J~L

Sentia falta de um bom Natal branco.

Em Hogwarts, era quase certeza tê-lo, o que fazia o lugar ainda mais mágico e lindo. Lembrava do primeiro ano, quando não voltou para casa e quase se emocionou com a energia e magia, literal, do lugar. O castelo ficava vazio, os estudantes estavam felizes e se divertiam, os professores estavam mais relaxados.

Era uma pena não poder passar o seu último Natal em Hogwarts, mas infelizmente não tinha opção desta vez.

Ter sido convidada por Alice e Marlene para passar com suas famílias foi muito gentil, mas não queria atrapalhá-los, ainda mais com a tristeza que sentia agora, com a saudade de seus pais e de sua família reunida para aquela data.

Lily respirou fundo e ajeitou a sacola com o jantar nas mãos. Percebeu um pouco tarde que toda a comida havia acabado e teve que correr para o mercado e comprar algo para comer nos próximos dias. Já passava das 18h e ela andava lentamente pela rua, perdida com os seus pensamentos, angústia e saudade. Ela podia ouvir as famílias reunidas nas casas enquanto passava: as risadas, os cachorros latindo, músicas e televisões ligadas, prontos para passarem a véspera juntos. Depois, acordariam na manhã seguinte e se reuniriam em torno da árvore e trocariam presentes, enquanto comiam alguns chocolates ou sobremesa da noite anterior.

Era isso o que sempre ocorria na casa dos Evans, pelo menos.

Ouviu um pequeno canto de pássaro se aproximando. Provavelmente por reconhecimento inconsciente, ela levantou os olhos na direção do canto e viu o seu passarinho se aproximar rapidamente. Lily enrugou a testa enquanto parecia receber uma bronca e percebeu como o passarinho parecia nervoso.

Havia algo errado em sua casa?

Nem parou para pensar mais e começou a correr, ainda que com dificuldade por conta do peso da sacola do mercado. Ela teria que aparatar. Olhou para todos os lados e ninguém parecia estar lhe dando atenção, então ela pensou na varanda de sua casa - já que achava melhor não aparatar dentro da casa sendo que não sabia o que acontecia -, e viu a rua desaparecer.

Sentiu que chegou na varanda, mas estava tonta. A varinha estava pronta para atacar e foi quase o que fez quando ouviu gritos de sustos.

- Não ataquem! - ela ouviu alguém dizer.

Ela apontou a varinha para todos os lados, enquanto sua visão voltava ao normal e se deparou com rostos apreensivos e mãos para o alto, já que ela continuava a apontar a varinha.

- Está tudo bem, somos nós. - Marlene, que também tinha as mãos para o alto, disse em sua frente.

Abaixando a varinha, ela deu alguns passos para trás e percebeu que havia seis pessoas na sua porta de entrada, circundando-a: Marlene, Alice, Frank, Remus, Sirius e James. Todos estavam bem arrumados e pareciam prontos para o Natal. Eles abaixaram as mãos quando perceberam que não havia mais risco, e sorriram.

- Feliz Natal, Lily! - Sirius disse e abriu os braços, como se eles fossem o seu presente.

Lily lutou contra a emoção que a atingiu ao vê-los todos ali. Não estava acreditando, na verdade.

- Já que você não quis vir até nós, então nós viemos até você! - Alice se aproximou e a abraçou de lado.

Droga. A lágrima que ela lutou tanto para segurar foi mais forte e desceu pelo seu rosto.

- Espero que isso seja um sinal de que está feliz, pois não temos outros planos além de passar essa virada de Natal aqui com você. - Remus comentou, a fazendo rir.

- Definitivamente estou feliz - ela respondeu.

- Ótimo! Nós trouxemos muita comida, bebida e doces. - Sirius olhou novamente para o relógio. - Podemos entrar? Precisamos começar agora. Aliás...muito bom sistema de segurança com os cachorros...- O maroto se aproximou e sussurrou. - Pena que não há nenhum cachorro aí dentro.

- Como sabe?

- Bem, é um assunto do qual eu entendo.

- Alarmes ou cachorros? - Lily perguntou confusa

Sirius apenas sorriu e não respondeu.

- Entrem, desculpa. Está muito frio.- Ela se atrapalhou com as chaves, e Frank tirou a sacola de mercado de sua mão para ajudá-la, já que ele estava ao seu lado. - Obrigada, Frank. A cozinha está aos fundos. - Ela disse enquanto o garoto entrava, sendo seguido de Remus a cumprimentando com um beijo rápido na bochecha; Marlene e Alice a abraçando fortemente; Sirius que bagunçou seus cabelos com carinho, dando uma olhada para trás e sorrindo.

Isso a fez olhar para trás também e ver James ainda nas escadas da varanda, as duas mãos no bolso e um sorriso leve.

- Oi! - ele disse subindo o último degrau e parando em sua frente.

- Oi! - ela respondeu um pouco tímida. - O que Sirius disse ontem no espelho, sobre Remus e todos estarem prontos para hoje. Era sobre isso?

- Sim. - ele deu de ombros. - Queríamos fazer uma surpresa.

- Eu fiquei surpresa. - ela riu.

- E nós também. Principalmente quando chegamos aqui e você não atendia a porta.

- Então foi ao seu comando que eu fui abordada pelo passarinho?

- Digamos que pedi uma pequena ajuda para ele, sim.

Eles se fitaram por alguns segundos, sem saberem o que fazer.

Lily só queria se aproximar e beijá-lo de novo, assim como ontem, de novo e de novo. Mas ela não iria dar o primeiro passo. Não tinha a mínima ideia de como deveria cumprimentá-lo ou como abordá-lo com um beijo. Por terem se beijado daquele jeito ontem, lhe dava uma abertura para fazer de novo?

James deu um passo em sua direção, parecendo decidir por ela, mas uma correria dentro da casa o fez parar.

-Eu não sei ligar um forno trouxa, Remus! - Alice reclamava de dentro da casa.

-Vocês vão botar fogo na casa da Lily!

Aquilo desviou sua atenção de James, a fazendo se virar para dentro por um momento, antes de se virar para ele novamente para dizer que precisavam entrar, mas ele fora mais rápido e depositou um leve e rápido beijo em seus lábios.

- Melhor evitar que eles queimem sua casa. - Ele murmurou e fez sinal para que ela entrasse primeiro.

Aparentemente, ela tinha sua resposta agora.

Correndo até a cozinha e tentando se recuperar do beijo de James, encontrou uma bagunça colossal com comida, pacotes, caixas e latas espalhadas por todo o lado. Como aquilo era possível? Eles haviam entrado há um minuto na casa.

- Nós vamos limpar, Lily. Não se preocupe. - Remus disse indo até Alice e o forno, ajudando-a.

- A lareira é funcional, Lily? - Frank perguntou da porta que dava na sala.

- Sim, ela é. - E o viu desaparecer novamente. - Certo, eu vejo que vocês tem um plano e tarefas bem distribuídas. O que eu posso fazer?

- Você vai se preparar, Lilykins. Nós estamos prontos, mas você suba e tome um banho quente.- Marlene dizia empurrando-a para fora da cozinha. - Nós não vamos botar fogo na casa, ok?

Sendo expulsa da cozinha, ela se viu no corredor que dava para as escadas. Ela passou rapidamente pela sala e arregalou os olhos quando viu uma enorme árvore toda decorada que não estava ali antes, tendo pequenas vassouras com duendes em cima voando em volta. Frank arrumava as toras de madeira na lareira e a acendia. Já penduradas, havia uma grande meia decorada com o nome de cada um deles ali. James e Sirius terminavam de colocar as decorações por todo o cômodo.

Todos empenhados em suas funções para um Natal não em Hogwarts, mas que não poderia ser mais Hogwartiano para ela. Não tinha seus pais com ela a partir de agora, mas tinha que se lembrar que seus amigos estavam ali e que não pareciam dispostos a deixá-la para trás.

Subiu as escadas correndo quando sentiu as lágrimas voltando, não querendo assustar ninguém com toda aquela emoção mista que sentia. Aquela saudade de seus pais com a felicidade de ter seus amigos com ela. Estava um pouco demais para guardar, então durante o banho ela deixou tudo vir à tona e se deixou sentir tudo o que queria.

Não tinha planos de celebrar o Natal, não tendo nenhuma roupa preparada, então decidiu usar a roupa do último natal com seus pais e Petúnia: um simples vestido de mangas longas vermelho e uma meia-calça preta. Como estavam dentro da casa, ficariam descalços, então não se preocupou com sapatos.

Passou um perfume doce que gostava, uma maquiagem leve e se achou mais do que apresentável para o jantar. Quando saía do quarto, sentiu um cheiro delicioso de peru de Natal e batatas douradas. Remus devia estar conduzindo-os bem quanto aos eletrodomésticos trouxas.

E claro, ouvia a televisão ligada.

Desceu as escadas e parou no último degrau, de onde tinha uma vista para a sala, e viu várias cabeças espalhadas pelo sofá e poltronas, concentradas na tela. E claro, passava The Muppets Show.

Todos explodiram em risadas, a fazendo sorrir.

- Padfoot, encontramos o seu espírito Muppet: você é o Gonzo! - James comentou, fazendo os outros rirem, já que a cena que davam risada era relacionada ao personagem.

- Ah é? Eu sou o Gonzo? Sabe quem você é, Prongs? Miss Piggy!

- Miss Piggy?! - O moreno de cabelos despenteados deu um pequeno pulo no sofá para olhar melhor o amigo que sentava na outra ponta. - Eu não tenho nada a ver com Miss Piggy!

- Se achando o máximo e o bonzão no que faz, praticamente se auto-proclamando namorado da pessoa que gosta, correndo atrás igual um louco. Você é total Miss Piggy.

- Seu idiota!

Rindo, Lily desviou da sala e foi para a cozinha: tudo estava arrumado e o cheiro era ainda melhor ali. Viu Alice terminar de decorar o prato das batatas e Remus a ajudava. Os dois levantaram os olhos quando ela entrou.

- Minha linda e doce Lily. - Alice a cumprimentou finalizando o prato. - Chegou bem na hora.

- Vocês foram muito rápidos! - Lily comentou se aproximando. - E parece tudo delicioso.

- Esperamos que esteja. Nós usamos o jeito trouxa e bruxo para preparar, senão seria muito longo. - Remus respondeu.

- Vou deixar este prato dentro do forno para continuar quente e então acho que podemos começar os aperitivos. Vou avisar as crianças. - Alice disse, revirando os olhos e saindo da cozinha.

Confirmando que Alice não estava por perto para ouvir, ela se virou para Remus novamente.

- Como se sente? - ela perguntou. A lua cheia seria amanhã, em pleno Natal, e ela via como o amigo estava cansado.

- Um pouco letárgico e fatigado, mas estou bem, Lils. Feliz que podemos fazer isso hoje. Preferiríamos passar com você amanhã também, mas infelizmente eu não poderei.

- Claro, eu entendo completamente. Imagino que os garotos não vão deixá-lo sozinho, certo?

- Não, eles virão comigo. - Remus a encarou um pouco malicioso. - A não ser que você queira...

- Se você for fazer alguma piada sobre James, pare agora. - ela disse, brincando. - Eu estou muito feliz que estejam aqui hoje, de verdade. Obrigada por isso, especialmente sabendo que você preferiria estar descansando.

- Entre descansar e estar aqui, saiba que a segunda opção sempre será a melhor.

Se adiantando, ela abraçou o amigo com força.

- Você não sabe o que fala, mas eu agradeço ainda sim, Rem. - Remus riu em seus braços.

- Aparentemente, você não sabe o que fala, ruiva. - Eles se soltaram. - E aproveitando a deixa: tem algo para me falar?

Lily sentiu suas bochechas esquentarem no segundo seguinte. Remus gargalhou com a reação dela.

- Não tem graça.

- Tem sim. E sabe o que é o melhor: eu não ver você reclamando. Ficando tímida assim, para mim, só significa que você gostou.

- Ele realmente contou então? - De repente, ela ficou ainda mais tímida em saber que havia quatro pessoas, pelo menos, naquela casa que sabiam do beijo de ontem: James, Sirius, Remus e ela.

Será que eles sabiam dos outros beijos também? Pela falta de piada e comentário antes, provavelmente não.

- Em defesa dele, foi difícil arrancar a informação. Como soubemos que ele passou a tarde com você, só havia um único motivo para ele estar com um sorriso molenga e perdido em pensamentos desde ontem à noite. Nós insistimos e ele confessou, mas não deu detalhes.

- Certo. - Ela respondeu ainda sem graça.

- E então? - Remus perguntou.

- E então o que?

- Você se sente bem ou não com isso?

Ela se recostou no balcão da cozinha ao lado dele.

- Eu...- Ela tentou, mas apenas em lembrar de beijar James, lembrar do que sentiu e de como queria mais, o sorriso escapou de seus lábios, fazendo Remus rir de novo. - Para de rir!

- Eu acho que já tenho a minha resposta.

- Você é mesmo parte daquele grupo, francamente.

Os dois saíram da cozinha juntos e foram até a sala. Aparentemente, Alice foi pega pelo programa, já que estava ao lado de Frank e ninguém parecia se mover para começar com os aperitivos.

- Vamos ter que tirá-los à força da frente dessa televisão. - Remus resmungou baixinho e foi até o móvel lateral do sofá, sem ser percebido por ninguém, e pegou o controle remoto. Apertou para mudar de canal, caindo no jornal especial de Natal, onde mostrava crianças realizando o Christmas Carol por Londres e a repórter falando com uma delas.

- O que aconteceu? - Sirius perguntou.

- Eu não sei! - Marlene respondeu.

- Será que assistimos muito e acabamos com o que tinha ali dentro? - Frank perguntou, confuso. - A Lily vai ficar brava?

- Eu acho que não é o mesmo canal. - James comentou. - Pelo que me lembro, há vários capítulos na televisão, com coisas diferentes passando.

Remus desligou o aparelho e a tela preta fez todos os que estavam sentados, se remexerem tensos.

- Droga, quebramos! - Alice colocou a mão na boca.

- Vamos ter que comprar outra para Lily. Onde vende? - James se levantou do sofá.

Segurando o braço de Lily, Remus a puxou para a sala de jantar antes que eles os vissem. Ali, ela se deparou com a mesa posta, completamente decorada com o tema. Eles estavam mesmo preparados.

Em seguida, ouviram os passos dos amigos se aproximarem.

- Lilykins...nos desculpe. - Marlene começou. - James nos mostrou a televisão e estava passando esse programa legal cheio de bonecos estranhos e engraçados...

- E acho que vimos demais. - Frank disse logo depois.

- Eu acho que quebramos. - Alice franziu a boca. - Mas vamos comprar outra, eu juro. Ou talvez...

Lily segurava a risada com Remus, então virou de costas para os amigos para passar as taças para beberam os aperitivos.

- Falaremos disso depois. - Ela disse entregando uma taça para cada. Com diferentes garrafas e bebidas na mesa, todos foram se servindo. Quando ela ofereceu a taça para James, seus dedos se tocaram e ela sentiu uma eletricidade passar pelo seu corpo.

- Obrigado. - ele agradeceu com uma voz rouca e quando passou por ela para se servir, ele continuou. - Gostei do vestido.

Não deu tempo para ela responder e apenas se afastou com um sorriso no rosto, parecendo orgulhoso em ter percebido o rosto de Lily corar.

- Eu proponho um brinde para este Natal nada convencional, pois finalmente podemos beber álcool sem termos que contrabandear e por não passarmos com familiares indesejáveis. - Sirius levantou a taça.

- Um brinde para o natal com álcool e pessoas legais. - Frank o imitou.

Todos levantaram a taça ao meio e antes de levarem até a boca, Lily se pronunciou:

- Um brinde para o natal com álcool, com as pessoas mais legais, mais importantes e que fizeram a minha vida melhor e mais leve hoje.

Ela viu todos os sorrisos se abrirem para ela e as taças serem erguidas em sua direção. Eles beberam e logo em seguida, atacaram os aperitivos e começaram a conversar. O jantar foi servido uma hora depois, quando perceberam que deveriam comer antes que o álcool começasse a fazer muito efeito na cabeça de alguns (vulgo Sirius) e ele ficasse impossivelmente parado na cadeira para comer.

Havia sido um bom jantar e a comida estava deliciosa. Sirius puxou uma salva de palmas para Remus e Alice, os dois que fizeram praticamente tudo e mereciam, de verdade, serem ovacionados. O cardápio das sobremesas estava ainda melhor: diversos tipos de christmas pudding feitos por Marlene e sua mãe, que pareciam derreter na boca de tão bons.

Lily riu internamente ao lembrar do macarrão que havia comprado para fazer naquela noite e o plano de continuar um livro sobre duelos até adormecer. Bem, a vida estava ali novamente para mostrar que tudo podia escapar de seu controle e, ao invés de já estar dormindo naquela hora, ela bebia a última taça de champagne da noite com seus amigos.

Quando já passava das três da manhã e as risadas e conversas começavam a ficar mais baixas por conta de Frank e Remus estarem dormindo no sofá e Sirius estar entrando na onda também, eles decidiram afastar todos os sofás e poltronas, tirar a mesa de centro e conjurar vários colchões pelo chão e acampar por ali mesmo. Lily pegava todos os travesseiros e cobertores com Marlene no andar de cima e quando chegaram embaixo, todos estavam acordados e discutindo os lugares de cada um para dormir. Sirius já havia sido jogado no canto direito do colchão, com Remus deitado logo após, James - que resmungava algo para Remus - e Frank. Logo ao lado de Frank, estava Alice, Marlene se deitando ao lado da amiga e Lily sendo a última na ponta esquerda.

Todos se acomodaram e a maioria pareceu adormecer logo em seguida, como os três que já estavam dormindo antes. Marlene já tinha a respiração mais lenta, mas Lily tinha os olhos bem abertos e a mente bem acordada, repassando a noite em sua cabeça e deixando a felicidade se alojar em seu peito e aproveitando aquela sensação.

Ouviu um movimento vindo do lado dos garotos e não se importou, continuou a encarar o teto. Uma sombra passando perto de seus pés a assustou, fazendo-a levantar a cabeça. A sombra passou por todos e foi até o seu lado. James deitou no sofá ao lado de Lily, um sofá de dois lugares que estava longe de ser o suficiente para o tamanho do maroto. Ela o encarou se aconchegando e se virando para ela.

Com a lareira nas últimas brasas, ela podia vê-lo parcialmente bem. A mão dele desceu e se pendurou no sofá, fazendo os dedos encostarem no braço de Lily que estava em cima de sua barriga, acariciando-a levemente. Uau, aquilo fazia seu corpo todo se arrepiar e se eletrizar. James moveu seu rosto mais para a beirada do sofá e a olhava firmemente, mas ainda que ele não estivesse parecendo sério, ele também não tinha o sorriso típico. Ele a encarava tão profundamente, que Lily sentia um revirar em seu estômago.

Lily não pôde se segurar e não olhar para a boca dele, naquela meia luz da lareira, fazendo-a parecer ainda mais convidativa do que normalmente era.

Parecendo ouvir seus pensamentos, James levantou sua mão e acariciou seus cabelos primeiro, antes de trazer sua mão para o rosto dela. Lily fechou os olhos e engoliu em seco, aproveitando o carinho tão bom que ele fazia. Parando em seu queixo, James tocou os lábios dela com um dos dedos e aquilo foi tudo o que eles precisavam.

Ele se abaixou do sofá e Lily se levantou do colchão, fazendo os lábios se encontrarem finalmente. James tinha sua mão agora perdida pelos cabelos rubros, assim como Lily perdia a sua pelos cabelos dele, querendo se aproximar cada vez mais enquanto botavam mais vontade e urgência no beijo.

Isso! Era por isso que ela esperou a noite toda, que dizia com os olhos quando eles se encaravam pela sala, na mesa, na cozinha... era por esse bendito momento que ansiou tanto desde o momento que ele partiu ontem. Quando finalmente caiu no sono na noite anterior, foi com o beijo dele que sonhou e foi a primeira coisa que pensou quando acordou.

Poderia soar patética ou muito apaixonada...então que fosse ambos, caso pudesse repetir aqueles beijos todos os dias. Estava quase subindo no sofá para se aproximar mais dele, mas Marlene se remexeu ao seu lado, fazendo ambos pararem. Lily olhou para trás e confirmou que a amiga dormia ainda.

- Começamos na hora errada. - ela disse se voltando para ele aos sussurros.

- Nunca é a hora errada.

- Shh! - eles escutaram alguém murmurar ao fundo.

Lily selou os lábios dele e voltou a se deitar logo em seguida. James fez um bico contrariado, mas se deitou no sofá novamente, os olhos ainda voltados para ela.

- Boa noite. - ele disse não se controlando e acariciando o cabelo dela.

- Boa noite. - ela respondeu com um grande sorriso para ele.

A mão de James saiu de seus cabelos rubros e segurou a mão dela.

E foi assim que Lily caiu no sono: o coração aquecido pelo beijo e sua mão segura com a mão dele.

L~J

Os cachorros-alarme começaram a latir e dentro da casa o barulho era infernal.

Lily sentou rapidamente, mas não reagindo tão rápido quanto os outros, já que ela estava acostumada com aquilo todos os dias. Todos os garotos já estavam de pé perto da porta, Alice e Marlene se levantavam empunhando suas varinhas, reagindo um pouco menos também, pois ficaram por longos dias com Lily ali, acordando com os latidos.

- Tem alguém vindo até a porta! - Remus disse olhando pela cortina. Frank estava na janela do outro lado.

- Eu abro a porta e você ataca? - Sirius perguntou para James. O maroto acenou e já tinha a varinha apontada.

Ela se levantou apressada, já sabendo quem era.

- Parem, parem. Não o ataquem, ele não fará nenhum mal!

- Você o conhece? - Frank perguntou vendo o garoto se aproximar da porta.

- Quem é ele? - Sirius perguntou logo em seguida.

Lily não respondeu, apenas fez sinal para que eles dessem espaço até a porta. Segurando a maçaneta, os quatro garotos rodearam a porta, mas fora de vistas. A ruiva revirou os olhos e abriu a porta na hora em que o garoto do jornal estava prestes a deixar as notícias em frente da porta.

- Bom dia. - Ele disse e se aproximou, entregando o jornal direto para ela ao invés de jogar no chão. Sentiu que os quatro se posicionaram ainda mais perto do batente, prontos para atacar.

- Bom dia. Obrigada e Feliz Natal.

- Feliz Natal.

O garoto deu as costas e desceu a varanda. Quatro pares de olhos apareceram ao lado da porta, o acompanhando.

- É apenas o garoto do jornal. Ele vem todos os dias entregar, se acalmem. - Ela fechou a porta.

- Se alguém quisesse te atacar, ele seria uma pessoa fácil de imitar. Teria fácil acesso até você. - James reclamou em tom baixo.

- Até hoje, nada aconteceu. Não é como se eu fosse importante o suficiente para os Comensais virem atrás de mim, James.

Os amigos olharam entre si rapidamente, percebendo que nenhum dos dois parecia disposto a deixar a conversa de lado.

- Chega de falarmos do menino do jornal, que importância ele tem? Nenhuma. Vamos pular para a parte onde vocês me dão presentes. - Sirius empurrou os amigos de volta para a sala.

- Ou melhor: vamos comer. - Alice deu a ideia e já correu para a cozinha. Remus e Frank foram atrás dela.

- Dar presentes era mais legal, mas aceito comida. - Sirius murmurou e ligou a televisão como se estivesse em casa e se jogou de volta em seu colchão.

- Levanta essa bunda daí, porque vai ajudar a arrumar a mesa.

Marlene se abaixou e pegou a orelha de Sirius, obrigando-o a levantar.

- Mckinnon! - O maroto reclamou enquanto foi levado para a sala de jantar pela orelha.

Lily não sabia de onde Marlene arrumava aquela coragem de lidar com Sirius daquele jeito após terem algo rápido em Hogwarts e, depois, ela fingir que nada aconteceu. Mas, novamente, era difícil entender a amiga.

Uma tossida a fez virar para o lado, para James.

- Sobre o seu presente. - Ele começou. - Eu não o tenho ainda, mas por um bom motivo.

- Você não precisa me dar nada, de verdade. - Ela abanou a mão. - Porém, eu tenho algo para você.

- Tem?

Ele parecia tão feliz, como se fosse mesmo uma criança esperando pelo Papai Noel. No caso, o Papai Noel seria ela.

- Claro. Não é nada demais, mas foi uma promessa.

O maroto ficou confuso, enquanto Lily ia até o armário perto da entrada e trazia um pacote bem embalado em vermelho e fitas verdes. James aceitou o pacote com um sorriso imenso, tão puramente feliz com o presente mesmo nem ter aberto ainda.

- Obrigado.

- Você nem abriu ainda.

- Mas obrigado de qualquer maneira. - Ele encarava o presente. - Esse embrulho remete a você. - Ele comentou baixo e Lily riu.

- Apenas as cores do Natal, James.

- Nunca parei para pensar que as cores do Natal eram também as cores de Lily Evans.

Ela ficou tímida e assistiu enquanto o maroto desfazia o laço bem devagar, não querendo se desfazer do embrulho totalmente. Quando ele viu o presente, começou a rir. A risada virou uma gargalhada enquanto deixava o embrulho cair no chão e segurava um suéter rosa com as siglas J.P pequeninas no lado esquerdo do peito.

Esperava que ele lembrasse, na primeira noite de volta à Hogwarts, quando Remus explodiu o quarto dele em rosa, deixando o maroto coberto de um pó rosa-choque e Lily dizendo que o daria um suéter da mesma cor, já que lhe caia bem.

- Como havia dito que te daria um no Natal, achei conveniente manter minha palavra.

Ele ainda ria olhando para o suéter, passando a mão pela lã bem trabalhada. Não estava contando em dar apenas isso para ele, claro, mas era um bom começo.

- Eu adorei. De verdade. Dificilmente ganhei algum presente tão significativo antes. - James a olhou. Seu olhar realmente lhe dizia que estava feliz. - Não pense que não vou usá-lo.

- Não precisa usar, sabe. Esse presente foi apenas uma brincadeira, você terá outro.

- Por favor, não se incomode em me dar algo a mais. Esse suéter é mais perfeito do que se pode imaginar. - Ele levantou a peça na altura dos olhos e sorria. - Obrigado.

Se aproximando, ele a puxou com um braço e selou seus lábios com muita vontade, soltando-a logo em seguida, deixando Lily sem fôlego. Talvez devesse fazer mais suéteres para James Potter, caso ganhasse um beijo daquele sempre.

Com o café da manhã pronto, preparado novamente por Alice e Remus - com uma ajudinha de Frank - , eles tiveram uma refeição digna de Hogwarts, para depois trocarem presentes. O ponto alto foi quando Sirius abriu um saco de presentes de Lily com uma caixa de canetas esferográficas, um livro de colorir de crianças e algumas canetinhas. O maroto foi até o espaço e voltou de felicidade. A ruiva ficou surpresa em como era simples fazer os marotos felizes com suéter, canetas e, no caso de Remus, que ganhou uma bolsa para livros, mas na verdade era projetado para guardar chocolates escondidos sem derreter e que, com cada barra inserida, dava a impressão que mais um livro havia sido adicionado. Apenas para manter qualquer um longe de seus doces.

Como foram acordados cedo pelo garoto do jornal, eles passaram a primeira parte da manhã conversando e aproveitando os últimos momentos juntos, já que a maioria voltaria para casa e a refeição em família.

James viu Frank e Alice partirem primeiro, deixando apenas os outros cinco na casa. Remus estava, claramente, bem cansado e já ficando debilitado. A lua cheia seria naquela noite e os Potter estavam à espera deles para uma refeição de Natal antes que os garotos partissem para a noite na floresta ao lado de Peverell's Creek. Se não fosse lua cheia, se não tivesse um compromisso da vida com Remus, não iria embora da casa de Lily. Ao menos que ela pedisse que ele fosse embora, claro.

Haviam tomado uma boa decisão em fazer aquela surpresa para ela. Não conseguiria deixar Lily sozinha para o Natal, mesmo ela dizendo não se importar mais com a data. Assistindo-a agora gargalhando com Sirius, lhe dava a certeza que deveria se ouvir mais, ou também dar mais atenção aos pequenos sinais dela sobre o que gostaria. No fundo, era óbvio que ela não queria passar aquela data sozinha, mas não havia sido apresentada a oportunidade de ter o Natal ali com todos eles.

Só não sentia que queria ir embora agora. Seus pais entenderiam caso não voltasse, mas havia combinado com o seu pai de ir até o Ministério naquela manhã, aparentemente para o seu presente de Natal.

- Você vai aparatar acompanhado, Moony. - Sirius repetiu quando estavam prontos para partirem.

- Não preciso, estou forte o suficiente.

- Para de ser teimoso. Por que vai gastar suas últimas energias agora? E se você estrunchar? - James entrou na causa de Sirius.

- Eu nunca estrunchei. Não será hoje que farei.

- Você vai...

Sirius foi em direção à Remus, pronto para pegá-lo pelo braço e aparatar com o amigo, mas Remus aparatou primeiro, deixando Sirius segurar o vazio.

- Inferno! - James reclamou.

- Não vejo nenhum pedaço dele aqui, pelo menos. - Sirius disse olhando para o chão. Ele se virou para Lily. - Desculpe ter que sair rápido assim, mas tenho certeza que vou encontrar Remus no chão do outro lado. Bom Natal, ruiva.

E no segundo seguinte, ele sumiu com um "creck" da sala de Lily.

- Vocês não conseguem com a teimosia de Remus Lupin, eu vejo. - Ela disse.

- Não. Ele pode ser pior que uma criança, às vezes. Mais do que Sirius. - Lily riu. James se aproximou dela e segurou seu rosto com uma mão, enquanto a outra segurava o seu suéter rosa. - Quanto ao seu presente...eu posso te entregar na próxima vez que nos virmos?

- Você não precisa fazer isso, James.

- Eu preciso. Eu estudei para descobrir como fazer e, mais do que nunca, quero te dar isso. Mas eu preciso da sua autorização para pegar algo que tem aqui nesta sala.

Lily estava nitidamente confusa e curiosa.

- Precisa de um objeto daqui?

- Sim. Mas eu vou duplicá-lo, assim você não fica sem. Pode ser?

A ruiva olhou em volta, tentando achar algo que poderia servir como parte de um presente, mas não pareceu ter encontrado nada.

- Sim, fique à vontade.

- Feche os olhos. - Levantando uma sobrancelha para ele, Lily fechou os olhos. - Sem espiar.

- Eu não irei.

James foi até o móvel e duplicou o que precisava, colocando a cópia dentro de seu casaco. Deu uma conferida pelo lugar, tentando ter uma ideia se havia pego o correto, até voltar para frente de Lily.

- Pode abrir os olhos. - Ela assim o fez e a primeira coisa que também fez, foi tentar achar alguma pista nas mãos dele, mas não achou nada.

- Estou curiosa agora.

- Eu posso te entregar, digamos, amanhã?

- Amanhã soa perfeito.

Soava perfeito para ele também e, ao mesmo tempo, sentia que deveria ficar ali com ela. Uma sensação esquisita, uma necessidade. Ele devia estar só um pouco obcecado por Lily, agora que a beijou e parecia que poderia beijá-la sempre e ela corresponderia com vontade.

Meneou a cabeça, botando aquela besteira de lado.

- Tem certeza que não quer vir? - Ele perguntou. Uma última tentativa para não deixá-la sozinha.

- Obrigada, mas ficarei bem. Eu tenho que começar a guardar tudo em caixas e, mesmo com magia, terei um pouco de trabalho. - Lily sorriu para tentar tranquilizá-lo. - Eu vou ficar bem. Eu tive uma ótima véspera de Natal. Obrigada.

Ela segurou o rosto dele e o beijou delicadamente, transmitindo todo o sentimento de gratitude e felicidade que sentia. Com aquele beijo, James pensou que era para aquilo que estava ali: para fazer Lily a pessoa mais feliz deste mundo.

- Eu te vejo amanhã. - Ele sussurrou quando se separaram.

- Amanhã, então. - Ela disse, sorrindo.

- Ligue os alarmes e o feitiço anti-aparatação quando eu for.

Lily revirou os olhos.

- Obviamente, James Potter.

- E cuidado com o garoto do jornal.

- Se você estivesse indo embora pelos meios normais trouxas, saiba que eu já estaria te empurrando para a porta só para te fazer parar de falar essas coisas.

- Você não faria isso.

- Sim, eu faria. Espere até eu descobrir como fazer isso quando a pessoa aparata.

James roubou um outro beijo dela e sorriu.

- Depois me conte, se descobrir. Cuidado e até amanhã.

Ainda com aquela vontade enorme de ficar, ele se foi.


Assim como havia constatado há alguns dias no Beco Diagonal, James percebeu que o Ministério estava igualmente bizarro.

Claro, era Natal e a grande maioria não trabalhava, mas o ambiente e o ar eram tão pesados, que tinha a sensação que entravam em uma fumaça escura e densa.

- As coisas têm estado assim por alguns dias já. - Fleamont disse quando percebeu que o filho olhava para todos os lados, um enorme ponto de interrogação em seus olhos, tentando entender.

- Não me surpreende que estamos caindo para Voldemort. As pessoas parecem que esqueceram que a guerra ainda existe durante o Natal. - James respondeu enquanto ambos se dirigiam para os elevadores.

- As pessoas também precisam viver, filho. Eu concordo que temos que lutar e não largar a corda, mas você também não acha que as pessoas que trabalham sem parar nisso, correndo o risco de morrer, também não merecem ficar com a família e aproveitar um pouco o tempo que tem? Eles não sabem se estarão vivos no dia seguinte.

O maroto estalou a língua, entendendo o ponto que o pai explicava. Talvez por ser jovem, sem a sua família formada para defender (tirando seus pais e seus amigos), era mais difícil lembrar daquele fato. Para ele, se já não estivesse em Hogwarts, ele estaria onde quer que fosse, pronto para desmantelar planos, prender Comensais ou qualquer coisa que pudesse levá-los a ganhar aquela maldita guerra.

Mas ele não podia forçar ninguém a estar ali, assim como não podia julgar as coisas que não tinha total compreensão, como era o caso do trabalho do Ministério em defender a população bruxa de Voldemort.

Enquanto desciam até o departamento onde estava localizado os Advogados para o mundo bruxo, sua mente continuava a voar para o futuro. Estar ali fora, vivenciando tudo aquilo era muito difícil de ficar apenas no presente, como Sirius pedia para ele. Eles estariam terminando Hogwarts em alguns meses e aquela balança não parecia estar mudando para o lado deles.

- James! - A voz de Fleamont o acordou. Seu pai já estava do lado de fora e segurava a porta do elevador para o filho, que encarava os pés. O maroto balançou a cabeça e saiu atrás do pai. - No que está pensando tanto? - Fleamont perguntou enquanto descansava a mão na nuca de James, como se quisesse tranquilizá-lo e guiá-lo.

- Em muitas coisas.

- Sim, eu sei. Seu cérebro está tão alto, que eu mal consigo ouvir os meus próprios pensamentos. Qual o problema?

- Tudo isso. - Ele apontou ao redor. - Eu entendo o que você disse, mas...eu não sei. Eu fico em Hogwarts a maior parte do tempo, tendo notícias da imprensa ou suas, mas...ver é diferente. Eu sinto que as coisas estão muito erradas e que não estamos fazendo o suficiente.

- Estamos todos fazendo muito, mas não estamos lidando com um delinquente qualquer que apenas rouba coisas. Se atacarmos sem planejamento, nós vamos continuar a perder pessoas e muito mais do que já estamos perdendo. Confie um pouco no trabalho de quem está aqui fora, assim como eu não quero que você pense de si mesmo como um mártir quando sair de Hogwarts. - Eles pararam ao lado da porta onde James imaginava que deviam entrar. Os olhos de Fleamont pediam por entendimento de seu filho. James respirou fundo e assentiu.

- Eu não pretendo ser um mártir.

- Bom. - Fleamont sorriu e deu dois tapas gentis no ombro do filho. - Vamos terminar logo com essas papeladas, assim você não se atrasará para Remus.

Dentro da sala, James conheceu um sujeito conhecido de seu pai, um tal de Joe Guil ou algo assim. Ele seria o advogado bruxo responsável pela transferência da propriedade de Godric's Hollow, a Potter Cottage, para o nome de James como um presente de Natal aos seus dezessete anos. Quando recebeu a notícia naquela manhã, após voltar para casa, ficou surpreso, mas não poderia ficar mais feliz. Amava Potter Cottage, tendo ótimas lembranças de quando passava algum período de sua infância por ali e raras outras visitas quando era maior. Tinha aquela memória boa da cerca viva contornando toda a casa, a grande árvore no quintal da frente que dava uma boa sombra durante o verão. A cozinha sempre cheirando a bolo, a sala confortável e bem iluminada, o seu quarto no primeiro andar logo ao lado da escada.

Eram doces lembranças, mas que agora pareciam ínfimas. Odiava estar se sentindo daquele jeito. Era um presente que ele nunca esperou de seus pais e que foi sim bem aceito, lhe trazendo felicidade. Quando saísse de Hogwarts, ele não precisaria voltar para a casa dos seus pais se não quisesse, ainda que soubesse que Euphemia ainda iria tentar guardá-lo por mais um tempo...

Era um bom lugar para começar sua vida pós Hogwarts. Um bom lugar para começar sua luta...um bom lugar para começar uma família.

- Como está se sentindo, James? - O tal Joe perguntou quando eles estavam sentados no escritório, prontos para assinar.

- Feliz! - sua voz soou um pouco trêmula. Joe deu um sorriso sem graça e uma olhada para Fleamont.

- Ele está preocupado com tudo o que está acontecendo. - Seu pai explicou por cima.

- Ah, claro. - Joe se recostou na cadeira. - Eu não o culpo, James. Não deve ser fácil sair da bela Hogwarts e colocar os pés nessa realidade dura. Por isso eu digo: aproveite sua inocência e sua ignorância atrás dos muros de Dumbledore. Aquele homem está trabalhando e ajudando bastante para manter todos vocês à salvo, assim como as pessoas aqui de fora.

- Como eu poderia me deixar relaxar em Hogwarts, sabendo que as pessoas estão morrendo aqui fora?

- Porque não há nada mais que você possa fazer além disso no momento. - Joe disse sem rodeios. - Seu tempo em Hogwarts não voltará e perdê-lo apenas por problemas dos quais você não pode resolver, será apenas uma pena para você. Não quero que você seja conivente, mas viva o que você tem em mãos agora, sem se apressar para o que você quer viver. Já bem dizia a minha falecida avó: felicidade não é um destino. Não espere para ser feliz agora também.

Seus olhos caíram para o seu colo, então James perdeu o agradecimento mudo de Fleamont para o velho amigo atrás da mesa.

- Bom, vamos aos papéis? - Fleamont perguntou.

- Com certeza. Você pode ler e confirmar, porém não há mudanças desde que criamos o contrato na semana passada. Você passa a propriedade para James aqui, sem usufruto...

As próximas palavras do advogado ficaram no ar para James. De repente, ele só queria assinar tudo e ir embora, talvez descansar um pouco antes da longa noite que teria pela frente e, de preferência, tomar alguma poção para dor nas costas, porque dormir naquele sofá pequeno havia acabado com ele. Mas tinha valido completamente a pena. O sorriso bobo surgiu facilmente se lembrando da boa noite que teve com seus amigos e o ótimo fim de noite que teve com Lily: adormecer segurando sua mão e sentir que Lily, mesmo adormecida, a procurou quando as mãos se soltaram.

Uma pena apareceu diante de seus olhos e ele acordou, olhando para a mão de seu pai que a oferecia.

- Você ouviu alguma palavra aqui, James?

- Não! - ele riu levemente, mas pegou a pena. - Mas se você, meu próprio pai, estiver tentando me dar um presente de Natal que me faria algum mal, eu não sei mais no que acreditar nessa vida. - James se aproximou do papel e assinou. - Então eu confio 100% em você.

- Esse riso te vai melhor do que a cara preocupada de antes. - Joe comentou. - Vamos, eu gostaria de oferecer uma bebida para ambos.

- Acho que nós deveríamos lhe oferecer uma bebida, já que veio até aqui em pleno Natal para a assinatura. - Fleamont respondeu enquanto se levantava, os outros dois o seguiram.

- Eu o deixo servir o meu copo, se isso te faz feliz. - Joe deu um tapa nas costas do pai de James e os três saíram da sala. - Eu sabia o quanto queria fazer essa surpresa hoje...- Joe deu uma singela olhada para James. - Então eu estou mais do que feliz...

Um barulho ensurdecedor fez com que os três tapassem os ouvidos. Qual era dos alarmes e James naquele dia? Já não bastasse aqueles latidos no ouvido logo de manhã na casa de Lily?

- O que é isso?

- O sistema de segurança do Ministério. - Fleamont respondeu. Joe se apressou até a porta no fim do corredor e confirmou que estava trancada.

- Nós estamos trancados aqui até ser seguro sair.

- Isso quer dizer que estão atacando o Ministério? - James perguntou já empunhando sua varinha, assim como os outros dois.

- Talvez. Eu não saberia dizer.

Do outro lado do corredor, uma luz brilhante se aproximava, o que fez James apontar e estar pronto para atacar, antes de Fleamont o impedir. Quando a luz se aproximou mais, James percebeu ser um patrono.

Um patrono? No meio do corredor, sem ninguém o invocando?

Estava tão chocado, que nem conseguiu prestar atenção qual animal era, ainda que fosse um bem grande.

- Ataques à nascidos trouxas. Múltiplos ataques, em múltiplos lugares da Inglaterra.

E assim como chegou, o patrono falante sumiu.

Além do patrono sumir, outra coisa havia sumido: a alma do corpo de James. Sentiu um gelo por todo seu corpo e seu peito doer. O patrono havia dito "nascidos trouxas" e não "trouxas". Isso significava que...significava que...

- Nós temos que sair daqui! - ele começou, desesperado.

- Desespero não nos tirará daqui. - disse Joe. - O ministério tem o maior sistema de segurança...

James não ficou ali parado para ouvir o resto e voltou correndo para a sala do advogado, a fechando logo depois. Ouviu seu pai chamá-lo, mas não podia perder tempo.

- Padfoot! - ele chamou pelo espelho e quase pulou de alívio ao ser respondido tão rapidamente.

-E então? Quando será nossa primeira festa de...

- Padfoot, você tem que ir até Lily. Urgente! Agora!

-O quê? Por quê?

A porta abriu e Fleamont entrou.

- Ataques! Ataques à... - ele não conseguia falar. Sua boca parecia seca, ao mesmo tempo que sentia que estava cheia de saliva e não conseguia engolir. - Corra! Traga-a para Peverell's Creek!

-Eu te chamo quando a tiver aqui comigo!

Sirius sumiu e James se deixou cair na cadeira que estava segundos antes, o espelho caindo no tapete da sala. O desespero estava sufocando-o a cada segundo.

Não deveria ter ido embora da casa dela. Deveria ter ficado, assim como ele queria, e ter partido perto do anoitecer para que levassem Remus para a floresta de Peverell's Creek.

Por que não havia escutado sua própria consciência?

- Senhorita Evans? - Fleamont perguntou, sentando-se ao lado do filho.

- Sim, Lily! - ele apenas respondeu.

Sentia suas pernas e mãos tremendo. Ele estava preso naquele maldito lugar, sem ter notícias dela, sem poder ir até ela.

- Sirius, por favor, chegue à tempo. - James dizia baixinho como um mantra. A perna, ainda que tremendo, balançava para cima e para baixo. - Por que eu fui embora? Por quê?

- Filho!

- Não, eu não quero falar agora. - James se abaixou e pegou o espelho, o depositando em cima da mesa, bem à vista para não perder quando Sirius o chamasse. - O que foi aquilo, aliás? Um patrono que fala? - Ele continuou, indo contra o próprio pedido.

- Eu posso explicar melhor depois.

Depois, depois, depois.

James estava completamente farto dos "depois" da sua vida. Mas por agora, aquele assunto específico ele deixaria para depois.

A única coisa que berrava em sua cabeça era Mulciber e Dolohov. O primeiro por ter sido derrotado por Lily em um duelo injusto nos corredores de Hogwarts e James o castigando logo depois por aquilo. E Dolohov pela humilhação por ser derrotado por ela, na frente de todos, no clube de duelo. Eles queriam vingança, ele sabia, e não seria difícil descobrir a casa dos Evans se eles quisessem.

Seu coração acelerou mais. Tinha que sair dali. Por que sua forma animaga não era pequena o suficiente para sair pela ventilação? Peter era um maldito sortudo às vezes.

- Eu posso enviar Aurores até ela. - A voz de seu pai continuava calma, querendo trazer a mesma calma para o filho.

- Sirius já deve estar chegando. Eu confio nele para manter Lily a salvo.

- Mais do que um Auror?

- Eu confio em Sirius para guardar toda e qualquer coisa que me vale muito.

- E isso inclui a senhorita Evans.

James suspirou e jogou suas costas contra a cadeira.

- Principalmente Lily Evans.

L~J

Não faltava muito agora para terminar as últimas caixas.

Os amigos haviam partido há mais de três horas, então ela se jogou de cabeça em todo a empacotamento da casa. Apesar de seu coração doer a cada pequena lembrança que colocava dentro delas, Lily estava se sentindo nostálgica com algumas coisas que encontrava da sua infância e adolescência. Porém, quando a felicidade em vê-las começou a virar dor do porquê estar enchendo as caixas, ela decidiu parar e começar a limpar a casa no modo trouxa, para que sua cabeça se distraísse.

O rádio tocava bem alto e Lily cantava com Johnny Rivers enquanto passava o aspirador pela sala.

- Do you wanna dance under the moonlight? Squeeze and kiss me all through the night? Baby, do you wanna dance? Now, do you wanna dance, girl, and hold my hand? Tell me that I'm your man.

Não soube dizer o que era, mas sentiu que algo estava errado. Acenou para o rádio alto e o mutou. Quando ouviu o alarme dos cachorros, ela correu até sua varinha em cima do sofá, mas uma sombra grande já entrava correndo vindo da cozinha.

O grande cachorro preto escorregou quando a viu e pulou para fora do feitiço que Lily lançou em sua direção e desapareceu pelo corredor que dava nas escadas. Lily não se amedrontou e correu atrás dele, sem pensar no que estava fazendo ou em como aquela cena era absurdamente bizarra. Ela estava ouvindo música e passando aspirador quando um cachorro preto gigante invade sua casa. O quão aleatório aquilo era?

Seus feitiços de segurança só funcionavam para humanos e não para animais também?

Quando chegou no hall de entrada, viu que o cachorro deu a volta pela outra saída do corredor, voltando para a sala. Lily o seguiu e o encontrou parado perto da lareira, a cabeça baixa, parecendo completamente submisso a ela.

- Se você não é um cachorro louco que simplesmente está assustado e invadiu a minha casa, é melhor você voltar para a sua forma antes que você não tenha tempo de se explicar.

O cachorro deu um leve choramingo, e logo depois parecia ter sorrido. No segundo seguinte, Lily se viu dando um passo para trás ao ver não mais o cachorro, mas Sirius Black parado no meio de sua sala.

- Abaixe a varinha, Lily.

- Meu deus! - ela disse completamente boba com toda aquela cena. Ela já havia visto McGonagall se transformar uma vez e ver aquilo novamente ainda era chocante para a sua nova e fresca mente bruxa.

Então Sirius Black era um cachorro! Aquilo deveria surpreendê-la? Porque não a surpreendeu. Não havia nenhum outro animal que melhor se encaixaria com sua personalidade, do que um fiel

- Nós temos que ir. - ele continuou. - Agora!

- Como eu posso saber que é o verdadeiro Sirius Black? - ela ainda apontava sua varinha para ele.

- Fico aliviado por checar. - ele disse. - Você sabe sobre o problema peludo de Remus, você me iludiu me levando até o Corujal e usando a minha piada contra mim mesmo e último, mas não menos importante, você beijou James ontem mesmo!

O seu rosto esquentou imediatamente.

- Isso é golpe baixo!

- Eu sei! - ele respondeu e piscou para ela. - Ainda que eu adoraria fazer mais algumas piadas sobre isso, nós temos que ir.

- O que está acontecendo? - ela perguntou.

- Ataques. Não tenho detalhes sobre como e onde.

- Onde está James?

Não tinha problema nenhum com Sirius, mas era muito estranho não ser ele ali. Será que o outro maroto não sabia o que ocorria? Será que ele estava bem?

- Com certeza preso no Ministério. Se apresse, eu vou te levar para um lugar seguro.

- Ele está bem? - Sirius assentiu. Aquilo era um alívio. - Certo!

Se apressando, como lhe foi pedido, foi até o armário perto da porta e pegou uma mochila que tinha deixado pronta caso tivesse que sair de casa de repente. Nunca imaginou que teria que usá-la.

- Pegue uma bota para neve e um grosso casaco! - ele disse da sala. Lily assentiu, ainda que Sirius não a visse, e invocou suas botas que estavam em seu quarto, enquanto pegava o grosso casaco e o vestia. Quando as botas chegaram, ela trocou suas pantufas e as colocou rapidamente.

- Para onde vamos?

- Para o lugar mais seguro que poderíamos ir. - Ele olhava pelas janelas, a varinha em punho. - Pronta?

- O máximo que eu posso estar.

- Ligue todos os seus alarmes e feitiços para a casa.

- Já estão todos ligados. Eu os acionava enquanto vestia as botas. Temos apenas dez segundos para aparatar antes do anti-aparatação acionar.

- Multitarefas. Muito bem, ruiva. Segure-se.

Lily enrolou o braço no de Sirius e ele foi rápido em aparatar. Sua cabeça rodando e a visão completamente escura demoraram alguns segundos para melhorar quando sentiu seus pés afundarem na neve.

- Tudo ok? - a voz de Sirius soou ao seu lado. Agradeceu por ele ter mantido seu braço com o dela, pois terem pousado na neve quase a fez cair para frente, sem ter um suporte firme.

Seus olhos agora se depararam com muito branco. Estavam em um campo aberto, floresta os rodeando e morros e mais morros. Por um momento, ela pôde jurar que ia parar em Hogsmeade e pegar uma passagem secreta para Hogwarts. Não em um descampado nevado.

Sorte que Sirius comentou sobre o casaco e botas, pois estava alguns bons graus abaixo de zero por ali, sem contar um vento fraco, constante e bem gelado. Seu rosto ficaria vermelho em alguns instantes, mas pelo menos não estava com frio.

- Tudo ok! - ela respondeu.

- Nós temos que andar um pouco, mas não demora muito. Venha.

Lily começou a segui-lo. Ela era louca por estar ali com ele? E se aquela pessoa tivesse sequestrado Sirius, arrancado algumas de suas memórias e estava sequestrando-a agora? Bom, o fato dele ser um animago e Lily saber que Sirius era um animago dava um ponto à favor, mas ela não sabia qual era a real forma animaga de Sirius.

- Onde estamos indo?

- Peverell's Creek! - Ele respondeu, liderando o caminho. A neve não estava muito alta por ali, cobrindo apenas o tornozelo, mas ela tinha mais dificuldade de avançar do que ele.

- Peverell? Como família Peverell? O conto dos três irmãos?

- Exatamente. Os Potter são descendentes dos Peverell, você não sabia?

- Como eu poderia saber?

- Não sei. - Sirius deu de ombros e olhando para trás, sorrindo. - Pensei que James poderia ter usado essa informação para tentar te conquistar.

Já deveria imaginar que ficar sozinha com Sirius iria lhe causar constantes momentos vergonhosos como aquele. De certa maneira era bom, já que a distraía, porque ela não estava pensando no fato de que estavam ocorrendo ataques e teve que ser deslocada.

- Ele nunca disse nada. Além do mais, por que isso me faria querer algo com ele? Não foi o fato dele ser descendente da família Peverell que eu...

Ela parou de falar no mesmo momento quando percebeu o que saía de sua boca. Sirius parou e a encarou, um bendito sorriso maroto estampado em seu rosto.

- Que você o quê, Lily? - ele perguntou.

- Que eu me aproximei dele. - ela finalizou, ainda que não fosse aquela frase que estava prestes a sair de sua boca.

- Aproximar, sei. - Ele disse e voltou a andar. - Sim, eu entendo. Você não tem cara de ser aquele tipo de pessoa que se "aproxima" por interesse.

- Há garotas que se aproximam por interesse?

- Pf! Inúmeras!

- James não é nada mal de se ver também. - Ela tentou achar um jeito de dizer que James era muito bonito sem dar mais corda para ele fazer piada e esperava que ele seguisse com ela.

- Sim, o que só aumenta os casos. James tem o melhor dos dois mundos: beleza e dinheiro. Se fosse de conhecimento geral que ele também é descendente dos Peverell, as coisas só iriam piorar.

- Talvez você só esteja generalizando.

- Se você ouvisse cada proposta que ele recebeu nesses anos. De garotas, das famílias delas e tudo mais, você entenderia do que estou falando.

Bem, ela não queria saber, na verdade.

Eles andaram por quase cinco minutos antes de Sirius parar. Lily estava completamente sem entender, já que encaravam um grande declive nevado. Realmente, Comensais teriam certa dificuldade em pensar procurá-los no meio de tanta neve em algum lugar desse mundo, já que Lily nem sabia se ainda estavam na Inglaterra.

- Aqui! - ele entregou um pedaço de pergaminho para ela. - Leia. Sem saber o endereço, você não poderá ver a casa.

Lily abriu o pergaminho: Peverell's Creek, Ben Macdui, Escócia.

Ali estava sua confirmação de que não estavam na Inglaterra.

- Eu sei que o que eu vou te pedir é muito difícil, mas você terá que se esforçar o máximo, ok? - Ele continuou quando recebeu o pergaminho de Lily de volta e o maroto o queimou completamente no mesmo instante. - Você terá de parar de pensar em James por um minuto do seu dia e pensar em mim, sem parar, não desviando seus pensamentos para mais ninguém.

- Eu não penso sem parar nele. - Ela resmungou. - Eu posso, sim, pensar em você.

- Isso é muito sério, porque você será forçada a não pensar em mim. Nós vamos passar pela última barreira de proteção agora e ela será muito forte.

- Nós passamos por barreiras de proteção? - ela perguntou surpresa.

- Pelo menos cinco. Como você está comigo, nada aconteceu, porque eu tenho acesso total à propriedade. Mas esta última vai te forçar para longe, então eu preciso que você pense em mim, porque sou eu que estou te convidando para entrar. Ok?

- Ok.

Que pressão que sentia agora. Sirius se aproximou e enlaçou o seu braço no dela, ao invés do contrário.

- Eu vou ter que te segurar, porque você vai tentar sair. Eu não vou te machucar, apenas impedir que você volte. Está tudo bem para você?

- Sem problemas. Vamos.

Eles voltaram a andar e Lily focou sua total atenção em Sirius Black. De repente, sentiu que passou por uma cachoeira de magia e não via mais nada além da luz do dia e muitas cores ao redor, como se estivesse em uma bagunça de tintas em um papel branco.

Sirius Black, Sirius Black. Ela continuava a repetir em sua cabeça o seu nome. Pensou nos cabelos quase até os ombros e extremamente escuros, em seus olhos cinzas muito bonitos e marcantes, sua fidelidade com seus amigos que ninguém poderia negar mesmo sem o conhecer profundamente.

Os marotos tinham sorte de se terem, de sustentar aquela amizade e fraternidade inabalável. Sabia que algo de muito ruim havia ocorrido no sexto ano e que havia balançado absurdamente os integrantes, mas talvez o amor que existia entre eles era ainda maior do que havia acontecido.

Se lembrou daquele cachorro enorme em sua sala. O quanto ele estava empenhado em tirá-la da casa a ponto de expor sua forma animaga daquele jeito?

Aliás, ela havia terminado com as caixas? Céus, a sala estava tão suja com os arrastar de móveis e tudo mais, tinha que voltar e terminar a limpeza. Talvez terminar tudo com mágica seria melhor, ainda que não a distraísse.

Lily sentiu um puxão em seu braço, os olhos ficando perdidos por todas as cores em sua volta, a luz do dia machucando seus olhos.

Sirius! Estava com Sirius. Sirius, o maroto, o cachorro animago, Padfoot para seus amigos, o único Black decente que conheceu até hoje. Sirius, o melhor amigo de James, Remus e Peter.

Tinha que voltar para casa. Terminar de arrumar tudo, com magia. Por que não estava em casa?

Ataques! Estavam ocorrendo ataques, mas não sabia onde. Quem estava sendo atacado? Por que ela saiu de casa em meio aos ataques? Deveria ter ficado, era seguro.

Sentiu um outro puxão em seu braço, forçando-a a continuar a andar e...Sirius!

Sirius a pegou. Sirius a trouxe. Peverell's Creek. Sirius Black. Sirius era um cachorro. Um cachorro preto e enorme. Estavam na Escócia.

A bagunça de cores e magia terminou de repente, assim como começou, e o que via em sua frente era espetacular. A casa era linda. Na verdade era um chalé, todo feito de madeira e pedras, com grandes janelas em todos os lugares. Havia uma fumaça saindo pela chaminé, o que lhe dava a impressão que ali dentro estava quente e aconchegante.

- Eu poderia perguntar o que você pensou sobre mim? Tomou cuidado com esses pensamentos, ruiva? - Sirius brincou ao seu lado, tirando a atenção dela da casa.

- Você quer mesmo saber? - ela brincou de volta. - Não quero te deixar sem graça.

- Ah, Lily. Eu passo dessa vez, então. - ele riu e tirou o espelho do bolso. O tal espelho, aquele que viu James se comunicando com Sirius. A excitação chegou tão rápido que não podia se conter. - Chame por "Prongs".

Entregando o espelho para ela, Sirius colocou as mãos no bolso e sorriu. Lily sorriu de volta e viu seu rosto a encarando. Seus cabelos estavam um pouco selvagens pela caminhada e pelo vento leve, mas não queria dar mais lenha para a fogueira de brincadeiras de Sirius e se arrumar na frente dele.

- Prongs! - ela chamou. No instante seguinte, o rosto bonito e os olhos brilhantes de James apareceram. Seu coração disparou.

-Lily! - ele disse em um tom aliviado, soltando todo o ar que tinha nos pulmões. - Vocês chegaram?

- Sim, estamos em Peverell's Creek. - ela não conseguia tirar o sorriso do rosto, o que contagiou James.

James murmurava algo para si mesmo, como se estivesse agradecendo à alguém, mas Lily não conseguia entender. Talvez tenha escutado um palavrão no meio, mas não tinha certeza.

- Vocês tiveram problemas?

- Não, sem problemas. O que está acontecendo? Onde você está?

- Trancado no Ministério. Aparentemente estão ocorrendo ataques contra nascidos trouxas por todo o país. - Então não eram ataques generalizados pelo país, eram ataques contra pessoas como ela por todo o país. - Você está segura agora. - ele continuou ao ver a expressão no rosto de Lily.

- Eu estou, mas e todos os outros que não estão ou estavam? - Sabia que James não tinha uma resposta para aquela pergunta. Ninguém teria. Ninguém nunca teria. - Você está bem? O Ministério está bem?

- Estou bem. Não há ataques por aqui, mas por segurança, ninguém entra e ninguém sai até tudo estiver...hm...normalizado.

- Você está seguro, pelo menos. Continue seguro, por favor.

- Eu irei. E voltarei assim que puder.

- Ela é muito bonita! - ouviu uma voz ao lado de James, mas não viu quem era.

Lily não se via, mas imaginava a enorme cara de envergonhada que estava. James riu.

- Eu já estou adorando tudo isso. - Sirius comentou ao seu lado. - Obrigado, Fleamont.

-Eu vejo vocês logo. Caso você precise, pode usar o espelho de novo, mas você está em boas mãos. - James continuou antes que seu pai ou Sirius tivesse outra chance de encabular mais alguém.

- Certo, até logo. - ela se despediu um pouco tímida. Entregou o espelho para Sirius, que ainda parecia divertido.

- Fleamont e o seu comentário ficarão no chão quando passarmos daquela porta. - O maroto apontou para a casa. - Está pronta para conhecer Euphemia Potter?

Ela deveria se aprontar para tal?

- Eu não tenho escolha, tenho?

- Não, você não tem! - Sirius a abraçou pelos ombros e a puxou em direção ao belo chalé.

Subiram as escadas de madeira que dava em uma grande varanda. Teve um momento para admirar a vista: as cadeias de montanhas cheias de neve, um lago ao longe e uma imensa floresta que, aliás, parecia existir apenas por ali. O ar calmo e tranquilo que aquele lugar lhe trazia dava a impressão que estava em um outro mundo.

Assim que entrou no chalé, o calor lhe acolheu, se sentindo um próprio floco de neve derretendo.

- Remus também está aqui? - ela perguntou.

- Sim. Insistiu em ir junto para te buscar, mas ele não está em condições de fazer nada.

- Vocês bem o avisaram para não aparatar.

- Exato! - Sirius assentiu. - Mas ele parece uma velha rabugenta que não aceita quando não pode fazer algo.

Passos apressados foram ouvidos de uma porta à direita. Quando ela abriu, Euphemia Potter apareceu. A mulher tinha cabelos escuros, assim como o filho, um rosto bondoso e olhos brilhantes. Havia algo nela, talvez o formato dos olhos e como eles diminuíram quando sorria, que lembrava muito James.

- Vocês chegaram!

Ela se apressou até eles e abraçou Sirius rapidamente.

- Lily é uma ótima fugitiva. Já tinha algumas coisas prontas, então não demoramos nada.

Os olhos de Euphemia se viraram para ela e Lily sorriu. Há muito tempo não sentia um olhar de mãe tão carinhoso como aquele que recebia agora, e de uma pessoa que acabara de conhecer. Não poderia esperar diferente da mãe de James, que parecia exalar ternura.

- Olá, Sra. Potter. Lily Evans. - ela ofereceu a mão e a mãe de James a aceitou.

- Olá, querida. É um enorme prazer. - Euphemia deu uma olhada para Sirius. O maroto deu de ombros.

- Ele não está aqui, você pode fazer o que quiser. - Ele respondeu a pergunta silenciosa de Euphemia.

- Ah, que ótimo.

Então no segundo seguinte, Euphemia puxou Lily e a abraçou forte. Se o olhar dela era carinhoso, não tinha adjetivos para aquele abraço. Era aquele abraço maternal de alguém muito bondoso, obrigando Lily a segurar as lágrimas de saudades da mãe, ao mesmo tempo que se sentia tão acolhida nos braços de Euphemia, que estava absurdamente feliz.

E de uma forma ou de outra, tinha a impressão que a Sra. Potter estava entendendo o que se passava, pois seus braços a apertaram um pouco mais.

- Assim me parece melhor. - A mulher disse após alguns segundos. - É realmente um enorme prazer em conhecê-la finalmente. Bem-vinda à Peverell's Creek.

- Começou.- Sirius disse enquanto fingia tossir.

- Obrigada, Sra. Potter. O prazer é todo meu.

- Vocês dois estão congelando. - Ela esfregou os braços gelados de Lily. - Eu vou preparar um chocolate quente. O que acham?

- Eu aceito, obrigada. - Lily agradeceu.

- Eu vou dar uma checada em Remus. Você vem, Lily?

- Vá com Sirius, querida. Eu trago chocolate para todos. Vá!

Assentindo, ela seguiu Sirius até as escadas bonitas de madeira e subiram para o segundo andar. Havia algumas portas por ali, além de uma grande janela com uma vista da parte de trás da casa. Uau, ela nunca se cansaria de olhar.

- Você resgatou a donzela então? - Remus comentou enquanto os dois entravam no quarto. Ele estava deitado na grande cama com alguns livros ao redor.

- Resgatar donzela uma ova. Soa como se eu não pudesse me proteger sozinha. - Lily reclamou.

- De jeito nenhum, essa não era a minha intenção.- Remus sorriu.

O maroto estava mesmo bem debilitado. Não parecia que o havia visto naquela manhã, com certa energia, pronto para atacar o entregador de jornal.

- Você, então, usou toda a sua energia para aparatar e agora está cansado. Por que tem que ser tão teimoso, Rem ?

- Você também? Eu ouvi tanto sermão já.

- Com certeza merece mais.

- Pelo menos eles terão uma besta mais cansada para lidar mais tarde.

- Eu vou fingir que não ouvi isso, Moony. - Sirius disse enquanto se jogava na cama.

- Bem, mudando de assunto...- O maroto cansado se apressou. - Eu ouvi no rádio o que anda acontecendo.

- E então? - Lily perguntou imediatamente. Remus respirou fundo.

- Não foram dezenas, mas centenas de ataques a nascidos trouxas em todo o Reino Unido. - Lily fechou os olhos ao ouvir. - Infelizmente há muitos mortos. Alguns dos ataques foram parados a tempo pelos Aurores, mas a quantidade e a velocidade que tudo estava acontecendo era impossível de prever e ajudar a todos.

- Para ocorrerem ataques tão precisos, eu tenho certeza que alguém conseguiu uma lista dos nomes e endereços no Ministério. - Sirius comentou. - Bastardos! Eu estou louco para pegar alguns deles.

- Isso foi exatamente o que um dos comentaristas disse no rádio. Eles acham que saiu algo do Ministério direto para as mãos de Voldemort, assim dando tudo o que eles precisavam para um ataque surpresa em pleno Natal.

Deixando a mochila cair no chão, Lily se aproximou da janela. Seu coração doía por saber que tantas pessoas, tantos bruxos e bruxas haviam perdido a vida naquele dia que deveria ser de alegria. Quantas famílias foram destruídas, quantos pais perderam seus filhos e filhos que perderam os pais.

- Eu acho que te tiramos de casa a tempo, Lily. - A voz de Sirius chegou até ela.

- Hm! - ela respondeu, sem querer cantar vitória sobre tantos mortos.

- Lily! - Remus a chamou. Ela se virou para ele e se sentou no beiral da janela. - Não se sinta culpada por ter escapado. Se você tivesse sido atacada ou não, não iria mudar ou salvar ninguém. Você seria apenas mais uma estatística.

A ruiva apenas abaixou a cabeça.

- Não sabemos se você estava naquela lista ou se você estava como um alvo, mas se esteve, você frustrou os planos de alguns filhos da puta hoje. - Disse Sirius.

- Graças a você que me tirou de lá.

- Graças ao Prongs que me chamou desesperado para ir até você!

- Ele quem te pediu para ir me pegar? - ela perguntou um pouco surpresa, um pouco aliviada em alguém ter pensado nela. Em James ter pensado nela.

- Sim. Nós não sabíamos o que estava acontecendo, mas ele está no Ministério, então soube antes. Eu nem tive tempo de ir fazer xixi. Se eu demorasse um segundo a mais, ele me mataria.

Ela riu um pouco. Seu coração aquecendo com a informação.

- Obrigada por ir, Sirius. Você se arriscou indo até lá.

- Não foi nada. - ele estalou a língua. - Um pouco de ação e aventura é sempre muito bem-vindo.

A porta do quarto se abriu e Euphemia entrou com três xícaras de chocolate quente as seguindo.

- Eu sei que vocês estão com fome, garotos, mas vamos esperar por Fleamont e James para comer, ok? - Os dois marotos assentiram. - Você já almoçou, querida?

- Na verdade, não.

- Perfeito! Vamos ter um grande almoço- quase-jantar de Natal juntos, antes dos garotos irem para a noite. Uma boa refeição em família.

Euphemia sorriu para Lily, fazendo a ruiva sentir-se bem, de um jeito que não se sentia a muito tempo.


Duas horas depois, James se viu livre do Ministério. Após a confirmação dos ataques terem cessado, uma varredura de todo o Ministério foi feita, então eles ainda não podiam sair até terem passado pela checagem dos Aurores.

A rede de Flu e a zona de aparatação ainda estavam bloqueadas, então tiveram que sair até a Londres trouxa e achar um lugar seguro para partirem direto para Peverell's Creek. Com o sangue Potter, eles conseguiam chegar perto da última barreira de proteção, barreira esta que reconheceria os dois Potter e não os forçaria para fora da zona da casa.

- Aquele rum de groselha vermelha não ajudou em nada! - Fleamont comentou assim que viram o chalé. - Eu estou faminto.

- Eu também.- James respondeu se apressando para as escadas. Subiu de dois em dois degraus e entrou como o vento. Não havia ninguém na grande sala, ainda que a lareira estivesse bem viva.

- James?

O maroto se virou ao ouvir seu nome e quase não teve tempo de reconhecer sua mãe antes de ser agarrado por ela.

- Estamos bem, mãe.

- Eu sei que estão, mas por Merlin...eu só queria vê-los de volta o quanto antes. Se eles arriscassem atacar o Ministério...

- Solte o garoto, Euphemia. Você não vê que ele entrou correndo para ver outra pessoa?

Fleamont fechou a porta logo após entrar e lançou um feitiço que James não sabia qual era, mas tinha certeza que impediria qualquer indesejado a entrar. Euphemia deu um beijo na bochecha do filho e sorriu.

- Ela está lá em cima, no quarto de hóspedes.

James deu um beijo na mãe antes de subir para o segundo andar. O quarto de hóspedes ficava ao fundo do corredor, então ele passou pelo seu quarto, onde Remus estava ficando para descansar, e viu o maroto lendo um livro.

- Você está bem? - perguntou da porta. Remus levantou os olhos do livro.

- Cansado, mas bem. Você está bem?

- Sim. Eu volto daqui a pouco.

Remus revirou os olhos, mas riu, já sabendo onde ele ia. Passou pelo quarto ao lado, onde era o quarto de Sirius por mais de um ano, e abriu a porta. Sirius se virou quando viu James entrar.

- E ai, cara?

- Obrigado! - James se aproximou e deu um rápido abraço nele. - Eu não te mandaria para algo que arriscaria a sua vida por nada, você sabe.

- Ir até lá foi moleza e tranquilo, Prongs. E mesmo se não tivesse sido, eu sei o quanto era importante. - Sirius deu um tapa no ombro de James.

- Eu te devo uma.

- Se você está oferecendo, então não vou negar.

James levantou o dedo do meio para Sirius antes de sair do quarto e ir até a última porta do lado direito. Sem demora, ele bateu na porta e esperou impacientemente.

Os cabelos ruivos apareceram alguns segundos depois e ele não deu tempo para Lily pensar e agir. James a segurou pela cintura e a levantou, enquanto entrava no quarto e fechava a porta com o pé. As bocas se encontraram logo em seguida em um beijo apressado e quase desesperado da parte de ambos. Lily foi encostada no dossel da cama e colocada no chão, sem que as bocas se separassem.

- Você está bem.- ele disse no meio do beijo. - Está a salvo.

- Sim.- ela respondeu o puxando mais forte, beijando-o tão desesperadamente como se não o tivesse visto há muito tempo. - E você também.

A resposta dele foi apenas um gemido de confirmação enquanto ele a segurava fortemente em seus braços, respondendo os beijos dela na mesma intensidade. Ele estava tão feliz por estar com ela agora, que não poderia expressar em palavras; tão aliviado em ver com seus próprios olhos que ela estava ali, longe de tudo o que explodia no mundo, ao seu lado, segura.

Não importava o que acontecesse, ele jurava para si mesmo, naquele quarto, naquele Natal de 1977, enquanto beijava Lily Evans com todo o desejo que tinha, que faria de tudo em sua vida para mantê-la segura.

Ele daria sua vida para salvá-la se fosse preciso.

Com aquele pensamento, James parou de beijá-la e a abraçou, seu rosto se perdendo em seus cabelos, em seu pescoço, sentindo a pele dela contra a dele.

-Caham!

Um pigarro atrás da porta fez Lily dar um pequeno pulo do lugar, se afastando de James.

Droga, ainda tinha gente na casa.

-Querido...ahm...poderia abrir a porta, por favor? - A voz de Euphemia, tão incomodada em estar fazendo aquilo quanto os dois estavam por terem sido pegos, continuou. James foi até a porta e a abriu.

- Mãe, por favor... - ele resmungou baixo. - Estamos conversando e isso é embaraçoso.

- Sim, querido, eu imagino. - Euphemia limpou a garganta. - Vamos comer antes que anoiteça e vocês se ausentem, sim? Lily deve estar faminta, assim como você. - A mulher olhou para dentro do quarto e sorriu para Lily. A ruiva assentiu, colocando uma mecha atrás da orelha, completamente sem graça.

- Nós estamos descendo. - ele confirmou. Euphemia assentiu e saiu pelo corredor.

Enquanto isso, Lily arrumava alguns pergaminhos em cima da mesa ao lado da janela e fechava um tinteiro.

- Mandei cartas para Lene e Lice. Não queria que elas se preocupassem, caso ouvissem as notícias. - ela começou.

- Uma boa ideia.

- Sim, Sirius me emprestou sua coruja, já que a minha está passeando por algum lugar desse mundo, ainda farta de trabalhar.

- Você está ok?

- Espero que Eros me encontre aqui...- a ruiva continuou, ignorando a pergunta dele. - Não quero que pense que o abandonei, sabe?

Ela passava as mãos freneticamente nos jeans e evitava o olhar de James.

- Lily?

Um pequeno soluço de choro escapou, mas Lily forçou não chorar.

- Imagina...se ele pensa que eu a abandonei. - Um outro falho ato de evitar um soluço. - Ele vai me encontrar. Eu comprei muita comida para ele.

Andando pelo quarto, ela foi até uma estante ao lado da porta e começou a arrumar os objetos de decoração por ali. James se aproximou e levantou o rosto dela: uma lágrima escorria, o suficiente para quebrar seu coração.

- Está tudo bem!

Ele a abraçou, tendo Lily o abraçando muito mais forte de volta.

- Não está tudo bem. E eu acho que nunca verei esse mundo bem. Estamos tão longe, tão longe de estar tudo bem.

- Não diga isso. Nós vamos fazer tudo ficar bem, lembra?

- Nós seremos apenas dois.

- Não. Nós seremos dois a mais.

James a soltou e segurou o rosto dela delicadamente, os dedos acariciando as bochechas vermelhas. Ela não chorava, aquela lágrima de alguns segundos atrás havia sido solitária, mas ela tinha uma expressão de desolação que ele nunca tinha visto.

- Nós não seremos a resposta, mas vamos fazer parte dela. Cada pouco e cada muito que fizermos, é um passo a mais para perto do fim disso.

As mãos de Lily subiram até às dele, ainda em seu rosto.

- Não somos apenas dois. - ela disse.

- Somos dois a mais. - ele continuou. Querendo tirá-la daqueles pensamentos tão sombrios, ele sorriu. - Venha. Eu quero te dar o seu presente. Talvez isso ajude a colocar um pequeno sorriso no seu rosto.

Segurando a mão dela, James a puxou para fora do quarto. Encontraram Remus saindo do quarto de James e andando vagarosamente, pronto para ir até a cozinha.

- Pode me esperar aqui? Eu vou aparatar com Remus até a cozinha. Serei rápido. - Ele disse. Lily assentiu e viu quando James foi até Remus, falando algo e recebendo um revirar de olhos. Mas James parecia não aceitar a recusa do amigo e o segurou pelo braço, aparatando no segundo seguinte.

Esperou no corredor, sem saber onde teria que ir.

- Ah, ele vai te dar o presente agora?

Euphemia vinha do segundo quarto a esquerda e parou ao lado da ruiva.

- Acho que sim. - Lily respondeu.

- Ele ficou dias procurando e pesquisando para combinar feitiços. Levou mais de uma hora para ele ficar feliz com o resultado e acho que você vai ficar feliz também, querida. - Euphemia continuou. Lily sorria em como a mãe de James soava orgulhosa e contente com o feito do filho. Feito esse que ela ainda não conhecia. - James está tão maduro, com os pés tão firmes, assim como parece flutuar. - A mulher se aproximou de Lily. - Ele sempre teve o riso fácil, fazendo os outros rirem também, com o coração tão aberto...mas agora? Agora ele ilumina o lugar com a felicidade. É uma luz diferente, muito mais brilhante, com um sentimento muito forte. E eu não tenho dúvida de quem é a responsável por isso.

- Mãe?

James estava nos últimos degraus, o cenho franzido e olhando desconfiado para a mãe.

- Estava falando para Lily sobre o presente.

- Você o quê? Você contou para ela?

- Não, bobo. - Euphemia abanou a mão no ar e foi em direção ao filho. - Vá entregar o seu presente e, depois, venham comer.

Deu dois tapinhas no rosto do filho, antes de começar a descer as escadas. Ela deu uma olhada para Lily e piscou para ela, antes de desaparecer pelos degraus.

- Ela estava me embaraçando para você, não é?

- De jeito nenhum. - Lily respondeu honestamente, ainda tentando bem digerir o que ouviu.

Sem acreditar muito nela, James apontou para o quarto onde Remus estava mais cedo, pedindo para que ela entrasse.

- Eu espero que goste. - James foi até um armário, tirando uma caixa branca e bonita.

- Fiquei sabendo que deu muito trabalho.

- Não deu trabalho. - Ele respondeu. - Foi um prazer, na verdade. Eu tive que descobrir como fazer da melhor forma possível, porque eu não queria te traumatizar ou algo assim. - Ele riu, fazendo-a rir também, mesmo sem saber do que ele falava. - Feliz Natal, Lily.

James entregou a caixa para ela, que aceitou com toda a gentileza que poderia. Sentia que ali dentro haveria algo especial e estava com medo de estragar. Deu uma última olhada para ele, que parecia ansioso e nervoso, antes de tirar a tampa.

Seu coração parou. Seus pulmões pareciam ter soluço, fazendo sua respiração dar uma espécie de pulo. Seus olhos não desgrudaram nem por um segundo do presente, enquanto as lágrimas se acumulavam cada vez mais, prontas para caírem.

Era um porta retrato, mas não um qualquer. Era a foto de sua família, tirada no parque. O mesmo dia feliz que Lily usava como lembrança para conjurar o seu patrono. Mas antes, a foto trouxa que decorava a prateleira acima da lareira dos Evans, era agora uma foto bruxa.

Seu pai, que normalmente estava paralisado e oferecendo o bolo em direção ao fotógrafo - e que se Lily não estivesse enganada, era sua avó -, agora sorria abertamente, o bolo ainda em suas mãos, mas brincando de oferecê-lo e e falando com a sua mãe ao lado. Ah, a sua mãe. Os olhos dela continuavam doces como sempre, e ela ria do marido e tentava se afastar dele e do bolo. Exatamente como eles poderiam brincar entre si, Lily lembrava. Eles eram sempre tão alegres e divertidos, demonstrando o quanto se amavam para quem quisesse ver.

Ela corria logo atrás, seus cabelos vermelhos se misturando com os cabelos loiros de Petúnia, enquanto as duas circundavam-se e riam alegremente como duas crianças inocentes e felizes poderiam fazer.

Era o dia perfeito de sua vida, o que guardava com tanto carinho em sua memória, mas que agora ela poderia assistir. Outra e outra vez.

Percebeu que chorava copiosamente quando a mão de James segurou seu rosto e limpou suas lágrimas. Lentamente, Lily levantou os olhos para ele.

- Eu nunca os conheci, mas eu tenho certeza que eles eram tão bons como você. Eles sorriem como você, eles parecem alegres como você. - Os olhos dele estavam vagamente marejados, ela reparou. - Então eles só podiam ser as melhores pessoas que já viveram, assim como você.

Lily soluçou, deixou a caixa em cima da cama e abraçou James com toda a força que tinha. O choro não parava, as lágrimas não queriam parar de vir e Lily só deixou aquela emoção explodir de seu peito.

James Potter era a melhor pessoa que havia conhecido e não conseguia entender a sorte que teve em encontrá-lo.

- Está tudo bem? - Ele perguntou, soando preocupado, enquanto acariciava os cabelos dela e a mantinha apertada em seus braços.

- Está tudo ótimo, apesar de sua blusa estar encharcada.

Ela o sentiu rir e um beijo no topo da sua cabeça.

- Não tem problema. Eu tenho um suéter que estou louco para usar.

Lily riu e o soltou, limpando as lágrimas. Precisava se recompor antes de descer para a refeição, pois devia estar com o rosto e olhos inchados, além de vermelha.

- Eu preciso...- Ela fez um gesto em frente ao rosto. - Antes de descer.

- Você pode usar o banheiro do quarto. Eu te espero no corredor.

Com um outro beijo no topo de sua cabeça, James saiu do quarto. Lily foi até a cama e ficou mais alguns segundos olhando para a foto. Como ele havia pego a essência de todos da foto? Era tão real. Não diria que, antes, era uma foto trouxa, imóvel. A mágica usada havia sido perfeita.

James havia sido perfeito.

Antes de ir no banheiro, ela se apressou até o corredor, fazendo James se virar para ela.

- Obrigada. - Ela o beijou com todo seu agradecimento e amor que sentia ao pensar naquela foto, em poder ver os sorrisos dos pais novamente e relembrar o dia perfeito. - Eu nunca irei agradecer o suficiente.

- Você mais do que já agradeceu o suficiente, Lils. Muito mais.

Mais feliz e muito mais vibrante, Lily se dirigiu até o banheiro, deixando James sorrindo como o cara mais feliz da face da terra.

L~J

O almoço-jantar que Euphemia havia preparado era espetacular. Havia tanta comida, tantos pratos diferentes que Lily pensava que um exército estava vindo ceiar com eles.

Até os três marotos começarem a comer e tudo começou a fazer sentido.

- Peter não vem? - ela perguntou para Remus ao seu lado.

- Mais tarde. Está passando o Natal com a mãe. Ela tem a saúde um pouco frágil.

- O que achou de Peverell's Creek, Lily? - Euphemia perguntou ao se sentar do lado direito de Fleamont, que estava na ponta da mesa.

- Adorável. Uma vista de tirar o fôlego. - ela respondeu dando total atenção à mãe de James. - E esta refeição está uma delícia.

- Obrigada, querida. - Euphemia respondeu. - James deveria trazê-la no verão. A vista é tão linda quanto agora.

As bochechas de Lily coraram e ela deu uma rápida olhada a sua frente, onde James se sentava. Ele mastigava, mas com um sorriso e piscou para ela. Seus olhos se desviaram para Sirius, sentado ao lado de James, e viu que o maroto tinha um sorriso jocoso.

- Onde mora, Lily?- Fleamont perguntou. Ela limpou a garganta antes de responder.

- Cokeworth, Inglaterra.

- Certo. James me disse sobre a venda de um imóvel...?

O próprio James limpou a garganta bem alto e se ajeitou no lugar, enviando um olhar irritado para o pai.

- Fleamont, por favor. - Euphemia interviu baixo.

- Eu só quero ajudar. - ele respondeu para a mulher.

- Uma casa bonita, espaçosa. Coube a todos nós dormindo na sala. Nem ficamos apertados...- Sirius começou. - Quase botamos fogo ao cozinhar ontem e acho que quebramos a televisão dela depois de assistir os bonecos que tem a versão suína de James.

Lily riu um pouco sobre a comparação de James com Miss Piggy novamente. Assim como Sirius sendo comparado ao Gonzo.

- Vocês não quebraram a televisão. Nós apenas desligamos com o controle remoto. - Remus respondeu.

- O que é isso? - Sirius perguntou.

- A varinha da televisão. Você aperta um botão e ele obedece.

- Mas os trouxas são uns gênios! - Sirius bateu com a mão na mesa. - Por que não há controles para as outras coisas?

- Não estamos naquele estágio tão avançado ainda. - Foi Lily quem respondeu.

- Estão muito mais avançados do que os bruxos em questão de tecnologia.

- Porque bruxos não precisam muito dela, se parar para pensar. Nós usamos varinha para quase tudo...no mundo trouxa, tiveram que criar coisas para fazerem por eles. Nós! Eles! - Lily ficou confusa. Não sabia onde se enquadrar completamente, pois era uma mistura dos dois mundos.

- Eles! - Todos na mesa responderam juntos.

- Você é uma bruxa, Lily. - Remus a cutucou com o cotovelo. - Que fez parte do mundo trouxa, mas ainda sim uma bruxa.

Sim, ela era uma bruxa! Nasceu com magia, mas não dentro de uma família ou do mundo bruxo. Às vezes era difícil saber onde se colocar, se podia se colocar em ambos, se ela sentia que pertencia a ambos. Tinha sua irmã que dizia que era uma aberração, não a fazendo se sentir trouxa. E bruxos que diziam que ela não pertencia ao seu mundo.

Onde ela estaria, então?

- Não importa quanto tempo tenha vivido lá, você é uma bruxa e sempre será.- Euphemia reafirmou. - A não ser que não queira viver como uma e prefira sair do mundo bruxo...o que para mim não faria diferença. Nós nunca nos preocupamos se a namorada de James seria bruxa, nascida trouxa ou trouxa.

James parou o garfo no ar, Lily desviou o olhar para o nada e Sirius...

Sirius gargalhou. Em alto e bom som. Mesmo os chutes de Remus por baixo da mesa não o pararam.

- Eu não entendi a graça.- Euphemia perguntou inocentemente. Sirius continuava a gargalhar. Lily sentia que ia explodir de vergonha.

- A casa foi vendida, não? - Remus perguntou tentando falar um tom acima do de Sirius.

- Sim, foi vendida.- Lily respondeu.- Quando eu voltar para Hogwarts em Janeiro, minha irmã ficará responsável por cuidar do resto.

- E ao se formar, vai morar conosco! - disse Sirius após se recuperar da risada.

- Perdão? - ela respondeu.

- Você terá que achar um lugar para morar. Os marotos vão se arranjar em algum lugar...você vem morar conosco. - Ele continuou. - A não ser que você se case! - Sirius segurou o riso.

- Ah! - Euphemia exclamou.

- O que acha, mamãe? Um casamento após Hogwarts...interessante, não?

Sirius não calava a boca!

- Fleamont e eu nos casamos cedo, alguns meses depois da formatura. - Euphemia se empolgava com a conversa. - Foi maravilhoso e posso dizer que foi uma boa escolha. - Ela se virou para Lily, que tinha o rosto se fundindo com seus cabelos. - Eu tinha certeza que ele era o homem da minha vida, então por que esperar, não é mesmo?

Euphemia se virou para o marido, que sorriu de volta para ela.

Lily pegou o guardanapo e o levou até a boca, sem saber o que falar. Apenas anotava mentalmente que deveria matar Sirius Black mais tarde. Seus olhos se encontraram com os de James rapidamente.

- Eu tenho poder de escolha? - ela perguntou ironicamente, virando-se para Sirius.

- Eu acho que não.- Sirius respondeu. - Eu já decidi o seu futuro: você vem morar conosco.

- Padfoot! - Remus resmungou.

- Ooook, vamos discutir isso mais tarde. - Sirius abanou a mão e deu de ombros. - Ainda pode ocorrer um pedido de casamento neste meio tempo... - Céus, ele não parava. - Vai que aquele setimanista corvino decide dar o passo, certo?

- Que corvino? - James perguntou se virando para Sirius e largando os talheres.

Gideon? Lily pensou. Do que Sirius estava falando?

- Eu não estou entendendo mais essa conversa. - Euphemia reclamou.

- Coisa de jovem, eu acho.- Fleamont cochichou para a mulher.

A campainha tocou e todos se viraram para a porta. Fleamont se levantou calmamente, enquanto James tinha a varinha em mãos por baixo da mesa, assim como Sirius.

- Se alguém chegou até a porta, então não é ninguém indesejável.- Euphemia disse tentando acalmar os nervos. - Mas mantenham a varinha em mãos, de qualquer jeito.

Lily tinha a varinha firmemente em sua mão e assistiu enquanto Fleamont ia até a porta. Quando ele se aproximou, James se levantou e se afastou da mesa, indo até o pai. Lily percebeu quando um feitiço de desilusão foi lançado sobre todos eles por Sirius, que também se levantou.

Quando a porta se abriu, o alívio foi geral.

- Olá, Peter. Como vai? - Fleamont cumprimentou o quarto e último maroto parado na porta.

- Bem e você, Fleamont?

- Ótimo. Você poderia nos fornecer alguma informação?

- Ah, sim. Tem uma marca de fogo no chão, embaixo da cama de James aqui do chalé, quando fizemos um experimento com as suas poções três anos atrás.

- De fato.- Fleamont respondeu um pouco contrariado quando se lembrou do desperdício de poção que levava quase dois meses para ficar pronta...tudo desperdiçado em cinco segundos nas mãos deles.

- E eu ainda sinto muito.- Peter completou com um sorriso.

- Entre, entre.- Fleamont convidou o maroto, dando assim a autorização para o feitiço que havia colocado na porta quando chegou.

- Olá, querido. Você gostaria de se juntar à refeição? - Euphemia perguntou já abraçando Peter.

- Eu comi bastante, obrigado.

- A sobremesa você não vai recusar. - James disse dando um tapa no ombro do amigo e voltando para a mesa.

- Não se pode recusar sobremesa. - Peter confirmou.

Pelo resto do almoço-quase-jantar, a conversa foi tranquila e sem momentos embaraçosos mais. Não que Lily tenha esquecido de matar Sirius depois, claro. Poderia até pensar em uma maneira de fazê-lo pagar na mesma moeda, mas ele nunca ficava embaraçado, o que era impressionante. Sempre achando algo para reverter à seu favor.

Após a sobremesa, que também estava maravilhosa, o sol já havia partido e ela começou a se sentir tensa. Remus estava, a cada hora, ficando mais letárgico e com algumas dores. Lily parecia ser a única daquele jeito, pois os marotos, apesar do estado de Remus, estavam agindo normalmente e prontos para partir.

- A proteção na floresta já está feita, então nada e nem ninguém entra ou sai em um raio de 10km. O limite está até a frente da casa, para caso vocês precisem de ajuda e tiverem que nos contatar. - Fleamont dava as instruções, enquanto Euphemia e Lily estavam distantes e os assistindo.

- Eu sei que tudo vai ficar bem, mas meu coração acelera ao saber para onde estão indo. - Lily comentou.

- Eu te entendo, querida. - Euphemia a abraçou de lado. - Se eu não confiasse tanto neles, eu passaria a noite em claro, mas sei que eles são responsáveis. - Ela fez uma pausa. - Para isso, pelo menos.

Lily soltou uma leve risada e concordou.

Peter abriu o alçapão que tinha na cozinha. Pelo o que havia entendido, existia um túnel ali que os levaria para a floresta. O alçapão só abriria novamente quando o sol nascesse, não trazendo riscos para aqueles na casa.

Euphemia se despediu de todos com um sermão para tomarem cuidado e um longo abraço e beijo em Remus. Fleamont também se despediu dos garotos.

- Eu te vejo amanhã. Espero que você se divirta? - Lily tentou enquanto abraçava Remus.

- Eu tentarei.- Remus respondeu.

- Eu tenho uma barra de chocolate na minha mochila. Ela será sua.

- Eu mal posso esperar para voltar, então.

Com um pouco de dificuldade, Remus começou a descer o alçapão. Peter já estava lá embaixo caso ele precisasse.

- Durma por mim, Lily. - Sirius bagunçou os cabelos dela e foi seguindo Remus pelas escadas.

- Tenha cuidado, Padfoot! - ela respondeu.

O maroto parou sua descida e olhou para ela.

- Gostei! - Sirius sorriu antes de continuar a descida. - Você tem a permissão marota, Lilykins!

Revirou os olhos, mas sorriu.

- Se você precisar de qualquer coisa...- James começou a dizer enquanto se aproximava dela. - Solte uma luz vermelha no céu. Se algo acontecer, siga os meus pais, eles sabem as rotas para saírem daqui seguros.

- Ok. Tudo vai ficar bem por aqui, James. Tome cuidado lá fora e tente se divertir.

James assentiu e sorriu.

- Nós tentaremos.

Ele a beijou docemente por longos segundos, apenas sentindo o contato dos lábios.

- Até amanhã, Prongs! - ela sussurrou quando os lábios se separaram.

- Até amanhã...Lilykins!

- Argh!

Rindo, James foi até a porta do alçapão e começou a descer.

- Boa noite! - ele disse e fechou a porta logo depois de desaparecer.

Vê-lo sumir para a noite lhe dava palpitações. Depois do dia que teve, quando tudo começou bem, mudou para algo tenso e depois sentindo-se feliz, mal esperava para poder deitar e descansar, esquecendo que o mundo explodia lá fora e que precisava se preparar para o futuro. Um futuro onde eles poderiam ajudar. Eles seriam dois a mais e aquilo nunca soou tão certo para ela quanto agora. Eles esperavam o futuro onde fariam a diferença, onde seriam dois a mais naquela luta.

Lily se virou e foi em direção ao quarto, ainda sem saber que eles seriam parte importante dela.


N/A:

Betagem feita como eu pude, porque eu não conseguia mais reler esse capítulo :/ Desculpa.

Quem espera por um clichê animago no próximo? Acho que ele vem xD Não só de surpresa animaga respirará o próximo, aliás. Acho que teremos alguns personagens de bocas caídas.

Resposta para review sem logins:

Mah:Ah, seu aniversario foi ontem? Hoje? De qualquer maneira; Feliz Aniversario hahahaha :D Pra vc ver, o Snape tenta atrapalhar (mesmo nao sabendo) e ainda cosnegue fracassar. Tudo bem, td bem...Lily nao precisa mais daquela lembrança ahahaha e ela esta criando novas agora tbm :P Sempre mt gente ao redor deles, isso que da ser popular (e ter os marotos sempre tao perto hahaha), mas relaxa que o Harry nao foi feito com plateia e nem os treinos para concebe-lo AHAHHAHAA p.s: eu ri demais sobre a sua descoberta do presente da Lily para o Sirius, mesmo que fosse obvio. Nao teria nada melhor para dar para ele hehe Beijooos, lindaaa.

De qualquer maneira, sneak peek vem no Instagram amanhã :D

Beijoos! ;***