J~L

Os olhos de Marlene não saiam de cima dela, além do sorrisinho carregado de escárnio.

Lily ignorava vigorosamente a amiga, sentada ao seu lado, na sala comunal dos Monitores-Chefes. Alice estava bem concentrada em seu dever e assim deveria estar Lily, mas o fato de Marlene estar ali, sem fazer nada e quieta de um jeito que ela nunca ficava, estava lhe deixando louca.

A única coisa que pareceu ter chamado a atenção da amiga foi um barulho vindo do quadro de entrada alguns minutos atrás, mas Marlene voltou sua missão de ficar quieta após conferir e dizer que não havia ninguém do lado de fora.

- Qual vai ser a piada da vez, Lene? - A ruiva perguntou consultando o livro de Runas.

- Piada? Não tenho piada nenhuma, Lilykins.

- Você não tem nada mais para fazer nesse sábado à noite? - Lily voltou a perguntar. A amiga não cursava Runas, mas quis se juntar a elas de qualquer maneira.

- Ela está fugindo. - Alice comentou de cima de seu pergaminho.

- De Black? E veio justo aqui? - Lily se virou para Marlene. - Sabe quantas vezes eu já não vi Sirius Black nesta sala? Dormindo no sofá, mexendo na minha gaveta, lendo meus livros trouxas?

Apesar dos pesares, Lily não se incomodava. Uma vez, Sirius teve tempo o suficiente para ler cinco capítulos do seu livro trouxa enquanto esperava James terminar algo sobre a monitoria, e assim que ela apareceu, ele pulou em sua frente fazendo milhares de perguntas. Dizia que, uma folha inteira, parecia estar escrito em código de espionagem, porque não entendia nada de nada. Ficou presa por quase vinte minutos tendo que explicar muitas coisas trouxas. E emprestar o livro para ele.

Até hoje, ela não sabe o final daquela história.

- Não estou fugindo dele. - Marlene reclamou, fazendo uma careta para Alice. Depois voltou para Lily com aquele sorriso insolente. - Você não tem nada melhor para fazer?

- Eu tenho Runas para terminar. - Lily respondeu, apontando para todos os pergaminhos e livros espalhados pela mesa de centro.

- Ninguém se importa com Runas. Não quando a visita a Hogsmeade é amanhã.

E lá iam elas.

- E com quem você vai, Marlene querida?

- Ninguém se importa com quem eu vou.

- Você está cheia de "ninguém se importa" hoje. - Alice apontou, largando sua pena.

- Chega desse papinho e vamos direto ao assunto. Por que não estamos lá em cima procurando pela roupa que você vai usar amanhã? Pelo sapato confortável para andar pelo vilarejo? O batom que combina com o seu tom de pele para dar aquela vontade louca de te beijar? Ah, não, espere. Acho que o batom não é mesmo necessário. Temos alguma dúvida de que James Potter é louco para te beijar e que, com certeza, vai te beijar amanhã? Não, não temos. - Marlene não parava de falar, enquanto as duas amigas apenas a encaravam. - Então vamos pensar onde vocês podem, possivelmente, ir. De manhã, vocês poderiam dar uma volta pela floresta. Fica aquela névoa nesta época do tempo, dando um ar de mistério e tal. Tenho certeza que ele não vai te beijar tão cedo, então aproveitem para conversar...talvez sobre a quantidade de filhos que terão.

- Marlene. - Alice disse, revirando os olhos.

- Então, almoço depois. Talvez vocês tenham que pegar algo em algum lugar e ir comer sozinhos, longe de todos. - Marlene continuou, sem se importar com a cara das duas amigas. - Depois, use o seu feitiço de lavar os dentes que você tanto gosta, porque eu sinto que ele não vai querer prolongar muito mais a espera do beijo. Para a digestão, vocês podem andar pelo vilarejo, conversando sobre se preferem um casamento todo chique e cheio de gente, ou se correm, cheio de amor para dar, para algum juiz depois da formatura e formalizam tudo.

- Marlene, chega. - Lily disse, mas tinha um sorriso brincando nos lábios. Sua amiga era louca.

- Depois, temos que partir sobre onde morar: em Londres, em um vilarejo mais no interior do país, talvez mesmo na Escócia. A família Potter tem uma casa em Londres, onde ficam a maior parte do ano, mas devem ter várias propriedades por todo o lugar.

- Como você sabe?

As três congelaram no lugar. Lily queria desaparecer da face da terra, Alice tinha os olhos fechados de vergonha e Marlene tinha os maiores olhos que Lily já vira antes.

James terminou de descer as escadas, arrumou sua veste e observava as três garotas sentadas no chão.

- O que está fazendo aqui, Potter? - Marlene finalmente reagiu, mas não se virou para ele.

- Da última vez que eu conferi, era o meu dormitório. - Ele respondeu, rindo.

- Certo. Isso é verdade. Mas não é o meu, então acho que devo ir. - A grifinória começou a pegar os livros e pergaminhos de Alice e Lily, misturando tudo e os guardando dentro da própria bolsa. - Obrigada por nos deixar usar a sala para as lições. Às vezes, precisamos de um pouco de calma para todas essas atividades. Sabe como é.

Marlene levantou e jogou a bolsa no ombro, virando para o maroto pela primeira vez e vendo que ele parecia se divertir.

- Sempre que quiser, McKinnon. As amigas da Lily são bem-vindas, sempre.

- Ótimo, obrigada.

- Eu sei que ela aceita os marotos aqui sem problemas. Então é o mínimo que eu posso fazer.

- Pois é.

- E se um dia precisar de um lugar, ahn, calmo o suficiente para você e um outro maroto, eu posso conceder o meu quarto, já que o de Lily apenas garotas podem entrar. Não se incomode pela decoração...não é muito romântica.

Apenas um maroto para criar aquela cor maravilhosamente vermelha nas bochechas de Marlene, mas Lily ousaria dizer que foi apenas pela amiga ter sido pega falando aquelas coisas antes, porque Marlene não costumava recuar neste tipo de assunto.

- Ah é, Potter? E como você teria tal informação sobre o quarto de Lily? Experiência própria?

Ali estava Marlene de volta.

- Lily não te contou? - James perguntou. A ruiva sentia, agora, que aquilo iria virar contra ela. - Uma pena. Tantas coisas que foram descobertas entre essas paredes. - James sorriu e pegou seu caminho para o quadro, antes de se virar para Lily. - Tenho ronda agora e acho que te verei apenas amanhã.

Aquele "amanhã" estava com tanta coisa implícita, que ela segurou-se para não sorrir.

- Sim, claro. Boa ronda.

- Obrigado. - Ele olhou para as duas grifinórias que os assistiam. Ele parecia pensar se valia a pena dizer a próxima frase. Pelo visto, ele decidiu que valia. - Espero você aqui amanhã.

- Ok. - Ela respondeu, sorrindo.

- Não muito cedo, Potter. Deixe a minha amiga se arrumar.

O que Marlene ainda fazia ali, diabos? Lily lançou um olhar carregado de raiva para a amiga, que ignorou como sempre fazia.

- Ah, estarei aqui o mais cedo possível, apenas no caso dela decidir tentar escapar. - Ele respondeu, piscando para a ruiva.

- Durma no sofá, então. Assim garantirá não perdê-la de vista. - Marlene continuou. Lily sorria, mas todos sabiam que era de ouro ódio.

- Boa ideia, McKinnon. Talvez eu faça isso. - James acenou para elas. - Boa noite, garotas.

- Boa noite, capitão. - Marlene acenou de volta, enquanto Alice desejava boa noite de volta e Lily apenas queria apagar aquela conversa toda.

Marlene começou a tirar os pergaminhos e livros da bolsa, jogando de volta na mesa de centro.

- A tinta não tinha secado ainda. - Alice choramingou ao ver boa parte de sua dissertação toda borrada.

- Eu conserto isso para você mais tarde. - Marlene resmungou de volta.

- O quanto vocês acham que ele ouviu das suas histórias estapafúrdias? - Lily perguntou enquanto olhava para o quadro, por onde James havia saído.

- Pelo nosso bem, esperamos que apenas o final. Você não disse que ele estava aqui. - A amiga criativa demais com sua vida amorosa a acusou.

- Eu não sabia que ele estava. Não tinha um mínimo barulho vindo do quarto dele.

- A não ser que ele tenha se desiludido enquanto estávamos aqui e passou por nós. Sabemos que os Marotos são bons nesse feitiço, considerando o aniversário de Sirius.

A capa de invisibilidade!

Lily bateu com a mão na testa, entendendo tudo. Tinha certeza que ele não estava ali quando chegaram, então ele só pôde ter entrado embaixo da capa.

Mas que safado. Entrou ali sem querer ser visto, por quê?

Aliás, ela estava mesmo se perguntando isso? James ainda era James Potter, o maroto. Duvidava que ele estava invadindo a privacidade delas, então tinha a sensação que ele entrou ali com algo que ninguém deveria ver.

Para o alívio geral, elas comentaram sobre ele apenas no final. Então tudo deveria estar ok.

As meninas foram embora apenas duas horas depois, depois de deixarem de lado as lições e decidirem apenas conversar e beber, com a promessa de Marlene de que iria arrumar a dissertação de ambas que ficaram borradas após a amiga as recolher e colocar dentro da bolsa. Frank veio buscá-las, não querendo que ficassem andando pelos corredores sozinhas, então ficou tranquila ao vê-las partirem com ele.

Subiu para o seu quarto já cansada. Ou ainda cansada. Foram três semanas pesadas desde o aniversário de Sirius e o jogo de Quadribol. James, para tirar um pouco o peso dos ombros de todos os seus monitorados em duelo, criou duelos entre os alunos da Grifinória para treiná-los sobre tudo o que aprenderam até o momento. Amélia Bones aceitou a oferta de primeira, temendo que seus alunos também estivessem sobrecarregados das aulas, assim tiveram duelos atrás de duelos. Lily adorava cada dia que podia botar tudo em prática com pessoas de verdade, recebendo dicas e ajustes do seu monitor quando precisava.

Sentia que estava tão pronta para o mundo lá fora agora, para duelos, para se defender ou atacar, para estar na linha de frente. Menos para o dia seguinte. Era muito bobo da sua parte separar a roupa que usaria no dia seguinte por estar ansiosa?

Lily não tinha a resposta para aquela pergunta, mas achou que não importava, fazendo mesmo assim. Aliás, James estava certo: após semanas de chuva e até um pouco de neve derretida, o tempo limpou. Aquele sábado à noite estava bem estrelado, mostrando que o dia seguinte seria de um céu azul e perfeito para uma visita à Hogsmeade. E um pôr do sol.

Então separou seu vestido de mangas compridas, simples, mas bonito. Nada que gritaria que estava desesperada para ficar bonita para o encontro. Suas meias calças ⅞ e suas botas baixas já estavam separadas, enquanto ela ignorava o pequeno monte que formou em cima da cadeira com roupas que ela havia descartado. Tudo bem, ela teria tempo de arrumar depois.

Dando uma olhada ao redor, percebeu que estaria pronta rapidamente na manhã seguinte, então podia ir dormir, já que era quase meia noite.

James não deveria demorar muito mais para chegar, suas amigas estavam espalhadas pelo castelo, provavelmente aproveitando o fim daquela noite. Pelo menos era certeza da parte de Alice, já Marlene era um pouco delicado. Depois do jogo da Grifinória alguns fins de semana passados, onde a amiga terminou nos braços de Sirius novamente, nada mais aconteceu entre eles. Marlene dizia que o maroto era "deliciosamente bom", mas tinha certeza que o lance entre eles era físico. Lily sentia que a amiga estava chateada há um tempo já, sendo acertada tardiamente pelo fim do namoro com Fabian, então dificilmente teria qualquer coisa a mais com outra pessoa naquele momento, sendo ele Sirius Black ou não. Sendo ele deliciosamente bom ou não.

Entrou embaixo das cobertas e se aconchegou, quase ronronando como um gato com o calor e conforto de sua cama...

...até uma espécie de sino tocar no andar debaixo. Era a maldita sineta para alguém que quisesse chamar os Monitores-Chefes.

- Inferno! - Ela jogou a coberta para o lado, abriu a porta do quarto e desceu as escadas batendo os pés. Francamente, poderia ser mais inconveniente? Era sábado à noite, antes de uma visita à Hogsmeade. Uma pobre estudante não poderia ter uma boa noite de sono? Abriu o quadro ainda em seus pijamas e seus olhos quase pularam para fora. - Snape?

O sonserino tinha uma montanha de pergaminho em seus braços, além de mais alguns flutuando ao redor.

- Eu poderia entrar, Monitora-Chefe?

Entrar? Ali? Diabos, era o seu dormitório. Não só dela, mas enfim.

Bom, eles estavam na pequena sala comunal deles, então talvez não houvesse tanto problema.

- Por favor. - Ela deu espaço para ele passar.

Rapidamente, ele largou todos os pergaminhos em cima de uma mesa - que era a de James e não a sua -, antes de se virar para ela e arrumar a veste com o nariz levemente empinado, como se não estivesse nem um pouco feliz em estar ali.

Querido, o sentimento é mútuo.

- Sei que está tarde, mas eu não tive escolha. - Ele começou. Lily achava que ele tinha escolha, sim, mas não quis fazer aquilo mais longo do que deveria ser.

- O que são esses pergaminhos?

- Relatórios. McGonagall me pediu para que fossem feitos esta semana e serem entregues amanhã, sem falta. É de extrema importância para a monitoria.

- Certo. - ela cruzou os braços. - Ela pediu para que um dos Monitores-Chefes entregasse?

- Não, realmente. Pediu para que os relatórios fossem revisados pela Monitora-Chefe antes de serem entregues para ela.

Lily descruzou os braços e levantou as mãos, rindo ironicamente.

- Espere, espere. Eu não estou sabendo de nada disso.

- Ela deve ter esquecido de avisar. De qualquer maneira, eu consegui terminá-los hoje, então você terá tempo o suficiente para revisar antes de entregá-los amanhã à tarde.

- Amanhã é visita à Hogsmeade. Monitores-Chefes devem estar lá.

- Não os dois. Potter pode assegurar essa mínima tarefa, eu imagino.

Como ela, um dia, gostou da maneira que Severus falava das outras pessoas? Usando aquele escárnio todo, sendo tão maldoso sempre.

- Eu garanto que James Potter pode assegurar muitas coisas. - A frase escapou de sua boca. Não sabia se era verdade, mas tinha a impressão de que não estava errada.

- Você saberia, não é? - Severus também pareceu deixar escapar.

Preferindo ignorar aquele embate que parecia começar, ela meneou a cabeça, tentando se livrar das palavras nervosas que surgiam em sua mente agora.

- Eu sugiro que pegue seus pergaminhos e leve para McGonagall amanhã cedo, avisando que ou você mesmo fará a revisão deles ou que os Monitores-Chefes tenham mais tempo para isso.

- Eu sinto não poder, já que a tarefa estava explícita para ser feita por mim e por você, para amanhã. - Ele olhou sem emoção em cima da mesa. - A minha parte está feita, então...- Ele deixou a frase morrer.

MALDIÇÃO!

Fechou os olhos e tentou se acalmar. Ou talvez acordar daquele pesadelo, porque era só o que podia ser.

- Na próxima vez que receber uma tarefa onde inclui uma outra pessoa, eu agradeceria uma reunião de estratégia. Ter agido dessa maneira foi irresponsável, desrespeitoso e imaturo, monitor Snape, e, como Monitora-Chefe, não tolerarei esse comportamento novamente. Estamos claros?

Severus não parecia nem um pouco abalado pela bronca. Na verdade, ele parecia feliz.

Maldição duas vezes!

- Boa noite, Monitora-Chefe.

- Antes de partir, leve esses pergaminhos para a sala dos monitores. Eu os revisarei amanhã sem falta. - Sem reclamar, o sonserino recolheu os pergaminhos. - Para quem gostava de destilar seu veneno contra os marotos e suas brincadeiras impensáveis e irresponsáveis, você pareceu aprender muito bem como imitar as ações que repudiava.

Sem mais, ela fechou o quadro em sua cara, esperando ter acertado seu grande nariz intrometido e enervante.

L~J

No dia seguinte, aquela montanha de pergaminhos a engolia de cima de sua mesa na sala dos monitores. Talvez o sono e o cansaço de ontem a noite não deram uma boa ideia da quantidade, porque era enorme, simplesmente enorme aquela montanha. Apenas olhá-los já ficava cansada. Por que ela não foi direto até McGonagall sobre aquilo? Pelo o que via, não eram relatórios tão importantes ou urgentes.

Nunca deixou as coisas para última hora, nunca trabalhou assim, e saber que tinha tudo aquilo para fazer em poucas horas lhe dava náusea. E o pior: iria perder o passeio de Hogsmeade para trabalhar. O passeio com James, quando ele finalmente a convidou, além de ser o segundo passeio que perdia naquele trimestre e estava bem descontente.

Bem descontente.

- Eu deveria ter dormido no sofá. O que é isso? - Uma voz incrédula foi ouvida da entrada da sala dos monitores. - Não. Você não está trabalhando hoje. - James continuou, cruzando os braços. Em uma das mãos, ela viu que ele segurava o pergaminho que ela deixou em cima de sua mesa naquela manhã avisando que teriam que cancelar a visita.

- Sim, estou. - Ela respondeu e se sentou na grande mesa. - Preciso terminar hoje.

- Mas... hoje é visita à Hogsmeade, Lily. - Os olhos dele estavam para baixo, assim como o conto de suas bocas. - Digo, você não pode perder a segunda visita.

- Eu sinto muito, James, mas não só posso, como irei. - Ela deixava bem claro em seu tom de voz que estava tão triste quanto ele. - O pôr do sol terá que ficar para depois e eu terei que perder a segunda visita.

- Não irá. - O maroto respirou fundo. - Você vai e eu lido com isso, então. - James se aproximou e jogou seu casaco em uma poltrona, vindo em sua direção e arregaçando as mangas.

- De jeito nenhum. James, você não tem tempo para nada ultimamente, quase não vê os marotos, não se diverte...

- Eu me divirto. - ele respondeu olhando-a firmemente.

- Você tem muito nas costas e eu não vou aceitar que fique trancado no castelo para trabalhar.

- Então trabalharemos juntos. - Ele sentou e pegou um dos pergaminhos. Lily foi até ele e tirou o pergaminho de sua mão.

- Um Monitor-Chefe deve estar em Hogsmeade durante a visita. Você tem que ir.

- Lily! - Ele a repreendeu, enquanto levantava.

- James! - Ela fez de volta.

Eles se olharam por um longo tempo antes de caírem na risada.

- Você não foi na primeira visita, eu não a vejo se divertir também...precisa sair daqui, mudar de ar. - Ele sentou na ponta da mesa dela. - Venha para Hogsmeade. Eu te ajudo a terminar mais tarde.

- Você não vai tocar nesses pergaminhos, James Potter. Você finalmente tem um fim de semana mais tranquilo desde que começamos Hogwarts. Vá, me faça esse favor. Além do mais, eu tenho que entregar antes do fim da tarde.

James se levantou, bem contrariado, mas não se afastou. Ele apoiou a mão e fez alguns desenhos no tampo da mesa com o dedo, parecendo pensar.

- Eu gostaria que você viesse hoje... - ele disse, levantando o olhar para ela. - Comigo.

Seu coração começou a acelerar e, antes mesmo de pensar, ela deixou escapulir:

- E eu gostaria de poder ir com você.

Ele deu um meio sorriso triste, quebrando o coração dela, mais do que já estava quebrado. Lily olhou para aqueles malditos pergaminhos e depois para ele, se xingando em deixar aquilo lhe atrapalhar.

O que ela estava fazendo? Por que ela teria que se privar completamente da visita por conta de um monitor irresponsável? Não deveria!

- Olha...está cedo ainda. Sem interrupções, eu talvez acabe cedo. Eu posso tentar vir quando eu terminar tudo isso.

O sorriso que James abriu era indescritível.

- Ok. Espere aqui, eu já volto.

O maroto saiu apressado da sala. Sem entender, Lily decidiu começar logo a lidar com aquilo, enquanto preparava um chá para escapar de descer até o salão principal para o café da manhã e perder mais tempo. Quase dez minutos se passaram quando James voltou.

- Bom...- ele se aproximou e colocou a sua capa de invisibilidade na mesa. Não continuou a frase, apenas pegou um pergaminho em branco e começou a desenhar e escrever algumas coisas. Lily continuou o seu trabalho enquanto isso. - Eu não estou com o mapa, então o meu desenho vai ter que ser o suficiente. - Terminando, ele jogou a pena para o lado e levantou o pergaminho para ela. - Esse é o melhor e mais seguro caminho para Hogsmeade. Sabe a estátua da bruxa corcunda perto da nossa sala de monitoria de duelos? Você aponta sua varinha para a estátua e diga "Dissendium". - James entregou o pergaminho e Lily conferiu um pequeno mapa, com alguns detalhes no caminho da estátua até a saída.

- Por que eu deveria pegar uma passagem ao invés de apenas caminhar até lá?

- Porque você estará sozinha e eu não acho uma boa idea.

Lily freou a vontade de revirar os olhos, mas sabia que ele fazia isso pensando no seu bem.

- Onde eu vou parar com essa passagem?

- No porão da Honeydukes. - James se virou para trás e pegou a capa, entregando para ela. - Por isso, vai precisar dessa belezinha aqui.

Lily abriu a boca, surpresa.

- Você vai me emprestar a sua capa de invisibilidade?

- Sim. Por que a surpresa? - ele respondeu.

- Isso é muito raro. E se eu perder?

- Você não vai perder a capa, Lily.

- Mas e se eu estragá-la?

- Você não vai estragar. Ela esteve nas minhas mãos desde os meus onze anos, cobrindo mais três caras debaixo, e ainda está inteira. Se não tem pessoa melhor para confiar a minha capa do que você, eu não sei quem seria.

Lily passou a mão pelo tecido da capa, tendo aquela sensação engraçada novamente de tentar pegar água e não conseguir. James estava dando a alternativa para que aquele encontro ainda acontecesse e ela não poderia jogá-la fora. Olhou da capa para os pergaminhos, depois para ele.

- Certo, eu vou terminar isso o mais rápido possível.

- E eu vou estar te esperando.

Seu coração caiu de seu peito e acertou o chão agora.

- Eu não posso prometer que será cedo, James.

- Eu, ainda sim, estarei te esperando. - O maroto piscou para ela. - Você não virá tomar café da manhã? - Ele disse apontando com o queixo a xícara de chá que ela havia se servido.

- Não, eu quero atacar logo tudo isso.

James foi até o pequeno local onde havia os chás e os biscoitos de mel, trazendo alguns pacotes para ela.

- Então aproveite e trabalhe.

- Obrigada.

Indo até a saída, James parou na porta.

- Até mais tarde, Lils.

- Até mais tarde, James.

- Não esqueça: capa, estátua da bruxa corcunda, Dissendium, porão da Honeydukes e James Potter te esperando.

Lily sorriu, tendo um sorriso torto dele de volta antes que ele saísse.

Por Merlin, agora ela tinha que terminar aqueles pergaminhos em tempo recorde.

E ela, brilhantemente, fez. Não sabia como conseguira aquele feito, talvez com uma combinação de empenho, vontade e sem interrupções. Não queria pensar naqueles poucos pergaminhos que ela deixou passar batido, achando completamente desnecessário conferir, fazendo-a ir ainda mais rápido. Todos os monitores deviam estar em Hogsmeade, assim como suas amigas, os marotos e James. Então ninguém entrou naquela sala, deixando Lily livre para mergulhar no trabalho, sem pausa e acabar tudo em quatro horas.

O relógio mostrava que não estava muito longe das 13h e podia ainda aproveitar Hogsmeade por um tempo.

Com James.

Correu até o seu quarto e se trocou, colocando a roupa que havia separado na noite anterior. Pegou a capa de James e foi até o terceiro andar e a estátua da bruxa corcunda. Olhou para os lados e percebeu que estava tudo calmo e vazio.

- Dissendium!

A estátua se moveu e a entrada ficou livre. Assim que passou, a estátua se fechou. Estava bem escuro e ela acendeu a varinha para iluminar o caminho que acabou virando uma caminhada razoavelmente longa. Quando começou a ouvir as conversas e passos do porão da Honeydukes, conferiu o relógio: uma hora de caminhada. Não era à toa que estava cansada. Desembrulhou a capa de James e jogou sobre si. Ah Merlin, o cheiro dele naquela capa...

Esperou que algum funcionário saísse do porão e abriu a portinhola, saindo rapidamente. Conferindo se a capa a cobria por completo, ela subiu as escadas calmamente e saiu para a loja. Foi difícil desviar dos funcionários por trás do balcão e dos alunos afobados na fila, mas conseguiu sair da loja. Usar uma capa de invisibilidade era muito legal, mas ninguém parava para pensar que você tinha que se acostumar com o fato de ninguém te ver e que você tinha que agir como se não estivesse por ali, desviando de coisas e evitando que as pessoas trombassem com algo que não deveria estar lá.

Foi até uma travessa ao lado da loja e após perceber que ninguém parecia prestar atenção no lugar, ela tirou a capa. Dobrou-a com cuidado e zelo, segurando-a contra si e voltou para a rua principal do vilarejo. Agora, tinha que achá-lo

- Oi, Monitora-Chefe. -. Alguns alunos a cumprimentaram.

- Olá. - respondeu animada.

Seus passos pararam quando o viu. Perto da Zonko's, conversando com Amélia Bones. A grifinória não ria, mas gargalhava com muita vontade. Era aquele tipo de gargalhada contagiante, que faria qualquer um acompanhá-la.

Talvez uma outra vez para Lily, porque ela não sentia vontade de gargalhar com Amélia naquele momento. Já o maroto sim. E o que mais doeu foi o fato de perceber que James nunca havia rido com Lily daquela forma. E saber que os dois combinavam tanto, era ainda pior.

Suas mãos apertaram com força a capa.

De repente, talvez sentindo que alguém os observava, James se virou e seus olhares se encontraram. Ele parou de gargalhar, mas apenas para abrir um sorriso para ela, seus olhos bem abertos como se sorrissem também.

Ele disse algo para Amélia, sem nem olhá-la, e veio em direção a Lily. O maroto ainda trombou com alguns terceiranistas por não prestar atenção por onde andava, pois seus olhos estavam exclusivamente nela.

- Você conseguiu! - ele disse.

- Sim.

- A minha espera valeu a pena.

Lily olhou disfarçadamente para onde ele estava antes, onde Amélia conversava com outras pessoas agora. James não perdeu o olhar dela.

- Amélia me viu parado ali por muito tempo e veio conversar comigo. Estávamos falando sobre um dos alunos que ela monitora. - ele disse.

- Você não precisa se explicar, James. - Ela sorriu um pouco sem graça.

- Eu não quero que você entenda algo errado sobre o que viu.

- Eu gosto da Amélia. Ela é muito gentil...e bonita.

- Sim, ela é. Uma ótima colega também.

Os olhos verdes desviaram para qualquer outro lugar, não querendo encará-lo agora. A felicidade de estar ali e de saber que ele esperava por ela, estava em um grande conflito com o ciúmes. E não queria, em hipótese alguma, parecer uma louca ciumenta.

- Sua capa. - Ela levantou a capa em sua direção. - Obrigada.

- Quando quiser. - Ele respondeu pegando o objeto, a voz um pouco menos feliz do que antes. - Lily!

- Hm?

- Eu estou absurdamente feliz que conseguiu vir e eu gostaria muito de aproveitar essa tarde. - Ele se aproximou. - Se eu quisesse aproveitar Hogsmeade com qualquer outra pessoa, eu não teria insistido tanto para que você viesse e eu não ficaria horas naquele mesmo lugar, esperando por você. - Ele sorriu. - Eu nunca deixaria essa oportunidade passar depois de tanto tempo tentando.

Uma pequena risada sem graça escapou de Lily.

- Então aquela conversa de manhã não foi muito uma preocupação por eu não me divertir.

- Eu, de fato, quero que você se divirta mais e trabalhe menos. Mas no momento em que você aceitou o meu convite, eu não poderia ficar sem lutar por conta de uns pergaminhos velhos e idiotas.

- Bem...- Ela deu de ombros. - Eu não vejo problema caso você tenha insistido apenas pela minha companhia.

Lily nunca poderia explicar a expressão que viu no rosto de James naquele momento. Talvez fosse muito mais difícil dele acreditar que ela havia aceito um pedido para ir a Hogsmeade do que ela mesma aceitar que havia dito sim.

E, honestamente, aceitar aquele pedido havia lhe feito um bem danado.

- Você já almoçou? - Ela perguntou. James pareceu voltar a si.

- Não. Eu creio que você também não?! - Ela negou com a cabeça. - A vantagem de almoçarmos agora é que estará mais vazio. Três Vassouras? - Ele ofereceu. Por favor, não Madame Pudifoot.

Ele odiaria aquele maldito clichê com ela. Aquele ar forçado de romance não ajudaria em nada e James costumava sentir-se bem desconfortável, pois nada parecia acontecer naturalmente: os toques de mãos, as conversas, os beijos. Você passava por aquela porta e parecia que todo o seu encontro estava em um roteiro e se você não o seguisse, você era julgado e vaiado por todos em sua volta.

Porém, se fosse o lugar que Lily gostaria de ir, ele não seria louco em dizer não.

- Com certeza Três Vassouras. - Ela respondeu.

Oh Merlin, obrigado.

Ele apontou o caminho e eles começaram a andar pelas pequenas e estreitas ruas de Hogsmeade, que agora estavam apinhadas de alunos bem alimentados e com a energia renovada.

- Você realmente esperou bastante? - Ela perguntou.

- Pela manhã, eu aproveitei um pouco, já que eu sabia que você não chegaria tão cedo. Refiz meu estoque por aqui e ali, fiquei com os caras e dei um puxão de orelha em um aluno ou outro. Só depois fiquei estacionado, mas não foi tão chato. Ninguém estava entendendo o que o Monitor-Chefe estava fazendo ali, então várias pessoas paravam para conversar.

- Então você trabalhou um pouco.

- Bem pouco. - Ele riu sem vergonha alguma.

- Bom saber que eu não fui a única a trabalhar hoje. - Ela riu um pouco. - E obrigada por ter me feito vir. Apesar de considerarmos um convite, foi também um puxão de orelha.

James abriu a porta do Três Vassouras e indicou que ela passasse primeiro.

- Aceito seu agradecimento se me deixar pagar o seu almoço. - Disse quando ela passava por ele e entrava.

- Se você me deixar pagar sua bebida. - Ela retrucou.

- Que tal um doce da Honeydukes mais tarde? Ao meu ver, as bebidas estão inclusas no almoço.

- Não deveriam.

- A vida é injusta, Lily Evans, mas às vezes é inútil lutar contra.

Acharam uma mesa mais ao canto, longe da janela e da porta. Era perfeito: sem distrações e menos barulho.

- Certo. Combinado. - Lily dizia enquanto se sentava, tendo James sentando-se em sua frente.

- Você quer começar com as bebidas? - Ele perguntou.

- Claro. A não ser que esteja com fome.

- Comi alguns sapos de chocolate há uma hora, então eu posso esperar enquanto bebo uma cerveja amanteigada.

James fez sinal para Rosmerta, que conversava com um grupo de adultos bizarros na outra mesa.

- Olá, Potter. - Rosmerta sorriu e se virou para Lily. - Olá, querida. Oh! Uma mesa de Monitores-Chefes. - Ela apontou para ambos os distintivos. - Estão tendo uma reunião?

- Na verdade, não. - James limpou a garganta e sorriu para a ruiva à sua frente. - Duas cervejas amanteigadas, por favor.

Viu o sorrisinho de Rosmerta enquanto anotava os pedidos. Que diabos essa mulher estava pensando?

- Pretendem almoçar?

- Qual seria a sua sugestão do dia? - James perguntou de volta.

- O lombo está especialmente delicioso hoje. - Rosmerta respondeu. - Com as batatas assadas da família, ainda melhor. Também temos a torta de carne que está uma maravilha.

James se virou para Lily, querendo saber sua opinião.

- Torta de carne me soa bem. É sempre deliciosa. - Ela respondeu.

- Duas, por favor. - James pediu. - Mas podemos ir com as cervejas amanteigadas primeiro.

- Saindo duas cervejas.

Rosmerta se afastou com o mesmo sorrisinho do começo e Lily a seguiu com o olhar. Qual era a dessa mulher?

- Por que ela sorria daquele jeito? - Resolveu perguntar.

- Você também percebeu? - James riu enquanto lançava um olhar para a atendente que preparava suas bebidas. - Acho que ela pensa ser engraçado eu estar em um encontro.

Aquilo era uma brincadeira?

- Ela era cega até alguns meses atrás? Eu já te vi em alguns encontros por Hogsmeade.

- Não em muitos, eu garanto. Eu devo ter saído com três garotas aqui, no máximo.

- E ela estava de folga nesses dias? - Lily perguntou ironicamente.

James olhou para os lados e se remexeu na cadeira rapidamente. Era tão incrível como ele era expressivo e, de certa forma, aberto em relação ao que sentia. Ou talvez...talvez ela apenas conhecia James agora, podendo ler suas emoções com pequenos gestos.

- Eu nunca almocei durante encontros. - Ele, finalmente, respondeu. Lily o encarou por alguns segundos.

- Você nunca veio no Três Vassouras com alguém? Nem foi em algum lugar para beber?

- Argh. - Ele se remexeu novamente. - Já tomei chá.

Deixando a informação indireta cair, Lily abriu um sorriso, muito parecido com o de Rosmerta alguns segundos antes.

Por falar nela...

- Aqui suas cervejas. - A atendente depositou as canecas cheias. - Trago o almoço em alguns minutos.

- Obrigada. - Lily agradeceu, o sorrisinho sarcástico ainda presente. James apenas assentiu em agradecimento.

Rosmerta se afastou. James olhava para a mesa, brincando com as gotas de sua caneca enquanto esperava algum comentário, o que não demorou. Levantou os olhos quando Lily começou a rir.

- Você ia em encontros na Madame Pudifoot? - Ela perguntou tentando segurar o riso. - James Potter, o maroto, na Madame...- Voltou a rir.

- Ria, Lily Evans, ria. Isso é o preço a se pagar quando queremos dar uma boa experiência para alguém e perguntamos o que a pessoa quer fazer.

- Podemos ver que essas garotas não se importavam muito com a sua experiência. A não ser que você gostasse. - A frase saiu com um tom de pergunta.

- Gostava tanto quanto gostaria que cortassem as min...

Ele parou abruptamente sua frase. Pelo amor de Merlin, sentia-se tão à vontade com Lily, que às vezes esquecia que não estava com um dos marotos. Quase soltou uma típica frase de Sirius em um encontro com ela...o que ele tinha na cabeça?

Limpou a garganta.

- Enfim, isso não se repetirá. - Finalizou.

- Os encontros na Madame Puddifoot ou você falar sobre cortar as suas partes baixas fora? - Lily perguntou enquanto apoiava um cotovelo na mesa e seu queixo nas mãos, em uma falsa admiração, porém, bem humorada.

Não era fácil fazer James corar. Já corou uma ou outra vez na frente dela nesses últimos tempos, e na boa parte do tempo era Lily deixando-o desarmado daquele jeito.

- Nenhum me soa bom. - Ele respondeu, mas não comentou que falava sobre ir no Madame Pudifoot, pois parecia que ela não gostava...

...e que, depois de hoje, esperava não haver nenhuma outra garota em seu futuro em Hogsmeade, além dela.

- Fico feliz por ser a primeira no Três Vassouras com você. - Lily comentou, parecendo vir ao seu resgate. - Já estava na hora de levá-lo para algum lugar pela primeira vez. Ultimamente, tem sido apenas o contrário.

Os lugares que ela o levava pela primeira vez na sua mente...

- Estou aberto para ser surpreendido mais vezes. - James levantou seu caneco, fazendo Lily o imitar. - Às próximas surpresas.

- Às próximas surpresas! - Ela sorriu e brindaram, tomando um gole cada em sua cerveja.

- Por falar em surpresas...- James colocou seu caneco de volta. - O que foi isso essa manhã? Esses montes de pergaminhos?

Lily revirou os olhos.

- Um monitor apareceu meia-noite com aquilo, dizendo que McGonagall queria que eu revisasse seu trabalho e entregasse hoje. Sem falta.

- Um monitor?

- Sim. Então me vi presa nisso. Eu te esperei voltar da ronda para avisar, mas acabei dormindo.

- Ontem, encontramos dois alunos saindo para os jardins e tivemos que reportar diretamente. Perdi meia hora apenas no relatório, porque os dois não estavam colaborando. - James reclamou, mas abanou a mão, como quisesse se livrar daquilo. - Mas você disse um monitor?

- Sim.

- Quem?

- Isso importa? - Ela riu levemente.

- Importa. Porque um monitor te pedir isso um dia antes, quase meia-noite, é bizarro. Além de irresponsável. Você contou como se não soubesse dessa tarefa.

- E eu não sabia, o que foi pior. Eu poderia ter me planejado melhor.

- Quem era o monitor? - Ele insistiu.

- James, já passou. Eu disse que não aceitaria isso mais, assim como quão irresponsável foi. Acredite, eu deixei claro a minha frustração.

James se recostou na cadeira e a observou por alguns segundos. Lily o encarou de volta.

- Foi Snape! - Ele apontou.

- Por que você acharia isso?

- Não haveria idiota o suficiente para fazer isso com você, além dele. Não um dia antes de uma visita à Hogsmeade onde iríamos juntos.

- Eu não creio que ele soubesse que viríamos juntos.

Isso era verdade. Ninguém, além dos amigos próximos, sabiam disso. James e Lily sabiam que ninguém saiu espalhando, mesmo sabendo que todos adorariam.

Se o castelo soubesse, haveria muita falação e não ocorreram fofocas, olhares e risadinhas desde o pedido de James.

- Mas você confirma que foi ele.

- Eu não estou confirmando nada. - A ruiva ocupou-se com sua cerveja e parou de beber quando viu um pequeno sorriso dele. - O que foi?

James se desencostou e esticou-se na mesa, se aproximando dela.

- Sabe, quando começamos esse último ano, durante uma conversa nossa, eu não consegui ler exatamente a Lily Evans na minha frente. Mas quase três meses inteiros convivendo em uma base diária, eu consigo ler você inteira. - Lily engoliu com dificuldade, sem conseguir desviar os olhos dele. - Talvez não inteira, mas 90% de você.

Esse cara na sua frente estava pedindo para ser beijado. E que se danasse que podia ser muito cedo ou que estavam na presença de clientes e alunos, ela queria puxá-lo pelo colarinho por cima da mesa e ...

- Trouxe o almoço um pouco mais cedo, pois está no ponto. - Rosmerta cortou os pensamentos indelicados de Lily e obrigou os dois estudantes a darem espaços para os pratos.

- Obrigado. - James agradeceu um pouco contrariado. - Adoro quando você é proativa no seu trabalho.

Lily conseguia identificar o tom irônico que ele usava, mas não acreditava que a atendente percebia.

- Por isso somos os melhores em Hogsmeade, querido. - Ela sorriu para ele e saiu. Eles a acompanharam por alguns segundos, antes de encararem seus pratos.

- Bom apetite. - Ela deu de ombros e pegou seus talheres.

- Bom apetite. - James respondeu.

Os dois tomaram seu tempo para experimentar seus pratos e comentarem amenidades. Lily pensou que, definitivamente, teria que usar o seu feitiço para lavar os dentes, porque a comida era deliciosa, mas bem temperada.

- Qual dos assuntos você gostaria de falar agora? - James perguntou, fazendo a ruiva franzir as sobrancelhas.

- Como assim? - Ela bebeu de sua cerveja.

- Parece que temos alguns temas para abordar. Prefere que falemos sobre quantos filhos, quando casamos ou se moramos em Londres ou outra propriedade?

Lily cuspiu toda a cerveja que tinha na boca. Para a sorte de ambos, não foi nele. Seu rosto pegava fogo enquanto James ria absurdamente em sua frente.

Merlin, ela queria morrer. Ele, de fato, ouviu as besteiras de Marlene desde o começo. E, para piorar, ela cuspiu e babou cerveja na frente dele durante um encontro. Queria aparatar para o outro lado do mundo...não antes de matar a amiga, mas logo depois.

- Socorro! - Ela murmurou enquanto pegava um guardanapo e limpou a boca e seu queixo. James, ainda rindo, ajudou a limpar a mesa.

- Imagine se estivéssemos na Madame Puddifoot. Ela te mataria por arruinar a mesa cheia de frufru.

- James, eu acho que esse encontro acabou. - Lily cobriu o rosto, morrendo de vergonha, mas James segurou seu braço, sem parar de rir, e abaixou suas mãos.

- De jeito nenhum. - Ele disse, tentando parar. Respirou fundo algumas vezes, tentando se recuperar. - Eu parei de rir, eu prometo.

Que horror, que show de horror. Deveria ter ficado no castelo, entulhada de pergaminho da monitoria. Iria se divorciar de Marlene, aquilo era certo. Acabou a amizade, chega. Se a amiga chegasse perto dela, iria correr na outra direção.

Teria que se vingar.

- A sua cara de ódio é a melhor. - James não ria mais, mas tinha um sorriso bem brincalhão.

- Eu vou me divorciar de você também. - Comentou. - Você e Marlene se merecem.

- Ahm, ela não é muito o meu tipo, apesar de gostar bastante dela.

- Repense o seu gosto, Potter. Você está perdendo o amor da sua vida, sua alma gêmea.

Foi a vez dele quase cuspir sua bebida, mas ele conseguiu se controlar. Engoliu com esforço e tossiu de leve.

James não respondeu de imediato e ficou pensativo. Lily estranhou aquela mudança súbita, já que ele parecia estar se divertindo com tudo aquilo, assim como ela. Apesar dela estar constrangida com a coisa toda sobre as besteiras de Marlene.

- Você acredita nessas coisas? - Ele, finalmente, perguntou.

- Ser o amor da vida de alguém?

- Isso. Almas gêmeas e essas coisas.

- Basta olhar para você e Sirius para dizer que sim. - Ela riu um pouco e bebeu o último gole da sua cerveja. Neste meio tempo, James continuou em silêncio. Não parecia que ele falava sobre aquilo como uma piada. - Você...ahm...acredita?

O maroto deu de ombros, sem olhá-la, parecendo se interessar mais pelo salão e a clientela. Aquilo era bizarro, o que deu nele?

- O mundo bruxo tem dessas coisas. - De repente, ele começou a falar. - Acho que você não deve ter visto sobre isso, eu creio.

- Acho que não profundamente, mas uma vez, eu li algo sobre almas gêmeas e Amortentia.

- Sério? - Os olhos dele voltaram para ela, curiosos. - O que tem a poção do amor com almas gêmeas?

- Soube que, às vezes, aquela coisa do odor não funciona. - A ruiva viu a expressão confusa dele. - Mas estamos falando de almas gêmeas e não de pessoas que apenas se amam. Se é que me entende.

- Sim, entendo. Por favor, continue.

- Bom, às vezes não funciona quando eles estão na mesma sala, respirando do mesmo caldeirão. Às vezes, a pessoa pode sentir o odor do que a outra mais odeia. Tem vários relatos assim, como se a poção quebrasse para eles, porque o que os ligam vai além do amor. - Lily ficou um pouco tímida com a intensidade do olhar dele. - Mas, também, pode funcionar perfeitamente. Ninguém pôde, realmente, chegar a uma boa conclusão, mas há algo entre Amortentia e as ditas almas gêmeas.

- E era confirmado que os casais eram almas gêmeas? Esses que tiveram esses resultados bizarros?

- Aparentemente sim. - Ela pareceu em dúvida. - Eu li sobre isso há alguns anos, já. Eu não me recordo de tudo.

James se deixou cair para trás na cadeira e sua mente pegou uma vassoura e voou dali. Lily não sabia o que acontecia com ele e nem imaginava que ele tinha aquela curiosidade e interesse sobre o assunto. Como nascida trouxa, era difícil para Lily acreditar em algo assim. Mas, qual é, ela era uma bruxa, algo que não imaginava antes. Algo que a maioria dos trouxas não conheciam. Almas gêmeas pareciam tão críveis quanto qualquer outra coisa agora.

- Conhece algum casal que seja alma gêmea? - Lily perguntou.

- Hmm! - James levou seu tempo tomando um pouco de sua cerveja. - Não saberia dizer.

Lily fez uma careta confusa.

- Se importa em explicar? - Ela sorriu.

- Nem um pouco, erm...não sei, talvez eu conheça, mas como confirmar isso, não é? Difícil apontar para alguém e dizer apenas que há amor ou que há algo além disso. Eu li um pouco sobre o assunto uns tempos atrás e há muitas coisas interessantes sobre, além de muitas vertentes.

- Como o quê?

- Tantas coisas. - Ele riu um pouco sem graça e se ajeitou na cadeira.

Lily levantou uma sobrancelha, completamente intrigada pela reação dele e por suas frases sem sentido. Ele parecia desconfortável, mas não foi ela quem começou a conversa sobre acreditar ou não sobre almas gêmeas. Ela apenas fez uma piada e ele aproveitou o gancho.

E agora ele fica sem graça?

- Deixamos para lá esse assunto.

- Não, não. Desculpe, eu apenas me perdi nas explicações. - James, rapidamente, pareceu tentar se concentrar. - Almas gêmeas nada mais são do que um par de pessoas que são colocadas nesse mundo para se encontrarem e realizarem a missão de suas almas. Isso, normalmente, vem com amor verdadeiro.

- Missão?

- É o que eu vi.

- Por que estava lendo sobre isso?

Ele se remexeu novamente, quase fazendo-a perguntar se tinha formiga em sua cadeira. Era fofo quando ele ficava desconcertado com alguma coisa, mas lhe deixava muito curiosa.

- Por nada. Um assunto que levou a outro, etc.

Certo, ele não queria falar sobre isso, então não forçaria. Desviou os olhos para o lado e viu Rosmerta do lado de fora, fazendo sinal para alguém. Logo depois, viu os três Marotos se aproximando dela.

- Eu acho que nossa localização foi descoberta. - Ela disse, vendo Rosmerta falando com eles.

Sirius olhou para a janela e se aproximou, colocando as duas mãos ao lado dos olhos e espiando pelo vidro. O moreno sorriu enormemente quando encontrou os dois e fez sinal para Remus e Peter.

- Você também sente vontade de bater em algumas pessoas às vezes? Mesmo gostando muito delas? - A voz dele deixava claro que também via os amigos espiando pela grande janela.

- Você pergunta isso para mim? Esqueceu dos comentários idiotas de Marlene que ouviu ontem?

A risada de James a fez virar para ele, forçando-o limpar a garganta e fingir que nada aconteceu.

- Pelo menos, ela não está com a cara colada no vidro do Três Vassouras.

- Não, apenas disse baboseiras enquanto você ouvia.

- Em defesa, ela não sabia que eu estava lá. - James voltou o olhar para ela. - O que me faz pensar o que ela deve dizer quando tem certeza absoluta que não está sendo ouvida.

Se Lily contasse todas as hipóteses entre eles que saía da boca da amiga, dificilmente o chocaria, mas a ruiva teria que desaparecer depois.

Melhor nem pensar nas histórias que a amiga criava.

- Que tal aquele doce na Honeydukes agora? - Ela sugeriu enquanto via Remus puxar Sirius para longe da janela, enquanto Sirius parecia discutir com o amigo e apontando para o Três Vassouras. Peter ria dos dois e eles sumiram entre os outros estudantes.

James olhou para o relógio e deu um pequeno salto da cadeira.

- Com certeza, está na hora.

Após o maroto deixar algumas moedas na mesa, eles saíram do Três Vassouras, misturando-se no vilarejo. Algumas pessoas continuavam a acenar e cumprimentá-los normalmente, provavelmente achando normal que os dois Monitores-Chefes estivessem juntos em uma visita, ao invés de pensarem que estavam em um encontro. Lily não sabia o porquê, mas aquilo a incomodou, além de surpreendê-la. Ela queria que as pessoas soubessem que estava ali com ele.

Era um pouco engraçado pensar nisso, já que nunca imaginava estar ali algum dia e, agora, queria que todos soubessem e entendessem o que estava acontecendo. Talvez porque James merecia aquela reparação, quando sabia que muitas pessoas sabiam como as coisas já esquentaram entre eles e não do jeito que Lily gostaria hoje em dia.

Sempre gentil, ele abriu a porta para ela entrar e aquele cheiro maravilhoso de chocolate e doce invadiu seus sentidos como droga. Adorava aquele lugar.

- Vamos te reabastecer. - James pegou uma cesta perto da porta e se dirigiu para os chocolates, pegando algumas caixas de Shok-o-Choc. Lily arregalou os olhos pela quantidade, mas não comentou nada. - Não haverá outra visita até o próximo ano e você não quer ficar sem esses chocolates, certo? - Ele decidiu se explicar ao ver os olhos arregalados dela.

- E eu pensando que poderia ter a companhia de algum maroto pelo túnel da estátua para comprar mais, assim que meu estoque acabasse. Sabe, uma escapada em Hogsmeade ainda está na minha lista a fazer como uma grifinória fora da lei... - Ela sussurrou sobre o ombro dele.- Que pena.

James a olhou de lado e sorriu, devolvendo algumas caixas para a prateleira.

- Acho que não precisa de tantas caixas assim.- Ele respondeu, deixando apenas duas caixas na cesta. - Talvez uma seja o suficiente. - Ele colocou outra caixa de volta para a prateleira, fazendo Lily sorrir enquanto seguia pelo corredor não tão cheio da loja.

- Você sabe qual é o meu doce favorito, mas eu não sei o seu.

- Cauldron Cakes são os meus favoritos, apesar de poder passar a vida apenas comendo Sugared Butterfly Wings também. - James respondeu atrás dela.

Ela foi até o corredor onde podia achar os Cauldron Cakes, antes de se virar para ele.

- Acredito que, quando você me disse que fez seus estoques hoje de manhã, você falava sobre a Zonko's, certo?

- Zonko's? Eu? Nunca nem pisei naquela loja, muito menos passei uma hora e meia lá dentro essa manhã. Um Monitor-Chefe nunca faria isso, não é mesmo?

- Sem dúvidas. - Ela respondeu sarcasticamente. Pegou uma caixa de Cauldron Cakes e colocou junto com a sua solitária caixa de Shok-o-Choc. - Uma caixa me parece o suficiente. O que acha?

James olhou para os chocolates na cesta e depois para ela.

- Sabe o que eu estou achando? Caixas de doces não fazem bem para nós. Eu tenho que manter a forma para o Quadribol e você pode ter uma overdose de açúcar. Que tal comprarmos apenas algumas unidades desses doces para comer durante a semana? Então poderemos voltar para comprar mais unidades no fim de semana que vem. E então, comprar mais antes de sairmos de férias.

- Eu acho que você está absolutamente certo. - Lily tirou as caixas de dentro da cesta e as colocou de volta na prateleira aleatoriamente. - Evitamos também que eles derretam. Digo, está frio, mas pode acontecer do tempo mudar e sairmos da loja em cinco minutos e estar fazendo 40°C.

- Claro, fim de Novembro na Escócia, o tempo pode ser imprevisível.

Eles viraram em direção às prateleiras que vendiam as unidades de doces por kilo, e depararam com dois estudantes com expressões completamente confusas.

- Vocês também caíram na brincadeira de Black que jogava um pó de confusão no seu rosto?

- Sirius Black está jogando pó de confusão nos estudantes? - Lily perguntou para os dois, depois olhou para James. O maroto levantou a mão no alto.

- Ei, eu estive com você esse tempo todo. - Defendeu-se.

- Se vocês não foram vítimas, então só podem estar loucos falando de 40°C em Novembro na Escócia.

Os dois alunos desviaram deles e saíram, deixando os dois grifinórios rindo.

- Para o bem de todos, eu vou ignorar o que ele me disse. Ou terei que ir atrás de Black neste momento.

- Conhecendo Sirius do jeito que conheço, ele apenas deve ter feito uma brincadeira ou outra com alguns alunos, mas ele se entedia rápido e muda de estratégia. Eu não ficaria surpreso se ele já estivesse em outro estágio de brincadeiras agora.

- O que você está dizendo, não está ajudando, James.

Ele deu de ombros e sorriu, colocando-a no caminho até as unidades de doces por kilo. Eles pegaram dois sacos e completaram com alguns doces, antes de Lily ter que insistir em pagar, já que aquele era o trato, quando James começou a tentar pagar, dizendo que não era bem a sobremesa e que levariam os doces para o castelo.

- Parece que estamos tão longe de estar numa tarde louca de verão na Escócia em pleno Novembro quanto estávamos quando entramos. - Lily anunciou quando o frio seco de Novembro lhe atingiu ao saírem da Honeydukes.

- Mas acho que é sempre bom ser precavido. Fizemos bem em não ter pego as caixas. - James jogou um Cauldron Cake na boca e se deliciou com o doce. - Isso é tão bom que eu sinto como se fosse verão e eu estivesse derretendo. Quer experimentar?

Lily negou com a cabeça enquanto olhava em volta, fazendo o seu trabalho de Monitora-Chefe pela primeira vez que pisou naquele lugar.

- Obrigada.

- Eu acho que você deveria experimentar.

- Não, obrigada. - Ela repetiu tentando ver um grupo de estudantes parecendo suspeitos sobre uma brincadeira com um terceiranista.

- O que está fazendo, Lily?

- Trabalhando um pouco.

- Você já trabalhou hoje. - Ele voltou a dizer.

- Não aqui. Apesar de eu ter trabalhado em Hogwarts, Monitores-Chefes podem aproveitar o passeio e... - James revirou os olhos enquanto ela falava e pegou um Cauldron Cake, abrindo a embalagem. - ...porém, devem ficar de olho nos outros alunos, porque às vezes...

Ela parou de falar quando James enfiou um Cauldron Cake em sua boca e segurou seus ombros, a conduzindo para longe dali.

- Fico feliz que você tenha acabado com o seu discurso inútil e mudado de ideia sobre experimentar este doce maravilhoso. - James olhou para o céu, antes de se virar para ela, que mastigava um pouco contrariada, mas parecia gostar do bolinho. - Acho que a terceira parte desse dia não está longe de começar. Está pronta para o pôr do sol?

Ela engoliu o último pedaço rapidamente.

- Eu vim pronta para isso! - Ela respondeu com energia.

Com seus respectivos doces, os dois pegaram o caminho em direção à Casa dos Gritos. Assim que tiveram a casa em vista, Lily lembrou-se de uma das ilusões onde os dois estavam ali e ela deixou James mais perdido que cego em tiroteio, além de quase matá-lo do coração quando entrou na casa.

- Mas hoje não tem firewhisky. - Ela murmurou.

- Desculpa? - Ele perguntou, virando-se para ela. - Você quer um firewhisky?

- Não. Esquece, eu pensei alto.

- Foi tão chato assim sair comigo, que você quer beber no fim? - Ele perguntou com um meio sorriso. - Eu sei que não fizemos muita coisa, além de comer e conversar, mas não tivemos muito tempo.

- Não estava nem um pouco chato. - Ela sorriu de volta. - Obrigada, eu me diverti.

- Não me agradeça ainda, pois ainda não acabou. - O coração de Lily deu um pulo e ele deu aquele maldito sorriso, capaz de fazer suas pernas vacilarem. - Eu ainda posso fazer uma merda monumental e você querer me matar.

Ah!

- Sim, claro. Eu também, então.

- Duvido que você faria algo que me fizesse arrepender do dia dia hoje, Lily.

- Nunca diga nunca. - Ela respondeu um pouco nervosa.

Eles passaram ao lado da Casa dos Gritos e pegaram um caminho estreito, que começou a levá-los colina acima. Rochedos tiveram que ser escalados minimamente, mas com um ajudando o outro, eles rapidamente venceram esta parte do caminho. Uma estrada de terra molhada e um pouco lamacenta foi o resto do trajeto, o que dificultou a subida.

- Deveríamos ter vindo voando. - James comentou quando a parte íngreme terminou e se viram em solo plano novamente.

- Tudo o que é bonito, requer um pouco de esforço. - Ela respondeu se aproximando. - Senão, qual seria a graça?

James a encarou por alguns segundos, antes de assentir.

- Nunca poderia discordar.

Liderando o caminho, o maroto os levava por entre algumas árvores e Lily se pegou pensando que nunca prestou tanta atenção ao redor de Hogsmeade. A cadeia de montanhas e florestas na área era linda e rica e se lamentou por ter perdido tantos anos por perto e nunca ter investigado mais a fundo, deixando de encontrar tesouros enquanto se perdia por ali.

- Chegamos na hora perfeita. - Ouviu a voz dele alguns metros à frente e ela se adiantou, passando rapidamente entre alguns galhos ainda bem carregados de folhas, mas que ela sabia que não ficariam por ali por muito tempo quando o inverno realmente chegasse.

E a vista que teve foi, literalmente, de cair o queixo. Além de ter James na sua frente - piada à parte -, eles estavam realmente no topo da colina atrás da Casa dos Gritos com a cadeia de montanhas em sua frente, enquanto o sol se punha entre duas delas. O céu estava do tom de laranja mais forte que pensou ter visto, com o horizonte ficando levemente rosado.

- Lindo! - Ela disse um pouco sem palavras. Caminhou até estar ao lado do maroto, sem tirar os olhos daquela vista maravilhosa. - Eu nunca...é lindo. - Balbuciava e nem percebia.

- Pode me dar cinco estrelas com o meu tour? - James perguntou também focado na cena em sua frente.

- Eu daria até dez.

Não sabia quanto tempo ficou apenas apreciando aquele momento, mas o bastante para o sol baixar consideravelmente, mas ainda mantendo o tom laranja por todo o lugar. Hogsmeade, lá embaixo, parecia em fogo com aquela luz.

- Você vem aqui em todas as visitas? - Lily perguntou com uma voz baixa, não querendo quebrar a serenidade que havia se instalado.

- Não. - Ele respondeu no mesmo tom. - Acho que vim apenas duas vezes. - Se virando para ela, o maroto sorriu. - Ambas na minha forma animaga.

Ah, então ela era a primeira garota que ele levava ali. A não ser que ele já tivesse uma namorada animaga anteriormente.

Oh Merlin. Aquilo foi muito estranho de pensar, ao mesmo tempo que uma dúvida bem boba e infantil surgiu.

- Hm...- Aquilo chamou a atenção de James, que se virou para ela. - Se importa em me responder algo sobre a Animagia? - Suas bochechas esquentaram. Sentia-se tão confortável com ele, ao mesmo tempo que o que veio em sua cabeça era algo muito, mas muito estranho de comentar.

- Nem um pouco.

- Você já...hm...como é se...- Ela apertou as mãos, tentando encontrar a melhor maneira de perguntar aquilo. Era tão pessoal e tão invasivo. Mas tão curioso.

- Desculpe, mas você não vai escapar de me perguntar isso, porque só pelo seu rosto vermelho vivo, eu imagino que vai ser algo engraçado de ouvir sair da sua boca.

Lily bufou, mas riu. Respirou fundo uma vez, tentando recuperar a seriedade, antes de soltar a pergunta.

- Você já teve contato com uma animaga?

Uma sobrancelha de James levantou.

- Uma animaga. - Ele a repetiu e, no segundo seguinte, um sorriso enorme surgiu em seu rosto com a compreensão e, logo depois, James começou a rir.

- Não ria. - Ela pediu, mas segurando o riso também. Seu rosto parecia pegar fogo de tão quente.

James levou a mão até a barriga, sem conseguir parar de rir. Lily ria, mas também por estar sem graça, até perceber que poderia assisti-lo rir para sempre, pois era a melhor risada do mundo: alta, aberta, os olhos tão pequeninos...

- Lily, você está me perguntando o que eu estou pensando? - Ele perguntou ainda com dificuldade.

- Talvez. Pela sua risada, eu diria que sim.

Uma outra rodada de risada da parte dele antes de se recompor. James se endireitou e enxugou uma lágrima que escorria.

- Você quer saber se eu tive algo com uma animaga...na forma animaga? - Ele soltou um bufo de riso, mas se recuperou, tentando parecer sério.

- Já ou não? - Ela resolveu perguntar logo, antes de James resolver gargalhar de novo e lhe fazer querer enterrar a cabeça na terra de vergonha.

Agora ele sorria abertamente para ela, fazendo esquecer da vergonha que passou por todo aquele tempo.

- Não. Os únicos animagos que conheço, você sabe quem são. E, francamente, eu não tenho essa curiosidade e vontade. Em todos os sentidos possíveis, seja com os caras como com McGonagall. - Lily assentiu, aceitando a sua resposta. - Porém, se eu considerasse como eu me sinto quando estou transformado, eu não acho que seria algo agradável ou perto de ser bom como na forma humana.

- Compreendo. Digo, eu acho que sim. Não é como se eu fosse uma animaga para entender, mas vejo o que quer dizer.

- Você tem alguma outra pergunta sobre isso? - Ele tinha um sorriso maroto no canto dos lábios.

- Ah, não. Minha dúvida está sanada, obrigada.

De onde havia tirado coragem para perguntar aquilo para ele, vendo aquele pôr do sol perfeito após um encontro em Hogsmeade? Ela não deveria estar falando sobre algo que fizesse James perceber aquela vontade de beijá-lo que não passava nunca?

Ou talvez em romance. Não, Lily se corrigiu logo em seguida. Eles não eram do tipo de falar sobre romance...sentia que o que ocorria entre eles era diferente. James podia ser romântico, sabia, mas não de estar no pôr do sol e recitar poesias. Muito menos ela gostaria disso, então deveria apenas se conformar que ela era curiosa demais para perguntá-lo algo tão aleatório e ele a responder e gargalhar por isso.

Seus olhos desviaram para aquele ser lindo ao seu lado por um momento, percebendo que ele tinha o olhar à sua frente, mas que ele parecia longe dali.

James Potter, espero que esteja pensando em como me beijar ou eu não respondo por mim.

J~L

Se Lily apenas pudesse estar na mente dele naquele momento, saberia que tudo o que ele queria, era beijá-la. Sem esperar por um sinal dela, sem querer pedir "pelo amor de Merlin, queira me beijar" ou qualquer outra coisa horrível.

Pelo canto do olho, ele viu quando Lily se remexeu no lugar. Ela devia estar cansada da trilha e da subida até ali. Francamente, ele deveria ter convocado a sua vassoura para chegarem ali mais rápido, mas o tempo passava tão bem quando eles estavam juntos, conversando e andando, que aquela possibilidade nem havia passado por sua cabeça.

- Acho que podemos encontrar um lugar para sentar. - Ele comentou, olhando em volta. Poderia transfigurar qualquer coisa ali em uma poltrona confortável, se quisesse, mas poderiam deixar a mágica de lado e aproveitar a natureza ao redor naquele momento.

- Tem uma pedra ali embaixo. - Lily apontou alguns níveis abaixo. - Talvez possamos nos sentar lá.

Ele estava prestes a dizer que o solo estava escorregadio e que deveriam dar a volta pela floresta, mas Lily não deu tempo para que ele respondesse e já começou a descer a íngreme costa da colina. Apesar de ser íngreme, não era uma queda direta de vários metros, mas não era boa ideia irem por ali.

No terceiro passo, sem surpresa, ela escorregou e James se ejetou para frente, pegando-a pelo braço, mas ele acabou escorregando também e os dois caíram na terra em um forte baque, deslizando por alguns metros.

Pararam alguns metros abaixo, ficando cobertos de folhas úmidas e alguns galhos pela roupa e cabelo aqui e ali. James levantou em um cotovelo e olhou para ela, vendo que Lily estava longe de estar machucada...já que ela gargalhava.

- Me desculpe. - Ela disse entre um fôlego e outro. - Eu pensei que isso poderia acontecer, mas também pensei que conseguiria chegar até a pedra. - Ela riu mais um pouco. - Você se machucou?

- Não. E você?- Ele perguntou.

- Não. Foi legal.

- Fique contente com essa única vez, porque não haverá uma segunda.

Com a preocupação dela ter se machucado e com a ruiva ainda rindo levemente, James percebeu um pouco tarde que estava debruçado sobre ela, uma parte de seu corpo cobrindo o de Lily. Aquela posição e aquele riso ainda vivo dela, só fez seu coração acelerar mais do que quando estava deslizando colina abaixo.

Percebeu quando ela também realizou como estavam ali: deitados no chão da colina, rodeados de algumas altas árvores e as luzes laranjas do pôr do sol entrando por entre as folhas. Os olhos dela ficavam em uma incrível tonalidade de verde oliva claro com aquela luz, conseguindo deixá-la ainda mais bonita. E os lábios dela...tão chamativos, levemente avermelhados.

Inferno. Tinha que sair dali antes de fazer uma besteira.

Desviando os olhos de seus lábios, James se virou para o lado, fazendo menção de sair de cima dela, mas algo na frente de sua jaqueta o impediu. Quando se virou para ver o que era, deparou com a mão de Lily o segurando e obrigando-o a voltar onde estava, pairando sobre ela.

- Não. - Disse Lily. Foi tão baixo e tão doce, que teve dificuldades de discernir se foi real ou não.

- Não? - Ele sussurrou.

- Não vá.

Honestamente, daquele ponto adiante, James não sabia mais o que fazia. Se deixou levar por ela, pelo olhar e o que ele mesmo sentia. Sua mão subiu até o seu rosto, acariciando leve e lentamente, querendo sentir cada pedaço dela.

- Me diga que esse é o meu sinal, Lily, e eu não irei para lugar algum.

A resposta dela foi puxar a jaqueta dele gentilmente para baixo, trazendo-o para mais perto dela. Eles estavam perto o suficiente para que James pudesse contar cada pequena sarda, cada sarda que ele adorava. Ele parou as carícias apenas para segurar o rosto de Lily e abaixou o seu, os lábios de ambos tocando-se como penas, tão leves, fazendo Lily entreabri-los.

James aproveitou e a beijou, permitindo se aproximar ainda mais, juntando seus corpos, enquanto eles se entregavam completamente naquele beijo. James podia sentir os dedos dela em seus cabelos, assim como toda a energia que passava por seu corpo com aquele gesto, fazendo-o suspirar. As pernas se enroscaram umas nas outras enquanto eles se aconchegam pelas folhas, no corpo um do outro.

Beijar Lily Evans era uma vontade de anos, que vinha em formato de sonhos e devaneios. Ele já havia se perguntado se caso um dia acontecesse, se o beijo talvez não se encaixasse bem, se ela acharia que ele não beijasse bem, ou se ela tivesse um beijo ruim. Tudo isso já havia passado pela sua cabeça, já que era algo que ele tanto queria e talvez só podia existir algo de negativo em tudo aquilo, porque em seus sonhos era tudo perfeito.

Mas não tinha. Não existia um pingo de algo ruim no beijo. As bocas se encaixavam perfeitamente, os lábios pareciam ter sido moldados um para o outro, as línguas encontravam-se na medida certa. Eles se entendiam tão bem se beijando quanto se entendiam hoje em dia. O jeito que ela passava suas mãos por ele, por sua nuca e pelo seu rosto era delicado e, ao mesmo tempo, cheio de vontade. Quando as mãos dela desciam por suas costas e o puxava mais contra si, era quase surreal. O corpo dela colado ao seu era uma sensação melhor do que ele imaginava. Suas mãos se encaixando no pescoço dela, na parte baixa de seu rosto, em sua cintura...

Tudo era perfeito, tudo era mais do que ele havia imaginado, apesar de não ter sido tão romântico e que estavam caídos no meio da floresta cobertos de folhas e galhos. Mas era do jeito deles, completamente James e Lily, e não poderia ser melhor do que isso.

E tudo o que sentia...nunca passou por experiência assim, nem de perto. Poderia ser julgado de qualquer coisa, mas não podia dizer que beijar Lily era como ter beijado qualquer outra garota antes. Era claro que havia algo a mais ao beijar alguém que ele era estupidamente apaixonado, tendo as melhores e maiores sensações. Era diferente como o seu peito enchia de prazer, porque eram tantos tipos de prazeres que sentia agora.

Quando eles se separaram, mal quis abrir os olhos, mas ficou feliz por tê-lo feito, porque se deparou com o sorriso dela. Abertamente, parecendo tão feliz quanto ele. Ah Merlin, ela também tinha gostado, obrigado. Agora ele teria que poder beijá-la sempre...ele tinha que fazer com que ela quisesse ficar com ele.

Mas esse pensamento ficaria para depois, porque agora ele iria beijá-la até criarem serviços de buscas, pensando que ambos abandonaram Hogwarts, porque se dependesse dele, eles não sairiam dali nunca.

Baixou seus lábios no rosto dela, deixando um rastro de beijos em sua bochecha, indo até abaixo de seu ouvido e retornando. A ruiva mantinha os olhos fechados, aproveitando o carinho dele, até ele deixar um beijo suave em sua boca. Ele mal tinha começado e mal podia esperar continuar aquilo. Porém, antes de dar o primeiro passo para beijá-la novamente, sentiu a língua de Lily em seu lábio, obrigando-o a fechar os olhos e aproveitar que ela o beijava e o mordia de um jeito tão provocativo que era impossível continuar parado. Quando estava prestes a tomar a iniciativa, novamente Lily o surpreendeu, forçando-o para trás e deitando-o nas folhas, enquanto ela deitou por cima dele e o beijou.

Agora James estava perdido. Perdido de um jeito que nem saberia o caminho de volta para o castelo mesmo se alguém esfregasse um mapa em seu rosto. Ele segurou os cabelos dela com uma mão, fazendo com que Lily não se afastasse nem um centímetro sequer, enquanto a outra mão pousou na coxa dela, tentando ser um pouco casto, mas o jeito que ela o beijava não demonstrava nenhuma castidade ou vontade de ser. Então sua mão a apertou e pegou o caminho, bem lento, para cima até encontrar com a pele dela ao fim da sua meia quase no topo de sua coxa.

Merlin, esqueça o serviço de buscas. Eles tinham que voltar para o castelo naquele momento. Ignorar o fato de que tinham que garantir que todos os alunos estivessem em seu caminho no horário e simplesmente voltar, entrar naquele bendito dormitório dos Monitores-Chefes e fazer alguma magia para que aquele quadro não abrisse do lado de fora nem que McGonagall precisasse deles para salvar a vida de alguém.

Não precisava ir além do que faziam agora. Apenas ter Lily nos seus braços, a boca dela colada na sua, ela em cima, do seu lado ou embaixo. Não importava. Só queria ficar com ela. E se ela quisesse algo a mais, ele apenas a seguiria por aquele caminho...bem feliz.

E seguindo Lily agora, quando ela deslizava a mão pelo peito dele, indo pela sua barriga, a sua mão estava já por dentro de seu vestido, já deixando a coxa de Lily e subindo...

Ouviram um barulho muito alto. E gritos.

Não soube como, quando ou onde. James só sabia que eles estavam em pé em um segundo, com as varinhas em mãos. Outro barulho alto e horrível ecoou por todo o vale, acompanhado de mais gritos. Os dois correram entre as árvores até terem uma visão do que acontecia e finalmente puderam ver o vilarejo lá embaixo: vermelho, feixes de luzes e fumaça começaram a tomar conta da vista, deixando o pôr do sol completamente esquecido. Assim como o beijo.

- James! - Ela murmurou. - Temos que fazer alguma coisa.

- Segure-se em mim e não me solte! - Ele se aproximou e apenas deu tempo de Lily entrelaçar suas mãos, e aparatou.

Havia querido aterrissar longe de onde viu a bagunça acontecer, mas acabou não sendo bom de qualquer jeito. Estava longe de onde parecia ser o epicentro, mas foram surpreendidos por uma tsunami de pessoas, de todas as idades, fugindo: adultos, estudantes, lojistas e crianças. Mais a frente, ao centro de Hogsmeade, via fumaça e feitiços sendo lançados a torto e a direito.

Uma merda de um ataque. Em plena Hogsmeade!

Tudo estava escuro para Lily. James não sabia que ela tinha problemas com a aparatação, que sua pressão caía e tudo ficava escuro por alguns segundos. Sentia que ainda tinha sua mão bem firme com a dele e que havia muita gente ao seu redor e, no momento que sua visão finalmente voltava, Lily perdeu James enquanto era atingida por ombros, braços e pernas. Estava sendo levada pelas pessoas e tentava ir contra a maré e não era fácil. Olhou para o lado esquerdo e não encontrou James. Também não estava à sua direita, nem à sua frente. Em nenhum lugar.

- James?! - Começou a chamar. - James!

Poderia gritar a plenos pulmões, mas ela não era a única a gritar. Havia muita gente, muito barulho.

Foco, Lily. Foco. Os alunos precisavam dela.

Se espremeu no canto, nas fachadas das lojas, e foi contra a loucura. Tinha que certificar que todos estavam bem e se encaminhando de volta a Hogwarts. Isso não a impedia de tentar encontrar James ou seus amigos no caminho. Seus olhos corriam pela multidão e mais uma onda de gritos com outra grande explosão.

Se tivesse que duelar com alguém, tinha que se manter fria. Tinha que se lembrar disso, não podendo se permitir ser pega pelos gritos, choros e medo.

As pessoas continuavam a debandar, os gritos ainda machucavam seus ouvidos, mas estava tentando se manter fria. Apertava com força a varinha e nadava contra a multidão. Viu muitos alunos mais velhos ajudando os mais novos, o que lhe deixava mais tranquila e com mais foco em seu caminho para onde os ataques ocorriam.

- Aqui, ajuda, por favor.

Parou ao ouvir o grito vindo de uma ruela a alguns metros a frente. Um garoto de dez anos, talvez, acenava para ela, pedindo para que ela se aproximasse.

- Corra, saia daqui. - Lily gritou para ele.

- Preciso de ajuda. Meu irmão precisa de ajuda. - O garoto apontava para a ruela, provavelmente para o seu irmão.

Ela avançou até ele, pegando-o pelo braço e o empurrando para longe.

- Vá, eu vou ajudá-lo.

S~S

Havia sido contra todo aquele plano de ataque, mas não podia ir contra os grandes nomes do grupo, muito menos deixar claro sua opinião. Uma vez que você mostra interesse ou se junta à Voldemort, você passa por inúmeros testes de lealdade e intenções, e ir contra uma ideia do próprio Lorde das Trevas não soava nem um pouco inteligente.

E Voldemort queria atacar Hogwarts, mas não conseguiria sem expor seus pupilos lá dentro, sem contar que Dumbledore controlaria qualquer rebelião ou ataque, além de seus pequenos súditos ao seu lado. Todos aqueles que praticavam monitoria de duelos, ou mesmo os bons alunos que defenderiam a escola e os nascidos trouxas com unhas e dentes.

Severus poderia contar em suas mãos as pessoas que atacariam a escola, mas era incapaz de contar aqueles que a defenderiam, então mirar em Hogsmeade durante uma visita era mais sábio, apesar dele ainda estar muito desconfortável com a situação. Era muito perto, perto de coisas que ele se importava, de pessoas que ele se importava...pessoa, ele se corrigiu.

Agora ele assistia o garotinho com cabelos loiros, que na verdade era Antonin Dolohov com uma poção polissuco perfeita preparado por suas próprias mãos, fazendo inúmeras vítimas pelo vilarejo. Snape não conseguia mais contar quantos corpos seus "colegas" haviam deixado para trás com aquela estratégia, aproveitando da boa vontade de qualquer um que quisesse ajudar um pobre garotinho e seu irmão.

Naquele momento, se acomodaram em uma ruela e deixaram Dolohov trazer a próxima vítima. Quando o garoto chegou até eles, a voz muito grossa e nem um pouco disfarçada de Dolohov os alertou:

- Mais uma vindo. Estão preparados para essa? Vocês vão adorar. - O rosto voltou com a expressão de desespero. - Preciso de ajuda. Meu irmão precisa de ajuda. - Dolohov virou para eles. - Essa é para Snape. Ninguém ataque, deixe-o provar que vale a pena o seu lugar.

Snape pegou a varinha e saiu de trás de uma lixeira, pronto para atacar e provar que mais do que merecia seu lugar ao lado do Lorde das Trevas. Não precisava matar ninguém, então algo simples que pudesse tirar a pessoa do combate seria o suficiente. Mas então os cabelos ruivos ficaram visíveis enquanto Lily se aproximou e conversava com Dolohov disfarçado, empurrando-o para longe, tentando salvá-lo.

E, claro, Severus congelou.

- Ataque! - A voz de Mulciber estava baixa do outro lado da ruela.

As lembranças de Cokeworth, de sua infância ao seu lado, do sorriso sempre tão inocente e radiante de Lily, fazendo seus olhos ficarem bem pequenos e brilhosos. Seus primeiros anos em Hogwarts, aprendendo, desenvolvendo poções e feitiços juntos...

- Snape, ataque. - Mulciber repetiu.

Lily finalmente o viu e, por um segundo, ele pensou que ela não o atacaria. Seus olhos estavam claros e certos, como sempre costumavam estar quando ela o olhava, anos antes. Mas no segundo seguinte, ele viu que algo mudou. Uma sombra passou pelo rosto dela, algo bizarro: seus olhos não estavam felizes, não sorriam, mas não demonstravam medo...era pior...era decepção. Sua varinha continuava apontada para ela e Lily levantou a dela. A mão dele tremia de medo, de machucá-la, de lhe causar dor.

Tudo foi tão rápido depois. Severus viu quando o feitiço saiu da varinha dela, parecia um stupefy. Ele conseguiu se proteger, mas então ela enviou outro feitiço e outro, lhe dando mais trabalho para se defender. Ele não queria duelar com ela, menos ainda com toda a intenção de machucá-la, então continuou se defendendo, enquanto dava passos para trás.

- Desgraçado covarde. - Mulciber saiu de seu lugar e apontou para ela.

- Não. – Severus rugiu, virando-se para Mulciber, mas o sonserino já havia atacado.

Lily defendeu o feitiço lançado por Mulciber, mas ela lançou um outro feitiço em Severus, pegando-o de surpresa. Ele voou por alguns metros no pequeno beco, caindo contra um monte de caixas, porém ainda acordado. Rapidamente, ele se levantou e assistiu com horror a cena de Lily duelando com Mulciber e Dolohov - que já voltava a sua aparência normal -, ao mesmo tempo: ela fazia movimentos certeiros com seus braços para os feitiços atingirem ambos, além de feitiços complexos sem a varinha, e por um momento ele apenas assistiu seus colegas de casa, supostos Comensais que já foram derrotados por ela, seguirem o mesmo caminho da derrota. O jeito que ela brigava, que lutava por si, era muito mais superior do que qualquer um deles. Duvidava que qualquer pessoa que tentasse, conseguiria derrubá-la um dia.

Mas eles estavam comprometidos agora. Lily viu os três e ela sabia que eles não estavam ali se escondendo, mas fazendo parte do ataque. Eram apenas peões menores, mas ela sabia. E Mulciber e Dolohov não a deixariam escapar com aquela informação, então tinha que agir.

Ele levantou a varinha, tirando vantagem que ela não prestava atenção nele, ao mesmo tempo que Dolohov caiu na rua se contorcendo de dor, e Lily focou em Mulciber. Eles duelavam duramente, não querendo sair perdedor daquela richa, mas seria pior para ela caso Mulciber conseguisse avançar, porque ele não se importava com princípios ou em machucar alguém profundamente. Ou, até mesmo, matar.

Severus tinha um feitiço que criara e poderia usar sem machucá-la. Era a única saída onde podia se safar por não atacar Lily antes e ajudá-la ao mesmo tempo, caso Dolohov se levantasse – o que não iria demorar -, e evitar que Mulciber a acertasse por um infortúnio.

Severus mirou, fechou os olhos logo em seguida - não querendo vê-la ser acertada -, e lançou o feitiço.

Seu coração batia em seus ouvidos e ele abriu os olhos alguns segundos depois, ficando tonto ao vê-la caída alguns metros de distância, os cabelos espalhados pela rua. Ali, ele soube que passou uma linha que não poderia mais voltar, um limite que nunca, nem em seus piores pesadelos, pensou cruzar.

- Você é um idiota. Ela nos viu, ela sabe que éramos nós! - A raiva de Mulciber explodia em forma de gritos pela ruela.

A lembrança do olhar decepcionado iria lhe assombrar para o resto de sua vida. Ela não deveria estar em Hogsmeade. Ele havia se certificado que ela ficasse no castelo, inventando aquele monte de baboseira de pergaminhos para serem revisados, longe de qualquer possibilidade de ser atacada. Mas ali estava ela, caída na calçada por um ataque seu. Mas não podia deixar qualquer outro fazer, ou teriam feito pior... qualquer um dos Comensais consigo, teriam feito Lily sofrer de um jeito que ele não suportaria.

Sem dizer nada, ele foi até ela. Ela os viu e, sabendo que apenas lançou um feitiço que a manteria apagada por um tempo, teria que roubar sua memória. Não podia correr o risco. Então abaixou-se ao seu lado e encostou sua varinha na têmpora da ruiva, puxando um fio de prata com a sua memória sobre o ocorrido.

- Tem alguém vindo. - Dolohov advertiu. A rua principal estava vazia e abandonada, com todos os visitantes e moradores fora de vista agora, mas passos apressados ecoavam pelas ruas.

- Vamos embora.

Mulciber agarrou as vestes de Snape, puxando-o, fazendo com que o fio prata se desconectasse de Lily. Não apagou muito de sua memória, provavelmente apenas os últimos minutos ou meia hora, e de um jeito pouco funcional, mas já era o suficiente.

- LILY!

A voz de Potter ecoou pela rua principal, mostrando quem era a pessoa que se aproximava pela esquina.

- Podemos acabar com ele também. - Dolohov sorriu como o louco maníaco que era.

- Voce não foi capaz de derrubar uma monitorada dele. Acha que poderia derrubá-lo?

Severus não acreditava que aquilo saía de sua boca, mas não fazia aquilo na intenção de defender James Potter, mas apenas para que se afastassem de Lily, evitando que algo pior ocorresse com ela.

- Vão! Reagrupamento na caverna. - Mulciber comandou e ele e Dolohov aparataram.

Snape olhou para Lily e ouviu que os passos de Potter se aproximavam e virariam a esquina a qualquer segundo.

- Ele vai cuidar de você. - Ele disse, contrariado.

Assim, Snape aparatou no segundo que James virou a esquina.


Onde ela havia se metido? Era certeza que Lily não havia saído do vilarejo, pois a viu se perder entre as pessoas enquanto tentava lutar contra eles, indo na direção contrária de todos. Mas então, ele a perdeu de vista e não a achou mais.

Fez questão de pedir para alguns alunos acompanharem os que mais precisavam, porque, poderia soar irresponsável e egoísta, mas ele precisava encontrar Lily. Não via ninguém em dificuldade ou que precisasse de ajuda imediata, então apenas continuava a pedir para que as pessoas não parassem de correr para fora do vilarejo, enquanto ele mesmo entrava cada vez mais pelas pequenas ruas.

Chegou até a parte onde o vilarejo já estava vazio. A fumaça era densa, mas não via ataques ocorrendo, o que já era bom. Tudo era silencioso e bizarro, tendo seus passos o único barulho por ali. Todas as janelas e portas estavam fechadas, a rua estava cheia de todos os objetos possíveis por conta da fuga de todos, mas pelo menos não via morte ou sangue, que era o que mais temia.

- LILY!

Sabia que era arriscado deixar claro sua posição, mas se Lily estivesse por ali, precisava encontrá-la.

Ouviu vozes mais a frente na rua após a curva, e se apressou. Talvez fosse ela e não queria gritar e evitar que outra pessoa a encontrasse. Assim que virou a esquina, viu um vulto negro desaparecendo e no chão...

O ar escapou de seus pulmões e ele correu. Não, não podia ser.

James se jogou de joelhos ao lado de Lily. Colocou os dedos em seu pescoço e confirmou que ela estava viva. Olhou ao redor, tentando achar o responsável, mas eles pareciam completamente sozinhos.

Tinha que permanecer calmo, mesmo estando a ponto de explodir, porque o seu desespero não iria ajudá-la. Antes de serem atacados novamente, recuperou a varinha dela caída ao seu lado, depois a pegou em seus braços e aparatou. Assim que seus pés tocaram a madeira velha da Casa dos Gritos, ele se abaixou com Lily em seu colo.

- Por favor, acorde. - Ele pediu. Sua cabeça estava uma bagunça, sem saber o que pensar. Segurava o rosto dela e depositou um beijo em sua testa, implorando à Merlin que ela abrisse os olhos e dissesse que estava bem.

Ela parecia apenas dormir, com apenas um vermelhidão em seu rosto. O que aconteceu? Lily não se deixaria ser atacada assim. Não ela, não Lily, a sua Lily. Foi tudo tão de repente: uma hora eles estavam na colina, se beijando. Na outra, aparataram no meio de uma onda de pessoas desesperadas e fugindo, perdendo a mão de Lily da sua. E depois...Merlin. O que havia acontecido com ela?

Enquanto James segurava seu rosto, tentando ter algum indício de que ela estaria a ponto de acordar, viu que suas próprias mãos tremiam de um jeito que nunca viu em sua vida. Seu peito doía e sua barriga parecia pronta para jogar fora todo o almoço.

E o desespero. Seu cérebro gritava, querendo que ele fizesse inúmeras coisas ao mesmo tempo, mas nada daquilo traria Lily de volta. Precisava se estabilizar. Fechou os olhos, tentando acalmar o furacão que se alastrava dentro de si, pois tinha que se colocar de volta aos trilhos. Não sabia o que tinha acontecido, Lily estava desacordada, porém viva. Ele não tinha a competência para ajudá-la...tinha que levá-la para o castelo!

Isso, James, aja.

Pegou a ruiva nos braços novamente e desceu as escadas da casa, tomando cuidado para não pisar nos degraus falsos, enquanto continuava agindo, criando estratégias e tudo isso com os olhos em sua frente, sem poder olhá-la, pois se fizesse, capaz de cair de joelhos e não conseguir se mover mais.

Mas Lily dependia dele agora e não podia falhar. Nunca. Nunca falharia com ela.

Pense, James. Pense em como sair disso. Não podia voltar para Hogsmeade, não poderia aparatar em Hogwarts. Infernos, tinha que pegar a passagem do Salgueiro.

Se apressou como pôde até o alçapão e o abriu magicamente. Não queria soltá-la, mas não conseguiria entrar com ela em seu colo, então evitou as escadas e pulou direto para o chão no fim do alçapão, enquanto trouxe Lily magicamente até ele. Era um caminho longo e um pouco complicado em algumas partes, mas se não conseguisse sair dali, de um lugar onde estava acostumado a estar tantas vezes por tantos anos, então ele poderia esquecer qualquer vontade de lutar na linha de frente ou salvar alguém.

- Está tudo bem, Lils. Vai ficar tudo bem, você vai ver. - A ruiva continuava tão fora de si quanto antes, sem dar nem um sinal de que o ouvia ou que estaria acordando. - Não foi nada demais, só está desacordada...você está viva, o que é ótimo. - James engoliu com dificuldade apenas em pensar em encontrar Lily sem pulsação no meio da rua. Jogou aquela cena para o lado, pois não era o caso. Ela estava viva e bem...só precisava ver a senhorita Pomfrey, tomar uma poção e acordaria.

E tudo ficaria bem. Tudo.

Seus braços estavam ardendo e tremendo de cansaço, mas não havia chance de levá-la magicamente. Lily não sairia de seu colo em momento algum, ele não a levaria daquele jeito tão frio pelo caminho, sem estar em contato com ela...sem senti-la respirar, sentir a pulsação leve passando por pontos estratégicos de seu corpo em contato com o dele. Do Salgueiro até a Enfermaria daria em torno de 2 km de distância. Mais os 500 metros restantes de túnel...tudo bem, ele poderia levar Lily por todo aquele caminho. Ele iria levá-la o caminho todo, mesmo se tivesse que caminhar até Londres.

Quando chegou no fim do túnel, teve que soltá-la novamente para se arrastar rapidamente até o nó da raiz para congelar a atividade violenta do Salgueiro, então voltou rápido e a pegou, sentindo-se quase aliviado por chegar nos jardins de Hogwarts.

O sol havia a muito se posto e a escuridão não ajudava, mas conhecia aquele caminho bem o bastante para evitar até os buracos e raízes saltadas de cada árvore ao redor. Percebia que havia muito movimento no castelo, tendo todas as luzes acesas e ouvindo todo o zunido dali.

Será que seus amigos estavam bem? Ele não havia pensado neles até agora e sentiu-se um idiota por isso.

Eles estavam bem. Todos estavam bem, tudo estava ok. Seus olhos desceram para Lily, antes de levantá-los rapidamente. Lily também estava bem, tinha certeza. Não seria nada...nada, ele veria.

- Não! - Ele deixou escapar baixo e sem esperanças.

A porta principal estava fechada! Começou a hiperventilar. Todos os alunos deviam ter voltado e Dumbledore mandou ativar todas as seguranças contra invasão...

Mas nem todos voltaram. Ele precisava entrar com Lily, precisava...

Ouviu uma comoção por trás da porta por alguns segundos antes da mesma se abrir e o alívio foi dobrado: eram Sirius, Remus e Peter. O último tinha o mapa em mãos.

- James! - Remus correu até ele, olhando com desespero Lily em seu colo.

- Ela está bem. Tudo está bem...eu preciso levá-la para a enfermaria. - Cortou toda e qualquer interação que parecia vir e entrou no castelo.

Muitos alunos estavam em volta, assim como Filch, e ele ignorou todos os falatórios, lançando-se pelas escadas, se apressando pelos corredores.

- Estamos quase lá. - Voltou a falar com ela. - E então você vai acordar e vou te levar de volta para o nosso dormitório. Talvez você possa dormir no meu quarto, assim eu posso ter acesso à você, caso precise. Não se preocupe, eu vou dormir no sofá debaixo. Só espero que não ligue para a decoração rosa, com dragões e unicórnios. - Ele não parava de falar com ela, ainda que evitasse olha-lá. - Quase lá, Lils. Quase lá.

Não sentia mais seus braços. Parecia que os havia cortado, costurado dois pedaços de pano nos ombros e que Lily estava colada magicamente a ele, porque não sentia mais nada.

Assim que virou no corredor da enfermaria, mais uma vez ele se viu entrando em desespero: havia um inferno de multidão no corredor. Provavelmente, alunos esperando por notícias de seus amigos por trás das portas.

- SAIAM DA MALDITA FRENTE!

O grito de Sirius veio de suas costas - James não tinha a mínima ideia de que seus amigos o acompanhavam, mas poderia ele duvidar daquilo? -, e o corredor se abriu, ao mesmo tempo que os três marotos passaram por James e empurravam todos para os cantos, dando espaço suficiente para que ele passasse entre os alunos curiosos que cochichavam "é a Monitora-Chefe", "Por que chegaram apenas agora?", "Será que ela está viva?".

Peter abriu a porta da enfermaria a tempo de James passar. O maroto percebeu que estava a ponto de ser repreendido por Pomfrey, mas ela parou no momento que viu Lily em seus braços.

- Por aqui, rápido.

Não foi até James depositar Lily delicadamente em uma cama, que percebeu que o lugar estava lotado. Seus olhos corriam pela enfermaria, vendo todas as camas habituais ocupadas e muitas outras conjuradas.

Ao redor de Lily, viu Pomfrey e mais duas pessoas cuidando dela.

Ele havia conseguido. Suspirou. Ele havia conseguido trazê-la, não havia falhado.

As emoções pareciam entrar em conflito em seu corpo. Todo o pico de adrenalina que obteve para voltar para o castelo, de carregar Lily por alguns quilômetros em seu colo, de manter-se concentrado e firme em apenas resolver o problema, se esvai agora e tudo o que surgia era o desespero e o medo, como se apenas agora sua mente entendesse a gravidade do que aconteceu: encontrou Lily caída na rua durante um ataque em Hogsmeade, completamente desacordada e ele não fazia ideia do que aconteceu.

- Lily. - Ele sussurrou vendo as enfermeiras checando a ruiva, que continuava desmaiada. - Merlin, ela não. Ela não.

Começou a dar passos para trás enquanto alguém puxou biombos em volta dela, cobrindo toda a atividade que ocorria. Ele olhou para os outros estudantes...por que eles escondiam apenas Lily? Qual era o problema?

Suas costas atingiram a parede e, no segundo seguinte, seu corpo desabou contra ela, deslizando até o chão.

Não. Ela estava bem, tudo ficaria bem. Lily estava em boas mãos.

Ela estava a salvo. Ele conseguiu trazê-la a tempo e ela estava bem.

Lily tinha que estar bem.


N/A:

Finalizo esse capitulo (com o amor que vocês me deram mais acima e o hate do final, com certeza) com uma informação: comecei um Instagram, onde tenho colocado informações sobre postagem, até fotinhas (com pequenos spoilers) e um pouco da vida pessoal. Então me segue lá: fezevans ;)

O primeiro capitulo de Wildest Dreams deve vir logo logo, gente. Se me seguissem no Insta, saberiam que eu to bloqueada em uma cena (tava bloqueada desde quando comecei a escrever essa historia, então deixei para terminar depois, continuei escrevendo e nunca voltei ai LoL). Enfim...o capitulo tá vindo ;)

Reviews sem logins:

Mah: Finalmente o pedido, finalmente o sim e, agora, finalmente o beijo também hahahahahhaa demorou, mas veio xD Espero que tenha gostado dessa aventurazinha em Hogsmeade e nao me odeie tanto depois desse final LoL Tento ser rapida, mas nao é sempre que rola..mas de nada ahahhahaa sei como é esperar por capitulo hehehe Beijooos, lindaa.

Sneak Peek? Um pedacin:

"(...) e, esquecendo que era um bruxo e querendo apenas botar toda a sua raiva em algo, além de ignorar a existência de maçanetas, James chutou a porta, que abriu violentamente e bateu contra a parede.

Os quatro sonserinos se viraram e suas varinhas voaram até ele com um simples, mas rápido e eficiente Expelliarmus. Quando as quatro varinhas chegaram em suas mãos, ele as quebrou, jogando os pedaços restantes no chão."

Beijos no coração de vocês ;**

(me fazendo de anja, para vcs continuarem a me amar).