Nota da autora: Sempre no dia 12/09 vou publicar uma historinha em homenagem a uma amiga que já se foi. Ela também adorava SessRin.

Espero que gostem e que possam dizer o que acharam.


Descanso na primavera

One-shot

Para Raquel

Na campanha favorita de Rin, encontrava-se a humana sentada em seiza na grama florida, delicadamente construindo com as mãos uma coroa de flores em uma tarde tranquila de primavera. A cabeça do daiyoukai Sesshoumaru repousava nas pernas enquanto a ouvia relatar sobre o que havia acontecido nos últimos dias que não a visitou: aparentemente o meio-irmão e aquele monge trambiqueiro destruíram a mansão de um senhor feudal quando a visitaram para um exorcismo e o resultado foi trágico para eles:

— E então Inuyasha-sama destruiu toda a casa só para ele e Miroku-sama pegarem a raposa que estava assombrando o vilarejo e o dono ficou muuuito bravo. Disse que não ia pagar os dois. Depois Kaede-sama e Kagome-sama tiveram que conversar com ele pra fazer o pagamento. Íamos ficar sem arroz se não fossem por elas. – ela comentava um pouco irritada. Sesshoumaru percebeu que havia uma preocupação dela por aquela idosa ter que lidar com aquela situação.

Naturalmente que jamais permitiria que Rin passasse por fome de novo. Caso fosse necessário, ele mesmo mandaria pessoalmente Jaken colher arroz e entregar na casa da velha sacerdotisa e deixaria o irmão e a mulher sem comer no dia só para ele aprender a lição.

Bem, talvez a esposa humana do irmão não precisasse passar. Mas Inuyasha certamente que sim.

— Mas tudo se resolveu, certo?

— Sim. – a garota respondeu no tom habitualmente alegre – Miroku-sama conseguiu convencer esse senhor a pagar três sacas de arroz e deu uma para Kaede-sama.

O youkai não respondeu, mas ela já sabia que não havia necessidade de comentar que foi bom as coisas terem se resolvido daquela forma.

— Bom, uma coroa já está pronta... – ela deixou a prenda no chão e começou a tirar mais flores de onde podia alcançar. O mokomoko estava ao redor dela, como se estivesse protegendo-a, e precisou esticar o braço direito por cima dele.

Começou a fazer mais uma coroa e notou o silêncio do youkai.

— Sesshoumaru-sama? – ela tentou num sussurro.

Sem obter respostas, ela deu um sorriso e abaixou o rosto a ponto de ficar com os lábios a centímetros da meia-lua na testa.

— Ah, vocês estão aí... – a voz de Jaken soou perto e ela precisou endireitar as costas, olhando para a direção de onde o pequeno servo vinha. Sesshoumaru ainda parecia dormir e sem a mínima ideia do que se passou. Sentia o rosto vermelho de vergonha e esperava que ele não tivesse visto o que estava prestes a fazer.

— Jaken-sama... – ela murmurou com um sorriso sem graça – Já voltou?

O pequeno servo a observou com muita atenção:

— Está se sentindo mal? O seu rosto está rosa que nem esse kimono aí que está usando.

— Ah... – ela coçou a cabeça e depressa teve uma ideia – Ah, eu fiz uma coroa de flores para o Jaken-sama!

— Ohhhh... – os olhos dele brilharam de emoção e começou a enxugar lágrimas imaginárias – Para este Jaken? Obrigado!

Quando Rin curvou-se para pegar o presente, Sesshoumaru, ainda de olhos fechados, aproveitou para esticar a mão e dar um peteleco na testa do pequeno youkai, lançando-o para longe dali, para além da floresta profunda, sem nem ao menos dar a chance de pegar e agradecer pela coroa.

— Aqui está... ué? – ela olhou para os lados e viu que estavam sozinhos de novo – Já foi embora?

Diante do silêncio, deu de ombros e voltou a cantarolar enquanto fazia mais uma coroa para Sesshoumaru.