Capítulo Doze
Edward Cullen
"Lauren Mallory diz que Ed Cullen é o amor de sua vida."
Conheci Lauren em uma festa, por meio de amigos em comuns. A garota Mallory era californiana, vinda de uma cidade perto de São Francisco, chamada Santa Cruz. Lauren tinha se mudado para Los Angeles querendo se tornar uma atriz, tínhamos a mesma idade quando nos conhecemos.
Desde aquela primeira noite eu já estava fascinado por Lauren, deslumbrado e encantado pela garota. Eu tentei levá-la para a cama naquele mesmo dia, entretanto ela negou, dizendo que queria ir com calma.
A calma durou uma semana, até que enfim nós transassemos e eu percebesse naquele instante que já estava apaixonado por ela. Então, tudo foi rápido. O namoro, o noivado, o amor.
Eu pensei que seria eterno, estava enganado.
xoxoxo
Era sexta-feira à noite e eu estava preso em casa, mais uma vez. Aquela rotina já estava me irritando, ir malhar toda manhã, depois seguir para a gravadora e terminar o dia vegetando em casa. Eu queria sair, ir curtir a vida lá fora.
Entretanto, não podia. Talvez fosse melhor assim, levando em conta minha crise de ansiedade na gravadora no começo da semana, seria arriscado demais ter uma daquelas no meio de uma festa.
Porra, seria uma grande vergonha. Eu podia imaginar com precisão as manchetes debochando de mim, todos iriam rir e me chamar de louco.
Não precisava daquilo, já estava sendo ruim o suficiente ter que lidar com os olhares preocupados da minha mãe, irmã, Jasper e Tanya, as pessoas que sabiam da crise. Isabella também sabia, entretanto todas as vezes que nos encontramos depois daquilo ela não me olhou com pena como os outros me olhavam, o que me estressava ainda mais, a Capitã parecia realmente saber como aquela merda era.
— Você está aqui embaixo tem muito tempo. — Olhei para trás, vendo minha mãe aparecendo na sala de música da minha mansão, eu estava lá desde que tinha voltado da gravadora mais cedo.
Desde o dia da minha crise comecei a trabalhar, sozinho, em uma música. Tinha terminado ela mais cedo, eu liguei para Isabella, querendo que a Capitã escutasse e desse sua opinião, mas ela estava ocupadinha com seu namorado de pinto pequeno.
— Como vai sua composição? — mamãe me perguntou curiosa, estendendo-me um copo de suco, tentando espiar as folhas com a letra e partitura da música sobre o piano.
— Mãe, cai fora! — exigi, juntando as folhas rapidamente, sem querer que ela visse nada escrito nelas.
— Ei, calma, Ed — ela pediu, parando de tentar espiar. — Só te fiz uma pergunta.
— A composição vai bem, mas não quero você a lendo — resmunguei, pondo uma folha em branco por cima das outras, pegando por fim o suco que ela tinha levado para mim, tomando tudo de uma vez.
— Você pensou melhor sobre ir até o Dr. Marcus? — perguntou baixinho, hesitante.
— Não vou me encontrar com médico nenhum. — Devolvi o copo para ela. — Eu não estou doente.
— Ed...
— Mãe, estou tentando trabalhar aqui. — Gesticulei para o piano. — Você não percebe? Tenho muito o que fazer, então, saia.
— Tudo bem, Ed, vou deixá-lo trabalhar — ela concordou, movendo-se para fora da sala.
Encarei as teclas do piano, enquanto pensava naquela que estava inspirando a canção. Eu a queria ali comigo, precisava dela, desesperadamente.
Suspirei frustrado, morrendo de saudades de Lauren. Daria tudo para vê-la, por mais uma noite com ela. Não devia, mas continuava apaixonado por ela, talvez aquela paixão nunca fosse morrer. Afinal, por meses cogitei que nos casaríamos, eu realmente a amava.
Quando me dei conta já estava chorando, minhas lágrimas caindo sobre as teclas do piano. Era muito vergonhoso, humilhante.
Por que eu continuava chorando sobre uma garota que só me usou por fama? Uma garota que quando as coisas se complicaram me largou sem uma explicação? Eu era um idiota, não devia continuar sentindo nada por Lauren Mallory, muito menos ficar compondo uma música sobre ela, pelo menos não uma canção sobre amor.
Recolhi todo o trabalho que tinha produzido nos últimos dias, rasguei folha por folha, me certificando que ninguém mais ia ter acesso aquilo. Quando deixei as folhas em mil pedacinhos ilegíveis, joguei tudo dentro do lixo, o lugar que eu também devia jogar fora o sentimento patético que continuava nutrindo por Lauren.
Olhei para o piano uma última vez, desistindo de compor qualquer coisa. Lauren não merecia uma música, nem qualquer outra garota.
xoxoxo
No sábado de manhã eu segui com Rosalie até a academia do condômino para malharmos, sendo seguido por meu novo segurança, Emmett. O novo cara e Felix estavam se revezando, e aquele dia era por conta de Emmett.
— Então, você é de Boston? — Rose perguntou a ele, enquanto caminhávamos até o prédio da academia, eu ia na frente, os dois atrás de mim.
Eu não entendia a necessidade da minha irmã de puxar papo com os empregados, só que ela fazia isso com todos. Uma vez foi até para o aniversário da filha de uma empregada da minha mansão, Rosalie era boazinha demais.
— Nascido e criado — Emmett respondeu. — E vocês?
— Marte — debochei em reposta, ganhando um tapa no braço de Rose, mas não doeu de verdade.
— Bath, fica na Inglaterra — Rose contou. — É um lugar bonito, sinto falta de lá.
Me desliguei do papinho dos dois, sem querer ficar pensando em Bath, ou no meu pai que continuava morando lá. Principalmente em Carlisle, pensar nele me dava dor de cabeça.
Logo chegamos à academia, onde Chris já nos esperava para o treino. Claro que um treino leve para Rose, um pesado para mim, já que o maldito do meu personal continuava acatando as ordens de Isabella.
Rose tentou convencer o segurança a treinar com a gente, mas ele se recusou, ficando do lado de fora do prédio da academia fazendo o trabalho dele de manter os outros afastados de mim. Quando o treino acabou horas depois tudo que queria fazer era morrer, de tão cansado que estava, porém eu ainda tinha de ir para a gravadora aquele dia.
— Cadê a Isabella? — perguntei para Tanya no momento que a encontrei na gravadora, ela estava em uma conversa animada com Jasper, que tinha um violão em mãos e tocava uma das canções que provavelmente entrariam no meu novo CD.
Não tínhamos definido muitas canções, na verdade nem muito mais sobre o álbum como um todo. Antes de ir para a clínica eu estava cheio de ideias, mas todas elas pareciam uma merda depois dos meses internado.
— Eu não sei, ela só me mandou uma mensagem mais cedo mandando cuidar de tudo, pois vai passar o resto do fim de semana ausente. — Tanya deu de ombros, tomando um pouco do café do copo em suas mãos. — Então, é bom que não se meta em problemas enquanto sou eu no comando, Ed. — Tanya piscou para mim, sorrindo maliciosamente, entretanto boa parte do tesão que eu sentia por ela morreu quando descobri que a mulher tinha uma filha, aquilo era muito.
— Não vou criar problemas.
— Espero que cumpra sua promessa — Tanya falou, antes de se afastar até Laurent, que tinha acabado de entrar na sala que estávamos.
— Ela é gostosa! — Jasper assobiou, olhando diretamente para a bunda da Tanya.
— Ela é, mas tem uma filha — contei, com uma careta no rosto.
— Foda-se, eu não sou o pai, a pirralha não é um problema meu. — Jasper abriu um sorriso largo para mim. — Realmente não sei escolher quem é mais gostosa, ela ou Isabella.
— Tanya — respondi prontamente, mas por um segundo parei para considerar, será que ela era a mais gostosa mesmo? — Eu acho, tanto faz. — Bufei. — Se quer saber as duas já se pegaram — confidenciei ao meu amigo, que me olhou chocado. — É, eu sei, isso é ótimo de se imaginar.
— Com certeza vou fantasiar com isso no meu próximo banho — Jasper falou, começando a dedilhar Shoud I Stay or Shoud I Go, do The Clash, no seu violão. — Então, como você está hoje?
— Melhor impossível — ironizei, pegando meu celular e ligando para Isabella, só que ela não me atendia. — Onde essa mulher se enfiou?
— Isabella?
— Sim!
— É, dois dias sem olhar para aquela mulher e meu mundo já está arruinado — Jasper falou, soando triste. — Ela é tão gostosa, será que aquele namoro dela e do mestre cuca é mesmo monogâmico? Porra, eu adoraria fazer um trio com os dois.
— Jasper!
— O quê? Só estou falando a verdade — ele se defendeu, parando de tocar. — Isabella pareceu gostar muito da minha investida outro dia.
— Há, até parece. — Revirei os olhos, Jasper sorriu para mim.
— O que foi, Cullen? Acha que não consigo nada com a Swan?
— Sim, é exatamente isso que estou falando. — Forcei um sorriso para ele. — Se alguém aqui tiver algo com ela não será você, caro amigo.
Os olhos de Jasper brilharam, ele parecia ter compreendido algo.
— Você a quer.
— Se você diz. — Dei de ombros.
— Que tal uma aposta? — Jasper sugeriu.
— Do que está falando?
— Vamos apostar quem de nós dois consegue ficar primeiro com Isabella Swan, Ed.
Ele estava falando sério?
— O que foi? — indagou quando permaneci mudo. — Está com medo da sua Capitã descobrir nossa brincadeirinha?
— Jasper, Ed, venham até aqui! — Laurent chamou pela gente, me impossibilitando de responder.
— Pensa bem, Ed — Jasper sorriu para mim antes de se afastar até Laurent.
Eu queria apostar, seria divertido. Ao mesmo tempo aquilo parecia um grande problema, se Isabella descobrisse eu estaria muito fodido.
Peguei o celular outra vez, ligando novamente para ela. A voz robótica logo me informou que o celular dela estava desligado, por que ela não atendia aquela merda? O que estava acontecendo?
Laurent me chamou outra vez e fui até a grande mesa, sentando ao lado de Jasper, enquanto os outros conversavam sobre as músicas escolhidas até aquele momento. Meu amigo passou o violão para mim, eu sequer toquei, sem vontade para aquilo.
— E ai? Você já pensou? — Jasper perguntou para mim, soando empolgado.
— Eu não sei — murmurei.
— Vai ser legal, devo tomar isso como um sim? — Ele estendeu a mão para mim, só que me recusei a apertar. — Por que você não está concordando?
Apenas voltei minha atenção para o violão, tocando a melodia que tinha composto para a música descartada sobre Lauren. Eu podia ter jogado tudo no lixo, mas a melodia permanecia viva em mim, assim como o que sentia por aquela garota.
— Isso soa bom para mim, Cullen — Tanya falou do outro lado da mesa, me observando com atenção. — Não podia ser uma faixa mais tranquila do álbum? — sugeriu para Laurent, que parecia considerar.
— Com alguns ajustes, dependendo da letra.
— Sem chances. — Devolvi o violão para Jasper, que me olhava com confusão no olhar. — Eu não vou colocar essa música em circulação.
— Mas...
— Não e não — interrompi Laurent, que bufou. — Não adianta insistir.
xoxoxo
Fiquei até tarde na gravadora aquele sábado, não por questão de trabalho, sim por estar cantando uma das assistentes da Hollywood Records. Ela se chamava Chelsea, durante todos aqueles dias quando nos topávamos pelos corredores ela sorria para mim e soltava um Oi, Ed.
Sendo assim, no sábado eu decidi agir.
— Que tal você ir jantar comigo lá em casa? — propus, enquanto enrolava uma mecha do cabelo loiro dela em meu dedo, vendo o sorriso deslumbrado da garota sobre mim.
— Sério?
— Claro, a sobremesa está garantida. — Sorri de volta, soltando seu cabelo, estávamos perto de um balcão, eu peguei papel e caneta e anotei meu endereço, entregando para ela. — Aqui, vou na frente e te encontro lá, Chelsea.
— Sim, eu com certeza vou aparecer lá — ela concordou prontamente, seus olhos azuis eram brilhantes e entusiasmados, por um minuto pensei nela como Lauren, as duas até que eram parecidas.
— Te vejo lá, gatinha. — Me afastei, Jasper estava esperando por mim perto do elevador, com seu violão nas costas.
— Boa fisgada — elogiou quando entramos no elevador.
— É, eu sei. — Assenti, apertando o botão da garagem, onde Emmett estava esperando para irmos embora. Ele, assim como Felix, também ganhava para dirigir para mim quando preciso.
— Vai aceitar ou não a aposta? — Fingi que não ouvi a pergunta dele, mexendo em meu celular, mandando mensagens para Isabella. Queria que ela soubesse que eu estava com uma garota, para que a mulher não surtasse caso isso chegasse aos ouvidos de tirana dela. — Cara, qual seu problema?
— Problema nenhum — respondi, quando o elevador chegou à garagem. — Te vejo na segunda.
— Ei, espera! — Jasper me seguiu pela garagem, logo Emmett me viu e abriu a porta do carro para mim. — Opa, você é novo! — Jasper exclamou para Emmett.
— Por favor, não comece a cantar meu segurança, Jasper — pedi irritado, ele riu, olhando para mim.
— Só disse que ele era novo, Ed — Jasper falou para mim, antes de se voltar para Emmett, estendendo uma mão para o segurança. — Jasper Whitlock, qual seu nome, senhor?
— Emmett McCarty. — O segurança apertou a mão do meu amigo com força, já que Jasper fez uma careta. Aproveitei a distração do guitarrista para entrar no carro, antes que ele voltasse a encher meu saco.
— Um prazer te conhecer, Emmett, quando estiver de folga me deixa saber — disse para ele, retornando mais uma vez sua atenção para mim. — E quanto a nossa apostinha, Cullen?
— Tchau, Jasper! — Bati a porta do carro na cara dele, pude vê-lo resmungar algo, mas não podia ouvir. — Direto para minha casa, Emmett — ordenei para o segurança quando ele entrou no carro.
— Sim, senhor.
Emmett, quando ninguém estava falando com ele, era tão calado quanto Felix. Aquilo era ótimo, quanto mais eu pudesse ignorar papo desnecessário era melhor.
Quando cheguei a minha casa Rose estava sozinha lá, assistindo algum filme idiota na sala de TV.
— Hey, o que vamos jantar? — ela me perguntou, limpando os olhos em um lencinho.
— Você sempre chora assistindo essas merdas? — indaguei.
— Algumas pessoas tem sentimentos, Ed — rebateu. — Fora que esse é um lindo filme sobre...
— Não estou interessado em ouvir sobre — a interrompi, ela me olhou irritada. — Cadê a mamãe?
— Ia sair para jantar com o pessoal da ONG, depois ia dormir no apartamento dela.
— Excelente, porque eu vou receber uma convidada essa noite. — Rose fez uma careta. — Não é uma garota de programa, eu juro.
— Tanto faz. — Rose desligou a TV. — Talvez seja melhor eu sair e voltar mais tarde.
— Você faria isso por mim, irmãzinha? — Peguei minha carteira, estendendo meu cartão para ela. — Sabe a senha, pode gastar o quanto quiser.
— Não quero sua grana, Ed — recusou, ficando de pé.
— Vai sair com o Demetri?
— Não, ele está em New York para a gravação de um programa de entrevistas esse fim de semana — contou. — Vou ao cinema, ou algo assim.
— Ok, peça para o tal de Emmett dirigir para você. — Estiquei mais uma vez o cartão para ela.
— Ed, não preciso do seu cartão, ou do seu segurança.
— Eu estou insistindo. — Coloquei o cartão na mão dela. — Vou tomar um banho, tchau!
Corri para o segundo andar, querendo ficar pronto antes de Chelsea chegar. Shrek estava no meu quarto, então parei por um minuto para dar carinho ao meu cachorro, enquanto ligava outra vez para Bella, mas ela continuava com o celular desligado e não respondia nenhuma mensagem minha.
— O que você está aprontando, Capitã? — perguntei para mim mesmo, antes de jogar meu celular de lado e ir por Shrek para fora, pois não queria ele sujando meu quarto.
Tomei um banho rápido e me vesti, Rose já tinha ido embora, deixado o cartão, mas Emmett parecia ter ido junto. Eu estava esperando Chelsea aparecer, quando meu celular tocou, por um minuto pensei ser Isabella, mas era só Jasper perguntando pela milésima vez se eu iria ou não aceitar a aposta.
Por fim Chelsea chegou, ela também tinha trocado de roupas. Não vestia mais a calça jeans e camiseta de antes, mudando para um vestido preto curto.
— Uau, nem acredito que estou mesmo na casa de Ed Cullen — falou, lancei meu melhor sorriso para a garota, segurando em seu rosto com ambas as mãos.
— Gatinha, eu prometo que você poderá vir aqui outras vezes, mas preciso de um grande favor seu.
Ela riu baixinho, até corou um pouco.
— Transar com você não será um favor, Ed, quero muito isso. — Percorreu sua mão por meu peito.
— Sim, nós transaremos pelo resto da noite — afirmei. — Agora, quero que depois, amanhã, você consiga o número de alguém para mim. — Ela me olhou curiosa. — Lauren Mallory. — Chelsea fez uma careta. — Sei que consegue, você é assistente na Hollywood Records e conhece muita gente importante, pode facilmente conseguir esse número para mim, não?
— Ela é sua ex-noiva, você não tem o número dela?
— Não estaria pedindo se tivesse.
— Por que não pede para sua equipe, ou para um amigo conseguir o número? — Chelsea reclamou, rolando seus grandes olhos.
— Você não pode fazer isso por mim? — dramatizei, levando meus lábios ao seu pescoço, ela tinha um cheiro floral enjoativo, mas serviria por uma noite. — Pense em quanto vamos nos divertir, isso seria somente uma recompensa, gatinha.
— Certo — ela gemeu em resposta. — Eu posso fazer isso por você, Ed.
Sim, claro que ela poderia fazer.
xoxoxo
Não deixei Chelsea dormir na minha casa, por mais que ela tivesse insinuado que queria muito que aquilo acontecesse. O sexo com ela foi mediano, nada surpreendente e a garota não parava de me beijar e de repetir o quão incrível aquilo era.
Obviamente não teríamos uma segunda noite, eu só queria que ela conseguisse o número de Lauren para mim logo para que pudesse apagar o contato dela do meu celular. Eu apenas precisava do número de Lauren de novo, talvez nunca ligasse para ela, só... Estava com saudades, necessitava de alguma forma amenizar aquilo.
— A mamãe não vem pra cá hoje? — indaguei Rose, enquanto nós dois tostávamos sob o Sol no meio da tarde. Chelsea ainda não tinha conseguido o número, mas prometeu que estava procurando por ele. Isabella também continuava incomunicável, o que já estava me tirando do sério, não parecia algo da Capitã sumir por tanto tempo.
— Sei lá, ela ainda não me ligou, ou mandou mensagem — Rose respondeu, mexendo em seu celular.
— Você se divertiu com o segurança ontem?
— Emmett? Eu só pedi que ele me deixasse no cinema, depois o liberei — ela respondeu, sorrindo e olhando para mim. — Demetri mandou mensagens e disse que esta com saudades, não é fofo?
— Saudades de mim? — indaguei horrorizado.
— O que? Não, Ed! — Rose riu. — Saudades de mim.
— Ah, menos mal. Ainda que eu ache que vocês... — Eu me calei quando notei o olhar revoltado dela sobre mim. — Melhor eu me calar.
— Sim, melhor você se calar — ela concordou. — É realmente estranho a mamãe ainda não ter dado as caras, ou sequer ligado — disse parecendo distante, perdida em seus pensamentos.
— Vou ligar para ela. — Peguei meu celular, mas ela como Isabella também não me atendia.
Rosalie e eu passamos o resto do dia na piscina, nos dividindo entre nadar e ligar para nossa desaparecida mãe. Já era de noite, meio da noite, quando Esme apareceu, Rose e eu até mesmo já tínhamos jantado.
— Eu estava te procurando! — Esbravejei quando a vi, sem entender aquele sorrisinho bobo no rosto dela. — Onde você estava? Por que está sorrindo assim?
— Eu só estive com uns amigos — contou, ficando séria rapidamente. — Desculpem não ter atendido as ligações de vocês, estava ocupada.
— Nossa, que jantar demorado esse com seus amigos — Rose falou, com sarcasmo na voz dela, o que não era muito comum vindo da minha irmã, o que me pegou de surpresa.
— Rosalie! — mamãe chamou a atenção dela.
— Por acaso nesse jantar estava aquele tal de Blake Stevens? — minha irmã questionou nossa mãe com fúria na voz, sim, aquilo não estava nada certo.
— Espera, o que está acontecendo aqui? — perguntei sem entender nada. — Quem é Blake Stevens?
— Ele é um professor lá na ONG — mamãe contou, suspirando. — Rose...
— Termina de contar a história para o Ed, mãe!
— Que história?
— Você não vai contar? Eu conto! — Rosalie exclamou. — Um dia, quando você estava na clínica, eu fui até o apartamento da mamãe e a flagrei lá com esse tal de Blake Stevens.
— Flagrou? Você quer dizer que...
— Quero dizer que vi a mamãe e esse tal de Blake aos beijos.
— Mãe! — gritei, Esme suspirou, escondendo o rosto atrás das mãos.
— E ela disse que foi algo de momento, que não aconteceria de novo, até por legalmente ela ainda ser casada com o papai.
— Eu não sou mais a esposa do seu pai! — Esme gritou para Rosalie, fazendo com que eu me assustasse. — Ele terminou tudo, você consegue entender isso? Assinar os papéis do divórcio é só uma mera formalidade agora.
— E você está por ai se esfregando em qualquer um ao invés de assinar aquelas merdas de papéis de uma vez — Rose falou, começando a chorar. — Vai saber a quanto tempo você e esse Blake não estão tendo um caso, talvez antes mesmo de papai e você se separarem.
— Não acredito que você está insinuando que eu trai seu pai, Rosalie Cullen!
— Você traiu? — me atrevi a perguntar, sobre o choro alto de Rosalie.
Esme me olhou horrorizada.
— Realmente acha que trai o Carlisle, Edward?
— Não sei, como também não sabia sobre esse seu namoradinho — falei, ainda confuso com tudo aquilo.
— Bom, para a informação de vocês eu nunca trai Carlisle, eu o amava. — Amava, no passado, o casamento deles tinha mesmo acabado, não? — Blake é um ótimo cara e me faz bem, não vou terminar com ele porque vocês dois estão de birra sobre meu relacionamento.
— Birra? — Rose riu, enquanto continuava chorando. — No dia que flagrei vocês dois você disse que ainda amava o papai, que por você o casamento não tinha acabado.
— Você está vendo o seu pai aqui, Rosalie? — Esme berrou, fazendo Rose e eu nos encolhermos ao mesmo tempo. — Não, não está. O seu pai nem mesmo consegue passar por cima do orgulho dele e estar aqui por Ed, filho dele, imagina lutar comigo para retomar nosso casamento. Eu cansei, de viver em espera, de ficar sofrendo por Carlisle, dele me acusando por tudo que deu errado, decidi seguir minha vida, sinto muito se vocês estão chateados com isso, mas eu não vou abrir mão do Blake pelos ciúmes de vocês dois. Podem ficar tranquilos, vou assinar o divórcio em breve.
Nós não falamos mais nada, nem mesmo ela. Esme apenas deu meia volta e seguiu para fora da mansão, eu pude ouvir ela batendo a porta com força.
— Por que não me falou sobre esse cara antes? — perguntei para Rose, que estava apoiada sobre o balcão, chorando.
— Realmente pensei que era só uma coisa de momento, que ela não ia transformar isso em algo mais sério.
— Talvez ela esteja certa, Rose — murmurei, minha irmã me olhou indignada. — Só estou falando, o casamento dela e do papai já não estava indo bem mesmo, se isso for o melhor...
— Você só sabe o melhor para si mesmo, Edward — Rose me atacou. — Eu nunca vou aceitar Esme junto com esse cara, ela é a esposa do papai. Se ela quiser que assine os papéis de uma vez, ate lá isso tudo é uma traição para mim.
— Você acha que Carlisle está vivendo em celibato na Inglaterra? — indaguei, Rose abriu a boca para responder, mas ficou calada. — Pois é, você não parece ter tanta certeza do celibato do papai.
— Não vou discutir isso com você, não vou mesmo! — Rose saiu apressadamente da cozinha, batendo o pé.
Suspirei, sentando ao chão da cozinha, recostando minha cabeça no balcão. Shrek logo se enfiou no meu colo, pedindo por carinho, eu dei o que ele queria.
Meu celular tocou, com uma força tirada do fundo do meu corpo, o peguei no bolso e atendi. Era Chelsea.
— Ed, consegui o número que você queria — contou, soando orgulhosa de si mesma.
Lauren, pensei.
Por que mesmo eu ligaria para ela? O que ganharia com aquilo? Eu tinha de esquecê-la, esquecer a melodia da sua música também. Meus pais nunca mais voltariam a ficar juntos, Lauren e eu também não. O amor era uma merda, que não durava nada, só fazia machucar.
— Não preciso mais do número, Chelsea.
— Como? Mas... — Desliguei antes de voltar a ouvir seu falatório, bloqueei o número da assistente, sem querer ter ela me atormentando.
Rodei minha lista de contatos, pensando em alguém para ligar. Eu pensei em ligar para mamãe e pedir desculpas por acusá-la de ter traído Carlisle, mas ela também não tinha me contado sobre Blake. Pensei em ligar para Jasper e jogar conversa fora, mas ele falaria sobre a aposta. Cheguei a colocar o número de Alice na discagem, mas não apertei o botão de chamada, ela queria que eu participasse do seu programa e Bella tinha me proibido, não faria aquilo.
Por fim, eu liguei para a Capitã. Talvez a atormentar um pouco me fizesse rir, só que ela ainda não me atendia.
xoxoxo
Rosalie não saiu do seu quarto na manhã seguinte, o que me fez malhar sozinho com Chris. O personal pareceu notar meu estado de espírito péssimo, deixando com que eu praticasse um pouco de boxe e extravasasse.
Depois daquilo eu me arrumei e fui com Emmett, o segurança do dia, até o prédio da Swan Productions, não sabia o que realmente queria com Isabella, mas seria bom revê-la e provocá-la, depois de dias sem poder fazer isso. Como eu só teria de ir para a gravadora de tarde, não tinha nada que me impedisse.
— Oi, Irina! — Acenei para a assistente de Bella, já caminhando em direção a sala da Capitã.
— Ed, você não pode entrar! — ela exclamou nervosa. — Bella disse que não quer ver ninguém, você...
— Claro que poso entrar. — Cheguei até a porta, a escancarando.
Lá dentro vi Tanya e Isabella, as duas riam, enquanto a loira segurava uma garrafa de champanhe e minha empresária duas taças. Elas me olharam ao mesmo tempo, pareciam realmente animadas, Isabella estava até bronzeada.
— Ed! — Tanya soltou um gritinho. — Você chegou bem na hora da comemoração.
— O que estamos comemorando? — Entrei na sala, fechando a porta atrás de mim.
Tanya olhou com questionamento para Bella, que apenas assentiu.
— Isabella vai se casar! — Tanya gritou, erguendo a garrafa de champanhe.
— Co-Como? — gaguejei.
Isabella entregou uma taça para Tanya, estendendo sua mão para mim, permitindo que eu visse um grandioso anel de noivado em seu dedo.
— Eu estou noiva, pirralho.
