Música do capítulo:Umbrella-Ember Island
Eu havia acabado de chegar em frente a casa de Adrien. Não importa quantas vezes eu vá lá, eu sempre me surpreendo com o tamanho. A sala daquele lugar daria o tamanho de metade da minha casa. Era surpreendente, pelo menos pra mim.
Como sempre quem abriu para mim foi a assistente pessoal da família, Nathalie. Eu não sei muito sobre ela, ela é tão fechada e séria. Parece até um robô as vezes. Tipo aqueles Androids de filme de ficção científica. Eram os favoritos do Adrien, o que me fez ter que assistir todos que lançavam com ele.
Éramos amigos desde muito novos porquê nossas mães eram amigas de longo prazo. Elas se conheceram quando a mãe dele foi fazer uma compra na padaria dos meus pais e as duas acabaram conversando. Desde então vivem juntas.
Eu e Adrien fomos praticamente criados juntos, como irmãos. Sabíamos tudo um sobre o outro e passamos mais tempo um na casa do outro do em nossas próprias casas. Tinha gente até que pensa que a gente namora.
Onde já se viu? Eu, Marinette Dupain-Cheng, namorar o Adrien? Só se for em um universo alternativo. Já deixei isso claro para todos, mas até nossos pais insistem nisso.
Eu entrei logo na casa e fui direto pra cozinha encontrar Adrien. Sabia que ele estaria ali. Ele passava o tempo todo lá desde que seus pais deixaram ele desistir da dieta. E eu estou pensando seriamente em pedir ao tio Gabriel que ponha ele nela de novo.
Assim que ele percebeu minha presença deu um sorriso maroto e me ofereceu um abraço, que logo aceitei. Ele não durou muito e me afastei dele.
-Você vai querer que eu leve algo pra você comer? -perguntou enquanto fechava a geladeira.
-Não precisa, já comi antes de sair. -respondi e escorei na parede ao meu lado -Vou esperar você no seu quarto tá? Você vai demorar pra terminar isso aí. -apontei para o prato dele que estava com um sanduíche enorme, nem sei como ele conseguia comer aquilo.
Ele acenou positivamente com a cabeça pois sua boca estava cheia de mais para responder. Queria saber como ele não engordava desse jeito. Parece que tem um buraco negro ao invés de um estômago.
Subi as escadas e segui pelo corredor até o quarto do Adrien, o único lugar que eu me sentia realmente confortável daquela casa. Não que o resto não me agradasse, pelo contrário.
Uma mansão com um monte de quartos, piscina quentinha, TV de mais alta qualidade na sala de estar e uma arquitetura maravilhosa me agradava até demais. Eu só não gostava muito de uma certa companhia que encontrava as vezes por ali.
De vez em quando, quando estou caminhando pela casa a procura de Adrien ou pra fazer algum favor que me pediam, dou de cara com o irmão mais velho de Adrien. Chat Noir. A pessoa que eu menos gostaria de me esbarrar.
Não que eu não goste dele, na verdade eu tenho uma pequena queda por ele. Ele é extremamente gato e tem uma personalidade muito marcante. É o garoto mais cobiçado do colégio e no bairro inteiro, o que não facilitaria eu ficar com ele.
Eu também não ficaria com ele assim do nada. Ele tinha uma certa fama de hétero top e eu não gosto de caras assim. Se é verdade? Não sei. Só não quero ser mais uma na lista de um galinha.
Me joguei na cama e passei os olhos por aquele quarto. Era enorme também. Acho que daria pra colocar 4 quartos meus aqui e não encheria o lugar. Tudo era extremamente organizado, afinal a tia Emille odiava bagunças e arrumava o quarto dele e do Chat todas as tardes.
Uma parede era toda coberta de estantes repletas de livros, discos antigos e DVD's de filmes que Emillie havia gravado quando era mais nova. Ela era uma atriz famosa. Amo os filmes dela.
Tinha também um plano que ficava próximo a janela, Adrien tocava ele as vezes para mim e tentou né ensinar a tocar, mas não deu muito certo.
Na escrivaninha dele tinha um computador que eu -internamente -invejava. Ele tinha várias telas e funcionava tão bem que eu só imagino o preço que deve ter sido.
Rolei na cama e enfiei a cara no travesseiro. Respirei bem fundo, sentindo o cheiro dele. Tinha cheiro do perfume do Adrien, que era muito bom. Mas também cheirava a batatas fritas que provavelmente ele comeu ali.
Não demorou muito e ele chegou, chegando com duas garrafinhas de refrigerante e um sanduíche igualzinho ao que ele estava comendo antes. Provavelmente eu ia tomar um daqueles refris dele sem ele ver mas não tem problema.
- Precisamos decidir o que vamos fazer no festival - eu disse.
- Eu sei - suspirou ele, desalinhando os cabelos loiro e retorcendo o rosto em uma careta de desanimo.- Será que não podemos fazer somente
uma coisa com seus desenhos? Você sabe. As pessoas assistiriam uma exposição dos seus desenhos e você faria um especialmente pra quem pagasse,que tal?-o olhei com uma cara surpresa e esbocei um sorriso torto.
- Era exatamente nisso que eu estava pensando...
- Claro que estava.-me olhou com uma cara sarcástica e eu revirei os olhos.
- Mas não podemos. O Nathaniel e o Marc já vão fazer isso.
- E por que nós precisamos inventar uma atração?Não podemos simplesmente administrar o evento inteiro e fazer com que as outras pessoas tenham as ideias para as barracas?
- Ei, foi você quem disse que fazer esse festival iria ajudar a arrecadar dinheiro para as minhas criações e seria bom pra reunir os amigos antes das provas.
- E foi você quem concordou com isso.
- Porque eu preciso do dinheiro para as minhas criações.- enfatizei. - Não imaginava que a gente teria que organizar o festival, também.
- Isso é uma droga.
- Eu sei. Ah, e se contratássemos uns daqueles...você sabe. - fiz um movimento com as mãos como se tocasse um instrumento - Aqueles músicos que tocam em pequenos eventos, se tocassem bem daria uma boa grana.
- Não dá. O Luka e a Kitty Section já vão tocar lá. Foi ideia da Rose e acho que não vai ter graça também.
-Então estou sem ideias. Já estão usando todas as boas. -suspirei e nos entreolhamos.
-Falei que devíamos ter começado a nos organizar antes. -dissemos em uníssono o que causou uma risada em nós dois.
-Um desfile de Halloween? -deu de ombros enquanto girava na cadeira do computador.
Eu o olhei com uma cara indignada mas sabia que não adiantaria de nada. Quando ele senta naquela cadeira nada chama a atenção dele.
- Estamos em pleno verão Adrien, não no dia das bruxas.
-E o quê que tem?
-O quê que têm é que nada de desfile de Halloween. E eu não vou desenhar nada do tipo não.
-Tá. -resmungou e revirou os olhos - Quais suas sugestões então?
-Se eu tivesse sugestões, não estaria de perguntando. -falei no meu tom mais sarcástico possível e dei de ombros.
Não era total mentira. Eu estava definitivamente sem ideia alguma. Isso nos deixava muito encrencados. Pois sem o dinheiro eu não ia poder fazer um financiamento para meu projeto de moda e não daria para eu colocar isso no meu futuro currículo para a faculdade.
Todo esse nervosismo estava me causando um calor imenso. Decidi tirar o moletom de Adrien que eu vestia para ver se aliviava.
Adrien começou a pesquisar ideias para barracas para o Festival da Primavera no Google. Puxei o blusão por cima da cabeça e senti o sol bater na barriga. Tentei puxar os braços por dentro das mangas para abaixar a blusinha que eu estava vestindo por baixo...
- Adrien - eu disse, com a voz abafada. - Que tal uma ajudinha?
Ele deu uma risadinha, e ouvi quando ele se levantou. Naquele momento, a porta do quarto abriu e pensei por um minuto que ele me deixaria ali, naquela situação complicada, mas no instante seguinte ouvi uma voz diferente.
- Ei, vocês deveriam pelo menos trancar a porta se forem fazer isso.
Fiquei paralisada, com as bochechas ficando rosadas enquanto Adrien puxava a minha blusinha para baixo e arrancava o blusão por cima da minha cabeça, deixando o meu cabelo armado com a estática.
Ergui o rosto para ver o irmão mais velho dele encostado no batente da porta, olhando para mim com um sorriso torto.
- Oi, Bugboo - disse ele para me cumprimentar, sabendo que eu detestava quando me chamavam de Bugboo. Eu não ligava muito quando Adrien fazia isso, mas Chat Noir era um caso completamente diferente: fazia apenas para me irritar.
Ninguém mais se atrevia a me chamar de "Bugboo"; não depois de eu ter gritado com Nino por fazer isso no quarto ano da escola. Agora todos me chamavam de Mari, que é uma forma mais curta de Marinette.
Assim como ninguém mais se atrevia a chamá-lo de Chat, com exceção de Adrien e dos seus pais; todas as outras pessoas o chamavam pelo sobrenome, Agreste ou Noir.
- Oi, Chat - devolvi, com um sorriso meigo.
Os músculos ao redor do queixo dele se tensionaram e suas sobrancelhas se ergueram um pouco, como se estivesse me desafiando a continuar a chamá-lo daquele jeito. Respondi somente com um sorriso, e aquele sorriso torto e sexy voltou ao seu rosto.
Noah era o cara mais gostoso que já havia agraciado o mundo com sua presença. Acredite em mim, não estou exagerando. Tinha cabelos loiros com uma franja que lhe caía por cima dos olhos
verdes faiscantes, era alto e com ombros largos. Seu nariz era um pouco torto por ter sido quebrado em uma briga, e ficou um pouco desalinhado depois que sarou. Ele não fugia de brigas, mas nunca havia sido suspenso.
Com exceção de um ou outro "deslize", como Adrien e eu costumávamos chamar, ele era um aluno-modelo: suas notas nas provas eram sempre as maiores da sala e era o astro do
time de futebol americano, também.
Ele era o meu crush quando eu tinha treze ou quatorze anos. Foi uma fase que passou rápido, pois percebi que ele era areia demais para o meu caminhãozinho, e que isso nunca iria mudar.
E, embora ele fosse um cara insanamente atraente, eu agia normalmente quando estava perto dele porque sabia que não havia a menor chance de ele me enxergar como qualquer outra coisa além de a melhor amiga do seu irmão mais novo.
- Sei que pareço causar esse efeito nas mulheres, mas será que você podia tentar não tirar as roupas quando eu estiver por perto?
- Vai sonhando. -Soltei uma gargalhada irônica.
- O que é que vocês estão fazendo, por falar nisso?
Cheguei a imaginar por um momento por que ele estaria interessado,mas deixei aquilo de lado.
- Precisamos de uma ideia para montar uma barraca idiota no festival.-Adrien disse.
- Cara... que merda.
- Não diga - eu disse, revirando os olhos. - Todas as melhores ideias para barracas já foram enviadas. Vamos acabar com uma daquelas barracas onde... sei lá, onde você precisa puxar um pato com um gancho.
Os dois olharam para mim como se eu não pudesse ter uma ideia pior, e dei de ombros.
- Dane-se. Bem, de qualquer maneira, Adrien... nossos pais vão sair hoje à noite, então a festa começa às oito.
- Legal.
- Ah, joaninha? Tente não arrancar a roupa na frente de todo mundo hoje à noite quando eu passar perto.
- Gatinho, você sabe que eu só tenho olhos para Adrien - eu declarei,inocentemente.
Chat Noir deu uma risadinha. Já estava ocupado digitando no celular,provavelmente compartilhando a mensagem sobre a festa, assim
como Adrien estava fazendo. Saiu do quarto a passos largos, como um gato preguiçoso ou coisa do tipo. Não consegui evitar que meus olhos seguissem aquela bunda empinada...
- Ei, se você puder parar de babar em cima do meu irmão por dois segundos - provocou Adrien. Senti o rosto enrubescer e o empurrei.
- Cale a boca.
- Achei que você já tivesse superado aquela fase em que ele foi o seu crush.
- Superei, sim. Mas isso não faz com que ele seja menos gostoso.
- Tanto faz. Mas isso ainda é meio nojento,
você sabe.-Adrien revirou os olhos.
Fui sentar diante do computador e Adrien se inclinou por cima dos meus ombros, apoiando o queixo no alto da minha cabeça.
Cliquei na página seguinte dos resultados de busca e rolei a tela para baixo, sentindo meus olhos embaçando conforme passavam pela
página.
Parei com algo que chamou a minha atenção bem no momento em que Adrien começou a dizer:
- Espere. Pare aí.
Nós dois olhamos para a tela por alguns segundos. Em seguida, ele se levantou e eu girei a cadeira para ficar de frente para ele, com sorrisos idênticos se abrindo em nossos rostos.
- A barraca do beijo! - nós dissemos ao mesmo tempo, sorrindo.
Adrien ergueu a mão para que o cumprimentasse com um high five e eu bati a mão na dele.
Isso ia ser demais.
Postei e sai correndo ksksksk
Espero que gostem desse capítulo que não saiu como eu esperava mas acho que dá pro gasto.
Se virem algum erro de ortografia ou tiverem sugestões, podem falar!
Fui!
(2201 palavras)
