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Tinha a impressão de que nada estava correto. Nada. Aquela fênix que o encarava tão profundamente não deveria estar ali, aqueles pergaminhos sem nada escrito não deveriam estar ali, aquelas duas pessoas à sua volta não deveriam estar ali.
Ele não deveria estar ali.
Lily não deveria estar onde estava.
- Sr. Potter. - A voz de Dumbledore, chamando a sua atenção, soava errada, assim como tudo parecia errado. Tudo estava errado.
- Eu vou até o St. Mungus. - James soltou sem emoção, sem olhar para ninguém.
Depois de conseguir levar Lily até a ala hospitalar, James se deixou cair em um canto, longe da cama dela, já que Pomfrey o permitiu ficar ali apenas se ele se afastasse e não ficasse em cima deles. Não que pudesse fazer muito, já que biombos foram colocados ao redor dela e ele não tinha a mínima ideia do que acontecia. Assistiu, por quase uma hora, estudantes ficarem bem e saindo do lugar um pouco sorridentes, com algumas bandagens e aliviados.
E ele só pedia para poder fazer o mesmo com Lily. Estava aliviado por chegar com ela ali, mas estava achando que estavam demorando muito atrás daqueles biombos e apenas piorou quando Pomfrey saiu e disse que a levariam para o St. Mungus. A ala hospitalar de Hogwarts tinha tudo o que precisava para cuidar dos alunos e se ela fosse transferida, significava que era mais grave do que pensava. Grave o bastante para aquelas pessoas, altamente competentes, não serem o suficiente para ajudá-la.
Quando Lily se foi, não havia mais nada que pudesse fazer ali, então assim que saiu, os marotos, Marlene e Alice o interceptaram, querendo saber o que havia acontecido. Contou o que sabia, o que não era muito: Lily foi encontrada naquele estado por ele e nada mais. Não demorou muito para McGonagall achá-los e pedir para que James a acompanhasse até o escritório do diretor, onde teve que repetir a mesma coisa para ambos.
- Não podemos lhe permitir sair do castelo assim, principalmente depois de um ataque como esse, ao nosso lado e aos nossos alunos. - McGonagall respondeu, sua voz saiu trêmula, assim como James se sentia por dentro. Não sabia como a própria voz não estava trêmula daquele jeito.
- Eu tenho dezessete anos e preciso da permissão dos meus pais para sair daqui? - Não, sua voz não estava trêmula, mas sarcástica e cheia de todas as emoções negativas que conhecia. - Além do mais, eu disse que eu vou e não "eu posso?".
James remexeu-se na cadeira que nem havia percebido que estava sentado. Tudo havia sido um borrão desde o momento em que chegou até a enfermaria com Lily nos braços e que alguém competente se ocupou. Depois daquilo, nada fazia sentido.
Porque, agora, ele não precisava mais agir para ajudá-la. Apenas esperar.
- Todos lamentamos o que ocorreu e não apenas com a senhorita Evans. Temos estudantes bem machucados e em estado crítico.
- Eu não me importo com eles.- Resmungou. Não era verdade, porque ele se importava, mas naquele momento, não queria se importar. - Eu vou até St Mungus.
- Sua entrada não será permitida, você não poderá vê-la ou sequer ficar perto de seu quarto. - McGonagall continuou suas investidas para impedir seu aluno de cometer alguma loucura. - Eles aceitam apenas a família.
Fechou os olhos ao pensar nisso e aquilo doeu ainda mais. Ele sentia que era da família, sentia que podia estar lá...ele a amava, tinha que poder estar lá. Havia mostrado o suficiente para ela, para que Lily lhe desse o sinal. Eles se beijaram naquele mesmo dia, devia contar para algo.
Não que isso fizesse sentido para qualquer um, mas lhe parecia justo o suficiente.
- Ela não tem ninguém. Os Evans, eles...Lily estará sozinha.
- Sua irmã foi avisada assim que recebemos a informação do estado da senhorita Evans. - Dumbledore disse de seu lugar atrás da mesa. - Provavelmente já está no hospital, acompanhando tudo de perto.
Não conhecia a irmã de Lily, mas sentia que as coisas não eram bem assim. Sabia que não se davam bem, segundo o que Lily já havia dito uma vez. E mesmo assim, era muito estranho alguém que era tão apaixonado pelas pessoas, que amava seus próximos como Lily fazia, de não falar da própria irmã, mesmo tendo suas disputas.
- Eu acho que não. - Ele respondeu, tendo uma sensação ruim quanto aquilo. Por que Lily mal falava de sua irmã? Não era normal. Até Sirius falava mais de Regulus.
- James, querido. - A mão da professora pousou em seu braço. - Teremos informações logo. Assim que uma nota chegar de St. Mungus, nós o avisaremos
- Eu não quero nota! - Quase gritou e empurrou a cadeira para trás quando se levantou.
Eu quero ela de volta. Não podia perder Lily. Nem agora, nem nunca. Se um dia algo acontecesse, ele teria que ir primeiro, porque não poderia passar por aquele sentimento de perdê-la, principalmente quando ele não pôde protegê-la, quando devia estar tão perto, mas não chegou a tempo.
Não imaginou que pensaria isso, mas nunca se arrependeu tanto em tê-la convidado para Hogsmeade. Não deveria ter consultado o mapa naquela manhã depois de ler seu bilhete e ter achado Lily trabalhando na sala dos monitores. Não deveria ter ido até lá e jogar seu charme, fazê-la ir até Hogsmeade sozinha. Deveria ter mantido-a no castelo e...
Seus olhos se arregalaram e seu coração disparou. Não! Não era possível. Sendo que sim, era possível.
Seus dentes trincaram com ódio e sua visão ficou turva com a raiva, com a explosão que sentia chegar.
Sem dizer mais nada, James saiu da sala do diretor ignorando o chamado do mesmo e da professora. Desceu como o vento e disparou pelo corredor, ignorando também os chamados dos amigos. Não sabia que eles estavam ali, mas não importava agora. Tinha que ocorrer. Sua primeira parada era a sala dos monitores e assim que chegou, foi até a mesa que Lily costumava usar e começou a abrir as gavetas com violência e tatear todos os pergaminhos, tentando checar rapidamente sobre o que eram.
Na terceira gaveta, achou o que queria. Leu duas vezes a senha e depois jogou o pergaminho para trás, saindo correndo da sala e voltando sua corrida pelo castelo, agora em direção às escadas. Sem tempo para esperá-las, ele chegava até a ponta de uma delas e pulava no corrimão de pedra da outra. Nunca havia feito aquilo, mas agora podia dizer que pular as escadas era possível caso você precisasse realmente.
Ao chegar no térreo, entrou pela porta direita do hall e continuou a descer as escadarias de pedra. Quando entrou no corredor das masmorras, ele se apressou até a parede úmida:
- Rayknolls!
A parede se abriu e James Potter se viu na sala comunal da Sonserina pela primeira vez em sua vida. Era frio, verde, escuro e lhe dava ânsia. Não perderia seu tempo prestando atenção na decoração, assim como os alunos que lhe encaravam pareciam não querer lhe dar um tour de boas-vindas. Seus olhos correram entre eles até ver alguém que poderia ser muito útil.
Gunberg, a monitora com quem fizera rondas antes e que lhe parecia uma das poucas pessoas daquela casa que não lhe causava vontade de destruir aquele lugar. Ele desceu os degraus da entrada e foi até ela como se pertencesse ali e não tivessem dezenas de sonserinos o encarando completamente ultrajados.
Mas ele sendo grifinório ou não, ele ainda era o maldito Monitor-Chefe e ousava dizer que eles eram espertos o suficiente em não fazer nada contra ele.
- Dormitório do sétimo ano. - Ele disse. Era praticamente uma ordem, longe de ser um pedido educado ou até mesmo uma pergunta.
- Me faria um favor se acabasse com todos eles - A garota respondeu e apontou para um arco à direita que levava para um corredor comprido.
Sem esperar, ele deu as costas e passou pelo arco e o grande e longo corredor, ignorando as primeiras portas onde ficavam placas de cada ano. Já via a porta que procurava e tirou sua varinha do bolso e, esquecendo que era um bruxo e querendo apenas botar toda a sua raiva em algo, ignorando a existência de maçanetas, James chutou a porta, que abriu violentamente e batendo contra a parede.
Os quatro sonserinos se viraram e suas varinhas voaram até ele com um simples, mas rápido e eficiente Expelliarmus. Quando as quatro varinhas chegaram em suas mãos, ele as quebrou, jogando os pedaços restantes no chão.
- Você sabia! - Rugiu quando foi até Snape, o rosto quase colado no do sonserino. Seus amiguinhos pareciam chocados e curiosos o suficiente para não se meterem, o que foi muito inteligente da parte deles estando desarmados. - VOCÊ SABIA!
Os olhos negros de Snape estavam sem emoção, completamente vazios.
- Você sabia.- James o pegou pelas vestes e o levantou. - Você não só sabia o que ia acontecer, como você tentou impedi-la de ir...mas você é um merda. Você é um pedaço de merda inútil neste mundo, porque ainda sim ELA ESTAVA LÁ. - James o chacoalhou com força, querendo que aquele verme reagisse, que entendesse o que estava fazendo, que soubesse que estava se metendo com gente que queriam o mal dela. - RESPONDE!
Snape continuou em silêncio.
- Grifinório de...
James se virou rápido e lançou um feitiço que enviou Avery do outro lado do quarto, batendo contra a parede e caindo desacordado no chão. Se virou para Snape como se nada tivesse acontecido.
- Você amaria lamber por onde ela passa, mas, ao mesmo tempo, você se junta contra um bando de fudidos que caçam e matam bruxas como ela. - James quase sentiu seus dentes partirem de tanto que os apertou. - Me diga, Snape, esse é o seu jeito doentio de amar alguém? É assim que você retribui tudo o que ela já fez por você? - Snape continuava apenas a encarar James. - Sabe o que é pior? Eu tenho certeza que você sabe quem fez isso. - As suas mãos apertaram tão forte no tecido do uniforme do outro, que seus dedos pareciam gritar de dor. - E que você está aqui, neste quarto, pronto para socar a bola dele na sua boca!
- Senhor Potter! - Alguém chamava da porta, mas ele ignorou. Ele disse à Mulciber que se tivesse que voltar ali, ele não iria começar uma guerra e não era agora que daria para trás com a sua palavra. Seria mandado para Azkaban por matar sonserinos em seus próprios quartos em Hogwarts. Que manchete incrível que daria no Profeta Diário com a sua foto bem grande, seus olhos loucos. - James!
Seu nome na voz feminina o fez soltar Snape e virar para a porta. Por um momento, pensou que era ela...uma voz feminina chamando-o por James só podia ser ela, mas a decepção caiu como uma pedra enorme nele quando percebeu ser McGonagall. Dumbledore e Slughorn ao seu lado.
- Senhor Potter, acredito que nos encontramos no dormitório errado. - A voz calma de Dumbledore quebrou o silêncio. Ele não entendia como o diretor conseguia manter a calma com tudo aquilo caindo em suas mãos.
- Não estamos no dormitório errado, caso procuramos culpados pelo ataque.
- Queira nos acompanhar até a saída, por favor. - Dumbledore continuou, sem se deixar levar pela denúncia. - Isso está além de um pedido, Monitor-Chefe.
Aquilo era frustrante. Por que eles não viam o óbvio?
Sem olhar para ninguém, James passou por todos e saiu do quarto. Havia uma multidão de sonserinos curiosos do lado de fora e ele continuou ignorando todos enquanto guardava sua varinha e passava as mãos pelos cabelos. Seu corpo todo tremia e sentia que se alguém tentasse confrontá-lo agora, ele iria acabar com a pessoa com os próprios punhos e não iria parar até alguém trancá-lo em Azkaban.
Na saída das masmorras, esbarrou com os olhares de preocupação de Sirius, Remus e Peter.
- Você invadiu a Sonserina? - Remus perguntou. - Você é louco? Quer morrer?
- Pelo contrário. - Respondeu passando por eles. Muitos passos vinham atrás dele e já imaginava que estava fazendo algumas pessoas perderem peso por Hogwarts naquele dia.
Não sabia para onde ia, mas só sabia que tinha que continuar andando. Ignorou todos os chamados dos amigos que o seguia.
Quando virou em um corredor já no quinto andar, deu de cara com Sirius. Ficou confuso por um momento, já que viu o amigo na saída da sala comunal da Sonserina, mas lembrou da passagem secreta que dava atrás daquele quadro onde o amigo estava.
- Desculpe, Prongs, mas não tenho outra opção.
E tudo ficou escuro.
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Acordou assustado e encarou o teto branco acima. Não era rosa, então não era o seu quarto redecorado por Remus no primeiro dia de aula, há quase três meses. Não se importava com a cor ou com a decoração, achava que era uma boa lembrança dos seus amigos, já que não compartilhava o dormitório e...
Lily!
A lembrança de tudo o que aconteceu o obrigou a sentar com rapidez, uma dor de cabeça lhe atingiu em cheio e resmungou enquanto segurava suas têmporas. Estava na enfermaria e não estava sozinho: todas as camas estavam ocupadas, todas. Ele estava em uma improvisada, pois não existia cama ali, no fundo da sala.
Era noite e ele parecia o único acordado. Jogou as pernas para fora e levantou, andando como se estivesse cheio de firewhisky, e alcançou a porta antes de qualquer um notar sua movimentação. O corredor da ala hospitalar parecia sempre muito horripilante e ficava sempre pior durante a noite, mas ele parecia não se importar agora e apenas continuou o seu caminho, tendo que se segurar pelas paredes uma vez ou outra. Demorou o dobro do tempo para chegar no dormitório, mas assim que entrou, parecia a salvo, se sentia a salvo de tudo o que tinha lá fora. Foi até as escadas e subiu, se sentindo um pouco melhor agora. Talvez andar tivesse lhe ajudado a esquentar o corpo ou talvez...
Quando olhou para sua direita, para a porta do quarto dela...talvez era por sentir que estava mais perto dela agora do que antes. Andou vagarosamente até a porta e observou que o quarto estava do jeito que ela deixara quando levantou na manhã anterior: a cama estava razoavelmente arrumada, as cortinas fechadas pela metade. Havia um livro de capa vermelha no móvel ao lado da cama, provavelmente sendo lido antes dela adormecer. Viu alguns sapatos enfileirados perto da janela, algumas roupas colocadas de qualquer jeito em cima de uma cadeira. Ah, ela também tinha a famosa cadeira com um pequeno amontoado de roupa em cima. Aquilo o fez sorrir de leve.
Sua respiração começou a acelerar, como se lhe faltasse ar. Seus lábios tremeram antes de James fechá-los com força, segurando aquela onda de tristeza e raiva que lhe atingia. Sentou na frente da porta do quarto dela, as costas contra a parede e fechou os olhos.
Lily ficaria bem. Ela tinha que ficar bem.
Um pio alto entrou em seu cérebro como se alguém enfiasse uma agulha por seus ouvidos e olhos, fazendo James quase berrar de dor.
Abriu os olhos e percebeu que estava dormindo no chão do corredor em frente ao quarto de Lily como se fosse um bêbado que perdera o caminho de casa. O pio agrediu seus ouvidos novamente e reparou que um pássaro enorme e vermelho estava na sua frente.
Não, era a fênix de Dumbledore. Aquilo devia significar que ele tinha notícias. Só podia ser.
Se levantou e, como ontem, a única coisa que fez foi correr. A fênix parecia entendê-lo e, com certeza por ordens do dono, o acompanhou pela sua corrida, tentando evitar que James invadisse outra sala comunal naquele dia, talvez.
Deu a senha para o escritório do diretor e não esperou as escadas levá-lo até o topo, subindo o mais rápido possível.
- Vejo que recebeu a minha nota. - Dumbledore disse do alto do seu escritório assim que James entrou, procurando por algum sinal do diretor.
- Uma nota bem aguda, aliás. O senhor tem notícias?
Sorrindo, o diretor desceu até sua mesa e acariciou sua fênix que voltou para o seu poleiro. Ela gralhou um pouco para o dono, antes de se virar para James, como se contasse algo para Dumbledore. O direito sorriu antes de se virar para o seu aluno.
- Acredito que não tenha tomado café da manhã ainda, senhor Potter.
- Não. Temos notícias?
- Sente-se, por favor.
- Diretor...
- Eu acho que já fui bem indulgente ontem em não trazê-lo para o meu escritório e discutir suas ações, então eu gostaria que considerasse o meu convite e pedido neste momento. - A voz do diretor perdeu um pouco a serenidade e ganhou intensidade. James respirou fundo. Dumbledore pareceu assentir, percebendo que o seu aluno estava dando o braço a torcer. - Sente-se, senhor Potter.
James assim o fez.
- O senhor deve estar esperando um pedido de desculpas pelo o que ocorreu, diretor. Eu imagino que sim, mas...- Dumbledore levantou a mão, pedindo para que James parasse.
- Desculpe, mas eu terei que cortá-lo agora, porque se o senhor disser o que tem em mente e se eu e todos os nossos queridos ex-diretores ouvirmos, não poderemos voltar atrás e as punições serão catastróficas.
- Hã?
Dumbledore fez um gesto com a mão e um farto café da manhã surgiu em sua mesa. O diretor pegou uma xícara de chá e ofereceu para James, que aceitou.
- Quero que coma e aproveite essa refeição enquanto conversamos. O senhor não jantou ontem à noite e eu não quero mais alunos na minha ala hospitalar, não mais dos que realmente necessitam.
- Sim, senhor.
James deu um gole no chá e se forçou a pegar um bolinho de limão e comê-lo. Não estava com fome e tinha certeza que o diretor sabia disso, mas tinha a impressão de que não sairia dali sem comer.
- Soube que ontem à noite, houve um delírio coletivo. - Dumbledore soltou a frase no ar e James quase engasgou com o bolinho de limão. Do que ele estava falando?
- Um delírio coletivo?
- Alguém lançou uma bomba de bosta modificada no salão comunal da Sonserina, fazendo os alunos imaginarem que um grifinório maluco invadiu o lugar. - Ele tomou um gole de chá enquanto olhava James por cima da xícara. O maroto apenas encarava o diretor de volta, tentando perceber se ele mesmo não estava tendo um delírio ao ouvir aquilo.
- É mesmo?!
- Sim. Sempre me surpreende essa criatividade dos meus alunos. Temo que na minha época, não éramos tão criativos assim. - James se forçou a pegar um outro bolinho de limão ao ouvir o diretor. - Antigamente, tínhamos outros tipos de influência. Não importa...
- Hmm. - James se limitou a dizer enquanto tomava um gole do chá.
- O que importa é que esse tipo de pegadinha não ocorra mais. - Dumbledore pousou sua xícara e cruzou as mãos na mesa. - Porque se ocorrer, temo que não haverá outro jeito a não ser a expulsão do responsável, além das medidas legais sobre o que ocorrer neste período de delírio coletivo. Mas acho que ninguém gostaria de chegar até este ponto, então não há porque ficar preocupado. Não acha, senhor Potter?
- Sim, senhor. - James abaixou a cabeça, envergonhado. Não arrependido, mas envergonhado em pensar que apenas se sentia assim por ter sido pego. - Obrigado.
Dumbledore se serviu de um bolinho de limão e levantou-se, indo até sua janela. James o acompanhou com o olhar, curioso.
- Fazer loucuras por amar outra pessoa nunca será leve, nunca será inocente e, muito menos, consciente. Quando estamos cegos de amor, senhor Potter, nada mais existe, nada mais importa...e se o seu amor estiver em perigo, tudo o que eu comentei, será intensificado, triplicado. - O diretor se virou para ele. - Há muito o que temer pelo ódio das pessoas, pela raiva, pela ignorância. Nós vemos como Voldemort move o seu exército baseado nisso. Mas há muito a temer quando nos movemos pelo amor, pois é o único sentimento que nos fará loucos o suficiente para nos sacrificar, o único que nos fará buscar pelo certo e não haverá barreiras fortes o suficiente nesse mundo para nos parar. Voldemort peca em não pensar nisso.
James engoliu com dificuldade o pedaço de bolinho que tinha na boca e procurou pelo chá para ajudar a descer.
- Eu decidi que não será aplicado uma punição pelo delírio coletivo sonserino, pois eu sei que foi movido por nada menos do que amor. Não foi por pura maldade, ainda que eu entenda que a pessoa responsável não se sinta arrependida de certa forma, mas eu quero dar um voto de confiança no que eu acredito e eu espero que essa confiança não seja quebrada. Eu acredito que essa pessoa seja boa, que queira o bem e que apenas tomou uma decisão de cabeça muito quente. - Dumbledore se virou para ele. - Todos nós cometemos erros por amor também e, assim como os erros por ódio, nós devemos aprender com eles. Para cada ato, há uma punição. Para os que participaram do ataque em Hogsmeade incluído, então não cabe a nós puni-los ou procurar vingança. Entende onde quero chegar, senhor Potter?
- Absolutamente.
- Bom. - Dumbledore voltou para a mesa, o bolinho de limão ainda inteiro em sua mão. - Comeu o suficiente para se manter em pé pela manhã?
- Eu creio que sim.
- Eu entendo. Não gostamos muito de comer nestas situações. - James apenas assentiu. - Então o senhor está livre para ir até a enfermaria.
- Senhor?
- A senhorita Evans foi transferida esta manhã para o castelo. O senhor tem a autorização de visitá-la.
Não percebeu quando se pôs de pé, apenas se lembra de ter agradecido ao diretor e sair correndo, novamente, pelo castelo.
Dumbledore se virou na cadeira e encarou sua fênix que piou baixinho.
- Sim, eu sei. Esquece que eu também cometi meus próprios erros por amor? A diferença é que James Potter ainda pode corrigi-los ou se impedir de ir mais longe...- Dumbledore respirou fundo. - Diferente de um velho tolo como eu.
- Isso é o sangue Peverell!
Curioso, Dumbledore virou-se na direção do quadro de Fineus Nigellus Black. O ex-diretor encarava a porta como se fosse o próprio James ainda.
- Algo que queira compartilhar, Sr. Black?
- Essa audácia dos Potter...é tudo culpa do sangue Peverell. Eu vi isso ocorrer com seu avô, Harry. Vi com seu pai, Fleamont, enquanto estudava e eu era um simples quadro e vejo agora com James Potter. Tenho certeza que a próxima geração será a mesma coisa.
- Esperamos que a próxima geração também traga um pouco de serenidade da parte da mãe.
- Se a mãe for a sangue-ruim que está falando sobre desde ontem, esperamos que pegue tudo da família do pai. Pobre criança.
Dumbledore ignorou o discurso de ódio do quadro e foi até a sua penseira, depositando uma memória.
- Não é de se admirar ter herdeiros tão ferozes, considerando o que fizeram os irmãos Peverell. - Disse Dumbledore.
- Tirando os dois irmãos burros, vamos concordar.
- Os três foram inteligentes, mas assim como o amor pode mover alguém na boa intenção, ele também pode te derrubar. Foi o caso de um deles. O outro foi a ganância...
- E o outro sobreviveu, porque usou a inteligência. - Fineus terminou por ele. - O que é bom para o menino Potter ter vindo dele, mas vemos que ele se perdeu um pouco no caminho.
Ignorou novamente a tentativa de Fineus de cutucá-lo e guardou a penseira.
- Algo mais a declarar, Sr. Black?
- Acho que minhas opiniões estão bem claras.
Dumbledore sorriu para si mesmo e deu as costas para o quadro, voltando para sua cadeira, sumindo com o café da manhã e voltando com seus pensamentos.
Sabia que, logo menos, não estaria sozinho no escritório e teria que se preparar.
Abriu a porta da enfermaria como se fosse feita de vidro e estivesse trincada, a ponto de quebrar. Era o movimento mais leve que fazia desde quando beijou Lily em Hogsmeade no dia anterior. Seus olhos se espremeram com a claridade dura que vinha de todas aquelas janelas, fazendo-o pensar o por que ser tão claro ali. A maioria das camas já estavam livres, mas viu alguns estudantes ainda deitados e tentou segurar o ímpeto de deixar a raiva invadi-lo novamente pelo ataque. Crianças, eram apenas crianças que tiveram que lutar pelas suas vidas em um dia que deveria ser de risos.
Seus olhos procuraram, mas a luz machucava seus olhos, então foi passando pelo corredor de camas enquanto olhava para cada uma delas.
- Monitor-Chefe. - Pomfrey o chamou enquanto saia de seu gabinete. - O diretor Dumbledore me avisou que apareceria. Ela está na última cama à esquerda, após o biombo.
- Ela está bem? - De repente, um medo o atingiu apenas em ver Lily em qualquer estado. Mal se lembrava como ela parecia no dia anterior, mas não se lembrava de machucados, além de um vermelhidão em seu rosto.
- Aparentemente sim, mas ela está desacordada. O feitiço não foi detectado, mas todos os exames mostram que ela está bem, apenas seu corpo e mente precisam se recuperar.
- Desacordada apesar de estar bem?
- Nosso corpo e mente precisam se recuperar de alguns traumas, querido. Isso é mais recorrente do que pensa.
Aceitaria aquela informação, já que era melhor do que ouvir que ela não estava bem. Agora sabendo da sua localização e situação, ele acelerou o passo até o fim da enfermaria e viu o biombo, deixando-a protegida de qualquer olhar curioso. Respirando fundo, ele foi em frente...e não conseguiu não sorrir. Apenas Lily Evans estaria linda na cama da enfermaria, como se dormisse, como se nada tivesse acontecido. Era tão bom rever aqueles cabelos vermelhos, espalhados pelo travesseiro branco. Seu rosto tinha uma contusão do lado direito, onde ele lembrava do vermelho ontem, talvez pela queda quando foi atingida, mas nada que impediria aquela mulher de parecer nada menos do que linda.
Se aproximou, bem devagar, como se não quisesse acordá-la, e sentou-se na cadeira ao lado.
-Hey. - Ele sussurrou e se deslocou para mais perto da cama. - Que belo susto você nos deu ontem, que susto você me deu. Nós vamos ter que conversar sobre isso quando acordar, porque eu não vou aceitar isso novamente, Lily Evans.
Engoliu com dificuldade e se aproximou mais, quase caindo da cadeira. Apoiou seu braço na cama, não muito longe de onde o braço dela descansava, mas não se atreveu a encostar nela, mesmo se fosse o que mais quisesse neste mundo.
- Eu não sei por quanto tempo você vai ficar aqui, espero que não muito, mas duvido que saia tão rápido assim, tão rápido quanto eu gostaria. - Ele suspirou e baixou os olhos, olhando para os lençóis por um momento, antes de levantar o olhar novamente. - Eu posso trazer as anotações de Poções, Transfiguração e Feitiços para você, acho que você iria gostar. Eu preferia passar o dia aqui, ao seu lado, mas talvez você iria apreciar algumas anotações. Eu não tenho Runas, mas peço para Alice emprestar as dela, ou trazê-las. Você ficaria contente caso Alice e Marlene viessem visitá-la, então melhor eu não monopolizar suas visitas montando um acampamento aqui. - Seus dedos chegaram bem perto do braço de Lily, sentindo o calor que ela exalava, mas não a tocou. - Eu posso ler as anotações, se quiser. Ouvi falar que nosso cérebro absorve informações quando estamos dormindo. Não sei se é everdade, mas podemos tentar, então vamos mantê-la a garota mais inteligente deste castelo. Ah, eu posso trazer e ler o livro que estava lendo e que está no seu quarto. Uma das garotas teria que entrar e pegar, já que eu não posso...ou talvez invocar da porta, deve funcionar também.
Queria tanto que ela respondesse, que abrisse os olhos e o deixasse se perder naqueles verdes que ele adorava tanto.
- Eu nem trouxe flores. - Ele riu de leve. - Desculpe, mas eu apenas corri para te ver. Se você soubesse o quanto eu corri desde ontem, eu talvez daria uma volta na terra. Não é isso que os trouxas falam às vezes? Sobre dar uma volta na terra? - Ele abaixou os olhos e olhou para a mão dela e depois para a sua. Lembrou quando a segurou ontem, quando teve Lily colada à ele...quando ele a beijou. Seus olhos subiram até seus lábios um pouco pálidos. Ontem, eles estavam levemente avermelhados e tão bonitos... - Eu pensei que nunca te largaria quando finalmente te beijasse. Eu não deveria ter te largado, na verdade. Deveríamos ter ficado onde estávamos, ou eu não deveria ter deixado um bando de pessoas me fazer te perder. Iríamos ajudar todos, enviar os estudantes em segurança de volta para o castelo e voltarmos em segurança depois.
Uma lágrima caiu, finalmente. Nem havia percebido que ela estava indo. Ele limpou as duas outras lágrimas com a manga da jaqueta, a mesma que usava desde Hogsmeade. Horrível, ele deveria ter tomado banho antes de vir vê-la, mas dificilmente pararia em qualquer outro lugar além da enfermaria sabendo que ela estava de volta.
- Mas não importa mais. Você vai acordar logo e tudo vai ficar bem. Sabe por que eu sei disso? Porque há essa história de alma gêmea, sabe? Não, você não sabe. - Ele bufou uma risada. - Eu não sou louco, mas aparentemente nós somos. Eu não te expliquei o motivo, mas se você acordar logo, eu posso te dizer tudo. E, como as almas gêmeas têm uma missão para completar, eu sei que você vai acordar, porque eu tenho certeza que ainda não completamos a nossa. Então, é óbvio que você vai acordar...porque o seu patrono é uma corça e o meu é um cervo. - Seus olhos se encheram de lágrimas novamente e ele se xingou baixinho. - Dizem, então, que eles se completam, Lily, e...
- James?
Pulou da cadeira e se levantou como se estivesse fazendo algo errado. Esfregou o rosto, como se pudesse se livrar da cara de choro e se virou para encontrar Marlene e Alice. As duas grifinórias estavam completamente abatidas, provavelmente não muito longe de como ele mesmo parecia. Não tinha ideia de como se parecia, aliás, já que não se olhara no espelho em momento algum.
- Olá. Ela está dormindo. Ahn, mas deve fazer bem conversar com ela...talvez não se sinta sozinha se conversarmos com ela. - Ele disse um pouco perdido. Esperava que o assunto anterior não tivesse chegado até os ouvidos das duas.
- Você fez muito bem em conversar com ela, James. - Alice sorriu de leve para ele.
- Vocês estão bem? Digo, vocês estavam em Hogsmeade, no ataque...
- Sim, mas conseguimos escapar. Levamos alguns alunos do terceiro e quarto ano até o meio do caminho. - Marlene começou a dizer enquanto se aproximava da cama da amiga e a observava. - Depois voltamos para tentar encontrar mais, ou ajudar qualquer um que precisasse, mas então tudo acabou. Nós não vimos Lily em lugar algum, pensei que ela estivesse segura...ela estava com você, afinal.
- Marlene! - Alice repreendeu a amiga.
- Ela está certa, Alice. Eu deveria tê-la protegido.
- Não, eu não quis dizer isso, James. - Marlene balançou a cabeça, se virando para ele. - Eu quis dizer que estando com você, nós não precisávamos nos preocupar, porque sabemos que você a salvaria de qualquer coisa.
- Mas eu não a salvei.
- Mas pelo o que nos disse ontem, vocês não estavam juntos quando aconteceu, então não podia protegê-la. Vocês se separaram. Lily sabe se defender, então eu só consigo pensar que ela foi pega em uma situação bem específica. Aquela garota que derrotou Dolohov e Mulciber não cairia tão fácil assim. - Marlene se sentou na beira da cama e pegou a mão da amiga. - Ninguém te culpa, James, e ninguém deveria, muito menos, pois você a trouxe de volta, você a salvou sim. Talvez, se estivessem juntos, seriam os dois nesta enfermaria ou pior. Acho que podemos ficar aliviados que o máximo que aconteceu foi um nocaute da nossa amiga e que ela irá se recuperar logo e nos contar quem fez isso com ela.
A enfermaria caiu no silêncio enquanto eles apenas observavam Lily por alguns segundos. Vendo que poderia cair no desespero de novo, tendo aquele ambiente pesando por três pessoas estarem no mesmo humor sombrio, decidiu fazer alguma coisa.
- Alice, você poderia trazer suas anotações de Runas para ela? - James pediu, virando-se para a garota.
- Mas ela está desacordada. Talvez não esteja amanhã, mas não vejo motivos.
- Eu vou trazer as de Transfiguração e Feitiços. - Ele continuou, sem respondê-la. - Marlene, você é melhor em Poções do que eu, poderia trazer as suas?
James ignorou o olhar que aconteceu entre as amigas.
- Claro. - Marlene respondeu e acariciou a mão da amiga. - Você pretende...ahn...o quê com elas?
- Lily gosta de ler. Ela não vai conseguir, mas eu posso fazer para ela, assim ela não fica desatualizada.
Ele percebeu quando elas se surpreenderam por suas palavras. Aquilo não era normal? Digo, fazer algo por alguém que não pode fazer? Não se pode ler por uma pessoa, mas ele podia ler para ela.
Sentiu seu espelho no bolso esquentar e o tirou do bolso, mas não atendeu o amigo ainda.
- Eu acho que vocês devem querer ficar um pouco com ela. Eu vou tomar um banho e volto mais tarde. - Ainda com o espelho na mão, ele estava a ponto de se virar, mas voltou para elas. - Caso ela acorde neste meio tempo, vocês poderiam me avisar? Por favor?
- Claro que sim. - Alice respondeu, sorrindo levemente para ele.
Acenando para elas e dando uma última olhada para Lily, James deu passos largos em direção à saída.
- Padfoot! - Chamou no espelho quando saiu e virou no corredor. O rosto do amigo apareceu logo depois.
- Onde você está?
- Saindo da enfermaria. Me encontrem na sala dos monitores-chefes em meia hora.
Não esperou pela resposta e guardou o espelho no bolso. Aquela visita rápida até Lily havia sido tanto um alívio quanto uma aflição, pois garantia que ela estava bem, e, ao mesmo tempo, que o perigo que ela corria era real.
Não precisava de tal lembrete sobre a situação dos nascidos trouxas em geral, mas ter acontecido com ela era um verdadeiro tapa na cara para mostrar que, enquanto Lily estava segura naquela cama, outros James perdiam as Lilys lá fora e nunca poderiam tê-las de volta. Ele foi sortudo por não perdê-la, Lily era sortuda por não ter ocorrido nada mais grave, mas ter acontecido apenas uma vez com ela, não significava que não aconteceria uma outra vez.
Enquanto finalmente tomava o seu banho e deixava a água lavar toda aquela sujeira de ontem, não conseguia pensar em nada, além de agir. A partir do momento que agiu ontem, em todos os sentidos, não queria mais parar agora. Agiu com Lily, depois agiu por Lily e agora precisava agir com todos os outros. Não dava mais para ficar parado e esperar que a vida lhe desse o que fazer apenas quando saísse dali.
Entrando no quarto, começou a ouvir conversas no andar debaixo, mas mesmo sabendo que os marotos estavam lá, achou que a quantidade de vozes não correspondia a quantidade de pessoas que deveriam estar presentes. Vestindo-se rapidamente, ele pegou sua varinha e desceu, querendo entender o que acontecia.
Quando chegou nos últimos degraus, descobriu que a reunião seria um pouco maior do que imaginava. Sirius, Remus, Peter, Frank, Gideon e Fabian Prewett discutiam entre eles, bem acalorados, apesar de não ser uma briga.
Era praticamente um time de Quadribol na pequena sala dos Monitores-Chefes.
Assim que todos perceberam a presença dele, se viraram e o cumprimentaram. Os marotos foram os primeiros a se aproximarem dele, com os olhos cautelosos.
- Todas as aulas do dia foram canceladas. - Anunciou Peter ao vê-lo.
De certa maneira, tinha esquecido completamente que era segunda-feira. Embora estivesse planejando trazer as anotações para Lily, era como se as aulas estivessem distantes de acontecer. Estudar hoje estava nos seus planos tanto quanto cortar suas bolas fora.
Ah. Essa frase veio com uma lembrança dela, quase o fazendo rir. Viu os amigos olharem para ele como se estivesse louco.
Provavelmente ele estava.
- Vimos que você estava na enfermaria. - Remus começou falando baixo e apontando para um pedaço do mapa que saia de seu bolso, para depois aumentar o volume e todos da sala ouvissem. - Quais são as novidades?
- Não identificaram o feitiço usado e ela está bem, mas desacordada. Pomfrey diz que ela está descansando. - Respondeu sem muita emoção.
- Ela está recebendo visitas?
James se virou para Gideon. Naquele estágio das coisas, onde havia saído com Lily, lhe beijado e todo o problema depois, Gideon Prewett parecia apenas uma pessoa inofensiva agora, quase deixando James feliz pela preocupação por ela. Além do mais, sabia que Lily gostava dele, então ficaria feliz em receber uma visita do corvino.
Naquele momento, não existia ciúmes e, mesmo se existisse, não seria ele quem deveria filtrar os visitantes.
- Sim, está. Eu não acho que Pomfrey irá impedir alguém de visitá-la.
Um murmúrio de Sirius chamou a atenção de todos da sala. O maroto, de braços cruzados, estava escorado na mesa de Lily e encarava os próprios pés. Parecia pensativo, então os ocupantes da sala apenas esperaram para que ele finalmente compartilhasse o que parecia pensar.
- Quanto mais visitas, melhor. Ao mesmo tempo, acho que temos que supervisioná-las.
Mas que...James acabou de pensar que não queria filtrar quem visitava Lily, mas Sirius queria controlá-los?
- Explique-se. - Remus quem pediu, parecendo tão confuso quanto James.
- Ontem, conversando sobre o ataque em geral e sobre o que aconteceu com Lily, Marlene e eu chegamos à única conclusão possível: Lily conhecia quem a atacou.
Ignorou completamente o fato de que Sirius e Marlene estavam juntos discutindo aquilo e focou no problema em si.
- Você está dizendo que ela hesitou em atacar alguém que conhecia? - James perguntou. - Eu não acho que tenha sido o caso. Se fosse há alguns meses, eu até concordaria, mas não agora.
- Ela não precisaria hesitar para ser atacada assim. - Sirius retrucou. - Muitas coisas poderiam ter acontecido. Duelar com quem conhece traz muitos problemas além de hesitação e sabemos disso.
- Talvez ela tenha apenas encontrado um Comensal mais velho, alguém com muita experiência. - Peter comentou.
- James nos disse ontem que viu alguém sobre Lily antes dessa pessoa aparatar. - Sirius respondeu novamente. - Comensais experientes te atacam e vão embora, principalmente se for uma aluna aleatória no meio de um ataque massivo. Eles não ficam por perto, arriscando o pescoço ou admirando o feito.
Aquela ideia não era muito diferente da de James. Para ele, havia sido alguém da Sonserina, algum dos alunos que sabiam que tinham ligação com Voldemort. Porém, e aquilo era o pior para pensar, qualquer aluno poderia ter ligação com Voldemort. Tinha que abrir os olhos para todas as possibilidades que existiam e assim como sabia que nem todos os sonserinos eram Comensais, também sabia que nem todos os Comensais eram/foram da Sonserina.
- Sim, isso é possível. - Frank se manifestou pela primeira vez.
- E considerando que pode ter sido alguém conhecido e, talvez, algum aluno...- Sirius descruzou os braços e apoiou as mãos na mesa. - Quem garante que a pessoa não vai voltar na enfermaria e tentar fazer algo contra ela? Se Lily viu a pessoa, talvez ela tente terminar o que queria fazer ou... Espere!
Sirius segurou James pelo braço, impedindo o amigo de sair da sala. Como assim "espere"? Ele tinha que montar acampamento naquela maldita enfermaria agora. Sirius estava certo e ele não poderia deixar aquilo acontecer, não de novo, não debaixo do seu nariz.
- Não posso esperar. Agora ela não vai poder ficar sem alguém por perto, e Pomfrey fica em seu gabinete a maior parte do tempo.
- As garotas saíram da torre para visitar Lily. Tenho certeza que estão lá agora. - Remus tentou acalmá-lo.
- Sim, elas estavam lá. Mas e depois?
- Eu pretendo passar na enfermaria logo depois dessa reunião. Eu posso ficar por quanto tempo for necessário. - Gideon propôs.
- Eu posso vir logo depois e pegar o lugar de Gideon. - Fabian também se ofereceu.
- Muito gentil da parte de todos, mas...
Remus parou o discurso de James, ficando em sua frente e colocando as mãos em seus ombros.
- Pare! - O amigo disse. - Você não precisa fazer tudo sozinho, então pare. Apesar desse ataque ter balançado a todos, a vida em Hogwarts vai continuar e você ainda será um aluno do sétimo ano, Monitor-Chefe, monitor de duelos e capitão do time da Grifinória...independente se Lily estiver na enfermaria ou não. Então não vamos voltar para os primórdios desse semestre, quando você não dormia e estava a ponto de ter um colapso.
Não tinha como argumentar com aquilo. Como sempre, Remus estava certo.
- Nos deixe ajudar, James. - Frank deu um passo em sua direção. - Nós nesta sala, as garotas...no final, não será muito longe do porque estamos nesta reunião.
Não entendeu o que Frank dizia, já que, desde o começo, não sabia que todos eles estavam vindo e era, no mínimo, um grupo estranho. Frank era alguém recorrente com os marotos, mas os irmãos Prewett? Do nada faziam reuniões com eles agora?
- Nós lutamos juntos no ataque. - Sirius respondeu a todos os questionamentos no rosto do amigo. - Colocamos alguns Comensais no chão, outros fugiram.
- E achamos que fizemos um bom trabalho. - Disse Peter, fazendo todos concordarem.
- Então decidimos que temos que fazer isso. - Sirius continuou. - Só o Ministério não conseguirá vencer essa guerra. Precisamos fazer algo...podemos nos unir e já começarmos por Hogwarts. E no fim de Hogwarts, quando estivermos lá fora, podemos lutar de verdade.
- Conhecemos outras pessoas, alunos e ex-alunos que já estão querendo se juntar e que são muito bons: Dearborn, Bones...- Fabian parecia ansioso e excitado com a ideia.
- Poderemos criar essa frente. Tudo secreto, apenas entre nós, pois sairemos daqui querendo lutar deste lado, mas sabemos que há outros querendo lutar do lado oposto. - Remus tomou a palavra.
- Ou talvez...
James começou, mas não continuou. O maroto andou pela sala, entre os presentes, mas sem olhá-los. Se soubesse sobre o tal grupo que ouviu seu pai comentando, aquele em que Dumbledore parecia estar envolvido, seria o jackpot. Subiu o olhar para todos aqueles caras prontos para lutarem, sabendo que eram competentes, mas apenas eles, não iriam longe.
Precisavam de mais e se tivessem bruxos poderosos com eles, como Dumbledore, tinha certeza que seriam uma dor na bunda para Voldemort.
- Talvez o quê? - Peter chamou sua atenção, já que ele não continuou sua frase.
- Talvez possamos fazer parte de algo grande, mas eu preciso saber mais sobre. Eu vou ter que arranjar um jeito.
Seu pai não iria abrir a boca, ele o conhecia. No momento que Fleamont decidiu que não era a hora do filho se meter com aquilo, ele não mudaria de ideia. Ele sabia ser muito consistente com seus pensamentos e decisões.
Mas Dumbledore...se ele fosse direto na fonte, talvez conseguiria informações completas.
- Eu vou falar com Dumbledore e informo a todos vocês assim que eu estiver um pouco mais tranquilo. - Finalizou.
Frank e os irmãos Prewett saíram alguns minutos depois, deixando apenas os marotos. Sentia os olhares dos amigos nele, então James decidiu esperar para que um deles começasse, o que sabia que não demoraria.
- Vamos falar sobre você invadir a Sonserina ou deixaremos passar como se fosse algo recorrente e normal? - Remus foi o escolhido para começar.
- Eu, particularmente, não sou contra. Aliás, devíamos fazer mais vezes, agora que você tem a senha. Mas poderia ter me chamado, pelo menos.
- Sirius, não. - Remus resmungou.
- Você poderia ter saído de lá carregado para a enfermaria, mas de um jeito diferente do que foi. - Disse Peter. - E se eles te atacassem?
- Eu iria atacar de volta.
- Seriam muitos deles contra você. - Remus apontou. - Sei que você é bom, mas não o todo poderoso dos duelos.
- Alguns eu levaria comigo.
Remus revirou os olhos.
- Eu sei que você sabe que foi algo além do que deveria ter feito, Prongs.
- Eu não me arrependo! - Respondeu um pouco mais ríspido. - Eles sabem ou, quem sabe ainda, foram eles quem fizeram aquilo com ela. Ranhoso tentou manter Lily no castelo ontem, tentando dar algo da monitoria de última hora, mas contornamos isso. Ele sabia o que iria acontecer, sabia do ataque, e tudo o que fez foi tentar mantê-la no castelo, deixando todos os outros serem atacados, mortos ou o que seja. Crianças para serem abatidas, Moony.
Os três o observavam andar de um lado para o outro, como um animal furioso dentro de uma jaula.
- Ele sabia e não fez nada pelos outros. - Continuou, a voz um pouco mais calma. - E eu encorajei Lily a ir.
- Não é sua culpa o que aconteceu. - Sirius disse, se aproximando. - Você não pode nem pensar que é sua culpa.
- Eu estava com ela. Aparatamos e vi que ela estava um pouco afetada, mas fomos arrastados pelas pessoas. Eu tentei segurá-la, de verdade, com todas as minhas forças.
- Claro que você fez. Ninguém pensaria diferente disso. - Remus tentou consolá-lo.
- Mas não foi o suficiente. A gente se perdeu, eu a perdi. Era muita gente, muitos gritos, fumaça...crianças correndo, todo aquele desespero. Não deveríamos ter ido para lá. Estávamos salvos, longe de tudo aquilo, mas eu aparatei no lugar errado...eu trouxe nós dois para o meio da bagunça. Depois disso, só Merlin sabe o que aconteceu. Alguém a arrastou até onde estava? Foi pega de surpresa? Eu tenho certeza que ela lutou antes de cair, certeza absoluta, mas por que ela não saiu de lá caminhando e bem?
- Você já conhece a minha teoria. - Disse Sirius. - Para ter acontecido assim, pela pessoa que a atacou ter ficado ao redor até o último segundo, não era apenas um Comensal aleatório.
- De qualquer maneira, nós vamos te ajudar, Prongs. Podemos fazer uma rotação de vigia na enfermaria, até ela acordar. - Peter começou. - Assim não fica pesado para você.
- Ficar na enfermaria não é um fardo. - Ele rebateu.
- Sabemos que não, mas você não precisa carregar essa responsabilidade sozinho...- Remus se aproximou. - Porque não é sua culpa e você não tem que se redimir.
Respirou fundo e passou a mão nos cabelos.
- Eu vou ver Dumbledore. - Disse, sem concordar ou discordar dos amigos.
E saiu.
J~L
Suas pernas ficariam bem torneadas com toda a caminhada e corrida que vinha fazendo nos últimos dias. Seu desempenho no Quadribol seria espetacular na próxima partida.
- Hunf! - Ele soltou inconscientemente. Não conseguia pensar em algo menos interessante do que Quadribol naquele momento. Queria muito ganhar a taça no seu último ano e iria jogar pesado para isso, mas sua cabeça teria que estar tranquila, sem ter que se preocupar com malditos Comensais atacando a sua garota.
Ele riu sozinho, balançando a cabeça. Aquele era um tipo de frase que só podia deixar em seus pensamentos, porque duvidava que Lily gostaria de ser chamada de "garota de alguém". Muito menos por um cara que a beijou uma vez.
O que deveria fazer quando ela acordasse? Além de perguntar quem havia feito aquilo, claro. Estúpido. Era melhor deixá-la escolher o momento para falar qualquer coisa sobre o que aconteceu entre eles, já que estará um pouco perdida quando acordar.
Quando ela iria acordar, aliás?
As mesmas perguntas que não paravam de ir e vir, deixando-o tão cansado e...
Havia uma multidão de adultos no corredor em frente da entrada do escritório de Dumbledore. Pais, tutores e familiares, com certeza. Merda. Às vezes esquecia que, além de Lily, outros alunos também foram atacados, feridos e...será que algum aluno havia sucumbido ?
Ele era um péssimo Monitor-Chefe. Não havia se preocupado corretamente com mais ninguém desde o começo, não querendo saber da situação dos alunos, docentes ou qualquer um do staff do castelo. Os comerciantes de Hogsmeade estavam bem? Os moradores do vilarejo?
- Eu vou te matar!
Aquela voz tão conhecida lhe alertou a tempo de ver Euphemia Potter voar pelo corredor em sua direção.
- Mãe!
- Por que não respondeu a nossa coruja enviada ontem? Qual é esse senso de responsabilidade? Seu pai e eu quase morremos de preocupação. Nossa sorte é que com o contato do seu pai com Aurores, soubemos que vocês não foram vítimas, senão teríamos desembarcado aqui ontem mesmo. Onde está Sirius? Ele também não nos respondeu. Eu deveria mandar os dois de volta para casa neste exato momento!
Não adiantaria pará-la, então James apenas deixou sua mãe despejar toda a sua ira, pois sabia que aquilo duraria apenas alguns segundos, ou o tempo de despejar tudo nele.
- Estou bem, mãe.
- Meu filho, eu quase morri do coração.
Euphemia o abraçou forte e James pôde sentir que ela chorava. Lily não era sua filha, ainda bem, mas conseguia se solidarizar pelo desespero de sua mãe em não ter notícias dele ou estar morrendo de preocupação por ele ter estado presente em um ataque.
- Está tudo bem. Na medida do possível, mas está.
Era tão difícil consolar alguém quando você queria ser consolado, mas tinha que tirar forças da sua alma para acalmar a mãe.
- Ah, James, está uma bagunça. Seu pai está lá em cima com Dumbledore. Os pais estão querendo levar os filhos para casa e estão tentando acalmá-los.
- Isso é besteira. Os alunos estão mais seguros aqui do que lá fora.
- Quando você for pai, saberá que prefere manter sua família longe e escondida de todos em momentos como esse, do que fazer algo óbvio. - Euphemia suspirou, mostrando ao filho todo o cansaço. Provavelmente, não havia dormido a noite toda. - Seu pai está ajudando com isso, conversando com alguns pais lá em cima. Seria imprudente trazer mais pessoas para fora agora, especialmente quando estão investigando o ataque, mas os pais estão sendo difíceis.
- Eu vou subir. - James desviou da mãe, mas apenas para ser parado pela mesma.
- Não, o senhor não vai subir. Vai ficar aqui mesmo, esperando. Não sei de onde você anda tirando essas idéias de que só por ter dezessete anos, pode fazer o que bem entender. As coisas não funcionam desse jeito, James.
Ele revirou os olhos.
- Poderia parar de me dar sermão agora? Não está feliz por me ver bem?
Os olhos de Euphemia parecem derreter agora e se permitiu segurar o rosto do filho. Ele era muito mais alto, fazendo-o ter que se abaixar um pouco para que ela não se esticasse tanto.
- Eu estou muito feliz por saber que você e seus amigos estão bem. - Aquilo lhe embrulhou o estômago e seu mal-estar não passou despercebido por Euphemia. - Merlin, alguém está ferido? Alguém... alguém está...?
Ela não conseguiu terminar a frase, então James apenas segurou a mão de sua mãe firmemente, querendo trazer tranquilidade para ela. E para ele também.
- Alguém que eu me importo muito está na enfermaria.
- Remus? Peter? Quem?
- Eles estão todos bem. Apenas... é...uma outra pessoa.
A mão dela apertou a sua em um carinho muito bem-vindo.
- Uma pessoa que está bem próxima do seu coração? - A mãe sorriu.
"Bem próxima" era eufemismo, mas ele se limitou a confirmar com a cabeça.
- Não sabemos ainda o que aconteceu. Estou esperando que ela acorde.
- Há algo que possamos fazer? Talvez seu pai saberia alguma poção? Ou alguém que possa ajudar.
- Ela foi levada para o St. Mungus ontem e parece que acordar depende inteiramente dela agora.
E esperava que Lily decidisse acordar logo.
- Como ela se chama?
Não soube o porquê, mas aquela pergunta lhe fez sorrir.
- Lily. - Sua voz tinha um tom doce que não ouvia em si mesmo por horas, desde o ataque. - Ela é a garota mais espetacular que existe.
- Eu já escutei esse nome, não?
- Provavelmente entre umas piadas de Sirius. - Ele resmungou.
- Então esse sentimento não é tão novo quanto eu imagino?
Foi a vez dele suspirar.
- Não, não é. Mas eu estou sendo correspondido agora. Então...- Ele levantou os ombros levemente. Isso era algo que tirava todo o embrulho de seu estômago de antes, lhe aquecendo o peito.
- Eu mal posso esperar para conhecê-la, então. - Euphemia sorriu abertamente para ele.
O assunto foi cortado com uma movimentação nas escadas do escritório e alguns pais desciam e conversavam uns com os outros. Aquela decisão não lhe interessava, já que sabia que seus pais eram a favor de manter Sirius e ele no castelo, mas tentou enxergar o pai, querendo falar com ele.
- Ele deve ter ficado lá em cima com Dumbledore. - Euphemia respondeu a pergunta muda do filho.
- Perfeito.
Ele saiu apressado entre os adultos antes que sua mãe o impedisse novamente. Deu a senha para o escritório e subia aquelas escadas pela segunda vez naquele dia. Quando chegou até a porta fechada do escritório, esta se abriu.
Parecia que ele já era esperado.
- Sr. Potter. Que surpresa vê-lo por aqui.
A voz de Dumbledore não tinha nenhum tom irônico, mas James sabia que o diretor era pura ironia.
Seus olhos encontraram os de seu pai e, por um momento, ele viu o embate entre estar aliviado em ver o filho e um pouco preocupado em vê-lo ali.
Você tem todo o interesse em estar preocupado, pensou ele.
- Pai. - James o cumprimentou.
Fleamont foi até o filho e o abraçou, um pouco menos louco do que a mãe, mas deixando claro para James o quanto ele estava aliviado e o quanto aquilo era mais importante do que qualquer receio do que poderia acontecer com a presença do filho ali.
- Por que não respondeu nossa carta?
- Eu nem vi carta nenhuma, para ser sincero.
- Minha coruja deve estar dando voltas ainda neste castelo, querendo te entregar.
- Em defesa do meu extraordinário Monitor-Chefe, ele estava bem ocupado nessas últimas horas, desde o ataque. - Dumbledore permitiu intrometer-se. - Ele salvou uma das nossas alunas.
A mão no ombro de James apertou, mostrando o orgulho que seu pai sentiu.
- Eu não esperaria menos dele. James tem um incrível senso de justiça e um coração enorme. Ele nunca deixaria alguém para trás.
- Interessante falarmos disso, pois vim aqui para falar sobre algo não muito longe do assunto. Na verdade, bem próximo.
Fleamont fechou os olhos, claramente incomodado com a mudança de assunto e sabendo para qual assunto estavam sendo levados.
- James! - Seu pai parecia cauteloso e, provavelmente, pronto para pará-lo.
Então decidiu se afastar, ficando paralelo a ele, como uma unidade, querendo mostrar para ambos os adultos que ele não estava ali por ou com nenhum deles.
Era ele, apenas ele. Não contra os dois, mas do outro lado da mesa fictícia em sua mente. Porque ele queria respostas e não sairia dali sem elas.
Ou sem uma boa briga.
- Eu quero saber sobre o grupo contra Voldemort. - Disse sem dar voltas, esperando a mesma gentileza deles.
Dumbledore continuou sereno, apesar de parecer ser pego de surpresa. Já Fleamont...
- Já discutimos sobre isso, James! - O pai esfregou a têmpora.
- Nós dois, sim. Mas eu não discuti com o diretor. - O maroto se virou para o dito cujo. - Estou bem interessado no seu grupo e eu não sou o único.
Fleamont só faltava cuspir fogo e isso o divertiu. Não queria uma disputa com o pai, mas aquilo ia além deles, além da ótima relação que sempre tiveram, além de dois Potter em discordância.
Esse era um dos motivos de se dar tão bem com o seu avô. Se James o perguntasse sobre o grupo, estaria nele no dia seguinte. Harry era tão distendido, que apenas queria fazer tudo o que pudesse sobre algo que acreditava, influenciando James a ser como ele.
Neste meio tempo, Dumbledore olhou de um para outro, parecendo pesar a situação durante aquele momento em que pai e filho pareciam debater silenciosamente sobre aquilo.
- James, você não sabe o que anda ocorrendo fora destes muros. - O diretor falou.
- Exatamente! Eu leio o jornal, mas sei que há mais do que aquilo.
- Há muito mais. - Dumbledore confirmou. - Muito mais violência, muito mais mortes, muito mais do que simples duelos...
- Simples duelos? - Ele repetiu. - Quando eu disse querer brincar de duelar? Eu fiz isso aos 11 anos, ou quando era criança, obrigado. Eu quero lutar, quero estar lá fora para ajudar com isso.
- Você não vai sair de Hogwarts para lutar. - Fleamont disse.
- Talvez eu não precise agora, mas se piorar...se Voldemort conseguir avançar mais. Imagine se Voldemort consegue entrar completamente no Ministério, ou matar o Ministro! - Sua voz subiu alguns tons. - O meu diploma será mais importante?
- Isso está longe de acontecer. - O pai tentou novamente.
- Quem garante? Você? - Virou-se para Fleamont. - Se tem algo que sabe mais do que eu, então me diga. Porque ontem eu estava na porra de um atentado ao lado de Hogwarts. Onde estava a segurança dos alunos? Não há Aurores para vigiar uma saída em Hogsmeade quando há ataques em todo o país? Os alunos tiveram que lutar ontem e, ainda sim, você acha que somos muito jovens para encarar o "oh tão temeroso" mundo lá fora?
Os dois adultos apenas o encarava enquanto ele despejava sua raiva que, para ser sincero, não era nem o começo do que sentia.
- Mesmo nesta situação, James, temos que ser razoáveis. Você ainda é alguém sem experiência, que quer sair por aí com essa vontade de vingança.
- Vingança? VINGANÇA? - James se aproximou do pai. - O que você faria se alguém fosse atrás da minha mãe, querendo matá-la? O que você faria se ela estivesse em um hospital, desacordada, quando você não conseguiu fazer nada para ajudá-la? Pegaria o seu maldito livro de poções e iria cozinhar algumas pernas de aranha? PORQUE EU NÃO!
Sabia que devia estar, pelo menos, uns 5°C lá fora, mas sentia que estava no meio do deserto com o calor que sentia. A raiva por ser deixado de lado, considerado fraco ou despreparado, lhe deixava em chamas e estava contente por botar um pouco daquele calor para fora.
- Se chama Ordem da Fênix. - Os dois Potter se viraram para o diretor, mas cada um com seu nível de estranheza e surpresa. - Existe há alguns anos, mas nunca esteve tão ativa quanto agora. - Dumbledore olhou para Fleamont. - O seu filho quer lutar e nós precisamos.
- Ele ainda é muito novo.
- Eu decido isso por mim mesmo. - James ajeitou sua postura. - Eu quero entrar.
- Ótimo. Mas como o senhor ainda tem meses de Hogwarts, será um prazer recebê-lo logo após a sua formatura.
Aquilo era frustrante, mas começou a perceber que não havia como fugir daquilo.
- Apenas se a situação não piorar. - James finalizou.
- Isso será uma decisão em conjunto com seus pais.
James olhou para o pai, que parecia desolado.
- Discutiremos isso, caso chegarmos a esse ponto. - James concordou.
- Muito bem. - Dumbledore se aproximou. - Algo mais em que posso ajudá-lo, James?
Agora que conseguiu o que queria, aparentemente, ele se viu um pouco perdido.
- Acho que discutimos tudo o que havia para ser discutido.
- E como vai a senhorita Evans?
Aquilo despertou a curiosidade de Fleamont, fazendo James ter certeza que o diretor queria colocá-lo em uma situação complicada de propósito. Não sabia que Albus Dumbledore podia ser tão vingativo.
- Na última vez que soube, ainda desacordada. Acredito que a situação não tenha mudado.
- Certo. Eu disse que não era necessário ir até o St. Mungus, não é? Tenho certeza que ela acordará em breve e saberemos mais um pouco do que aconteceu.
- Claro. - Limpou a garganta e ajeitou sua jaqueta. Aquela conversa parecia estar virando contra ele e estava longe de querer participar. - Bem, eu vou indo.
- Até logo, Monitor-Chefe.
- Até logo, diretor. - James se virou para o pai. - Nos falamos mais tarde?
- Absolutamente. Diga à sua mãe que ainda tenho assuntos com o diretor. Eu não devo demorar muito.
James assentiu e saiu do escritório.
Sua mãe não estava em lugar nenhum e não deveria ser difícil de achá-la, já que muitos dos pais não estavam mais presentes. Talvez tenha decidido dar uma volta pelo castelo e lembrar dos bons tempos.
Estava morto de cansaço, como se estivesse já no final do dia, mas estava quase na hora do almoço. Poderia passar na enfermaria agora e ficar um pouco com Lily...ou talvez ser surpreendido e encontrá-la acordada.
E ele foi surpreendido, mas não por Lily ter acordado: sua mãe estava ali, na porta de enfermaria, conversando com a senhorita Pomfrey. Maldição!
- Mãe, o que está fazendo aqui? - Não escondeu seu desconforto.
Euphemia se virou e sorriu para o filho.
- Estava dando uma volta e pensei: por que não passar na ala hospitalar e fazer uma visita?
Ah, pelas barbas de Merlin. Esperava que Lily não tivesse decido acordar naquele momento. O que explicaria para ela? Que sua mãe enxerida e curiosa queria vê-la?
- Que bom que já deu a sua volta. Que tal almoçarmos juntos na cozinha? - "Bem longe da ala hospitalar", pensou.
- Mas eu estava...
- Eu sei o que você estava fazendo, mas não é o momento. Por favor.
- MAMÃE!
Fechou os olhos, não acreditando que perderiam mais tempo ali.
Sirius passou por ele e a beijou forte na bochecha, sendo abraçado por Euphemia. Ele passou pelo mesmo processo de arrancada de pele que James havia passado mais cedo, com Sirius assentindo e concordando com ela. Ele nunca ia contra Euphemia, mesmo se ela dissesse as coisas mais absurdas do mundo. Talvez se pedisse para Sirius virar um Comensal, ele viraria.
- Lindo reencontro. Vamos almoçar na cozinha? - James ofereceu e puxando a mãe para fora.
- Ah, vamos comer juntos. Acho ótimo. Onde está meu querido pai? - Sirius abraçou Euphemia e começou a sair com ela do lugar.
Deixou os dois irem na frente e entrou na enfermaria, acenando para Pomfrey. Gideon estava lá, sentado na mesma cadeira que James esteve mais cedo, ao lado da cama de Lily. No móvel ao lado, viu que havia flores, provavelmente dele. Sentiu-se idiota por não ter trazido nada para ela.
- Tudo tranquilo por aqui. - O corvino disse, olhando para a ruiva. - Nenhuma novidade vindo dela. Ela continua do mesmo jeito desde que cheguei. Na verdade...- Gideon se aproximou dela. - Parece que está com mais cor agora. Estranho.
- Ela estava com uma cor diferente antes? - James perguntou se aproximando também. - Ela me parece do mesmo jeito do que esta manhã.
- Não, ela estava mais pálida alguns segundos antes de você entrar.
Não perdeu tempo e chamou a senhorita Pomfrey. Se algo estivesse ocorrendo com Lily, era melhor conferir o mais rápido possível.
- Preciso que saiam para que eu possa examiná-la.
Os dois saíram, tendo os biombos fechados logo depois.
- Obrigado por ter vindo ficar com ela. - O maroto agradeceu.
- É um prazer fazer qualquer coisa para ela. Impossível não querer ajudar uma pessoa tão boa quanto Lily.
- Isso é verdade.
Sem combinar, eles suspiraram. Talvez não pelo mesmo motivo, mas James duvidava que era.
- Vocês estão juntos? - Gideon perguntou sem rodeios.
- Er, não?! - Como responder isso? Eles não estavam. Se beijaram, mas nada foi decidido.
- Não tem certeza?
- Não. Sim. Quero dizer, eu tenho certeza de que não estamos juntos...
- Eu estou ouvindo um "mas" no fim dessa frase. - Gideon apontou.
- Não há "mas". Não estamos juntos.
- Então "ainda" seria a palavra certa?
Queria muito confirmar, mas seria um pouco pretensioso da sua parte. Se dependesse dele, sim. Mas não dependia só dele.
- Eu não sei o que responder, honestamente.
- Não tem problema. - Gideon deu de ombros. - Não seria uma novidade, no entanto. No aniversário de Sirius, eu notei que ela te olhava de tempos em tempos, assim como o contrário também. Todos sabem que vocês estão bem próximos e, dado em conta o que todo mundo sabe o que sente por ela, não seria surpresa.
Outra coisa que não saberia responder ou como reagir. Só por serem Monitores-Chefes não dava toda aquela intimidade e proximidade que tinham, então era óbvio que eles eram amigos para todos. E agora, parecia que a impressão havia mudado e que pareciam mais do que amigos.
Para o seu alívio, a senhorita Pomfrey abriu os biombos, cortando aquele assunto.
- Ela está bem, nada de novo. Ela, de fato, parece mais corada do que essa manhã. Deve ser um bom sinal. Vou ficar de olho.
- Obrigado. - Disseram os dois. - Caso haja algo de errado, poderia me avisar? - James pediu para o corvino.
- Eu irei, não se preocupe.
Acenando e dando uma última olhada em Lily, ele saiu da enfermaria. Apenas para dar de cara com seu pai.
- E então? - Fleamont perguntou.
- E então o quê?!
- Como está a senhorita Evans?
Ficou confuso por alguns segundos, mas só até o momento em que lembrou de Dumbledore falando sobre Lily alguns minutos atrás. Após ter saído do escritório do diretor, não duvidava que seu pai perguntou tudo o que fosse possível sobre ela para ele.
- Está bem. Mamãe está com Sirius na cozinha para almoçar. Você vem?
- Sim, claro, mas gostaria de conversar com você primeiro, filho.
Evidentemente que aquilo no escritório do diretor não iria passar em branco.
- Ok. - Respondeu, derrotado.
- Sr. Potter!
Os dois se viraram para trás, em direção a senhorita Pomfrey. Percebendo a semelhança entre eles e como os dois pareceram responder ao chamado, ela se direcionou à James.
- O Potter Monitor-Chefe, neste caso. - Ela sorriu um pouco sem graça.
- Algo está errado? - Perguntou o maroto com o coração a mil.
- Poderia me acompanhar, por favor?
Sem entender, ele a seguiu de volta para a enfermaria. Gideon estava em pé, afastado da cama, mas olhando para Lily. James se aproximou e viu que ela ainda estava do mesmo jeito. Olhou para a curandeira e percebeu que ela tinha os olhos levemente surpresos.
- Qual o problema? - James perguntou.
Pomfrey olhou para Gideon primeiro e depois para James.
- Não acho que há um problema, mas algo intrigante. Terei que pesquisar sobre.
E sendo a pessoa mais bizarra e misteriosa da vida dele, Pomfrey deu as costas e se apressou para o seu gabinete.
- O que foi isso? - James perguntou para Gideon.
- Você saiu e Lily ficou pálida, quase cinza, por um tempo. Eu chamei a atenção da senhorita Pomfrey novamente e ela saiu em disparada para te chamar. Eu não entendi. E então, Lily voltou com essa cor normal.
- Talvez ela devesse voltar para o St. Mungus.
- Não há necessidade. Tudo está bem! - Ouviram a voz de Pomfrey de seu gabinete.
Ela sabia mais sobre aquilo do que ele, então não rebateu, mas manteria um olho sobre isso.
- Pode ir. Eu vou ficar até Fabian chegar e vou repassar todas as informações para ele manter um olho nela.
- Obrigado.
Fleamont estava parado na porta da enfermaria, esperando. Ele parecia tentar espiar a cama de Lily, mas não ousou se aproximar.
- Algo errado? - Perguntou quando o filho se aproximou.
- Não sabemos, mas aparentemente não.
Quando saíram da enfermaria, James parou no corredor, ao lado da janela, e se apoiou no batente de pedra, olhando pelos terrenos. Seu pai parou logo ao seu lado e o maroto apenas esperou o sermão que viria.
O problema não era discutir aquilo com o pai, porque sabia que alguma hora aquilo iria acontecer. Mas hoje, agora? Depois de tudo o que aconteceu, a última coisa que queria era perder energia com discussões que não dariam em nada, em sermões que poderiam ser deixados de lado, porque James não iria mudar de ideia sobre nada daquilo.
- Eu estou muito orgulhoso de você, filho.
Ah! Aquilo era algo que não esperava. Seu pai dizia, frequentemente, que tinha orgulho dele - tirando os dias que James parecia querer testar a teoria contrariamente -, mas depois da conversa mais cedo, esperava outra coisa.
- Obrigado?
- Eu esqueço o quão grande está e no homem que está se tornando. - Seu pai sorriu. - Aquele James Potter feroz que eu vi, foi incrível. Você sempre teve suas opiniões fortes e as deixava claras, assim como seu avô, principalmente quando era menor. Mas ali, naquele escritório, eu não vi um garoto cheio de manha...mas um homem que sabe pelo o que quer lutar. Um homem que salvou uma aluna ontem.
- Eu não salvei. - James deixou a cabeça cair. - Eu apenas a trouxe para o castelo.
- Você a tirou do perigo.
- Não. Tirá-la do perigo seria trazê-la bem. No final, eu só trouxe uma pessoa desacordada.
- Você a tirou de Hogsmeade. - Fleamont disse, confirmando ao filho que Dumbledore havia, de fato, contado o que ocorreu. - Um Comensal poderia encontrá-la e terminar o trabalho apenas por diversão. Você a trouxe em segurança para cá. Talvez, se você não a tivesse encontrado, a senhorita Evans estaria em um estado bem pior do qual se encontra hoje.
Não respondeu de imediato, porque não via a grande salvação que diziam ter feito. Para ele, trazer Lily para o castelo era o mínimo que deveria fazer.
- Eu nunca sairia de Hogsmeade sem ela. - James sussurrou, não sabendo se o pai ouviu ou não.
Ficaram em silêncio por alguns instantes, antes de Fleamont voltar a falar.
- Ela não é apenas "uma aluna", não é mesmo? - Ouviu um leve sorriso na voz de seu pai.
- Não, ela não é.
Fleamont também se apoiou na janela, com o pensamento longe, exatamente como o filho fazia tantas vezes, com as mesmas expressões, as mesmas sobrancelhas franzidas.
- Fazendo parte da Ordem da Fênix ou lutando para qualquer outro grupo ou por você mesmo, não há lugar para culpa, filho. Quando você estiver lá fora, lutando como quer tanto lutar, a realidade é muito mais cruel. Você vai perder pessoas, conhecidos, amigos... família. - Eles se olharam. - E Voldemort não te dará tempo para o luto. Não haverá tempo para "e se..." ou qualquer outro questionamento. Eu não faço parte da Ordem, mas sou aliado. Com a minha idade e minha saúde que nem sempre me permite, eu não ajudaria muito, então eu trabalho nos bastidores, ajudando de uma maneira melhor. Se eu não tivesse a sua mãe ou se não tivesse você, eu estaria lutando, mas eu receio muito por vocês. - James encarava o pai. Pela primeira vez, eram francos um com o outro sobre aquele assunto. - Então a pergunta que eu te faço é: o quanto você está disposto a perder nessa guerra?
Fechou os olhos e se virou para a janela. Ele não estava disposto a perder nada. Porém...
- Eu me encontro em uma situação onde ou eu corro o risco de perder por não fazer nada, ou risco de perder por estar tentando fazer algo. - Respirou fundo. - E se eu perder por não ter feito nada, a dor me parece pior do que perder tentando.
Agora, mais do que nunca, sabia que não podia não lutar. Havia muito em risco, havia muito... havia Lily.
E Lily era muito a perder, obrigando-o a tentar.
J~L
Durante o almoço com todos os marotos e seus pais, ele tentou realmente estar presente, aproveitar que estava rodeado de pessoas que amava, praticamente todas elas.
Mas a cada minuto que passava, ele olhava para o relógio, como se as horas passando fossem mudar algo na presente situação. Não comeu muito, mas o suficiente para que os olhos de águia de sua mãe, que o observava de perto, ficassem satisfeitos.
Os elfos da cozinha estavam mais do que felizes em preparar uma refeição apenas para eles. Fixez, o elfo que sempre os ajudavam, estava pura felicidade, mas quando ouviu de James que Lily não estaria presente, o elfo pareceu entender que algo de muito errado havia acontecido, então sua animação caiu para quase a metade. Não ficaria surpreso caso a ruiva recebesse uma visita dele hoje mesmo.
- Tem algum compromisso nesta tarde? - Euphemia perguntou ao filho.
- Não algo específico, mas o de sempre com a monitoria.
- Então conferir as horas a cada minuto é apenas para se livrar de nós? - Ela sorria, pois sabia que estava bem longe disso.
- Nem um pouco. - Respondeu dando a última colherada na sua sobremesa. Automaticamente, ele conferiu o relógio novamente.
Os Marotos e seus pais trocaram olhares.
- Por que você não vai logo? - Sirius perguntou dando uma cotovelada leve no amigo.
- Apenas vá, querido. Aonde você quiser ir, apenas vá. - Euphemia concordou.
- Desculpe. Desculpe por isso...eu não queria deixá-los mais cedo.
- Você já nos deixou, querido. Arriscaria dizer que você nunca deixou a enfermaria desde o início. - A mãe respondeu. - Mas não tem problema. Nos veremos em alguns dias, quando retornar para casa.
Pediu licença e saiu da cozinha logo em seguida. Sabia que lamentaria não aproveitar aquele momento único com os pais ali, mas não conseguia aproveitar de qualquer jeito ficando por lá.
Quando virou em um corredor que daria na ala hospitalar, parou no caminho quando viu quem se dirigia para lá. Rapidamente, pegou sua capa, cobriu-se e começou a seguir Snape, que caminhava sozinho e devagar, como se temesse para onde ia.
James tirou a varinha de seu bolso, pronto para fazer o que tivesse que fazer com aquele desgraçado.
O sonserino entrou na enfermaria e James apertou o passo para não perder nenhuma interação que ele pudesse ter com alguém.
- Snape?
Fabian Prewett se levantou da cadeira. Tinha que dar crédito aos gêmeos, porque eles poderiam ser intimidantes quando queriam.
- Visitando a Monitora-chefe? Não sabia que ainda tinha contato depois do fim de seu relacionamento com McKinnon. - E Snape, como sempre, parecendo andar na ponta do precipício, testando sua sorte. Esperava que tivesse arrumado uma nova varinha, porque seria pedir por milagre brigar com alguém, ainda mais um dos Prewett, apenas na base do soco.
Riu consigo mesmo quando pensou em Severus Snape tentar socar qualquer coisa que fosse. Nem devia saber como levantar o punho e jogar na cara de alguém.
- Como você poderia saber qualquer coisa da minha vida ou até mesmo de Lily, sendo que você não tem contato depois do fim da sua amizade com ela?
James queria rir e dar tapinhas nos ombros do corvino, mas se segurou.
- Se terminou sua visita, dê licença para que eu faça a minha. - Snape continuou, ignorando a alfinetada.
- Eu receio que não seja possível. - Fabian cruzou os braços. - Se quiser, terá que ser comigo aqui.
- Eu não acho que você tenha sido designado a tomar qualquer decisão sobre ela, Prewett. Quem é você para decidir qualquer coisa?
- Eu não decidi. E isso é só o que precisa saber.
Os dois se encararam por alguns segundos. James decidiu que aquilo havia sido o suficiente. Lily não precisava de dois estudantes duelando ao seu lado, então voltou alguns passos, saindo de qualquer ponto onde poderia ser visto e tirou a capa, guardando em seu bolso com feitiço de extensão.
- Acho que Pomfrey não gostará de toda essa visita aqui. - Disse, aproximando-se novamente como se tivesse acabado de entrar.
- Potter. - Fabian o cumprimentou.
- Eu acho que você não almoçou ainda. - O corvino negou com a cabeça. - Desculpe mantê-lo aqui por tanto tempo. Pode ir, eu ficarei.
- Me chame quando precisar. Gideon também.
- Obrigado. - James sorriu verdadeiramente e deu aquele tapinha no ombro que quis dar desde o começo de sua conversa com Snape.
O corvino passou por eles, mas não antes de lançar um olhar enviesado para o sonserino, que parecia ainda menos feliz do que antes com a nova companhia. Sem falar nada, James voltou sua atenção a Lily. Ela continuava com a mesma coloração de antes, então talvez ela estivesse bem.
- Poderia nos dar licença? - Snape pediu com todo o seu autocontrole, James arriscaria dizer.
- Não.
Ouviu que o sonserino se remexeu no lugar.
- Eu creio...
- Não dou a mínima fodida para o que você crê. - James se virou. - Você é tão bem-vindo aqui quanto a própria Morte.
- Eu tenho tanto direito de visitá-la quanto qualquer aluno.
- Mas não sozinho.
Deu as costas para ele - o que não deveria fazer, já que se tratava dele -, mas estava ali por ela e não por Severus Snape. Arriscaria dizer que Lily parecia levemente melhor, com um pouco ainda mais de cor, e que pudesse acordar a qualquer momento.
Aquilo acendeu uma chama imensa de esperança em seu peito.
- Talvez eu possa ajudar.
Ele ainda estava ali?
- Como você saberia? Por um acaso, alguém te disse o que foi usado para deixá-la assim?
- Não é isso.
- Você não vai tocar nela, nem dar nenhuma poção, muito menos lançar qualquer feitiço.
- Eu não a machucaria, Potter.
- Você já fez, mais de uma vez. Como quer que eu acredite nessas suas boas intenções? - Tentou controlar a raiva que sentia apenas em saber que aquele verme estava ali. Não podia perder o controle, por mais satisfatório que poderia ser no momento. Não era o lugar, não era a hora. - Se quiser fazer sua visita, faça. Mas eu não vou tirar o pé daqui, assim como nenhuma outra pessoa, caso você vier novamente. E se eu souber que você ou qualquer um da sua laia causou qualquer problema enquanto eu estive fora...- James se aproximou dele. - ... Eu juro sobre tudo o que é mais sagrado na minha vida, que eu mato todos vocês. Pode fazer toda a careta do mundo, Snape, e até mesmo desacreditar o que eu digo, mas não me teste.
Agora, não perderia mais seu tempo com ele. Se aquele idiota quisesse ficar, que ficasse. Se fosse embora, melhor.
Mas ele ficou. James o assistiu se aproximando da cama, cauteloso, chegando até a cadeira de visitas, mas não sentou. O sonserino pegou na mão dela e James tentou não ir até lá e arrancar sua mão da dele, mas não podia. Então apenas assistiu de longe aquela interação que lhe dava dores no estômago.
Como ele podia se juntar a Voldemort e gostar tanto de Lily ao mesmo tempo? Não conseguia entender essa lógica dele. Defendia e ia contra todos os nascidos trouxas ou bruxos e bruxas diferentes de uma família puro sangue, mas era apaixonado por Lily Evans. Qual era o problema daquele cara?
- Não descobriram qual feitiço a atingiu? - Snape perguntou sem olhar para ele. James bufou.
- O que acha?
- Acho que estão lidando com algo que não devem conhecer.
- E você deve, eu imagino.
Ele não respondeu de imediato.
- Quais foram as reações?
- Nenhuma. Apenas mudanças de cor. Ela fica pálida, quase cinza, depois volta com sua cor habitual.
Não que Lily fosse bronzeada, mas não era cinza, pensou James.
- Estranho. - Pareceu ter ouvido do sonserino, mas não iria discutir, sem querer dar informações demais para ele.
Só queria que Severus Snape fosse embora, apenas isso. Queria que Lily descansasse, que o seu redor se mantivesse calmo e apenas com as pessoas que ela queria por perto. E um pouco de paz para ele também.
- Você pode não gostar, mas eu vou voltar para visitá-la. - Snape soltou a mão de Lily, virando-se para James, mas não o encarando.
- Volte, mas você já conhece as condições. - O sonserino desviou do maroto e parou seu caminho quando James continuou. - E para o seu próprio bem e do bando que você participa, esperamos que nada aconteça com ela enquanto não acorda e que ela não piore. Senão...
Ele não terminou a frase, mas duvidava que qualquer coisa que falasse afetasse aquele bosta. Ainda sim, preferia dar o aviso, pois não queria reclamações por falta de um.
Mais uma vez, aquele traste não respondeu e apenas se limitou em continuar seu caminho para fora da enfermaria. Quando se viu sozinho novamente, ele soltou todo o ar, seus ombros relaxaram e o nó que sentia no estômago, desapareceu.
Sentou ao lado da cama dela e, pela primeira vez desde que ela voltou para Hogwarts, ele a tocou: pegou sua mão, aninhando-a entre as suas, fazendo-o soltar um sorriso triste. O calor que sentia vindo dela era uma segurança enorme, quase uma declaração de que tudo estava bem e que tudo melhoraria.
- Melhor você acordar logo, antes que esse castelo venha abaixo.
E seria uma longa vigília.
Uma dor lacerante no seu pescoço o acordou, assim como a claridade.
James passou a mão pela nuca, massageando-a enquanto observava Lily, deitada na mesma posição, sem parecer ter se mexido desde ontem.
Depois de uma segunda-feira um pouco agitada, ele saiu apenas mais uma vez para se despedir de seus pais, passar no seu dormitório e pegar algumas coisas que precisava e voltou para a enfermaria, liberando Remus do posto de vigilante, apesar do amigo ter ficado por mais uma hora, lhe fazendo companhia. Aparentemente, Remus notou uma mudança de cor nela novamente, mas quando James voltou, ela não tinha mais nada. Senhorita Pomfrey lhe deu até às 21h para visita, o que ele fez, mas apenas para sair de lá, colocar a capa de invisibilidade e voltar para a cadeira ao lado de Lily. E assim passou sua noite, vigiando, dormindo, acordando assustado com algum barulho, dormindo novamente. Havia sido uma noite exaustiva e ainda teria aulas naquela manhã.
Sentia que havia sido atingido por uma manada de hipogrifos. Estava exausto, quase sem forças para abrir completamente os olhos.
- Prongs?
Peter chamou sua atenção quando entrou na enfermaria, fazendo James tirar a capa.
- Bom dia, Wormtail.
- Eu já tomei café e não vou ter aula pela manhã. Você pode ir e eu fico, até que alguém possa vir.
James olhou para ela, tentando achar qualquer sinal de melhora, mas nada parecia ter mudado.
- Obrigado.
Foi como um zumbi até o salão principal para comer e encontrou os amigos já esperando por ele.
- Peter fica nessas duas aulas com ela e eu fico depois. - Sirius anunciou assim que James sentou em sua frente.
- Bom dia, Padfoot. - Ele respondeu sorrindo.
- Como ela está?
- Não muito diferente de ontem. - Deu um longo gole no café.
- Moony disse que o Ranhoso veio ontem? O que esse filho da puta quer?
- Encher o saco. - O Monitor-Chefe lançou um olhar na mesa da Sonserina, encontrando o idiota. Ele conversava com Avery, o outro idiota. - Disse que vai voltar.
- Espero que venha quando eu estiver lá. - Sirius lançou um pedaço de pão na boca e mastigou, também lançando seu olhar raivoso para o sonserino. - Será um prazer.
- Estamos evitando confrontos na enfermaria, aliás. Então se puder manter as coisas calmas, acho que todos agradecem. - Remus chamou a atenção do amigo.
- Tudo vai depender dele. Qualquer coisa, ele já vai estar no lugar certo.
Remus olhou para James e revirou os olhos. Era bom ouvir um pouco da normalidade dos amigos, ainda que o assunto de "Lily na enfermaria" ainda estivesse rondando a conversa.
- Sua atenção, por favor. - A voz amplificada da professora McGonagall fez com que o salão inteiro caísse no silêncio e se virasse para a mesa dos professores. Ela estava parada onde normalmente Dumbledore dava os discursos de começo de ano ou qualquer anúncio importante antes do jantar. - Tendo em conta o infeliz acontecimento de Domingo e os resquícios que ainda estamos lidando, as aulas de hoje também estão canceladas. - Os alunos começaram a reagir, discutindo entre si, antes da vice-diretora continuar. - Peço que usem o dia de hoje para revisarem e terminarem suas atividades e visitando seus colegas que podem estar na enfermaria. Retornarão às aulas amanhã.
Aquilo era ótimo. Não pelo motivo em si, mas por ter o dia livre para poder...
- Não! - Remus cortou seus pensamentos. - Você não vai ficar o dia todo na enfermaria. Eu sei que está atrasado com uma dissertação para Estudos dos Trouxas e você não fugirá disso, além de ter que revisar as senhas das salas comunais comigo.
- Mas Moony...
- Peter está com Lily agora, Alice e Marlene poderão ficar logo depois e Sirius irá mais tarde. Até lá, eu vou arrastar a sua bunda para tudo o que tem que fazer e, se houver novidades da enfermaria, tenho certeza que todo mundo fará questão de te avisar.
- Mas...
- E não há discussão aqui, James. Caso encerrado. - Remus terminou de preparar seu próprio mingau e lançou um olhar para o amigo, apontando para as frutas em sua frente. - Coma!
O que ele poderia argumentar ali? James apenas ficou parado, literalmente sem argumentos.
- Uau, nem Euphemia tem tanto controle assim. - Sirius riu.
Era mais fácil convencer sua mãe de algo do que Remus, então sabia que era uma batalha ganha do amigo.
Pegou suas frutas e começou a comer.
No dia seguinte, quarta-feira, havia sido o mesmo.
Acordou ao lado de Lily sentindo-se acabado, sem energia. Mas ela estava bem, mais corada do que o dia anterior, então aquilo lhe deu toda a coragem para levantar a cabeça da beira da cama dela e continuar o dia.
Na quinta-feira, acordou dando um pulo do lugar, provavelmente por conta de algum sonho bizarro. Parecia que tinha jogado Quadribol por 24h, sem pausa e descanso, e em todas posições possíveis. Seus braços doíam, suas pernas também. Sua cabeça estava lhe matando e tinha a impressão que se decidisse levantar naquela hora, iria cair.
Mas Lily parecia ainda melhor do que na noite anterior, quando ele finalmente conseguiu fechar os olhos e dormir.
Na sexta-feira, acordou e desejou que ela fizesse o mesmo. Mas lá estavam eles novamente: Lily parecendo progredir a cada noite e ele sucumbindo ao fim dos seus dias, das dores, da fatiga, de tudo.
No sábado, não entendia mais nada. Não sabia o por quê dela não acordar quando parecia tão bem...e não entendia sentir-se tão mal, tão debilitado daquele jeito. Certo que estava preocupado, dormindo sentado há quase uma semana, mas não era motivo para tudo aquilo.
- Você vai dormir no seu quarto hoje. - Sirius apontou um dedo para ele quando encontrou o amigo no Salão Principal naquela manhã. - Eu vou dormir na enfermaria.
- Padfoot, não é isso que está me deixando assim. Eu não sei, deve ser preocupação.
- Não é. Você tem comido razoavelmente bem, mas seu rosto está sumindo, você está desaparecendo, como se não comesse há meses. Está pálido, com olheiras bizarras e mesmo dormindo mal, você tem dormido.
- Isso não parece preocupação. - Peter finalizou pelo amigo.
- Parece mais um lobisomem depois da lua. - Remus resmungou do outro lado da mesa.
- Ou que algo está sugando sua energia... ou um dementador sugando toda a sua vida. - Disse Sirius.
- Tudo isso está sugando a minha energia, não posso mentir.
- Não, você não está entendendo. - Remus meneava a cabeça. - Tem se olhado no espelho ultimamente? Você está cadavérico.
Para a falar a verdade, não, ele não tinha se olhado no espelho ultimamente. Não tinha tempo para isso. Tomava banho e se trocava rapidamente, apenas garantindo estar limpo. De resto, não estava se importando muito.
- Foi o que imaginamos. - Sirius não esperou a resposta dele. - Então hoje, você vai dormir no seu quarto e eu juro que te aviso qualquer mudança. Nós temos o espelho para isso.
Talvez...talvez uma noite em uma cama lhe faria bem. Confiava em seus amigos para tudo, inclusive ficar de olho em Lily durante uma noite e lhe avisar caso algo mudasse, lhe dando a chance de descansar um pouco. Não a ajudaria caso ficasse naquelas condições.
Então após o jantar de um sábado longo, monótono e frio, acompanhou Sirius até a enfermaria. Sem novidades, Lily continuava tão apagada quanto antes. Respirou fundo.
- Ela parece melhor do que hoje de manhã. - Sirius se aproximou da cama e colocou um livro ao lado da cabeceira dela. James tinha a impressão que aquele livro era dela, mas Sirius estivera lendo uma vez.
- Ela está progredindo bem. Só falta acordar, agora.
- Não deve estar longe, Prongs. - Sirius apoiou uma mão no ombro do amigo. - Fique tranquilo que eu vou tomar conta dela.
James passou sua capa para ele.
- Eu sei.
- Enquanto isso, vou ler esse livro para ela. Acho que eu não dei a oportunidade para Lily de ler o final. Ou de chegar na metade.
- Só leia baixo, para que Pomfrey não te escute.
- Para de querer ensinar a missa para o padre, Prongs. E vai dormir.
E ele foi. Pela primeira vez em todos esses dias, deixou a enfermaria de noite e foi dormir na própria cama. E Merlin, como era difícil entrar ali. Apesar da lareira acesa, estava frio e morto, faltando aquele toque dela no lugar...tudo o que via, era dele: seus pergaminhos nas mesas, seus sapatos jogados perto do sofá, seu casaco do dia anterior na poltrona...
E nada dela. Sua bolsa não estava em sua mesa, nem suas penas espalhadas pelo lugar, nem as embalagens de chocolates.
Pegou um peso de papel e jogou na parede, explodindo o pequeno globo em mil pedaços.
- Malditos filhos da puta.
Subiu até o seu quarto, ignorando o dela. Forçou-se a fechar a porta três dias atrás, porque era tortura olhar lá dentro toda a vez que ia até ali.
Como estava exausto. De um jeito diferente do que quando vinha fazendo mil coisas ao mesmo tempo e mal dormia. Era uma sensação de que um pedaço seu saía de seu corpo todos os dias, e então, vinha a dor do vazio daquilo. As dores nas pernas, nos braços e na cabeça lhe davam essa sensação: alguém arrancou um pedaço de cada lugar e não o repôs.
Escovou os dentes como se usasse suas últimas forças, mal conseguindo manter os olhos abertos, arrancou o uniforme e se jogou na cama.
Apenas para acordar três horas depois, completamente perdido, sem saber onde estava. Quando reparou no quarto rosa decorado, conseguiu se encontrar. Virou para tentar pegar no sono e nada.
- Tô sem mapa, sem capa...- Começou a falar consigo, tentando acalmar aquela voz que dizia para ir até a enfermaria. - Muito arriscado, não faça isso. Vá dormir, Sirius está lá.
Virou na cama de novo, mas sentiu que estava completamente revigorado, mesmo que tenha sido apenas três horas de sono.
- Dorme, idiota. Dorme.
Mas era como tentar dormir depois de 12h de descanso. O que estava acontecendo com ele? Como era possível ter descansado em três horas?
Então por essa e por outras, que ele entrava na enfermaria naquele momento nas pontas dos pés, tentando ser o mais silencioso possível. Quando chegava perto da cama de Lily, ainda protegida pelo biombo, ouviu a voz bem baixa de Sirius:
"A cerimônia, em 18 de agosto de 1956, foi espetacular. Mais de 3 mil convidados compareceram à recepção na sala de baile do Hotel Astor, em Nova York, depois da cerimônia religiosa no Brooklyn, e nenhuma despesa foi poupada para abrilhantar a ocasião."
- Sabe, nessas horas que eu fico feliz de estar longe da máfia da família Black, sabe, porque...
O comentário de Sirius parou e James imaginava que era pelo amigo tê-lo visto entrando. Sirius tirou a capa de cima, indicando sua localização ao lado da cama dela, sentado na cadeira. Seus cabelos apontaram para todos os lados por conta da rapidez que puxou a capa pela cabeça.
- O que aconteceu? Você não estava dormindo? - Sirius sussurrava.
- Sim. Como ela está?
- Eu vou contar isso para Moony amanhã e vou adorar vê-lo acabar com você. E eu não quero que me enfie no meio, porque estou bem sem receber sermão, além de estar fazendo a minha parte direitinho. - Sirius suspirou e colocou o livro ao lado, antes de continuar. - Eu acho que ela está um pouco pálida, comparado quando cheguei aqui.
- Ela me parece bem. - James concluiu ao ver que Lily parecia como a viu da última vez.
Sirius se aproximou de Lily.
- Eu juro que ela estava mais pálida. Deve ser esse feitiço bizarro.
- Você disse que iria me avisar caso algo acontecesse.
- Nada de novo aconteceu, Prongs. Ela virar um caleidoscópio humano não é novidade. Então você pode ir dormir, que tudo está bem.
Conjurou uma cadeira e sentou do outro lado da cama dela, fazendo Sirius revirar os olhos.
- Eu não sei. - Começou o maroto. - É muito estranho dizer isso, mas eu sinto que tenho que estar aqui.
Pegou a mão dela e a segurou forte. Gostava de sentir aquele calor que transpassava, como se fosse uma música suave que lhe acalmava.
- É por você ser o grande baba ovo dela.
- Talvez. - James sorriu e se aconchegou.
- E porque você ama Lily de um jeito que nunca vi alguém amar outra pessoa.
Aquilo lhe fez rir de leve.
- Você não conheceu ninguém que ama outro alguém, Padfoot, esqueceu?
- Conheço seus pais. - Aquilo fez James fechar o sorriso. - E nós dois sabemos que eles se amam bastante.
Isso era verdade.
- De qualquer maneira...- Ele bocejou longamente, antes de apoiar a cabeça na beirada da cama. - Não importa. É isso.
Sirius franziu a testa, sem entender.
- Isso o quê?
Sem resposta. O maroto se deslocou para olhar o amigo, mas este estava completamente entregue ao sono. Como aquilo podia ser capaz de acontecer tão rápido?
Dando de ombros, ele jogou a capa de invisibilidade sobre James e voltou ao seu lugar, observando os dois ou, no caso, apenas Lily. Ela parecia ainda melhor do que quando James apareceu.
- Hm. - Ele apoiou o queixo na mão, enquanto pensava.
Talvez teria que dar uma passada na biblioteca mais tarde.
J~L
Acordou com alguns cochichos ao redor.
- Não sei como, mas foi assim que aconteceu. - Era Sirius.
- Ele estava cansado e queria ficar com ela. Quando veio pra cá, ficou relaxado o suficiente para dormir em um segundo. Me soa como uma explicação razoável. - E aquele era Remus.
- Não sei não. Ele adormeceu muito rápido.
- Eu não te desencorajo de ir ver, de qualquer maneira. Sou sempre a favor de você meter seu nariz em um livro do que na vida dos outros.
James levantou a cabeça e viu os amigos conversando do outro lado da cama. Peter tinha os olhos presos em Lily, sem comentar nada. Isso o obrigou a se virar para ela, esperando vê-la pior, mas ela estava bem. Muito bem, inclusive. Diria que estava com a sua cor normal, até seus cabelos pareciam mais vivos.
Ele tirou a capa de cima de si para olhá-la melhor e não conseguiu segurar o sorriso, o alívio, a felicidade em vê-la assim. Lily estava ficando boa, talvez o bastante para acordar.
- Puta que pariu!
Virou para Sirius, que tinha o olhar assustado. Remus e Peter também, mas eles não olhavam para Lily. Olhavam para ele
- Prongs! - Remus começou. - Você está horrível.
- É um prazer ouvir isso.
- Não, não. Você...Merlin !
Sirius tirou o espelho do bolso e entregou para o amigo. James arregalou os olhos quando viu o próprio reflexo: estava com o rosto tão magro, quase desaparecendo. "Cadavérico" foi a palavra que Remus usou para descrevê-lo ontem? Pois era exatamente assim que ele parecia.
- O que aconteceu comigo?
- Não sei, mas você precisa de ajuda. - Peter comentou observando-o de perto.
Passos apressados vieram do gabinete da senhorita Pomfrey. A curandeira não parecia feliz com a conversa dos alunos tão cedo por ali, ainda mais ao lado de uma paciente que precisava de descanso.
- Garotos, por favor. Falem baixo. - Seus olhos encontraram James e ela se calou de imediato. - Santo Merlin!
Ela saiu apressada e voltou para o seu gabinete.
- Ela se assustou. Só não sabemos se o suficiente para sair correndo de medo ou para te ajudar. - Disse Sirius.
- Eu estava assim ontem? - James perguntou ignorando o amigo e ainda olhando no espelho.
- Não tanto assim. Como você se sente? - Remus perguntou.
- Cansado. Bastante.
- E você dormiu a noite toda, desde que chegou aqui. - Sirius virou para Remus. - Ainda acha que não vale a pena dar uma olhada nisso?
- Eu não falei que não valia, mas vale muito mais a pena agora do que antes.
- Talvez seja doença. - Peter disse.
- Não é doença.
A voz de Pomfrey chegou até eles enquanto vinha apressada na direção de James com um copo fumegante e estranho.
- Espero que isso seja para qualquer um, menos para mim. - Reclamou o maroto.
- Tome sem reclamar, senhor Potter, ou irei parar de fingir que o senhor não dorme aqui todos os dias.
Fazendo um bico de quem não podia reclamar, ele pegou o copo e deu um longo gole. Argh, aquilo era pior do que qualquer poção que seu pai já o obrigou a tomar em sua vida.
- Não sei do que está falando, senhorita Pomfrey. Mas estou tomando com gosto, vê? - Ele levou o copo à boca novamente, controlando a vontade de vomitar.
- Muito bem, continue e tome até a última gota. - Olhou para todos eles, antes de continuar. - Terei que pedir licença, pois preciso fazer minha checagem diária na senhorita Evans. Vão tomar o café da manhã e estudar um pouco. As visitas reabrirão no meio da tarde.
- No meio da tarde? - James checou seu relógio. - Mas essa será uma longa checagem.
- Está julgando meus métodos de cura, Senhor Potter?
Ele iria retrucar, mas viu que Remus balançava as mãos nas costas de Pomfrey, pedindo para que ele não fosse adiante com o que pensava. Então James fechou a boca.
- Certo. Meio da tarde, então.
- E então tomará um outro copo daquele. - Ele fez uma careta. - Vamos, vamos. Tenho muito a fazer.
Eles começaram a se distanciar da cama, ou pelo menos ¾ deles. James segurou a mão de Lily pela última vez, apertando-a como se quisesse que ela sentisse que ele estava ali, e que continuaria ali até quando ela precisasse
- Eu te vejo mais tarde. Por favor, tente voltar para nós. - Ele se abaixou e deu um beijo em sua testa. - Voltar para mim. - Sussurrou.
E assim os quatro marotos pegaram o caminho para a saída da enfermaria.
Pomfrey sorriu para aquele gesto que acabara de assistir, antes de voltar a atenção para a sua paciente. O progresso que Lily Evans fez foi tão grande e ela estava tão surpresa e feliz em poder acompanhar aquele processo.
Tirou um pequeno e gasto livro de dentro de seu avental e colocou ao lado da cabeceira da cama, enquanto sentava-se ao seu lado.
- Eu nunca conheci almas gêmeas antes, senhorita Evans. - Pomfrey disse olhando para a capa do livro azul celeste nomeado "A cura das almas". - Quando li esse livro na minha época de estudos, dado por um professor um pouco místico demais, eu pensei que seria besteira. Mas quem diria que eu seria testemunha de como uma alma gêmea pode ajudar a curar a outra.
Ela sorriu, completamente satisfeita por tudo o que vinha acontecendo: as ondulações de Lily Evans quando James Potter ia embora ou chegava; o quanto ela melhorava a cada manhã, após uma noite inteira do maroto dormindo ao seu lado; o quanto James estava dando de sua alma e sua energia para ela, mesmo sem saber, fazendo-o quase desaparecer em frente aos seus olhos.
- Por isso que eu tive que mandá-lo embora por algumas horas. - A curandeira voltou a falar. - Ele tem que se recuperar, assim como a senhorita deve utilizar toda essa energia que ele te deu, para se forçar a acordar. - Ela deu um tapinha gentil na mão da ruiva. - Eu estou cuidando dele aqui para você, mas ele iria adorar tê-la de volta. Assim como todos nós.
Levantou-se, pegando o livro de volta, pronta para continuar a ler e tentar entender melhor e mais profundamente o que estava acontecendo com os seus dois alunos.
- James?
Pomfrey parou no lugar e se virou...encontrando os dois olhos verdes de Lily Evans a encarando de volta.
N/A:
Oi! =B
O que eu posso dizer é: quem não está no Instagram com a gente, tá perdendo muita coisa LoL vocês estão perdendo spoilers e trechos daqui e de Wildest, noticias de postagem, a musica dedicada para esse capitulo, informações pessoais e uma interação que...nossa...ontem eu fui dormir com um sorriso enorme no rosto com todas as perguntas e mensagens de todos depois daquela caixa de perguntas que lancei. Sério, vocês me fizeram tão feliz, que corri para poder dar esse capitulo hoje e não esperarem mais! Obrigada a todos S2
Resposta para reviews sem login:
Mah: Nao, esse dois nao tem um minuto de paz, velho. Sirius e Marlene sao muito amor, amo muito *-* E o James, nem preciso falar xD Nao se preocupe, as atts estao vindo. Wildest talvez venha no meio da semana, quem sabe. Nao garanto xD Beijooos, lindaaa.
Jullie: Sua review foi uma fofuuura. Obrigada, linda. Eu fico feliz que eu tenha conseguido passar tantos sentimentos em um cap apenas ahahhahaha e esse capitulo foi ainda maior que o outro, entao espero que tenha curtido tbm. Mas veja so, nao vale a pena me esganar..vamos esperar os proximos capitulos. E alias, Lily socando a galera é o que eu mais gosto de colocar nas minhas fics HAHAHAAHAHHAHA fica a dica ai xD Beijoooos, lindaa.
Cin: Bem-vinda *-* E obrigadérrima pela review e pelas palavras. Voce foi um amor. Fico feliz que esteja gostando da fic e que continue acompanhando *-* Beijooos, lindaaa
Não vai rolar sneak peek aqui hoje, porque sou malvada =( é mentira. Mas, como acontece algumas vezes, não estou postando de casa. Mas fiquem de olho por ai...talvez eu venha com spoilers qualquer dia desses no Instagram LoL
Continuem me amando...Jily volta no próximo ;)
Beijos, pessoas lindas ;**
