Capítulo 26 - Praia

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- Eu vou matar você! – Eu gritava e corria nas areias da praia atrás de Sasuke que estava bem mais a minha frente e olhava para trás vez ou outra com um sorriso estupidamente babaca.

Fazia uma meia hora que Sasuke estava me irritando, se não era por reclamar do sol quente e o calor, era roubando todo o meu espaço no meu guarda-sol. Mas ficar chutando a areia para cima de mim havia sido a gota d'água.

Qual era o problema daquele garoto?

Fazia um dia e meio que chegamos a praia. A casa que papai havia alugado era pequena, mas aconchegante, havia dois quartos e não era preciso dizer que um dos quartos eu dividia com Sasuke, havia duas camas de solteiros. Claro que meu pai e minha madrasta não via mal por seus filhos dividir o mesmo espaço, apenas alertaram-nos por não brigarmos muito.

Bom, não brigamos em nosso pequeno espaço, e sim tivemos privacidade para namorarmos um pouquinho, tendo os devidos cuidados para não chamar atenção.

- Você corre como uma lesma, Sakurinha – ele me provocou com aquele apelido estúpido, acelerando ainda mais a corrida e tornando-se impossível de alcançá-lo.

Soltei um gritinho histérico, frustrada com a tentativa falha de o alcançar para poder torcer aquele pescoço dele.

Resolvi voltar para meu lugar e sentei-me em minha toalha, a boca franzida. Olhei para minha madrasta.

- Mikoto, definitivamente estou a um passo de esganar o seu filho.

- Sakura, você deveria relaxar, foi só uma brincadeirinha de nada – disse papai que estava sentado na cadeira de praia ao lado de Mikoto tomando uma de suas cervejinhas.

Era incrível como papai passava a mão na cabeça de Sasuke e fingia não ver as maldades que eu sofria nas mãos daquele garoto. Poxa, eu era a sua filha, no mínimo eu merecia um pingo de consideração.

Olhei incrédula para ele.

- Brincadeirinha de nada? Ele estava chutando areia em mim!

- Você é muito nervosinha, Sakurinha – o veredito apareceu e se agachou ao lado da cadeira de sua mãe, me olhando de um jeito debochado e puxando uma mecha do meu cabelo por implicância.

- Ai! – Puxei meu cabelo de volta e dei um tapa em seu braço para depois olhar os nossos pais. – Viram só?

- Sasuke, pelo amor de Deus, deixe a Sakura em paz – a sua mãe o repreendeu, o cenho franzido.

Juro que não sei o que seria de mim sem a minha madrasta, só ela para me defender.

Sasuke bufou entediado.

- Tsc. Isso aqui está muito chato – reclamou sentando-se na areia. – Vocês disseram que seria legal, mas até agora a viagem toda está sendo uma merda.

- Olha a boca, hein – e novamente a repreensão de sua mãe. – Por que não tenta se divertir?

- Me divertir? – Ele a fitou. – Tudo que fizemos aqui só foi sentarmos nessa areia quente e ficar olhando o mar. Esse sol quente está me dando coceira.

- Então vamos jogar um vôlei com os caras ali? – Meu pai propôs apontando para um grupo que se divertia a alguns metros afastados de nós.

- Eu não sei jogar vôlei.

- Mas pelo menos tenta – disse sua mãe, claramente irritada com ele.

- Dispenso – e ocupou o espaço na minha toalha para pegar o máximo de sombra do meu guarda-sol, me deixando quase toda exposta aos raios solares.

- Sinceramente, Sasuke, você só sabe reclamar, parece um velho! – Eu disse observando ele revirar os olhos e agora estava se deitando na minha toalha, o braço cobrindo os olhos e a boca levemente crispada.

Bufei irritada.

Uma coisa que aprendi convivendo com aquela criatura era que ele sabia ser insuportavelmente irritante quando nada saía como planejou. E eu sabia perfeitamente o que ele queria com toda aquela implicância e mal humor. Sabia que ele me irritava de proposito por eu não estar cumprindo o combinado de ontem a noite sobre dar um perdido em nossos pais e namorar um pouquinho. Mas poxa, fazia tempos que não ia à praia e estava agitada por sentir aquela areia macia e quentinha, o cheiro maravilhoso da maresia e o som da água do mar. Amava tudo, assim como estava amando aquelas férias. Mas parece que havia uma nuvenzinha negra em torno de Sasuke e ele fazia questão de esfregar isso na minha cara.

Saco.

Levantei-me no que restava de tolha para mim e fiquei de pé, atraindo a atenção de meu pai e minha madrasta.

- Aonde vai, filha?

- Eu vou ali comprar uma água de coco – respondi arrumando a minha canga um pouco acima dos meus quadris. Em seguida cutuquei as costelas de Sasuke com o meu dedão do pé. – Ei, emburradinho, não quer vir comigo não?

Era difícil fingir para nossos pais que Sasuke e eu não tínhamos nada além de uma amizade fraternal. Ainda mais eu que era péssima em disfarces, mas a raiva de minutos atrás estava me ajudando a agir naturalmente enquanto o chamava para dar uma escapulida sem causar suspeitas.

E como esperado, Sasuke não respondeu. Ele não era nenhum tolo, e era provável que já tenha notado as minhas intenções, ainda mais depois de ele ter os seus chiliques para chamar minha atenção.

- Sasuke, por que não vai com a Sakura? – Questionou Mikoto, olhando para seu filho que se mantinha na mesma posição, fazendo doce. E confesso que ele era bom em disfarçar, até estava começando a acreditar em seu teatrinho de garoto emburrado se eu não soubesse suas reais intenções.

- Bom, deixa ele aí – dei de ombros, já começando a me afastar. – Melhor do que ficar zoando no meu ouvido.

Não olhei para trás quando caminhava por aquela areia em direção a um vendedor bem distante aonde estávamos. A praia estava pouco cheia e os guarda-sol abertos tampavam a visão do caminho para aonde estava indo. Logo já estava em frente ao vendedor comprando uma água de coco, e antes de pagar o senhor de idade vestido com uma camisa havaiana, um braço passou por mim com uma nota de cinco pratas esticada.

Virei meu rosto para o lado e vi Sasuke já ao meu lado.

Que rápido.

- O meu e o dela – ele disse ao vendedor que já preparava mais outro coco e entregava para ele em seguida.

- Resolveu vir, foi? – Perguntei enfiando o canudo na boca e sugando aquela água docinha e geladinha. Deliciosa.

Sasuke também tomou um pouco da sua água enquanto começávamos a nos afastar do vendedor antes de me responder:

- Não podemos dar muito na pinta, não é?

Olhei para ele por um instante antes de focar a minha frente, a pouco metros haviam um amontoado de rochas lisas.

- Hm.

Tomei mais um pouco da minha água.

- Pelo jeito está se saindo bem em disfarçar, quase acreditei que estava realmente brava comigo.

Franzi meu cenho e parei de andar, o fazendo parar também. Ele mantinha um pequeno sorriso que eu odiava – amava – no canto de sua boca.

- Eu estava brava com você. – E vi quando as suas sobrancelhas ergueram para cima, continuei: - O que deu em você para ficar chutando aquela areia em cima de mim? Isso foi infantil.

- O que você queria que eu fizesse? Que eu te chamasse na frente dos nossos pais para irmos a um lugar para darmos uns amassos? Garanto que isso deixaria nossos pais chocados.

Podia sentir meu rosto ficar quente com a forma desinibida que ele dizia com tanta naturalidade os seus desejos.

- Você poderia ter feito algum sinal – tentei me defender diante daquele seu olhar intenso sobre mim. – Qualquer coisa que não fosse chutar aquela areia.

Sasuke suspirou revirando os olhos.

- Do que iria adiantar? Você estava focada em se fundir com aquela areia e contrair algum câncer com aqueles raios ultravioletas.

Minha boca escancarou.

- Como você é exagerado. E além do mais, estava debaixo de um guarda-sol.

- Até parece que isso adianta e a impede de pegar uma isolação – murmurou, virando-se e voltando a andar, tomando outro gole de sua água.

Não tinha o que discutir, aquilo era perca de tempo e saliva. Sasuke era simplesmente inacreditável.

- Ok, estou aqui agora, não estou?

Ele não me respondeu e sim apontou com o queixo as rochas que estavam a nossa frente antes de me fitar de lado.

- Vamos ficar ali detrás dessas rochas.

Desviei meus olhos dele para as rochas altas que amontoavam naquela parte da areia que descia em tamanhos menores até o mar.

- Acho que os nossos pais vão acabar achando estranho por não voltarmos logo.

- Bobagem. Irritei a minha mãe o suficiente para ela não querer ver minha cara por mais de meia hora. – Eu o fitei e ele sorriu para mim. – Agora vamos por que você me deve por ter me deixando largado a viagem toda nas termais.

- Que dramático – murmurei o seguindo, contornando aquelas rochas e chegando do outro lado.

Fiquei surpresa com o pedaço minúsculo de areia molhada da água fria do mar que a lavava em minutos e minutos, assim como os nossos pés. O lugar era mais silencioso – tirando o barulho do mar – e completamente vazio. Não havia ninguém mais além da gente, bom, nem tinha como houver, pois, o local era tão pequeno que chutava couber só mais duas pessoas além da gente.

- Uau, isso aqui é tão calmo – disse olhando para o mar a nossa frente e as rochas ao nosso redor que ocultava a nossa presença do resto do mundo do outro lado. – Você já tinha vindo aqui?

- Não, estou tão surpreso quanto você – ele respondeu, tirando o coco de minhas mãos e o deixando em cima de uma pequena pedra ao lado do seu.

Não tive tempo para bolar uma resposta, pois logo senti suas mãos em cada lado do meu rosto e sua boca na minha boca. Nos beijamos, sentindo o alívio de saber que estávamos seguros naquele lugar. Minhas mãos seguravam os contornos destacados de seus braços, sentindo o enroscar de nossas línguas. Era bom, céus como era bom beijá-lo.

Senti a água do mar lavar meus pés mais uma vez ao mesmo tempo que sentia a rocha atrás de mim, e uma parte dela estava machucando minhas costas.

- Espera... – disse entre os beijos – Sasuke...

Consegui o afastar quando sua boca descia por meu queixo. Seu cenho franziu enquanto me olhava.

- O que foi?

Com as duas mãos agora espalmadas em seu peito – ignorando os efeitos por sentir os pequenos gominhos em minhas palmas - olhei para trás enquanto dava um passo para frente, observando a parte da rocha que machucava.

- Isso aqui está machucando as minhas costas.

Sasuke olhou por sobre os meus ombros e me puxou para um outro lado, segurou minha cintura com as duas mãos e me suspendeu para cima. Soltei um gritinho agudo de surpresa e logo me vi sentada sobre uma das rochas, ficando pela primeira vez com a minha cabeça na mesma altura que a dele, nossos olhos fitando o fundo um do outro.

Um meio sorriso se abriu no canto esquerdo de sua boca, fazendo aquelas borboletas circular meu estômago

- Melhor?

Apenas assenti com a cabeça, sentindo-me hipnotizada por aqueles olhos lindos da cor de ébano. Adorava o contorno deles meio que puxados, os cílios longos e negros, eram o destaque de toda a sua beleza.

- Uhum.

Toquei seu rosto, sentindo o contorno de sua mandíbula, e os picos da sua barba feita querendo sair. Como pode eu gostar tanto desse garoto de uma tal proporção que me deixava sem ar? Como ele conseguiu entrar em meu coração e se enraizar de tal jeito que se eu o arrancasse do meu peito me destruiria? Como eu fui me apaixonar por aquele boca suja e amar todos os seus defeitos e seu jeito como ele me irritava? Eu simplesmente estava frita.

- O que foi? – Ele perguntou, o cenho levemente franzido. – Por que está me olhando desse jeito?

- Você é lindo – minha voz saiu automaticamente diante do que sentia e do que via com meus olhos.

Sasuke pareceu surpreso, os olhos arregalados levemente e o corar em suas bochechas era nítido. Ele afastou minha mão e tentou disfarçar tampando seu nariz e boca com as costas de sua mão, o rosto virado para o lado.

- Porra, Sakura, você não devia dizer essas coisas.

Eu apenas o observava, surpresa com as reações que eu causei nele com aquela simples frase.

Então era assim que agia quando estava envergonhado? Eu lembrava de um outro dia na cozinha quando ele fez o mesmo gesto com a mão quando verifiquei sua temperatura depois de uma noite em febre.

Comprimi meus lábios para segurar um sorriso que queria escapar. Eu havia descoberto sem querer um de seus pontos fracos, e adorei saber disso e achei aquilo estupidamente fofo.

- O que você rindo? – Ele perguntou na defensiva, me olhando de banda, o cenho ainda franzido e a boca crispada depois que tirou sua mão que a cobria.

- Eu não estou rindo – e fiz um maior esforço para o sorriso não escapar, mas estava falhando.

- Mentirosa.

Seu rosto virou todo para mim, suas mãos espalmadas na pedra que eu estava sentada, uma em cada lado do meu quadril.

- Ei, não sou nenhuma mentirosa.

Seus olhos apertaram enquanto me fitava e me beijou em seguida, aproximando mais o seu corpo e ficando no meio entre as minhas pernas. Minhas mãos entrelaçaram o seu pescoço, meus dedos tocando os seus cabelos lisos e macios. Arfei quando senti sua boca em meu pescoço, beijando-me, suas mãos agora segurando meus quadris, deslizando pelas minhas coxas desnudas. Gemi baixinho quando ele mordeu o lóbulo de minha orelha e o puxei de volta para minha boca e o beijei com fervor, sentindo o calor de seu corpo no meu.

A cada dia que passava nossos beijos ficavam mais ousados, o calor ficava mais forte e as mãos bobas eram frequentes. Eu tinha consciência de que aonde aquilo tudo podia parar, como eu sabia, mas me sentia fraca quando estava em seus braços. Não tinha tanto controle sobre o meu corpo quando estávamos daquele jeito, tão íntimos.

Minhas mãos desceram por seu peito e deslizaram por suas costelas e foi aí que senti algo estranho. Voltei a mão ao local, sentindo um relevo, um pedaço de carne contorcido. Franzi o cenho, a consciência falando mais alto, tentei me separar da boca dele.

- O que é isso? – Perguntei com a minha boca na dele, as sobrancelhas levemente franzidas.

- Uma cicatriz.

Segurei seus ombros e o afastei, estava ofegante, observando seus lábios inchados e entreabertos.

- Cicatriz?

Abaixei meus olhos e fitei a sua costela tatuada.

- Uhum... – e avançou, beijando meu pescoço, distraindo-me da rota dos meus pensamentos, mas estava curiosa o suficiente para ceder.

- Como conseguiu ela? – Perguntei, fazendo-o olhar para mim mais uma vez.

- Isso faz muito tempo... não estou afim de fala sobre isso.

E voltou a me beijar, mas abri meus olhos naquele beijo e o afastei novamente.

- Então você fez a tatuagem para cobri-la?

Ele sorriu de lado, mas era nítido que era forçado.

- Esperta.

Desci minha mão para poder tocar nela novamente, mas Sasuke me impediu segurando a minha mão e beijando as costas dela.

- Você não vai deixar esse assunto de lado, não é?

- Estou curiosa.

Ele suspirou, me dando a devida atenção agora.

- O que você quer saber?

- Como conseguiu a cicatriz? Ela é bem grande. Foi algum acidente?

- Na moral, Sakura, não estou afim de falar desse assunto.

Observei sua expressão e percebi que era algo delicado para eu ficar insistindo. Burra, claro que era algo de extrema delicadeza, assim como o seu passado que ele e sua mãe fazem questão de ocultar.

- Desculpe – murmurei, abaixando o olhar. Mas senti sua mão em meu queixo, fazendo-me olhá-lo.

- Não precisa se desculpar. Só que... – ele hesitou por alguns segundos, pensando, os olhos perdidos em algum ponto atrás de mim. – Só é um assunto que quero não relembrar – e me fitou. – Prometo que um dia contarei.

- Sem pressão.

Ele sorriu mínimo como resposta, e dei um selinho em seus lábios.

- E a tatuagem? – Voltei a perguntar mudando o assunto.

- O que tem ela?

- O que está escrito aí?

- Hm... – E coçou a cabeça, fitando o céu por alguns segundos e depois seus olhos focaram em mim antes dizer: - 'umm... yudak maftuhatan dayman eindama 'ahtaj 'iilaa eanaqi. qalbuk yaerif kayf yafham eindama 'ahtaj 'iilaa sadiqi. tasalub eaynak alhasaasat eindama 'ahtaj 'iilaa diris. 'arshadatni quatak wahubuk khilal alhayat wamanahatni al'ajnihat alati 'ahtajuha liltayaran.

Franzi as sobrancelhas.

- Eu não entendi uma só palavra que você disse.

Sasuke gargalhou, jogando a cabeça para trás.

- Você fez a mesma expressão que eu imaginei, Sakurinha.

Dei um tapa em seu ombro.

- Babaca. – Fiz biquinho. – Você poderia falar a minha língua?

E um sorriso malicioso estava em sua boca.

- Língua.

Já começou.

- Estou falando do nosso idioma.

Ele aproximou seu rosto e sussurrou no meu ouvido:

- Vai ficar querendo.

O empurrei com as minhas duas mãos, arrancando mais gargalhada daquele cretino. Franzi mais o cenho sentido uma vontade absurda de lhe dar um soco.

- Você é cruel.

- E você curiosa – e apertou as minhas bochechas.

- Ei – dei um tapa em suas mãos. – Isso dói.

Sasuke agarrou minha cintura num rompante, me abraçando e me tirando de cima daquela rocha, me pondo no chão e me beijou mais uma vez, desfazendo o meu bico.

- Hm... – Me desvencilhei novamente de sua boca. – Nem vai me dizer pelo menos o idioma da tatuagem?

- É arábico.

Ergui minhas sobrancelhas para cima.

- Arábico? Por que arábico?

Ele suspirou novamente, cansado.

- Ah, Sakura, você poderia ser menos curiosa?

- Se você responder minhas perguntas, talvez.

Sasuke ficou me observando, suas mãos ainda em volta de minha cintura e as minhas segurando o reata de sua bermuda de táctel.

- É uma forma de lembrar meu avô materno, ele era libanês.

Meus olhos se abriram, surpresos.

- Seu avô materno era arábico?

- Uhum.

Pisquei os olhos algumas vezes.

- Então você é meio arábico!?

- É, descendente para falar a verdade.

- Uau. Numa imaginei que possuísse uma descendência assim. Você é tão oriental.

- Por que sou oriental, cabeçuda – e me deu um peteleco na testa.

- Ai. – Toquei minha testa, sentindo o ardor no local. O fitei de cara deia. – Por que você faz isso? Dói, sabia?

- Para você se situar – e sorriu maldosamente.

Bufei, virando meu rosto para o lado. Senti seus lábios tocarem a minha bochecha, num beijo estralado, me fazendo fitar a cara de bunda que fazia agora.

- Está com raiva?

- Você é um idiota – e me desvencilhei de seus braços, pegando o meu coco em cima da pedra e me afastando, contornando a grande rocha.

- Ei, aonde você vai?

- Voltar para aonde está os nossos pais.

Ele apressou e me alcançou, segurando meu braço e me fazendo olhá-lo.

- Mas ainda temos um tempo.

- Para levar mais petelecos na testa? – Franzi mais o cenho. – Quer saber, Sasuke, me poupe, se poupe e nos poupe. E é melhor voltar antes que nossos pais pensem que estamos fazendo algo proibido.

- Mas estamos fazendo algo proibido – e sorriu cinicamente.

Puxei meu braço de seu aperto e dei as costas para ele e voltei a andar, sabendo que ele me seguia. Mas de repente senti um cutucar nas minhas costelas. Soltei um grito agudo e um pulo para frente, quase soltei o coco no chão.

- Qual é o seu problema? - Virei-me para aquele idiota que ainda tinha um sorriso na cara, e não era um sorriso comum, e sim aquele de que está para aprontar algo. Todo o meu sistema interno ligou o sinal de alerta.

Ele ergueu a mão com os dedos esticados para cima.

- Cinco segundos.

- Ahn?

- Cinco segundos de vantagem antes de eu te pegar.

Franzi o cenho, dando dois passos para trás, sacando a linha de seu pensamento diabólico.

- Mas... você não faria isso?

E seu sorriso maldoso alargou.

Meus olhos arregalaram. Ele faria.

Não pensei duas vezes e corri o mais longe dele, terminando de contornar a rocha, deixando o coco cair no chão, sentindo a adrenalina percorrer todo o meu corpo naquela brincadeira infantil de pega-pega.

Virei minha cabeça para trás e quase soltei um grito quando percebi que ele se aproximava como se fosse um touro.

Minha nossa.

Voltei a correr com todas as minhas forças, sentindo o desespero tomar conta de mim, como detestava aquele tipo de brincadeira. As pessoas olhavam para mim como se eu fosse uma louca e gritei quando senti as mãos de Sasuke me agarrar com tudo, quase nos derrubando no chão pelo impacto.

- Parece que você perdeu, Sakurinha – ele sussurrou em meu ouvido antes de me soltar.

Virei-me para ele, a respiração pesada. Vi quando ele piscou para mim antes de caminhar a minha frente como se nada tivesse acontecido, me deixando completamente fora de mim.

Sasuke ainda iria me deixar louca.