Sentada próxima à janela daquela mansão cercada por muros e portões altos, Narcissa se interrogava se essa era a vida que sonhara para si. Suspirando alto, olhou para o céu e seus tons alaranjados de fim de tarde.
Era a Noite da Deusa Brighid, ou da Festa das Luzes e do Fogo, quando se celebrava o ponto médio entre o solstício de inverno e o equinócio de primavera. No horizonte, o sol se despedia, dando espaço para um céu estrelado e de um azul intenso e profundo. Um sinal de que as fontes de esperança se renovariam.
Talvez fosse um sonho. Quem sabe uma ilusão… o que tinha certeza era de permanecer inerte. De permitir que os dias a conduzissem para onde achasse melhor.
Foi então que ela refletiu sobre o tempo… o mesmo que auxilia na germinação das sementes do solo, era aquele que destruía todos a sua volta. Nada resistia a ele. Rochas, devaneios ou memórias, desabavam frágeis aos anos. Impérios se construíram e foram destroçados através dos séculos.
Por mais que pensasse, nem todos os feitiços, poções, maldições, e o que quer que fosse, tinham as respostas que procurava ou sanavam a dor de sua alma. A verdade era que o seu mundo estava ruindo, exatamente como ocorrera com a sua família, e pouco seria capaz de fazer para mudar esse horror.
Não havia meios de apagar a própria culpa e nem recomeçar. Muito menos, existia meios de esquecer o seu amor por Severus Snape.
