Capítulo Onze

Isabella Swan

"Isabella Swan deixa a clínica de reabilitação."

Quando eu deixei a clínica de reabilitação, após meses internada lá para superar meu vício em drogas, pensei que a vida seria mais fácil. Realmente acreditei que os problemas me abandonariam de vez, o que não imaginei era que quando você quebra uma vez, por mais que se conserte com o máximo de cuidado, de perto ainda é possível ver as rachaduras.

O desejo pelo ilícito no fundo continuava ali dentro de mim, além disso tinha o maldito vídeo de mim transando e usando drogas que continuava circulando. Não importava quanto tempo eu passasse naquela clínica, minha vida do lado de fora dela continuaria uma bagunça.

Poucos dias depois de deixar a clínica, tomei coragem e liguei a TV pela primeira vez, eles ainda falavam sobre meu caso. Era como uma caça as bruxas, eu era a bruxa e eles estavam ateando fogo em mim.

Naquela tarde tive minha primeira crise após deixar a clínica, trancada no estúdio de casa. Chorando, desesperada, fraca.

As rachaduras estavam visíveis.

xoxoxo

Acordei cedo na segunda-feira, eu estava com energia demais e precisava extravasar, sendo assim desci até a academia do prédio e malhei por duas horas seguidas. Em meus fones de ouvido escutava toda a discografia de Riley, as canções dele variavam entre declarar seu amor incondicional a mandar pessoas se foderem, eu adorava isso.

Já estava perdendo o controle das minhas pernas quando decidi parar, interrompendo o movimento da bicicleta da academia. Eu estava tentando controlar minha respiração quando In My Car começou a tocar, era uma música de Riley que falava sobre nada mais do que fazer sexo no carro.

Soltei um resmungo, lembrando-me do Cullen no dia anterior jogando seu charme barato para cima de mim, quando estávamos no carro da minha irmã e mais tarde no meu. Qual era meu problema de ter reagido aquilo? Ed era só um cara recém saído da adolescência, eu não deveria ter gostado da forma como ele falou comigo e principalmente como me tocou.

— Você quer, você quer... — Riley cantava em meu ouvido, eu rapidamente arranquei os fones, desligando o Ipod. Aquela música era uma droga, eu convenceria Riley a tirar ela da sua setlist para os shows da nova turnê.

Já cansada demais para voltar a malhar eu deixei a academia, só que optei ir pelas escadas do prédio, realmente precisava extravasar energia aquele dia. Quando entrei no meu apartamento senti cheiro de café e de bacon, larguei meu Ipod na mesinha de centro e segui até a cozinha.

James estava sentado ao balcão da ilha, com pratos de comida e xícaras de café sobre a bancada, mexendo em seu celular. Quando me viu sorriu, mas seu olhar era desconfiado.

— Por que você foi malhar? Você detesta malhar.

— Acordei cedo e estava com energia demais, precisava por isso para fora — respondi, indo até a geladeira pegar uma garrafinha de água.

James tinha ido para meu apartamento noite passada, levado jantar para mim do seu restaurante e me obrigado a assistir série de comédia. Não sei como alguém conseguia rever tanto algo e continuar achando engraçado, mas James idolatrava How I Met Your Mother, por outro lado eu achava um saco.

— Você estava muito estressada ontem à noite — ele comentou quando sentei a sua frente. — Carmen te estressou, não?

— Eu não quero falar sobre isso — resmunguei, pegando um prato com ovos e bacon, concentrando-me em comer. Carmen com certeza era parte do meu estresse, só que não era a única, meu pai, minhas irmãs e com certeza Ed tinham me estressado também, sim, principalmente o Cullen.

— Baby? — Ergui o olhar para James, ele sorria, um sorriso que iluminava seus olhos. — Sabe que pode contar comigo para tudo, não sabe? Sou seu namorado, mas também sou seu melhor amigo.

Assenti, sorrindo para ele. Estiquei uma mão por cima do balcão, entrelaçando nossos dedos. James afagou minha mão com delicadeza, enquanto olhava para nossos corpos conectados.

— Você acredita que na sexta iremos comemorar três anos juntos? — Seus olhos brilhantes se encontraram com os meus. — Parece que foi ontem que começamos a namorar. — Ele beijou minha mão.

Nosso aniversário de namoro já era naquela sexta? Eu sabia que estava perto, mas estive tão ocupada nos últimos dias que aquilo simplesmente ficou em segundo plano.

— Sim, parece que foi ontem — falei quando James voltou a me olhar, eu sorri para ele e me estiquei sobre o balcão para lhe roubar um beijo. — Quais seus planos para a data, Jimmy?

— Pensei em um jantar simples, nada demais — ele disse, afagando meu rosto.

Suspirei aliviada, aquilo era melhor. Eu realmente queria algo pequeno, nada exagerado.

— Não precisa se preocupar com nada, Baby, eu vou organizar a noite perfeita para nós dois.

— Gosto disso. — Toquei mais uma vez seus lábios com os meus. — Eu te amo, Jimmy — falei com sinceridade, ele suspirou baixinho, levantando-se e contornando o balcão até mim. Fez com que eu ficasse de pé, segurou em meu rosto com ambas as mãos e falou:

— Amo você, Isabella, eu sempre vou amar.

xoxoxo

Eu amava o café de Jimmy, mas preferia o da cafeteria próxima ao prédio da produtora. Sendo assim, antes de ir para meu escritório, fiz uma rápida parada lá para comprar meu café favorito.

Não costumava ir até ali, sempre mandava alguém comprar para mim e aquilo só se tornou mais claro quando entrei na cafeteria e todos os olhos pairaram sobre mim como se estivessem vendo uma assombração. Eu devia ter colocado um boné, ou óculos escuros, mas estava com o rosto completamente exposto.

Caminhei diretamente até o caixa para fazer meu pedido, por sorte era uma cafeteria com um atendimento rápido e não estava com uma fila imensa.

— Quero um Mocha para viagem — pedi ao garoto da caixa, que devia ter uns vinte anos, estendendo o dinheiro para ele.

— Você é aquela...

— Eu quero meu café — o interrompi antes que ele fizesse a pergunta de um milhão de dólares. — Se você demorar mais de dois minutos para me entregar o café, o seu gerente vai saber disso e farei com que você perca seu emprego — ameacei.

O garoto arregalou os olhos e rapidamente me entregou a nota, permitindo que eu me movesse até o balcão para receber meu pedido. Ali era uma garota atendendo, provavelmente outra menina no auge de seus vinte anos, talvez uma aspirante a qualquer profissão do meio artístico, ou só uma universitária da Universidade mais próxima.

— Aqui seu café, Isabella Swan — a garota falou meu nome com grande animação, apenas arranquei o copo da mão dela, saindo rapidamente daquela cafeteria para entrar no meu carro.

Logo eu estacionava na garagem do prédio da minha produtora, seguindo para o andar que ficava minha sala. Irina me recepcionou com empolgação, passando para mim meus recados mais urgentes.

— Bella tem um presente para você em sua sala — Irina anunciou, eu a encarei por cima do meu copo de café.

— De quem? — questionei curiosa.

— Sem remetente.

— Oh, ótimo — debochei. — Pode ser uma bomba biológica! — reclamei, pisando até minha sala.

Sobre minha mesa tinha uma grande caixa vermelha, com um buquê de rosas vermelhas sobre. Aproximei-me da caixa, vendo que era de bombons de chocolate, afastei as rosas para abrir a caixa, lá dentro um cartão sem remetente como Irina tinha dito, mas eu reconheci a letra facilmente.

"Para minha garota, espero que nossa semana especial comece doce."

Sorri, devolvendo o cartão para a caixa e pegando um bombom. James tinha feito algo parecido no ano passado, me enchido de presentes durante a semana do nosso aniversário de namoro, aparentemente ele estava repetindo a prática aquele ano.

Escutei uma batida na porta, então Irina estava entrando, carregando outra caixa em mãos. Uma caixa enorme, diga-se de passagem, James estava mesmo empenhado nos presentes aquele ano, eu precisaria pensar rápido no que dar a ele de presente na sexta-feira.

— Outro presente para você, Bella — Irina disse, colocando a caixa em minhas mãos.

— Arranje um vaso para as flores — ordenei, ela assentiu e levou as rosas consigo.

Apoiei a caixa na mesa, junto à de bombons, para desembrulhar, mas parei rapidamente quando vi o cartão. Antes que eu visse qual era o novo presente de James, peguei o cartão para ler, aquele também não tinha remetente, como também era uma frase digitada.

"Espero vê-la usando-as em breve, Capitã."

— Capitã? — Arqueei uma sobrancelha. — Que diabos!

Aquilo não era um presente de James, era um presente de Edward!?

Larguei o bilhete de lado, começando a rasgar o embrulho, deparando-me por fim com uma caixa que continham botas. Era uma piadinha idiota do Cullen, sobre aquele maldito sonho dele onde eu estava calçando botas.

— Uau, elas são lindas! — Irina voltou a minha sala, já com as rosas em um vaso, as colocando no aparador atrás da minha mesa.

— Jogue-as fora! — Empurrei a caixa com as botas para minha assistente, que me encarou confusa.

— Por que vai as jogar fora?

— Não é da sua conta, apenas as jogue fora, Irina!

— São botas caras e lindas! — Irina exclamou ao espiar dentro da caixa.

— Certo, Irina, fique com elas então. — O rosto dela ficou tomado por alegria, mas rapidamente ela passou.

— Elas não dão em mim, eu calço cinco números a mais.

— Ei, o que está acontecendo? — Olhamos para a porta, vendo Tanya entrando.

— Eu quero que Irina se livre dessas coisas malditas por mim.

Tanya fez cara de confusa, mas quando olhou para a caixa nas mãos da minha assistente riu.

— Cuido disso, Irina, você pode ir agora. — Tanya pegou a caixa das mãos dela. — Feche a porta — instruiu, Irina concordou e saiu, fechando a porta da minha sala. — São de Ed — Tanya disse para mim.

— Eu sei que são de Ed. — Gesticulei para o bilhete. — Mas, como você sabe?

— Ele me ligou ontem pedindo ajuda — ela falou, começando a tirar as botas da caixa para as analisar melhor. — Disse que você merecia um presente por estar sendo tão legal com ele, ai falou que te ouviu falar sobre botas e perguntou seu número. Essas são lindas, o Cullen tem um bom gosto. Juro que não o ajudei a escolher, apenas dei o número. Será que tem dessas no meu tamanho? — Tanya começou a divagar.

— Tanya! — gritei com ela, fazendo com que minha amiga e sócia me encarrasse assustada. — Ed não me deu essas malditas botas para ser legal, ele as me deu para me provocar.

— Como assim? — Ela colocou a caixa sobre a mesa, roubando um dos bombons que James tinha mandado para mim.

— Ed é amigo de Demetri Stone...

— Sim, eu já vi fotos deles juntos e... — Tanya se calou, escondendo um sorrisinho. — Acho que sei onde isso vai acabar, mas continue.

— Demetri contou para Ed sobre nós dois, não coincidentemente na mesma noite o Cullen teve um sonho erótico comigo. — Tanya sorriu maliciosamente, mas continuou calada. –– Adivinha, eu usava botas no sonho pervertido dele, o Cullen falou que me presentearia com botas assim e ele cumpriu com a promessa estúpida dele.

Tanya começou a rir, eu a fiquei encarando gargalhar da minha cara por longos segundos.

— Eu devia ter imaginado que o Cullen não estava sendo apenas legal — ela disse.

— Sim, você devia.

— Não me disse como foi o almoço na casa do seu pai ontem. — Ela roubou mais um bombom.

— Foi uma droga, Carmen...

— Corta essa, não quero te ouvir reclamar pela milésima vez da sua madrasta, quero saber como foi com o Cullen.

— Ele e meu pai não toparam, ainda, gravar uma canção juntos.

— Bella, você sabe muito bem ao que estou me referindo. — Ela passou a mão por meus cabelos, os jogando por cima do meu ombro. — Se o Cullen teve um sonho erótico com você eu duvido que ele não tenha te enchido ao máximo sobre isso, ele o fez, não foi?

— Ele é um pirralho babaca — foi tudo que falei, arrancando o resto do bombom da mão dela e comendo.

Tanya arqueou uma sobrancelha, assentindo.

— Ele passou a mão em mim, mais de uma vez — contei em um sussurro.

— E?

— E eu posso ter gostado — continuei sussurrando, Tanya continuou me encarando com aquele olhar de quem sabia de tudo. — Ok, eu gostei — confessei.

Tanya piscou para mim, sentando-se na beirada da mesa.

— Ele é gostoso, seria difícil você não gostar. Se você não gostasse eu diria que você tinha problemas, ai ia te mandar pra um hospício. — Tanya continuou a atacar meus bombons. — Ed também mandou isso?

— Não, foi o Jimmy.

— Ah, essa é a semana de aniversário de namoro dos pombinhos — Tanya falou de boca cheia. — Já sabe o que vai dar de presente para ele.

— Não, o que eu dou?

— Você é a namorada, Bella!

— Sim, mas Jimmy tem tudo, fica um pouco complicado escolher um presente decente. Ano passado ele me deu uma viagem para a África do Sul e foi maravilhoso, Jimmy sempre acerta nos presentes, por outro lado eu não.

— O que você deu de presente para ele ano passado mesmo?

— Uma jaqueta, ganhei uma viagem e dei uma jaqueta. Fora os pequenos presentes que ele me deu durante a semana, tudo que recebeu em troca foi uma jaqueta, sou uma péssima namorada.

— É, você é — Tanya concordou, acertei um tapa na coxa dela, mas a falsa loira não pareceu se importar. — Principalmente quando está por ai gostando de Ed Cullen passando a mão em você.

— Tanya!

— O quê? Só falei a verdade.

— Não gostei intencionalmente, quero dizer, não quis gostar, apenas fui traída pelo meu corpo. Igual você quando transamos pela primeira vez. — Tanya corou intensamente ao ouvir aquilo. — Desculpe, Bella, foi um erro o que aconteceu. Nós somos amigas, não deveríamos fazer essas coisas — citei a fala dela.

— E não muito depois estávamos fodendo novamente, espero que seu autocontrole seja melhor do que o meu e você não acabe no pau do Cullen. — Tanya deu de ombros e nós rimos juntas. — Você nunca transaria com ele.

— Com certeza não, ele não seria bom o suficiente.

— É novo demais.

— Isso!

— E você não trocaria o pau do Jimmy por nenhum outro. — Acertei um novo tapa na coxa dela, daquela vez fazendo-a gemer de dor.

— Cuidado, Bella, mais um tapa desses e eu te amarro numa cama, ai quem vai receber umas palmadas será você.

Pigarrei, tentando não pensar naquilo.

— Você é uma garotinha de mente suja, Swan — Tanya provocou, passando a mão por meu braço nu, já que eu usava uma blusa sem mangas.

— Tanya, para — pedi com a voz rouca.

Ela tirou a mão de mim, deixando a minha mesa.

— Foi mal, não queria te provocar — falou com falsa inocência.

— Queria sim.

— Talvez. — Piscou novamente para mim, toda sorridente. — O que vai fazer com as botas?

— Jogar fora, ou mandar para a caridade, alguma garota pobre que calça o mesmo número que eu irá usar botas idiotas.

— São lindas botas! — Tanya insistiu. — O Cullen estava bem animadinho quando me ligou ontem, ele provavelmente se masturbou pensando em você as usando...

Uma batida na porta nos interrompeu, era Irina novamente, eu gritei mandando que ela entrasse.

— Bella, Emmett McCarty está lá embaixo, ele falou que você queria o ver.

— Quero, pode deixá-lo entrar. — Irina concordou e saiu.

— Eu conheço? — Tanya indagou.

— Conhece, era o segurança de Renesmee, agora vai ser o novo segurança do Ed. Lembra que te falei que um dos seguranças dele estava metido com venda de drogas? — Tanya concordou com um aceno de cabeça, fazendo uma careta.

— Vou deixar você cuidar disso, tenho algumas coisas para resolver para a turnê do Riley com Jessica. — Ela pegou a caixa de bombons. — Eu vou levar isso comigo.

— Ei, são meus!

— Você me ama, Bella, pode me dar seus bombons, já me deu muito mais do que isso mesmo.

— Vá se...

— Olha a boca, querida — Tanya interviu ao abrir a porta, do lado de fora Irina e Emmett esperavam. — Uau, olá, senhor McCarty! — Tanya exclamou impressionada com o segurança, Emmett apenas sorriu para ela.

— Tanya, cai fora.

— Sim, chefe. — Ela acenou, deixando Emmett entrar e saiu, deixando Irina do lado de fora também.

— Senhorita Swan, sua irmã disse que tinha um assunto sério para falar comigo — ele disse apreensivo.

— Tenho sim, você pode se sentar! — Apontei para a cadeira diante minha mesa, recolhi a caixa com as botas e as guardei dentro do armário da minha sala, voltando para perto da minha mesa e sentando em meu lugar. — Então, Emmett, você está demitido, não vai ser mais o segurança da minha irmã. — O segurança arregalou os olhos, parecendo em choque.

— O que eu fiz de errado? E-Eu...

— Não, você não fez nada de errado — o interrompi. — Renesmee está te demitindo para que eu possa te contratar, na verdade, para que meu novo cliente possa te contratar. Eu estou trabalhando com Ed Cullen agora, você o conhece, não? — Emmett murmurou um sim, ainda confuso. — Então, Ed precisa de um novo segurança e pensei em você, não se opõem a isso, se opõem? Seu salário seria excelente. — Peguei um bloquinho de notas sobre minha mesa, rabiscando o valor e mostrando para Emmett.

— Isso é muito! — Emmett deixou escapar, depois me olhando com uma cara de quem tinha falado demais.

— Você terá mais trabalho sendo o segurança do Cullen, ele é mais assediado do que minha irmã, principalmente agora que acabou de deixar uma clínica de reabilitação e está voltando à mídia. — Emmett assentiu. — Eu preciso que você seja meus olhos quando não estiver perto, quero que fique de olho no Cullen por mim, que o impeça de ser um problema para os outros e para si mesmo, entendeu?

— Você quer que eu seja a babá dele.

— Não estamos usando esse termo, mas... — Bati com a caneta no bloco de notas. — Você vai ganhar bem acima do que ganha com Ness, isso vai recompensar todo o resto. Então, topa?

— Claro! — Emmett concordou prontamente. — Não seria louco de desperdiçar isso tudo, mas e sua irmã?

— Eu vou arranjar outro segurança para ela. — Peguei meu celular, mandando uma mensagem para Alistair cuidar da demissão de Embry e contratar outro segurança para minha irmã. — Por que você não aparece aqui amanhã de manhã? Minha equipe vai ficar feliz em lhe entregar a papelada de demissão e a nova para te contratar, Ed estará na gravadora e...

— Capitã! — Eu me calei quando minha porta foi aberta sem um aviso prévio, lá estava o maldito Cullen, com um sorriso de orelha a orelha. Ed estava sendo seguido por sua irmã, ganhando um olhar de repreensão dela por gritar. — Quem é você? — Ed questionou Emmett.

— Seu novo segurança — respondi, Ed fez uma careta. — Emmett, esses são Ed e Rosalie Cullen.

Emmett se colocou de pé, apertando a mão de Rosalie que lançou um sorriso simpático para ele. Entretanto Ed o ignorou quando Emmett estendeu a mão para ele, pelo menos o segurança não se importou com aquilo.

— Não sabia que você estava trocando de segurança — Rosalie falou para o irmão.

— Bella insistiu nisso. — Ed caminhou até o sofá, sentando-se confortavelmente nele.

— O Embry, está fora do jogo — falei para Rosalie, que suspirou, assentindo. — Pela sua reação você sabe muito bem o motivo disso.

— É, sim — Rosalie confessou.

— Emmett, você pode ir agora, já acertamos tudo — dispensei o segurança, que acenou e saiu.

— Por que você me queria aqui? — Edward perguntou quando sua irmã sentou junto dele. — Rose, melhor você esperar lá fora, as coisas podem ficar impróprias por aqui.

— Eu tenho algumas coisas para você assinar e queria que conhecesse o Emmett antes de ele começar o trabalho. — Peguei uma pasta de uma gaveta e joguei sobre minha mesa.

Ed bufou, levantando-se e ocupando a cadeira que Emmett estava antes.

— O que é isso?

— Contratos da gravadora, daqui também, prometo que não estou fazendo você assinar nada sobre arrancar um rim seu fora. — Sorri com sarcasmo para ele, que desviou o olhar para encarar as flores atrás de mim.

— Você recebeu meu presente?

— Não sei do que está falando, Cullen. — Continuei sorrindo, ele se inclinou sobre a mesa, ficando mais perto de mim, senti um arrepio cruzar minha espinha quando ele sorriu também. Seu sorriso era malicioso, completamente provocante.

— Onde estão as botas, Capitã?

— Não sei do que está falando — repeti.

— Eu quero que você as use.

— Você está alucinando.

Edward umedeceu seus lábios, deixando seu olhar cair para o decote da minha blusa.

— Talvez eu esteja, talvez meu último sonho tenha sido um delírio. Só sei que te comprei botas, Capitã, você deve usá-las e honrar o presente.

Me inclinei sobre a mesa também, vendo o sorriso de Ed morrer. Ele ficou incrivelmente sério por conta da nossa proximidade, o vi inspirar fundo e sabia que ele estava sentindo o cheiro do meu perfume, ou do meu shampoo que era de morangos.

— Assine os documentos, pirralho — ordenei com a voz baixa, mordendo meu lábio inferior.

— Não faça isso — Edward exigiu, sua voz era baixa também.

— Não sei do que está falando, Ed.

Um ruído rouco escapou por sua garganta, Edward se afastou, começando a assinar toda a papelada que entreguei para ele, com fúria em seus olhos. Desviei meu olhar rapidamente para Rosalie, que claramente fingia estar distraída com seu celular. Aquela menina não tinha uma vida? Ela tinha de estar sempre por perto? Era aquela tal ligação que as pessoas falavam que gêmeos tinham? Ou ela apenas estava vivendo a vida usufruindo a grana do irmão?

Eu morreria se tivesse que estar por ai seguindo uma das minhas irmãs, mesmo as amando. Ou, se fosse Alice a irmã a ser seguida, acabaria matando ela por me tirar tão do sério.

— Pronto, Capitã, agora você pode arrancar meu rim sem que eu possa reclamar sobre isso. — Edward me entregou toda a papelada assinada.

— Excelente. — Devolvi tudo para a gaveta. — Você começa a pré produção do álbum amanhã, paralelamente vai começar a se preparar para seu show, nós já temos uma data. Literalmente fim de maio, dia 31, estamos acertando o local. Tanya está cuidando disso e ela é excelente, estamos pensando em um... — Edward pareceu parar de ouvir o que eu dizia, remexendo em seu bolso e tirando de lá um pacote de chicletes.

— Quer um, Capitã? — ofereceu, deixando com que eu visse a caixinha, na embalagem dizia ser chiclete de morango.

— Estamos conversando, se concentre!

— Pode falar, estou ouvindo. — Deu de ombros, tirando um chiclete da embalagem e colocando entre seus lábios. Em seguida ele tirou outro, o segurando na minha direção. — Eu sei que você quer isso, Isabella.

Não, eu não queria. Da mesma forma que não quis gostar de ter Edward me tocando no dia anterior, ainda assim eu perdi o controle por um segundo e me inclinei até ter o chiclete em minha boca, deixando a ponta da minha língua tocar no dedo indicador do Cullen.

Ed suspirou, remexendo-se inquieto na cadeira. Apenas sorri, começando a mascar o chiclete recém adquirido, deixando o gosto de morangos me invadir.

— Eu disse que você queria. — Ed levou até sua boca seu dedo que eu lambi, o chupando, antes de voltar a sorrir maliciosamente. — Onde estão as botas?

— Nunca vou usá-las.

— Você vai, nós sabemos que vai. — Ed guardou sua caixa de chicletes. — Quando as usar procure por mim, Capitã. — Ele se colocou de pé, bem no momento que a porta da minha sala se abriu em um rompante.

Então, vi a garota de cabelos castanhos correndo e se agarrando as pernas de Ed. O inglês estremeceu, olhando para baixo em choque, vendo a criança atracada a ele.

— Ed, Ed, Ed! — Valentina exclamava em puro êxtase.

— O que está acontecendo? — Ed indagou com seu sotaque acentuado.

— Tina, o que seu pai e eu falamos sobre respeitar o espaço pessoal dos outros? — Tanya, que também tinha entrado na sala puxou a filha das pernas de Ed. Minha amiga precisou fazer um esforço imenso para conter sua cria, sem permitir que ela se jogasse novamente sobre o Cullen.

— Você tem uma filha? — Ed perguntou decepcionado para Tanya.

— Sim, Valentina e ela é uma grande fã sua!

— Sou sua fã número um! — Valentina gritou, tentando novamente o abraçar, mas Tanya a deteve.

— Eu não sabia que Valentina era fã do Ed — comentei, daquela vez a decepcionada era eu, aquela menina era nova e seu maior ídolo era o Cullen? Santiago e Tanya estavam a educando muito mal, decepcionante.

— Você não sabe muito sobre a Tina, Isabella — Tanya alfinetou, eu me limitei a revirar meus olhos, sem querer ouvi-la reclamar sobre minha falta de proximidade com a pirralha. Oh, pirralha, por isso Valentina era fã de Ed, eles tinham a mesma idade mental. — Pode tirar uma foto com ela? Prometi que você aceitaria, então agora estou te coagindo a isso — Tanya clamou para Ed.

— Claro, fotos, tudo bem. — Ed passou a mão por seus cabelos, enquanto com a outra arrumava sua camiseta. Um grande metrossexual, mas ele era bonito e aquilo nos renderia milhões em futuras campanhas publicitárias. Quando conseguíssemos limpar a imagem dele para isso, já que todos ainda tinham os dois pés atrás com Ed, tanto que seus antigos contratos publicitários foram todos desfeitos no momento que ele foi sentenciado.

Tanya convocou Rosalie para ser a fotógrafa, já que ela também queria estar nas fotos com Ed. Valentina, sua mãe e o Cullen sorriram abertamente para o celular de Tanya onde as fotos seriam registradas.

— Mais uma, mais uma! — Valentina clamou, passando a mão por seus cabelos.

— Se você continuar explorando meu cliente para fotos irei te obrigar a pagar por elas — alertei a menina, que me olhou sem entender.

— Isabella, a Tina só tem cinco anos — Tanya falou, balançando a cabeça negativamente.

— Eu estou a ensinando como o mundo funciona, você deveria me agradecer por isso.

— Você é um ser cruel — Ed falou para mim, mas não pode esconder um sorrisinho malicioso. — Tina, né? — Ele se voltou para a garota.

— Sim! — ela berrou em confirmação.

— O que acha da Bella vir tirar uma foto com a gente?

O rosto de Valentina se iluminou ao ouvir aquilo, ela se virou para me olhar, seus olhos brilhavam.

— Vem tirar foto com a gente, tia Bella, vem!

— Não.

— Como você ousa dizer não a esse pedido tão doce, Isabella? — Edward dramatizou apertando a bochecha de Valentina.

— Você não esteve no último aniversário da Tina, está devendo uma foto com ela — Tanya se meteu. — Vamos, mova-se.

Xinguei baixinho, saindo do meu lugar para ir até o meio do meu escritório que eles tinham tornado em um estúdio fotográfico. Valentina estendeu seus braços para mim, a menina tinha verdadeira obsessão em ficar no meu colo, sempre que me via queria aquilo.

Antes que ela começasse a espernear e pedir por aquilo ao ponto de me dar dor de cabeça, eu a ergui em meus braços. Valentina beijou minha bochecha e não pude esconder meu descontentamento por aquilo, ela era tão grudenta.

— Perfeito, eu tiro essa, lindinha. — Tanya pegou seu celular das mãos de Rosalie.

Ed se posicionou ao meu lado, colocando sua mão em minhas costas. O tecido da minha blusa era fino o suficiente, permitindo que eu sentisse o calor do seu toque. O Cullen sorria para a câmera como se tudo estivesse em ordem, como se o polegar dele não estivesse fazendo movimentos contra mim, deixando-me arrepiada.

— Digam Xis! — Tanya ordenou.

Coloquei meu melhor sorriso no rosto, ouvindo o barulho do disparo.

— Oh bebê, você está tão linda! — Tanya exclamou, guardando seu celular no bolso e correndo até mim para arrancar Valentina dos meus braços. — Obrigada pelas fotos, Ed.

— Nós vamos cobrar — eu avisei, soltando-me do Cullen que ainda tocava em mim.

— Nem irei responder isso. — Tanya me lançou um olhar feio. — Tina, diga tchau, nós temos de ir encontrar seu pai para o almoço.

— Tchau, Ed! — Ela se jogou para os braços dele, Tanya não pode segurá-la naquele momento, por sorte o reflexo do Cullen era bom e segurou a menina. — Mamãe disse que posso ir no seu próximo show, legal, né?

— É, muito legal! — Edward ironizou, fazendo uma careta, devolvendo rapidamente Valentina para a mãe.

Elas se despediram de mim e Rosalie, saindo por fim.

— Ainda precisa de mim para mais alguma coisa?

— Não, você pode ir embora, mas sabe que amanhã tem que estar na gravadora.

— Eu sei, não sou idiota, você já falou isso antes! — Edward exclamou irritadiço.

— Não grite comigo, Cullen — ordenei, ele cerrou os dentes.

— Foi mal — pediu em um tom de voz bem baixo.

— Melhor irmos agora, Ed, a mamãe está esperando a gente para o almoço — Rosalie murmurou.

— Você pode ir indo na frente. — Empurrei Ed em direção à porta. — Quero falar com sua irmã por um segundo.

— O que quer falar com ela?

— O que quer falar comigo?

Os gêmeos indagaram juntos.

— É um assunto particular, vai! — Indiquei que Edward saísse, ele revirou os olhos verdes, mas saiu por fim.

— O que quer falar comigo? — Rosalie perguntou novamente.

— Por que seu pai não está aqui? — A garota empalideceu.

— E-Ele — ela gaguejou.

— Eu ligaria para ele se fosse você e pediria que Carlisle viesse passar um tempo em Los Angeles.

Rosalie respirou fundo, olhando para o chão.

— O papai não vai fazer isso, ele está com muita raiva do Edward por tudo que aconteceu. — Ela voltou a me olhar. — Não sei se um dia ele será capaz de perdoar meu irmão — confidenciou.

Ótimo, Carlisle seria um problema maior em Los Angeles do que na Inglaterra. Por via das dúvidas era melhor que ele continuasse no velho continente, mas Tanya e eu teríamos de lidar com os comentários que continuavam trazendo à tona a relação conturbada entre Edward e seu pai.

— Não fale para Ed sobre nossa conversinha. — Rose assentiu. — Ah, se eu fosse você ficava longe do Demetri — avisei quando ela alcançou a porta.

— Por quê? Você o quer de volta? — ela perguntou, aquele era o tom agressivo dela? Parecia tão doce ainda assim, aquela menina não pertencia à Los Angeles.

— Quer saber, divirta-se com Demetri. — Fui até a porta e a abri. — Tenha um bom dia, Rose! — debochei.

— Não brinque com meu irmão — Rose sussurrou antes de sair.

Tão inocente.

xoxoxo

Fiquei até tarde na produtora aquele dia, tendo até mesmo que dispensar a presença de James no meu apartamento aquele dia, pois não estaria disposta quando voltasse para casa. Eu já estava quase dormindo sobre o teclado do computador quando decidi que era a hora de ir embora, recolhi meus pertences e estava quase saindo quando me lembrei de algo.

Caminhei até meu armário, o abrindo. A grande caixa continuava lá zombando de mim, levantei a tampa, vendo a bota melhor. Era mesmo bonita, não muito propícia para o calor de Los Angeles, mas eu sempre estava viajando mesmo.

Eu peguei a caixa do armário, daria um jeito do Cullen nunca me ver nelas. Porém, não ia perder botas bonitas como aquela.

— Ei, Bella, você ainda quer que eu as jogue fora? — Irina me perguntou quando passei por sua mesa, onde ela continuava trabalhando.

— Não. — Segurei a caixa com um pouco mais de força. — Elas são minhas.

xoxoxo

Na manhã seguinte eu dirigi direto para o prédio da Hollywood Records, para estar presente durante o inicio da pré produção do novo álbum do Cullen. Obviamente o pirralho ainda não tinha chegado quando cheguei, mas toda a equipe de Laurent já estava a postos começando a trabalhar em ideias para depois repassar ao pirralho.

Tanya também estava ali, documentando tudo e preparando material de divulgação, no momento que ela tivesse uma foto de Ed junto com os outros começaria a divulgar nas redes sociais da produtora, e do cantor, que ele estava começando o próximo álbum. Ele só precisava chegar para isso, mas o pirralho não atendia o seu celular.

— Emmett já assinou tudo na produtora, o mandei vir para cá — Tanya me informou, enquanto eu conversava com Laurent.

— Certo. — Assenti, voltando a conversa com Laurent, até que Jasper chegou e nos interrompeu.

— Hey, ouvi falar muito sobre sua música, será bom trabalhar com você — Laurent falou para Jasper, apertando sua mão, após eu os apresentar.

— Será um prazer da minha parte também. — Jasper piscou para ele, Laurent riu, obviamente percebendo tudo.

— Laurent! — Tanya gritou por ele.

— Vou ver o que ela quer comigo, com licença. — Ele se afastou, me deixando só no canto da sala com Jasper.

— Acho que ainda não nos falamos direito, não desde aquele dia no meu apartamento — o guitarrista falou, afastando uma mecha de cabelo do meu rosto. — Será que podemos ir lá fora conversar melhor?

— Claro — concordei, seguindo com ele para fora da sala que estávamos.

Paramos no corredor que estava vazio, nos recostando na parede.

— Então, o que quer comigo? — indaguei, olhando diretamente para seu rosto. Jasper era lindo, fora que muito gostoso, isso eu sabia muito bem desde que tinha o visto só com uma toalha enrolada ao redor de si outro dia.

— Eu claramente aceitei voltar a trabalhar com Ed, mas antes de eu ir até ele você tinha falado sobre nós nos encontrarmos e discutimos sobre grana.

— Você quer quanto? — Fui direto ao ponto, Jasper tirou um papel do seu bolso, entregando para mim, lá estava escrito o tanto que ele queria. Era uma quantia alta, mas podíamos pagar. — Beleza, você terá isso, Jasper. — Devolvi o papel a ele, que sorriu ao ouvir aquilo.

— Sabe, eu não estou me vendendo para voltar a trabalhar com o Ed...

— Sabe, eu não estou nem ai — ironizei, Jasper riu. — Não estamos aqui por sermos melhores amigos, isso é trabalho. Eu não estou nem ai se você e Ed se odeiam, se amam, ou se vão acabar transando um dia. — Jasper engoliu em seco. — Só me importo que o trabalho seja bem feito, pois isso no final vai me garantir uma bela grana. — Dei um tapinha no rosto dele, que voltou a sorrir.

Ele tocou em minhas costas, se aproximando de mim. Seus dedos foram até o cós da minha calça, parando ali, então ele sussurrou em meu ouvido:

— Você é muito gostosa, Isabella. Principalmente falando essas coisas, sabe disso, não sabe?

Jasper deixou sua mão chegar a minha bunda, eu sabia o quão errada aquela merda era, mesmo assim o deixei me tocar por mais tempo do que deveria. O afastei, o empurrando pelo peito. O guitarrista soltou uma risada maliciosa, tocando em meu rosto.

Ouvi uma movimentação atrás de Jasper, olhei por cima de seu ombro, vendo Edward. O inglês não parecia nada contente, nos olhando com descrença.

— Hey, cara! — Jasper falou com Ed, que meneou a cabeça em um aceno. — Foi encantador falar com você, Isabella. — O loiro beijou minha bochecha, antes de se afastar. — Vou ir falar com Laurent agora. — Ele voltou para dentro da sala.

Edward se aproximou de mim, parando no lugar que seu amiguinho estava antes. O Cullen cruzou seus braços na frente do corpo, ainda me olhando com descrença.

— Jasper, Capitã?

— Como? — Me fiz de desentendida.

— Não se faça de tonta. — Ele fez uma careta. — Seu gosto é péssimo, James, Jasper, você é quem precisa de reabilitação aqui, para se curar dessa atração por esse tipo.

Gargalhei, Edward rolou seus olhos.

— Com tipo você quer dizer homens de verdade? Porque meu namorado é um grande homem, e Jasper parece saber muito bem o que faz — provoquei, passando minha mão por seu peito, por cima da camiseta vermelha que ele usava. A malhação estava dando resultado, o Cullen aos poucos deixava a aparência de muito magro de lado.

— Pague para ver. — Edward segurou minha mão. — Venha até minha casa e eu te mostrarei como sou muito melhor do que seu namoradinho, como muito melhor do que você possa imaginar que o Whitlock é.

— Espere sentado por isso. — Tirei minha mão do aperto seguro dele.

— Eu vou. — Edward me lançou um sorriso torto, seguindo até a porta da sala onde todos o esperavam. — Sentado na minha cama, eu te espero lá em breve.

xoxoxo

A equipe passou horas trancafiada na sala, inclusive todos almoçamos lá. Estávamos definindo calendário, contratação de banda, dançarinos, como ouvindo uma ou outra música que Jasper tinha composto e tocava para nós.

Edward estava sentado ao meu lado, ele não parecia contente com nada, sempre reclamado de algo. Por outro lado, o inglês também não tinha muitas ideias, ou sugestões.

— Então — Laurent começou a falar em determinado momento. — Ed tocara os principais singles dele no show daqui algumas semanas, a música final terá de ser alguma inédita que entrará no novo álbum, nós precisamos decidir uma e começar a gravação dela quanto antes. O que acha? — o produtor indagou Ed, que balançava suas pernas sem parar e torcia suas mãos sobre a mesa, enquanto as encarava.

— Ed? — o chamei, ele apenas se levantou sem falar nada, saindo apressadamente da sala e batendo a porta com força ao sair. — Merda! — praguejei, levantando também.

— Isso foi demais para ele. — Tanya me alcançou quando já estava do lado de fora da sala, eu olhava ao redor procurando por Ed, mas não o via.

— O que deu nele? — Vi Jasper deixando a sala também.

Não respondi, apenas voltei a andar olhando para dentro de cada sala daquele corredor a procura do Cullen. O achei em uma das últimas salas, era uma de mixagem de som, pequena e apertada, ele estava encolhido no canto da sala escura, agarrado a suas pernas enquanto chorava.

— Vá até o Laurent e diga que por hoje deu — sussurrei para Tanya, que lançou um olhar preocupado para Ed antes de se afastar. — Ei, Cullen. — Entrei ali, ligando a luz, ele se encolheu ainda mais diante a iluminação e percebi que aquilo só pioraria a situação. — Certo, vamos ficar no escuro, eu também prefiro assim. — Voltei a desligar as luzes.

Segui até Edward, ajoelhando-me diante dele. Não o toquei, com medo de que aquilo pudesse o assustar, mas fiquei perto o suficiente para que ele soubesse que eu estava ali.

Edward tremia, mesmo com a iluminação vindo apenas da luz do corredor, podia ver como ele estava abatido, seu rosto molhado por lágrimas, sua respiração também era rápida. Ele parecia muito vulnerável naquele momento, eu o entendia, sabia como aquela merda era.

— Você quer falar sobre o que está acontecendo? — perguntei baixinho, ele ergueu seu rosto, permitindo que eu visse o quão vermelhos seus olhos estavam.

— Eu só... — Ele se interrompeu, continuando a chorar. Suas mãos foram até seus cabelos, Ed os puxou, o que parecia doer.

— Não, não. — Segurei em seus pulsos, o detendo de continuar com aquilo.

— Cara, isso... Eu... — Olhei para a porta, vendo um assustado Jasper encarar seu amigo.

— Eu fico com ele, saia — ordenei, Jasper hesitou, mas saiu, deixando a porta quase toda fechada, deixando apenas um feixe de luz entrar. — Sinto muito se isso tudo foi demais para você — sussurrei para Edward, aos poucos soltando seus pulsos, a pele dele estava gelada, ele continuava chorando e tremendo. — Nós podemos adiar a pré produção em alguns dias.

— Isso iria ferrar com tudo — Ed sussurrou, seus olhos estavam fechados.

— Não podemos continuar se você estiver impossibilitado. — Apoiei minhas mãos em seus joelhos.

— Eu nunca vou melhorar, essa merda nunca passa — se queixou torturado.

— Ei, é horrível sentir isso, mas estamos aqui para te ajudar. Eu estou aqui para te ajudar. — Edward abriu seus olhos. — Diga-me o que posso fazer por você.

Os lábios dele tremeram, Edward deu de ombros e voltou a fechar os olhos. Suas mãos foram para a lateral do seu rosto, enquanto seu choro se tornava pior.

Sentei diante dele, mantendo meus olhos sobre si. Edward era alto, mas estava tão encolhido naquele momento que sua altura quase passava despercebida.

— Você quer ir para casa? — Ele negou com um aceno de cabeça. — Quer um pouco de água? — Outra recusa. — Certo.

Me movi no chão até estar ao seu lado, lentamente afaguei seu braço. Ed soluçou, mas não parei de o tocar, continuando a tentar esquentar sua pele fria.

— Vem cá. — O puxei para mim, fazendo com que ele ficasse com o rosto repousado em meu ombro, enquanto com o braço livre o apertava contra mim como podia naquela posição.

— Bella — disse meu nome com dor.

— Respira fundo — instrui, tudo que ele fez foi só soluçar outra vez. — Vamos, Betty, respire comigo. — Inspirei fundo o incentivando. — Sei que consegue. Vamos lá, mais uma vez. — Inspirei fundo e daquela vez o senti fazer o mesmo. — Isso! — parabenizei.

— Não quero parar a produção do álbum, só... — ele se calou, ainda chorando.

— Não pense nisso agora, nós vamos resolver isso tudo depois, agora eu só quero que você respire fundo.

Ele assentiu contra meu ombro, voltando a respirar fundo.

— Você cheira a morangos, Capitã — murmurou.

Sorri, afagando seus cabelos.

— Respire — foi tudo que falei.

Passamos algum tempo ali, no chão da sala escura, sozinhos, enquanto Ed controlava a si mesmo.

— Estou cansado — se queixou em determinado momento, sua voz era sonolenta. — Quero ir para casa, Bella.

— Vamos, eu te deixo lá. — Levantei, ajudando Ed a se levantar também.

Agarrei seu braço, temendo que sair daquela sala o fizesse voltar ao estado anterior. Lá fora estavam Jasper e Tanya, ambos apreensivos.

—Estou levando Ed para casa, certo? — Eles assentiram, Jasper abriu a boca para dizer algo ao amigo, que tinha o olhar preso em seus tênis, mas não disse nada.

— Emmett está ai, talvez ele possa te seguir no carro do Ed — Tanya sugeriu.

— Sim, isso parece uma boa ideia. — Meti a mão no bolso da calça do Cullen, o pegando de surpresa e fazendo com que ele olhasse espantado para mim. — Só estou pegando suas chaves, não se excite com isso. — Ele deu um pequeno sorriso, mas seu rosto ainda estava mergulhado em dor. — Aqui. — Passei as chaves do carro de Ed para Tanya entregar para Emmett.

Conduzi o Cullen para o elevador, então o levei para a garagem onde meu carro estava. O larguei, deixando com que ele entrasse no banco do carona, enquanto eu ia para o lugar do motorista.

Dirigi em silêncio até a casa dele, Ed estava entretido com Los Angeles passando pela janela. Eu não liguei o som, nem ele resolveu mexer no meu carro.

Vi Emmett nos seguindo de perto, no carro do Cullen. Ele era eficiente, aquilo era bom, Ed precisava mesmo de alguém para ficar de olho nele. Eu não confiava em sua mãe e irmã, elas eram permissivas demais, passavam muito a mão na cabeça dele. Talvez por isso o pai estivesse em Bath, talvez Carlisle não concordasse com tudo aquilo e não ficava puxando o saco do filho.

Parei meu carro bem diante a mansão, Emmett colocou o carro do Cullen na entrada da garagem. Esme e Rosalie estavam na porta da casa, eu tinha falado com a mais velha pelo interfone e dito que o filho dela não estava muito bem. Ed suspirou quando as viu, esfregando seu rosto com as mãos.

— Você deveria marcar uma hora com o médico que te atendeu quando esteve na clínica. — Ele me olhou, parecendo descontente com a sugestão.

— Não estou doente para ficar marcando hora com médico.

— Edward! — falei com a voz firme, ele bufou, esfregando seu rosto novamente. — Isso vai ajudar, você precisa disso.

— Não quero parar a produção do meu álbum, eu quero voltar, parar agora seria um fracasso.

— Não vamos parar — concordei. — Mas, quero que você marque com seu médico.

— Por que você se preocupa?

— Porque não quero que entre em colapso e nos cause mais dor de cabeça, estou investindo muito tempo em você. Descartei ser a empresária daquela banda em New York, estou pondo Riley e Kate nas mãos de Alistair e Jessica, para me dedicar a sua carreira o máximo, não vou deixar isso tudo ir por água abaixo.

— Claro, você não quer perder seu pote de ouro.

— Isso mesmo, você sabe que não aceitei ser sua empresária por pena, sim por dinheiro. — Suspirei. — Mas, não vou deixar você se matar trabalhando. — Ele me encarou. — Caius provavelmente não se importava com isso, deixando você ir aos extremos, comigo vai ser diferente. Eu quero que você tenha um álbum de qualidade, quero que seus shows sejam ovacionados, quero que ganhe o Grammys de álbum do ano que prometi, só que não conseguirei isso se você estiver se matando nos bastidores.

— Por que você quer isso tudo?

— Meu nome está entrelaçado ao seu agora, Cullen, o seu sucesso é o meu também. Se você cair, eu caio junto e não vou cair, entendeu?

— Entendi.

Olhei para o lado de fora do carro, vendo Esme e Rosalie impacientes.

— Melhor você sair agora, te vejo amanhã na gravadora.

— Certo. — Ele tirou o cinto. — Até amanhã.

— Ei, Ed? — o chamei quando ele abriu a porta do carro. — Obrigada pelas botas.

Ele sorriu, um sorriso maior e mais verdadeiro daquela vez.

— Me agradeça as usando, Capitã. — Ele saiu do carro, mas antes que eu pudesse sequer pensar em voltar a dirigir, retornou para dentro. — Obrigada por me ajudar, Bella. — Beijou meu rosto.

— De nada — sussurrei, deixando-o ir.

xoxoxo

Ed estava melhor nos dias seguintes, ele desconversou quando perguntei sobre seu médico, mas decidi lhe dar um tempo antes de voltar a falar sobre aquilo. Eu estive na gravadora com ele e o resto da equipe na quarta e quinta, eles estavam escolhendo as músicas para o álbum, ainda sem um nome definido, Jasper tinha algumas muito boas, mas nem todas poderíamos usar. Eles também estavam consultando composições de outras pessoas, mas era um trabalho longo.

— Eu quero compor algumas coisas também — Ed insistia, por mais que soubesse que ele não era o melhor compositor me baseando nas músicas anteriores que ele compôs, pelo menos eu permitiria e depois poderia vetar, ou fazer Laurent vetar por mim.

Na sexta-feira me dei o dia de folga, era meu aniversário de namoro com James e queria aproveitar. Nós ficamos na cama até mais tarde, ele cozinhou algo e almoçamos em meu apartamento, então ele foi embora se preparar para nosso jantar especial.

Eu estava começando a me arrumar quando meu celular tocou, era Edward.

— Seja rápido — falei assim que atendi.

— Por que você não foi à gravadora hoje?

— Estava com meu namorado, é nosso aniversário de namoro hoje.

— Ew, que meloso! — Ed resmungou. — Eu compus uma música, você quer ouvir?

— Não, estou com pressa.

— Isabella!

— Pirralho, eu estou me arrumando para ir jantar com meu namorado no dia do nosso aniversário, não vou passar minha noite te ouvindo, tchau! — Desliguei antes que ele pudesse protestar mais.

Duas horas depois eu estava pronta e James apareceu, ele usava terno, camisa, sapatos e calça social. Eu usava um vestido verde que tinha ganhado de Renesmee algum tempo antes, ele era bem princesinha, chegava aos meus joelhos, tinha um decote discreto e mangas curtas, com a saia levemente armada. Aquela noite prendi meus cabelos em um coque elegante, deixando uma franja na frente do meu rosto, usava saltos e um colar que tinha recebido de James aquela semana.

Ele tinha me coberto de presentes, pulseira, camisa do meu time de futebol americano, ursinho de pelúcia, e muito mais. Depois de muito debater comigo mesma, acabei comprando um relógio para ele, James gostava de relógios, ele não reclamaria em ter mais um em sua coleção.

— Você está linda, Baby! — James disse quando me viu, estendendo-me um buquê de rosas.

— Obrigada, Jimmy. — Recebi as flores e beijei seus lábios, quis aprofundar o beijo, desistir do jantar e voltar para cama, mas sabia que ele não iria querer. — Vou colocá-las em um vaso. — Sinalizei para as flores, seguindo até a cozinha, Norma Jeane estava lá comendo e me ignorou.

Depois de achar um vaso para as flores, eu pude voltar até Jimmy e deixamos meu apartamento. Ele dirigiu aquela noite, enquanto escutávamos música country, ao meu pedido.

— Não estamos indo para o restaurante — falei quando percebi o caminho diferente que ele pegava.

— Não, não estamos mesmo — Jimmy concordou, abrindo um sorriso faceiro para mim.

— E para onde estamos indo? — indaguei curiosa.

— Você verá — Jimmy prometeu.

Eu realmente vi, claro. James dirigiu até a marina da cidade, o que me pegou de surpresa.

— Pedi o iate do seu pai emprestado — ele contou, enquanto andávamos pelo píer para ir até o iate de Charlie.

— Pensei que seria um simples jantar no seu restaurante.

— Não — Jimmy negou. — Será um simples jantar em um iate.

— Em um iate de milhões de dólares, com quatro quartos? Isso não soa simples — brinquei, vendo o iate por fim, todo iluminado e com a tripulação a postos, o que queria dizer que não ficaríamos ancorados.

Antes que eu pudesse entrar no iate por conta própria, James me pegou no colo, fazendo com que risse do gesto dele. Cumprimentamos o capitão, então fomos direto para a popa do iate, lá atrás tinha uma mesa para dois, já pronta para nosso jantar, assim como estava decorado com flores e luzes brilhantes que me faziam pensar no Natal.

Não demoramos muito para começar a navegar e logo para jantar, eu queria mesmo que fossemos para um dos quartos do iate. Tinha transado aquela manhã com Jimmy, mas precisava de mais.

Quando acabamos de jantar Jimmy insistiu para que ficássemos lá fora por mais um tempo, bebemos mais um pouco de champanhe, enquanto estávamos sentados em um banco e nos beijávamos. Até que lhe entreguei meu presente, ele pareceu gostar do relógio, ou fingiu muito bem gostar.

— Agora é minha vez. — James se levantou, me deixando continuar sentada, acenou para alguém que estava na cabine do iate.

— Jimmy?

— Calma, confia em mim, Baby.

Ouvi minha música favorita começar a tocar, ou pelo menos a música que eu dizia ser a minha favorita, já que a minha favorita mesmo eu não confessaria nem sob ameaças. A música tocando aquela noite, a que todos acreditavam ser minha preferida, era uma de papai, chamada The First, a primeira, uma composição de papai em minha homenagem.

James sorriu carinhosamente para mim, olhei ao longe e vi fogos de artifício começando a estourar no céu, por um tempo me perdi apreciando as cores. Quando voltei a olhar para meu namorado, ele estava ajoelhado na minha frente, com uma caixinha de anel em mãos.

— Jimmy! — exclamei, segurando com força a taça de champanhe em minha mão.

— Deus, me deixe falar, estou ansioso demais aqui — ele pediu, rindo, soando nervoso. — Eu te amo, Isabella Swan, acho que te amo desde o momento que você se apresentou para mim. Ter você em minha vida foi a melhor coisa que poderia acontecer comigo, pois quando te olho tudo para e o mundo fica melhor. Prometo que irei cuidar de você, que irei te amar e que sempre, sempre, vou ser seu melhor amigo. Quero você na minha vida, pelo resto dos meus dias, então, você aceita se casar comigo?