar Voldemort? Eu duvido!

- Talvez você seja o premiado. - Ela disse, tentando quebrar um pouco o ar sério e deprimente. James riu.

- Eu iria adorar. Não pela glória, mas pela satisfação. Por isso eu quero estar na linha de frente, quero lutar e quero ter a minha parte na queda dele.

- Eu estarei lá para te ajudar!

Lily não sabia de onde aquilo havia vindo, mas as palavras simplesmente saíram de sua boca. E algo nunca havia soado mais certo para ela. Aquela realização lhe acertou em cheio e a epifania era como um ventilador na névoa que rondava sua mente por tanto tempo, sem saber o que fazer pelo seu futuro.

Sim, ela queria ajudar. Ela queria estar na linha de frente e acabar com Voldemort.

Lily Evans queria sua parte na queda dele!

- Seria um prazer te ter ao meu lado. - disse James se virando para ela. Os olhos dele pareciam brilhar, o que parecia acalmar o furacão que tomou conta de seu corpo com aquela conversa. - Se existisse um grupo fora do Ministério que luta ativamente por isso, você gostaria de fazer parte?

- Lutando contra Voldemort ativamente, no Ministério ou fora, eu quero fazer parte. Me informe e eu estarei lá.

Ela esticou a mão para ele e James a aceitou, selando o acordo num aperto de mão.

Agora ela tinha um outro problema: não queria soltar sua mão e não sabia como fazer aquilo sem parecer arrependida de fazer ou soltá-la parecendo apressada em fazer.

Então deixou a decisão para James tomar. E ele parecia tão lento para se decidir quanto ela.

- Bem, essa posição não ajuda muito. - ele disse, soltando a mão de Lily. Mas para a surpresa dela, James soltou sua mão apenas para que ele a segurasse com a outra, entrelaçando-as. - Assim é melhor!

A resposta de Lily foi apenas um sorriso e um leve aperto na mão dele. Sim, era infinitamente melhor.

Merlin, ela queria tanto beijá-lo, mas não iria. Sabia que ele queria uma oportunidade de conquistá-la, de mostrar o quanto gostava dela e Lily estava louca para entrar naquela aventura. Ter James apenas segurando sua mão naquele momento já lhe dava tantas borboletas no estômago, que não tinha como pensar em outra coisa além de que James Potter tinha, pelo menos, uma queda por ela. Mais do que uma queda, ela diria...e esperava que, se fosse uma queda, que ela fosse enorme, muito maior do que a queda daquela torre caso escorregasse dali.

E se ela já não estivesse tão conquistada, tão entregue na bandeja como estava, James teria pego um ótimo caminho para começar.

- Você sabe o que irá fazer nas férias de Natal? - ele perguntou. Lily tomou alguns segundos para se livrar dos pensamentos de beijar James e mudar para algo completamente aleatório da vida. Ele percebeu que a mudança foi um pouco brusca e pensou que deveria explicar. - Sabe, porque Dumbledore decidiu que as férias começariam mais cedo dessa vez e tudo mais...

- Ahm...bem, eu vou voltar para casa.

- Você tem sua irmã, correto? Passará o Natal com ela?

Lily soltou uma risada pelo nariz.

- Não. Estamos bem longe de compartilhar abraços natalinos.

- Vocês não se dão bem? Mesmo após...bem, mesmo após seus pais?

- Eu acho que ela está feliz por não ter nenhuma conexão comigo mais. Nossos pais nos faziam coexistir no mesmo cômodo, mas agora...um motivo a menos para que se aproxime de mim.

Sentiu um carinho em sua mão feito pelos dedos dele. Era uma sensação tão boa.

- Eu acho que quem sai perdendo é ela. Ela é trouxa, certo? - Lily confirmou com a cabeça. - Se eu tivesse uma irmã ou irmão com magia, eu iria tirar proveito disso. Imagine toda a oportunidade que sua irmã perde em não estar com você? Todas as aparatações para qualquer lugar que quisesse, todas as lições ou tarefas feitas magicamente.

- Isso só seria possível após os meus dezessete anos.

- Compensaria completamente a espera. - ele deu de ombros. - Ok, então se não vai passar com ela, com quem?

- Sozinha.

Ele se virou tão rápido, que ela pensou que ele poderia cair naquela hora.

- Por quê?

- Porque sim. Eu tenho muitas coisas para resolver sobre a casa, papéis com advogados e tudo mais. Serão dias agitados.

- Mas...nem com as meninas? Marlene, Alice?

- Não. Além do mais, eu não acho que esteja com humor para estar entre famílias, entende? Elas me convidaram e pediram, mas eu não me vejo passando o natal com suas imensas famílias. Eu os adoro, mas...muita gente. Eu, não sei, não me vejo assim neste Natal. Eu gostaria de ficar tranquila e lidar com tudo que tenho que lidar.

- Hm! - James respondeu.

- E você?

- Natal com os meus pais e Sirius, nada de muito diferente. Dia 25 será lua cheia, então...

- Não! - ela disse, horrorizada.- Isso é tão injusto com Remus!

- Pelo menos ele não estará só. - James sorriu. Um vento cortante passou por eles, fazendo ambos se retesarem por um segundo. - Frio?

- Um pouco.

Sem soltar a mão dela, James deslizou um pouco mais pela já precária beirada da torre, deixando Lily quase desesperada, mas a tranquilizando e deixando-a com borboletas loucas em seu estômago quando ele soltou sua mão para abraçá-la pelos seus ombros. Sua mão passava pelo braço dela, como se quisesse esquentá-la.

- Me diga se quiser ir embora.

- Eu te digo, mas não ainda.

Não ainda, por favor. Sabia que eles poderiam usar algum feitiço para amenizar o frio, mas ficou extremamente feliz por ele ter escolhido abraçá-la. E agora, ela só queria aproveitar um pouco mais daquele abraço que significava tanto naquele momento, lhe trazendo aquela sensação de segurança por estar com ele, de alívio em saber que Remus não estaria sozinho no Natal e de que talvez tenha encontrado algo para fazer no futuro.

Do que adiantaria ficar atrás de uma mesa de escritório, ou de uma bancada de poções...se ela poderia fazer algo mais direto para ajudar? Estar na linha de frente lhe aterrorizava, mas nada mais fazia sentido agora do que estar lá, lutando. Já estava tendo monitoria para se defender, para melhorar...podia usar tudo isso para o bem, tirar o mundo bruxo das mãos de Voldemort e devolver a vida tranquila para as pessoas. Incluindo ela.

Ter sua família, criar boas memórias em um mundo mais harmonioso.

Aquilo a fez pesar também. Em seus primeiros anos, sofria tanto quando pensava que seu futuro seria no mundo bruxo, separada de sua família trouxa. Mas sabia que seus pais estariam sempre com ela, não importando qual lado daquele véu Lily escolhesse para viver ou o quão horrível era o relacionamento entre as irmãs. Agora os seus pais já não estavam mais ali, porém ainda havia Petunia, alguém que não parecia se importar em ficar ao seu lado.

Pensou nos primos que seus filhos não veriam, nas brincadeiras em festas em família, nas risadas compartilhadas que não existiriam, coisa que ela mesmo teve enquanto crescia.

- No que está pensando? - James perguntou baixinho, quase como evitando acordá-la de sua mente.

- No futuro, no meu futuro bruxo. As coisas viraram de cabeça para baixo desde a morte dos meus pais e agora eu estava pensando que aquele futuro que eu havia planejado, não existirá mais.

James apertou-a contra si um pouco mais, como se a consolasse.

- Aquele futuro não existirá mais. - Ele a repetiu. - Eu sei que é triste o que se passou na sua vida e eu sinto muito pela perda dos seus pais. Mas não esqueça que o seu futuro ainda existe e pode ser que não seja como o que você imaginava antes, mas ele ainda pode ser tão bom quanto.

- Eu terei que me esforçar por isso, pelo menos. Senão, eu serei a única prejudicada. - Ela se permitiu dizer em tom de brincadeira.

Assim, deixou cair a cabeça no ombro dele, relaxando. A mão de James apertou em seu braço de uma maneira confortável, assim como seus dedos acariciavam por cima de sua jaqueta. Aquilo só fazia Lily querer mais e mais que James fizesse parte daquele novo futuro com ela.

O horizonte, agora, estava menos azul escuro, tornando-se levemente claro. Lily suspirou, sabendo que teriam que ir.

- Acho que está na hora de voltar. - Lily murmurou a contragosto.

- Você está pronta? - James perguntou.

Não!

- Sim. - ela respondeu, por fim.

James se levantou, soltando-a - fazendo Lily quase resmungar -, e pegou a vassoura, se colocando em posição. Ele ofereceu sua mão.

- Vamos, você irá nos conduzir de volta.

- Eu? Não, eu vou matar nós dois.

- Não vai. - Ele balançou a mão para ela aceitar.

Já se arrependendo, Lily segurou na mão dele antes de se levantar, tendo total apoio nele. Colocou um pé vagarosamente no beiral da torre e girou, sentando-se rapidamente na frente dele.

- Para você conduzir melhor, terá que jogar a sua outra perna para o outro lado da vassoura. Sentada de lado, você não terá muito equilíbrio.

- Eu vou cair se me sentar como você.

- Você não irá cair. E se você cair, eu vou te pegar.

- Ah! Então a sua forma animaga pode voar. Muito bom saber.

- Uhum, voa que é uma beleza de se ver.- ele respondeu rápido, limpando a garganta. - Vamos, jogue sua perna para o outro lado, eu estou te segurando. - James segurava sua cintura com as duas mãos, um dos pés dele apoiava na beirada da torre ainda. Ela soltou uma mão e passou a perna esquerda para o outro lado. - Viu? Não foi tão difícil.

- Não, não foi.

- Agora eu vou sentar mais para trás e você também, ok? Assim que eu sair de onde eu estou, você se deixa deslizar.

Sentiu que James se deslocou, deixando um vão entre eles. Com ele ainda segurando-a, Lily se deslocou mais para trás e quando sentiu que encostou nele novamente, ela parou. E apenas agora ela percebia a posição que estava com ele: seu quadril completamente colado e encaixado nele. Meu Merlin, sentiu seu rosto pegar fogo agora.

- Você tem mais espaço para se segurar e manobrar, vê? - Ele tirou a mão de sua cintura e desceu pelos braços dela, segurando as mãos dela em sua frente. - Neste exato momento, você quem está controlando. - Lily se permitiu olhar para o lado e viu que ele não tinha mais o pé apoiado no beiral da torre. - Você pode apoiar os seus pés nos meus, que estão no apoio de pés da vassoura. Isso! Lentamente, incline a ponta da vassoura para baixo. Não diretamente para o chão, mas para baixo, inclinando o seu corpo junto.

James soltou as mãos dela, deixando-a completamente no controle. Lily executou exatamente o que ele disse e sentiu que começaram a virar e a descer.

- Nós vamos em zigue-zague. Então incline a vassoura para a esquerda. - eles se deslocavam para baixo e para a esquerda. Eles fizeram alguns bons metros assim, até Lily inclinar a vassoura para a direita, os mudando de direção, mas constantemente para baixo. - Por isso que todos os professores te adoram. Você aprende muito rápido.

E assim eles foram descendo, vendo os jardins da parte de trás do castelo se aproximando cada vez mais. Voar era tão legal, por que ela nunca havia dado uma segunda chance para aquilo?

O chão se aproximava agora, apenas alguns metros mais...ela soltou os pés e tentou alcançar, mas não conseguiu. James, por ser mais alto, colocou os pés no chão e se abaixou, permitindo que ela pudesse também tocar o solo. Não estando acostumada, ela se embaralhou um pouco e tropeçou, quase caindo para frente, mas James a segurou pela cintura com um braço e a puxou contra ele.

- Opa! Foi quase uma aterrissagem perfeita, mas com duas pessoas na vassoura nunca será.

Lily pouco se importava com a aterrissagem agora, apenas com o braço dele ainda enrolado em sua cintura, seu corpo colado ao dele e a voz de James tão perto.

Não morreu voando, mas sentia que seu coração iria matá-la agora.

- Você está bem? - ele perguntou quando não teve nenhuma reação dela. James a soltou e se virou para ela. - Lily?

- Estou bem, estou bem. - respondeu rapidamente. Meu deus, ela queria aqueles braços enrolados nela novamente, mas em uma situação diferente. - Isso foi muito bom...digo, foi legal. Eu não voo desde os primeiros anos.

- Nota mental: levar Lily Evans para mais passeios no ar.

James deu aquele meio sorriso galante dele e ela quase derreteu.

- Eu não vou me incomodar. - Ela tentou soar tão galante quanto ele, mas duvidava que havia conseguido. - Você faz isso sempre? Voar até o telhado da escola ou você reserva apenas para as garotas?

- Eu nunca levei ninguém lá, se essa é a sua pergunta. - ele riu. - E eu nunca fui até lá, para ser sincero, mas sempre pensei em fazer.

- Então você é só bem à vontade com a questão de voar e estar tão alto no céu para agir tão naturalmente. Talvez por conta da sua forma animaga.

- Por falar nisso e já que estamos no chão, acho que é hora de dizer que se caso caíssemos da vassoura, minha forma animaga só iria te levar mais para baixo do que para cima.

Oh!

- Então sua forma animaga não voa? - ela perguntou surpresa. - Eu poderia jurar que sim.

- Seria interessante, portanto. - James parou para pensar na ideia. - Um animago que voa deve ser muito melhor do que quatro patas.

- Ah! Uma dica no ar: o seu animal tem quatro patas.

- Dificilmente seria diferente.

Ele respondeu colocando a vassoura nos ombros e, para a surpresa de Lily, pegando a mão dela e as entrelaçando, como quando estavam sentados na torre. Teve a impressão que ele esperou um segundo antes de começar a caminhar, tentando ver se ela iria recusá-lo, mas Lily aconchegou sua mão ainda mais com a dele.

Com aquela mão quente na sua, o frio que sentia não existia mais.

- Pato! - Ela disse, fazendo James se virar para ela como se ela estivesse louca. - Nem todos os animais são quadrúpedes. Você poderia ser um pato: não voa e não tem quatro patas.

- Você está certa. Ou talvez uma abelha: voaria, mas não conseguiria te salvar caso caísse da vassoura.

Como ele estava dando a volta no castelo, se dirigindo para a entrada principal, ela estranhou. Eles não voltariam para a festa?

- Por que não voltamos diretamente para a sacada que saímos?

- Aquelas sacadas não existem, na verdade. Digo...é complicado explicar.

- Tem algo a ver com aquela sala misteriosa? Eu nunca a vi antes, nem reparei que aquela porta existia.

Ele olhou para ela, adorando a curiosidade que Lily sentia por todo aquele novo mundo que ela descobria. Que ele mostrava.

- É uma sala que não existe. - Riu com a exclamação de curiosidade dela. - Ela existe, mas dificilmente saberíamos como ela parece, porque se transforma no que você precisa.

- Explique.

- Descobrimos há poucos anos. Você passa em frente a ela três vezes, pensando no que você quer, e então quando você abre a porta...- Ele fez um gesto de grandeza, levantando as mãos de ambos para o alto e para o lado. - Alguns chamam de Sala Vai e Vem, mas acho esse nome ridículo.

- Como eu estou sabendo disso apenas agora? - Lily estava lívida. Quantas vezes poderia ter usado aquela sala em todos aqueles anos. - Estou furiosa.

- Não comigo, espero.

- Com Hogwarts. - Ela apontou com a mão livre para o castelo ao lado, enquanto eles davam a volta no jardim. - Por que não nos deixam saber?

- Honestamente? Duvido que muitos saibam. E quando você sabe, não quer espalhar.

Ela bufou, mas entendendo a lógica dele. Naquele momento, ela se pegou fazendo planos de como usá-la e fazer de um jeito discreto, porque ninguém poderia descobrir.

- Por isso que fomos vendados?

- Exatamente, mas você trapaceou. Levantou a venda antes de entrar na sala, porém como é você, eu não te obliviar, fique tranquila. Você sabe coisas piores.

- Oh, que gentil da sua parte.

Quando chegaram na porta principal, James deu uma rápida olhada para dentro, mensurando as alternativas para chegar na festa. Usando a capa, seriam muito lentos e sem ela, era arriscado.

- Ok, vamos voar de novo, será melhor.

- Você conduz agora. - Ela informou rapidamente.

- Sem problemas.

Ele logo se acomodou e Lily sentou-se em sua frente novamente. Como estavam no chão, ele foi rápido para levantar voo e manobrar logo após, fazendo o estômago de Lily revirar por um momento. James deu uma volta por uma torre e se dirigiu até uma janela em um corredor. Dando sua mão para ela novamente, Lily desceu da vassoura e entrou pela janela, pulando no chão, sendo seguida por James.

- Estamos a dois corredores de distância. - Ele sussurrou e apressou o passo.

- Como será para todos voltarem? - Lily perguntou ainda vendo os corredores vazios.

- Vamos levar cada grupo de casas. Vendados novamente.

Chegaram em um corredor do sétimo andar e Lily marcou bem aquela localização. Viu James andar três vezes na frente de uma parede antes de uma porta aparecer. Ela poderia viver mil anos e sentia que nunca deixaria de se surpreender.

Quando estavam entrando, alguém aparecia saindo.

- Aí estão vocês! - Era Sirius. - Já era hora. Estamos levando todos embora.

Ao invés de continuar a entrar, os dois recém-chegados voltaram para o corredor, enquanto Sirius saía com um grupo vendado. Em poucos segundos, o corredor se encheu de alunos da mesma forma, de todas as casas - menos Sonserina, já que Sirius não quis arriscar convidar alguém de lá e a festa cair em ouvidos errados.

- Peter, leve os lufanos. - Moony apontou para o amigo na direção dos lufanos vendados. - Não esqueça de desiludi-los e da lavanda.

Peter assentiu para os amigos e começou a levar a Lufa-Lufa para a sala comunal da Casa após prepará-los. O maroto e seu grupo desiludido desapareceram pelo corredor enquanto James conferia que não havia ninguém vindo naquela direção para pegá-lo.

- Eu levo a Corvinal, Remus. Você ainda não se recuperou 100%. - Sirius se prontificou enquanto se aproximava do grupo. - Leve a Grifinória com James.

Remus apenas assentiu, sem discutir. Sirius desiludiu o grupo, sussurrando com eles e pedindo para segui-lo. Os outros dois marotos se viraram para a Grifinória.

- Estão prontos?

- ALUNOS FORA DA CAMA!

O grito alertou a todos, inclusive Sirius que ainda não havia desaparecido com o grupo corvino. Era Filch e Madame Norra no fim do corredor.

- TIREM AS VENDAS E CORRAM! - Gritou James.

Uma debandada de alunos ocorreu no momento seguinte: Sirius correu com os corvinos para um lado e os alunos da Grifinória se espalharam pelos corredores do outro. Neste meio, havia Lily que, apesar do seu receio de ser pega, ria. Ria tanto que mal conseguia correr.

Aquilo nunca havia acontecido com ela, ter que correr para escapar de uma detenção e uma bronca enorme certa. Era quase como uma liberdade correr para se safar de algo bom que fazia. Havia algo sobre ser uma fora da lei que ela gostava bastante desde o começo do ano, fazer aquelas coisas que não deveria e que ninguém esperava dela, lhe dava uma sensação de que algo estava completo, como se sua vida estivesse esperando aquelas experiências para se provar completa em Hogwarts.

- Pare de rir e corra. - Marlene bradou a alguns metros na frente, mas apesar da bronca, ria tanto quanto a amiga.

- Eu estou correndo. - Ela mal conseguiu responder.

Frank e Alice lideravam aquele grupo de quatro pessoas, pegando caminhos diferentes e longos para chegarem até às escadarias. Se Filch fosse esperto, ele teria ido diretamente para lá, já que não havia outra maneira dos alunos da Grifinória chegarem até a torre.

Neste meio tempo, Lily criou um capuz em sua jaqueta para que não fosse reconhecida caso Filch a visse mesmo de longe e parou de rir, tentando concentrar-se no caminho. Eles já viam as escadas dali, mas Frank desviou para um outro corredor à esquerda, tendo as três garotas o seguindo.

- Tem uma passagem aqui que dá para o sexto andar. - Ele explicou por cima dos ombros.

Bendita fosse aquela amizade de Frank com os marotos dando-lhe aquele conhecimento.

Passando por uma estátua, eles subiram em um corredor estreito, saindo atrás de um quadro no sexto andar. Parecia silencioso e longe das garras de Filch, então eles caminharam silenciosamente.

- Temos mais um lance de escada, mas devemos estar seguros. - Disse Frank ainda liderando a caminhada.

Ouviram passos vindo do corredor a frente e estavam prontos para correr na direção contrária, quando tiveram a visão de James e Remus. Ambos andando tranquilamente, como se nada tivesse acontecido.

- Passagem da estátua? - James perguntou para Frank.

- Sim. Muito útil.

Remus fechou um pergaminho e entregou-o para James em seguida.

- Grifinória, a hora é agora. Filch está no quinto andar e subindo. - disse ele.

- Você prefere ir para a torre ou voltar para o seu dormitório? - James perguntou, virando-se para Lily. - De qualquer maneira, eu vou voltar. Algum Monitor-Chefe deve ficar lá, mesmo que seja às seis da manhã.

- Você garante que não seremos pegos?

- Eu garanto 100% que não seremos pegos. - Ele deu duas batidas em sua jaqueta, como se tivesse algo em seu bolso que ela deveria entender.

E, claro, ela entendeu.

- Vejo vocês mais tarde. - Ela se despediu dos amigos e os assistiu apressando-se até as escadas e subindo.

Assim que eles não estavam mais à vista, James tirou sua capa de invisibilidade de sua jaqueta e os cobriu rapidamente.

- Lily Evans, hoje é o dia. - Ela arregalou levemente os olhos. - Você estará encarregada do mapa.

O pergaminho que ela tanto os via passar de um para o outro caiu em sua mão. Ela o virou e revirou duas, três vezes, mas não via mapa nenhum.

- Eu deveria ver algo?

- Eu prometo solenemente não fazer nada de bom. - James tocou no pergaminho e tudo começou a mudar: inscritos começaram a aparecer, assim como linhas e desenhos.

"Messrs

Moony, Wormtail, Padfoot & Prongs

Purveyors of Aids to Magical Mischief-Makers

are proud to present

THE MARAUDER'S MAP"

- Mapa dos marotos? - Ela pensou alto.

- O melhor mapa que você colocará suas mãos sobre. - James dizia, orgulhoso, antes de virar duas vezes o pergaminho e apontar. - Veja.

Havia dois pares de pegadas paradas em um corredor perto das escadas nomeadas "James Potter" e "Lily Evans".

Merlin, aquilo era...era magnífico. Virou para o outro lado e viu seus passos virarem também. Obrigando James a segui-la, já que estavam debaixo da capa, ela começou a andar pelo corredor e assistiu quando as suas pegadas faziam exatamente a mesma coisa.

Finalmente se virou para ele, encantada.

- Esse mapa é genial.

- Obrigado.

- Vocês criaram tudo isso, sozinhos?

- Qual é a desse tom de dúvida? Acha que não poderíamos? - Ele brincou.

- James, ultimamente eu não duvido que vocês poderiam ter criado a mágica.

- Bem...- Ele sorriu, presunçoso. - Eu também não.

Lily lhe deu um tapa em seu braço e voltou seus olhos para o mapa.

- Essas pegadas de Filch no corredor ao lado quer dizer que ele está quase aqui?

- Merda! - James pegou algo de seu bolso, um pequeno frasco roxo. - Tampe o nariz.

Ela fez no segundo em que ele jogava o frasco no chão, fazendo uma fumaça roxa subir rapidamente. Seus olhos arderam por alguns segundos, mas os manteve bem abertos quando viu Filch virar no corredor com Madame Norra.

A gata fungou duas vezes antes de virar para o lado oposto e correr pelo corredor. Filch, talvez entendendo que não havia ninguém por ali e que a gata havia escutado algo, a seguiu. Os assistiram irem até o fim do corredor e virar a direita, então suspiraram aliviados. Lily destampou o nariz e o cheiro forte de lavanda lhe deu uma dor de cabeça imediata.

- Você não brinca com essa coisa de lavanda e Madame Norra.

- Nem um pouco. Já tive muita experiência com ela para saber. - Olhando para os dois lados, James continuou. - Vamos lá. Você vai nos guiar pelo mapa. Para onde agora, senhorita Evans?

- Er...- Ela virou o mapa do outro lado, tentando achar a melhor direção. - Pelas escadas. Filch ainda está nos corredores atrás de nós.

Sem refutá-la, James apenas seguiu aquela direção, com Lily ao seu lado debaixo da capa. A coisa boa da lavanda que invadia até sua alma, é que escondia o cheiro de James ao seu lado, porque bem lembrava a tortura que foi da última vez.

Eles desceram um lance de escada silenciosamente, com Lily ainda olhando pelos corredores e seguindo os passos de Filch.

- Acho melhor pegarmos a direita agora, mas vai ser mais longo.

- Você é quem nos guia. Eu confio no seu julgamento. - Ele respondeu pegando a direita.

Alguns corredores aqui e ali, dando voltas para despistar Filch e chegarem no quadro dos Monitores-Chefes, eles seguiram em silêncio, cada um com a sua tarefa: James indo na frente e garantindo que a capa cobrisse a ambos e Lily conferindo o mapa.

- Droga! - A ruiva disse, fazendo-o parar. - McGonagall está vindo e parece indo para o dormitório dos Monitores-Chefes.

- Ok. Calma, me deixe pensar po um segundo. - James pareceu pensar rapidamente enquanto olhava o mapa nas mãos dela e via que a professora chegaria lá antes deles. - Vamos ter que deixá-la nos chamar e, assim que ela começar a ir embora porque não vamos responder, corremos até o quadro, abrimos devagar e eu finjo que estou saindo para encontrá-la.

Lily apenas concordou e se apressaram até a curva do corredor que daria no dormitório. Viram a professora se aproximar e bater no quadro. Impaciente após esperar dois minutos e sem resposta, ela tentou novamente.

McGonagall suspirou, parecendo decepcionada por um momento, antes de dar as costas e voltar para o seu caminho. Os dois avançaram rapidamente até o quadro ainda embaixo da capa, deram a senha e o abriram bem devagar sem fazer barulho.

- Espere. Ela não pode te ver com essas roupas. - Lily tirou sua varinha e tocou nas roupas dele. James olhou para baixo e depois para ela.

- Sério mesmo? - Ele perguntou.

- Vai, você não tem muito tempo. - Lily o empurrou para fora da capa.

Com a maior cara de derrota, James tirou a capa e pretendeu que saia do quadro.

- Professora? - Ele a chamou. Lily continuou embaixo da capa atrás do quadro, ouvindo.

A professora se virou com um sorriso, feliz por ver que seu Monitor-Chefe estava em seu dormitório e dormindo, ao invés de alguma festa clandestina. Seu sorriso abriu mais e ela tentou disfarçar ao vê-lo com um pijama de uma peça só de unicórnio colorido, incluindo a toca com um chifre bem majestoso.

- Senhor Potter. - Ela limpou a garganta. - Eu pensei que não houvesse ninguém.

- Eu custei a acordar. O quarto de Lily está fechado, então imagino que ela não ouviu. - Ele cruzou os braços. - Aconteceu alguma coisa?

- Filch veio me avisar que havia uma festa clandestina acontecendo esta noite. Pegou vários alunos correndo pelos corredores a alguns minutos.

- Ele conseguiu pegar algum?

- Não. - McGonagall levantou uma sobrancelha. - Se eu não me engano, ontem foi o aniversário do Sr. Black, não?

James deu de ombros.

- Sim, mas não comemoramos ainda. Estou muito ocupado esses dias por conta do jogo neste fim de semana.

- Certo. - Ela não parecia ter caído na explicação dele. - Bom, vou deixá-lo voltar para a cama. O senhor ainda tem mais alguns minutos, eu imagino.

- Obrigado. - Ele assentiu.

- Aliás ...talvez seja interessante dizer que, cada aluno que não comparecer às aulas hoje, será considerado suspeito de participar da tal festa e precisará apresentar uma explicação de sua ausência. - Ela fez menção de continuar seu caminho e James revirava os olhos, mas ela se virou novamente, obrigando o maroto a se recompor rapidamente. - Espero o senhor na minha aula dupla antes do almoço. Assim como a Monitora-chefe.

Sem dizer mais nada, a professora partiu e virou no corredor, deixando um rastro de dúvidas nos dois sobre se ela realmente sabia onde estiveram aquela noite. James deixou sua cabeça cair por um momento, antes de voltar para o quadro.

- Temos cerca de uma hora para dormir. - Ele disse ao vê-la.

- Na próxima vez, seremos mais cuidadosos. - Ela respondeu.

Aquilo o fez sorrir involuntariamente, assim como o faria dormir aquela uma hora pensando quantas "próximas vezes" ela iria querer com ele.

- Ah, e antes que eu esqueça...- James apontou para o mapa. - Malfeito feito!


N/A:

Olha eu aqui. Tudo bem? :)

Desculpem usar a introdução do mapa em inglês, mas eu acho muito mais legal *-* Sem muito a dizer sobre o capitulo de hoje, mas apenas queria informar que estou tentando fazer de tudo para rolar eu começar a postar a nova fic no dia 12/06 *-* Talvez o último capitulo de Rewrite venha no mesmo fim de semana (ai faltará apenas o epilogo), mas ja começo história nova com pelo menos um prefácio e um prólogo. Veremos ...isso não é uma promessa :D

Resposta para reviews sem login:

Mah: Fico feliz que vc curta esses capitulos grandes, porque é so o que eu ando fazendo mesmo hahahahae mais feliz ainda por voce ter gostado desse Halloween. E olha, talvez nao foi uma tempestade entre eles, mas eu to achando que eles tao saindo desse "chove nao molha". Logo menos, quem sabe, teremos boas coisas acontecendo :x E Lily com eles em forma animaga ja esta escrito, mas vai demorar alguns capitulos ainda :P oia quanto spoiler eu to dando LoL Beijooos, Lindaa.

Sneak Peek rapidin aqui do próximo capitulo:

"- Isso é um bilhetinho, Lilykins? - Marlene levantava as sobrancelhas sem parar.

- Eu queria um bilhetinho-passarinho! Por que nós não recebemos também?- Alice resmungou de seu lugar.

- Não queria não. - Frank rapidamente disse. - Não é óbvio que é do James?!

- Isso é um tipo de magia dele. - Remus sorria.

- Claro que é. Não é a primeira vez que ele envia esse bilhetinho-passarinho para ela. - Marlene comentou, fazendo todos sorrirem e virarem os olhares para Lily novamente.

- Parem com isso, não me encham! - ela resmungou, mas não conseguiu não sorrir.

Guardou o bilhete em seu bolso da saia, a curiosidade a matando por dentro, mas querendo ler apenas quando os amigos estivessem distraídos o suficiente com o jogo."

Beijooos