Capítulo Treze

Isabella Swan

"James Klein assume namoro com Isabella Swan."

Depois de tudo que vivi com Paul, eu pensei que nunca mais me apaixonaria. Estive com vários caras, com Tanya e beijei outras garotas, entretanto nunca cai de amores por ninguém, até James aparecer na minha vida.

Seu olhar gentil, suas palavras agradáveis, seu sorriso deslumbrante e principalmente sua maturidade, me encantaram. Eu, que não me via apaixonada por ninguém desde o desastre que foi estar com Paul Lahote, estava apaixonada por James.

Ainda assim, não foi fácil quando todos descobriram sobre nós dois. Acho que nunca seria fácil simplesmente expor minha vida pessoal, não era antes do Escândalo Swan e só ficou mais complicado depois.

Entretanto, depois da mídia começar a divulgar fotos de nós dois, James e eu conversamos se deveríamos realmente assumir aquilo em uma entrevista. Eu estava nervosa sobre isso, mas me vi aceitando que ele assumisse nossa relação em uma entrevista que daria.

Aquele cuidado dele comigo, a segurança que James me passava, me fez ver que ele era um cara bom. Eu podia estar com ele, podia estar apaixonada e o amar, era uma pena que aqueles sentimentos não agiam em mim na mesma intensidade que agiam em James.

xoxoxo

Como era que se respirava? Expira e inspira? Ou inspira e expira?

— Baby? — James chamou por mim, atraindo minha atenção.

Lá continuávamos nós dois, no iate do meu pai na noite de sexta-feira do nosso aniversário de namoro, no meio do pedido de casamento.

Porra, casamento!

James estava me pedindo para casar com ele, um noivado, um status de relacionamento mais elevado entre nós dois. Eu poderia aceitar? Deveria? Queria?

O amava, sabia disso, mas casamento era algo grande. Não me imaginava casando com ninguém desde que Paul me destroçou, era uma ideia assustadora.

— Isabella, respire — James orientou, me fazendo perceber que até aquele momento eu não tinha respirado.

Fiz aquilo, inspirei fundo, sentindo o ar entrando em meus pulmões. James permanecia ajoelhado diante de mim, segurando a caixinha com o anel de noivado. Uma joia claramente cara, mas simples, de ouro dourado, com uma pequena pedra de diamante em cima.

— Você não quer? — James perguntou baixinho, engolindo em seco, seu olhar ficando mais ansioso.

Eu o perderia se dissesse que não? Quer dizer, o amava, não queria o perder. James era tão bom para mim, nós nos dávamos bem e estar com ele era calmo e perfeito.

— Eu te amo tanto, Jimmy — sussurrei, tocando em seu rosto com a mão livre.

— Amo você também, Baby. — Sorriu para mim.

Não podia dizer não, eu sabia que negar o pedido seria errado e que no futuro me arrependeria. Perder James seria estupidez, eu tinha de aceitar, precisava deixar meu passado para trás e o superar.

— Sim — respondi, James suspirou, rindo um pouco, ainda nervoso. — Sim, James, eu aceito me casar com você.

— Você disse sim! — James comemorou, em um grito de felicidade.

Sorri para ele, sentindo-me um pouquinho feliz com aquilo. Seria questão de tempo até que eu me acostumasse com a ideia de ser uma noiva, ia acabar adorando aquilo, no fundo eu sabia que era a coisa certa não deixar James ir.

— Coloque o anel em mim! — exigi, forçando ainda mais meu sorriso, querendo que ele me visse feliz, querendo que aquele momento não fosse arruinado.

James fez aquilo, colocou o anel em meu dedo e o beijou. O anel era meio pesadinho, mas eu já tinha usado joias mais incomodas, aquele não me incomodaria, só que já estava surtando de pensar em sair com ele na rua, o que faria todos saberem do noivado.

— Eu te amo! — James exclamou, erguendo seu corpo do chão. Segurou em meu rosto e me beijou, me distraindo da linha de pensamentos sobre sair por ai com aquele anel.

— Nós temos que voltar para a marina logo? — perguntei, querendo transar, precisava daquilo.

— Não, podemos ficar por aqui até amanhã — Jimmy respondeu, afastando-se de mim, ele tirou a taça de champanhe da minha mão e a apoiou no suporte mais próximo, então, me pegou no colo. — Você é minha noiva, Baby — falou, emocionado, seus olhos brilhavam de alegria.

— A noiva mais feliz do mundo.

Como eu conseguia soar tão convincente quando aquela não era a verdade? É, acho que mesmo não sendo mais uma atriz, eu continuava atuando muito bem.

Jimmy me carregou para dentro do iate, eu fiquei um pouco envergonhada quando passamos pela tripulação que estava trabalhando para a gente aquela noite, sem querer que ninguém nos visse naquele momento mais privativo. Dei um jeito de esconder minha mão, mesmo que eu soubesse que aquela altura eles já sabiam sobre o pedido de casamento, afinal James tinha feito uma grande coisa sobre aquilo.

Meu namorado... Meu noivo, melhor dizendo, me levou até o quarto principal do iate de Charlie.

Ele estava pronto para nós, champanhe no gelo, música tocando, cama arrumada e cheia de pétalas de flores. James me colocou no chão e foi até a mesinha, abrindo a garrafa de champanhe e servindo nós dois.

Me uni a ele, pegando a taça que me entregou.

— Ao melhor aniversário que já tivemos. — Ele ergueu sua taça para um brinde. — Que venham muitos outros, em breve como marido e mulher.

Eu hesitei, mas brindei junto de James. Virei todo o champanhe da minha taça em um único gole, querendo muito álcool naquele momento, eu também queria algo mais forte do que bebida, bem mais forte, só que não cederia.

Minha vida estava no rumo certo, nada nem ninguém me tiraria daquele mar calmo.

— Morangos com chocolate! — James comemorou, pegando uma caixinha de bombons sobre a mesa. — Você quer um, Baby? — Olhei para os bombons, sentindo meu estomago revirar.

Não, eu não queria morangos.

— Só quero você, James — declarei, pulando para seus braços e o beijando.

O anel em meu dedo parecia pesar mais, talvez fosse minha consciência.

xoxoxo

Não dormi aquela noite, infelizmente não por passar a noite inteira transando, apesar de James ter me feito gozar duas vezes, uma em sua boca, outra no seu pau. Mas, eu não tinha dormido por minha cabeça estar cheia e não conseguia parar de olhar para meu anel de noivado.

Deixei James dormindo na cama, me levantei, peguei o celular dele do bolso de sua calça e mandei uma mensagem para Tanya de lá, já que meu próprio celular tinha ficado no meu apartamento. Avisei minha amiga que eu estaria o resto do fim de semana incomunicável, mas não dei detalhes, contaria sobre o noivado só na segunda, mandei ela tomar conta de tudo sobre trabalho no meu lugar e fui informada de que meu pai tinha avisado ela — já que não tinha conseguido falar comigo — que estaria no Tennessee com Carmen até o fim de semana seguinte, que como eu, Charlie não queria ser incomodado.

Após acertar tudo com Tanya eu apaguei as mensagens do celular de James, indo o acordar. Ele estava dormindo apenas de cueca, mal ficando coberto sob o lençol branco. Subi na cama junto dele, percorrendo minha mão por seu corpo perfeito, sentindo sua pele contra a minha.

— Hora de acordar, noivo — sussurrei, me inclinando para falar diretamente em seu ouvido.

— Noivo — James sussurrou de volta, eu não podia ver seu rosto, já que passei a beijar seu pescoço, mas ele parecia sorrir. — Repete — pediu.

— Noivo, meu noivo.

Quem sabe se eu ficasse repetindo aquilo constantemente iria me adequar melhor à novidade.

— Que tal irmos para Malibu? — Voltei minha atenção para o rosto sonolento de Jimmy, mas ele realmente sorria como pensei.

— Sério?

— Sim, ficamos até amanhã de noite, vamos tirar um tempinho para nós dois curtirmos o noivado. — Sorri para ele. — Claro que vamos ter que levar a Norma Jeane, mas você me entendeu, podemos ficar na minha casa lá.

— Parece perfeito para mim — James concordou sem hesitar. — Posso deixar o restaurante por uns dias, mas você pode deixar seu trabalho?

— Já deixei, sou toda sua.

E seria para o resto das nossas vidas...

— Isso é incrível! — James tornou a comemorar, sentando na cama. — Vai ser ótimo escapar um pouquinho, Baby. — Tocou na minha mão que abrigava o anel de noivado.

— Ei — murmurei. — Você ficaria muito chateado se a gente não saísse contando sobre isso para todo mundo ainda? — questionei. — Só para nossas famílias e amigos mais próximos por enquanto, não estou pronta para aguentar todo mundo falando sobre meu noivado.

James assentiu.

— Tudo no seu tempo. — Levou minha mão aos seus lábios. — Não quero te apressar em nada, Baby, sei que isso tudo é muita coisa para digerir.

— Certo. — Pigarrei. — Então, não precisamos marcar uma data, né? Não ainda, quero dizer. É que tenho tanto trabalho nos próximos meses, não posso lidar com a organização de um casamento, não um casamento perfeito, como quero que seja o nosso — me apressei em falar.

Ok, no fundo eu ainda era uma mulher que se fosse para casar faria aquilo com grande estilo. Talvez um casamento na Itália, ou mesmo na África do Sul, quem sabe na Tailândia.

— Sem datas por enquanto. — James tornou a beijar minha mão. — Podemos curtir nosso noivado com calma, talvez irmos morar juntos por um tempo antes do casamento... — Algo em mim deve ter feito Jimmy se calar. — Ok, acho que estou te apressando. Vamos só pedir que levem o iate de volta para marina e partir para Malibu, ok? — Assenti.

— E o pessoal da tripulação...

— Dei um bom valor e contratos de confidencialidade para que assinassem, assim como você me ensinou, ninguém falará nada e se falarem iremos os processar. — James beijou a lateral da minha cabeça. — E eu vou entender se você quiser andar sem seu anel por ai por um tempo, isso seria mesmo um grande chamariz para si.

— Eu te amo — declarei, sabendo que James me amava muito de volta por ser tão compreensível.

— Quem sabe a gente não marca o casamento para nosso aniversário de cinco anos de namoro — ele falou, afagando meu braço. — Daqui a dois anos.

Concordei com um aceno de cabeça, pensando sobre aquilo. Dois anos, parecia longe, mas ao mesmo tempo eu sabia que estava perto. Em dois anos eu seria uma mulher casada?

xoxoxo

Passar o fim de semana reclusa em Malibu foi excelente, éramos apenas James e eu, com a companhia de Norma Jeane. Meu... Noivo, cozinhava para a gente, ficamos sem mexer na internet e somente escutávamos músicas com os CDS da coleção que eu tinha ali na minha casa.

Aquela tinha sido a primeira casa que comprei, com apenas dezesseis anos, tinha dois andares, três suítes, sala de jogos, sauna, piscina e até mesmo uma faixa de areia privativa. Meu lugarzinho favorito na costa leste dos Estados Unidos, um bom local para simplesmente espairecer.

Um refúgio, como muitos chamavam. Por mais de uma vez eu tinha dirigido até Malibu com Paul, feito sexo, usado drogas e declamado minha paixão por ele em cada canto daquela casa.

Eu tinha pensando em vender o imóvel, em esquecer as lembranças entranhadas lá, mas não tive coragem de me desfazer do meu primeiro lar. Prometi a mim que não deixaria mais Paul me enlouquecer, mas sempre que entrava lá, o impacto inicial era pensar nele.

Mesmo com isso, era sempre maravilhoso estar em Malibu e não foi diferente daquela vez. Eu estava mesmo chateada por ter de voltar para casa, mas era necessário, ainda tinha uma vida para coordenar e mais quatro para tomar conta.

James não pode dormir no meu apartamento no domingo, nem eu no dele, pois precisávamos acordar cedo na manhã seguinte. Sabia que nos separamos não seria necessário se dividíssemos um apartamento, ou casa, mas queria aproveitar morar sozinha por mais um tempo, principalmente se levássemos a sério a ideia de nos casarmos em apenas dois anos.

Quando fui me arrumar na segunda-feira, para ir trabalhar, eu me deparei com a caixa contendo as botas que Edward tinha dado para mim em meu closet. Elas eram botas semelhantes à de montaria, com saltos baixos, mas tinha canos altos que deveriam passar dos meus joelhos e era preta e de camurça.

Lindas, eu queria poder a usar, mas não as usaria correndo o risco de Edward me ver com elas. Não precisava do pirralho me provocando sobre aquilo, não mesmo.

Eu me arrumei ignorando as botas, colocando uma calça jeans clara com manchas que eram projetadas desde sua fabricação para deixar a peça de roupa estilosa, uma blusa branca com mangas e detalhes em renda e saltos cor de creme. Meus cabelos estavam soltos e ondulados, minha pele pouco maquiada, já que eu queria aproveitar o bronzeado que tinha conquistado com aqueles dois dias em Malibu.

Antes de sair de casa e depois de alimentar Norma Jeane, eu peguei uma garrafa de champanhe que tinha no apartamento, contaria para Tanya sobre o noivado e queria comemorar com ela. Dirigi até o prédio da produtora ouvindo Vance Joy, cantando as músicas como se estivesse no show.

— Bom dia, Bella! — Irina saudou quando deixei o elevador no andar da minha sala. — Você está tão bonita — elogiou.

— Eu sei. — Estendi minha mão livre para ela, pegando a pasta com documentos que a assistente já tinha para mim. — Algum problema enquanto estive fora?

— Não, tudo foi tranquilo — contou sorridente. — Comemorando algo? — indagou curiosa, apontando para a garrafa de champanhe que eu carregava comigo.

— Sim, mas não é da sua conta — alertei. — Ligue para Tanya e a mande até aqui, quando ela chegar eu não quero ver mais ninguém, entendeu?

— Sim, claro.

— Ótimo.

Fui para minha sala, larguei minha bolsa sobre a mesa, junto com pasta e a garrafa de champanhe, peguei duas taças do armário que eu tinha ali. Não demorou muito para Tanya aparecer, com um sorrisinho malicioso nos lábios ao fechar a porta atrás de si.

— Você fodeu muito no fim de semana, não foi? — me perguntou, eu ri, remexendo em minha bolsa e tirando o anel de lá, coloquei em minha mão e deixei Tanya entender o resto.

Minha amiga empalideceu um pouco pela surpresa, arregalando os olhos. Andou até mim, ainda sem crer, pelo o que eu podia ver em suas feições.

— Isso é sério?

— Sim, super sério.

Tanya agarrou minha mão, analisando o anel.

— Por que a pedra é tão pequena? Isso é mesmo real, você está noiva?

— Jimmy sabe que eu não gosto de joias exageradas...

— Os brincos que você está usando custaram nove mil dólares, Isabella.

— Esqueça isso, a questão é que sim, eu estou mesmo noiva.

— Puta merda! — Tanya gritou, então me abraçou apertado. — Você irá casar e terá bebês, nós estamos envelhecendo, caralho — falou, mas contendendo seu tom de voz.

— Eca, não vou ter bebês, que horror — resmunguei. — E para sua informação eu não estou envelhecendo. — Toquei na pele ao redor dos meus olhos, me certificando que ela estava firme, não caída.

— Você vai fazer trinta e um... — Tanya se calou. — Não me distraia, o importante aqui é que você vai casar. Já pensaram na data? Está em cima da hora, mas você pode ter um casamento no verão, ou esperar o seu aniversário e fazer uma festa de outono. Quem vai desenhar seu vestido? Já pensou na música para a primeira dança? E a lua de mel? Eu vou ser a dama de honra ou uma das suas irmãs? A Tina pode ser a daminha? Onde vão morar? — A metralhadora de perguntas dela me deu dor de cabeça.

— Tanya, para! — praticamente gritei com ela, que se calou por fim.

— Foi mal, eu apenas me empolguei.

— Deu pra perceber — resmunguei. — Por enquanto só estou noiva, nada mais foi decidido.

— Como assim?

Dei um breve resumo a ela, sobre o pedido e o que Jimmy e eu tínhamos acordado, que por sorte me ouviu atentamente.

— Bella, tem certeza de que foi a melhor decisão aceitar esse pedido de casamento? — ela me perguntou hesitante.

— Sim, eu posso não estar pronta ainda para casar, mas não perderei o Jimmy. — Peguei a taça de champanhe, passando para as mãos dela. — Na verdade, estou bem feliz com isso tudo, por isso vamos comemorar!

— Não é meio cedo para champanhe?

— Tanya!

— Ok, ok!

Eu peguei as taças, Tanya com costume abriu a garrafa de champanhe. O som da rolha sendo sacada nos fez rir, principalmente quando um pouco de espuma caiu sobre o chão. Tanya serviu os champanhes nas taças, eu estava prestes a passar uma para ela, quando a porta da minha sala foi abruptamente aberta.

Era Ed Cullen, claro que o pirralho apareceria, ele tinha lotado meu celular de ligações e mensagens durante o fim de semana.

— Ed! — Tanya gritou, animada. — Você chegou bem na hora da comemoração — ela anunciou.

— O que estamos comemorando? — O Cullen terminou de entrar na minha sala, fechando a porta.

Tanya me olhou com a pergunta estampada em seus olhos, eu assenti, deixando com que ela contasse. Ed não era meu amigo, ou parte da minha família, mas trabalhávamos juntos, era melhor que ele soubesse sobre meu noivado.

— Isabella vai casar! — Tanya gritou, por sorte minha sala tinha vedação de som, ou aquela altura toda Califórnia já saberia sobre meu noivado.

— Co-Como? — O Cullen gaguejou a pergunta.

Entreguei uma taça para Tanya e estendi minha mão para Edward, deixando com que ele visse meu anel de noivado.

— Eu estou noiva, pirralho — contei alegre, vendo a cara dele se fechar em uma careta.

— Não, não está — discordou, me fazendo rir.

— Eu acho que saberia caso não estivesse mesmo noiva, Ed. — Beberiquei meu champanhe. — Jimmy fez o pedido na sexta, claro que aceitei — acrescentei, triunfante, a testa de Edward estava franzida, cheia de rugas por conta da cara de poucos amigos que você fazia.

— Você é louca de querer casar.

Eu não queria, não ainda, mas Edward não precisava saber disso.

— Nem todos os noivados são fracassados quanto o seu foi, Betty — provoquei, o fazendo bufar.

— Que se foda, meus parabéns, em breve você irá fazer parte da porcentagem que se divorcia — ele resmungou, olhando para a garrafa de champanhe na mão de Tanya. — Posso brindar com vocês?

— Nem pensar! — Neguei prontamente, bebi o resto do meu champanhe e coloquei a taça na mesa, Tanya tratou de virar sua taça também, bebericando um pouco da garrafa.

— Não seja estraga prazeres, Capitã. — Edward revirou os olhos, indo sentar no meu sofá.

— Eu preciso ir, vou com Kate para uma sessão de fotos — Tanya anunciou. — Parabéns pelo noivado. — Ela beijou minha bochecha. — É uma pena que agora nós duas seremos casadas e não poderemos foder juntas nunca mais.

— Podiam fazer isso agora mesmo, eu não me importo de olhar. — Escutei Edward falar, Tanya riu, eu apenas engoli em seco, querendo não pensar em sexo com ela e principalmente no Cullen nos assistindo. — Melhor ainda se eu puder assistir.

— Não vai acontecer! — Tanya e eu exclamamos juntas. — Vou levar a garrafa comigo, um pouco de sedativo pra ver se Kate não chora muito na minha cabeça.

Ela enfiou sua taça vazia na minha mão, acenou para Edward e saiu, batendo a porta.

— O que veio fazer aqui? — indaguei Edward, colocando minha taça junto à de Tanya.

O cantor se levantou e caminhou até mim, seus olhos verdes focados em mim. Parou a centímetros de distância, analisando-me com cuidado.

— Apenas estava perto e passei por aqui — respondeu simplesmente, por que não achava que aquilo era uma verdade?

Eu ia falar algo, mas perdi o raciocínio quando Edward tomou minha mão na sua. Ele percorreu o dedo pelo anel de noivado, enquanto falava:

— É uma grande joia.

Gargalhei, tirando minha mão da dele, sem querer mais aquele contato entre nós dois.

— É um anel simples, você não entende nada de joias.

Ele olhou para meu rosto com uma expressão confusa.

— Quer dizer que além de ter um pinto pequeno seu namoradinho também te dá diamantes minúsculos?

— Olha, tem certeza de que não é no mínimo bissexual? Você parece interessado demais no tamanho do pau do meu namorado.

— Noivo — ele me corrigiu, com um olhar desafiador. — E você sabe muito bem que não curto caras, Capitã. Agora, se quiser mais provas da minha heterossexualidade é só pedir.

Edward se aproximou mais de mim, ele estava tão perto que suas pernas tocaram nas minhas e por um segundo desejei não estar usando jeans, desejei que ele também não estivesse usando nada, só para senti-lo melhor. O Cullen também estava perto o suficiente para eu sentir sua respiração, cheirava a morango e algo refrescante, ele devia estar mascando antes o chiclete que tinha me oferecido outro dia.

— Peça! — Edward exigiu, colocando suas mãos na mesa atrás de mim.

Respirei fundo, sendo atingida por seu perfume, o movimento também fez meus seios tocarem no peito dele. Aquilo fez um arrepio gostoso cruzar meu corpo, me deixando quente ao mesmo tempo.

— Isabella — sussurrou meu nome, respirando fundo também. — Peça! — Os lábios dele tocaram meu queixo, fazendo com que eu soltasse o ar.

Recuperei o juízo, aquilo era bom, mas errado. Não podia ficar naquele joguinho de provocação com Edward, por isso o afastei com um empurrão.

Edward riu, passando a mão por seus cabelos, os bagunçando mais ainda. O sorriso dele era prepotente, cheio de marra.

— Devia ver seu rosto, Capitã, está fodidamente corado — alertou, eu sabia, sentia meu rosto pegando fogo. — Acho que vou indo, te vejo por aí, quando quiser comprovar minha sexualidade é só chamar. — Piscou e seguiu com passos confiantes para a saída da sala.

Eu não sei quanto tempo fiquei parada, muda e com a cabeça agitada pensando no que tinha acabado de conhecer. Por fim, tirei o anel do meu dedo e o recoloquei na bolsa, me livrando um pouco do peso, que eu sabia ser mesmo na consciência.

xoxoxo

Passei o resto do dia trabalhando na produtora, querendo recuperar o tempo perdido do fim de semana ausente, também por não querer ir até a gravadora e topar mais uma vez com Ed aquele dia. Eu não precisava de mais provocações, não que elas fossem findar em algo, claro.

Como James trabalharia aquele dia, eu requisitei minhas irmãs para comemorarem o noivado comigo em um bar, Tanya teria ido se ela não tivesse que ir para uma reunião idiota na escola da filha. Renesmee e Alice não acreditaram nas minhas mensagens contando que estavam noivas, mas toparam se encontrar comigo no bar.

Fui a primeira a chegar ao bar, que tinha música ao vivo e uma mesa já reservada para mim. Eu pedi uma cerveja, já cansada de ter passado o fim de semana inteiro bebendo champanhe.

Fiquei bebendo e ouvindo a cantora, que fazia um cover de Coldplay. A garota era boa, iniciante, mas todos tinham um começo. Eu teria me levantado e entregado um cartão para ela, mas tudo que não queria naquele momento era um novo artista para agenciar, precisava focar nos que já tinha, pelo menos até a carreira de Ed estar consolidada novamente.

— Oi, Bells! — Ness chegou até a mesa, escoltada por seu novo segurança, Kanye. — Você pode esperar lá fora, estou bem aqui — avisou o homem, que tinha a cabeça raspada e um olhar assassino, Alistair tinha garantido que era um dos melhores e que minha irmã estaria protegida com ele por perto.

Kanye assentiu e saiu do bar, Renesmee acenou para algumas pessoas que passavam por nós e claramente a reconheciam. Claro que aquilo foi um incentivo, o que fez pelo menos uma dezena de pessoas amontoarem nossa mesa e pedirem por autógrafos e fotos para ela.

Alice chegou bem no meio daquilo, o que só fez mais pessoas quererem tirar fotos, se alguém me reconheceu, o que com certeza aconteceu, não me importunaram. Levou minutos até que minhas irmãs por fim sentassem, Renesmee sorria tranquilamente, enquanto Alice tinha um sorriso de dona do mundo no rosto.

— O que quer beber, Ness? — Alice perguntou para Renesmee quando a garçonete foi nos atender.

— Apenas uma coca, gravo amanhã cedo, não quero encher a cara.

— Criança — debochei, virando o resto da minha cerveja. — Quero mais uma dessas, não me deixe ficar sem — exigi para a garçonete, que concordou.

— Eu vou querer um Martini — Alice pediu, deixando com que a garçonete se afastasse. — E ai? Falar que você está noiva é código para que? — me perguntou.

— Para nada, estou realmente noiva — insisti.

— Para de graça, Bella. — Ness riu.

— Não estou brincando.

— Até parece.

Resmunguei, peguei minha bolsa e a coloquei em cima da mesa, a abri e deixei com que minhas irmãs vissem o anel lá dentro.

— Olhem!

— E-Eu — Renesmee gaguejou. — Isso é muito surpreendente.

— Uau, você vai casar mesmo — Alice falou, surpresa. — Sabe o que isso significa, né?

— Sim, que eu estarei com Jimmy para sempre.

— Exatamente, Bells, você estará apenas com o Jimmy para sempre. Só vai ter sexo com um único cara a partir de agora, é meio deprimente.

— Alice! — Ness chamou a atenção dela, enquanto eu engolia em seco e fechava minha bolsa.

— Só estou falando a verdade — Alice se defendeu.

— Eu acho que é perfeito, Bells — Ness disse, sorridente. — Você e Jimmy são perfeitos juntos, ele é um cara decente e atencioso, será um excelente marido.

— É, eu amo ele — sussurrei, Alice riu. — Eu amo sim.

— Ok, você pode o amar, mas não o suficiente, não ama como ele te ama, né?

Odiava Alice, por que ela tinha de me conhecer tão bem?

— Se meta nos seus próprios relacionamentos — foi tudo que falei.

Nós ficamos em silêncio quando a garçonete retornou com as bebidas.

— Me conte tudo sobre o pedido, como foi? Ele fez um discurso? O anel é lindo! — Renesmee proclamou.

— É pequeno! — Alice protestou. — E olha que James tem grana, podia ter gastado mais em uma pedra maior. Pelo menos peça um anel maior, Bells.

— Eu não farei isso, Alice!

— Você já vai foder com um único cara pelo resto da vida, o que custa ter um anel mais caro?

— Você tem um namorado, tecnicamente também deveria estar fodendo com só um cara — Ness sussurrou para Alice e senti que eu estava perdendo algo.

— Espera, você já está traindo o Randall? — indaguei.

— Não — Alice mentiu descaradamente.

— Eu fui visitar ela no sábado e Alice estava com o porteiro do prédio dela.

— Ele só foi reparar algo em meu apartamento. — Alice deu de ombros, bebendo do seu Martini. Renesmee balançou a cabeça em negação, enquanto nossa irmã estava distraída, Alice sinalizou com as mãos para mim o tamanho do pau do porteiro.

Não pude me importar menos com ela traindo Randall, ele era um babaca e eu sabia que minha irmã estava com o Dwyer apenas por conveniência.

— Alice, eu sabia! — Ness acusou, nos fazendo rir, era tão bom estar com minhas irmãs, eu quase podia me sentir em uma família normal, não em uma disfuncional com uma mãe que me desprezou.

Tinha pensado muito em Renée naquele dia, em imaginar como seria um casamento sem minha mãe, e em como ela reagiria quando soubesse do noivado. Provavelmente não daria a mínima, uma vez que eu não era mais a mina de ouro dela.

— Vocês sabem que serão minhas madrinhas, não sabem? — perguntei para as meninas. — Tanya será a dama de honra, mas quero vocês duas lá comigo.

— Não perderíamos isso por nada, Bells — Ness prometeu, segurando em uma mão minha, enquanto Alice segurava na outra, ambas sorrindo.

— Eu posso escolher meu vestido? — Alice perguntou.

— Pode — permiti.

— Ótimo, então eu serei uma das madrinhas, ai posso te ajudar a fugir mais fácil quando perceber que não quer casar coisa nenhuma.

— Você é uma péssima influência — afirmei.

— Eu sei disso. — Alice piscou para mim. — Mas, você foi uma primeiro.

— Alice! — Bati no braço dela, fazendo com que nós três voltássemos a rir.

xoxoxo

A noite com as meninas acabou sendo melhor do que o esperado, Renesmee acabou desistindo de se manter apenas em seu refrigerante e se uniu a Alice e eu na bebida. Entretanto, antes que pudéssemos dar algum vexame no bar, minha irmã caçula sugeriu que fossemos terminar a noite bebendo na casa dela, foi o que fizemos.

Bebemos tanto que no dia seguinte acordei com a maior ressaca em meses, eu mal conseguia ficar de olhos abertos. Acabei me atrasando para o trabalho, assim como minhas irmãs também, nós estávamos uma grande bagunça e decidimos almoçar juntas, pedindo comida ali mesmo na casa de Renesmee.

— Ele não atende — Alice reclamou, quando mais uma vez ligou para papai, mas foi direto para a caixa postal, eu também tinha tentado falar com ele diversas vezes no dia anterior, mas nada.

— Espero que aquela puta mexicana não tenha o arrastado até lá para o matar. — Remexi na minha caixinha de comida chinesa.

— Isabella, não fala assim da Carmen, ela é legal.

— É uma vadia interesseira — Alice tirou as palavras da minha boca.

— Você só está com o Randall por ele ser filho do dono da emissora que você trabalha — Renesmee rebateu, mas Alice não pareceu abalada, ela nunca parecia.

— O papai está sendo enganado e você fica sendo amiguinha da puta mexicana. — Alice comeu um pouco.

— Pelo menos eu não sou fantoche nas mãos de Renée.

A fala de Renesmee nos pegou de surpresa, até ela mesma, nós nos calamos e o clima na cozinha pesou.

— É melhor eu ir trabalhar — Ness falou por fim, jogando o resto da sua comida no lixo. — Tenho que manter meu emprego, tive de recusar aquele papel na outra série por conta do conteúdo sexual forte demais e não sou namorada de nenhum herdeiro.

Obviamente aquilo era uma indireta para Alice e eu, a parte sexual por eu ter convencido ela a recusar o papel na série sobre prostituição, pois eu tinha dito que não seria bom para a imagem dela. E, a parte de Alice, claramente por ela estar com Randall por interesse.

— Vou me arrumar, vocês podem ir embora! — Renesmee exclamou, subindo para o segundo andar pela escada da cozinha.

— Ela está nos expulsando? — Alice indagou, chocada.

— É, ela está nos expulsando. — Deixei a comida de lado. — Renesmee, eu te amo!

— Eu sei! — ela gritou lá de cima. — Também amo vocês, mas quero que caiam fora da minha casa em dez minutos, no máximo.

xoxoxo

Dei uma carona para Alice, que me azucrinou pedindo que eu deixasse Ed participar do programa dela — o que eu continuei negando — e depois de deixá-la em seu apartamento fui para o meu. Troquei de roupas e segui para a gravadora, eu tinha de checar pessoalmente como estava indo a pré produção do álbum do Cullen.

— Você parece acabada! — Tanya, que estava lá, exclamou quando me viu.

— Vai se foder — protestei, ajustando os óculos de Sol no meu rosto, já que continuava sofrendo os efeitos da ressaca.

— Como estão indo as coisas por aqui?

— Até que bem, duas músicas já estão oficialmente definidas, composições do Jasper. Uma se chama Noite, que fala sobre festas. A outra é Liberdade, que é sobre liberdade sexual.

— Ed topou isso? — indaguei surpresa, já que partindo de Jasper deveria ser algo que nos remeteria diretamente a causa LGBT.

— Ele não se opôs. — Deu de ombros. — De qualquer forma, Noite tem uma letra limpa, nada de drogas ou álcool, é liberada para adolescentes. E Liberdade será um ótimo ponto para Ed se manifestar um apoiador das causas gays, lésbicas, trans e todo o resto.

— Sim, isso soa bom para mim — concordei. — Dá para aumentar o público dele também, atrair mais gente, não só jovens garotas heterossexuais.

— Foi exatamente o que pensei. — Tanya sorriu orgulhosa.

— Cadê ele?

— Ah, uma garota chegou e ele se trancou com ela numa sala — Tanya contou em tom de fofoca. — Ele pediu uma hora de intervalo do trabalho para relaxar, ou seja, está fodendo.

— Quem diabos ele está fodendo agora? — Bufei.

— Não faço ideia, mas ela é bonita e tem um corpão — elogiou.

— Que sala ele está?

— Por quê? Você quer participar?

— Para de falar merda, Tanya. — Ela apenas riu.

— Ele foi para uma sala lá em cima, perto da sala do Laurent.

— Beleza. — Segui até lá.

Foi fácil localizar a sala, de lá podia se escutar uma música instrumental calma. Aquilo me confundiu, o Cullen fodia escutando música tranquila? Não fazia a cara dele, não que eu ligasse para isso.

Bati na porta, chamado pelo pirralho.

— Ed, é a Bella. Você não pode... — Eu me calei quando a porta foi parcialmente aberta, pude ver a mulher que Tanya falava, ela era mais baixa que eu, tinha pele e olhos escuros, seus cabelos presos em um rabo de cavalo eram lisos e pintados em um tom de caramelo. Como Tanya tinha dito, ela era bonita e tinha um corpão, magra, mas não magrela e seu corpo bem definido era marcado por roupas de ginastica.

— Olá! — ela me saudou em um tom de voz baixo. — O Ed está no meio de um exercício de Yoga, não pode falar com você agora.

— Espera, o quê? — questionei confusa.

O Cullen estava praticando Yoga?

Forcei a porta, que a mulher segurava, fazendo ela terminar de se abrir. Aquilo me permitiu ver Edward, no centro da sala vazia da gravadora, ele estava sobre uma esteira de ginastica, de ponta cabeça, apoiado em seus cotovelos e usava somente uma cueca preta.

— Anny? — ele chamou, abrindo seus olhos. — Oh, Capitã. — Deu um sorrisinho preguiçoso para mim, enquanto eu não conseguia tirar meus olhos do corpo dele.

Ed Cullen gostava de tatuagens, com certeza, ele tinha treze, eu sabia disso por conta da pesquisa que fiz antes de me tornar sua empresária. As tatuagens eram: rosas no seu ombro direito, uma caveira na perna esquerda, um desenho de Los Angeles perto do cotovelo direito, uma sombra do Michael Jackson na perna direita, a tribal das costas, a Betty no antebraço direito, código de barras no pulso direito, Refuge — nome de uma das suas músicas — no outro pulso, o submarino amarelo dos Beatles no bíceps esquerdo, um leão naquele braço, uma rosa dos ventos na lateral do seu corpo no lado esquerdo, a silhueta da cabeça do David Bowie na nunca e no peito...

Bom, ali ele tinha uma grande tatuagem. Era um relógio dourado e de modelo clássico, cercado na parte superior por asas roxas e na parte de baixo asas brancas, o relógio também era espetado por duas adagas e tinha uma inscrição passando por cima da parte superior dele e das asas roxas: point of no return, que queria dizer caminho sem volta, nome de um dos álbuns dele.

— O que quer comigo? — Edward perguntou, deixando sua posição de yoga. Malhar com certeza estava fazendo bem para o músico, o corpo dele estava muito melhor do que de quando nos conhecemos oficialmente.

— Você faz yoga?

— Sim — Edward pegou uma toalhinha pequena de cima de uma mochila e enxugou o suor do seu pescoço, foquei meu olhar no rosto dele.

— Está voltando a fazer — a mulher disse o corrigindo, a tal de Anny. — Ele parou de fazer tem dois anos.

— Estou voltando agora, Anny, não seja cruel. — Sorriu maliciosamente para ela, que sorriu bobamente de volta.

— Que seja, você não pode ficar parando o trabalho para fazer yoga.

— Mas isso me relaxa! — Edward teimou, com um biquinho nos lábios, parecendo uma criança naquele momento.

— Você está aqui para trabalhar, Ed, não para ficar praticando yoga.

— Eu acho que você devia praticar yoga, sabe os benefícios? — ele começou a falar e foi impossível meu olhar não se perder por um segundo no seu corpo. — Apreciando a vista, Capitã? — Ed me pegou no flagra.

O encarei através dos meus óculos, seu olhar verde era brilhante e cheio de malícia.

— Acabe com isso em vinte minutos e volte ao trabalho logo — ordenei.

— Ótimo, por que não se junta a mim? Já fez yoga só de roupas intimas? Talvez devêssemos tentar praticar yoga nus...

— Fica quieto, Ed! — esbravejei, olhando para seu corpo uma última vez antes de sair da sala batendo a porta com força, controlando meus pensamentos que eram sobre percorrer minhas mãos por cada tatuagem do Cullen.

xoxoxo

Passei o resto do dia na gravadora, eu tinha gostado muito de como as coisas estavam indo e na semana seguinte Ed começaria a ensaiar para seu show. Com Tanya ali, nós duas estávamos trabalhando em cima daquilo, enquanto os outros trabalhavam em Noite e Liberdade.

Das duas músicas, que durante aquele dia tinham passado por algumas mudanças, a primeira era minha favorita. Liberdade tinha uma letra impactante e tudo mais, só que era mais calma. Agora, a energia de Noite me dava vontade de dançar e ver Ed cantando ela parecia causar nele o mesmo sentimento, já que ele não conseguia ficar parado dentro da cabine do estúdio enquanto fazia uma tomada da canção.

No fim da noite, eu estava em uma das salas de gravação com Jasper, Tanya e Ed. Eu estava entretida jogando Candy Crush no meu celular, enquanto dava a hora de ir buscar James no restaurante dele, já que tínhamos combinado aquilo, Tanya estava fotografando os meninos tocando e cantando, para postar nas redes sociais da produtora e na deles dois.

— Eu vou buscar algo para comer, estou faminto. — Jasper passou o violão para Ed.

— Ai, vou com você! — Tanya o seguiu, praticamente pulando em seus longos saltos.

— Filho da puta! — xinguei o joguinho quando perdi mais uma vez.

— Esse daria um ótimo nome de uma música. — Ouvi Edward começar a dedilhar o violão.

— Oh, seu grande filho da puta! — cantarolei, o fazendo rir.

Voltei minha atenção exclusivamente para o jogo, enquanto Ed cantava Liberdade. Até que em algum momento ele mudou a música, me fazendo-a reconhecer rapidamente, era Dream Lover do Bobby Darin, uma canção antiga, mas maravilhosa, que me fez olhar para ele.

— Every night I hope and pray. A dream lover will come my way. A girl to hold in my arms. And know the magic or her charms. Because I want a girl to call my own. I wanna dream lover. So I don't have to dream alone. (Toda noite eu espero e rezo/A amante do sonho vir em minha direção/A garota para segurar em meus braços/E conhecer a magia de seus encantos/Porque eu quero uma garota para chamar de minha/Eu quero minha amante dos sonhos/Então eu não terei que sonhar sozinho) — Edward cantava, tocando com uma animação que era visível em seu olhar e sentida a cada palavra proferida por sua voz.

— Dream Lover where are you (Amante dos sonhos onde você está) — comecei a cantar também, o surpreendendo, mas indiquei com um gesto de mão que ele deveria continuar e Ed fez aquilo, cantando comigo. — With a love oh so true. And a hand that i can hold. To feel you near as I grow old. Because I want a girl to call my own. I wanna dream lover. So I don't have to dream alone. (Com um amor tão verdadeiro/E uma mão que eu possa segurar/Para sentir você perto enquanto envelheço/Porque eu quero uma garota para chamar de minha/Eu quero minha amante dos sonhos/Então eu não terei que sonhar sozinho)

Continuamos cantando juntos, em algum momento Ed se animou e se colocou de pé, andando pela sala enquanto tocava e cantava, ele com certeza não conseguia ficar parado. Quando a canção acabou eu estava sorrindo de orelha a orelha, animada com a energia que cantar causava.

— Você conhece Bobby Darrin! — exclamei, vendo Edward sentar ao meu lado no sofá.

— Claro que conheço Bobby Darrin, Capitã, sou um cara culto. — Batucou o ritmo da música na parte de trás do violão. — Além do mais, essa foi a canção que meus pais dançaram no casamento deles e dançaram novamente no aniversário dez anos de casados — contou, com nostalgia na voz.

— Talvez eu devesse dançar ela no meu casamento. — Ed emitiu um som de desaprovação.

— Sabe o que deveríamos fazer?

— Nada que sua mente pervertida deve estar imaginando.

— Me deixe falar — exigiu. — Eu ia dizer que deveríamos cantar essa música juntos.

— Acabamos de fazer isso, pirralho.

— Estou falando de cantar ela juntos para meu álbum.

— Não, nem pensar! — Levantei. — Não vou cantar no seu álbum.

— Sua voz é incrível, Capitã — Ed elogiou. — Combina muito bem com a minha. Podemos fazer um cover juntos, deixá-la ainda mais animada, talvez mudar algumas coisas. Cara, isso vai ficar foda.

— Sem chances.

— O que tenho de fazer para você aceitar? — Ed se colocou de pé também. — Já sei, se eu cantar uma música com seu pai você topa fazer cover dessa comigo?

— Nem mesmo isso me faria aceitar cantar com você, Edward — afirmei, ele me olhou chateado.

— Por favor, por favor, por favor — começou a implorar, tentando chegar perto de mim, mas me afastei mantendo uma distância segura.

Para minha distração, meu celular tocou. Era uma mensagem de James, informando que eu já podia ir buscá-lo.

— Preciso ir, Betty! — O olhar dele se encheu de raiva.

— Pense direito sobre a música — Ed falou. — E bom, sobre o que conversamos outro dia no seu escritório.

— Não sei do que está falando. — Caminhei em direção à porta, eu sabia, muito bem, mas não me renderia.

xoxoxo

Eu estava sozinha em casa na sexta-feira de noite, após uma longa semana intensa. O noivado, lidar com a ideia de ser uma noiva, o trabalho, evitar pensar em Ed e em como eu queria que ele me fodesse... Não, eu não podia pensar naquilo.

A última vez que vi o Cullen aquela semana tinha sido na terça-feira, quando cantamos juntos. Desde então, eu estava evitando contanto com ele, pois estava ficando ridículo toda aquela provocação, sendo assim me concentrei em trabalhar no meu escritório, onde Edward não voltou a aparecer.

James tinha viajado naquela tarde de sexta-feira, precisaria checar de perto um problema na infraestrutura do restaurante dele em Seattle. Meu noivo me chamou para ir junto, mas queria um tempo só e teria aquilo naquela noite.

Eu me servi com uma generosa taça de vinho tinto, coloquei La La Land para rever, mas nos cinco primeiros minutos de filme eu já estava mais do que entediada. Comecei a vascular o catalogo da TV, procurando algo que prestasse, até que topei com um chamado Arena Mortal*, pela sinopse falava sobre a máfia, tinha lutadores e era classificado para maiores de dezoito anos.

*Arena Mortal é uma referência a fanfic Beward de mesmo nome da Anny Charmant, que me concedeu o direito de a usar aqui. Link para quem quiser conferir: .br/historia/752225/Arena_Mortal

Talvez aquele último detalhe foi o que me fez decidir mais rápido em assistir aquele filme, não que eu estivesse necessitada de sexo, Jimmy e eu tínhamos transado noite passada. O filme era muito bom, prendeu minha atenção rapidamente, mas me fez engasgar quando o nome do personagem principal — que todos chamavam de Tiger — foi revelado, ele se chamava Edward.

— Foda-se! — protestei, mas continuei vendo o filme, já querendo saber o resto da história.

Entretanto, foi difícil não ficar babando naquele ator desconhecido para mim, mas fodidamente gostoso, com certeza mais gostoso do que Ed Cullen. Quando a primeira cena de sexo começou, eu acabei com o vinho na minha taça e comecei a me remexer na cama, inquieta demais.

Meu corpo estava quente, minha mente era uma confusão entre Tiger, Ed Cullen e Jimmy. Se alguém pudesse ler pensamentos ficaria aterrorizado com todas as imagens pornográficas que eu estava pensando.

Desliguei a TV rapidamente, atirando o controle remoto para longe. Afundei na cama, controlando minha respiração, tentando ficar calma.

Não aconteceu, no lugar disso eu levei uma mão a minha boceta, tocando-me por cima da calcinha que usava. Gemi baixinho com o contato, me arrumando melhor na cama para continuar aquilo. Levei a outra mão ao interior da camiseta de James que eu vestia, tocando em meu seio esquerdo.

Mordi meu lábio inferior com força, começando a sentir as ondas de prazer cada vez mais forte. Abaixei um pouco minha calcinha, o suficiente para poder tocar diretamente na minha boceta, levei meus dedos até a entrada do meu sexo, sentindo o quão molhada eu estava.

Foi quando meu celular tocou, alto o suficiente para me distrair e me deixar irritada. Pensei em deixar tocar, mas fiquei preocupada de que pudesse ser algo realmente importante.

Soube que era mesmo algo sério quando vi o nome de Emmett no visor, o que me fez atender rapidamente.

— O que foi?

— Bella, desculpe ligar a essa hora...

— Vá direto ao ponto — exigi.

— Ed chamou umas pessoas para a casa dele, no começo eram poucas, mas agora já deve ter umas vinte pessoas aqui e bom, está rolando bebida e com certeza drogas, achei que gostaria de saber.

— Filho da puta, caralho! — gritei, pulando da cama para ir trocar de roupas para sair. — Estou indo ai. — Desliguei na cara de Emmett.

Me enfiei rapidamente em um short jeans, rasteirinhas, uma regata preta e sai do meu apartamento. Tomei um táxi até a casa de Edward, sem querer dirigir furiosa do jeito que estava e levemente alcoolizada por conta daquela taça de vinho.

Minha entrada no condomínio foi facilmente liberada, na frente da mansão do Cullen mais carros do que o normal. Música alta também tocava, Emmett estava lá na frente, ele me avisou que a festa era nos fundos.

Segui até lá espumando de ódio, no quintal da mansão, ao redor da piscina, a festa acontecia. Música eletrônica tocava, cervejas e demais bebidas podiam ser vistas e tinha muita fumaça de cigarro normal e de maconha.

Avistei Ed na piscina, agarrando uma loira. Caminhei até lá, gritando com ele, que olhou para cima e a me ver ficou apavorado.

— Acabe essa merda de festa agora mesmo! — exigi.

— Porra, merda! — Ele xingou, largando a loira e saindo rapidamente da piscina, usava somente um short de banho preto. — Eu posso explicar.

— Quero todos para fora! — gritei, minha voz soou tão alta que muitos me olharam. — Acabou a festa! — anunciei para os outros. — Todos deem o fora daqui agora, ou eu chamarei a polícia e vou fazer todo mundo ser preso.

— Qual é, gata? Pega leve! — Um cara alto, de cabelos escuros e olhos azuis falou comigo. Eu o reconheci, era Stefan, um amigo DJ de Ed, que vivia com ele antes da reabilitação.

— Não me chame de gata, seu escroto!

— Uau, nervosinha, em? Igual no seu vídeo! — Ele debochou, jogando a fumaça do seu cigarro na minha direção.

Ia abrir a boca para xingá-lo, mas não foi preciso quando Emmett apareceu por trás de Stefan segurando com força o braço dele.

— Ai, seu idiota! — Stefan grunhiu. — Me solta.

— Peça desculpas a ela! — Emmett ordenou, apertando mais o braço de Stefan. O cachorro de Edward apareceu, latindo e tentando pular no dono, que encarava o chão, com uma mão no rosto.

— Ok, ok — Stefan praticamente choramingou. — Me desculpa, Isabella.

— Vá embora e leve todos com você — mandei.

Emmett soltou Stefan, que saiu, a música tinha cessado e o resto dos 'convidados', começaram a ir embora também, sendo escoltados pelo segurança. Alguns passavam por Edward, que continuava na mesma posição e o zoavam, quando todos saíram de vista, sem dizer nenhuma palavra, o Cullen entrou na sua casa.

Ele seguiu para a sala de música em seu porão, fui atrás, fechando a porta para que o cachorro dele não entrasse. O babaca tinha se sentado no sofá, encarando suas mãos sobre seus joelhos.

— Que merda você tem na cabeça? — esbravejei, ficando na frente dele.

— Não foi ideia minha, Stefan apareceu e começou a chamar gente, perdi o controle da coisa — murmurou.

— Ah, pobrezinho! — debochei. — Vi como você estava mal pela festa lá fora, com a porcaria da sua língua enfiada na garganta daquela loira estúpida. — Comecei a andar de um lado para o outro da sala, nervosa de como aquela festa podia afetar a imagem de Ed. — O quanto você bebeu e fumou? Cheirou algo? Injetou?

Ele me olhou com a testa franzida, um olhar traído.

— Juro que não bebi, ou usei qualquer droga, eu nem mesmo fumei.

— Tá bom, Edward, vou fingir que acredito nisso.

— Quer saber, que se foda! — Edward gritou, ficando de pé, passando a mão por seus cabelos molhados. — Você não é minha mãe, não vou ficar ouvindo sermão seu. — Não, eu não era a mãe dele e isso era excelente. Esme pelo visto era uma incompetente, assim como a irmã que não estava lá para o impedir de fazer mais uma burrada.

— Tem noção do que podia ter acontecido? Você...

Não conclui minha fala, eu não tive tempo para isso. Quando me dei conta Edward estava em cima de mim, suas mãos segurando meu rosto, seus lábios nos meus.

Os lábios macios de Edward tomaram conta da situação, me fazendo abrir minha boca para receber sua língua e podendo sentir o gosto dele. Morangos, ele tinha gosto de morangos.

Eu apenas consegui retribuir o beijo, o resto do meu corpo parecia amortecido, enquanto nós nos beijávamos de forma intensa no começo, então lenta depois. As grandes mãos de Edward em meu rosto eram molhadas, já que ele tinha acabado de sair da piscina, mas o meu corpo inteiro parecia pegar fogo.

Aos poucos Edward foi se afastando, ele estava abrindo os seus olhos quando abri os meus. Seu olhar era apreensivo, engoliu em seco e tentou falar algo, mas nada saiu por aqueles lábios que tinham acabado de me beijar.

— Seu idiota! — Dei um tapa no rosto dele, não pareceu o pegar de surpresa.

— Porra! — xingou, massageando o lugar que bati.

Minha respiração estava uma loucura, assim como meu coração batendo forte e minha mente trabalhando a todo vapor. Fora que eu continuava muito quente, o que só piorava vendo Edward todo molhado na minha frente, logo depois de me beijar.

— Não diga uma única palavra — ordenei, ele me olhou confuso, mas não teve tempo de perguntar nada. Não quando retornei aos seus braços, voltando a beijá-lo.