Disclaimer: Stranger Things não me pertence, ela é dos irmãos Duffer e da Netflix. A única coisa que tenho é a minha criatividade.

Na Corda Bamba

"Com altas gargalhadas ela encarou os olhos castanhos de Eddie sobre sua cabeça. Estavam em um emaranhado de pernas e braços no chão, sentindo toda a tensão da linha tênue pela qual vinham flertando. Lentamente ele se aproximou pressionando os lábios nos dela, tinha o sabor de um bom e velho rock. Sabor de vida."


Chrissy Cunningham era modelo de perfeição, bonita, divertida e líder de torcida. A rainha do Colégio Hawkins. Ele tinha admirado o seu crescimento social desde o Show de Talentos do fundamental. Como uma borboleta que abre suas asas surpreendendo a todos com o seu caleidoscópio multicolorido. Ela era bonita não apenas por sua aparência graciosa, mas porque sua alma brilhava iluminando quem quer que estivesse ao seu redor. Mesmo que esse alguém fosse ele, o esquisitão.

Para combinar com o clichê juvenil ela namorava Jason Carver. Atleta, capitão do time de basquete, cabelo bem alinhado e sorriso confiante. Um completo pé no saco na sua humilde opinião. Jason era dado a discursos longos e motivacionais, qualquer coisa que o fizesse ser o centro das atenções. Qualquer coisa que o fizesse parecer um idiota para pessoas que tivessem no mínimo um neurônio em pleno funcionamento, o que não era o caso dos estudantes de Hawkins já que esses não tinham nenhum.

Estereótipos.

Mas ele também era um estereótipo. Um dos piores que existia, com todo o prazer. Ele era Eddie Munson. O Esquisitão, o nerd, a aberração. Quase uma doença contagiosa segundo os leigos. Oitenta por cento do que diziam sobre ele eram verdade e os outros vinte que sobravam fazia questão de garantir que também fossem. Um aspirante a rockstar não decepcionava o seu público, mesmo um dos piores que teria na vida.

Na regra universal das tribos do colegial eles deveriam sequer se conhecer, quem dirá conversar, mas Chrissy precisava sorrir e Eddie gostava de ouvir o som de suas gargalhadas. Era bonitinha a forma como seus olhos se fechavam e seu nariz de botão se enrugava. Então sempre que possível eles se encontravam numa parte mais afastada da floresta onde tinha uma mesa e um banco velhos. Um cenário tão clandestino quanto aqueles encontros.

Eddie sabia o que estavam fazendo ali, eles estavam sendo rebeldes, estavam caminhando na corda bamba sem rede de segurança. Ainda mais que o relacionamento dela tinha terminado recentemente. Ele subiria em cima da mesa e com uma guitarra imaginária imitaria a versão de Angus Young da duckwalk. Chrissy sorriria e bateria palmas com animação.

– Você não é a única a saber como se mexer, Chrissy Cunningham. Veja como meus pés se movem – ele chamou atenção da menina, seus desgrenhados cabelos negros voando para todos os lados.

– Que tipo de dança é essa? – a pergunta dela veio no meio de uma risada estrangulada.

– Essa? Essa é a famosa duckwalk que Chuck Berry e Angus Young popularizaram, um patrimônio cultural do rock. Como você pode não conhecer?

– Juro. Eu nunca ouvi falar.

Com confiança pulou da mesa aterrissando no chão coberto de folhas secas, com a mão estendida convidou a garota para se juntar a ele. Ainda incerta, Chrissy aceitou o convite se juntando ao movimento histórico. Em certo momento ela confundiu os passos enroscando as pernas, a queda era certa e foi só por isso que tentou ajudá-la. O único problema é que ela não cairia, não uma líder de torcida cheia de coordenação motora. Mas com o agravante das pernas de Eddie e de seu jeitão atrapalhado ambos os adolescentes foram de encontro ao chão.

Com altas gargalhadas ela encarou os olhos castanhos de Eddie sobre sua cabeça. Estavam em um emaranhado de pernas e braços no chão, sentindo toda a tensão da linha tênue pela qual vinham flertando nos últimos dias. Lentamente ele se aproximou pressionando os lábios nos dela, incerto se seria correspondido ou não. Assim que sentiu o movimento ser retribuído, seu cérebro gritou em satisfação: estou beijando Chrissy Cunningham. Os lábios dela tinham o sabor de um bom e velho rock para ele. Doces, poéticos e cheios de vida.

– Acho que caímos – a garota sussurrou quando se separaram.

– Desculpa? – perguntou incerto sobre o que ela queria dizer.

– Acho que caímos. Da corda bamba, sabe? E agora não acho que tenha mais volta.

Eddie Munson – o Esquisitão, o nerd, a aberração – soltou um sorriso genuíno, um que marcaria o ano de 1986. Ele tinha certeza de que não teriam mais volta, agora seriam ele e Chrissy pelo resto de seus dias.

(FIM)


Olá!

Novamente passei uma estória na frente de outras, nada novo sob o sol. Espero, de coração, que tenham curtido.