Capítulo Nove

Isabella Swan

"Ed Cullen está de volta!"

Eu não voltei de uma vez à mídia, foi um processo em diversas etapas.

Primeiro, logo depois do escândalo, eu me tranquei na casa da família e me recusava até sair para a piscina que fosse, temendo qualquer tipo de vislumbre que a imprensa pudesse ter de mim. Então, teve a overdose e inevitavelmente a mídia me encontrou, depois disso passei alguns meses na reabilitação.

Quando sai de lá eu deixei Los Angeles para trás, querendo um pouco de paz e fugir de toda aquela merda que vinha junto com aquela cidade. Consegui um pouco de calmaria, enquanto viajava por ai com Tanya. Nunca dava para fugir cem por cento daqueles perseguidores, o que fazia com que vez ou outra eles me achassem.

Depois, o retorno definitivo para Los Angeles quando me tornei a empresária de papai. Desde então, a mídia estava de novo em meus calcanhares.

Naquela tarde de sexta-feira, era a vez de Ed Cullen voltar de vez à mídia. Eu só podia esperar que ele fosse forte, pois à volta ao topo nunca era doce.

xoxoxo

Eu tinha um lugar reservado na frente de uma tela exclusiva, os outros na sala anexa ao auditório podiam ver a coletiva por um telão instalado ali. Enquanto isso, eu estava compenetrada no meu trabalho, fones de ouvido, um pequeno microfone preso em minha roupa e os olhos fixos em Edward, pronta para socorrê-lo caso algo desse errado.

Vi ele e Tanya tomarem seus lugares a mesa disposta no palco do auditório, que já estava cheio pelos jornalistas que tínhamos selecionado para participar daquela coletiva. Tanya e eu tentamos ser o mais cuidadosas possíveis naquela escolha, mas nos sabíamos muito bem o poder da imprensa de foder com alguém e nosso trabalho era cuidar para que Ed passasse por aquilo o mais ileso possível.

— Continue sorrindo, Betty — falei para Edward, pela tela vi o sorriso dele vacilar ao ouvir o apelido, mas eu não podia deixá-lo parar de sorrir, ainda não era o momento para expressões diferentes. — Você sabe o que dizem, para espantar o nervoso do palco imaginem que todos estão nus — brinquei, o sorriso de antes voltou, enquanto ele se arrumava a mesa e era fotografado intensamente.

Eu não gostaria de estar na pele dele naquele momento, mas estava na cabeça graças ao ponto.

— Nós gostaríamos de agradecer a presença de vocês aqui hoje — Tanya se manifestou pela primeira vez, falando ao microfone diante de si. Ela tinha um sorriso gentil no rosto, por isso de nós duas era a pessoa naquela posição, Tanya era ótima com o grande público, coisa que eu não lidava mais tão bem desde que fui jogada de lado por Hollywood. — Pedimos a colaboração de vocês para que a coletiva seja o mais agradável possível, Edward irá responder ao máximo de perguntas possíveis.

Eu o vi engolir em seco enquanto Tanya falava, mas ainda estava mantendo o sorriso no rosto.

— Agora você ira dizer um oi para todos e falar o quão grato está — o orientei. — Mexa em seus cabelos.

— Olá! — Edward cumprimentou todos, passando a mão pelos cabelos como indiquei. — Eu queria declarar o quão grato estou por vocês terem vindo aqui hoje, como Tanya disse tentarei responder o máximo de perguntas, espero que peguem leve comigo. — Piscou para os jornalistas diante de si e eu sabia que as mulheres e os homens ali que curtiam caras tinham gostado daquilo.

— Podemos começar? — Tanya perguntou para Edward, ele assentiu com um aceno de cabeça para ela.

Minha amiga escolheu o primeiro jornalista, que se colocou de pé com um microfone em mãos. Era um homem, representando um site de musica, só que sabia que não pegaria leve coisa alguma.

— Ed Cullen por que você bateu naquele fotografo?

O sorriso de Edward morreu, ele obviamente ainda não estava cem por cento pronto para lidar com aquilo. Mas, precisava, ele tinha de passar por toda aquela merda e seguir em frente, o passado precisava ficar no passado.

— Repita comigo — falei para ele. — Eu não estava em perfeitas condições mentais quando agredi o senhor Newton — comecei, ouvindo Edward repetir cada palavra, sua voz era suave ao microfone, ele ao menos podia controlá-la muito bem. — Estava passando por uma fase complicada, que me levou ao extremo e fez com que eu cometesse aquele ato bárbaro. — Edward demorou para repetir aquilo, mas obedientemente repetiu.

— E você se arrepende? — o mesmo jornalista indagou, eu duvidava de que a resposta sincera de Edward seria uma negativa, mas ele tinha de mentir.

— Diga que está totalmente arrependido.

— Eu me arrependo disso a cada segundo. — Edward suspirou ao terminar de falar, soando mais convincente do que eu imaginei, Tanya tinha o preparado bem no fim das contas. — Gostaria de poder voltar no tempo e consertar o que fiz.

— Desculpe-se com o fotografo — mandei, vendo o Cullen torcer o nariz. — Faça isso!

— Gostaria também de pedir desculpas públicas a Mike Newton por aquela noite, ele estava fazendo apenas seu trabalho e eu fui imprudente e um péssimo exemplo. Nós já temos todas nossas dividas judiciais acertadas, mas quero que ele saiba que realmente me sinto mal por o que fiz e espero ser desculpado por isso.

— Obrigada, Victor, nós vamos para o próximo agora — Tanya disse para o jornalista, que se sentou enquanto ela escolhia o próximo, daquela vez uma mulher.

— Ed, você usou drogas aquela noite, por quê?

Porque ele era viciado, sua estúpida.

Edward engoliu em seco novamente, mexendo-se desconfortavelmente na cadeira, mas nos dois sabíamos que iriam tocar naquele assunto e logo no começo, era o que todos queriam saber.

— Você consegue sair dessa só? Mexa no cabelo para não.

Ele mexeu.

— Diga que você tomou decisões erradas em sua vida, que seu envolvimento com drogas foi uma delas.

— Eu tomei escolhas erradas na minha vida — Edward começou a falar. — Com certeza usar drogas foi uma delas, não é algo que me orgulho e me arrependo muito disso.

— Aquela noite foi mais uma onde errei, onde me deixei sucumbir a drogas.

— Naquela noite, eu usei drogas sim e acabei brigando com Mike Newton, foi um erro completo.

— Sim, mas por que as usou se sabe muito bem o que elas podem causar? — a mulher o desafiou, eu senti vontade de socar a cara dela.

— Eu era uma vitima.

Edward negou ao ouvir o que eu disse.

— Foda-se, fale logo, Cullen.

— Não — murmurou, mas o microfone diante dele captou aquilo.

— Não estrague tudo, Betty! — Ele respirou fundo.

— Eu sei muito bem o que drogas podem causar, tive amostras disso ao vivo, mas sucumbi a elas, sou uma vitima do vicio — falou por fim. — As usei aquela noite como já afirmei, cometi a agressão e paguei por isso.

— E você se acha pronto para voltar às ruas? Acha que é seguro que a sociedade...

— Ed está muito bem — Tanya interrompeu a mulher rapidamente. — Ele passou por seu tratamento, está focado em sua carreira e não voltará às drogas.

— Só tem uma semana que ele deixou a reabilitação, ele pode ter uma recaída a qualquer momento — a mulher insistiu.

— Ele não vai — Tanya garantiu.

— Fale que prometeu a sua família manter-se afastado das drogas, diga também que por seus fãs ira manter-se limpo — falei para o Cullen, que estava visivelmente nervoso com tudo aquilo, remexendo-se sem parar na cadeira.

— Eu prometi a minha família que ficaria longe das drogas, assim como prometo agora diante as câmeras e diante todos vocês, que por meus fãs, irei me manter limpo — Edward falou, mantendo a suavidade em sua voz. — Não é um trabalho fácil, todos aqui sabem o quão difícil e um tratamento desses, mas tudo que quero agora e para sempre é voltar a minha música.

— Próximo! — Tanya praticamente cantarolou, chamando o próximo jornalista.

— Como foi sua passagem pela clinica de reabilitação, Ed?

— Foi horrível — ele começou a falar antes que eu pudesse abrir a boca, o que me desesperou.

— Cullen! — Edward me ignorou, continuando a falar.

— Não há porque mentir e dizer que foi um período agradável da minha vida, certamente não foi. Mas, foi um tempo de pausa necessário, ele me fez melhorar de mil formas diferentes, com toda certeza para melhor.

Respirei aliviada, ele não tinha ido mal naquela.

— Eu deixei a clinica mais disposto, fisicamente e mentalmente — continuou. — E certamente mais maduro, daqui para frente o Ed Cullen inconsequente de antes não existe mais.

Foda-se, ele estava me surpreendendo.

— Todos te vimos como um jovem inconsequente nos últimos anos, querendo ou não isso foi sua glória e sua ruína, não acha que essa mudança ira levá-lo para o fim definitivo da sua carreira.

— Fale sobre seus fãs.

— Acredito que meus fãs de verdade continuarão ao meu lado, mesmo com minhas mudanças. Eles sempre foram como uma família para mim, desde a época do The Star, eu acredito e espero que eles continuem comigo agora nessa nova fase.

— Falando sobre sua família — o jornalista seguinte começou. — Como vai a relação com seu pai?

Edward empalideceu, seus ombros caindo.

— Pode pular essa se quiser — sugeri, eu também odiava quando me perguntavam sobre Renée, entendia o Cullen.

— Esta tudo bem — Edward falou, não sabia se para mim ou se para os jornalistas. — Eu tenho uma família ótima, eles estão ao meu lado — completou.

— Há quanto tempo não fala com seu pai? Fontes próximas a você revelaram que ele não lhe visitou um dia sequer na clinica de reabilitação.

— Posso garantir que está tudo muito bem entre meu pai e eu — Edward forçou um sorriso, ele mesmo escolheu o próximo jornalista, querendo fugir logo daquilo.

— Ed, o que tem para nos falar sobre sua ex noiva? — A expressão dele endureceu ao ouvir a pergunta, eu me mantive a postos. — Acho que todos querem saber mais sobre o fim do seu relacionamento com Lauren Mallory.

— Seja superficial — instrui.

— Lauren e eu não estamos mais juntos, é tudo que tenho para dizer. — Edward não se importou em fingir um sorriso daquela vez.

— E sobre o novo romance dela com Jacob Black?

— Deseje coisas boas ao casal.

— Eu espero que eles sejam muito, muito felizes juntos — Edward falou debochadamente, eu não contive uma risada por aquilo, mesmo sabendo que deveria estar o freando. — E que me chamem para ser o padrinho do casamento deles.

— Você sabe algo sobre um possível casamento entre eles? — o jornalista perguntou entusiasmado.

— Diga que apenas quer ser o padrinho e sorria.

— Eu apenas espero que eles me chamem para ser o padrinho. — Edward sorriu, passando a mão pelos cabelos.

— Lauren usava drogas com você?

— Não é relevante — Tanya cortou o jornalista.

Mais uma jornalista foi escolhida.

— Ed, como foi para você e a Swan Productions assinarem um contrato?

— Foi simples. — Ele deu de ombros. Deus, tão idiota quando queria.

— A Swan Productions está muito orgulhosa de ter Ed no nosso time — Tanya tomou a palavra. — Temos certeza de que apenas coisas boas resultarão dessa parceria.

— Mesmo Ed no passado ter falado mal de Charlie Swan? — a jornalista inquiriu.

— Elogie meu pai — ordenei para Edward, ele não disse nada, parando para beber um gole da água posta na garrafa a sua frente. — Se você não fizer isso pode dar adeus ao seu cachorro! — ameacei, vi Edward franzir o cenho. — Estou falando sério.

— Charlie Swan e eu tivemos nossos desentendimentos no passado — Edward começou a falar. — Mas isso tudo já foi superado, ele é um excelente artista, estou contente de ambos estarmos sob os cuidados da Swan Productions. Onde todos me receberam muito bem, aliás, obrigada por isso, Tanya — agradeceu a loira ao seu lado. — Também quero agradecer a Isabella Swan por ser minha empresária, ela é excelente.

— Oh sim, todos sabemos que Isabella Swan é uma ótima pessoa — a jornalista debochou, fazendo todos os outros jornalistas rirem.

Vagabunda, qual era mesmo o nome dela? Eu ia acabar com aquela vadia de quinta.

— Passe para o próximo jornalista — ordenei para Edward, furiosa.

— Desculpe, eu não entendi o motivo dos risos — Edward me ignorou. — Você poderia me explicar?

— O quê? Edward, cala a boca! — gritei, colocando-me de pé, sem querer que ele continuasse naquele assunto. — Alguém manda Tanya o cortar! — gritei para o resto da equipe.

— Ela esta sem ponto! — Alguém me avisou.

— Merda, Edward...

— Todos sabemos que Isabella Swan não é uma boa pessoa — a jornalista falou, com um sorrisinho presunçoso no rosto. — Ela com certeza não é a pessoa mais indicada a cuidar da sua carreira, não com o histórico sujo dela, você não teme que isso lhe afete?

— Não, Isabella Swan é uma...

— Cala a boca, Edward! — gritei novamente, ele me ignorou por completo daquela vez, arrancando o ponto de sua orelha, eu ia matá-lo.

— Isabella Swan é uma excelente profissional, uma empresária fantástica, ela tem feito muito por mim mesmo com pouco tempo de contrato assinado entre nos dois — ele voltou a falar, sua voz era dura, séria. — Meu antigo empresário me largou quando as coisas ficaram difíceis, Isabella me estendeu uma mão e abriu as portas de sua agência para mim, eu estou muito agradecido a ela por tudo isso.

— Nós podemos seguir em frente — Tanya falou, claramente tensa com tudo aquilo.

— E quanto ao envolvimento de Isabella com drogas, Ed? Você acha que é seguro estar junto dela enquanto passa por sua própria reabilitação? — a jornalista não deu a mínima para Tanya, continuando a pressionar Ed, eu queria matar aquela mulher.

— Acho que não há ninguém mais seguro no momento para eu estar próximo, Isabella teve seus próprios problemas e os superou, é uma mulher forte e decidida. — Ele sorriu largamente. — Estou muito feliz da Capitã ter me recrutado para o time Swan. — Edward piscou um olho.

— E você assistiu ao vídeo do Escândalo Swan?

Eu voltei à cadeira, sentindo-me péssima, minha cabeça já estava explodindo aquela altura.

— Não — Edward respondeu. — Como acho que ninguém deve assistir, obrigado por suas perguntas, nós vamos dar continuidade a coletiva agora.

— Nós temos um grande anuncio para vocês! — Tanya exclamou empolgada, a jornalista teve o microfone retirado de si por alguém da nossa equipe que estava coordenando as perguntas. — Como vocês já devem estar sabendo, Ed esta mudando de gravadora também, nós trouxemos aqui hoje o representante da nova casa dos próximos álbuns de Ed.

Vi Alistair liberar a saída de Laurent para o palco, então pela tela Ed e Tanya se colocarem de pé, enquanto o homem ia até eles e era aplaudido. Laurent cumprimentou os dois, acenou para os jornalistas e sentou na cadeira vaga junto a Ed.

— Agora todos sabem que a nova gravadora responsável por mim é a Hollywood Records.

Logo escolheram o primeiro jornalista para a próxima rodada de perguntas.

— Ed, por que você rompeu o contrato com a King Music?

— Divergências profissionais — respondeu sozinho, já que não tinha mais a porra do ponto na orelha, só podia torcer para que a preparação que Tanya tinha feito com ele fosse totalmente proveitosa para aquele momento. — Eu sempre terei a King Music como uma etapa importante da minha carreira, mas estava na hora de uma mudança de ares e tenho certeza de que isso será possível com a Hollywood Records.

— Laurent, vocês tem alguma previsão para o lançamento do novo álbum de Ed?

— Ainda não, mas nós entraremos em estúdio com ele logo na próxima semana e esperamos em breve termos novidades para mostrar a todos vocês.

— Você pretende deixar o pop, Ed?

— Não, não mesmo — o Cullen respondeu. — Estou aberto a experimentar coisas novas, ainda assim quero fazer do meu próximo álbum algo que tenha mais de mim nele, algo que remeta ao começo da minha carreira, com uma pegada nova abrangendo a nova fase da minha vida, mas que ao mesmo tempo me leve de volta as raízes. Como disse eu não quero ser mais o jovem inconsequente de antes e veremos isso nas minhas músicas, porém muito do antigo Ed ainda está aqui comigo e posso garantir que apenas as qualidades, eu estou feliz de ter me reencontrado comigo mesmo durante os últimos meses.

— Algum spoiler sobre o próximo álbum? Talvez o nome de alguma canção.

— Não podemos liberar nada ainda — Laurent sorriu ao responder. — Mas sei que Ed terá um excelente colaborador para o seu novo álbum, estou ansioso para trabalhar com esses caras.

— Vocês podem revelar o nome da pessoa?

— Jasper Whitlock — Edward respondeu, sorrindo animadamente, o burburinho na sala começou rapidamente. — Nós nos afastamos por uns anos, como todos aqui devem saber brigamos e tudo mais, só que somos melhores amigos e estamos animados para trabalhar juntos em músicas novas.

— Então isso é mesmo como uma volta as suas raízes — a nova jornalista escolhida falou. — Você e Jasper estão bem agora?

— Melhores amigos novamente. — Edward assentiu.

A coletiva se estendeu por mais uns minutos, finalmente as perguntas sendo sobre algo que realmente importava, a música de Edward. Tanya, Laurent e ele prometeram liberarem novidades em breve, e Ed encerrou anunciando sobre seu show para o fim daquele mês.

— Gostaria de lhes deixar sabendo que ainda esse mês eu farei um show, nós ainda estamos cuidando de tudo e não posso lhes dar muitos detalhes, mas eu estou pronto para voltar aos palcos.

— Isso é tudo, pessoal, muito obrigada por terem vindo! — Tanya agradeceu, ela e Laurent deixando o auditório com Edward rapidamente.

Eu larguei meu posto, indo recepcioná-los na porta da sala.

— Se você descumprir mais uma ordem minha, eu vou matá-lo! — exclamei para Edward, quando ele me passou o ponto que tinha tirado de sua orelha.

— Fica fria, Capitã.

— Não foi a melhor coletiva do mundo, mas finalmente passamos por ela. — Tanya respirou aliviada. — Os jornalistas vão ser levados para um coquetel em outro salão agora, eu vou lá bajulá-los, vejo vocês depois. — Rapidamente deixou a sala que estávamos.

— Eu preciso voltar à gravadora, Bella — Laurent falou para mim, Edward e eu nos despedimos dele, deixando o produtor ir também.

— Como você se sente, filho? — a mãe e irmã de Edward se juntaram a gente.

— Estou bem. — Ele sorriu para elas. — Apenas cansado.

— Melhor ir para casa descansar, você vai ter muito que fazer na próxima semana — alertei, Edward suspirou alto, não parecendo contente com aquilo. — Nem adianta reclamar.

— A frente do hotel está cheia de fãs — Rosalie disse para o irmão. — Estão cantando suas músicas e tudo mais.

— Melhor sairmos logo, para que todos possam ir para casa — Esme sugeriu.

— Não! — Me voltei para o Cullen. — O que acha de finalmente ir encontrar seus fãs, Ed? — Ele arregalou os olhos verdes para mim.

— Tem certeza?

— Absoluta, só alguns autógrafos e fotos, lembre-se que agora você e um bom garoto...

— E um bom garoto atende os fãs — ele completou minha fala. — Vamos nessa.

— Vou preparar a segurança para isso.

Logo eu tinha tudo preparado para Ed ir até os fãs, como era de se imaginar todos ali foram à loucura quando viram seu ídolo de perto. Além dos seguranças do Cullen, eu também fiz com que os seguranças do hotel estivessem lá por ele e foi estritamente necessário, já que tinha muita gente.

Ao menos com os fãs ele se saiu muito bem, fotos, autógrafos, abraços, ele perdeu uns dez minutos naquela. Porém, era bom para a imagem dele, faria o grande público ver como ele estava sendo atencioso, coisa que não acontecia muito desde o começo da sua carreira.

Por fim, quando tudo ali acabou, os seguranças levaram o Cullen de volta para o interior do hotel, então para a garagem para que ele caísse fora dali. Minha equipe e eu também já estávamos de saída, o que resultou numa grande comitiva.

— Ei, chefe! — Alistair se aproximou de mim, enquanto eu parava perto do meu carro para ler uma mensagem de James me avisando que ele estava no meu apartamento esperando por mim.

— Oi?

— O segurança de Ed.

— O que tem ele? — indaguei confusa, olhando em direção ao carro do Cullen. Ele estava entrando no banco de trás, assim como um dos seguranças no banco do motorista.

— O cara que vai dirigir, eu conheço ele, Embry alguma coisa — Alistair falou. — O que importa é que o cara vende drogas. — Encarei o loiro a minha frente. — Inclusive já comprei dele em uma boate — contou com seriedade na voz. — Talvez seja melhor você o tirar de perto do Cullen, antes que seja tarde de mais, isso é, se já não for.

— Merda! — praguejei. — Eu vou cuidar disso amanhã, obrigada pela informação, Alistair.

— As suas ordens, chefe.

xoxoxo

Eu estava exausta quando cheguei ao meu apartamento, tudo que queria era comer algo que com certeza Jimmy tinha cozinhado e dormir. No dia seguinte aconteceria o primeiro show da nova turnê de Riley, eu tinha de estar lá, então só queria aproveitar aquela noite para descansar.

Ouvi a voz de Jimmy vindo da cozinha, chutei meus saltos para longe e segui ate ele. Meu namorado mexia algo em uma panela, enquanto falava com alguém ao celular.

— James? — Ele se virou para olhar para mim, com um grande sorriso no rosto.

— Vou desligar agora, falo com você amanhã — falou para a pessoa com quem conversava.

— Quem era? — perguntei para James quando ele encerrou a ligação.

— Victoria — respondeu, engoli em seco, sentindo ciúmes simplesmente ao ouvir falar nela.

Victoria Gilbert era a melhor amiga de James, eles tinham crescido juntos em New York, eram amigos desde crianças. Eu a detestava, mas tinha bons motivos para isso, uma vez que sempre que estava perto do meu namorado, aquela ruiva nova iorquina ficava olhando para ele cheia de segundas intenções.

James e eu já tínhamos brigado por aquilo, ele afirmava que nunca tinha tido nada com Vitoria, nem teria, que ela era só sua amiga. Eu confiava nele, sabia que ele estava falando a absoluta verdade, mas não confiava nem um pouquinho em Victoria Gilbert, a brilhante economista de New York. Sabia que em algum momento ela daria o bote, mas eu não a deixaria ter meu homem.

— Hum, o que ela queria? — indaguei.

— Apenas conversar — James respondeu. — Ela pretende tirar férias e vir para Los Angeles em breve, mas ainda não sabe exatamente quando. — Pelo menos a cobra continuava morando em New York.

— Legal, legal — resmunguei.

— Baby, já falamos sobre isso. — James desligou o fogo, cruzando o caminho até mim. — Vick e eu somos só amigos, tire qualquer coisa que esteja na sua mente agora.

— Eu não estou pensando nada — continuei resmungando, Jimmy riu, afastando uma mecha de cabelo do meu rosto.

— Como foi seu dia?

— Uma droga — reclamei.

— Sim, eu vi alguns comentários sobre a coletiva, pelo menos isso já passou.

— É, pelo menos isso, mas... — James me calou com um beijo, o que me pegou de surpresa, mas adorei ainda assim.

— Eu pensei em você o dia inteiro, Bella — falou, movendo seus lábios ate meu pescoço, distribuindo beijos na minha pele que estava começando a esquentar por conta dele.

Suas mãos foram até minha cintura, puxando-me para ele. Eu gemi alto quando James chupou meu pescoço, enquanto deslizava uma mão para o interior da minha roupa, já tocando em mixa coxa.

— James, por favor — implorei, apertando meus dedos em suas costas.

— Por favor o que? — perguntou, descendo seus beijos para o decote que meu vestido proporcionava.

— Me fode — pedi, já me sentindo excitada somente com seus beijos.

James me ergueu, rapidamente me sentando em cima da mesa da cozinha. Suas mãos ágeis levaram meu vestido para longe do meu corpo, o deixando cair no chão e fazendo com que eu ficasse apenas de lingerie.

Sua boca voltou a minha, em um beijo que tinha gosto de vinho. Eu me agarrei a ele, contornando seu corpo com minha perna, deslizando minhas mãos por seu peito por dentro da camiseta que ele usava, até que eu não aguentasse mais e começasse a tirar suas roupas também.

— James, por favor — voltei a implorar, tentando tirar sua cueca, mas ele se afastou.

— Calma, Baby, deixe-me cuidar de você primeiro. — Tocou meus lábios com os seus por um segundo, antes de fazer com que eu deitasse sobre a mesa, então se ajoelhou.

Eu o senti agarrar minha calcinha, então a deslizar lentamente por minhas pernas até que estivesse fora de mim. Suas mãos fizeram com que eu me abrisse para ele, para que no instante seguinte sua boca se encontrasse com minha boceta.

Gemi alto, erguendo um pouco meu corpo na mesa ao sentir sua língua da minha entrada até meu clitóris. James o chupou, levando dois dedos para minha boceta, os estocando dentro de mim de uma só vez.

— James. — Segurei em seus cabelos.

— Isso, geme, Bella! — ordenou, antes de voltar a me chupar, fazendo com que eu gemesse como ele queria.

James estava quase me fazendo gozar, quando parou. Eu que tinha meus olhos fechados os abri, indignada por ele ter parado.

— O quê? — contestei, quando ele se colocou em cima de mim sobre a mesa, apoiando suas mãos ao lado do meu corpo.

— Quero foder você, com meu pau e para isso quero que você fique de quatro, Baby.

Eu me senti derreter um pouco com sua fala.

Ele me ajudou a sair de cima da mesa, já que minhas pernas estavam fracas, colocou-me de quatro. Segurou em minha cintura com uma mão, enquanto a outra deslizava por minhas costas até segurar o outro lado da minha cintura também. Senti seu pau na minha entrada, com James me provocando ainda mais.

— James, faça isso logo! — exigi, então para meu alivio ele me penetrou, lentamente, mas o necessário para me fazer gemer.

Ainda assim, eu queria mais, o que me fez começar a rebolar, fazendo com que James aumentasse seu próprio ritmo. Levei uma mão dele até meu clitóris, fazendo com que ele me tocasse.

Eu já estava tão excitada aquele ponto, principalmente depois do oral interrompido, que logo estava gozando, fazendo com que James gozasse comigo. O corpo dele caiu sobre o meu, enquanto eu tentava normalizar minha respiração.

— Eu te amo, Bella.

xoxoxo

Na manhã seguinte James e eu não demoramos a sair do meu apartamento, um casamento ocorreria no restaurante aquela noite e ele precisaria passar o dia lá coordenando tudo. Enquanto isso, eu fui até a casa do Cullen, antes de me ocupar por completo com o show de Riley.

— Cadê seu filho? — fui logo perguntando para Esme quando ela abriu a porta da mansão para mim.

— Bom dia para você também, Isabella — ela falou comigo em um tom de voz rígido que odiei.

— Seu filho, onde está?

— Lá atrás na piscina, com alguns amigos — Esme contou, sorrindo.

— Ele está dando uma festa? — perguntei revoltada.

— Ah não, não esse tipo de festa — ela se apressou em falar. — São apenas alguns amigos mais próximos que vieram passar o dia, não tem drogas ou bebidas no meio, posso garantir isso.

Eu bufei, pisando firme até a piscina da mansão, ouvi Esme me seguir, mas ela parou na cozinha. Senti um cheiro maravilhoso de chocolate, mas não podia perder meu tempo com comida.

Assim que fui para a parte externa da mansão ouvi música saindo da casa de hospedes que ficava junto à piscina, mas alguém parecia indeciso, pois as músicas estavam passando bem rápido. Eu vi apenas Edward, com uma garota loira.

Edward e a garota estavam juntos na piscina, ela sentada do lado de fora, o Cullen na água, posicionado entre as pernas da loira, virado de frente para ela. Os dois conversavam animadamente, Ed ria alto inclusive.

Ela levantou o olhar para mim quando cheguei mais perto dos dois e a reconheci imediatamente, era Jane Volturi.

Eu conhecia Jane, era impossível não conhecer a família Volturi. O pai dela, Aro Volturi, era um premiado diretor de cinema, o cara já tinha ganhado dois Oscars de melhor diretor. Jane, assim como o pai dela estava no mundo do cinema, e pelo que eu sabia estava começando a virar uma diretora como o pai.

— Oi, Jane! — Ela era uma loira, natural, baixinha. Seus olhos azuis eram bem claros, em um tom celeste que se assemelhava a cor do céu aquela manhã.

Edward se virou para me olhar, com uma cara de poucos amigos a me ver.

— O que esta fazendo aqui, Capitã? Você não deveria estar enchendo o saco do Riley hoje?

— Precisamos conversar — anunciei.

— Ui, isso soa sério. — Jane riu, mexendo nos cabelos molhados de Edward.

Eles pareciam próximos, eu já tinha visto fotos dos dois juntos por ai em festas, então eles deviam mesmo ter alguma amizade. Ed também era amigo do irmão gêmeo de Jane, Alec, outro ator.

— Eu estou de folga hoje, Capitã! — Edward exclamou, mas saiu da piscina, para sentar junto a Jane.

Eu estava pronta para xingá-lo, quando notei as pessoas e o cachorro saindo da casa de hospedes. Reconheci Jasper rapidamente, saindo atrás dele Demetri Stone, com Rosalie pendurada em suas costas, os três riam.

— Merda — xinguei quando vi Demetri. Estatura média, malhado, cabelos tão loiros quanto os de Jane, olhos também azuis.

— Não me diz que a gente tem trabalho a fazer hoje — Jasper reclamou, sentando do outro lado de Jane.

— Oi, Bella! — Demetri acenou para mim, parecendo constrangido, enquanto colocava Rosalie no chão. Ela que sorria antes olhou de mim para ele, com um grande ponto de interrogação na testa.

— Oi — me limitei a falar, voltando meu olhar para Edward. — Precisamos conversar, agora, lá dentro. — Estralei os dedos, apontando para o interior da mansão. — Não me faça repetir isso mais uma vez, Betty!

— Oh Deus, essa é o melhor apelido de todos! — Ouvi Jane exclamar e logo em seguida rir.

Eu a ignorei, seguindo de volta para o interior da mansão. Esme estava colocando copos com suco em uma bandeja, em cima do balcão um bolo de chocolate que parecia muito bom.

— O que você quer de mim, Swan? — Edward questionou quando entrou na cozinha.

— Vou levar isso para Rose e os garotos — Esme disse, nos laçando um olhar preocupado antes de se retirar da cozinha, levando a bandeja com o suco.

— Isso parece bom — comentei, ainda olhando para o bolo de chocolate.

— Você quer um pedaço? — Edward perguntou.

— Sim, eu não tive tempo de tomar café da manhã, estou morrendo de fome.

— Isso porque você namora a porra de um chefe de cozinha, se fosse eu viveria comendo — ele falou, pegando um prato e garfo, cortou uma fatia de bolo com a espátula ali e me serviu. — Mas, minha mãe é a melhor com bolos, você com certeza vai preferir o dela aos que seu namoradinho deve fazer.

— Sua voz me irrita — eu debochei, começando a comer.

Foda-se, o Cullen estava certo.

— O que veio fazer aqui mesmo? Eu estava me divertindo, você aparece e quebra todo o clima de diversão — ele reclamou, pegando outro garfo e roubando um pedaço da minha fatia de bolo.

— Eu sei sobre seu segurança — falei em um tom de voz baixo, sem querer que ninguém mais me ouvisse, caso alguém surgisse ali de surpresa.

Edward me encarou, com o garfo a centímetros de sua boca.

— Do que está falando?

— Do segurança que vende drogas, eu sei sobre ele, e você irá se livrar dele.

— Bella... — Edward devolveu o garfo ao prato, engolindo em seco.

— Você fez uma promessa ontem naquela coletiva, Cullen, de nunca mais usar drogas e vai cumprir isso, me ouviu? — Apoiei minhas mãos sob o balcão.

— Não é tão fácil.

— Eu sei, é uma merda. — Seus olhos verdes se fixaram nos meus. — Já estive lá lembra? Eu ainda nem larguei o álcool pra ser franca, mas me controlo quanto a isso, mas eu nunca mais usei qualquer tipo de droga ilícita desde tudo aquilo, eu espero que você possa se controlar também.

— Eu vou tentar. — Ele recuperou seu garfo, seu rosto estava preso em uma expressão apreensiva. — Tudo bem, Embry pode cair fora, mas eu não vou ficar só com um segurança. Quando eles precisarem alternar...

— Vou cuidar disso para você — prometi, já com algo em mente.

Eu voltei a comer o bolo, pensando seriamente em pedir para Esme embalar um pedaço para levar mais para casa. Aquilo faria Jimmy se sentir traído, mas ele não era tão bom assim com confeitaria, mas a mãe do Cullen era. Ele e a irmã tinham sorte, se Esme fosse minha mãe...

— O que esse pessoal está fazendo aqui? — perguntei para Edward, que continuava roubando da minha fatia de bolo, eu precisava tirar minha mente do pensamento anterior sobre maternidade.

— Eles vieram me ver, Jane estava na Europa, Demetri na Nova Zelândia gravando, não puderam vir antes.

— Eles...

— Jane já teve uma overdose — Edward sussurrou, voltando a me olhar. — Ela não traria drogas para mim, acredite. Jazz e Demetri sabem pelo que estou passando, são bons amigos, eles também não vão me dar acesso a nada errado.

Assenti, esperando que fosse daquela forma mesmo.

— Então. — Vi o Cullen sorrir maliciosamente. — Eu fiquei bem surpreso quando mais cedo Demetri Stone, o astro dos filmes de super heróis, me contou que a minha severa empresária e ele transaram nos fundos de uma boate em Milão.

Eu revirei os olhos, claro que Demetri contaria. Os homens sempre contavam, alguns gravavam vídeos e os espalhavam para que todos vissem.

— Foi só sexo, há muito tempo atrás, não faça uma grande coisa sobre.

— Oh, Swan, somos um time, lembra? Devemos nos manter informados sobre essas coisinhas sujas, você já me contou sobre seu casinho com Tanya mesmo.

— Tanya que você nunca terá, mas eu tive. — Pisquei para ele, Edward rolou os olhos.

— Eu tive Jane. — Deu de ombros.

— Você teve? — eu gritei, surpresa com a revelação, afinal Jane Volturi era uma lésbica assumida. A garota, com seus vinte e um anos, já representava campanhas de grupos LGBT.

— Tive sim. — Foi a vez dele de piscar para mim. — Algum tempo antes de eu começar a namorar você sabe quem. — Eu sabia, Lauren. — Jane me usou para testar a sexualidade dela, então ela se assumiu em seguida, eu acho que não devia ficar tão contente com isso — ponderou.

Eu não pude conter a gargalhada que dei, Edward bufou.

— Grande, Cullen! — debochei, terminando de comer minha fatia de bolo. — Preciso ir agora, não se meta em problemas, pirralho.

— Eu serei um anjo, Capitã — prometeu, então me pegando de surpresa seu polegar estava no canto da minha boca.

— O quê? — indaguei sem entender aquilo, vendo Ed levar o dedo a sua boca, o chupando.

— Estava apenas sujo. — Sorriu maliciosamente para mim. — Eu me pergunto como seria seu gosto estando coberta de chocolate, Capitã, mesmo assim acho que você continuaria sendo bem amarga — zombou.

Eu enfiei minha mão na cobertura do bolo, espalhando no cabelo dele, ouvindo Edward se engasgar pelo que fiz.

— Ops! — zombei, ele continuava paralisado, me dando tempo de limpar a mão em um pano de prato sobre o balcão. — Vejo você logo mais, Betty!

xoxoxo

Eu não era a pessoa no palco, mas sempre ficava ansiosa quando era dia de show de Kate, Charlie e Riley. Sendo assim, estava uma pilha de nervos naquele sábado, enquanto checava se tudo encontrava-se na mais perfeita ordem para o show de Riley.

— Jessica...

— Tudo bem, Bella, eu garanto — ela garantiu antes que eu pudesse questioná-la.

Jessica Stanley era uma mulher de vinte e sete anos, nascida em alguma cidade do norte do país, que como a maioria das pessoas no meio artístico tinha se mudado para Los Angeles ainda muito nova. Ela era boa no que fazia, por isso tínhamos a contratado. Assim como Alistair era o responsável número um por Kate quando Tanya e eu não podíamos, Jessica era a responsável por Riley.

Algum tempo antes Riley tinha feito uma turnê pequena junto com um amigo, em um projeto paralelo dos dois a carreira solo do Biers, eu tinha ido junto na época, adorava sair em turnê. Mas, com Ed precisando mais da minha atenção, Jessica poderia me substituir na turnê oficial de Riley, que começaria com shows pela costa oeste dos Estados Unidos.

— Certo, eu vou ver Riley — falei para Jessica.

— Ok, mas fique tranquila, nada vai dar errado — ela me assegurou, piscando um olho castanho para mim, enquanto se afastava, seus cabelos cor de mel balançando atrás dela.

Eu segui até o camarim de Riley, bati uma vez e entrei.

Riley estava sentado diante ao espelho, já pronto para o show, apenas esperando a hora certa para começar. Talvez por isso ele era meu queridinho, dava menos trabalho do que os outros, nem mesmo meu pai com uma carreira de décadas conseguia ser pontual, ou andar totalmente na linha.

— Hey, já está na hora? — ele perguntou para mim, tirando um fone do ouvido da orelha e jogando um ipod a mesa a sua frente.

— Não. — Me posicionei atrás de sua cadeira, pondo as mãos em seus ombros. — Tudo bem por aqui? — indaguei preocupada, Riley não tinha ficado muito bem depois de levar um chute da minha irmã, ele passou uma semana inteira trancado em casa, sem querer falar com ninguém.

— É, tudo bem. — Ele meneou a cabeça, fazendo seus cabelos loiros escuros balançarem. Olhou para mim pelo espelho, seus olhos castanhos claros não estavam muito animados.

— Eu sinto muito por ela ter te deixado, sei que você gostava muito dela.

— Está tudo bem, Bella, você não tem culpa de nada disso. — Ele deu uma batidinha na minha mão.

— Eu os apresentei. — Pressionei seus ombros, querendo que ele relaxasse.

— Não se culpa, sério. Com certeza foi melhor assim, eu vi as fotos dela com o novo cara, parecem felizes. Pelo menos ela está feliz.

— E você vai ter um monte de groupies te seguindo na turnê, pode ser bem feliz também — brinquei, fazendo com que Riley risse.

Ouvimos uma batida na porta, então Jessica colocou a cabeça para dentro.

— Bella, Renesmee e uma amiga dela estão aqui, elas querem ver Riley.

— Oh, você pode falar com umas fãs por alguns minutos? — perguntei para Riley.

— Claro, eu já fui cunhado de uma delas mesmo. — Ele sorriu, indicando que Jessica deixasse as meninas entrarem.

Renesmee entrou primeiro, ela usava uma calça jeans justa, com uma camiseta com a estampa do último álbum de Riley — minha irmã era uma grande fã do músico —, seus cabelos estavam presos em um coque e ela usava bastante maquiagem. Atrás dela vi Lucy Smith, que atuava junto com minha irmã na série que Ness protagonizava.

Lucy tinha a idade de Renesmee, cabelos pintados de loiros dourados, olhos claros, com um corpo um pouco acima da média do que era o considerado o ideal em Hollywood. Ela não era gorda, mas com certeza não era magra como minha irmã que não podia engordar nem um quilo por conta da sua personagem, mas eu sabia que Lucy também só pesava aquilo por conta da sua própria personagem. Para o show ela usava roupas semelhantes a da minha irmã, conhecendo minha caçula eu sabia que aquilo tinha sido premeditado.

— Riley! — Ness soltou um alto grito, correndo em suas botas de salto até o Biers, que rapidamente se colocou de pé e a recebeu de braços abertos. — Estou muito feliz que pode receber a gente antes do show, o papai é um chato que não gosta de ver ninguém enquanto esta se preparando para o palco.

Eu bem sabia daquilo.

— Esse é o meu momento, Bells, deixe-me ter o meu momento!

— Sem problemas — Riley disse, soltando Renesmee e se voltando para Lucy que tinha parado para me cumprimentar rapidamente. — Lucy, certo?

— Você sabe meu nome! — Ela soltou um gritinho histérico digno de fã, Riley riu.

— Bom, você está na minha TV toda semana, eu acho que não teria como não saber.

— Eu sou muito sua fã, não acredito que você assiste nossa série.

— Nossa série é ótima! — Renesmee afirmou convencidamente, olhando para mim. — Podemos falar rapidinho?

— Claro. — Me afastei até o outro lado do camarim junto dela, nós duas deixando Lucy e Riley conversando. — O que foi? Algum problema?

— Não, papai só esta me usando de porta voz, ele quer a gente na casa dele amanhã para o almoço — comunicou. — Você sabe, agora que Alice voltou de viagem quer ter um momento com a gente, ele é um fofo!

— Para de puxar o saco dele, Ness, sei que está fazendo isso só para eu aceitar a golpista da Carmen.

Renesmeee revirou os olhos.

— Carmen é muito bacana, pare com essa mania de pensar que todos estão dando um golpe — falou firme, foi minha vez de revirar os olhos. — Enfim, foi difícil, mas convenci Alice a ir para o almoço, você vai, né?

— Fazer o que? Se eu não fosse o papai faria disso uma tragédia grega.

— Yay, que bom que vai! — Ness me apertou em um abraço. — Alice tinha combinado de ir me buscar, nós podemos ir buscar você também.

— Beleza, mal vejo a hora de irmos almoçar com nossa amada madrasta.

— Melhor do que ir almoçar com aquela pessoa. — Renesmee fez uma careta, eu sabia muito bem que estávamos falando da nossa mãe.

— Ela te procurou? — Ness assentiu.

— Queria que eu fosse jantar com ela na semana que vem, apertei Alice e ela me disse que era algo sobre uma série nova.

— Hum, você vai fazer isso? — indaguei, cruzando os braços diante meu corpo.

— Não, Bells, claro que não! — Renesmee exclamou horrorizada. — Nem se fosse o último trabalho do mundo eu atuaria numa série de Renée.

— Você sabe que...

— Que não preciso me manter afastada dela? — Renesmee inquiriu. — Não estou fazendo isso apenas por você, estou fazendo por mim mesma, eu sei que Renée não vai me trazer nada de bom a essa altura do campeonato. — Renesmee forçou um sorriso. — Agora esquece esse papo, eu vou tirar algumas fotos com Riley antes de ele ir para o palco. — Ela correu para nosso ex cunhado e sua amiga.

Meu celular tocou, indicando uma mensagem. Eu o peguei distraidamente, ainda pensando em Renée, mesmo sem realmente querer aquilo.

Ed Cullen: Eu estou tão entediado, Capitã!

Capitã: E o que eu tenho a ver com isso?

Ed Cullen: Você que não me deixa sair!!!

Capitã: O que acha de um almoço amanhã?

Ed Cullen: Com você? Dispenso!

Capitã: Bom, Alice estaria presente...Eu pensei que você quisesse a conhecer.

Ed Cullen: Porra!

Ed Cullen: Eu quero!!!

Ed Cullen: Sua irmã é tão gostosa, posso mesmo tentar algo com ela?

Ed Cullen: Onde encontro vocês?

Ed Cullen: Você é a melhor empresária!

Ed Cullen: Eu pago a conta.

Ed Cullen: Isabella, me responde!!!

Capitã: Nós vamos buscar você, fique apresentável.

Eu sorri malignamente, se eu teria de aguentar Carmen naquele almoço, meu pai aguentaria Ed Cullen. Até o fim daquele domingo eu tinha de fazer os dois concordarem em gravar uma canção juntos.

xoxoxo

Mesmo tendo ficado até tarde na rua por conta do show de Riley, eu acordei cedo no dia seguinte. Aproveitei que já estava de pé para correr um pouco na esteira da academia do prédio, o que odiei, mas precisava manter meu corpo em funcionamento.

Depois disso eu me arrumei para o grande almoço de domingo, James infelizmente não poderia ir comigo, já que ele também tinha de ir para o restaurante aquele dia. Porém, eu pelo menos teria minhas irmãs. Tudo bem que Ness era Team Carmen, mas eu continuava a amando mesmo assim, ninguém podia ser perfeito.

Ed Cullen: Já estou pronto, você está vindo me buscar?

Ed Cullen: Sua irmã continua loira, certo?

Continuei ignorando as mensagens que chegavam de Edward, ele estava desde mais cedo lotando minha caixa de entrada. Talvez eu devesse deixar ele e Alice se pegarem, mas ela já tinha partido o coração de Riley e o Cullen ainda estava em um campo minado.

Ness: Chegamos, desça!

Eu me despedi de Norma Jeane, que parecia feliz por eu estar saindo e rumei para fora do meu apartamento. Aproveitei o tempo no elevador para finalmente responder Edward.

Capitã: Estou a caminho.

Ed Cullen: Eu quero saber da sua irmã!

Capitã: Ela também está indo!!!

Ele era tão irritante!

Logo eu estava fora do prédio, avistando o espalhafatoso carro amarelo da minha irmã. Alice odiava passar despercebida, isso era um fato.

Renesmee abriu a janela do carona, deixando com que eu ouvisse Spice Girls soando lá de dentro. Elas tinham um gosto duvidoso.

— Cheguei primeiro, Bells, você vai ter de ir ai no banco de trás — Renesmee anunciou toda sorridente.

— Eu sou a mais velha — protestei, vendo Alice sair do carro, o contornar e se jogar nos meus braços.

— Irmã! — ela gritou no meu ouvido, quase me deixando surda. — Eu estava com tantas saudades. — Começou a encher meu rosto de beijos.

— Ai, Alice, para! — exigi, a afastando, vendo a safada rir, pois ela sabia muito bem que aquilo me revoltaria. — Você engordou — disparei, olhando para ela.

Engordou pouco, mas tinha engordado e talvez só os mais próximos pudessem notar. Ainda assim, ela continuava linda. Alice tinha começado a pintar seus cabelos de loiro alguns anos antes, então eu sequer me lembrava de como ela era de cabelos negros, mas eu nunca seria capaz de esquecer seus olhos claros, já que eram os mesmo da nossa mãe.

— Você também engordou! — Alice rebateu, me olhando de cima a baixo. — Foda-se, você tem um maldito metabolismo que não te faz engordar.

— Eu sei, morra de inveja. — Sorri para ela, então a abracei novamente.

Ela podia ter partido o coração de Riley, estar envolvida com o idiota do Randall e ser uma fiel seguidora de Renee, mas eu amava aquela nanica.

— Vamos logo! — A soltei. — Eu preciso que faça uma parada antes da casa do papai — comuniquei para Alice.

— Para buscar James? Beleza.

— Não, James está no trabalho, vamos buscar Ed Cullen.

Alice arregalou os olhos, para em seguida rir.

— Espera, você esta dizendo que Ed Cullen vai almoçar na casa do papai? — Renesmee perguntou embasbacada de dentro do carro.

— Sim, isso mesmo, irmãzinha.

— Bells, isso não vai dar certo! — Ness disse apavorada.

— Isso vai ser a terceira guerra mundial, vamos nessa! — Alice clamou. — Se temos de aturar Carmen, o papai pode aturar o Cullen. — Alice também detestava Carmen, o que era um acalento para meu coração.

— Foi justamente isso que pensei. — Abri a porta do banco de trás e Alice correu para entrar no carro também.

— O papai vai matar vocês duas, eu sou totalmente contra essa ideia, fiquem bem avisadas disso! — Ness exclamou quando Alice começou a dirigir, depois de eu passar o endereço do Cullen para ela.

— Deixa de ser chata, Ness! — Alice mandou, aumentando o volume do som, começando a cantar junto com as Spice Girls.

— Graças a Deus que você não é cantora — eu gritei contra a música, Renesmee gargalhou e Alice nos mandou calar a boca. Mas, logo nos três estávamos cantando juntas, era bom estar com as minhas irmãs.

Alice dirigia como uma louca, o que fez que mesmo com o trânsito intenso de sempre de Los Angeles, logo ela estivesse entrando no condômino que Edward morava. Eu sai do carro para chamar por ele na mansão, mas não foi preciso, já que assim que pisei em direção a casa, o Cullen saiu de lá de dentro.

Ele tinha um grande sorriso no rosto, ainda iludido de que eu o deixaria ter algo com minha irmã.

— Oi, Bella. Tchau, Bella! — Ele abriu a porta do carona, dando de cara com Renesmee. — Espera, eu...

— Oi, Ed! — Ness e Alice o cumprimentaram juntas.

— Ei, oi Renesmee — cumprimentou a mais nova rapidamente. — Alice é um prazer te conhecer, o que acha de...

— O que você acha de calar a boca e entrar no carro, pirralho? — Segurei no braço dele, o empurrando para dentro do Porsche de Alice.

— Ok, eu acho que você e a mais nova podem ficar por um restaurante por aqui nas redondezas — Edward disse para mim. — Enquanto Alice e eu vamos almoçar em um lugar mais reservado — Edward falou animado, mexendo-se no banco.

— Oh, nós com certeza almoçaremos juntos, Ed. — Alice riu do banco da frente.

— Ótimo! — Edward exclamou contente. — Minha irmã adora sua série, Renesmee, se puder me dar um autografo depois, Rose ia amar.

— Claro, se você sobreviver ao almoço com o papai eu autografo para sua irmã.

— O quê? — Edward gritou, se virando para me olhar, com pavor no olhar. — Isabella, o que ela quis dizer com isso?

— Que estamos te levando para almoçar com Charlie Swan, Ed Cullen. — Apertei a bochecha dele, vendo o garoto empalidecer.

— Não, não mesmo! — ele gritou mais uma vez, com seu sotaque inglês ficando ainda mais forte. — Não vou almoçar com seu pai, muito menos na casa dele.

— Ah pirralho, você vai sim, esqueceu que eu estou no comando? — Me acomodei no banco de trás, podendo sentir o olhar assassino de Edward sobre mim.

Eu senti ele se aproximar de mim, então sua voz soando em meu ouvido.

— Isso vai ter volta, Isabella!

Edward mordiscou minha orelha, diferente da primeira vez que ele tinha feito aquilo, daquela eu me arrepiei. O Cullen percebeu isso, pois ele riu em meu ouvido, sussurrando sua próxima frase.

— Eu sabia que você não seria totalmente imune a mim, Capitã.

Virei meu rosto na direção dele, o encarando com uma sobrancelha arqueada. Aquela altura minhas irmãs já tinham voltado a cantar Spice Girls, não pareciam prestar atenção na gente no banco de trás.

— Acredite, pirralho, você não mexe comigo.

— Mesmo? — Ele colocou uma mão na minha coxa nua, já que eu usava um short curto aquela manhã. Seus dedos longos deslizaram por minha pele, fazendo com que eu arrepiasse novamente. — Sim, eu percebo que não mexo com você, Isabella — debochou, abri a boca para rebater, mas não consegui falar nada. — Tudo bem, Capitã, eu deixo as mulheres sem fala.

— Va se foder! –– falei entre dentes.

— Venha comigo — ele sussurrou, com um sorrisinho petulante nos lábios, sua mão ainda movendo-se por minha coxa. — Eu aposto que sou muito melhor que seu namoradinho de pau pequeno.

Gargalhei, ele com certeza não era.

— Em seus sonhos, Cullen. — Tirei a mão dele de mim.

Ele continuava sorrindo todo cheio de si.

— Sim, quem sabe eu possa ter tido um sonho erótico com você noite passada.

O quê?

— O quê? — consegui perguntar.

Edward não respondeu, apenas piscou para mim, puxando assunto com minhas irmãs. Ele tinha tido um sonho erótico comigo? Aquilo era ridículo!

Nós quatro fomos recepcionados por uma empregada da casa de papai, que nos disse para ir até o lado de fora na área da piscina onde ele e Carmen esperavam pela gente. As meninas foram na frente, Edward ia atrás de mim, resmungando qualquer coisa, revoltado por termos o levado até lá.

— Pare de ser um bebê chorão — ordenei.

— Eu não confio mais em você, Bella.

— Oh, que pena!

— Então. — Ele se colocou do meu lado, sussurrando. — Qual seu quarto? Vamos para lá de uma vez para que eu possa reproduzir o que sonhei.

— Você realmente sonhou comigo? — indaguei horrorizada.

— Sim, eu te fodia de... — Edward calou a boca quando chegamos ao lado de fora da casa de papai e ouvimos a risada dele.

Alice e Ness já estavam com ele perto de uma mesa que tinha ali, eu tive um vislumbre de Carmen na piscina. Chamei por papai, que virou para mim sorridente, mas o sorriso morreu quando viu o inglês ao meu lado.

Seria um domingo divertido, mas não para os dois.