Capítulo 27 - Mensagens

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QUE INVEJA, AMIGA.

EU QUERIA ESTÁ CURTINDO UMA PRAIA E NÃO AQUI TRABALHANDO NESSA FLORICULTURA IDIOTA.

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BOM, INO NÃO É PARA TANTO.

ALIÁS VOCÊ MESMA GOSTA DE FLORES.

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MAS NÃO GASTAR MINHAS LINDAS FÉRIAS TRABALHANDO.

EU SÓ SAÍ UMA VEZ COM O SAI.

ELE VAI ACHAR QUE EU NÃO O AMO MAIS.

Já fazia meia hora que estava trocando mensagens com Ino. Estava deitada em minha pequena cama de solteiro dando meu apoio de melhor amiga diante de sua crise adolescente. Sentia um pouco mal por ela estar trabalhando, ajudando a mãe na floricultura que estava bem movimentada naquelas férias enquanto eu estava curtindo uma das melhores férias que eu já tive, junto da minha família.

Nem todos tinham a sorte que eu estava tendo de desfrutar os dias de descanso numa praia.

Virei meu rosto para o lado por um instante e vi Sasuke deitado em sua cama de solteiro com o braço sobre os olhos enquanto escutava suas músicas naquele headphone que havia ganhado de presente de sua mãe. O olhando assim até parecia que estava dormindo se não fosse o detalhe de seu pé estar se mexendo ao som da música.

O dia de hoje havia sido um pouco mais calmo diante de ontem. Saímos todos juntos para visitar alguns pontos turísticos e tiramos algumas fotografias para guardarmos de recordação. Almoçamos num dos restaurantes que ficavam perto da praia, e nem era preciso dizer que ainda tomei um pouco do sol no fim de tarde. E pelo incrível que pareça, Sasuke me acompanhou e ficamos nós dois sentados na areia observando as ondas agitadas do mar enquanto o sol se punha no horizonte, deixando aquele crepúsculo formidável.

A noite jantamos na casa que papai havia alugado, era pequena e aconchegante com a sala compartilhada com a cozinha, um banheiro entre os dois quartos e uma varanda extensa que dava uma vista maravilhosa para a praia.

Mikoto havia feito o jantar com as coisas que comprou numa feirinha e claro que a ajudei na cozinha. Posso dizer que o arroz com brócolis e cenoura e o peixe grelhado havia ficado saboroso, o suco natural de abacaxi foi o toque final daquele jantar em família.

Depois do jantar podia sentir o cansaço daquele dia e logo me retirei para o quarto e me joguei em minha cama. Sasuke havia me acompanhado e se jogou em sua cama que era do lado da minha - com um metro de distância uma da outra -, pois assim como toda a casa, o quarto que dividíamos também era pequeno, com tamanho o suficiente para couber apenas as duas camas de solteiros, um criado mudo e uma cômoda larga que ficava debaixo de uma janela que estava aberta, deixando entrar a brisa suave da noite e a luz da lua que enfeitava aquele céu estrelado.

Voltei a atenção para as últimas mensagens de Ino e respondi:

NÃO ACHO QUE O SAI VAI PENSAR ISSO, PARECE QUE ELE GOSTA DE VOCÊ, DE VERDADE.

Dois segundos depois e sua mensagem chegou.

MAS EU REJEITEI SEU CONVITE PARA SAIR UMAS QATRO VEZES.

*QUATRO

QUATRO VEZES AMIGA!

E EU NEM POSSO BATER O PÉ E DEIXAR MINHA MÃE NA MÃO, POIS A LOJA ANDA MUITO LOTADA.

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SE EU TIVESSE AÍ, EU TE AJUDARIA

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AIN AMIGA, EU TE AMO 3

MAS CURTA SUAS FÉRIAS, CURTA POR MIM.

Sorri e mandei vários emotion de coração enquanto encolhia minhas pernas para cima. Na mesma hora a porta do quarto foi aberta e uma Mikoto apareceu com a cabeça na fresta, atraindo a minha atenção. E, minha nossa, nunca em toda a minha vida eu fiquei tão aliviada por estar quietinha na minha cama e Sasuke quieto na dele, sem fazer nada de comprometedor. Mikoto havia aparecido de repente, sem ao menos perceber.

- Tudo bem aqui? – Ela perguntou, olhando para mim e depois para seu filho que estava na mesma posição, sem notar sua presença.

- Sim – sorri comprimido, abaixando o celular. – Está tudo em ordem.

Seus olhos negros focaram em mim e assentiu com a cabeça com um pequeno sorriso no rosto.

- Eu e seu pai já vamos dormir, se tiver fome ainda tem comida no fogão.

- Eu não estou com fome e logo vou dormir também, já estou com sono.

- Tudo bem – e depois olhou novamente para seu filho. – Como ele consegue dormir com esse fone no ouvido?

Olhei para Sasuke que mantinha a mesma posição.

- Ele não está dormindo não – disse, agarrei uma almofada que estava ao meu lado e joguei nele. – Ei!

Sasuke tirou o braço dos olhos e os abriu na mesma hora, erguendo um pouco de seu torso e olhou para mim com o cenho franzido.

- Por que fez isso?

Apontei com meu queixo para a porta.

- A sua mãe ali falando contigo.

Ele virou o rosto e percebeu Mikoto parada o olhando.

- O que foi?

- Estava falando para Sakura que já estou indo dormir com Kizashi.

- Tá – e jogou sua cabeça de volta para o travesseiro. – Boa noite.

- Boa noite e não vão ficar até tarde nesses celulares, hein.

- Ok – respondi.

E Mikoto saiu, fechando a porta. Podia ouvir os passos dela pelo pequeno corredor e o som da porta de seu quarto se fechando.

Suspirei, e fitei Sasuke por um instante, ele havia colocado os fones novamente e agora mexia no celular, alheio sobre ser o alvo de minha atenção.

Voltei meus olhos para o celular e finalizei minha conversa com a Ino, desejando boa sorte com o seu trabalho amanhã. Mandei outra mensagem para Hinata e o incrível era que ela havia visualizado e não me respondido novamente. Estranho.

Franzi o cenho, achando aquilo tudo estranho. Sabia que Hinata demorava um pouco para responder as mensagens do WhatsApp, e algumas vezes quando visualizava e não respondia era por que estava ocupada, mas assim que podia sempre respondia. Dessa vez era diferente, ela não havia respondido nenhuma de minhas mensagens desde de que saí de viagem.

O que será que pode ter acontecido?

Quando resolvi perguntar a Ino sobre isso recebi uma mensagem de Sasuke.

Ahn?

EI!

VEM AQUI ME DAR UM BEIJO.

Virei meu rosto para ele que não olhava para mim e sim para o celular.

- Te manca, Sasuke – franzi o cenho levemente. – Estou bem ao seu lado. Por que não fala ao invés de mandar mensagem?

E meu celular vibrou na minha mão, era outra mensagem dele.

NÃO POSSO.

Revirei os olhos, não iria entrar em sua brincadeirinha infantil. Não mesmo.

- Por quê?

NÃO CONSIGO FALAR.

Sério, não tinha como não achar graça naquela babaquice. Voltei a fitá-lo, ele agora comprimia os lábios, segurando um sorriso, os olhos ainda fixos no celular enquanto seus dedos se mexiam rápidos na tela. Não demorou nem dois segundos e meu celular vibrou novamente.

VEM CÁ.

Mordi o lábio, odiando-me por estar gostando daquela brincadeira. Resolvendo fazer o seu joguinho respondi sua mensagem:

NÃO ESTOU AFIM.

ESTOU FALANDO COM A INO.

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ENTÃO NÃO VAI FICAR SABENDO O QUE EU TENHO PARA CONTAR.

Olhei para ele na mesma hora, a curiosidade se fazendo presente. O que ele tinha para me contar? Sasuke ainda continuava me ignorando, sem me olhar uma única vez.

- O que é? – Perguntei, mas não obtive sua resposta e sim uma outra mensagem.

SÓ VOU DIZER SE VIR AQUI.

Afi. Revirei os olhos mais uma vez. Aquilo já estava ficando chato.

- Ah, Sasuke, não vou aí não. Estou confortável aqui na minha cama. Por que não para de palhaçada e fala logo de uma vez?

NÃO DÁ.

Como o meu namorado era ridículo.

POR QUÊ?

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ESTOU CARENTE.

Sério, eu juro que tentei, mas não dar para ficar séria lendo aquilo que Sasuke me mandava. Acabei soltando uma risada baixa, voltando a olhá-lo, que ainda fitava a tela do seu celular. Ele segurava um sorriso, mas estava falhando. Seu olho virou e me fitou por um instante.

Ok, não havia mais como ignorar aquele garoto, ainda mais quando minha curiosidade falava mais alto.

Levantei-me, deixando meu celular em cima da cama e com dois passos eu já estava sentada na ponta de sua cama. Finalmente seus olhos me fitaram e um pequeno sorriso estava no canto de sua boca, o deixando com um ar de menino travesso.

- Own, você está carente, uhm? – Disse baixinho para não fazer alarde para nossos pais enquanto comprimia um sorriso.

Segurei seu rosto com as minhas duas mãos e desci meu rosto para baixo e beijei seus lábios que me recebeu de bom grado. Sua mão agora pousando em minha coxa desnuda pelo short do baby-doll.

- Você só quer saber de Ino – sua voz saiu manhosa contra a minha boca, agora usando sua outra mão para me fazer deitar a metade de meu corpo em cima do seu, aprofundando mais aquele beijo.

Minhas mãos estavam agora espalmadas em seu peito, sentindo o tecido de algodão de sua camiseta cinza. Quando o ar começava a faltar ergui meu ccorpo pouco para cima, me separando de sua boca e agora vendo o seu rosto, a boca entreaberta e a respiração entrecortada. Ele tirou seu headphone no ouvido.

- Mas eu tenho que dar o meu apoio moral de melhor amiga. – Respondi, passando a mão por seus cabelos e tirando alguns fios bagunçados de sua testa. Me distraí por alguns segundos com sua língua umedecendo seus lábios pouco vermelhos por causa do beijo. – A... a coitada está perdendo todas as suas férias...

Minha nossa, Sakura, não se distraia. Está agindo como uma idiota.

Pisquei algumas vezes, desviando meus olhos para um ponto de seu ombro e continuei:

- Ela está ajudando a mãe na floricultura. E eu me sinto pouco mal por estar aqui me divertindo nessas férias perfeitas e ela lá com medo de que seu namorado se canse dela por não está dando a devida atenção a ele.

Sasuke esticou sua mão e colocou uma mecha do meu cabelo para detrás de minha orelha.

- Você é boa.

Ergui meus olhos para ele.

- Ahn?

Sasuke me fitava os olhos e parecia sério no que dizia:

- Você é uma garota boa. – E senti sua mão descer por meu ombro e braço até pousar em cima da minha que estava espalmada agora em seu colchão. - E existe poucas pessoas como você e melhores amigas também. Por que não é qualquer um que tem o seu nível de empatia por uma amiga como você tem pela sua. E também não acho que o Sai vai largar a Ino por uma bobagem se ele gosta mesmo dela, e eu vejo que Sai gosta dela pra valer.

Fiquei observando Sasuke, processando cada palavra que ele havia me dito e acalmando um pouco a aflição que sentia em meu coração por saber que Ino não estava realmente em mais lençóis com seu namorado. Confesso que gostei de me abrir sobre esse assunto com ele, agora podia acalmar Ino do jeito como Sasuke me acalmou.

Sorri, não pensando duas vezes em o abraçar, meio que desajeitada por causa na minha posição que estava sentada.

- Você é o melhor namorado do mundo.

- Espera... Sakura... – senti que seu corpo se arrastava para o canto, me fazendo soltá-lo por alguns instantes e perceber o espaço se abrindo para mim. – Deita aí.

Não pensei duas vezes e me deitei naquele pequeno espaço na ponta, ficando de lado, de frente para ele. Minha cabeça dividindo o mesmo travesseiro, deixando nossos rostos bem perto um do outro que podíamos sentir nossas próprias respirações.

Não demorou para que Sasuke acabace com o pouco espaço e me beijasse mais uma vez, sua mão por cima da minha cintura, tocando nas minhas costas, suas pernas entrelaçando as minhas e deixando tudo aquilo muito íntimo. Podia sentir meu coração bater rápido, o friozinho no estômago diante da adrenalina por estarmos novamente namorando, sabendo que nossos pais estavam no quarto logo a frente.

Segurei com força a sua camiseta e gemi baixinho, senti a boca de Sasuke no meu pescoço, seu corpo agora em cima do meu, me fazendo sentir todas as suas partes. Eu podia sentir o calor ficando cada segundo mais quente e uma sensação diferente tomar conta de meu corpo, era bom... era excitante.

Minha respiração era acelerada, as mãos de Sasuke passeava por minhas coxas e apertava com vontade enquanto sua pélvis pressionava a mim e a sensação era maravilhosa.

Outro gemido escapou de minha boca, mas logo foi calado pela boca de Sasuke que estava mais ousado, sua língua mais ágil contra a minha.

- Assim você acorda nossos pais – sua voz soou contra a minha boca.

E sua frase havia sido o suficiente para me agarrar a razão e perceber o que estava prestes a acontecer.

Usando todas as minhas forças segurei seus ombros e o empurrei, o separando de mim.

- Sasuke... – disse ofegante, abrindo os olhos e o observando nas mesmas condições que eu. – Ahn... eu... – balancei minha cabeça para os lados, claramente nervosa. – Eu não estou pronta.

Sasuke me olhava, mas logo saiu de cima de mim, deitando-se ao lado. Minha blusa havia enrolado até abaixo dos meus seios. Meu Deus, aonde aquilo tudo iria parar? Abaixei a minha blusa e virei-me para Sasuke que passava a mão nos cabelos.

- Me desculpe.

Não demorou para eu ser alvo de seus olhos.

- Por que está se desculpando?

- Por... – hesitei, sentindo meu rosto quente. – Eu sou virgem.

- Eu sei.

Não dissemos mais nada e o silêncio tomou conta do local, apenas se podia ouvir o som dos grilos do lado de fora. Fiquei observando um ponto qualquer na parede atrás de Sasuke e ele suspirou pesadamente antes de sua voz ecoar baixa, quebrando o silêncio:

- Nós não íamos transar aqui.

Voltei minha atenção para seu rosto, sentindo as batidas aceleradas no meu peito. Sasuke olhava para mim e continuou:

- Não com nossos pais dormindo bem a nossa frente, e muito menos sem você tiver certa de que quer dar esse passo.

- Obrigada, por pensar em mim – eu realmente estava tocada com suas palavras.

Senti sua mão afagar meu rosto, e fechei os olhos para sentir aquele carinho.

- Eu gosto realmente de você, Sakura – ele disse e abri meus olhos encontrando os seus. – E não vou pressioná-la para fazer sexo. Quero que seja especial para você e para mim também.

Senti meus lábios erguerem para cima e acabei por beijá-lo, cada minuto mais apaixonada por aquele garoto marrento e irritante que conseguia ser estupidamente romântico na hora certa.

- Você é muito fofo.

O rosto de Sasuke se contorceu numa careta.

- Que porra, Sakura.

Acabei rindo baixinho e o abracei, sentindo seu braço por cima de minha cintura. Senti seu cheiro gostoso de perfume, fechei os olhos e me aconcheguei em seus braços.

- O que você queria me falar? – Perguntei depois de ficarmos alguns segundos em silêncio.

- Quer sair amanhã? Só nós dois?

Abri meus olhos e ergui minha cabeça para cima e o fitei, surpresa.

- Sair? Só nós dois sozinhos? – Ele assentiu com a cabeça. – Um encontro?

Suas sobrancelhas negras ergueram-se para cima.

- E aí? Topa?

- Mas Sasuke, os nossos pais...

- Sakura, eles não vão pensar em nada. Então sem noias.

Pisquei algumas vezes.

- Não estou entendendo.

- Eu percebi que nossos pais querem um tempo sozinhos aí falei com Kizashi que iria dar uma saída e chamaria você para conhecer uns lugares legais de jovens. Ele topou na mesma hora.

- Ah... caramba... entendi.

- Então, vai ou não?

Senti os cantos de minha boca erguerem-se para cima.

- É claro que vou! – Minha voz saiu um pouco mais alta que o normal.

- Shiiii, assim você acorda os nossos pais.

Tampei minha boca com as duas mãos, os olhos levemente arregalados.

- Desculpa – sussurrei desta vez.

Sasuke se remexeu enfiando a mão atrás de si e pegando seu celular e ligando o display.

- O que está escutando? – Perguntei, bisbilhotando a sua playlist.

Ele desceu a janela e desligou o bluetooth, logo o som baixo de uma banda de rock - desconhecida por mim - preencheu o silêncio daquele quarto.

- Iron Maiden – respondeu, apagando a luz do display e deixando o som tocar.

- Hm. É bem... diferente.

Seus olhos me fitaram.

- Você tem mó cara de que escuta Taylor Swift.

Meus olhos se abriram mais, pasmos.

- Como você sabe que gosto de Taylor Swift?

A sua risada soou abafada, seu braço voltando a me abraçar pela cintura

- É um pouco óbvio.

Ergui um pouco a cabeça para cima.

- Como assim?

Sasuke mantinha um sorriso ridiculamente debochado. Aí vem, acabou de baixar seu lado quinta série.

- Você é toda delicada e fresca e frufru... Ai.

Eu havia beliscado seu braço, fazendo tirar de cima da minha cintura.

Franzi o cenho.

- Eu não sou fresta.

- Desculpe, era para dizer violenta.

- E você é um babaca.

Ele sorriu daquele jeito irritante e sabia que qualquer tipo de conversa não sairia nada sério e sim piadinhas. E isso era a hora da minha retirada. Apoiando minha mão no colchão comecei a me levantar de sua cama.

- Ei, aonde você vai?

- Vou ao banheiro e depois irei dormir – e fiquei de pé, olhando-o fazer uma careta, agora todo esparramado na cama. – Tenho que acordar cedo para escolher uma roupa legal para o meu encontro.

Pisquei para ele antes de sair do quarto, o coração ainda acelerado e ansiosa pelo dia de amanhã.