Capítulo Quatro

Edward Cullen

"A nova empresária de Ed Cullen é Isabella Swan!"

Meu primeiro contato com Isabella foi através de uma tela de cinema, eu tinha uns cinco anos na época e a Swan protagonizava um filme infanto-juvenil qualquer que fez muito sucesso nos Estados Unidos e na Europa. Rosalie passou semanas cantando a música tema do longa metragem e por mais que eu tenha dito que odiei o filme, também passei um bom tempo com a canção em mente.

O ponto da questão era esse, já conhecia Isabella Swan tinha muito tempo, desde que era uma criança em Bath na Inglaterra. Vi a Caipira Filha em filmes, seriados e com certeza na série de maior sucesso que ela protagonizou, Zoe em Malibu.

O seriado ambientado nos anos oitenta contava a história de uma alienígena, Zoe interpretada por Isabella, que iria morar em Malibu depois de seu planeta entrar em guerra — qualquer referência que você possa pensar disso é mera coincidência os produtores afirmavam — e lá vivia várias aventuras típicas de uma adolescente americana, incluindo perseguir o sonho de ser uma cantora. Claro, isso quando não estava lutando contra outros alienígenas que ousavam tentar invadir e/ou destruir a preciosa Malibu.

Zoe em Malibu durou de 2003 até 2005, quando o Escândalo Swan aconteceu e a série foi cancelada sem um final decente. Não gostava do seriado, mas Rosalie o acompanhava e eu assistia por tabela, talvez eu tivesse ficado um pouco irritado por não ter um final digno, mas também não assumiria isso para ninguém, seria vergonhoso demais.

Nunca pensei que meu contato com Isabella, a filha do Caipira Swan, iria além de apenas vê-la em filmes e séries. Mas, o destino — se é que isso realmente existia — estava tirando sarro da minha cara e a protagonista de Zoe em Malibu estava tornando-se minha empresária.

xoxoxo

Assim que Isabella dirigiu para fora dos limites da minha casa, eu segui de volta para o interior da mansão. Sentia-me sujo por ter praticamente beijado os pés daquela mulher para convencê-la a ser minha empresária, mas eu realmente não tinha como escolher muito, outros empresários poderiam não querer lidar comigo após toda minha confusão e eu precisava admitir que gerenciar minha própria carreira não daria certo.

— Vai contar o que está acontecendo? Ou eu vou ter de adivinhar entre você e aquela mulher correndo de um lado para o outro? — Rosalie me questionou quando eu cheguei a cozinha, desabando em um dos bancos próximos ao balcão.

— Ela é minha empresária agora — contei, Rosalie suspirou, parecendo aliviada.

— Isso é bom, Edward, você precisa de alguém para ajudá-lo — minha irmã falou. — Mesmo que seja aquela mulher arrogante — estremeceu ao falar sobre Isabella.

— Eu tive de implorar para que ela fosse minha empresária. — Certo, depois de eu a mandar embora, mas era a mesma coisa.

Rosalie riu baixinho.

— Isso não vai matá-lo, Edward, você pode ser a pessoa implorando por algo de vez em quando, não seja tão convencido.

— Você deveria estar do meu lado, Rosalie! — exclamei indignado.

— Sempre estive do seu lado, Edward — Rosalie sussurrou, voltando a cozinhar, ela parecia triste e sabia que aquilo era minha culpa.

— Desculpe — murmurei, fazendo com que ela me olhasse por um instante, seus olhos azuis estavam repletos de lágrimas.

— Vá tomar um banho e se livre da água da piscina, quando voltar a comida já estará pronta — Rosalie falou, sem se estender sobre meu pedido de desculpas.

— Rose, é sério eu...

— Apenas vá tomar banho, Edward — ela pediu com a voz embargada.

— Eu não queria fazer nada daquilo, não queria socar aquele cara e ir pra cadeia. Quanto às drogas, eu definitivamente não planejei nada disso. — Rosalie começou a chorar, fazendo com que eu me calasse. — Desculpa, me desculpa — pedi novamente, sem saber mais o que falar, principalmente por ter ela chorando diante de mim.

— Eu já mandei você ir tomar banho, vá logo! — ela ordenou contra suas lágrimas.

— Rose...Tudo bem, eu estou indo — cedi, pois eu sabia que quanto mais tentasse me desculpar por tudo, mais a machucaria no futuro quando voltasse a ser um problema.

Sem falar mais nada, eu segui até meu quarto. Shrek continuava dormindo na minha cama, nem ligou para mim fazendo barulho por ali até eu ir para o banheiro tomar um banho.

Passei um bom tempo debaixo da água quente, era um dia bem calorento em Los Angeles naquela sexta-feira, mas eu sempre me sentia melhor depois de um banho quente. Quer dizer, na maior parte do tempo, às vezes nada era capaz de controlar a agitação que tomava conta de mim.

Eu me mantive forte, não podia fracassar ainda, pelo menos não tão cedo. Podia aguentar mais um pouco sem as drogas, sem a bebida.

— Você precisa ser mais forte que as drogas, Edward — Marcus falava em todas nossas consultas durante meu tempo preso na clinica. — Não pode deixá-las dominarem, é você quem está no comando.

Odiava todo aquele papo de autoajuda, mas precisava desesperadamente que ele funcionasse. Eu já tinha arruinado muita coisa, não precisava arruinar mais nada. Ou, podia fingir por um tempo que estava tudo bem, até as merdas voltarem a acontecer.

— O que você cozinhou afinal? — perguntei para Rosalie quando retornei a cozinha, com Shrek, que tinha acordado, me seguindo.

— É uma receita do livro de James Klein, na verdade. — Rose apontou para o livro sobre a bancada da cozinha — aberto em uma página de uma torta — dei de ombros, sem reconhecer o nome. — Você sabe, o cara do Cozinhando com Estrelas — Rosalie falou empolgada. — Ele é o namorado da Isabella.

Torci o nariz ao ouvir aquilo.

— Alguém é corajoso o suficiente para namorar aquela mulher maluca?

— Ele é. — Rosalie riu, indo tirar a torta do forno. — Eu definitivamente não cozinho tão bem quanto James, mas espero que goste. — Colocou a torta sobre o apoio na bancada, foi impossível não fazer uma careta para as bordas queimadas. — Certo, eu acho que deixei passar demais do ponto.

— Tudo bem, podemos comer mesmo assim. — Peguei a espátula que estava em cima da bancada posteriormente, cortando a torta, Rosalie fez uma careta também quando vimos a massa dura.

— Okay, nós estamos pedindo pela nossa janta, Edward — ela declarou, arrancando a espátula da minha mão. — Não vou fazer você comer isso e passar mal.

— Posso comer, Rose, é só uma torta dura — insisti, mesmo temendo comer aquilo.

— Não, nem o Shrek merece comer minha comida ruim. — Ela levou a forma com a torta para longe de mim. — Sushi ou pizza? — pegou o telefone da cozinha.

— Sushi, eu acho. — Peguei o livro do namoradinho de Isabella. — Tanto faz, não estou com muita fome.

— Por isso está magro — Rosalie resmungou, a ouvi discar o número do restaurante e começar a falar com o atendente.

O livro de James Klein se chamava Receitas das Estrelas, absurdamente clichê, eu sei. Na capa uma foto dele, era um cara loiro, de olhos claros e que já devia ter mais de trinta. Obviamente eu já tinha visto James por ai, provavelmente na TV mesmo, mas minha rotina não me permitia parar e ver programas estúpidos de culinária.

— Você me ouviu?

— O quê? — Levantei o olhar para Rosalie, parando de ler a mini biografia de James na contracapa do livro.

— Eu disse que nós podíamos assistir algum filme, enquanto a comida não chega — ela falou, vi que ela já tinha desligado a chamada com o restaurante e que a torta parou na lata de lixo, me desligar do mundo às vezes era bem fácil.

— É, pode ser — concordei. — Não tem nada melhor pra fazer mesmo — reclamei, em outros tempos eu estaria em alguma festa, mas não, estava preso em casa numa sexta-feira.

— Nossa, obrigada por ser tão gentil — Rose reclamou.

— Merda, desculpe, Rose — pedi, jogando o livro de lado. — Sabe que isso não é sobre você.

— Que seja. — Ela começou a andar para fora da cozinha. — Só por isso eu escolho o filme.

— Isso quer dizer que vamos assistir alguma comédia romântica irritante, estou certo? — A segui, nós dois e Shrek paramos na sala de TV, uma das exigências que fiz quando estava procurando por uma casa, eu amava assistir filmes, mesmo que nos últimos tempos isso se tornou algo bem raro.

— Ah, muito melhor do que isso, irmãozinho — Rosalie começou a rodar as prateleiras atrás de filmes, atrás de seu alvo. — O que acha desse? — Jogou a caixinha de um para mim, por sorte eu tinha um bom reflexo, ou eu acabaria com aquilo acertando meu precioso rosto.

Olhei bem para a capa do DVD, sem saber se ria ou se ficava irritado com Rosalie. O filme era justamente o primeiro que assisti de Isabella, o que tinha a música tema mais chiclete da história de Hollywood inteira.

— Você só pode estar de sacanagem com a minha cara, Rosalie Lilian Cullen!

— Eu estou, mas nós vamos realmente assistir a esse filme. — Ela andou até mim, pegando o DVD e indo até o aparelho que ainda mantinha ali.

— Nem sabia que tinha essa porcaria de filme aqui — falei injuriado, olhando para as prateleiras recheadas de DVD's, obviamente com o avanço da tecnologia eles nem eram tão necessários assim, mas eu gostava de ter uma coleção.

— Você não tinha — Rosalie falou. — Mamãe e eu estávamos numa loja umas duas semanas atrás, ai ela encontrou o filme e ficou toda nostálgica se lembrando de como passei semanas cantando a música. Foi ai que a ideia de ir atrás de Isabella para ser sua empresária surgiu na mente de mamãe, pra falar a verdade — Rose confidenciou. — Ela pensou que como Isabella está no meio desde sempre, poderia te ajudar muito bem, fora que todos nós vimos dois dos artistas da Swan Productions ganhando Grammys premiação desse ano.

— Não quero falar sobre isso. — Me joguei sobre o sofá que tinha ali, eu não queria mesmo ficar pensando que não tinha a droga de um Grammys, principalmente por continuar achando que Charlie Swan tinha roubado meu merecido prêmio de Álbum do Ano alguns anos antes.

— Isabella pode ser uma mulher insuportável, mas continuo amando esse filme — Rosalie disse quando sentou ao meu lado, Shrek pulou no sofá junto da gente, achando um lugar para se estabelecer entre nós dois, sendo espaçoso como ele bem sabia ser desde que era um filhote peludo e gordo. — Mas, claro, continuo amando ainda mais Zoe em Malibu.

— Como, Rose, como? — eu perguntei, afagando a cabeça de Shrek, enquanto via os créditos iniciais do filme aparecerem na tela.

— Nem vem, Edward eu bem sei que você também gostava de Zoe em Malibu.

— Não gostava, era obrigado a assistir porque só tínhamos uma TV em casa e você tinha o direito ao controle nas quartas.

Não que nós fossemos tão sem grana a ponto de não ter dinheiro para comprar outra TV, o ponto era que meu pai evitava muito gastos supérfluos e priorizava nossa educação, qualquer dinheiro extra era destinado a poupança das nossas faculdades. Rosalie e eu frequentamos uma escola católica particular, fizemos cursos extracurriculares e tudo mais. Papai sonhava em nos ver estudando em Oxford, não aconteceu.

Eu já era um popstar quando chegou a minha época de ir para a universidade, sendo assim não dei a mínima para isso, já tinha sido um saco completar o ensino médio no meio da fama. Minha irmã também ficou tão envolvida com a mudança da minha vida, que acabou não alcançando o que era necessário para ingressar em Oxford. Papai devia me detestar mais ainda por isso, por ter desviado Rose da faculdade dos sonhos, fui com certeza a ovelha negra dos Cullen.

— Ele ligou? — perguntei em um fio de voz, vendo Isabella aparecer no filme, toda enfeitada em roupas de princesa, o que sua personagem era.

— Quem? — Rosalie perguntou de volta, fazendo com que eu a olhasse por um segundo, algo em meu olhar foi suficiente para que ela entendesse a quem eu estava me referindo. — Não, ele não ligou hoje.

— Ligou ontem?

— É, ligou — confirmou.

— Então, ele não ligou hoje porque sabia que eu estaria aqui, né? Não queria correr o risco de eu pedir para falar com ele. — Engoli em seco.

— Edward, tenta entender o papai, ele está ocupado no trabalho...

— Nós dois sabemos que isso não é sobre o precioso trabalho dele, Rose — a interrompi. — É sobre ele ter tanta vergonha de mim que prefere me evitar, prefere evitar o próprio filho dele.

— Não, Edward, o papai te ama! — Rose afirmou, eu forcei uma risada.

— Ele pode amar, Rosalie, mas ele está farto das minhas merdas e desistiu de mim. Você e a mamãe também deveriam desistir, mas são persistentes demais para isso. Bom, pelo menos vamos ver até quando vocês aguentam.

Rosalie permaneceu calada, perdida demais em seus pensamentos para dizer qualquer coisa. Eu consegui me distrair com o filme brega da Isabella adolescente, onde ela era uma princesa que passava por grandes apuros na Inglaterra, até que o sotaque falso era bom, devia ter passado por boas aulas para conseguir falar como uma nativa.

Em algum momento o sushi chegou, Rosalie cuidou de ir pegar a comida, já que eu estava recluso até segunda ordem da minha nova empresária e não podia aparecer nem mesmo para o entregador. Nós jantamos em silêncio, apenas com o filme fazendo barulho.

— Eu só quero ser uma garota normal — Rose começou a cantar junto com Isabella a canção principal do filme, sorri, sentindo a animação na voz dela por estar se reencontrando com a música que foi tudo para ela quando tinha cinco anos de idade. — Não ria de mim! —— Bateu em meu braço.

— Não estou rindo, Rose — me defendi. — Só estou achando adorável como você ainda canta essa droga de música com a mesma animação que cantava quando era uma garotinha.

— Não posso fazer nada, a canção Só quero ser uma garota normal é linda! — Rosalie franziu o cenho. — O nome é grande demais, né?

— Muito! — concordei.

— Será que Isabella autografaria o DVD para mim? — ela perguntou, pegando a caixinha do filme.

— Eu não pediria por isso se fosse você. — Larguei o que ainda tinha de comida de lado, não estava mais aguentando comer. — Do jeito que aquela mulher é, seria bem capaz que ela quebrasse o DVD — resmunguei. — Ela tinha até um olhar de boa menina quando adolescente, né? — Apontei para o telão na parede, onde a jovem Isabella dançava e cantava.

— É normal, não? — Rosalie apoiou a cabeça no meu ombro, uma vez que Shrek tinha nos deixado alguns minutos antes para ir se deitar no outro sofá, onde teria mais espaço. Aquele cachorro era bem folgado, mas continuava o amando. — Ela ser tão cretina agora, quero dizer, ela passou por muita coisa com aquele escândalo, deve ser a forma que ela encontrou de se proteger de tudo.

Eu bufei, revirando os olhos.

— Você acredita na versão dela da história?

Rosalie se remexeu, para poder me olhar.

— Eu acredito, Edward. Assim como acredito que você não procurou se meter nesse monte de problemas, que isso tudo foi culpa dessa porcaria de indústria da fama que deixa todos os artistas...

— Loucos? — sugeri vendo que ela não conseguia pensar uma palavra.

— Perdidos — Rosalie falou com autonomia. — Retomando a conversa de antes, eu nunca vou desistir de você, está certo? Não importa quantas vezes você caia, Edward Anthony Cullen, eu sempre estarei ao seu lado. — Beijou minha bochecha, sua voz novamente era embargada pelo choro. — É minha metade, irmão, não sei viver longe de você.

xoxoxo

Passei o fim de semana preso em casa, sem festas, sem drogas, sem garotas, sem criar encrencas. Isabella até ficaria orgulhosa de mim, se eu soubesse que aquela mulher tinha um coração, ela com certeza não tinha um para sentir bons sentimentos sobre ninguém, era fira como a porra de um cubo de gelo.

Rosalie e minha mãe foram minhas únicas companhias, Shrek também, claro. As duas tentaram de tudo para deixar meu confinamento o mais confortável possível, mas ainda passei a maior parte do tempo na cama, dormindo, já que eu não podia chamar ninguém para sexo.

Dormir era um saco, eu perdia tempo que podia estar aproveitando para mil outras coisas, mas pelo menos enquanto estava dormindo, não aprontava mais nada. Quando não estava dormindo, estava sendo obrigado a comer por minha mãe e irmã, ou brincando com Shrek no quintal da mansão, isso quando eu não era obrigado a me trancar em casa com as cortinas baixas por ouvir barulho de um helicóptero sobrevoando o condomínio.

Sim, morava em um condomínio com mais outros famosos por perto, mas duvidava muito que o helicóptero estava ali por qualquer um deles, era claro que o alvo era eu. Todos ainda queriam flagras exclusivos meus depois que deixei a reabilitação, uma foto que fosse já era suficiente, mas eles deviam estar sedentos por mais escândalos da minha parte.

Esme me proibiu de acessar a internet, ela devia ter feito a escola de Isabella Swan empresariado enquanto estive internado, pois foi realmente rígida quando arrancou o celular da minha mão, impedindo que eu me comunicasse com o mundo exterior. Rosalie, unindo-se a ela, até mudou a senha da internet da minha — só para que fique claro — casa, impossibilitando-me de acessar qualquer site que fosse.

Então, mesmo que a chegada da segunda-feira significasse ter de rever Isabella, eu estava feliz que finalmente poderia pisar fora da minha mansão. Quem sabe eu finalmente poderia foder aquele dia, precisava desesperadamente daquilo, estava quase me sentindo um viciado em sexo em abstinência, aparentemente não bastava apenas a falta do álcool e das outras drogas para me deixar louco, ainda existia a falta de sexo.

Minha mãe fez com que eu acordasse cedo na segunda-feira, alegando que não poderia me atrasar para a estúpida reunião com Isabella. Ela não iria comigo, mas meu advogado, Jenks iria nos encontrar lá já que era obvio que trataríamos de negócios e contratos, eu perguntei se Rose iria me acompanhar, mas ela estava mais interessada em acompanhar mamãe à ONG.

Dessa forma, eu acabei sozinho em um dos meus carros, a BMW preta, sendo seguido por meus seguranças em outro carro. Dirigir novamente era o máximo, mesmo tendo de ser escoltado e ter de andar com a capota do carro baixa, já era bom demais poder usufruir um pouquinho que fosse da liberdade que me foi roubada quando acabei preso.

Os abutres, mais conhecidos como paparazzis, estavam do lado de fora do meu condomínio. Eu tive de dirigir mais do que seria necessário para chegar a Swan Productions para poder despistá-los, por sorte consegui e acabei chegando lá sem nenhum deles atrás de mim.

Consegui entrar com a BMW na garagem do subsolo do prédio, pelo menos Isabella tinha avisado o time Swan dela da minha ida para a produtora e minha entrada estava liberada. Coloquei o carro na melhor vaga que encontrei, por mais que no meu interior tudo que queria era dirigir correndo para longe daquele lugar.

Não conseguia acreditar em mim mesmo, indo me unir a uma Swan. Eu deveria ter ligado para Caius, implorado a ele para voltar a ser meu empresário, não ter implorado para Isabella, aquilo era muito errado.

Ainda estava no interior do meu carro, debatendo se deveria mesmo subir e ir até a Swan, ou se deveria correr para bem longe dela, quando vi uma Mercedes entrar na garagem, parando quase na frente do meu carro. Lá dentro eu podia ver Isabella, junto ao seu namoradinho, os dois conversavam e por fim se beijaram.

Um beijo bem sem graça, diga-se de passagem. Até eu três meses preso numa clinica de reabilitação tinha tido mais ação, com a minha mão, okay, mas era muito mais emocionante que o beijo daqueles dois.

Sai do carro, apoiando-me na BMW, deixando com que minha nada querida empresária me visse ali. Ela também não pareceu muito contente com a minha presença, mas se obrigou a sair da Mercedes e seu namorado saiu junto. James, o mestre cuca, contornou o carro e abriu a porta para Isabella, então os dois caminharam de mãos dadas até mim.

— Que bom que chegou cedo, Cullen! — a Caipira Filha alfinetou. Ela usava grandes óculos de Sol aquela manhã, assim como uma calça jeans apertada, all star, uma regata cinza e uma camisa quadriculada por cima, nas cores amarela e preta, o que a deixava parecendo uma abelha.

— James Klein — o homem se apresentou para mim, estendendo uma mão em minha direção, lançando-me um sorriso cordial.

— Ed Cullen, mas obviamente você me conhece — falei, ignorando sua mão. — Todos me conhecem, claro!

— Bem que você disse que ele era mesmo bem convencido, Baby — James sussurrou para Isabella, mas óbvio que consegui ouvir.

— Eu disse, não? — Isabella falou com ele, dando uma risadinha perversa, eu quis surtar naquele momento com ela, mas me contive, antes que tivesse de implorar outra vez para a mulher ser minha empresária. — Falo com você depois, Jimmy. — O beijou brevemente.

— Pegue leve com o Ed, Bella — ele pediu, rindo também, soando como uma hiena. — Se ela ficar muito irritada, provavelmente é fome — falou para mim, como se eu me importasse com qualquer coisa vindo de Isabella, só queria que ela cuidasse da minha carreira e pronto, por mim ela podia embarcar na nave de Zoe e voltar pro planeta de onde sua personagem tinha vindo.

— Nós podemos ir logo resolver o que importa, Isabella? — a questionei, ganhando um olhar mortal da mulher, mas pouco me importei.

— Melhor vocês irem logo, devem ter muito trabalho a fazer — James falou, dando um beijo na bochecha da namorada. — Eu tenho de ir trabalhar também.

— Não se canse muito, você ainda está no fuso da costa leste — Isabella disse para ele, impressionantemente soando preocupada com seu namoradinho, a mulher tinha mesmo sentimentos? Era um milagre! — Vem, Cullen! — Estalou seus dedos na frente do meu rosto, afastando-se de mim e do mestre cuca.

Qual era a ideia dela com aquilo?

— Agora é a hora que você a segue, Ed — James falou para mim, mal escondendo um sorriso.

Resmunguei qualquer coisa para o loiro, indo atrás da namorada irritante dele. Isabella esperava por mim junto ao elevador da garagem, mantendo a porta aberta.

— Você teve um bom fim de semana, Cullen? — Isabella me perguntou com deboche em sua voz, entrando no elevador comigo e apertando no botão do destino.

— Sim, assisti um bom filme, Princesa Audrey — debochei de volta, vendo pelo espelho do elevador Isabella ficar vermelha. — Eu só quero ser uma garota normal — cantei, querendo provocá-la ainda mais.

— Morra, Edward! — Isabella resmungou, remexendo em sua grande bolsa e tirando saltos altos de lá, ela jogou a bolsa para mim, enquanto livrava-se dos tênis e colocava os saltos.

— Pra que isso? — perguntei confuso, quando ela socou os tênis da bolsa e tirou a camisa xadrez, ficando apenas na regata que marcava seus peitos.

Pequenos, não valiam a pena, James estava bem mal servido.

— Produção, foda-se, você é tão idiota! — Jogou seus cabelos para o lado, ficando pronta quando o elevador chegou ao andar previamente escolhido por ela.

— Você... — Não tive tempo de debater com ela, as portas do elevador já se abriam e Isabella passou por elas prontamente após arrancar sua bolsa das minhas mãos.

Obrigado a segui-la, deixei o elevador também. Uma loira alta — eu tinha verdadeira predileção por loiras, diga-se de passagem — e muito gostosa, levantou-se de trás de uma mesa, andando até Isabella.

— Bom dia, Bella...Oh, Deus! — a loira soltou um gritinho agudo a me ver. — E-Ed, você está mesmo aqui!

— Recomponha-se, Irina! — Bella ordenou, pegando a pasta das mãos da tal Irina.

— Oi, tudo bem com você? — Eu não me aguentei, depositando um beijo na bochecha da loira, ela cheirava bem e tinha grandes peitos, eu queria foder e Irina parecia muito tentadora para essa missão.

— E-Eu, a-ai — ela continuou gaguejando.

— Nem pensar, Cullen, fique longe da minha assistente. — Isabella me puxou para longe de Irina, sua mão ao redor do meu pulso era firme, ela poderia ser pequena, mas era forte. — Irina, mande Tanya até mim o quanto antes — ordenou uma última vez para a loira gostosona, antes de me arrastar até o que eu deduzi ser sua sala.

— Você sabe, eu não posso ficar longe da sua assistente quando ela é tão gostosa... — Calei a boca quando vi Isabella pronta para dar um tapa na minha cara, vindo dela já não duvidava de mais nada.

— Seu advogado está vindo? — Ela jogou sua bolsa sobre um sofá no canto da sala, seguindo até a cadeira atrás da mesa de vidro que ocupava o centro do local.

— Claro que está, eu não seria louco de vir até aqui sem um advogado para me proteger legalmente de você — falei distraidamente, olhando para os quadros que ela tinha nas paredes de sua sala. Além dos do Caipira Swan, que fiz questão de não olhar, podia ver quadros com o logo da produtora, quadros de Riley Biers e Kate Allen. — Ela é gostosa. — Apontei para o quadro de Kate.

— Você precisa de sexo — Isabella declarou, obviamente não era uma pergunta.

— Desesperadamente, eu não aguento mais masturbação. — Voltei meu olhar para a Swan, que estava distraída com a pasta de antes. — Não posso mesmo foder sua assistente?

— Não, mantenha seu pau pequeno longe da Irina.

— Meu pau não é pequeno! — exclamei revoltado. — Pequeno deve ser o do seu namoradinho. — Isabella me encarou. — Você sabe, Klein é a palavra em alemão para pequeno.

— Como diabos sabe disso? — perguntou surpresa.

— Que o pênis do seu namorado é pequeno?

— Não, Edward! — gritou, revirando os olhos castanhos. — O significado de Klein.

— Fácil, eu estudei alemão quando era criança.

— Isso sim é uma coisa que eu não sabia — ela continuava me olhando surpresa. — Sério mesmo?

— Sim, por que eu inventaria isso? — resmunguei, indo sentar em uma das cadeiras vagas diante sua mesa. — Também sei francês, só para que fique registrado e um pouquinho de espanhol.

— Ótimo, se sua carreira fracassar pode virar professor de línguas — falou, voltando sua atenção para a pasta com documentos a sua frente.

— Eu sou muito bom com a minha língua — sussurrei, Isabella abafou uma risada, mas não pode conter um sorrisinho com o que me ouviu dizer.

Recostei-me a cadeira que estava sentado, ela era de rodinhas, então comecei a girar nela, sem ter o que fazer enquanto esperávamos por Jenks. Eu estava girando, quando vi outra loira entrar na sala de Isabella, odiava a Swan, mas ao menos a Swan Productions estava bem servida com loiras gostosas.

Em um movimento rápido me coloquei de pé, indo até a nova loira, que me olhou de cima abaixo, obviamente gostando do que via.

— Olá, eu sou Ed...

— Deixe-me poupá-lo, Edward — a loira, que devia ter mais de vinte e cinco facilmente, botou a mão em meu peito, impedindo-me de ir beijar o rosto dela como eu estava prestes a fazer. — Sou Tanya Denali, casada, certo? Não adianta tentar jogar suas cantadas baratas para cima de mim, eu não vou pra cama com você.

Isabella gargalhou de seu lugar, soando como a perfeita diaba que ela era.

— Não, eu não estava querendo te cantar — falei, tentando não parecer envergonhado por ter sido dispensado.

— Sim e eu sou virgem — Tanya debochou, Isabella riu ainda mais.

Foda-se, elas eram uma dupla do mal.

— O advogado do Ed chegou, vamos para a sala de reuniões? — Tanya falou com Isabella. — Aliás. — Se voltou para mim. — Sou uma das responsáveis pela Swan Productions, então é melhor não ficar me cantando, ou eu vou ferrar com seu contrato. Mas. — Tanya sorriu largamente. — Se você se comportar eu prometo que estará em boas mãos.

— É, Tanya tem ótimas mãos — Isabella falou, surgindo ao meu lado, empurrando-me para fora da sua sala.

— Cala a boca, Bella. — Tanya corou um pouco.

— Não precisa me empurrar, eu sei andar só, Bella — falei para a Swan experimentando a sonoridade do seu apelido.

As duas me levaram para uma sala de reuniões, onde Jenks estava sendo servido com café pela assistente gostosa de Bella. Eu não tive tempo de voltar a tentar algo com I...Sabe-se lá como ela se chamava, já que logo estava sendo jogado em uma cadeira junto de Jenks — por Bella, claro —, enquanto ela e Tanya iam sentar juntas do outro lado da mesa.

— É bom vê-lo, não criou nenhuma confusão, né? — Jenks perguntou para mim, analisando-me por trás de seus óculos de grau.

Jenks era um homem negro, gordo e que levava muita grana de mim já que eu precisava de um advogado constantemente para me tirar dos apuros com a justiça. Eu já tinha pagado uma fortuna em honorários para o homem, ele algum dia iria acabar tendo de me emprestar grana para que eu pudesse pagá-lo.

— Já mataram as saudades? Temos muito o que fazer — Bella disse impaciente, o que era bem característico dela.

— Aqui, Ed. — A assistente colocou uma cópia do contrato a minha frente.

— Obrigado. — Deslizei uma mão por suas costas, estava quase alcançando sua bunda empinada quando Isabella chamou por mim.

— Edward!

Rapidamente tirei minha mão da assistente.

— Não me obrigue a te fazer implorar novamente, Cullen — Bella declarou para mim, abrindo a cópia do contrato que tinha, começando a falar sobre ele com Jenks.

Suspirei, estava tornando-se real e legal, Isabella Swan seria minha nova empresária. Não tinha mais escapatória, ela iria estar por perto quando deveria estar longe, bem longe.

Meu olhar se encontrou com o dela, enquanto Tanya explicava algo do contrato para Jenks. Bella deu um sorrisinho para mim, na versão dela aquilo parecia ser um sorriso encorajador, o que me fez sorrir de volta.

Ela tinha me prometido o topo, só podia esperar que cumprisse com sua palavra.

xoxoxo

A reunião com Jenks durou cerca de duas horas, longas duas horas. Porém, quando chegamos ao fim daquilo, eu tinha um contrato com a Swan Productions, eles tinham oficialmente tornado-se a produtora por mim e Isabella Swan minha empresária.

Tudo que eu queria após aquela reunião extensa era cair fora daquele prédio, mas claro que Isabella tinha outros planos para mim. Ela e Tanya dispensaram Jenks rapidamente, então me mantiveram na sala de reuniões comigo.

— Nós estamos pensando em uma coletiva de imprensa — Tanya falou, fazendo anotações em seu tablet, Bella estava mais concentrada em rabiscar em uma folha de papel avulsa.

— Quando pensaram nisso?

— Diferente de você nós passamos o fim de semana trabalhando, Cullen — Bella proclamou.

— Não fiz nada porque você me proibiu — lembrei bravo.

— Ei, foco! — Tanya ordenou. — Coletiva de imprensa, Ed, como se sente com isso? Já está pronto?

— Não.

— Resposta errada. — Bella suspirou, olhando para mim. — Não pode fugir da imprensa por muito tempo.

— Você fugiu — rebati.

— Não é da sua conta o que fiz, ou não, Edward. — Vermelho cruzou o rosto de Isabella.

— Bella, Ed, foco! — Tanya repetiu.

— Ele vai dar uma coletiva de imprensa, na sexta-feira — Bella falou para Tanya, sem se preocupar com o que eu estava pensando.

— E que merda eu falarei nessa coletiva? Não há novidade nenhuma na minha carreira.

— Há sim, nós iremos até sua gravadora amanhã começar a preparar tudo para seu novo álbum. — Bella voltou aos seus rabiscos. — De qualquer forma, você vai ter de responder perguntas pessoais.

— Nem fodendo.

— Quanto antes você responder as perguntas mais rápido se livrará delas, Edward — Tanya interviu.

— Tá okay, vocês querem me convencer que com essa coletiva a merda da imprensa vai me deixar em paz? Eu bem sei que não é assim, posso apostar que ainda tem gente te enchendo o saco sobre o Escândalo Swan, Isabella, ou fazendo perguntas sobre...

— Vamos logo para a sessão de fotos, nós cuidamos do resto ao longo da semana — Bella me interrompeu, colocando-se de pé.

— Sessão de fotos?

— É, nós precisamos de fotos novas suas para material de divulgação. — Tanya se levantou também.

— Por que não usam fotos antigas?

Isabella revirou os olhos, parecendo muito perto de explodir, literalmente de raiva.

— Ed, seja compreensível e fique quieto — Tanya pediu, a fala gentil dela até disfarçou sua ordem, Bella poderia treinar como ser mais simpática com sua amiga.

— Eu preciso mesmo tirar essas fotos? — falei diretamente com Tanya.

— Precisa, prometo que não vai demorar muito. — Apontou para a porta, eu me vi obrigado a levantar e seguir para fora da sala de reuniões com elas duas. — Tenho de ir me encontrar com Kate em...

— Você está nos deixando? — perguntei indignado com Tanya partindo, preferia mil vezes ter de lidar com ela do que com Isabella.

— Eu preciso, Kate irá participar de um almoço beneficente e eu irei com ela.

— Não choramingue, Ed, eu estou aqui. — Agindo novamente como se eu fosse um boneco, Bella me arrastou até o elevador.

O prédio da Swan Productions tinha sete andares, divido para abranger a necessidade dos três...Quer dizer, quatro artistas já que eu tinha assinado o contrato, que eles agenciavam. Incluso no prédio estava um para ensaios e outro um estúdio fotográfico, minha maior vontade era ir para o andar onde eu poderia tocar e cantar, mas Bella me levou para o de fotos, revoltante.

A equipe fotográfica já estava ali, alguns pareceram empolgados a me ver, mas outros que já deviam ter mais tempo de Los Angeles onde estavam cercados de famosos lidaram naturalmente comigo enquanto Bella ia me apresentando. Certo, eu esperava por mais ataques histéricos, mas tudo bem se eles estavam contendo-se de surtarem na minha presença.

— Bella, eu trouxe as roupas que pediu — uma garota baixinha, de cabelos cor de mel, aproximaram-se da gente, arrastando uma arara com roupas e sapatos.

— Excelente. — Bella começou a remexer ali. — Leve o Edward para a maquiagem.

— Devemos fazer a barba dele?

— Não, não, mantenha — Bella respondeu, distraída com a roupa.

— Certo, vem, Edward — a garota chamou por mim.

Já estava acostumado a ser maquiado, no começo, ainda no reality que participei, era estranho passar maquiagem, mas com o tempo aceitei que era normal. Além do mais, aquilo era uma mão na roda quando eu estava uma merda e precisava de uma aparência melhor, como naquela segunda-feira.

— Um pouco menos de brilho. — Ouvi a voz de Bella próxima de mim, enquanto eu recebia a maquiagem, estava quase dormindo sentado naquela cadeira confortável. — Não queremos que ele fique parecendo um pote de glitter.

— E o cabelo? — a mulher cuidando da maquiagem perguntou.

Bella suspirou, ela mandou alguém se afastar e senti mãos em meus cabelos. Por um segundo eu gemi, as mãos em questão proporcionaram uma boa onda de satisfação por meu corpo ao deslizarem por minha cabeça.

— Não goze com isso, Cullen — Bella sussurrou no meu ouvido, logo percebi que era ela mexendo em meu cabelo. — Você se envergonharia.

— O quê? — Abri meus olhos, a maquiadora espalhou mais pó no meu rosto e se afastou. Pelo espelho vi Isabella atrás de mim, suas mãos percorrendo meus cabelos, os deixando mais bagunçados do que já eram naturalmente.

— Se você quer domá-los vai precisar de muito gel, Zoe — provoquei, quase pedindo que ela massageasse meus ombros já que suas mãos eram bem eficientes ao menos na minha cabeça.

— Não me chame assim — ela resmungou. — E não quero domá-los, não ainda, estou pensando se eles merecem um corte.

— Não faça isso! — implorei, ela sorriu malignamente para mim pelo espelho, mas tirou as mãos de meus cabelos.

— Estou mantendo a tesoura longe, ao menos hoje — falou, apoiando suas mãos em meus ombros, analisando meu rosto atentamente pelo espelho. — Você precisa engordar.

— Vá se fo...

— Olha a boca! — Bateu no meu braço, impedindo-me de completar meu xingamento. — Vá se vestir, não quero perder muito tempo com você.

— Eu pago seu salário.

— Tecnicamente ainda não vi centavo nenhum vindo de você, já gastei bem mais do que ganhei — falou, pegando uma sacola com roupas das mãos da garota de antes e tênis da Nike — Tem um camarim bem ali. — Apontou para uma porta no canto do estúdio. — Seja rápido!

— Sua assistente não pode ir me ajudar?

— Edward, vá! — Bella tornou a apontar para a porta, sem embarcar na minha brincadeira.

Fui até lá, tirando minhas roupas — que não eram nada mais do que uma camiseta branca com uma estampa qualquer e calça jeans — para me vestir com o visual escolhido por Isabella. Calça jeans de tom azul escuro, tênis preto e branco, uma camiseta preta com detalhes em branco e uma jaqueta marrom bem escura.

Assim que terminei de me vestir deixei o camarim, Bella me rodou, procurando algo que a desagradasse, ela criticou o fato de eu estar magro, mas não falou nada de novo. A fotógrafa da Swann Productions era Ângela Weber, uma mulher magrela e alta demais, de longos cabelos negros e óculos de grau grossos, nada atraente.

Fui posicionado junto ao fundo branco, com luzes, refletores e tudo mais me cercando. Isabella estava junto de Ângela, por um minuto de inocência pensei que ela não falaria nada, mas estava enganado.

— Não, essas fotos estão péssimas, Ângela — Isabella falou para todos ali ouvirem, olhando para as fotos que estavam sendo enviadas diretamente para um computador.

— Mas, Bella — Ângela tentou se justificar.

— Não preciso de fotos sem graça, se eu precisasse de fotos sem emoção eu pegaria a foto da carteira de motorista do Ed, quero fotos com emoção, trabalhe nisso.

— Certo, certo — Ângela concordou prontamente. — Ed, pode sorrir, por favor.

Respirei fundo, colocando um sorriso no rosto, até eu me incomodei por ser tão falso.

— Não, não, está tudo errado! — Bella exclamou, parecendo bem decepcionada. — Posso? — estendeu sua mão para a câmera de Ângela, que prontamente passou o aparelho para ela.

A Swan assumiu o lugar da fotógrafa, ajustando a câmera, antes de se voltar para mim.

— Me dê um sorriso real, Cullen — ordenou, eu sequer consegui forçar um sorriso para ela.

— Preciso que se esforce, Edward!

— Eu estou me esforçando — menti.

Bella andou até mim, que estava sentando em um banquinho.

— O que quer? — indagou.

— Como assim?

— O que quer? — repetiu a pergunta.

— Sei lá, acho que quero ir ao espaço que vocês tem aqui para ensaios, tem um palco, né?

O rosto de Isabella ganhou um sorriso.

— Nós temos um palco sim!

Ela se voltou para o resto da equipe.

— Mudança de planos, nós iremos fazer as fotos lá em cima no espaço para ensaios.

Logo todos começaram a se mover, nem me surpreendi quando Bella me arrastou para o outro andar. O andar inteiro era voltado para ensaios, uma grande pista, um palco de tamanho médio e uma boa acústica.

Sobre o palco podíamos ver baterias, violões, guitarras, um teclado e outros instrumentos. Minhas mãos coçaram para tocar, mas sabia que estava ali somente para fotos.

A equipe começou a preparar a iluminação, seguindo as ordens de Bella que parecia a capitã de um time falando o que cada um tinha de fazer. Eu segui até um dos caras com notebooks, pedindo que eles colocassem música para tocar e preferencialmente músicas que não fossem minhas. Não que não gostasse do que cantava, eu gostava, mas queria algo diferente.

— Quem colocou música? — Bella perguntou confusa, quando foi me chamar para as fotos.

— Eu, Capitã. — Assumi a culpa.

— Do que me chamou?

— Capitã, você sabe, como...

— Tanto faz, vamos logo, suba no palco, Ed.

Sem precisar de uma segunda ordem, eu subi no palco. Antes que eu fizesse qualquer pose, já podia ouvir Bella — que tinha se apossado da câmera de Ângela — disparando cliques.

— Escolha algum instrumento — ela sugeriu, eu rapidamente fui para o teclado, mesmo já de olho em um dos violões.

A Swan subiu no palco comigo, tirando fotos de mais de perto. Fotos com cada instrumento, ou apenas fotos minhas circulando entre eles, ela parecia contente com o resultado, pois não estava dramatizando sobre elas.

— Well, shake it up baby now (Bem, agite seu corpo baby, agora). — Com um dos violões em mãos, eu comecei a acompanhar a música que tocava naquele momento, Twist and Shout que tinha ficado famosa com os Beatles e ainda mais depois de fazer parte da trilha sonora de Curtindo a Vida Adoidado nos anos oitenta.

— Twist and Shout (Gire e grite) — Bella cantou comigo, continuando a tirar as fotos, ela cantava bem, muito melhor do que quando era a Zoe, a Princesa Audrey ou qualquer outra personagem sua no passado. — Come on, come on, come, come on baby now (Venha, venha, chegue, venha agora baby) — cantamos juntos, eu me empolguei para valer com o violão, tocando a música com vontade, não tocava ou cantava de verdade desde a internação, meu corpo e minha alma sentiam falta daquilo.

Na hora nem prestei atenção em Isabella deixando o palco, ou nas pessoas lá embaixo, apenas continuei cantando e tocando. Eu me sentia bem pra caralho fazendo aquilo, a música ainda era minha maior paixão.

— Cullen, só mais uma foto e eu te libero da função modelo — Bella falou para mim quando a música chegou ao fim. — Deixe o violão ai, venha e deite-se aqui, olhando para cima. — Indicou a lateral do palco, onde estava próxima.

Já bem mais relaxado, a música fazia aquilo comigo, obedeci às ordens da Capitã. Bella tirou a foto que queria, cumprindo com sua palavra me dispensou das fotos. Ela foi até o computador ver as fotos, enquanto eu ia de volta para o violão, estava dedilhando uma das minhas músicas, quando Bella me chamou.

Larguei o violão, mesmo que isso tenha doido e fui até Bella. Ele mexia em seu celular, o estendeu para mim assim que cheguei perto dela. Identifiquei tudo rapidamente, o Instagram da produtora, a última foto tirada e uma legenda embaixo que dizia:

"É com grande honra que a equipe da Swan Productions sauda nosso mais novo integrante: Ed Cullen. Preparem-se, grandes novidades estão por vir!"

— Posso publicar?

— Vá em frente — permiti.

Bella jogou o post na internet, não tinha mais escapatória, todos saberiam da nossa parceria.

— Você foi excelente nas fotos, o que acha de um almoço?

— Vai estar envenenado? — perguntei, a seguindo até o elevador antes que ela pudesse começar a me arrastar.

— Ainda não, como disse, você foi um bom modelo.

— E você roubou o lugar da sua fotógrafa.

— Ela que aprenda a tirar fotos melhores, ou será demitida.

— Deus, você é um monstro. — Isabella apenas deu de ombros.

Seguimos em silêncio até sua sala, ela apenas falou com sua assistente, mandando a mulher pedir comida para nós dois do restaurante do namoradinho descendente de alemães. Eu só tive tempo de dizer se tinha alguma alergia alimentar, se queria frango, carne ou peixe, logo sendo rebocado para a sala de Bella.

A Swan assumiu seu lugar, me deixando ficar na cadeira diante sua mesa. Ela logo se distraiu com seu celular, falando como os números no Instagram estavam crescendo com a minha foto publicada.

— Olha só. — Passou seu celular para mim, eu nem me importei em ler os comentários, temendo o que veria ali, mas as curtidas estavam realmente em alta e no instante que estava vendo a foto, vi a curtida de uma das irmãs de Isabella, Ness. O que me fez pensar na outra irmã, a Alice, que com certeza era a gostosa da família.

— Quando vou poder conhecer sua irmã? — indaguei, ganhando um olhar sério de Isabella.

— Do que está falando, Cullen?

— Da Alice, eu vou poder conhecê-la? Eu ia adorar conhecê-la! — Sorri maliciosamente ao dizer aquilo, pensando na filha do meio dos Swan.

Isabella abriu a boca para falar, mas se interrompeu quando ouvimos a porta se abrir. Eu olhei para trás, deparando-me com uma mulher lá.

— Você! — Bella exclamou irritada, olhei para ela, vendo a minha empresária se levantar, encarando com raiva a mulher parada a sua porta. — O que você está fazendo aqui?