Fanfic: O pecado de Lo-li-ta
Autora: Dora Russel
Classificação: 18/M.
Gênero: Romance, possivelmente um PWP se você não tiver as referências que eu vou citar nos "Avisos".
Shipper principal: SS/PO.
Spoiler: Nenhum. Entretanto, vale ressaltar que essa é uma fanfic UA.
Status: Completa.
Avisos: Essa é uma one-shot inspirada na MARAVILHOSA fanfic/série "Padre Snape", da querida JuliaMabon. Vale ler a dela antes da minha, para ficar mais claro de onde surgiu a inspiração para escrever "O pecado de Lo-li-ta".
Além disso, por ser uma fanfic UA, o meu Severus está completa OOC. Então se esse não é seu estilo, fique à vontade para se retirar, juro que a amizade continua.
Um último e importante aviso: esse é um romance age gap, existe uma diferença considerável de idade entre o casal, então se esse assunto não te deixa confortável, não prossiga. Vale lembrar que age gap não é sinônimo de pedofilia.
Agradecimento: Ao incrível grupo Severo Snape Fanfictions (SSF) do Facebook. O acolhimento da comunidade tem sido o que está me inspirando a produzir tanto nos últimos meses, então minha gratidão é imensa.
Além disso, ao grupo do SSF no WhatsApp, por que se vocês nunca tivessem me falado da possibilidade de um Severus Snape padre, eu nunca teria lido a história da srta. Mabon e, consequentemente, não teria tido o sonho que inspirou essa one-shot. Grupo, você é incrível e eu espero que possa continuar fazendo parte dessa comunidade por muito tempo — ser fã é bom, ser fã em conjunto é um gostinho de paraíso.
Disclaimer: Severus Snape NÃO me pertence (infelizmente). E, apesar de eu atribuir a criação da entidade "Padre Snape" a srta. Mabon, acabamos chegando em um acordo que ele também não nos pertence (um triste infortúnio). A música também não me pertence — peguei tudo emprestado mesmo.
Entretanto, Lolita e o restante do cenário é uma criação minha.
Sinopse: Lolita está entediada e com muito calor nesta tarde de domingo, no sítio que os avós tem no interior. Um amigo de seu pai aparece para fazer uma visita e, para seu deleite, aquele homem vestido de preto parece ser uma miragem no meio do seu deserto particular. Entretanto, por que ela nunca ouviu falar dele? Quem é, afinal, o homem vestido de preto?
O pecado de Lo-li-ta
No shortage of sordid, no protest from me
With her sweetened breath, and her tongue so mean
She's the angel of small death and the codeine scene
Feeling more human and hooked on her flesh I
Lay my heart down with the rest at her feet
Fresh from the fields, all fetor and fertile
Bloody and raw, but I swear it is sweet
(Hozier — Angel Of Small Death And The Codeine Scene)
Lolita estava quase cochilando na rede, sofrendo com o calor insuportável e, para sua infelicidade, nenhum de seus primos tinha conseguido comparecer àquele almoço de domingo no sítio dos avós, no interior do estado.
Só as crianças estavam presentes, brincando de esconde-esconde na vasta propriedade. Os adultos não queriam Lolita por perto, ouvindo e participando de suas conversas muito importantes e Lolita não queria brincar com as crianças. Afinal de contas, ela já tinha dezoito anos, não tinha mais idade para participar dessas brincadeiras infantis.
O livro que lia agora estava esquecido em seu colo. Um dos primeiros romances que sua mãe lhe presenteou, "Orgulho e Preconceito", de Jane Austen. Já deveria ser a décima vez que Lolita lia, mas tinha um apego emocional às páginas amareladas, principalmente às que descreviam em detalhes o complicado personagem do sr. Darcy.
Novamente piscando seus olhos para afastar o brilho cegante do sol, Lolita percebeu uma certa comoção na entrada do sítio. Alguém estava chegando.
Ansiosa para que fosse algum de seus primos que, por algum milagre, tivesse conseguido fazer a viagem até o interior de última hora, Lolita sentou-se melhor e tampou o sol com o livro. Não era nenhum carro conhecido, ao menos ela não se lembrava de ninguém da sua família dirigir uma caminhonete preta.
Depois de estacionar junto com os carros de sua família, um homem que Lolita nunca tinha visto antes desceu. Apesar do calor insuportável, aquele homem vestia preto dos pés à cabeça — sapatos pretos, uma calça e camisa social com o mesmo tom escuro e, como adicional, também tinha um chapéu preto em sua cabeça. Bem interiorano, nada que Lolita não estivesse acostumada a ver durante suas férias, quando deixava a Capital para trás e ficava com os avós, nesse sítio isolado da civilização.
Mas aquele homem não era um cidadão comum do interior, parecido com os habitantes da cidade de seus avós. Definitivamente não. Suas roupas eram de qualidade e ele usava os cabelos negros soltos, quase na altura dos ombros, contrastando com sua postura bem apessoada.
Talvez fosse o calor, mas Lolita tinha certeza que aquele era o homem mais bonito que ela já tinha visto em toda sua vida. Boquiaberta, ela percebeu que seu pai havia largado o espeto que usava para cuidar do churrasco e estava andando na direção do homem, dando um demorado abraço e trocando alegres cumprimentos.
Mais pessoas da sua família também se aproximavam. Sua mãe, suas tias e tios, até mesmo seus avós estavam se reunindo ao redor daquele estranho para recebê-lo com festa. Quem é esse homem?
Aquela foi a primeira vez que Lolita viu aquela figura vestida de preto e ela atribuiu o fascínio inicial ao calor insuportável. Ele parecia quase uma miragem.
— Lolita, venha até aqui, quero te apresentar um amigo meu de infância! — Seu pai chamou depois de alguns minutos.
Pega de surpresa, Lolita levantou-se da rede apressadamente, ajeitando seu vestido floral e calçando os chinelos antes de começar a andar na direção do pai.
A cada passo, Lolita sentia que estava se aproximando de um perigo iminente. Talvez ninguém mais ali tivesse percebido, mas aquele homem olhava para ela com uma expressão diferente, um brilho estranho no olhar. Seu sorriso era largo, mas a aparente alegria não chegava em seus olhos — penetrantes e fatais.
Quem é você?, Lolita se perguntava mentalmente enquanto sentia o rosto avermelhar, já a poucos passos do pai e do tal amigo.
Assim que chegou, Daniel puxou Lolita para debaixo de seu braço, abraçando-a protetivamente pelos ombros como era um costume seu fazer. Lolita gostaria que, ao menos daquela vez, ele não a tratasse daquela forma embaraçosa.
— Severus, essa é Lolita. Lembra-se quando Laura ficou grávida? Pois é, já faz dezenove anos desde que eu convenci a menina mais bonita da escola a sair comigo! — Seu pai bagunçava seus cabelos enquanto falava orgulhosamente, fazendo Lolita se sentir mortificada.
— Pai! — Tentou se soltar do abraço, arrumando os cabelos que o pai havia desalinhado.
— Eu ainda acho que ela só aceitou por pena… Você se lembra do fiasco que foi aquele seu pedido? — O homem respondeu e Lolita precisou segurar a respiração. Sua voz era hipnotizante — E você já está uma mocinha, Lolita. Da última vez que te vi, você era apenas um bebê.
Severus falou pela primeira vez com ela e Lolita teve a impressão de que suas pernas tinham virado geleia. A forma como ele pronunciava seu nome, tão pausadamente, quase a fez se esquecer que ele a havia conhecido quando ela ainda era um bebê. Quase.
Tentando impor uma postura amadurecida, ela esticou sua mão direita em um cumprimento, do mesmo modo que sua mãe havia ensinado.
— É um prazer conhecê-lo, senhor.
O homem observou o gesto com surpresa, para na sequência abrir um sorriso de canto de lábio, pegar sua mão e levar até a boca, depositando um beijo gentil e educado. Lolita tinha certeza que desmaiaria a qualquer momento.
— O prazer é todo meu, mocinha.
E, num piscar de olhos, a interação dos dois acabou. Seu pai havia segurado o braço de Severus enquanto falava:
— Venha, entre. Você ficou fora tantos anos, precisamos colocar o assunto em dia. Você pode tomar cerveja?
— Apenas uma, pelos velhos tempos.
— Ana, separa uma gelada que hoje é dia de festa!
Lolita ficou para trás, observando a animação de sua família em receber Severus. O homem era perfeito até de costas, aquele corte de calça valorizava cada detalhe do corpo delgado.
Percebendo que sua tia Carmem era a única que ainda estava próxima o suficiente, Lolita apressou-se para segurar seu braço e chamar sua atenção:
— Tia, quem é esse homem e por que eu nunca ouvi falar dele?
Carmem apenas fez um gesto com a mão, como se não fosse segredo algum, antes de responder:
— Ele é Severus Snape, filho do Tobias que trabalhou para seu avô. Daniel e Severus são amigos desde crianças, mas depois que eles se formaram e Severus foi embora da cidade, sem nenhuma perspectiva de retorno próximo, Daniel ficou muito chateado e eu arrisco dizer que até hoje ele não superou o caminho que Severus escolheu seguir.
Lolita prestou atenção às palavras de Carmem, tentando juntar todas as informações de uma forma que fizesse algum sentido coerente. Percebendo que a tia não parecia inclinada a acrescentar mais nada, Lolita perguntou:
— Que seria…?
— Severus escolheu seguir o caminho de Deus, Lolita. Foi estudar fora para se tornar padre e hoje é responsável pela igreja da cidade.
Lolita abriu a boca em choque. Padre? Como assim, padre?
Mas antes que pudesse ter qualquer outra reação, Carmem já tinha lhe dado às costas e começado a andar na direção de seus outros familiares, deixando Lolita sozinha com sua confusão.
Seus pais voltaram para a Capital no final daquele domingo.
Lolita ficou, como era costume seu passar as férias no sítio dos avós. Ela tinha um mês até o começo das aulas na Universidade, então tinha a intenção de aproveitar o descanso que o sítio isolado costumava proporcionar, além da companhia dos avós.
Em seu quarto, ela começou a desfazer suas malas. Ao longo daquele domingo, Lolita conseguiu descobrir pouca coisa sobre Severus, entreouvindo a conversa dos mais velhos enquanto fingia estar concentrada na leitura de seu livro.
Ninguém na sua família seguia a religião Católica, então se referiam a ele apenas como Severus. Mas cada vez que Lolita olhava para ele, a imagem de um padre em uma batina era a primeira coisa que via. Depois vinham os olhos negros encarando-a intensamente entre um intervalo e outro de conversa, quando mais ninguém parecia estar prestando atenção no que acontecia.
Claro que Lolita sabia que existiam padres jovens — ele deveria ter o quê? Trinta e sete, talvez trinta e oito, como papai? —, mas jovem e bonito era uma combinação que simplesmente não fazia sentido em sua cabeça — parecia simplesmente errado.
Não, Severus não era o tipo de garoto que Lolita tinha o costume de se envolver. Ele tinha linhas de expressões marcantes, um nariz adunco e uma gargalhada rouca, tão impressionante que ela precisou se beliscar para parar de encarar a primeira vez que ouviu.
Severus era um homem feito, ombros largos e uma estatura impressionante. Perto dele, Lolita se sentia como uma criança.
Mas Severus não olhava para Lolita com afeto — que era o modo que os adultos costumavam olhar para as crianças. Não, ele olhava Lolita com uma estranha curiosidade, escrutinando-a da cabeça aos pés. Esse olhar povoou seus pensamentos pelo restante daquele dia.
Era o mesmo olhar que alguns homens mais velhos tinham o costume de direcionar para ela, mas com o dele não vinha aquela característica sensação de repulsa, quase inerente a esses olhares. Não, o modo que ele encarava Lolita a fazia sentir-se hipnotizada, tragada para dentro daqueles olhos negros, ansiosa quando ele desviava o rosto para a próxima vez que os olhos negros voltassem na sua direção — Lolita descobriu que eles sempre voltavam. Era inebriante e, ao mesmo tempo, trazia uma sensação de perigo.
Sua mala completamente desfeita, ela vestiu sua camisola de bolinhas favorita e se deitou para dormir.
Mas, ao invés dos sonhos que costumava ter com o sr. Darcy, ela acabou sonhando com o Padre Severus. Em sua batina negra, celebrando uma missa apenas para ela, sem mais nenhuma alma viva na igreja. Foi entre uma palavra e outra que ela acordou, ouvindo o ressoar da voz grave pronunciar Lo-li-ta de forma pecaminosa. Sua calcinha molhada foi a primeira coisa que Lolita sentiu quando desceu uma mão para tocar seu sexo em chamas.
Durante aquela próxima semana, Severus aparecia de vez em quando no sítio para tomar um café. Lolita esperava ansiosa por esses momentos, sempre ajeitando a roupa e os cabelos para estar bem apresentada. Até mesmo um pouco de blush e gloss ela começou a usar, não muito para que seus avós notassem, mas o suficiente para que ela se sentisse bonita.
Lolita não queria se deixar enganar, mas aquelas visitas esporádicas pareciam ter um motivo além do que o simples prazer de uma xícara de café — Severus procurava-a com aqueles olhos incisivos e Lolita se via cada vez mais intoxicada por aquele homem.
Era errado, tão errado, mas ela desejava mais daquele homem. Seus olhares não estavam mais sendo o suficiente — ela queria senti-lo beijando de novo sua mão, talvez mais do que sua mão.
Argh, era sufocante.
Lolita sabia que, por mais que tentasse, não era capaz de disfarçar os pensamentos perversos em sua mente cada vez que Severus chegava no sítio.
Numa das primeiras vezes que ele fez uma parada e se sentou na mesa da cozinha, conversando animado com seu avô, enquanto a avó preparava o café, ao invés de ajudar colocando a mesa ou fazendo qualquer outra coisa útil, Lolita percebeu que seu cérebro não conseguia funcionar direito. Acabou se encostando na pia da cozinha de qualquer jeito, sorvendo cada palavra que Severus falava com máxima atenção. O assunto não era nem um pouco importante — ela apenas queria ouvir o timbre grave falar até que não houvesse mais palavras para serem ditas.
Quando percebeu, o homem estava com uma sobrancelha levantada em sua direção, parecendo esperar que ela dissesse alguma coisa.
— Perdão?
— Severus aqui perguntou sobre seus estudos, Loli. — Seu avô disse, dando uma batidinha no ombro do homem ao seu lado — Nossa Loli conseguiu uma vaga na Federal aqui perto, suas aulas começam no início do mês que vem.
Sentindo-se avermelhar completamente, Lolita umedeceu os lábios ressecados e voltou a encarar Severus.
— Inteligente como a mãe, então? Qual curso você escolheu, menina?
— Letras, com enfoque em "Estudos Literários". — Lolita respondeu em tom vacilante.
Não conseguindo manter aquele olhar por muito tempo, Lolita precisou desviar o rosto, observando uma pequena trilha de formigas que andava na parede atrás de Severus, estrategicamente mantendo parte de sua visão periférica no homem.
O avô tinha voltado a falar sobre sua inteligência e o orgulho que ela era para toda a família, mas Lolita tinha sua atenção concentrada no olhar insistente do homem em si, queimando cada parte que tocava como se tivesse a intenção de devorá-la.
Precisando de um instante, ela virou-se para a pia, cortando de vez aquele contato e ocupando as mãos com a louça por lavar.
O telefone tocou, sua avó largou o pano que segurava e disse:
— Loli, termine de passar o café, tudo bem?
— Claro, vovó, pode ir atender!
A água ainda não tinha fervido por completo, então Lolita terminou de ensaboar os copos e, pouco tempo depois, ouviu sua avó chamar seu avô para a sala — era sua tia Danda que estava no telefone, querendo falar com os dois.
Completamente concentrada em enxaguar os copos, Lolita só percebeu uma presença atrás de si quando ouviu a voz grave em um tom tão baixo que deveria ser proibido que alguém tivesse a capacidade de falar daquele modo:
— Então você gosta de ler? — Lolita segurou a respiração para conter um gritinho de susto. Olhando por sobre os ombros, percebeu que Severus estava tão perto que ela podia ver seu próprio reflexo nas íris negras.
Desconcertada com a proximidade, sentindo um calor começar a subir por seu corpo e um desejo forte fazer com que suas mãos começassem a tremer, ela alcançou a chaleira que fervia e começou a passar o café, tentando manter sua voz o mais tranquila possível:
— Sim, eu adoro ler.
— E qual seu livro favorito?
Era impossível, mas ele havia conseguido chegar mais perto sem necessariamente tocá-la. Lolita podia sentir a presença e o cheiro dele, o calor que seu corpo provocava em suas costas. Seus pêlos se arrepiaram e ela derramou parte da água fervendo fora do filtro de café, soltando um "droga" baixinho.
— "Orgulho e Preconceito". — Respondeu com certa dificuldade.
Lolita sentia-se embriagada demais para responder mais do que o título. Sempre tão dona de si em suas respostas, ela estava surpresa que não parecia ser capaz de sequer elaborar sua paixão pela obra de Jane Austen, algo inevitável todas as vezes que alguém perguntava sobre sua obra favorita.
Aquela era a primeira vez que alguém a deixava com os nervos tão à flor da pele.
Uma gargalhada baixa, tão próxima de seu ouvido, foi o suficiente para que Lolita desistisse de passar o café.
Ao invés disso, suas mãos se apoiaram na pia com força, enquanto sua cabeça pendia um pouco para trás, para que seus ouvidos pudessem capturar melhor aquela voz.
— Então suponho que Fitzwilliam Darcy seja seu personagem favorito?
Agora sim o corpo do homem estava encostado no seu e, num movimento rápido, ele havia conseguido colocar suas próprias mãos sobre a pia, uma de cada lado do corpo de Lolita, próximas o suficiente, porém não encostando nas suas, que seguravam com ainda mais força na pia, sendo provavelmente a única coisa que ainda a mantinha em pé.
Ela tentou responder com palavras, mas apenas um gemido escapou de sua garganta. Entre suas pernas, ela sentia-se pulsar e encharcar sua calcinha. Entretanto, com a mesma velocidade que ele havia se encostado em seu corpo, Severus se afastou, fazendo com que Lolita quase perdesse o equilíbrio.
Precisou de muitos segundos para finalizar o café e não se queimar no processo. Quando rosqueou a garrafa e se virou, Severus estava novamente sentado em sua cadeira, uma perna dobrada sobre o outro joelho, novamente com o olhar fixo em Lolita. Antes que ela pudesse pensar em qualquer coisa interessante para falar, as palavras acabaram escapando de sua boca, perguntando em voz alta o que havia atormentando sua mente nos últimos dias:
— Padre, então? Por que escolheu o caminho de Deus, Padre Severus?
Oh, Lolita tinha certeza que usar aquele título em voz alta, da forma como ela havia ousado fazer, seria o motivo de sua alma ser condenada ao inferno.
Era errado. Mas tão delicioso que, mesmo depois que terminou de fazer sua pergunta em voz alta, saboreou as palavras em sua língua com prazer.
Severus franziu as sobrancelhas em surpresa, mas foi por tão poucos segundos que Lolita poderia ter imaginado. E então ela ouviu o tom dele descer uma nota, em um sussurro perigoso:
— Quando se perde a fé na humanidade, ou você acolhe a solidão, ou encontra conforto em Deus. — Eram as palavras mais sérias que Lolita já tinha ouvido o homem pronunciar.
Levando a garrafa até a mesa, ela continuou sua sabatina, ainda mais intoxicada do que antes:
— Em toda a humanidade? Inclusive em si próprio?
Novamente Lolita estava próxima dele, mas dessa vez não se sentia acuada. Não, dessa vez ele estava sentado e ela propositalmente encostou sua coxa desnudada pelo vestido curto que usava no joelho de Severus, enquanto se inclinava para pousar a garrafa sobre a mesa.
Em um movimento rápido, uma mão grande agarrou sua coxa com força e deslizou por sua pele, alcançando seu sexo protegido pela calcinha molhada enquanto falava:
— Especialmente em mim, mocinha. Eu não sou um homem bom, apesar de ter o título de "padre".
A mão deu um generoso aperto e, antes de se afastar, dedos longos deslizaram pelo tecido de sua roupa íntima com lascívia. Dessa vez, o gemido que escapou da garganta de Lolita foi tão alto que ela precisou morder a língua para interromper o som.
E então o momento acabou, pois a voz de seus avós retornando à cozinha assustaram Lolita o suficiente para que ela se afastasse rapidamente daquele homem.
O restante daquele encontro se deu com Lolita sentada ao lado dos avós, bebericando seu café enquanto observava que, disfarçadamente, Severus levava seus dedos próximo ao nariz, respondendo compenetrado a alguma pergunta de seu avô enquanto obscenamente cheirava os dedos que haviam tocado o sexo úmido de Lolita.
Depois dessa intensa interação, Severus ficou muitos dias sem voltar ao sítio. Lolita mal podia conter a ansiedade que sentia em seu peito.
Será que ele havia perdido o interesse? Ou o chamado de Deus trouxera algum tipo de razão à sua cabeça? Mas ele tinha dito que não era um homem bom, então por que Lolita continuava obscecada, revivendo repetidas vezes em sua cabeça a força do aperto em sua coxa, o toque íntimo entre suas pernas, desejando mais e mais?
Frustrada, Lolita decidiu que daria uma volta na cidade. Não eram muitos quilômetros e ela poderia usar o tempo para limpar a mente, enquanto pedalava em sua antiga bicicleta pela estrada de terra.
Avisou os avós, colocou um vestido amarelo que chegava até um pouco acima de seus joelhos, uma sandália simples e soltou seus cabelos. Em pouco tempo, estava pedalando à caminho da cidade.
A paisagem era completamente diferente do que ela estava acostumada. Sem prédios, asfalto ou trânsito, Lolita pedalava sem pressa. Em sua mente, memórias dos últimos sonhos com Severus inundavam seus pensamentos, quando tudo que ela queria era pensar em qualquer outra coisa — ter ao menos algumas horas de paz daquela obsessão.
Na metade do caminho, percebeu que a bicicleta estava começando a fazer um barulho estranho. Não muito surpresa, uma de suas pedalas acabou falseando e a correia se soltou com um estrondo. O tombo não foi tão grave, mas Lolita acabou ralando o joelho direito e abrindo um machucado feio.
Irritada, ela se levantou com certa dificuldade e percebeu que um carro fazia a próxima curva na direção contrária a sua, à caminho do sítio. Assustada, ela percebeu que era a caminhonete preta de Severus.
Tentando limpar a sujeira em seu vestido e ficar minimamente apresentável, Lolita desistiu assim que percebeu que o carro diminuía a velocidade e estacionava perto dela. De dentro do carro, Severus pulou assim que o som do freio de mão sendo puxado foi ouvido, andando a passos largos em sua direção.
— Lolita? O que aconteceu?
Toda a irritação que sentia esvaiu-se nos preciosos segundos em que ouviu Lo-li-ta ser pronunciado naquele tom grave, cadenciado.
Lábios abertos em completa admiração, ela sorveu a figura de Severus com atenção. Ele usava uma calça jeans apertada, uma camisa preta lisa, parte do cumprimento preso dentro da calça, com um cinto preto completando o estilo interiorano que caía tão bem naquele homem.
Quando seus olhos subiram e encontraram os de Severus, ela mordeu o lábio ao perceber que ele também parecia surpreso com ela, ainda que claramente preocupado.
— Eu decidi dar uma volta de bicicleta e a correia soltou… Não foi nada sério, só ralei o joelho. — Lolita conseguiu responder depois de alguns segundos, apontando o joelho machucado.
Compreendendo suas palavras, Severus abaixou seus olhos para o machucado e depois subiu lentamente por todo seu corpo. À principio ele não falou, apenas se aproximou e colocou uma mão em sua cintura, pegando-a de surpresa com o movimento.
— Vamos, apoie-se em mim. Eu te levo de volta ao sítio.
Lolita usou um braço para enlaçar o ombro de Severus, agora que ele tinha se abaixado o suficiente para ajudá-la a andar até o carro. O cheiro dele era de banho recém-tomado e o aperto em sua cintura estava provocando novas ondas de calor em seu corpo. Foi mais difícil andar por conta da proximidade do que pelo próprio machucado no joelho.
Assim que chegou próximo da porta, Severus encostou suas costas no carro e disse:
— Não se mexa. Eu tenho um kit de primeiros-socorros no carro.
Lolita não se mexeria nem que um terremoto resolvesse acontecer naquele exato momento.
Intoxicada pelos movimentos de Severus, ela observou a rapidez que ele abriu o porta-luvas e pegou uma caixinha pequena. Ajoelhando-se na sua frente, o homem deu uma olhada em sua direção antes de segurar gentilmente as costas de seu joelho, levantando um pouco sua perna para analisar o machucado de perto.
Naquela posição, Lolita não conseguia pensar em mais nada que não envolvesse o rosto de Severus entre suas pernas, tocando-a do mesmo modo que ele fazia em seus sonhos. Ela precisou fechar os olhos e morder a língua para não deixar nenhum som escapar de sua garganta.
Severus higienizou o machucado com álcool, fazendo Lolita puxar a perna para longe do contato em reflexo.
— Não se mexa, Lolita. — Não era um pedido e novamente ela podia ouvir seus nome reverberar daquela forma pecaminosa em seus ouvidos.
— Desculpa… — Conseguiu falar depois de muito esforço, voltando a observar atentamente os movimentos de Severus.
Ele usou uma gaze para limpar o machucado. Quando o sangue não estava mais aparente, só a pele ralada exposta, o homem se inclinou alguns centímetros e pousou um delicado e demorado beijo um pouco acima do machucado, seus olhos nunca deixando os de Lolita.
— Dizem que um beijo ajuda a sarar mais rápido. — Havia um sorriso sensual em seus lábios.
Era um pecado, Lolita sabia que era. Era errado em tantas instâncias, mas ela precisava de mais. Levando suas mãos para o cabelo do homem, ela sussurrou:
— Por favor, Severus…
Ele franziu as sobrancelhas, claramente questionando a que ela se referia. Mas Lolita não podia falar em voz alta, não quando ele estava naquela posição, tão próximo e ainda assim tão longe de onde ela realmente precisava que ele estivesse.
Dando mais um beijo, Severus abriu minimamente a boca e deslizou sua língua pela pele dela, forçando um gemido a escapar de sua garganta.
— Por favor? O que você quer, Lolita?
Ela sentiu sua cabeça girar e precisou fechar os olhos, apertando com mais força o punhado do cabelo de Severus que segurava em suas mãos. Suas pernas pareciam prontas a ceder.
Os beijos molhados subiram mais um pouco, até que ele estivesse próximo de seu sexo, coberto pelo vestido e pela calcinha branca que usava.
— Você vai ter que me dizer, mocinha. O que mais eu posso fazer por você?
Abrindo os olhos em choque, Lolita desistiu de lutar contra as palavras que pareciam ser a única coisa que a separava do alívio que precisava sentir:
— Eu quero mais. Quero você aí mesmo, entre as minhas pernas, usando essa língua do jeito que eu imaginei desde o momento em que te ouvi falar pela primeira vez. — Seu tom de voz era sôfrego e Lolita podia sentir o desejo explícito em cada palavra sua. Que seu rosto e seu pescoço queimassem era apenas uma consequência.
As grossas sobrancelhas de Severus se ergueram quase à altura de seu couro cabelo, deixando claro a surpresa que ele sentiu ao ouvir as palavras de Lolita. Mas seus olhos ficaram ainda mais intensos, transbordando o próprio desejo que ele sentia.
— Seu desejo é uma ordem, Lo-li-ta.
Ela gemeu ao ouvir seu nome ser pronunciado com tanto fervor.
Ali mesmo, no meio da estrada de terra, Severus afastou o vestido e depositou um beijo demorado em seu sexo coberto pela calcinha. Ele inspirou profundamente, a vibração de sua voz atingindo exatamente o ponto mais sensível entre as pernas de Lolita:
— Esse seu cheiro doce tem perturbado meus dias.
E, sem aviso, ele afastou a calcinha e lambeu o sexo de Lolita com calma, deixando sua apreciação pelo contato soar em voz alta. Ela sentiu sua cabeça entra em curtos-circuito, seus neurônios fritarem e não se importou se estava empregando força demais no aperto que dava nos cabelos de Severus, pressionando ainda mais seu rosto na direção de seu sexo.
Ele lambeu sem pressa, usando uma das mãos para afastar os grandes lábios e tocar com a língua seu clitóris. Movida pelo desejo, Lolita levantou mais sua perna e apoiou no ombro de Severus, dando total acesso ao meio de suas pernas para homem ajoelhado à sua frente.
Era loucura, insanidade. No meio da estrada de terra, onde qualquer pessoa que passasse pudesse ver, Lolita estava encostada na lataria do carro, uma perna sobre os ombros de Severus enquanto ele lambia seu sexo com habilidade, usando seu nariz para provocar choques de prazer em todo seu corpo.
Um dedo esguio deslizou para dentro de seu sexo, preenchendo-a como ela não se lembrava de já ter sentido antes. A língua nunca abandonando seu centro, brincando com o clitóris, levando-a perigosamente ao limite.
Quando ele flexionou o dedo em sua abertura, alçando um lugar que até então ela só havia lido sobre, Lolita mordeu sua mão livre para conter o grito de prazer que escapou de sua garganta. Não demorou muito para que ela atingisse o limite de seu prazer, gozando com força na boca sedenta de Severus, sentindo seus músculos se contraírem e tensionarem descontroladamente.
Mesmo depois de ter gozado, Lolita ainda sentia a língua de Severus sorvendo e explorando tudo que podia alcançar, até que ela estivesse quase chorando de tanto prazer que sentia. Um outro dedo invadiu seu sexo e em choque, Lolita gozou mais uma vez, agora sim gritando enquanto uma onda forte de prazer fez com que pontos luminosos aparecessem por detrás de seus olhos fechados.
Severus se afastou com um último beijo, retirando lentamente os dedos de dentro dela e ajeitando a calcinha no lugar. Lolita não conseguia abrir os olhos, ela mal conseguia respirar.
Entretanto, quando ele se levantou e encostou o corpo no dela, pressionando-a na lataria do carro e esfregando sua ereção no abdômen de Lolita, ela se forçou a abrir os olhos e o que encontrou foi a própria personificação do pecado: o homem estava com sua boca, nariz e queixo umedecidos com seus fluídos. E ele lambia os lábios lentamente, limpando a sujeira que ela havia feito.
Com um gemido sofrido, Lolita levou suas mãos para a nuca de Severus e o puxou para um beijo fatal. Não foi um contato delicado, gentil. Não, ambos queriam o controle, queriam conhecer e explorar a boca um do outro, dominar o beijo e subjulgar o outro às suas vontades.
Esfregando a ereção em Lolita, Severus subiu uma mão para o seio dela, apertando sem nenhuma delicadeza, gemendo dentro da boca de Lolita enquanto tentava sugar o prazer dela com seus lábios pecaminosos.
Foi um barulho de rodas sobre terra que os afastou em um piscar de olhos. Lolita, cabelos revoltos, boca parcialmente aberta, olhou ao redor e percebeu que o som aumentava com os segundos.
Severus levou o dedo indicador até os lábios, indicando que ela deveria ficar em silêncio.
O carro que apareceu era de uma vendedora que Lolita conhecia muito bem: Julia, a florista que fornecia tudo relacionado à jardinagem para sua avó. Ela passou na faixa oposta, em direção ao sítio, buzinando e dando um aceno com a mão para Lolita. Mortificada, mas tentando aparentar normalidade, Lolita retribuiu o aceno e esperou que o carro sumisse de vista.
Virando-se para Severus, o homem parecia ter ajeitado seu cabelo no meio tempo, agora arrumando suas calças enquanto ainda a olhava. Somente então Lolita percebeu que o rosário que ele costumava usar dentro da camisa, estava exposto e balançando com o movimento de sua respiração acelerada.
Não controlando sua mente ainda nublada pelo desejo, Lolita disse com um sorriso malicioso:
— Padre, talvez eu deva me confessar. Parece que eu pequei…
Notas finais: desejo que você que leu até aqui e gostou, também tenha o prazer de sonhar com o Padre Severus.
