Capítulo Três

Isabella Swan

"O Escândalo Swan ficou para trás? Isabella Swan está de volta, dessa vez como uma empresária musical."

Torna-me uma empresária musical não foi algo previamente planejado, simplesmente cai de paraquedas naquela profissão. Um dia, depois da morte de seu antigo empresário, meu pai estava absolutamente conturbado tendo de lidar com todos seus compromissos.

Vendo seu desespero, eu simplesmente tomei às rédeas da situação por ele. Nem tenho ideia de como consegui, mas quando me dei conta estava agendando shows, falando com a gravadora, lidando com a imprensa e tudo mais que era preciso.

Charlie, surpreso com meu modo de lidar com tudo perguntou quase que instantaneamente:

— Bells, você quer ser minha nova empresária?

Eu recusei, não era uma empresária, era uma atriz, uma cantora, até mesmo uma modelo se necessário. Certo, já não atuava, cantava ou modelava desde o Escândalo Swan quando tudo foi por água abaixo, mas lá no fundo ainda achava que ser a artista era meu lugar.

Entretanto, Charlie Swan sabia como me convencer. Sendo assim, sem poder recusar por muito tempo, virei a nova empresária do cantor country, com apenas vinte e seis anos de idade, que praticamente tinha acabado de completar na época.

Foi quando eu soube a verdade sobre mim mesma, meu lugar era comandando tudo, atrás das câmeras, nos bastidores. Eu me saia muito bem atuando e cantando, entretanto estar cuidando da carreira dos outros me dava a prazerosa sensação de poder, de controle.

Um controle que nunca tive, principalmente quando a bomba do Escândalo Swan explodiu, causando todo o caos em minha vida. Porém, tudo aquilo tinha sido superado, ou era o que eu afirmava a todos.

A Isabella de antes tinha ficado para trás, uma nova ressurgiu. Mais forte, mais esperta, mais inteligente e que tinha um novo caminho a trilhar.

Seis meses depois de começar a ser a empresária de Charlie, eu fundei a Swan Productions. Arrastei Tanya Denali, minha melhor amiga, para junto do meu plano e nós tornamos a agência que a imprensa chamava de 'fracasso certo' em algo sólido, com um nome reconhecido.

O Escândalo Swan podia ter me derrubado uma vez, mas eu era mais forte do que ele. Eu precisava ser mais forte, pois em Hollywood você precisa pisar para não ser pisado.

xoxoxo

Edward Cullen era um pirralho mimado, eu tinha certeza disso quando deixei sua mansão naquela manhã de sexta-feira. Eu queria muito culpá-lo de ser tão patético por ser um cantor pop, mas estaria sendo injusta com os outros cantores do gênero que não eram — pelo menos não muito — idiotas como o britânico.

Kate Allen, minha rainha do drama, podia ser uma garota sensível e que chorava por tudo, mas não era estúpida, ela soube reconhecer meu talento como empresária e aceitou de prontidão quando eu me ofereci ao cargo. Ela era do pop, eu a respeitava mesmo pop não sendo meu gênero favorito no mundo.

Quer dizer, como seria quando eu cresci em uma casa cercada por música country? Minha família morava em Los Angeles, eu tinha nascido ali, mas a presença das raízes do Tennessee do meu pai passaram facilmente para mim.

A questão era: Ed Cullen era um pirralho e estaria perdendo uma grande oportunidade se não me aceitasse como sua empresária. Eu tinha ajudado papai sem nenhuma prática, tinha colocado Kate no caminho certo quando ela passou de atriz para cantora e apresentei Riley Biers — meu cantor de indie rock — ao mundo depois de ouvi-lo cantando no meio da rua em New York.

Charlie, Kate e Riley, os três estavam indo muito bem, assim como a Swan Productions. Grandes contratos, prêmios e reconhecimento. Edward poderia ter tudo aquilo, ele só estava sendo tolo.

Quando cheguei ao prédio da companhia fui direto para minha sala, depois de dispensar Irina e a longa lista de informes que ela tinha para mim. Eu me joguei em minha cadeira, ligando o computador e digitando imediatamente o nome do Cullen no Google.

Noticias dele saindo da clinica e indo para sua casa já apareciam aos montes na internet, como também a foto de uma morena misteriosa deixando sua mansão. Para minha sorte, o pessoal no helicóptero, que seguiram o Cullen, não conseguiram uma boa foto minha deixando o local, seria impossível adivinhar quem era.

Deixei as noticias de lado, abrindo o Youtube, colocando o nome de Ed ali. Alguns canais de fofoca também apareceram, falando sobre ele e tudo mais, porém eu coloquei em um show dele que tinha sido disponibilizado no site.

Aumentei o volume até o máximo, sabendo que ninguém fora da minha sala poderia ouvir por ela ter sido especialmente projetada com sistema de isolamento acústico. A primeira música do show, que tinha acontecido no ano passado, foi a queridinha do público: Floor.

Ed Cullen a cantava e também dançava, eu precisava admitir que ele era bom naquilo, nas duas coisas. O garoto sabia dançar muito bem, honrado ter sido influenciado por Michael Jackson e apadrinhado por Justin Timberlake no inicio da carreira. Sua voz também era boa, mas talvez eu mudasse muito do excesso de edição em cima dela, que colocavam mesmo no ao vivo.

Continuei assistindo ao show, já tinha colocado meus pés sobre minha mesa e meus olhos estavam focados na tela do computador. Uma vez meu pai tinha chamado a música de Edward de dispensável, naquela época eu concordei com a afirmação de Charlie, mas parando para ver o show inteiro eu tinha de admitir que o britânico era bom.

Mesmo com suas falhas, fora e dentro do palco, ele continuava sendo um excelente cantor. Era isso, eu estava insistindo em ter Ed Cullen sob minha tutela empresarial, não o deixaria desaparecer no limbo. O colocaria de volta no topo, daquela vez me assegurando para que ele não caísse de lá novamente.

— Bella! — Tanya irrompeu por minha sala, sem se preocupar em bater, ou eu não tinha a escutado.

Tanya Denali e eu tínhamos a mesma idade, nós nos conhecemos com dez anos quando participamos de uma campanha publicitária de cereal. Sim, eu tinha conhecido minha melhor amiga daquela forma.

Nós perdemos o contato totalmente depois daquele comercial. Até que depois do Escândalo Swan, quando cai fora de Los Angeles, reencontrei a Denali em New York.

Naquela época Tanya estava passando por seus próprios problemas, o que acabou nos aproximando o que no final nos fez tão próximas ao ponto de eu saber que precisava dela ao meu lado para a Swan Productions. Então, eu me sentia muito feliz por ter contracenado com ela no comercial do cereal e por ter a encontrado servindo mesas anos depois, pois nós duas colocamos a Swan Productions em alta, eu não teria conseguido sem ela.

— O que quer de mim, Tanya? Não consegue passar um minuto sem vir admirar minha beleza, não é? — Tirei minhas pernas de cima da mesa.

Naquela manhã a Denali usava uma blusa branca, com calças jeans azuis escuras. Seus cabelos, cortados na altura dos ombros, estavam soltos e tinham recebido uma escova, como um reforço da tintura que Tanya usava desde seus vinte e dois anos quando quis ficar loira.

— Você está ouvindo Ed Cullen? — questionou confusa, ignorando minha pergunta.

Pisou em seus saltos altíssimos até minha mesa, espiando meu computador.

— O que diabos está fazendo assistindo ao show do inimigo, Bella?

— Ele não é inimigo.

Bom, seria se me dispensasse outra vez naquela noite, ninguém em sã consciência me dispensava duas vezes no mesmo dia.

— Oh, Bella, se o Charlie te visse escutando Ed Cullen, ele com certeza te acharia uma adoradora do inimigo. — Ela jogou uma pasta com documentos em cima da mesa. — Alguns papeis sobre o comercial do perfume da Kate.

— Vejo depois. — Deixei a pasta no mesmo lugar, voltando minha atenção para o show.

— Ed Cullen é grande! — Tanya exclamou, olhando para a tela também.

— Sim, ele é um cantor muito bom — murmurei, distraída vendo o britânico cantar um cover de Let's Dance do Bowie em seu show. Eu também sabia que David era um dos cantores favoritos de Edward, se bobear o preferido entre todos.

— Não, não estou falando de música. — Tanya soltou uma risadinha perversa, fazendo com que eu tirasse meus olhos de Ed Cullen que fazia seu público ir ao delírio para olhá-la. — Grande de grande, Bella. — Ela colocou suas mãos em paralelo uma a outra, em uma distância considerável.

— Como você sabe? — perguntei curiosa.

— Uma amiga modelo que fodeu com ele me disse, um bom tempo atrás, mas ele fez um ensaio sensual e...

Nem precisei ouvi-la terminar de falar, fechando o Youtube e pesquisando sobre Ed Cullen sexy no Google para tirar a prova. Algumas fotos dele de cueca, em um ensaio fotográfico, apareceram.

— Eu disse, grande! — Tanya comemorou, apontando para a tela.

— Qual é, T, nós sabemos que pode ter manipulação para tornarem o pau dele maior nas fotos — falei, dando zoom na imagem. Parecia mesmo grande, mas eu não poderia dar cem por cento de certeza.

— Já falei, essa modelo que fodeu com ele me garantiu que o Cullen tem um pau grande.

Eu gargalhei, fechando o Google.

— Você é casada, senhora Denali, não deveria estar falando sobre o pênis de outro cara — alertei.

— Estou falando, não chupando, não é traição — ela se defendeu. — Além do mais, o do Cullen pode ser grande, mas o do meu marido é grosso e grande, então estou no lucro.

— Não me dê tantos detalhes sobre o pau do Santiago — exigi.

— Ah, qual é, Bella? Você passou um dia inteiro falando sem parar em como James era gostoso quando fodeu com ele pela primeira vez. E eu já o vi de sunga, ele também é grande, sortuda. — Ela piscou um olho azul para mim, eu praticamente rosnei para ela.

— Não fale do meu namorado assim.

— Okay, certo, vamos falar sobre o Grande Cullen. — Tanya sentou na beirada da minha mesa. — O que deu em você para escutá-lo? Ele nem é mais tão querido assim, não foi pra uma reabilitação, ou coisa parecida?

— Reabilitação, sim, depois de socar um paparazzi — contei, apoiando meus braços sobre a mesa. — Não te contei antes, pois queria ter certeza, mas que se foda, eu vou deixá-la saber de uma vez.

— Você está me assustando, Bella, vá direto ao ponto — Tanya pediu.

— Ontem Esme Cullen veio aqui, a mãe do Ed, o antigo empresário dele caiu fora e agora que o britânico deixou a reabilitação vai precisar de um novo agente. Ou, no caso, uma nova agente.

Tanya fechou e abriu a boca algumas vezes, parecendo não ter ideia do que falar.

— Você está considerando? Ou o que? — conseguiu falar por fim.

— Eu já aceitei. — Tanya pareceu mais chocada ainda com aquilo. — Mas, fui até o Cullen hoje e ele disse que não me quer como sua assistente, eu vou voltar lá mais tarde para buscar a resposta definitiva dele.

Minha amiga suspirou, deslizando da mesa para a cadeira vaga ali. Ela se inclinou sobre a mesa também, ainda me olhando sem saber muito bem o que falar.

— Estou profundamente confusa, Isabella. Como você aceitou isso? O seu pai vai matar você!

— Ed é bom, Tanya.

— Mas o seu pai odeia ele, você odiava até ontem também.

— Não era bem ódio, só não gostava dele. — Fiz um gesto qualquer com a mão. — É uma chance de ouro.

— Isabella, Ed Cullen socou um cara e foi pra reabilitação, isso não parece o artista dos sonhos para a gente trabalhar.

Respirei fundo, apoiando meu queixo numa mão.

— T, eu posso fazer Ed Cullen brilhar novamente.

— Bella...

— Eu consegui, não é? — Com a mão livre gesticulei ao meu redor. — Se eu pude superar o Escândalo Swan, Ed Cullen pode superar os erros dele.

— Bella, eu te amo, você sabe disso, então não surte com o que irei falar — Tanya disse seriamente. — Mas, você não se reergueu em um dia ou dois, levou anos, okay? Nós precisaríamos de muito tempo para colocar Ed Cullen no lugar.

— Eu consigo, você não consegue? — a provoquei. — Você teve de cair fora dessa cidade, mas voltou e agora tem um espaço muito bom nela, né? Nós duas conseguiremos recolocar Ed Cullen no topo, foi por isso que criamos a Swan Productions.

— Tecnicamente foi para Charlie ter uma agência real — ela disse.

— E agora temos Riley e Kate — lembrei. — E podemos ter o Cullen, ele pode ter jogado muita coisa na merda, T, mas ele é idolatrado. — Apontei para a tela do computador. — Você viu aquele estádio cheio, certo? Se viu, percebeu como as pessoas o adoram, vamos fazer eles o adorarem ainda mais.

— Como? Ele nem te aceitou como empresária dele.

— Ele vai aceitar — garanti. — Caius Martin não voltará a agenciá-lo, o Cullen perceberá que ele precisa de mim. Ele já deve estar montando um belo pedido de desculpas por não ter me aceitado de primeira, pode apostar.

Tanya riu.

— Sua confiança é algo estimável, cara amiga.

— Você vai entrar nessa comigo, não é, T? — Bati um dedo na ponta do seu nariz.

— Okay, vamos nessa recolocar o Cullen no lugar dele — ela concordou. — Não será a primeira coisa maluca que topo fazer com você.

Sorri maliciosamente para ela.

— Você sente minha falta, confesse.

— Não, cala a boca, Bella — Tanya exigiu com uma careta, fazendo com que eu risse em seguida. — Santiago está vindo me buscar para almoçar, você vem com a gente?

— Pode ser, eu vou ter tanto trabalho com o Cullen logo mais, será bom aproveitar o pouco de tempo livre que me resta — falei, pegando os documentos de Kate que ela tinha levado para mim. — Ela pode chorar muito, mas fatura na mesma proporção — comentei, dando minhas assinaturas necessárias ali.

— Ela é uma mina de ouro, talvez possamos botá-la para cantar com o Ed — Tanya falou, pegando a pasta de minhas mãos. Eu sorri de imediato ao ouvir aquilo. — Eu sei, foi uma boa ideia colocá-los cantando juntos...

— Kate e Edward? Não, eu o farei cantar com meu pai! — exclamei, ficando de pé.

— Você com certeza está maluca, Isabella. — Tanya se levantou também. — Charlie nunca aceitará cantar com o Ed, também duvido que o Cullen aceite isso.

— Bom, eu mando aqui e neles. — Dei de ombros. — Os dois irão se entender e gravarão uma música juntos, todo mundo irá à loucura com isso — proclamei, já pensando na repercussão que teríamos com aquele dueto. — Eu consigo pensar nas manchetes desde agora: Ed Cullen e Charlie Swan fazem as pazes com música de sucesso.

— Sabe o que eu acho, Bella? — Tanya agarrou meu braço, puxando-me de trás da minha mesa. — Que você não comeu nada hoje de manhã, porque o James está viajando, então está ai delirando de fome porque não se preocupou em tomar café da manhã.

— Não use esse tom de sabichona comigo, Denali — ordenei.

— Não use esse tom de chefe comigo, Swan — rebateu.

— Eu sou sua chefe — lembrei.

— E eu sou uma sabichona, estamos quites.

Tanya me arrastou para fora da minha sala, enquanto eu reclamava sobre ela me tratando como se eu fosse uma criancinha. Ela me ignorou, indo despachar os documentos de Kate com Irina, foi quando o elevador se abriu no andar revelando Santiago — o marido de Tanya — e Valentina — a filha dos dois —.

— Tia Bella! — Valentina gritou a me ver, correndo até mim.

A garotinha se agarrou às minhas pernas, pedindo que eu a carregasse. Eu me rendi, só pelo cansaço de ouvi-la falar sem parar, a peguei no colo, vendo um grande sorriso surgir em seu rosto. Antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, ela beijou minha bochecha.

Tanya e Santiago tinham se conhecido em uma festa em Los Angeles, eles se apaixonaram à primeira vista, ou no caso segunda vista já que minha melhor amiga já tinha o visto em seriados antes. Não demorou muito para casarem, um casamento na praia, logo depois surgiu Valentina, ou Tina como a maioria das pessoas a chamavam.

Santiago era americano, mas descendente de mexicanos. Seus cabelos eram negros e ondulados, olhos castanhos escuros e uma pele naturalmente bronzeada. Ele atuava como protagonista — nos últimos dois anos — em uma série sobre bombeiros, o que rendia muitos ciúmes de T toda vez que alguém se aproximava dele pedindo que o bombeiro apagasse o fogo que estavam sentindo.

Minha amiga e o marido dela tinham produzido Valentina. A garota era uma boa mistura dos dois, um pouquinho de cada, como os cabelos castanhos de Tanya que ela escondia atrás da tintura loira e os olhos escuros de Santiago.

— Eu senti sua falta, tia Bella! — Valentina proclamou ainda em meu colo, beijando o outro lado do meu rosto.

Ela tinha cinco anos, o aniversário foi um mês ou dois antes, eu não poderia lembrar direito já que estava viajando com Riley na época. Mas, sei que fiz Irina comprar um bom presente e enviar, pelo menos esperava que tivesse feito aquilo. Deveria mesmo ter acontecido, já que não me lembrava de Tanya reclamando por eu ter esquecido o aniversário da filha dela, como acontecia quase todo ano.

— Você está me babando inteira, Valentina! — reclamei, a colocando no chão. Já bastava o ataque do animal selvagem do Cullen mais cedo, o Shrek.

— Deus, você é muito fresca, Bella — Santiago falou, pegando Valentina no colo, enquanto Tanya se aproximava da gente com um sorriso gigantesco no rosto.

— Olá, senhor Denali. — Beijou os lábios do marido por um instante.

— Olá, senhora Denali. — Ele sorriu para ela, a olhando de cima a baixo. — Você está linda.

— Arg, parem com a dança de acasalamento na minha frente — exigi revoltada, irritada por meu namorado estar do outro lado do país, enquanto estava em Los Angeles só.

— O que é acasalamento, tia Bella? — Valentina me questionou, eu abri a boca para responder, mas Tanya foi mais rápida.

— Não é nada, Tina, você pode esquecer isso agora. — Ela pegou a garota nos braços, olhando para a filha com doçura, o que me fez desviar o olhar.

— Vamos, estou morrendo de fome! — anunciei, andando até o elevador, querendo não pensar no passado, não valia a pena.

xoxoxo

Naquela noite, após o trabalho eu dirigi até meu apartamento, troquei de roupas depois de um bom banho, chequei que Norma Jeane estava bem e fui até o condômino que o Cullen morava. Ou ele me aceitava daquela vez, ou estava fodido.

O número de paparazzis tinha diminuído drasticamente, mas um ou outro ainda estavam na porta do condômino, ao menos o helicóptero tinha ido e eu esperava que ninguém tivesse um drone. Nem precisei me identificar com a portaria, tendo meu acesso liberado facilmente.

— Oi, quem é? — Ouvi a voz de Rosalie quando toquei o interfone da mansão.

— É Isabella, abra logo — ordenei, ouvi um resmungo partindo dela, mas os portões da mansão se abriram para mim.

Eu precisei esperar algum tempo na porta, mas logo a gêmea do Cullen apareceu.

— Cadê seu irmão? — indaguei ao entrar na mansão.

— Na piscina — respondeu. — Escuta, Isabella, eu acho que deveríamos dar mais um tempo para o Edward.

— Ele não tem tanto tempo, acredite em mim. — Segui caminho até os fundos da mansão para ir até a piscina. — Eu vou sozinha. — A proibi de ultrapassar as portas que me levariam até o Cullen.

Rosalie hesitou, mas acabou aceitando, deixando-me sair só.

Eu pude ver quando Edward mergulhou até o fundo da sua piscina, mas ele não me viu. O deixei continuar em seu mergulho, então me deitei em uma das espreguiçadeiras ali perto, aproveitando a brisa fraca daquela noite de fim de abril.

Não demorou nada para ouvir Ed sair da piscina, logo ele estava ao meu lado como pude sentir por gotículas de água respingando em mim. Então, ele se pronunciou:

— Vá embora daqui e nunca mais volte, Isabella!

Era até engraçadinho, a forma como ele achava que podia me dar ordens.

— É sua última palavra, Cullen? — perguntei, percorrendo uma mão pelos cabelos.

Abri meus olhos, focando em seu rosto.

— Eu posso reerguer a sua carreira, Edward.

Vi a dúvida percorrer seus olhos, ele estava muito perto de ceder, só precisava de mais um empurrãozinho.

— Eu consegui voltar ao topo, Cullen. — Sentei ali. — Passei por muito também, você sabe. — Odiava falar sobre o Escândalo Swan, mas se podia ser usado a meu favor, que se foda, iria jogar com aquela carta. — O que você mais quer agora?

— Voltar a cantar — ele respondeu, sem um pingo de hesitação. — Quero retomar a produção do meu quinto álbum e ganhar um Grammys por ele.

Claro que ele queria, todos queriam.

Sorrindo, eu me levantei, parando diante ao Cullen.

— Aceite-me como sua empresária, Ed Cullen, eu o farei voltar ao topo. — Pisquei para ele. — Ou, mande-me embora outra vez e veja sua oportunidade de ouro ir comigo.

Edward fechou os olhos, respirando fundo. Eu já o tinha em mãos, sabia disso, ele estava relutante, mas não resistiria por muito mais tempo.

— Nós vamos acabar nos matando, Isabella — ele falou quando reabriu os olhos.

— E isso seria uma ótima publicidade para seu álbum póstumo.

O britânico riu, até que por fim falou:

— Você está contratada, bem vinda ao time Cullen.

Foi minha vez de rir, eu não pude deixar de achar hilário a ingenuidade que o Cullen ainda tinha dentro de si.

— Pobrezinho. — Dei um tampinha sobre a tatuagem de rosas em seu ombro, o Cullen era completamente tatuado. — Você é quem está no time Swan, eu estou no comando agora.

— Eu não estou no seu time, Isabella! — reclamou, tirando minha mão de si.

— Você está e irá agradecer por eu tê-lo escolhido.

— Foi minha mãe quem chamou por você.

— E isso não quer dizer nada, eu poderia ter recusado, mas aceitei.

Tornei a me sentar na espreguiçadeira, estava exausta. Percorri meus olhos pelo corpo de Edward, ele precisava voltar à academia, logo. Por um segundo pensei na fala de Tanya na minha sala aquela manhã, mas o Cullen usava um short de banho, o que não me permitiria saber se ele tinha realmente um pau grande.

— Como você conseguiu? — ele indagou.

— Desculpe?

— Como superou o Escândalo Swan? — Sentou do meu lado, mais respingos de água me atingiram.

— O que importa é que você irá superar seus próprios escândalos, Cullen. — Cruzei minhas pernas, olhando para suas costas magras, ele tinha uma tatuagem tribal cafona ali.

— O que tanto está olhando em mim? — perguntou incomodado.

— Você precisa malhar, o quanto antes — anunciei, ele me olhou ultrajado. — O quê? Eu preciso que fique bonitinho de novo, noventa por cento do seu público são de adolescentes e jovens adultas, elas não vão achar sexy um cara magrelo.

— Eu estava na porra de uma clinica de reabilitação, não em um centro de treinamento para atletas, claro que estou magro! — ele gritou, ficando irritadiço.

— Já parou? — perguntei, ele me olhou confuso, parecendo esperar que eu ficasse com medo do seu surto. — Eu já estive nesse mesmo lugar, Cullen. — Apontei para a cabeça dele. — Essa confusão ai? Eu fui a rainha desse lugar escuro, desse medo de não saber o que fazer. Não tenho medo de suas explosões, não tenho medo de suas caras feias, por isso sou a pessoa ideal para te colocar no topo, porque eu conheço o caminho de volta. — Dei um tapa em suas costas, o que pareceu doer pelo que vi em sua expressão.

Levantei, colocando-me diante dele.

— Eu o deixarei descansar pelo resto do fim de semana, mas não te quero pisando fora dessa mansão, entendido?

— Você não manda em mim — teimou.

Suspirei, ele era como uma criança, bem birrento.

— Cullen. — Inclinei-me para frente, aproximando meu rosto do dele. Seus olhos verdes encontraram-se com os meus, ainda irritadiços. — Não estou brincando quando digo que sou eu quem está no comando agora, eu realmente estou.

— Eu não vou ajoelhar e cumprir suas ordens, Isabella.

— Então, eu vou ir embora agora e esqueça-me como sua empresária — ameacei.

— Está blefando.

— Não estou blefando — rebati.

— Então, vá embora. — Apontou para a porta que me levaria à mansão. — Cai fora, Swan, sei que vai voltar atrás de mim em um segundo.

— É isso que você acha?

— Eu tenho certeza.

— Tudo bem. — Corrigi minha postura, Edward sorriu maliciosamente para mim. — Estamos acertados, certo? Não sou mais sua empresária, já que não está disposto a me obedecer.

— Sim, isso mesmo, até você voltar outra vez implorando para ser minha empresária.

Acenei para ele, dando meia volta até a mansão. Eu passei por Rosalie que estava cozinhando, ela me perguntou o que tínhamos resolvido, mas não parei de andar para bater papo, eu precisava me afastar o máximo suficiente, para Edward perceber que ele era quem deveria ir atrás de mim.

Aconteceu, como deduzi, o Cullen surgiu na porta de sua mansão quando eu estava prestes a entrar em meu carro. Ele me olhou surpreso, parecendo em duvida se ia até mim, ou continuava parado no lugar.

— Pode abrir o portão para mim? Eu preciso ir embora — falei para ele, com falsa gentileza em minha voz, que engoliu em seco.

— Você está blefando!

— Bom, já que não vai abrir os portões, eu irei derrubá-los, pode me mandar a conta do prejuízo. Sabe, você não está indo muito bem para se dar ao luxo de ficar gastando dinheiro com qualquer coisa — provoquei, entrando em meu carro, batendo a porta.

Eu estava o ligando, quando Edward correu até mim, entrando no banco do carona, molhando o estofado.

— Não, por favor, não — ele implorou, enquanto eu dava ré.

— Não o que, Cullen? — Sorri vitoriosamente para ele.

— Não vá embora — pediu, cada palavra parecendo ser uma dor a mais nele. Coitadinho, era difícil para ele implorar por algo, eu quase sentia pena, quase.

— Você me quer como sua empresária?

— Quero. — Fez uma careta ao dizer aquilo. — Eu quero você como minha empresária, Swan. — Revirou os olhos.

— E irá me obedecer?

O rosto dele ficou vermelho, mas ele se forçou a falar:

— Sim, eu vou fazer tudo que você mandar.

Parei o carro, abrindo a porta de Edward.

— Passe o fim de semana dentro de casa, Edward — orientei. — Não receba visitas, só da família e no máximo seus pais e irmã. Fique fora da internet, se você entrar no Twitter, Facebook, Instagram, Snapachat ou qualquer coisa assim e fizer um post que seja, eu irei confiscar seus celulares e computadores, toda publicação a partir de agora será feita com consentimento meu, ou de alguém da minha equipe. Falando nisso, eu te quero segunda-feira de manhã na Swan Productions para começarmos a trabalhar, aproveite o fim de semana para descansar, iremos ter muito o que fazer em breve.

Ele assentiu.

— Dê o fora do meu carro. — Gesticulei para a saída.

— Eu não posso chamar nem mesmo uma garota? — perguntou angustiado. — Passei três meses trancado, preciso de sexo, Isabella.

— Use sua criatividade para matar seus desejos, Cullen. — Tornei a apontar para fora do meu carro.

— Vai me proibir até de transar? — perguntou perplexo, saindo do carro, mas segurando a porta aberta para que continuássemos a conversar.

— Aguente mais um pouco, Betty, logo eu libero você para um pouco de sexo.

— Do que me chamou?

— Betty. — Indiquei a tatuagem ridícula da Betty Boop em seu antebraço direito.

— Vá se foder, Swan.

— Sim, diferente de você eu não estou proibida de ter sexo. — Mandei um beijo para ele, enquanto ria, o que fez Edward bater a porta do meu carro com força, mas o Cullen se moveu até o portão para liberar minha passagem.

Ele bateu em minha janela, antes que eu pudesse deixar os limites de sua casa.

— O que quer agora, Cullen? — perguntei depois de abaixar o vidro da janela.

— Já contou para seu papaizinho? — Ele tocou na gola da minha camiseta, que tinha uma estampa do álbum de papai que fez Edward perder um Grammys. Sim, eu tinha a escolhido a dedo para um pouco de provocação. — Que você está se contrabandeando para o lado do inimigo, quero dizer.

— Cullen. — Segurei em seu queixo. — Não é meu inimigo, entendeu? Está no meu time, lembra? Acredite, se fosse meu inimigo, você estaria muito fodido.

Ele se soltou do meu aperto para falar:

— O que iria fazer se eu fosse seu inimigo, Zoe? — Eu senti meu rosto endurecer ao ouvir ele me chamar pelo nome da minha personagem de maior sucesso. — Irá usar seus poderes de alienígena contra mim? — Provocou.

— Vejo você na segunda, Betty! — Voltei a dirigir imediatamente, sem ceder à sua provocação, mas ainda fui capaz de ouvi-lo cantarolar o tema de Zoe em Malibu.

Aumentei a velocidade do carro, indo para longe de Edward, mas principalmente querendo ficar longe da música de Zoe. Não podia perder tempo pensando naquilo, estava enterrado junto ao Escândalo Swan.

xoxoxo

Aproveitando que já estava dirigindo, eu deixei a casa de Edward e dirigi até a casa do meu pai. Sabia que Charlie estaria lá, uma vez que Ness tinha me dito na noite anterior que estaria jantando com ela, então era uma boa hora para anunciar ao senhor Swan sobre meu novo cliente.

— Ei, Bells, eu não te esperava aqui hoje — papai comentou quando o encontrei no estúdio que ele tinha em casa.

— Oi, papai. — Depositei um beijo em sua bochecha.

Charlie estava sentado no chão, com o violão em mãos e cercado por rabiscos de letras de música. Eu me lembrava de quando era criança de sentar junto a ele e ficar dizendo palavras quaisquer para ajudá-lo a compor, algumas vezes tinha serventia, outras ele apenas ria das minhas sugestões.

— Precisava vir te ver. — Tirei seu chapéu de caubói de sua cabeça, colocando sobre a minha, sentando ali também. — Tenho algo importante a contar.

Eu era bem mais parecida com minha genitora, mas tinha a melhor parte de Charlie, os olhos castanhos dele. Eu os achava lindos, aquele tom castanho de chocolate, era sempre um conforto saber que ele e eu tínhamos aquilo igual.

— Algo sobre Jimmy? — ele perguntou preocupado, passando a mão pelos cabelos negros.

— Não, está tudo bem entre nós dois, pode ficar tranquilo — respondi apressadamente. James era perfeito, eu sabia disso e queria que papai continuasse sabendo também. — Ele foi para Miami, pelo fim de semana, volta no domingo. — Dei de ombros, já sentindo falta do meu namorado. — Enfim, tenho algo importante para contar — repeti.

— Vá em frente, Bells. — Papai piscou para mim em incentivo. — Sabe que eu sempre estarei aqui para apoiá-la em tudo.

Eu sabia, muito bem, diferente de Renée, Charlie sempre esteve ao meu lado.

— Eu fui procurada por outro artista, ele quer meus serviços como empresária. E, eu já aceitei, o contrato será visto na segunda-feira.

Papai sorriu largamente para mim.

— Bells, isso é ótimo! — Mal ele sabia. — Quatro artistas em suas mãos, filha. Você está se tornando uma máquina de fabricar sucessos.

Não pude deixar de rir, mexendo no chapéu dele sobre minha cabeça.

— É um artista novo como Riley foi? Ou algum famoso percebeu que você é a melhor escolha de Los Angeles?

— É alguém conhecido. — Suspirei, sem querer criar um caos entre papai e eu, mas sabendo que era preciso contar a verdade antes que ele descobrisse por terceiros. — Pai, o artista em questão é Ed Cullen.

O sorriso no rosto de Charlie sumiu imediatamente.

— Não, Isabella! — Seu bigode espesso se mexeu de forma engraçada ao dizer aquilo.

Charlie se levantou em um rompante, quase deixando seu violão cair no chão.

— Pai, me escuta, por favor — pedi, levantando também.

— Escutar o que? Que minha própria filha está me traindo? Bells, eu não quero você metida com aquele Cabeludo Britânico.

Eu tive de rir, ganhando um olhar revoltado de Charlie.

— Não ria, Isabella!

— Pai, sei que você e Ed tiveram suas desavenças, mas já faz muito tempo, hora de superar, né?

— Sim, agora que você falou isso é justamente o que eu farei — ele falou debochadamente, tirando o seu chapéu de mim e recolocando em sua cabeça. — Qual é o próximo passo? O Cullen e eu cantarmos uma canção juntos?

Mordi o lábio em hesitação ao ouvir sua tirada certeira, papai arregalou os olhos, encarando-me revoltado.

— Isabella, não!

— Só uma música, papai — insisti. — Uma música country, o que acha? Eu posso escrever todo o discurso de desculpas dele por ter chamado sua música de ultrapassada.

— Não quero as desculpas dele, Bells, nem a real, muito menos a falsa.

— Papai. — Fui atrás dele, que colocou seu violão em um suporte. — Eu sei, sei que Ed é irritante, mas ele fará com que a Swan Productions lucre muito mais.

— Ele não está com a carreira arruinada? Como alguém com tanta besteira nas costas pode se reerguer, Bells? — Ele se voltou para mim, parecendo se dar conta de suas palavras, suspirou. — Desculpe.

— Tudo bem, sabe que já superei aquela merda. Você está me apoiando, né?

— Não, eu não quero aquele delinquente perto de você.

— Papai!

Charlie bufou, segurando meus ombros.

— Certo, eu calo minha boca e a vejo se tornar empresária desse garoto, mas só se me prometer que vai tentar se entender com ela.

Eu quis dizer não, mas precisava de papai cedendo a Ed na Swan Porductions, para que o mais breve possível pudesse colocar os dois cantando juntos. Isso seria mesmo algo grande, as pessoas comentariam por muito tempo, o que nos daria um lucro excelente.

— Tudo bem. — Forcei um sorriso. — Eu irei tentar pegar leve com ela.

Mas, se ela pisasse fora da linha, iria ter de lidar com meu ódio eterno.

— Não acredito que você está virando empresária daquele cantorzinho idiota — papai resmungou.

— Você sempre será meu cantor favorito, papai. — Roubei o chapéu dele de novo. — O que acha de pedirmos uma pizza, bebermos umas cervejas e assistirmos ao jogo de futebol americano que eu sei que você gravou?

A expressão dele se suavizou um pouco.

— Parece um bom plano, Bells.

— Eu tenho bons planos sempre, pai, isso inclui você e Ed cantando juntos.

— Não vai acontecer, Isabella.

Iria, eu sabia que iria. Só precisava fazer os dois não se matarem antes disso, seria um longo trabalho conciliar Ed Cullen e Charlie Swan, mas eu estava disposta a colocá-los no mesmo time.