J~L

* Capítulo sendo postado com uma semana de diferença. Tem certeza que leu o último?*

Por toda a santidade, James estava cansado.

Porém, desta vez, estava cansado de descansar.

Seu corpo devia estar achando que ele enlouqueceu de vez, já que vinha operando no limite há meses e, de repente, ele tem um último dia hardcore (aniversário de Sirius e obrigando-o a dormir apenas uma hora), com todas as aulas da sexta-feira puxadas, obrigações de Monitor-Chefe no começo da tarde, última reunião com o time de Quadribol no meio da tarde e caindo no sono antes das 18h, dormindo a noite inteira e acordando no dia seguinte assustado, pensando que tinha perdido a hora do seu primeiro jogo de Quadribol.

O sol nem havia nascido quando ele preparou tudo o que precisava para o jogo e levou para o vestiário. No caminho de volta, tomou o seu café da manhã (sempre bem cedo nos dias dos jogos) e subiu para tomar banho e se preparar.

E maldição. Assim que entrou no quarto, ouviu que Lily já estava acordada e tomava banho. Mas que inferno de paredes finas daquele castelo. Elas não eram de pedras? Por que dava para ouvir o chuveiro do quarto da Monitora-Chefe?

Agora tinha que esperar, porque dentro do seu banheiro, o barulho era ainda mais pronunciado.

Quando estava pronto para se jogar na cama e encarar o teto, se torturando com o barulho, uma sombra na sua janela chamou sua atenção. Reconhecendo a coruja de seu pai, ele se apressou para deixá-la entrar.

A primeira carta começava com a escrita de sua mãe, desejando sorte no seu primeiro jogo e que, como capitão, deveria manter a cabeça fria ao invés de aquecer a briga de seus jogadores. Ele riu ao ver o quanto a sua mãe o conhecia, mas sentia-se mais centrado neste quesito agora, sabendo que ao invés de ajudar seu time a brigar, deveria acalmar os ânimos. Não era fácil para alguém com o seu temperamento quando tratava-se de Quadribol, mas aprendeu suas lições durante esses anos como capitão, principalmente no último jogo do sexto ano, onde chegou a puxar o punho no ar, pronto para acertar um jogador no campo, mas conseguiu se acalmar no último momento e deixar a raiva passar.

Na mesma carta, também tinha a mensagem de seu pai sobre o jogo, reforçando tudo o que a mãe havia dito e um pouco mais.

Mas havia uma segunda carta, uma com apenas a escrita de seu pai e parecia ter sido adicionada fora do alcance dos olhos de Euphemia e James não sabia como sabia daquilo. Talvez por eles nunca mandarem duas cartas daquela maneira.

"Horace Slughorn é um ótimo e bem conhecido pocionista. Às vezes, pensando um pouco demais em sua rede de contatos famosos do que com sua rede de pocionistas, mas tenho curiosidade para conhecê-lo e, como eu pareço não ter escolha graças a você, querido filho, eu não me importaria em aceitar um convite para uma reunião em Hogwarts. Porém, eu não vou te deixar esquecer que, pela primeira vez, você teve que invocar o nome do seu pai ao invés de criar uma história mirabolante nesta sua cabeça tão criativa e nada inocente. Uma primeira vez para tudo, eu imagino. Qual foi a ocasião? Dúvido que tenha sido para conseguir pontos em alguma atividade, porque você pode nos dar muitas dores de cabeça, mas eu nunca vi uma nota baixa sua.

Agora sobre a sua outra carta, novamente perguntando sobre o que ouviu durante o verão, eu volto a dizer: isso não é algo que você deva se preocupar, ou não ainda, James. Apesar de tudo, você ainda tem dezessete anos e está em Hogwarts, tendo que se preocupar em conseguir suas notas, vencer seus jogos e agir como um adolescente.

Você sempre foi apressado para as coisas, menos para vir a este mundo. Desacelere, pare de querer tudo neste momento quando ainda não é a hora certa, porque você estará perdendo boa parte de sua vida. Reuniões e grupos sobre aquilo não lhe dizem respeito...por enquanto."

Agora foi a hora de se jogar na cama, frustrado com aquela carta. Qual era a dificuldade de saber sobre o tal grupo de combate contra Voldemort? Ele tinha dezessete anos, mas sairia de Hogwarts em menos de um ano e seria sua geração que chegaria no meio do caos, tentando lutar sobre algo que vinha sendo mascarado pelos pais durante a estadia em Hogwarts. Os "adultos" do lado de fora daqueles muros não percebem o que estavam fazendo? As pessoas que saíram de Hogwarts no ano passado poderiam estar ajudando agora com muito mais força caso soubessem com o que lidariam, assim como ele poderia sair dali mais preparado para lutar também.

Cada maldito ano que uma leva de estudantes saía de Hogwarts despreparado, eram oportunidades perdidas para aquelas que poderiam e queriam lutar.

A falta de barulho vindo do banheiro de Lily o alertou que ele tinha que ir tomar o seu banho e descer logo em seguida. Iria lidar com aquela carta depois.

Agora, ele tinha um jogo para vencer.

L~J

- O que você está fazendo?

Lily levantou a cabeça para encontrar James parado logo no fim das escadas que levava para os dois dormitórios. Ele tinha os cabelos molhados e displicentes caindo em sua testa e usava o uniforme do time da Grifinória.

- Lendo?! - Ela respondeu levantando o livro que tinha em mãos como se fosse óbvio.

- Não, não. Pare agora. Primeiro: hoje é sábado! Você trabalha e estuda igual um elfo toda a semana e eu sei que não estamos atrasados com nada sobre a monitoria.

- Mas...

- Segundo e muito importante: hoje é dia de jogo da Grifinória. Nosso primeiro jogo...o primeiro jogo antes do fim de uma era, a era James Potter nesta escola. Então você vai sair dessa cadeira e ir sentar na primeira fileira daquelas arquibancadas e torcer por mim-nós! - Ele se corrigiu no fim.

Ela abriu um sorriso e se recostou na cadeira.

- Se eu não for neste jogo, não tem problema. Terão mais jogos ainda até o torneio acabar...

- Como ousa? - Ele a cortou, se aproximando. - Você deve estar lá em todos os jogos.

- A minha presença faz tanta diferença assim?

- Sim, faz. - Ele respondeu simplesmente. - Por favor?

Lily se levantou e ajeitou suas roupas casuais - uma saia preta, meia-calça e uma blusa lã na cor branca - , e parou na frente dele.

- É um livro trouxa. - Ela disse mostrando a capa. - Eu também leio por diversão, sabe? E eu estava indo no jogo de qualquer maneira, Capitão.

- Você não está usando nem as cores da sua casa, Monitora-Chefe. Honestamente.

O maroto deu as costas e subiu para o quarto novamente. Ela estava planejando colocar sua jaqueta vermelha por cima, mas não achou a informação relevante o suficiente para compartilhar, então foi até a mesa e guardou o livro dentro da gaveta. Estava colocando sua varinha dentro do bolso da saia quando ouviu os passos dele novamente na escada e se virou.

Ela sentiu que suas bochechas se avermelhavam.

- Como está frio e você não tem nada para se proteger, acho que é mais do que justo você vestir as cores da sua casa.

Ele segurava um cachecol do time da Grifinória. Não era como o cachecol da casa, como o que ela tinha, mas o do próprio time.

- Mas você não vai usar? Você estará no ar, com o vento cortante e tudo mais.

- O cachecol do time é mais para ir e vir dos treinos durante o inverno. Nunca usamos durante o jogo, porque atrapalha demais. - Ele fez um sinal com a peça na direção dela e Lily assentiu.

James se aproximou e Lily o deixou depositar o cachecol em seu pescoço. As mãos dele seguraram seus cabelos e os puxaram para cima, tirando-os de debaixo da peça. O contato do tecido em sua pele lhe causou arrepios. O maroto ajeitou o cachecol, dando algumas voltas no tecido, e sorriu.

Ela sorriu de volta, mas não só pelo gesto dele, como pela peça ser o puro cheiro de James, o que ela adorava e apenas se repetia, fazendo-a respirar um pouco mais fundo.

- Sabe que o cachecol deve ser usado assim, certo?

- O que quer dizer? - Ela olhou para baixo, vendo que não havia diferença do modo como ela normalmente usava um cachecol.

- Desse jeito. Assim, sem mudar de lado.

Ela ainda não havia entendido, mas deu de ombros.

- Se você diz. - ela riu. - Você vai descer para o café da manhã?

- Eu já comi, mas eu te acompanho até o Salão.

Os dois saíram dos aposentos e marcharam em direção às escadas. Cruzaram alguns alunos nos corredores e pareciam arrancar a atenção da maioria. Lily olhou para James e viu que ele sorria orgulhosamente.

- Você gosta de toda essa atenção, não, capitão?- ela perguntou.

- Eu gosto principalmente do motivo. - ele respondeu.

Será que era o cachecol? Para falar a verdade, ela nunca havia notado que eles tinham um cachecol diferente. Havia, claro, notado o uniforme ao todo. Algo que ela gostava bastante, aliás. As casas tinham três tipos de uniformes, até onde ela sabia: o uniforme número um de jogos, o segundo uniforme e os de treino. O primeiro trazia a elegância do jogo, com toda aquela coisa da calça branca, com as proteções nas pernas, o suéter com as cores da casa que caía bem no corpo e a capa por cima. O segundo uniforme era com uma calça cinza chumbo, quase preto, com a parte de cima com as cores da casa e uma capa mais escura. O do treino era sempre escuro com as cores da casa, mas menos elegantes do que o segundo uniforme.

Hoje, eles usavam o uniforme número um, talvez por ser o primeiro jogo e ser mais quente do que os outros. Para ser honesta, ela adorava todos eles.

Inclusive nele.

Ela encontrou suas amigas sentadas perto dos marotos restantes na mesa e se aproximou. Os olhos de Remus e Peter foram os primeiros a se abrirem em surpresa quando eles se aproximavam. Sirius, Marlene e Alice se viraram para trás ao notarem a reação dos dois marotos.

- Bom dia. - Lily os cumprimentou.

- Bom dia, capitão. - Sirius respondeu para ela.

Ignorou Sirius e se sentou ao lado de Remus.

- Bem, entregue para o seu café da manhã. - James sorria para todos. - Eu vejo vocês nas arquibancadas. Primeira fila! - Ele disse apontando para eles e não parecia um pedido.

- Adoro quando você é mandão assim, capitão. Eu não vou cansar de repetir. - Marlene dizia com uma voz sensual.

- Iria adorar jogar no time, então. Ele consegue ser bem irritante. - Sirius respondeu pelo amigo e se levantou para ir com James para o campo. - Vejo vocês mais tarde. Tchau, capitão.

Sirius acenou para Lily e ela apenas deu de ombros enquanto dava um gole em seu café. James piscou para ela e saiu com o outro maroto.

- Qual o problema dele? - a ruiva perguntou. - Só por que eu estou usando o cachecol do time?

- Não, mas por estar usando o cachecol escrito "Capitão".

Lily imediatamente olhou para baixo. Na bainha do cachecol, bem alinhado com a costura, estava escrito em amarelo no vermelho: "CAPITÃO".

Então era isso o que ele dizia sobre como usar o cachecol. Ela sorriu.

Como ele era bobo!


- Sejam bem-vindos para o primeiro jogo da temporada 77/78 de Hogwarts! - Gareth, sonserino sextanista e narrador oficial dos jogos, começa empolgado. - Nós temos duas potências neste primeiro embate: Grifinória vs Corvinal. Ambos os times não mudaram muito nos últimos três anos e sempre tiveram jogos emocionantes e apertados desde então, porém com a vitória sempre indo para o time de Potter, mas o time de Fortescue promete vir com tudo nesse começo de temporada.

Estava muito mais frio do que Lily esperava e o cachecol, de fato, ajudava a proteger seu pescoço, garganta e afins, mas o resto não. Deveria ter pego a sua capa e até poderia convocá-la, mas sabia que as coisas iriam esquentar logo com a energia do jogo. Isso não a impediu de se aproximar de Marlene e colar seu corpo no dela.

- Que romântica, Lilykins. - A amiga brincou quando sentiu toda a lateral do corpo de Lily contra o dela. - Mas você é muito doce para mim. Eu prefiro mandões, tipo o Potter.

- Cala a boca, Marlene. - ela reclamou, mas sorriu.

- Ele costuma ser mandão assim como Monitor-Chefe?

Aquela pergunta a lembrou da primeira reunião com os monitores em Hogwarts, quando James mais do que montou em cena com a sua autoridade, deixando os monitores pianinho pelo resto da noite. Aliás, desde aquela reunião, só ouvia elogios para ele dos os monitores e o respeito enorme de todos.

Ele era cativante, o que poderia dizer? Além de ser o monitor de duelos que todos queriam. Além de ser o cara que todos queriam também.

Mas não podia estranhar, certo? Antes, para Lily, James era apenas um amontoado de beleza que cobria um garoto idiota e metido. Agora...

Bem, agora, era um amontoado de beleza cobrindo um cara muito legal. Legal demais.

E mandão

- Na nossa primeira reunião de monitores, você iria ter um bebê ali na sala mesmo. - Lily respondeu, rindo da lembrança. - Ele colocou todos no lugar em menos de cinco minutos.

- Uau. - Marlene se abanou. - Você não se importa por eu gamar no James quando ele fica assim, não é?

Lily revirou os olhos.

- Por que eu me importaria? - Marlene bufou.

- Sério mesmo que vai jogar esse jogo agora, Lily?

- Que jogo? - Alice perguntou se desviando da conversa com Frank, Remus e Peter e se virou para as amigas.

- O velho "eu não gosto do James, mas uso o seu cachecol no dia do jogo e babo nele sempre quando ele passa" jogo.

- Ah, esse! Já sabemos que Lily perde toda vez quando joga.

A ruiva apenas mostrou a língua na hora que os times seriam apresentados.

- No time da Corvinal, nós temos: Hilliard, Davies, Green, Fancourt, Wildsmith...

Enquanto a torcida da Corvinal fazia muito barulho para todos os seus jogadores, o resto das casas batiam palmas educadas enquanto assistiam o time sair dos vestiários e voar por todo o campo e acenar.

- Eles estão completos. Eu escutei um rumor sobre Green não estar muito bem ontem à noite. - Frank comentou.

- Eu também. Uma pena, é um dos artilheiros que mais pontuam. - Peter resmungou. - Sirius gosta de marcá-lo e ficar atrás dele durante o jogo. Não sei quantas vezes eles já não brigaram depois das partidas por conta disso.

- E para o time da Grifinória: Midge, Wakefield, Jones, King, Black, Bell, e o capitão Potter!

Eles explodiram com gritos e palmas, sem conseguir ouvir mais nada ao redor enquanto o time todo entrava em campo em suas vassouras e davam a volta e acenavam, assim como os jogadores da Corvinal.

James voou perto dos amigos, acenando como se batesse continência e jogou algo na direção deles, acima de suas cabeças, e todos olharam a tempo de ver uma explosão de luzes cair, como se fossem fogos de artifícios. Sorrindo, mas um pouco envergonhada pela atenção, Lily olhou para baixo quando sentiu algo se mexendo.

De seu cachecol - na verdade, do cachecol de James -, um passarinho de pergaminho saiu e cantou para ela, dando voltas em torno de sua cabeça e se enfiando entre seus cabelos ruivos. Após a demonstração de alegria, o passarinho voou até a sua mão e voltou a ser um simples pergaminho dobrado.

Lily levantou o rosto e olhou para os lados: todos os amigos a olhavam, curiosos.

- Isso é um bilhetinho, Lilykins? - Marlene levantava as sobrancelhas sem parar.

- Eu queria um bilhetinho-passarinho! Por que nós não recebemos também?- Alice resmungou de seu lugar.

- Não queria não. - Frank rapidamente disse. - Não é óbvio que é do James?!

- Isso é um tipo de magia dele. - Remus sorria.

- Claro que é. Não é a primeira vez que ele envia esse bilhetinho-passarinho para ela. - Marlene comentou, fazendo todos sorrirem e virarem os olhares para Lily novamente.

- Parem com isso, não me encham! - Ela resmungou, mas não conseguiu não sorrir.

Guardou o bilhete em seu bolso da saia, a curiosidade a matando por dentro, mas querendo ler apenas quando os amigos estivessem distraídos o suficiente com o jogo.

O que não demorou muito, já que do momento que o apito soou, a tensão e a adrenalina aumentaram e eles não tiravam os olhos do ar. Lily também não, mas sua curiosidade estava maior e não conseguiria passar nem mais um segundo sem ler aquele bilhete. Colocou a mão vagarosamente no bolso e, tentando não chamar a atenção de Marlene, ela se virou para o outro lado, onde havia apenas um outro aluno grifinório aleatório e abriu o pergaminho:

"Cerveja amanteigada com o capitão na festa da vitória?"

O coração dela disparou de um jeito tão bom, que o frio já não existia mais, pois seu corpo todo aqueceu. Tirou os olhos do pergaminho e viu que o grifinório aleatório a olhava esquisito.

- Pois não? - ela perguntou.

- Você está sorrindo de um jeito muito estranho. - ele respondeu.

- Preste atenção no jogo, querido. - ela disse e guardou o bilhete de volta no bolso.

Agora, mais do que nunca, ela ia torcer para que a Grifinória ganhasse.

J~L

- EU VOU TE CAÇAR!

O grito de Lily para o batedor corvino não deve ter chegado até o alvo, quando este passou voando por cima da arquibancada da Grifinória, mas não importava. Iria caçá-lo até o fim dos tempos.

Aquele diabo deve ter jogado, pelo menos, quinze balaços diretos em James, e três deles passaram absurdamente perto. Muito perto. O maroto desviou a tempo de todos eles, mas aquele corvino parecia não estar longe de acertá-lo. Ou faria o possível para isso até o final do jogo.

- Eu não tenho emocional para isso. - A ruiva reclamou enquanto se abanava com o cachecol. A veste que deveria ter trazido estava bem onde ficou, porque ela estava longe de sentir frio agora.

- Ninguém tem. - Alice concordou não tirando os olhos do ataque da Corvinal. - PEGA ESSE DESGRAÇADO, BLACK!

Sirius, de fato, mandou um balaço na direção de Green, quase pegando-o por pouco. O corvino acabou perdendo a goles, capturada por Johanna King, que a lançou para James já no meio do campo.

Frank, Peter e Remus assistiam o jogo no completo silêncio, trocando algumas palavras em momentos precisos e deixando os xingamentos para as garotas. Mas assim que viram a confusão entre Sirius e Green começar no alto, eles ficaram tensos.

- Droga. Ninguém vai parar o jogo? Eles vão sair no braço. - Marlene alertou, procurando pela senhorita Hooch, a nova professora de voo e juíza de Quadribol.

- E lá vem confusão para Black e Green. - Gareth informou, chamando a atenção de todos. - Três horas de jogo devem estar atacando os nervos dos jogadores agora.

Sirius parecia mais tranquilo do que Green, já que ele não havia perdido uma oportunidade de gol, diferente do corvino que cuspia fogo para o grifinório.

-Os capitães deixaram seus postos e voam diretamente para a briga antes de virar algo maior...- Continuou Gareth. - Hooch chega com eles, parecendo informar que poderiam ser expulsos caso partam para a violência física. Potter agarra o uniforme de Black e o tira de cena, mas Fortescue tem mais dificuldade em acalmar o seu jogador.

Se aquela briga causasse a derrota da Grifinória de alguma maneira, alguém iria morrer hoje e pelas mãos de Lily Evans. Ela tinha uma bendita festa da vitória para comparecer e uma cerveja amanteigada para beber com o capitão.

O jogo foi pausado quando Green não aceitava as diretivas de seu capitão e começou a jogar injúrias para todo e qualquer jogador no alto, o que começou a causar problemas com os jogadores da Grifinória. Bell foi o primeiro a tomar as dores, vindo na direção de Green, mas sendo parado por James e Midge, o apanhador.

- IDIOTA! VOCÊ ESTÁ MESMO NA CORVINAL? - Alice gritou no meio da bagunça das arquibancadas em direção a Green. - LARGA DE SER BURRO!

- Alice, querida, você quer trazer a briga para a arquibancada? - Frank perguntou segurando os ombros da namorada.

- Não, mas se eles quiserem uma briga, eu também quero.

Os ânimos acalmaram quando James obrigou todos os jogadores do time a descerem alguns metros, separando-os dos jogadores corvinos, deixando com que Fortescue lidasse com eles. Aparentemente, a Corvinal vivia uma guerra civil, já que todos eles começaram a discutir.

Alguns metros abaixo, Lily percebeu que Midge estava inquieto, falando algo para James sem parar, os olhos de ambos fixos em um lado do campo e James parecia acalmá-lo. Eles viam o pomo, mas não poderiam avançar, já que o jogo estava paralisado. Colocando uma mão no ombro do seu apanhador, o capitão sussurrava algo para ele, fazendo Midge sorrir.

- RECOMEÇA ESSE JOGO! - Lily gritou para cima, não tirando os olhos dos dois jogadores. - Vai, ele tem o pomo na mira. - Sussurrou.

- Ele vai pegar. Midge é o apanhador mais sensacional dessa escola. - Remus disse do seu lugar enquanto também observava a mesma cena.

Hooch parecia contente o suficiente com a finalização da briga e apitou, jogando a goles para o alto e recomeçando o jogo. No mesmo segundo, Midge arrancou no ar, quase derrubando os outros grifinórios de suas vassouras, enquanto James conseguiu recuperar a goles e voou tão rápido quanto o seu apanhador, mas para a direção contrária, chamando a atenção de todos para si enquanto mirava o gol. O que funcionou: todos os jogadores corvinos foram atrás dele, menos o apanhador, enquanto Midge subia quase reto pelo céu, sem parar, sumindo em algumas nuvens pesadas e cinzas. O apanhador da Corvinal mal teve tempo para recuperar o atraso, mas voou na mesma direção de Midge. Os dois desapareceram.

O jogo continuava. James marcou o ponto e olhou para os lados, tentando encontrar o seu apanhador, mas sem sucesso. O jogo continuou e o maroto focou na goles nos braços do artilheiro corvino, criando um triângulo com King e Jones. Um balaço vindo da esquerda desconcentrou o corvino, fazendo-o afrouxar o aperto da goles e dando a oportunidade para King roubá-la. Se Midge não pegasse o pomo, provavelmente eles acabariam com um placar abusivo de alto, já que o time corvino estava desestabilizado e perdendo oportunidades bobas. Com uma manobra rápida e sempre bem treinada pelos artilheiros da Grifinória, James, King e Jones já estavam invadindo o campo adversário e pronto para marcarem...

King jogou a goles em direção à Jones para escapar de um balaço e deixar a jogada continuar. Jones estava pronto para jogar para James, mas ele negou, preferindo abrir caminho para o seu artilheiro marcar. Seus olhos foram pegos por Midge descendo a toda velocidade a alguns metros de distância e ele parou no ar. Jones jogou a goles, que passou pelo arco marcando o ponto, ao mesmo tempo que Midge agarrou o pomo.

James desceu da vassoura assim que o apito final soou, deixando o vento em seus ouvidos serem substituídos pelos gritos das arquibancadas. Suas costas estavam matando sua vontade de viver aos poucos e não estava surpreso, já que todo jogo contra a Corvinal durava horas. Bem, ele não estava contando com três horas de jogo, mas ele só sairia daquele campo em duas ocasiões: com a vitória ou desacordado.

Os olhos castanhos-esverdeados procuraram por Midge, o seu apanhador. Assim que o viu, ele se aproximou, pegou o garoto pelo pescoço e bagunçou seus cabelos.

- Você foi demais, Midge. - James dizia enquanto bagunçava mais e mais os cabelos do quintanista. - Você é o melhor apanhador desta bendita escola.

- Obrigado, capitão. - Midge agradeceu após ser solto por James. - Mas nós não ganharíamos se não estivéssemos tão a frente no placar e isso foi trabalho seu com King e Jones.

- E não esqueça da nossa defesa, que parou Green muitas vezes. - James continuou.

Um tapa forte em seus ombros fez o capitão olhar para trás e sorrir, enquanto cumprimentava Sirius.

- Quantos malditos gols você marcou, cara? Eu tive que parar de contar.

- Não tanto quanto eu gostaria.

- Mais alguns e você bateria o recorde de Ethan Parkin!

Seus olhos desviaram de Sirius e subiram para as arquibancadas da Grifinória. Apesar de estar longe, ele conseguia identificar os seus amigos que continuavam a celebrar a vitória. Seu instinto e vontade era de montar na vassoura, subir até lá e perguntar se ela tinha aceitado o seu convite, mas achou melhor deixá-la um pouco em paz. Já havia, praticamente, nomeado-a Potter com o cachecol naquela manhã, chamado a atenção para ela e seus amigos com as pequenas luzes e enviado o convite. Talvez ela precisasse de um tempo dele.

O time todo foi para o vestiário comentando do jogo e recontando jogadas e cenas que algum ou outro jogador perdeu. James apenas os escutava com um sorriso no rosto, feliz por eles estarem felizes, por terem feito um bom trabalho em equipe e estarem mais unidos que nunca. Era este o tipo de espírito que ele queria para o seu time à partir do momento que se tornou capitão e não poderia estar mais orgulhoso de tê-los há três anos.

Infelizmente era o seu último ano e aquilo não existiria mais.

Pensar nisso fez seu sorriso fechar e uma angústia lhe atingir como um tapa na cara. De repente, não existia vitória de quadribol, não existia o time perfeito e não existiam os aros para acertar. Agora, tudo o que via era um futuro incerto, uma guerra se aproximando...

- O que foi, Prongs? - Sirius perguntou parando em sua frente, a toalha na mão, pronto para ir para o chuveiro.

- Nada. - ele respondeu.

- Corta essa. Me diga, o que foi?

James se sentou em um dos bancos, um pouco mais afastado do time ainda entusiasmado.

- Apenas pensando no futuro.

- Prongs, eu sei que pensar no futuro é importante, se planejar e se preparar, mas por que está fazendo isso agora?

- Porque daqui alguns meses, isso não vai mais existir. Não para nós, pelo menos.

- E por que está triste por isso? Nós ainda poderemos jogar fora daqui. - Sirius se sentou no banco à sua frente.

- As coisas serão diferentes. Não seremos apenas caras de dezessete anos querendo ganhar a taça de Quadribol. - James abaixou a cabeça e respirou fundo.

- Não, não seremos. Mas quem disse que o que seremos será pior do que somos agora?

O maroto franziu a testa, mas não olhou para o amigo.

- Você nunca foi negativo assim. - Sirius continuou. - Você já viu para onde a sua vida está indo neste momento? Você, provavelmente, vai sair de Hogwarts com Lily Evans embaixo do braço, com as melhores notas entre os setimanistas e com uma chance de emprego na área que quiser.

- Mas a guerra...

- A guerra já está acontecendo enquanto conversamos. A única diferença é que você não estará atrás desses muros. Então eu volto a perguntar: por que está fazendo isso agora? Você acabou de ganhar a merda de um jogo de três horas, minha virilha está doendo por conta daquela vassoura e eu duvido que conseguirei levantar um copo com a minha mão direita de tanto que rebati balaços. Mas sabe o que é bom disso tudo, todas essas dores? Elas me deixam aqui no presente. E você também deveria, porque você tem uma comemoração na sala comunal para comparecer e ninguém quer ver o capitão com essa cara de bunda.

Um sorriso escapou dos lábios do maroto de cabelos despenteados e assentiu.

- Tudo bem, você está certo. Vamos focar no presente. - James se levantou e pegou sua toalha, indo até o chuveiro.

Presente. Era isso que tinha que pensar. E se fosse pensar no futuro, que fosse em um futuro próximo, como aquele em que ele brindaria a vitória com Lily.


A decoração havia sido rapidamente colocada no lugar. Lily já estava mais do que acostumada com aquela rapidez, já que a Grifinória havia perdido apenas um jogo em seis anos, o que não impediu a taça de vir para eles de qualquer jeito e tudo por culpa de sonserinos idiotas que atacaram os marotos pelas costas na manhã do jogo, tirando James e Sirius do time e desfalcando a Grifinória no último momento.

Mas enfim, a decoração. Sim, eles estavam acostumados a fazê-la rapidamente. Os alunos gostavam de receber o time com tudo pronto, então desde que James virara capitão do time, Remus, Peter e Frank traziam as bebidas, que Lily imaginava que estava no dormitório dos marotos e contrabandeados (obrigada pela informação, Peter), enquanto todos os outros ajudavam em pendurar, esticar, colar e enfeitiçar todo o resto.

Quando o quadro finalmente abriu e Midge entrou primeiro, ele foi recepcionado por muitas estrelas pratas que caiam do teto entre o quadro e a sala, além de palmas, gritos e assovios. Ele sorria e acenava, se sentindo envergonhado com toda a atenção. Seus amigos quintanistas o pegaram no colo e o jogaram para cima. O resto do time entrou logo em seguida, tendo a mesma recepção: as estrelas pratas e sendo abraçados, tocados e até beijados. Por último, mas não menos importante, entrou James. A chuva de estrelas, agora, era dourada e todos gritavam e assobiavam para ele.

Do seu canto, perto da lareira, Lily batia palmas e assobiava, enquanto Marlene gritava baixarias:

- O MELHOR CAPITÃO MANDÃO DA HISTÓRIA DE HOGWARTS! - A amiga gritou primeiro. - TIRA A CAMISA!

- Marlene! - Lily riu ao seu lado.

- O TIME TODO! - Marlene se corrigiu.

Alice também ria com elas, fazendo Frank revirar os olhos, mas sorrir.

Após o time ter sido celebrado, bebidas foram entregues para todos. Quando Remus passou uma cerveja amanteigada para ela e Lily aceitou, sua barriga encheu de borboletas. Oras, era apenas Remus oferecendo uma bebida. Só porque James havia convidado para tomar uma delas com ele, não significava que não poderia beber uma antes.

- Vai me contar o que era o bilhete ou eu vou ter que arrancar esse pergaminho-passarinho do seu bolso e ler?

- Não tinha nada, Marlene. Era apenas um pergaminho-passarinho.

- Na primeira e, até onde eu sei, última vez, era um bilhete.

- Por que eu nunca soube que James envia bilhetes-passarinhos para você, Lily? - Alice perguntou.

- Ele enviou uma vez e era para falar sobre a monitoria de duelos. Apenas isso, não escute Marlene.

- Você tinha que ver como o passarinho voava feliz pela sala e brincava com os cabelos dela. Eu quase diria que era exatamente o que ele queria fazer com a nossa Lilykins: entrar naquele cômodo, pegá-la pelos cabelos e...

A ruiva fez um aceno em direção à Marlene, deixando-a muda. A grifinória lançou um olhar raivoso em direção à Lily.

- Vai parar de falar essas asneiras? - Lily perguntou. Alice ria, pois, assim como a ruiva, ela sabia que Marlene não iria parar nunca.

Marlene assentiu e revirou os olhos. A ruiva desfez o feitiço. Como quem não quer nada, Marlene deu um gole em sua cerveja amanteigada e olhava pela salão, antes de se virar para as amigas

- Você vai dormir aqui hoje ou vai levar a comemoração para os dormitórios dos Monitores-Chefe?

As duas amigas riram.

- Mckinnon, você é uma das pessoas que mais pensa em sexo e relacionados o tempo todo.

- Evans, eu tenho dezessete anos. Eu sou o sexo ambulante...assim como você.

- Eu? Sexo ambulante?

- Que conversa interessante, posso participar?

Suas bochechas esquentaram na mesma hora antes de se virar e dar de cara com Sirius Black.

- Claro, venha. - Marlene o puxou pelo braço, integrando o maroto na roda das amigas. - Estamos falando sobre o fato de termos dezessete anos e pensarmos em sexo o tempo todo. O que você tem a dizer sobre isso?

Lily não sabia se Marlene era inocente, boba ou muito esperta em fazer tal pergunta para ele. Então, claro, Sirius abriu um enorme sorriso.

- Eu teria muitas coisas a dizer sobre isso, querida. Primeiro: saber que vocês pensam em sexo o tempo inteiro é muito educativo, porque somos todos adolescentes, vivendo juntos e tudo mais. Então ouvir isso foi a melhor coisa da minha noite, e olha que eu ganhei um jogo agora e a noite nem acabou.

- Estamos mesmo conversando sobre sexo com Sirius Black? - Alice sussurrou para Lily.

- Eu diria que Marlene está conversando sobre sexo com Sirius Black.

- Devemos sair? - Alice perguntou.

- Definitivamente.

Lentamente, as duas amigas saíram de perto de Marlene e Sirius, que ainda conversavam ativamente e pareciam bem concentrados no assunto. Bem, com todo o acontecimento entre eles no aniversário do maroto, não estava surpresa em tê-la falando sobre tais coisas com o próprio. Sua amiga era assim: cara de pau e ia atrás do que queria. Se Sirius caísse na sua, tinha certeza que de hoje ele não passaria em branco na lista "to do" de Marlene Mckinnon.

E falando em algo que queria fazer, onde estava aquela bendita cerveja amanteigada que lhe fora prometida? Olhou pela sala e viu James conversando com Frank e um quintanista. Talvez ele tenha desistido ou esquecido do bilhete. Aquilo a fez murchar.

- Ah, eu adoro essa música. - Alice comentou. - Eu não sei quem canta, mas eu acho o máximo, me dá vontade de dançar.

- Se chama "Dream" do Fleetwood Mac. Um grupo musical trouxa. Eu adoro que possamos ouvir músicas trouxas também.

- Ah sim. Você e o seu Bee Gees.

- Eles são o máximo, não ouse dizer o contrário. - Lily apontou ameaçadoramente para Alice.

- Jamais. Eu gosto das músicas que você me apresentou.

Lily deu o último gole da cerveja amanteigada que Remus havia lhe dado e jogou a garrafa fora.

- Deveríamos ir em um show deles, Lice. Durante as férias de Natal, eu vou tentar descobrir algo sobre isso e você irá comigo!

- Com um prazer enorme.

Seu bolso começou a mexer e seu coração disparou. Era o passarinho criando vida novamente? Lily olhou para baixo e viu as pequenas asas saindo primeiro, depois os pequenos olhos feitos de papel piscarem e a mirarem. Alice viu algo atrás de Lily e sorriu, saindo sorrateiramente. Quando Lily se virou para falar com Alice, a amiga não estava mais ali.

O passarinho saiu de seu bolso e pousou em seu ombro, cantarolando, ao mesmo tempo que viu uma garrafa de cerveja amanteigada vir de suas costas, sendo segurada por uma mão que ela conhecia bem nos últimos tempos. A ruiva se virou, sentindo aquele aperto bom no peito e se deparou com James segurando a sua garrafa enquanto oferecia a dela.

- Bem, bem, bem. Veja só quem apareceu. - Ela disse, aceitando a bebida.

- Eu a convidei, mas você já tinha uma garrafa em mãos quando eu a encontrei.

- E isso lhe impediu de se aproximar?

- Eu apenas quis esperar o momento certo.

Com um sinal de cabeça, o maroto lhe chamou para ir até outra parte da sala comunal, onde havia uma poltrona vazia. Ele ofereceu o lugar e Lily se sentou, o vendo conjurar um pequeno banco e sentando-se de frente à ela.

Quando Lily abriu a boca para comentar sobre o jogo, ouviu a música que começou a tocar e sentiu o desespero lhe tomar por completo. Por que as pessoas decidiram, nos últimos tempos, fazer aquilo com ela? Seus olhos encontraram os de Alice, do outro lado da sala comunal, enviando um "joinha", apenas confirmando para Lily que ela havia sido a responsável por fazer tocar "How deep is your love" do Bee Gees, uma das suas músicas favoritas.

Alice, ainda olhando para Lily, começou a fazer sinal de beijos com as duas mãos para, depois, pegar Frank ao lado dela, que conversava com Remus e Peter, e forçá-lo a dançar de um jeito estranho, ainda que a grifinória não tirasse os olhos da ruiva.

Ela iria matar Alice!

- O que foi? - James perguntou, fazendo menção de virar para trás e checar o que Lily encarava tão desesperadamente.

- Oh, nada. Brinde. - Ela levantou a garrafa rapidamente em direção à ele, fazendo James esquecer do que se passava atrás de si, e levantando a sua garrafa para brindar com ela. - À sua primeira vitória no seu último ano! - Ela disse.

- À melhor torcida que o time pode ter. - Disse ele antes de dar um gole em sua cerveja, sem tirar os olhos dela. - O que achou do jogo? - O maroto perguntou apoiando os cotovelos nos joelhos, se aproximando dela.

- Longo! - Os dois riram. - Mas com momentos tensos. Toda vez que os apanhadores mergulhavam, era um desespero. Eu não sei muito sobre Quadribol, mas Midge é ótimo! Eu vi quando ele foi o único que continuou a focar no pomo mesmo com o jogo parado.

- Sim, ele é realmente ótimo. Eu acho que se tornará capitão assim que eu sair.

- Sério? Ainda que ele seja mais novo do que todos?

- Eu era o mais novo de todos quando me tornei capitão. - ele deu de ombros. - Tudo gira em torno da sua atitude. Midge trás o melhor de todo o time dentro do vestiário. Você não vê isso com Bell, por exemplo, que será setimanista em Setembro.

- Eu não vejo nada em Bell. - Ela comentou se lembrando o desperdício de espaço que era o garoto.

- Bom saber. - o comentário fugiu da boca de James, que decidiu dar outro gole em sua cerveja. - Uma pena ele ser aquele imbecil, porque é muito bom também. Se quiser tentar uma carreira fora daqui, ele tem grandes chances.

Lily concordou enquanto assentiu. Bell era um desperdício de beleza e talento...como ele mesmo não acordava para a vida?

Bah! Ela não queria perder seu tempo falando de Eric Bell com James. Havia assuntos e coisas muito mais importantes.

- Se não fosse pela guerra e sua vontade de lutar na linha de frente...você seguiria a carreira no Quadribol? - Ela perguntou.

James brincou com a sua garrafa enquanto parecia pensar, os olhos virados para baixo.

- Difícil pensar em uma vida sem essa bagunça. Mas até onde eu lembro, antes de entrar em Hogwarts e antes de ver Voldemort nascendo, eu passava boa parte do meu tempo livre voando. - Ela sorriu ao imaginar aquele garotinho de cabelos arrepiados voando por um grande jardim. - Então sim. Acho que nos primeiros anos de Hogwarts, eu também pensava em Quadribol, mas...é engraçado como eu não tenho muitas lembranças mais sobre isso. Eu só consigo me lembrar de voltar para casa e ouvir o que andava acontecendo, ou ler as notícias no Profeta sobre como tudo estava virando de ponta cabeça. Acho que o senso de justiça havia nascido já e eu não consegui pensar em mais nada.

- Uma pena. - Ela comentou. - Tenho certeza que você seria muito famoso como artilheiro.

- O que te faz pensar que eu gostaria de ser famoso? - Ele sorriu, observando-a.

Lily o encarou de volta, sem crer que ele perguntava mesmo aquilo. Ele não era conhecido pela escola inteira por pouca coisa, ele fez sua fama, assim como os outros marotos. Certo, ele dificilmente passaria despercebido quando começasse a perder os traços infantis e mostrasse para o mundo com qual rosto e corpo que veio, mas ele já era famoso mesmo antes disso.

- Vamos ignorar a sua pergunta. - Ela disse, fazendo-o rir.

- Chega de falar de mim. Me diga você, então: seria Lily Evans uma famosa pocionista? Isso está nos seus planos?

- Depois de você ter me dado a oportunidade de estar na linha de frente, você acha que eu ficarei atrás de uma bancada? - Ela deu de ombros e deu um gole da sua cerveja, antes de continuar, os olhos de James nunca a deixando. - Eu estava entre curandeira e pocionista...então eu me perdi. - Ela sorriu fracamente.

- Na linha de frente, quanto mais habilidades você tiver, melhor. Você sendo ótima com poções é de uma ajuda enorme. Se alguém depender de Sirius neste quesito, a pessoa pode esperar a morte, porque ela vem com ou sem a ajuda dele. Por isso eu já quis garantir ficar ao seu lado, porque é mais certo de viver.

E não como uma surpresa, Lily se viu conversando por mais de duas horas com James de um jeito leve e relaxado, rindo das piadas dele e do humor irônico que o maroto tinha e que ela adorava. Quando percebeu, uma cerveja havia virado cinco e os risos e sorrisos eram mais fáceis, os dois conversavam mais perto, às vezes cochichando de tão perto que estavam. E tudo o que ela podia pensar era que não queria que aquilo acabasse tão cedo. Se perguntou como não se deixou conhecer James Potter antes, porque ainda que ele era um idiota aos seus olhos, todos que o conheciam não compartilhavam da sua opinião. Talvez apenas Severus.

Mas não podia estar mais feliz em poder ter tido tempo de conhecê-lo antes de saírem de Hogwarts.

Não podia estar mais feliz por ter sido beijada por ele.

E não podia estar mais feliz por estar apaixonada por ele.

O encarou por alguns instantes enquanto ele terminava de contar algo relacionado à Remus ter dado um soco na cara de Peter uma vez sem querer, e prestou atenção na boca dele que era extremamente bonita e atraente, em como suas sobrancelhas levantavam facilmente quando falava, deixando-o muito expressivo o tempo todo ou como os olhos dele brilhavam quando contava sobre seus amigos e sua família. A cicatriz que tinha embaixo do olho esquerdo, que parecia ser de uma briga ou talvez Quadribol, lhe deixava tão sexy...

Quando percebeu que tudo estava silencioso, ela percebeu, ainda que olhasse para ele esse tempo todo, que James havia parado de falar e a encarava de volta.

- Você é muito bonito, sabia? - Ela lançou a pergunta retórica. Lily deixou sua cabeça cair para um lado, observando-o.

- Você acha? - Ele perguntou de volta, um pequeno sorriso no canto de sua boca.

- Quando eu digo isso, eu não digo no estilo "hey, cara, como você é lindo. Vamos no primeiro armário de vassouras?". Eu digo cada pedaço de você. - Ela levantou a mão como se quisesse apontar para cada parte dele. - Cada coisinha que eu vejo, harmonizam com a outra. E cada uma delas, sozinhas, também são muito bonitas.

James corou com a frase dela e aquilo a fez sorrir.

- Então eu não sou um cara para ir para o armário de vassouras?

- Não foi isso que eu disse. - Ela sorriu e deu um último gole de sua garrafa e a colocou ao lado das outras quatro. Céus, tinha que parar com aquilo. Estava com muita coragem e dizendo muita coisa que, talvez, não devesse.

- O que disse exatamente, então?

- Muitas coisas. Eu vou deixá-lo pensar nelas.

Lily levantou, tendo James se levantando com ela em seguida.

- Você já vai?

- Sim. Foi um dia cheio e ainda que eu não tenha passado três horas jogando, eu estou bem cansada. Ainda mais depois de todas essas cervejas.

- Você vai dormir aqui ou vai voltar para o nosso dormitório?

O fato dele ter usado o pronome "nosso" e "dormitório", fez com que um arrepio em seu corpo a fizesse estremecer.

- Eu vou voltar para o nosso dormitório. - Ela respondeu, gostando de como aquilo soou. - Você é o capitão e tem toda a festa ainda para curtir. Durma aqui, será mais seguro do que perambular bêbado pelos corredores tão tarde.

- Eu te levo, então. - Ele deixou a sua garrafa ao lado das dela.

- James...- Ela colocou uma mão no braço dele, o apertando gentilmente. - Por favor, não precisa. Fique. Eu te vejo amanhã.

Lily sorriu para ele e se afastou, passando pelos outros alunos bem alterados e foi em direção ao quadro.

- Hey capitão. O que acha de comemorarmos como fizemos no ano passado? - A voz feminina atrás dela chamou sua atenção, fazendo a ruiva se virar.

Viu que a sextanista segurava o braço de James que, claramente, estava vindo atrás de Lily. O maroto se virou para Lily e depois para a garota.

- Escute...- ele começou a falar com a garota, tirando a mão de seu braço educadamente, mas Lily não queria ficar ali para ouvir. Voltou seu caminho para o quadro rapidamente, empurrando os outros alunos com menos paciência agora.

- Já vai embora, Evans? - Sirius se colocou em seu caminho.

- Sim. - ela respondeu e tentou passar, mas ele a impediu.

- Você vai deixar o capitão, que lutou tanto pela vitória hoje, na mão assim?

- Ele não está "na mão", eu garanto. - Ela ia voltar o seu caminho enquanto Sirius enrugou a testa e parecia tentar ver algo pela sala comunal por cima de sua cabeça. - Black, pode me fazer um favor? - Os olhos cinzas se voltaram para ela, o cenho franzido. Ela tirou o cachecol de James e o empurrou nas mãos do maroto. - Pode entregar para ele, por favor?

E finalmente ela pôde sair da sala comunal. O frio que fazia no corredor era horrível, servindo como um lembrete de como estava protegida pelo cachecol antes, sentindo o vento gelado acertar seu pescoço. Seus passos apressados e sua vontade louca de chegar até o seu dormitório e poder tomar um banho quente, fez com que chegasse rapidamente nos aposentos dos monitores-chefes.

No dormitório deles.

Ela bufou.

Foi até o banheiro e preparou a banheira, perdendo alguns longos minutos relaxando por ali, aproveitando a temperatura fumegante que havia escolhido, as bolhas de sabão por todo o lado.

Tentou não pensar na garota, tentou empurrá-la para o fundo da mente, mas não conseguiu. O que havia acontecido estava no passado, ela sabia que James tinha um passado, assim como ela também tinha. Além do mais, ele não era nada dela. Sabia que era ciúmes idiota e irracional por ter encontrado alguém que James já havia se relacionado.

Se você tivesse aceitado antes os convites dele, talvez aquela garota não teria tido a chance!

Balançou a cabeça com aquele pensamento. Aquilo era absurdo. O passado estava no passado.

Droga, havia dito que ele era bonito, fez um papel de boba com aquelas palavras. Não se reconhecia daquele jeito e não era surpresa, já que não havia se apaixonado desse jeito antes, que te fazia dizer coisas assim para a pessoa. Mas o que foi feito estava feito. O que poderia fazer? Talvez ele queria apenas alguém para ir no armário de vassouras de vez em quando, assim como deve ter sido com aquela garota.

Se secou e se enrolou no roupão, saindo do banheiro e indo para o seu quarto. Não demorou cinco segundos para ouvir três batidas vindo da porta do quarto. Lily fechou os olhos e suspirou.

Só podia ser uma pessoa.

James estava encostado na parede ao lado da porta, o cachecol que ela havia dado à Sirius em mãos e um sorriso triste nos lábios.

- Foi um inferno de um longo banho. - ele disse.

- Eu não sabia que você estava aqui.

- Eu vim logo atrás de você, mas você já tinha se fechado no banheiro quando eu cheguei.

- Certo. Bem, eu vou descansar, James. - Ela fez menção de fechar a porta, mas ele deu um passo à frente, não impedindo a porta fisicamente, mas pedindo com seus olhos para ela não fechar.

- Você é muito bonita, sabia? - Ele disse, as mãos dele não parando de mexer no cachecol. Lily levantou as sobrancelhas. - Mas não do tipo "hey, você é linda, você aceita ir à Hogsmeade comigo?". Cada canto de Lily Evans parece perfeito e que combinado com tudo, te faz a garota mais bonita deste castelo. Cada fio de cabelo ruivo, cada sarda em seu rosto, os seus olhos absurdamente lindos e o seu sorriso.

O seu coração parecia que ia pular pela boca e percebeu que havia segurado a respiração, fazendo seus pulmões pedirem para soltar todo aquele ar guardado.

- Então eu não sou uma garota para se levar para Hogsmeade?

James riu e se aproximou. O cachecol foi libertado do aperto nervoso e o maroto o jogou por cima da cabeça dela, o enrolando em seu pescoço novamente, deixando-o exatamente como havia ficado o dia todo: o "CAPITÃO" aparecendo para qualquer um ver, ainda que eles fossem os únicos ali.

- Você é a única garota que eu quero levar para Hogsmeade. - Quando ele se aproximou mais, ela estava pronta para corresponder o que quer que ele fosse fazer, mas James apenas a beijou na bochecha, deixando seus lábios por alguns segundos em sua pele. Se afastou um pouco, apenas para poder encará-la confortavelmente. - Com isso bem claro, a pergunta agora é...Você aceitaria ir comigo na próxima visita?

Ah Merlin! Finalmente!

Estava tão feliz com tudo aquilo, que nem tinha o que pensar. Poderia descrever tudo o que sentia, mas achava que não era necessário.

- Sim. - A voz saiu tão leve e doce, que ela mesma se surpreendeu.

Aquele sorriso. Aquele bendito sorriso de James Potter que poderia acabar com ela naquele momento, apareceu. Não era possível que ele soubesse o que fazia com quem o recebia, ou tinha plena consciência e não se importava com o bem-estar dela.

- Vamos torcer para que o mau tempo realmente acabe. Afinal, não queremos perder a oportunidade de um pôr do sol.

- Não, não queremos.

Eles se encararam por alguns instantes enquanto Lily fincava seus pés no chão para não pular nele e James apertava as mãos dentro dos bolsos para não agarrá-la.

Volte para o seu quarto. Não faça agora...mantenha o seu plano e será melhor, James repetia em sua cabeça. Ele sorriu e apertou com mais força suas mãos, sentindo as unhas machucarem a sua palma.

- Eu te vejo amanhã. - Ele se forçou a dizer.

- Até amanhã, James.

Dando alguns passos para trás sem tirar os olhos dela, James pegou o caminho para o seu quarto. Ele deu uma última olhada para ela e sorriu, antes de desaparecer atrás de sua porta.


N/A:

Um cap um pouco menor hoje, mas o próximo ficaria muito grande se juntasse :) E me dei o direito de me presentear neste meu aniversário (pedindo biscoito, por favor LoL) este pedido do James xD Demorou, mas veio.

Sem sneak peek, porque eu sou malvada. Porém, o próximo capitulo é puro Hogsmeade, já aviso. E montanha de pergaminhos e um pouco de ciúmes e pôr do sol e uma escorregada e polissuco e ...e...chega =X

E hoje é o dia. O dia da nova fic começando e eu estou tão feliz *-* Então se você chegou até aqui e curte as minhas fics, saiba que eu estou postando o prefácio e o prólogo de WILDEST DREAMS hoje =D (provavelmente você chegou aqui e eu já postei, vai saber).

Passem por lá e deem uma conferida ;) Porém, peço encarecidamente para ler o "aviso de gatilho" (eu estarei tomando muito cuidado durante a fic, mas ainda sim, leiam o aviso na descrição) e saibam que é uma fic de conteúdo adulto. Então se você não gosta ou é menor, fica ai o aviso. Mas além de tudo, é JILY. Do jeitinho que a tia aqui gosta hehehehe

Reviews sem logins:

Mah: Siiim, o peito doi que vemos a conversa sobre o futuro...principalmente porque NEH :( :( :( Umas das maiores injustiças de HP: Sirius não saber que Regulus, no final, ajudou PRA CACETE para acabarem com o Voldy e que Sirius morreu sem a rendição. Esses dois quebram o meu coração. Sobre o pedido de Hogsmeade...acho que nao preciso dizer mais nada ahahahahha Aguardemos a visita para ver hehehe A fic nova esta sendo postada hoje também, logo depois desse capitulo. Espero que curta :D Beijoooos.

Não esqueçam daquele comentário maroto ;) Afinal, postei em uma semana, preparando tudo para vocês e postando no meu aniversário. Acho que mereço um carinho de leve :P

Beijoooos, pessoas bonitas da tia Fe.

P.S: houve um grande erro no capitulo anterior, porque eu mudei uma parte de uma frase, mas não um detalhe importante. Apenas uma pessoa comentou neste erro hahahaha E eu nem vou corrigir, vou deixar deste jeito, porque eu ri igual uma idiota por não ter reparado quando betei. Quem viu, viu :P