No inverno de 1919, minha vila sempre foi fria mas parece que esse ano estaria muito pior. O nome da minha vila é Star, pelo simples motivo de temos muitas e muitas estrelas no céu, era uma visão muito bonita, devo admitir. Ali, só tinha ciganos, claro que havia casamentos de ciganos com estrangeiros mas a maioria prefiria se casar entre si. Star é uma vila em Pembrokeshire, no País de Gales, terras que o avô de meu pai, Taylor Pollok invadiu as terras que agora são nossas. Agente é mais conhecido com o povo das estrelas.

— Amy - eu ouvi meu nome ser chamado, era a minha mãe, ela sempre gostou de acordar cedo e fazer um café da manhã muito bom — Amy? Você está acordada?

Minha mãe abre a porta e me olha enquanto esfrego o rosto, cheio de sono, ela vem até mim e sorrir

— Como você está?

— Eu estou bem, o inverno está sendo longo esse ano - eu comento, me retirando do conforto de minha cama e pegando mais uma manta, minha mãe se senta em minha cama.

— Isso é verdade, temos um convite mocinha - Eu a olho e vejo a carta que têm um convite — É de Esme, parece que ela encontrou um marido. Sua tia Zilpha mandou o convite.

— A selvagem da Esme? - perguntei rindo e minha mãe me acompanha, mesmo não podendo fazer piadas mesmo sobre casamento, minha mãe não é cigana, só não posso dizer isso perto do meu pai. Os Pollok e os Lee fizeram negócios, o clã das montanhas ama ficar na estrada, pois se sentem mais seguros longes de cidades. — Essa sim é novidade!

Tia Zilpha amava muito sua filha mas era uma mulher muito esquisita, mas acho que esse casamento foi um acordo entre as famílias Shelby e Lee, eles se odiavam, não lembro de qual motivo mas sei que sua mãe precisava se casar pois Esme havia ficado selvagem com os homens de seu acampamento, na opinião de Esme, eram idiotas mesmo.

— Nós iremos? - perguntei olhando o convite da minha tia

— Seu irmão e você irão, levando outros homens e mulheres Pollok para irem com vocês - Sua mãe se levanta e vai tirando o meu cabelo da frente, para Amélia olhá-la. — Eu irei conversar com seu pai mas Esme quer você lá, vocês partem hoje para chegarem dias antes do casamento!

— Tudo bem...

— O café da manhã já está na mesa

Eu me viro para abrir a carta de Esme, faz um bom tempo mesmo que ela não me escrevia, e pelo que estou vendo, ela está empolgada pra se casar e sua mãe disse que ele era muito bonito apesar de ser na cidade. Eu sorrio e guardo a carta e desço para comer. Meu irmão mais velho é o Aeron Pollok, filho do primeiro casamento do meu pai. Aeron tem dezesseis anos, ele é a cara do meu pai, ombros largos e muito músculo, cabelos cacheados e negros com os olhos cor de mel, muito bonito na luz.

— Bom dia - eu digo enquanto me sento, mamãe está comendo por dois agora, ela está grávida e esse é outro motivo nessa viagem. Mas percebi que eles falavam de algo mas pararam rapidamente

— Bom dia - todos respondem

— E aí maninha, pronta para viagem? - perguntou Aeron e sorrio

— Estou sempre pronta! - Amélia expressa seu divertimento

— Mas tomem cuidado - os dois olham seu pai — Me mandem as cartas dos dois quando chegarem lá, entenderam?

— Sim - responderam os dois

— O que Esme lhe disse? - perguntou mamãe, eu sorrio, mamãe quer amenizar a situação tensa.

— Ela está ansiosa pra conhecer o marido que sua mãe lhe escolheu.

— Ele deve ser bonito

— Alexa...

— O que? Se Esme está ansiosa, deve ser muito bonito - justifico mamãe rapidamente, eu rio junto com Aeron, enquanto eles discutiam sobre isso.

•••

Eu faço minha mala, com roupas mais quentes e uma ou outra que é sociável, eu ponho na carruagem enquanto mamãe pega os mantimentos para nós. Aeron colocou rodas a mais para caso agente perca alguma no caminho da ida e da volta.

— Minha pequena, tome cuidado, é uma terra estrangeira. Não é como aqui - disse minha mãe cansada e me sento ao seu lado enquanto papai oega o resto da comida

— A senhora está bem?

— Sim, apenas cansada de carregar essa barriga enorme - respondeu mamãe fon humor e sorrio.

— Sentirei sua falta

— Eu também pequena, mas lembre-se, as mulheres lá fora não tem liberdade, não é como aqui, liberdade pra tudo. Seja cautelosa!

— Eu serei... - eu digo sorrindo e vejo papai indo acalmar os cavalos. Aeron foi abraçar mamãe. Eu me aproximo do meu pai e ele me olha — Pai, o que vocês conversavam no café da manhã?

— Amélia...

— Eu sei, conversa de adulto - disse Amélia — Mas sei que pediu pra Aeron pra resolver algo pra você?

— Ele irá te explicar quando chegar lá, vai entender tudo, isso prometo - disse meu pai me abraçando. — Eu te amo.

— Também te amo, fy merch fach (minha filhinha) - Taylor bagunça o cabelo de Amélia e põe dentro da Vurdon, se parece muito com carroças, mais ou menos... carroções gigantes. O Vurdón é o transporte tipicamente cigano, o povo pode utilizá-los como transporte e moradia. Meu pai amava falar galês, além de falar o romani mas aqui era mais típico para nós falar o galês.

[...]

A viagem é longa pois o inverno aqui têm suas armadilhas, eu faço um café pois sei que está muito frio Aeron e que ele ama meu café. Algo está acontecendo, meus pais estavam estranhos. Ao ouvir panela e coloco o pó no coador, tava realmente muito frio após eu terminar o café. Aeron olha quando Amélia abriu a porta com dois copos, estava tão quentinho que sua mão teve um pouquinho de choque por causa do frio.

— Obrigado irmã - disse Aeron tomando o café — Você devia voltar pra dentro irmã!

— Eu sei mas sinceramente eu tô me sentindo meio angustiada - comento Amélia. Aeron sabia que sua irmã não reclamava de trabalho, ou fugia de algo. Assim como muitos ciganos de seu povo, ela tinha um dom mas desenvolveu mais rápido do que qualquer um que já viu. A verdade era que não sentia-se bem em ir a um outro lugar, Amélia sentiu que não voltaria após um bom tempo a sua vila.

— O que você tem irmã?

— Eu sinto... que eu não voltarei por um bom tempo para nossa vila irmão

— Que história é essa? Acha que algo ruim vai acontecer? - perguntou Aeron olhando rapidamente para trás para ver as carroças dos outros do clã, os seguirem.

— Eu não sei bem dizer... Eu... Vou preparar a comida pros outros e para nós, ok? - perguntei e ele assentiu

— Sim, por favor, adoro sua comida!

— Você não gosta de trabalhar na cozinha, irmão - disse Amélia emburrando e cruzando os braços, Aeron rir com sua reação, sempre foi assim. Mas tinha que admitir que a comida que Amélia era muito boa, seria uma ótima esposa e mãe quando chegar-se a hora de casar. Nem Aeron estava ainda pronto para tal compromisso, ter filhos ou ser líder do clã mas talvez um dia, com certeza teria uma família grande e muito barulhenta. Amélia sempre dizia que os meus filhos seriam muito barulhentos tanto quanto eu.

[...]

Birmingham, Inglaterra

— Vamos ver... - eu assopro o papel e Aeron parou a carroça os cavalos descansarem, não tava frio e molho a minha pena na tinta. Eu sinto ele me olhando, eu vejo que ele tá cansado.

— O que?

— O que você tá escrevendo? Pra quem?

— Lembra que o papai pediu pra gente escrever quando chegasse em nosso destino? - perguntei e pela cara dele, de surpresa, que não se lembro do que era para fazer.

— Verdade, porra, desculpe Amy - disse Aeron e sorrio, com o jeito desastrado dele agora com tudo — Eu esqueci completamente disso.

Eu pego o papel que Aeron estava procurando, mas estava na cara dele e ele pega uma outra pena, eu termino a minha carta, contando o que aconteceu e o que fazia junto com os outros enquanto parávamos para descansar.

— Já terminou a sua?

— Sim, irmão. - Eu respondo, dobrando o papel e deixo do seu lado. — Então... Quando terminar, eu quero conversar com você

— Sobre o que irmã? - perguntou Aeron que para e me olha

— Nada que não possa ser depois de você escrever a carta ou vai esquecer novamente com suas obrigações.

— Tudo bem - disse Aeron voltando a sua total atenção para o papel, na verdade, eu acho que estou na Inglaterra por causa das minhas famílias biológicas, tanto cigana quanto irlandesa. Uma viagem tão longa para ver um casamento era muito longo e desperdício de tempo, eu sento na escadas e vejo os homens Lee fazendo uma fogueira estava acesa no meio, essa nossa última parada para chegar no acampamento dos Lee, eles estavam parados organizando a festa e cerimônia será na cidade dos Shelby.

Eu vejo minha amiga, Mila Pollok vindo até mim. Mila sempre foi sensível mas seu pai está arrumando algumas coisas em sua "casa", eu olho ao redor.

— O que foi? - perguntei

— Eu ouvi a noite passada, papai disse que homens estavam atrás de você na vila! - disse Mila e eu a olho.

— Eu? Que homens?

— Eu não sei mas ouvi que estava atrás de você.

— Entendi...

— O que?

— O casamento só foi uma desculpa para me tirar da vila, eu acho que tem haver com os meus pais biológicos, papai nunca me deixo viajar! - disse Amélia desconfiada, Mila se sentou ao seu lado, no mato e se encostaram nas árvores, eu percebi que meu irmão foi até um homem e entrou papéis, deviam ser as cartas que escrevemos. O tal homem colocou no pássaro e ele vôo para longe, provavelmente para casa.

— Seus pais biológicos não estão mortos? - disse Mila, eu a olho e assenti

— Mas está muito estranho, uma viagem de 3 dias sem parar até aqui.

— Muito tempo. - disse Mila e assenti — Isso têm haver com sua angústia?

— Só sei de uma coisa Mila, querem algo de mim, não sei bem o que é mas eu acho que vou descobrir as respostas bem nessa cidade.