Crepúsculo não me pertence.

Olá! Essa fic faz parte do POSOella, um projeto onde autoras do fandom de Crepúsculo criam fanfics narradas exclusivamente por Bella Swan, em comemoração ao seu aniversário. Esse ano, o desafio foi escrever inspirando-se em 1 dentre 25 citações de alguns dos livros favoritos da Bella.

Confira mais fics na página bit (ponto) ly (barra) POSOffnet – Você também encontra o link diretamente no meu perfil, na aba de Favorite Authors.


O Noivo da Minha Prima

"Tenho medo de fazer alguma ação horrível, qualquer dia, tornando-me infeliz para sempre e fazendo com que todos me odeiem." Mulherzinhas – Louisa May Alcott

Capítulo único

POV Bella

Era uma quarta-feira calma no escritório de advocacia Black & Newton quando o homem mais azarado do mundo saiu pela porta de vidro da sala de Jacob. De frente para mim, aquela que o faria ter todo esse azar. Ele não sabia que esse destino o aguardava, ela sabia muito bem do que era capaz.

Peguei o bloco de anotações de cima da mesa e levantei sobre minha cabeça ameaçando bater em Lauren se ela não se lembrasse logo do que eu perguntei. Era um momento péssimo para exigir qualquer coisa dela, Jacob se aproximava com o homem e Lauren só tinha olhos para ele.

- Meninas. – Jacob cumprimentou.

Eu precisava saber se Lauren tinha dado entrada no processo dentro do prazo, mas o ranço que eu sentia por Jacob era muito maior do que o meu medo da minha prima fazer merda no trabalho. Larguei o bloco na mesa dela e saí sem dizer uma palavra.

Ouvi o homem dar uma risada, provavelmente pensando que eu era louca, porém não o conhecia para me importar com a opinião dele.

Eu não o conhecia naquele dia, mas o conhecia mais do que esperava duas semanas depois, quando se sentou à mesa da casa dos meus pais para pedir Lauren em casamento.

O azarado mais bonito que eu já tinha visto atendia pelo nome de Edward Cullen. Ele poderia ter a mulher que quisesse no mundo, foi escolher a alpinista social traiçoeira Lauren Mallory. Eu agradecia todo dia por não dividirmos o sobrenome Swan, poderíamos facilmente passar despercebidas como família.

Infelizmente não apenas éramos família, nós morávamos juntas como uma. Lauren se formou em direito em Phoenix e se mudou para morar comigo (o que não faço pelos meus pais?) quando soube que eu trabalhava em um dos famosos escritórios da B&N. Jacob sendo um tolo apaixonado por mim, caiu no papo da minha prima de que éramos melhores amigas para sempre, e deu um emprego para ela. Ele era o Black do nome. Eu poderia usar a vantagem dele gostar de mim e tentar fazê-la ser demitida? Poderia. Se isso não significasse passar algum tempo com Jacob e flertar com ele de alguma forma. Isso estava completamente fora de cogitação.

Lauren fingia que gostava de mim na frente de Jacob, eu não fingia que gostava de nenhum dos dois, e assim eram os meus dias. No pequeno apartamento que dividíamos, era como se ela não morasse lá. O pagamento do aluguel vinha, mas a presença dela era uma mera visita para troca de roupa. Lauren estava sempre em festas, casa de amigos e viagens.

Nas duas semanas que se passaram desde que ela e Edward se conheceram no escritório, eu falei mais com ele do que ela. Nunca mais o vi pessoalmente, mas toda vez que ele ligava para o celular dela, Lauren vinha correndo me entregar o aparelho para eu dizer que ela estava correndo no parque, ou estava na academia, e o telefone estava em casa. Virou um hábito ela sair sem o celular e eu passar mais tempo do que o normal conversando com Edward.

Como o cara conseguiu se apaixonar por ela em duas semanas enquanto ela fazia a linha ocupada para ele? Não sei. Quer dizer, eu fazia uma ideia. Edward era um dos caras mais gente boa que eu já conheci. Ele é veterinário, é ajudante em abrigo de animais, em asilo, leva a sobrinha para assistir desenho de princesa no cinema, monta quebra-cabeça com a mãe, assiste fórmula 1 com o pai… E Lauren? Mallory. Nós tivemos brigas feias porque eu tentava fazê-la enxergar o quão errado era o que estava fazendo com ele. Ela não se importava. Eu fiquei chocada com ela e brava com Edward quando soube que a tática dela deu certo e Edward estava caidinho a ponto de propor casamento.

Edward queria ter com alguém o casamento que os pais tinham. A família dele era unida, ele gostava de pessoas, e queria ter tudo aquilo com ela. Pobre homem, escolheu a prima errada.

Não foi culpa minha. Eu juro que atendia as ligações de Lauren porque estava esperando uma oportunidade de contar para Edward o tipo de pessoa que ela era. Mas os dias foram passando, as nossas conversas foram se estendendo cada dia por mais tempo, quando vi, quem estava apaixonada por ele era eu.

Não tinha como eu contar a verdade para ele agora, tinha? Não mesmo! Edward não via maldade nas nossas conversas e, quando conseguia, contava para Lauren na inocência que ficávamos conversando.

Eu conseguia esconder minha situação patética dos dois, mas seria estranho estar na mesma mesa enquanto Edward a pedisse em casamento para o meu pai. Que péssimo dia para ser eu.

Edward não estava sozinho quando cheguei na sala dos meus pais, sua irmã, Alice, e o cunhado, Jasper, estavam junto. Eu me aproximei dos três no sofá morrendo de medo dos meus sentimentos por Edward estarem escritos na minha testa. Ele me cumprimentou como se nos conhecêssemos há anos, enquanto eu fiquei sem graça. Por toda aquela demonstração de simpatia.

Minha prima demorou para descer, no estilo de quem demora porque não quer aparecer. Notei que Alice se remexia inquieta e o marido discretamente chamava sua atenção. Edward notou que eu achei o comportamento da irmã estranho e me chamou até a cozinha.

- Bella, eu preciso da sua ajuda hoje.

Sim, mil vezes sim! Eu caso com você!

Eu estava muito fodida. Se eu tinha me apaixonado por Edward apenas conversando com ele por telefone em duas míseras semanas, imagina agora que eu o veria pessoalmente? Para acompanhar cada fala dele tinha uma expressão ou um gesto diferente. A mera presença dele despertava alguma coisa no meu corpo que me deixava quente e inquieta. E tinham as borboletas no estômago. Essas eu sabia bem o que eram. Estavam aqui ele perto, ou do outro lado do telefone.

- Não precisa pedir duas vezes, Edward, pode ir embora. Eu digo para Lauren que você recobrou a consciência e se mandou a tempo. Ela vai se importar pelo tempo de postar nas redes sociais. Depois vai achar outro.

Edward rolou os olhos para mim fingindo impaciência.

- Você se importa se eu não rir da sua piada agora, Bella? Vou guardar a risada para quando Alice começar o sermão na volta para casa.

- O que você quer, Edward?

- Alice não gosta da Lauren. Na verdade, ninguém da minha família gosta. Você poderia, por favor, aliviar o clima se minha irmã decidir colocar as garras de fora durante o jantar?

- Edward, eu não sei se quero me meter entre você e sua família.

- Bella, por favor. – Ele fez um olhar pidão.

- Não, espera, eu sei sim. – Fechei os olhos para fingir pensar, na verdade ignorando os olhos dele para não dar qualquer coisa que me pedisse. – Eu definitivamente não quero me meter entre você e a sua família, Edward. Deixa o tempo fazer a cabeça deles. Se você acha que vai ser feliz com ela, mostra para eles. Brigar com sua família só vai dificultar essa felicidade.

- Eu sabia que podia contar com você. – Ele segurou minhas bochechas e me deu um beijo na testa.

Não sei de onde ele tirou que o que eu havia falado era um discurso de apoio. Eu estava começando a achar que Edward tinha problemas de interpretação, ele queria sempre ver o melhor de tudo, por isso estava fazendo a maior burrada da vida que era casar com Lauren.

- Apenas tenha certeza de que você vai ser feliz. – Finalizei, meu peito doendo com a visão dele esperançoso na minha frente.

Meus pais também não gostaram do casamento relâmpago. No fundo eles sabiam como Lauren era e achavam que eu fosse influenciá-la de alguma forma a ser melhor. Inocentes.

Edward saiu do jantar desanimado. Apesar de Alice não colocar as garras de fora, definitivamente o clima na mesa não era de comemoração. Eu até tentei com Jasper melhorar o humor, mas foi em vão.

- Posso te ligar quando chegar em casa? – Edward perguntou para Lauren da porta.

Ela forçou um bocejo e disse que iria dormir assim que subisse para o quarto. Edward apenas desejou boa noite e foi embora.

Lauren não dormiu, esperou o tempo do noivo chegar em casa e saiu com amigos para uma balada. A essa altura do campeonato nós já havíamos trocado número de telefones, porém, nunca usado. Quem ligaria para Edward seria eu. Ele atendeu no primeiro toque.

- Sem sono? – Perguntei.

- Completamente. E você?

- Também. Quer conversar? Desabafar? Distrair a mente?

- Duvido você conseguir me distrair agora.

- Espera só eu fazer uma coisinha aqui e você vai ver se eu não consigo. Só um segundo.

Com o telefone ainda no ouvido, me dirigi para o banheiro. Eu deveria ter feito xixi antes de ligar para ele. Prioridades.

- Quase.

- O que você está fazendo, Bella?

- Você não quer saber.

Era difícil fazer as coisas com uma mão só, e eu ainda estava de calça jeans. Deixei o celular no viva voz na bancada.

- Não? Por que não?

- Não. Fique quieto um pouco e deixa de ser curioso. – O xixi resolveu demorar para descer. Ótimo.

- Por que está com eco?

A intenção não era falar com ele enquanto estava lá fazendo o que ninguém poderia fazer por mim, mas… agora já era.

- Bella…? Que barulho é esse?

- Eu estou no banheiro, Edward! Ba-nhei-ro. Finge que você está ouvindo o barulho da chuva.

Edward soltou uma gargalhada que reverberou pelos azulejos. Aproveitei a distração para terminar minhas coisas e voltar para o quarto.

- Pronto. – Deitei com o telefone no ouvido.

- Lavou a mão?

- Não, volte aqui que eu esfrego ela suja na sua cara.

Ele gargalhou novamente.

- Eu conheço algumas crianças que riem a toa quando estão com sono.

- Não, espera, rolou uma daquelas experiências psicológicas aqui, ouvir você mijar me deu vontade. Agora eu vou mijar, espera aí.

- Que linguajar chulo, Edward Cullen.

E ele se pôs a rir mais uma vez.

- Por acaso você está me confundindo com um palhaço?

- Eu odeio palhaços. – Ele respondeu no eco do banheiro enquanto eu ignorava o que ele estava fazendo. – Você poderia ser comediante.

Coloquei o telefone no viva-voz novamente para trocar de roupa.

- Para uma plateia de uma pessoa só, o grande e bobo Edward Cullen.

- O que você está fazendo agora?

- Curioso!

- O telefone está no viva-voz de novo.

- E?

- Suas mãos estão ocupadas, Bella, eu sei que está fazendo alguma coisa.

- Estou trocando de roupa. Tirando a roupa do jantar e colocando o pijama. Satisfeito?

- Obrigado. – Agradeceu rindo, agora sem o eco.

- Fez muita diferença na sua vida saber isso, não fez?

- Por que você ainda não terminou de se arrumar?

Porque eu tinha parado para sentar na cama e sorrir igual a uma idiota para o telefone enquanto falava com ele. Respirei fundo e puxei o camisão pela cabeça antes de responder com o telefone no ouvido.

- Pronto. Ei, você lavou a mão, Edward?

- Não. Estou guardando para esfregar na sua cara da próxima vez que nos encontramos.

- Vou te processar por roubar minha piada.

Edward gargalhou pela terceira, e não última, vez naquela noite.

ONDMP

Três semanas haviam se passado desde o jantar de noivado. Lauren estava um poço de orgulho de si mesma por ter conseguido fisgar Edward e seguir com o casamento apesar do não apoio de todos.

- Lauren, você tem certeza desse casamento? – Perguntei vendo minha prima se arrumar para ir comprar o vestido de noiva.

Lauren tentou ir em uma dessas lojas que aparecem na televisão, queria tentar ficar famosa comprando vestido de noiva. Como o casamento estava com prazo curto para acontecer, ela não tinha tempo de marcar uma visita e viajar para receber a consultoria. Isso não a impedia de enrolar nas poucas lojas disponíveis, deixando Alice louca com os prazos.

- Nem você, nem ninguém vão me fazer mudar de ideia, Bella. – Rebateu enquanto passava o delineador perfeitamente.

- Você falou para o Edward que gostava de andar para ajudar o meio ambiente, quando na verdade bateu com o carro porque deixou um amigo bêbado dirigir.

- Eu vou contar a verdade uma hora. – Deu de ombros como se não fosse grande coisa. – Ele não vai nem se importar. Eu peguei dicas com o Jacob de tudo que Edward gosta e virei a mulher perfeita para ele.

- Lauren, Edward quer ter filhos. Filhos! Você detesta crianças.

- Eu gosto de animais.

- De pelúcia, só se for! Edward é veterinário e abriga cachorros em casa enquanto não encontra um lar para eles.

Eu me encolhi com o olhar que recebi de Lauren.

- Você anda espionando meu noivo? Qual é o seu problema? – Ela começou a esbravejar para cima de mim. – É inveja? Você no mínimo está se roendo porque eu encontrei um homem gostoso e rico para mim. Querida, Jacob está só esperando você abrir as pernas para ele.

Eu estava horrorizada com o quão fácil as palavras saíam da boca dela. Não havia nenhum remorso.

- Não se faça de santa, Bella! Deve estar cozinhando Jacob como eu cozinhei Edward. E aposto que estava só sondando o meu noivo para dar o bote nele também. Eu cansei de ser tachada de puta, enquanto você paga de santa.

- Lauren, você está louca! Eu nunca me fiz de santa! E Edward contou essas coisas no jantar do seu noivado, para todos ouvirem. Se você não prestou atenção, o problema é seu. Edward é um cara legal, que parece realmente gostar de você.

- E o que faz você pensar que eu não gosto dele também?

- Talvez o fato de você ter dito isso com todas as palavras? Talvez o fato de você mentir, e não se importar com ele? O fato de ter colocado a conta do casamento toda na família dele? Ter pedido anúncio no jornal? Continuar a se encontrar com o seu ex? – Lauren abriu a boca para falar, mas eu a cortei. – Nem vem dizer que são amigos. Tem horas que eu sinceramente duvido que você seja da minha família. Tenha o mesmo sangue que eu.

- Não se meta na minha vida. – Lauren falou em tom de ameaça. – Aliás, saia do meu quarto.

- Sair do seu quarto? Saia você desse apartamento. Agora. Ligue para Edward, para Tyler, chame seu otário preferido de estimação e peça para virem buscar suas coisas. – Lauren me olhou boquiaberta. – Está esperando o que?

Uma vez que Lauren iria morar com Edward depois do casamento, os pertences dela estavam todos encaixotados apenas aguardando a mudança. Quem apareceu para buscar as caixas foram Tyler e Jacob. Não entendi o que meu chefe fazia ali. Nem queira entender. Ele me olhou de cara feia enquanto trabalhava, consolando Lauren quando a mesma chegava com os olhos marejados fazendo drama.

Peguei as cópias das minhas chaves com ela, tranquei todas as portas quando saírem e me virei para fazer uma faxina na casa.

O último comentário de Lauren quando passou pela porta da rua foi me desconvidando do casamento dela. Que pena.

Depois desse dia eu não sei como ela passou a se comunicar com Edward. Ele não comentava nada comigo nas nossas conversas, era como se minha prima não existisse. Eu estava mais do que bem fingindo que éramos só nós dois conversando.

ONDMP

Quando chegou a viagem para Las Vegas, algumas semanas depois, eu não consegui fugir de Alice. Ela estava orgulhosa das despedidas de solteira (e solteiro) que tinha programado e insistiu para eu me divertir com ela. Junto com Charlotte, esposa de Peter, outro irmão de Edward, quase fui arrastada para dentro do avião.

Não literalmente.

Eu tentei argumentar que não podia ir porque precisava trabalhar, assim como fez minha cunhada Rosalie e a mãe de Edward, mas Jacob, sempre ele, também iria participar da despedida de Edward e me liberou do escritório. Ele ainda estava puto comigo pelo que fiz com Lauren. Diferente de Edward, ele não tinha problema nenhum em dar a opinião dele sobre o assunto. Eu estava amando o gelo que recebia dele enquanto não pedisse desculpas para a minha prima.

Elas conseguiram me levar, mas não significava que eu estava satisfeita em estar ali. Agi por osmose pelas ruas de Las Vegas. O meio mais forte, Alice, Charlotte e Renee, minha mãe foi pela viagem, diziam o que eu devia fazer, e eu fazia. Não estava nem um pouco feliz com a situação toda do casamento. Por vezes pensei em ligar para Edward e contar a verdade sobre minha prima. Não precisava nem contar sobre mim, eu estava bem escondendo meus sentimentos por ele, mas sobre Lauren ele precisava saber.

Eu não tive coragem. Claro que não. Os filmes diziam que aquela tática não dava certo. A traidora sempre se saia bem e a que tenta ser boazinha sofria até o último minuto. Sem chances eu me passar por vilã. E quem garantia que eu não era a traidora dessa história? Afinal, eu sabia que eles estavam noivos e isso não me impediu de me apaixonar por ele.

Eu não sabia se Lauren havia falado alguma coisa de mim para Edward que poderia se virar contra mim. E eu nem tentei contar nada para ninguém, só tinha dito a verdade para quem já a conhecia.

Se alguém percebeu que eu estava chateada com alguma coisa, não comentaram. Ou pensaram que também não estava tão satisfeita com o casamento como fingia estar.

ONDMP

Estavam todas dançando na boate fechada especialmente para a festa quando o espaço foi invadido por stripers. Lauren e as amigas foram as primeiras a correrem para se grudarem nos corpos cheios de óleo.

Eu estava super produzida com um vestido sem alça prata cheio de brilhos e um peep toe de salto finíssimo no pé. Até maquiagem eu usava! Tudo para ficar sentada em um canto da boate apenas observando o show de horrores.

- As stripers que mandei para os meninos são mais bonitas. – Alice reclamou sentando-se ao meu lado no enorme sofá azul marinho. – Quer dizer, não tem o corpo besuntado dessa forma. E as fantasias são melhores. E essas veias nojentas saltando dos músculos deles? – Ela fingiu que ia vomitar.

- Por que você os escolheu então? – Charlotte perguntou sentando-se do meu outro lado enquanto olhava de cara feia para Alice.

- Não escolhi.

- Deixa eu adivinhar. – Soltei um suspiro cansado. – Lauren?

- A própria. – Alice respondeu.

- Eu amo o Edward como se fosse meu irmão, mas que ele é um babaca, um otário ele é. – Charlotte resmungou.

E vocês ainda me fazem participar desse circo.

- Bella, posso fazer uma pergunta? – Alice se arrumou no sofá para ficar virada para mim. – Mas você tem que ser sincera comigo.

Alice estava muito séria esperando pela minha resposta, tive que ficar de costas para Charlotte para dar atenção a ela. Alguma coisa me dizia que eu não ia gostar do que queria saber.

- Você não quer esperar eu beber mais, Alice?

- Tudo bem. Justo. Eu acho que também vou precisar.

Eu já estava zonza quando Alice voltou a sentar do meu lado com mais uma taça de champanhe. Charlotte tinha sumido para ir ao banheiro.

- Bella! – Alice bateu no meu braço. – Você sabe de algo que evite esse casamento?

- Sei. – Respondi rápido e sincera demais. Repensando minha resposta logo em seguida. – Quer dizer, não. Bem... Não sei.

- Bella!

- Eu não sei se o que eu sei seria o suficiente. E seria a minha palavra contra a dela. E eu também não quero falar nada. – Virei o conteúdo da minha taça. – Esquece que eu falei alguma coisa.

- Você não precisa falar nada. Conte para mim, e eu falo.

- Por que isso agora, Alice?

- Eu não posso deixar o meu irmão fazer isso, Bella. Eu tentei. Eu juro que tentei. Mas é demais.

- Ele gosta dela.

- Será que gosta mesmo? É um tipo de... Encantamento. – Ela deu uma risadinha. – Como se ela fosse bruxa e ele estivesse enfeitiçado.

- Eles são felizes. Do jeito deles, mas são.

- Nem você acredita nisso, Bella. Você também não concorda com esse casamento que eu sei, por que está dificultando as coisas?

- Não quero ser chamada de invejosa mais do que já sou. Não quero ser a vilã.

- Deixa que eu seja! Conta para mim!

- Alice…

Mas e Edward?

- O que tem ele?

- Vocês meio que viraram amigos.

- Sim, viramos. E o que isso tem a ver?

- Tudo! Você confia em mim?

- Não. Eu não te conheço. – Eu ri da cara chocada que ela fez. – Eu estou brincando, Alice.

- Edward disse que você era engraçada, não vejo graça nenhuma.

- Desculpa, e-

- Eu que estou brincando com você, Bella! – Ela riu agora da minha cara de choque. – Confia em mim, tranquila, vai dar tudo certo.

Eu confiei nela e contei tudo o que sabia sobre Lauren. Foi um alívio poder contar toda a verdade para alguém. Mesmo que esse alguém fosse Alice, mesmo que estivéssemos zonzas de álcool e a merda pudesse vir toda na minha cara.

Acabei contando que estava apaixonada por Edward. Não consegui distinguir a careta que fez, se era nojo ou se estava segurando o riso. Eu preferia apostar na primeira opção. Quem acharia normal uma prima se apaixonar pelo noivo da outra prima?

Eu nunca fui santa como Lauren me acusou de ser. Essa era a imagem que a minha família tinha de mim por sempre fazer o que era esperado de mim. Coincidentemente, era o que eu também queria: um bom emprego, uma vida calma sem festas e sem pessoas me odiando por ser sem educação. O oposto de Lauren. Os pais dela não pensavam duas vezes antes de mandá-la para a nossa casa nas férias, na esperança de que eu ensinasse bons modos para a filha rebelde deles. E ela me odiava por isso.

Diversas vezes tentei tirar essa imagem de certinha da cabeça deles, mas Lauren sempre fazia algo pior logo em seguida e as comparações voltavam. Eu sabia que um dia eu faria alguma coisa que, finalmente, abrisse os olhos deles. Talvez agora fosse a hora. Talvez contar a verdade de uma vez para Edward fosse o que sempre esperei. Talvez isso fosse me custar o cara por quem eu estava apaixonada, talvez isso faça todos me odiarem. Muitas coisas ruins poderiam sair disso. Mas se essa confusão toda apenas fizesse a presença de Lauren e as comparações finalmente sumirem da minha vida, eu estava mais do que satisfeita. O resto eu dava o meu jeito depois. Não era como se eu fosse perder Edward, ele não era meu para perder.

Do outro lado da boate, a porta espelhada que dava para o outro salão abriu, era a hora das duas despedidas se misturarem. Lauren procurou por Alice e lançou um olhar mortal para a pequena, que deu de ombros antes de murmurar "Divirta-se!" com um enorme sorriso.

Eu ainda estava no meu sofá, deixando a marca da minha bunda de lembrança, quando ganhei uma companhia inesperada.

- Cansou de se despedir da solteirice? – Perguntei, não esperando uma resposta.

Ela veio de uma voz meio enrolada, pingando álcool. Se eu tivesse virado provavelmente teria ficado bêbada com o bafo.

- Lauren disse que estou inibindo ela.

- Como?

- Não sei. Ela fica com vergonha de aproveitar a festa agora que estou aqui.

- Hmm.

- E você? Aproveitando bastante?

- Não faz ideia. – Respondi em tom irônico.

- O que? Vai dizer que homens rebolando de sunga não fazem o seu tipo?

- Fazem sim, mas... Não esses.

- Mais um copo de vodka e Jacob dança para você. Ou te pede em casamento. Ele ainda não decidiu o que vai fazer.

- Você está falando sério? – Girei rápido demais para olhar para ele, ficando tonta e enjoada. Fechei os olhos e respirei fundo para não vomitar no colo de Edward.

- Ele é apaixonado por você. – Edward falou sério. Se eu não tivesse sentido a bebida no hálito dele teria pensado que estava sóbrio.

Abri os olhos e o vi pela primeira vez aquela noite. Roupa amarrotada, cabelo despenteado e rosto rosado. A aparência de um homem bêbado aproveitando sua despedida de solteiro. Eu não lembrava mais sobre o que estávamos falando.

- Ele não está bêbado, ele realmente te ama. – Meu cérebro demorou para se lembrar que era sobre Jacob que Edward falava. – E vai aproveitar que está bêbado para se declarar.

O enjoo apareceu novamente. Fechei os olhos e lutei contra ele, levantando um dedo para Edward esperar.

- Você vai vomitar em mim? – Troquei o dedo indicador pelo polegar, confirmando que vomitaria nele. Mas abri o olho e a vontade tinha passado.

Eu só não ia embora da festa porque não queria sair bêbada e sozinha por aí.

Edward estava paralisado do meu lado, como se estivesse estudando a minha reação. Acho que ainda estava com medo de eu vomitar nele. A possibilidade era real se ele não parasse de falar sobre Jacob, ou se o próprio aparecesse.

- Eu preciso sair daqui. Se ouvir você falar do Jacob de novo não vou conseguir segurar o vômito.

Segurando o vestido para não cair, fui até o banheiro jogar água no rosto. Só quando estava secando com papel me lembrei que estava de maquiagem, e a fala de Alice sobre maquiagem a prova d'água no calor de Vegas fez sentido na minha cabeça.

Edward ainda estava sentado no sofá quando voltei, com Lauren no colo tentando enfiar a língua na boca dele.

É, eu teria que dar um jeito de me fingir de sóbria para ir embora, não era só Jacob que me dava ânsia de vômito.

Eu tinha achado a ideia de me arrumar para a festa super divertida no início, agora me arrependia amargamente por estar saindo da boate bêbada, em cima de saltos altíssimos, vestindo um mini vestido prateado que parecia refletir todo o neon de Las Vegas.

Eu não tinha me afastado muito quando senti um pano ser jogado nas minhas costas. Minha reação foi virar para trás e socar o nariz de quem queria me sequestrar.

- Ei, ei! Sou eu! – Edward levantou as mãos.

Olhei para o que me cobria e reconheci a camisa que ele vestia antes. Olhei para ele novamente, vendo-o com uma camisa branca lisa.

- Obrigada.

- De nada.

Andamos em silêncio pela calçada. A minha intenção era encontrar um lugar que service comida e café. Eu só queria um café bem quente e umas panquecas. Olhei para o relógio de um letreiro vendo o número três acompanhado por dois zeros. Três horas em ponto, hora perfeita para um café da manhã adiantado.

Segui andando sem rumo até ver outro relógio, quinze minutos haviam se passado.

- Bella, você pretende ir a algum lugar? Seu hotel é para o outro lado.

Eu tinha me esquecido que Edward estava comigo. O que ele estava fazendo aqui, afinal? Os amigos dele, a família e a noiva estavam todos ali do lado.

- Que caralhos você está fazendo aqui?

Eu não pretendia ser grossa, mas pela careta que Edward fez não tive sucesso.

- Desculpa, não era para ter saído assim, mas ainda quero a minha resposta. Você está aqui, andando comigo sem rumo pela rua quando deveria estar com sua noiva lá dentro.

- Eu não consigo responder sua pergunta sem me comprometer. Eu não sei se quero me comprometer. Eu quero pensar direito, agora eu não consigo pensar. Você não está bêbada também?

Respondendo a pergunta dele, tropecei em alguma coisa na rua e precisei ser segurada.

- Merda de chão. – Chutei a calçada.

- Seus pés não estão doendo?

A questão acionou alguma parte do meu cérebro que imediatamente recebeu o sinal de dor dos meus pés. Até o momento eles estavam perfeitos. Edward soltou uma risada fofa pelo nariz (inferno de homem bonito!) com meu gemido de dor.

- Vem. – Ele esticou o braço e me conduziu para um bar.

Todas as garçonetes estavam com calça preta, suspensórios e os seios de fora. Nós olhamos um para a cara do outro e começamos a rir como duas crianças que não deveriam estar ali. Sempre achei que fosse necessário fazer reserva para entrar em um lugar assim, exatamente para evitar o nosso tipo de comportamento, ou até piores.

O lugar não tinha as panquecas que meu eu bêbado desejava, tinha alguns hambúrgueres que teriam que servir. A cafeína viria do refrigerante.

Nós nos sentamos e assistimos ao show burlesco enquanto comíamos e lutávamos com a estranheza. Eu empurrei dois hambúrgueres para Edward, alguns copos demasiado grandes de refrigerante e dois pedaços de torta. Qualquer coisa para fazê-lo ficar o mais sóbrio possível e conversar comigo. Enquanto eu bêbada enchia as frases de palavrão e chocava Edward, ele bêbado era muito calado. Não era curioso e não ria das minhas piadas.

- Não gosto de você assim. – Comentei de boca cheia.

- Eu também não gosto de você assim. – Ele aprontou para a comida mastigada que eu estava expondo. – Mas formule o seu desagrado, acho que não entendi.

- Você está chateado comigo porque gritei com você? Está calado. Não sei se é porque está bêbado ou se é algum problema comigo.

- Não estou chateado com você, Bella. Eu ainda estou sóbrio demais para responder.

- Filho da puta. – Xinguei, fazendo os olhos dele se arregalarem. – E eu achando que você estava bêbado demais para falar. Na verdade, ainda é o contrário.

Ele soltou uma das gargalhadas gostosas que eu amava.

- Bella, muda de assunto.

- Por queeee? – Alonguei bastante o 'e'. – Você definitivamente está com alguma implicância comigo. Por que veio me acompanhando até aqui?

- Quer que eu vá embora?

- Não. – Respondi emburrada. – Só queria entender o que está acontecendo. Fica aí em silêncio no seu canto mesmo.

Edward abriu um sorriso e voltou a comer.

Em algum momento da madrugada eu esqueci que estava puta com ele e voltei a me comunicar como uma pessoa normal. Nós rimos, conversamos, e aproveitamos juntos um show burlesco. Foi bem interessante. Erótico, mas não explícito. Conseguimos nos comportar e não rir. Diversas vezes eu me perguntava o que estava fazendo ali com Edward. Sempre que uma dançarina passava pela mesa e respeitava Edward por estar acompanhado eu sentia uma pontada no peito.

Acabamos bebendo toda a quantidade de álcool que tínhamos conseguido expelir de nossos corpos, e quando as dançarinas chamaram pessoas do público para dançar no palco, eu fui. Estava produzida, bêbada, me divertindo horrores, por que não? Deixei Edward rindo na mesa e fui sacudir o corpo.

Ele não sabia que eu sabia dançar, não dança burlesca, dança no geral, eu mandava muito bem, foi interessante ver a expressão dele mudar de divertida para admirada. Ele até se arrumou na cadeira para ver melhor.

Toma essa Lauren.

Não, eu não deveria estar pensando isso.

Mas foda-se, eu estava! Eu rebolei minha bunda naquele palco única e exclusivamente para Edward. A expressão dele me dizia que ele estava curtindo e isso era o meu combustível.

Fiz até um mini striptease quando tirei a camisa dele, que eu havia vestido em algum momento da madrugada, e joguei na mesa.

Foram não sei quantos minutos que pareceram segundos. Cedo demais, recebi um tapa na bunda de uma das dançarinas para voltar para o lugar. Eu estava toda sorridente e ofegante, poderia sair daqui direto para uma boate e dançar até amanhecer.

- Puta que pariu! Fiz essa viagem de merda valer a pena! Minha calcinha apareceu? – Edward ergueu as sobrancelhas. – Apareceu? Será que alguém filmou escondido?

Estiquei a mão e pedi a camisa de volta. Edward estava com ela no colo e demorou alguns segundos além do normal para me entregar. Ele estava bêbado demais ou impactado. Deixei-o quieto e pedi uma água, que saiu como cortesia por eu ter participado do show. Eu estava com a boca cheia quando ele voltou a si.

- Termina a sua água e vamos embora.

Eu não sabia se engolia ou se cuspia na cara dele. Fiquei com o líquido parado na boca, estupefata demais para raciocinar. Finalmente consegui colocar a água para dentro enquanto quase falecia com o olhar dele para mim. Tinha sido uma ordem, obviamente, que eu poderia muito bem não acatar, mas não tinha vontade nenhuma de fazer. Edward me olhava de uma forma muito intensa, ostentava o caralho de um sorriso safado de lado não me dando outra alternativa a não ser levantar da mesa e voar para fora daquele lugar.

Ele entrelaçou nossos dedos e apertou firme como se quisesse ter certeza de que eu não fugiria. Saímos de mãos dadas e fomos assim até um hotel diferente do que todos estavam hospedados. Esse era perto de onde estávamos.

Sem entender o que estava acontecendo, não fiz pergunta nenhuma para não quebrar o clima. Vez ou outra Edward me olhava de cima abaixo quando parávamos para atravessar a rua, como se estivesse se certificando de que eu realmente estava ali. Eu apertava a mão dele como resposta, ganhando um sorriso bobo de volta.

Depois de uma pequena caminhada, chegamos em um quarto pequeno, só uma cama, um móvel com a televisão em cima, e uma cadeira. Apenas as roupas dele estavam no armário aberto. Onde estava a suíte luxuosa que Edward estava pagando para os noivos ficarem? Lauren passou o dia repetindo diversas vezes como a banheira era maravilhosa e como eles a tinham usado antes de ir para a cama. Eu morri por dentro com cada detalhe desagradável compartilhado contra a minha vontade.

Edward andou até mim e segurou meu rosto.

- Eu vou te beijar agora. Se não quiser, é a chance de sair.

Fiquei nas pontas dos pés e amassei a camisa dele com as mãos para me apoiar, os sapatos me matando.

Ele colocou os lábios nos meus e foi como se o mundo tivesse se extinguido fora do quarto. Em poucos segundos éramos uma confusão de mãos, gemidos e arfadas. Meu vestido estava puxado quase até a cintura, minhas pernas se enroscando com as de Edward. Eu estava quase escalando o corpo do homem.

- Você vai só beijar? – Sussurrei enquanto esfregava sem vergonha nenhuma a ereção dele por cima da calça.

Ele descansou a testa na minha e puxou o ar por entre os dentes.

- Minha vontade é te levar daqui para a capela mais próxima.

- O tanto que essas paredes já ouviram bêbados falarem isso. – Brinquei.

- Eu estou falando sério, Bella.

Afastei o rosto dele e o fiz olhar para mim.

- Eu estou fodido. Eu não quero a sua prima, eu quero você.

Eu virei uma estátua de olhos arregalados. Eu não sabia qual informação processar primeiro. Não sabia se dava atenção a Edward finalmente falando, ou se dava atenção ao meu corpo ansiando pelo dele.

- Bella, fala alguma coisa, pelo amor de Deus.

Como eu não conseguia responder com palavras, meu cérebro resolveu dar um jeito de eu transmitir algum tipo de mensagem e plantou um enorme sorriso no meu rosto. Foi o suficiente para Edward abrir o próprio sorriso, os olhos brilhando, e me atacar mais uma vez. Eu não era a única com problemas em parar o que estávamos fazendo.

Fomos parar na cama, sem nossas roupas e sem nos preocupar com o que acontecia fora do quarto.

ONDMP

Eu não sabia que horas finalmente dormimos. Nossos celulares estavam no chão do quarto, as cortinas fechadas, qualquer pista que eu poderia ter da hora estava longe demais.

Diferente de Edward, que estava com o peito nu a centímetros do meu rosto. Estiquei-me um pouco e beijei o queixo dele.

- Edward?

- Hmm?

- Só para ter certeza que eu dormi bêbada com o bêbado certo.

A gargalhada dele era deliciosa sozinha, mas a gargalhada dele meio rouca quando ele acabava de acordar…

Empurrei-o para trás e montei nele.

- Muito bom dia para você também. – Edward todo sorridente sentou e agarrou a minha bunda.

Foi difícil levantar da cama. Entretanto, depois que finalmente desistimos de tentar acabar com o estoque insano de camisinhas que ele tinha na mala, cortesia dos amigos achando que ele usaria com a noiva, tomamos banho e voltamos para o outro hotel para encarar a realidade.

Edward fingiu me puxar para a capela do outro lado da rua enquanto esperávamos o carro de aplicativo nos buscar. Foi tentador simplesmente não entrar com ele.

Entrei no meu quarto e deixei Edward seguir até o de Lauren para conversar com ela. Eu estava meio receosa de deixá-lo ir sozinho, tinha medo dela conseguir fazer a cabeça dele.

Eu me distraí no celular enquanto esperava pela volta dele. Tinha uma mensagem de Alice perguntando se podia começar a cancelar o casamento. Larguei o telefone longe sem responder.

Será que todo mundo tinha percebido que nós sumimos juntos? Será que Edward adiantou alguma coisa para ela? Não tinha chegado à conclusão nenhuma quando Edward voltou.

- Pronto.

As mãos dele seguraram minha cintura e me puxaram contra o peito que eu estava amando me agarrar. A expressão dele não era das melhores, o que me levou a acreditar que as coisas não foram tão boas assim, mesmo que ele não tenha demorado tanto quanto imaginei.

- Foi rápido. Foi tudo bem? – Olhei para ele desconfiada.

- Rápido? – Ele exagerou nos olhos arregalados. – Bella, fiz várias pessoas viajarem para Las Vegas para uma despedida de solteiro de um casamento que não vai acontecer porque estou há um mês apaixonado por você e não conseguia terminar meu noivado com uma pessoa que só estava comigo por status. – Quando terminou de falar ele respirou fundo para tomar fôlego.

Então ele sabia sobre Lauren. Ou ela contou agora e esse era o motivo dele estar de cara feia.

- Você colocando desse jeito… Mas a conversa foi rápida. Ela não tentou te sedu-segurar?

- Vamos comer alguma coisa? Eu te conto enquanto alimento o monstro vivendo na minha barriga.

- Você vai me contar tudo, tudo, tudo, mesmo?

Ele primeiro rodou atrás do cardápio do serviço de quarto, depois sentou com as costas apoiadas na cama e me puxou para sentar do lado.

- Edward Cullen, se me enrolar de novo hoje eu nunca mais falo no telefone com você.

- E depois eu sou o curioso. E porque eu iria querer falar com você pelo telefone quando posso falar pessoalmente?

- Quando eu perguntei porque você ligava tanto para Lauren, você disse que gostava de falar no telefone.

Teria sido mil vezes mais fácil engana-lo por mensagem. Eu me passaria por Lauren e ele estaria até hoje achando que estava falando com ela.

Que bom que isso nunca aconteceu.

Edward suspirou dramaticamente e largou o cardápio em cima da cama murmurando um "Eles têm aplicativo." O homem gosta de protelar as minhas respostas.

- Eu te dou uma só chance, Bella. Se errar, você vai ter que dançar de novo daquele jeito de ontem para mim. – Quem gargalhou dessa vez fui eu. – Quem atendia sempre que eu ligava? Quem ficava horas me fazendo companhia quando eu estava no plantão com os cachorros internados na veterinária?

- Eu.

- Errou, minha mãe. Você vai ter que dançar para mim, Dita Von Teese.

Eu gargalhei novamente com a bobeira dele enquanto ele sorria orgulhoso de si.

- Bella, se não fosse você do outro lado do telefone, eu nunca teria ficado tanto tempo com ele pendurado no ouvido.

Com uma frase ele mudou o clima todo da conversa. Sempre foi assim, e era um dos motivos de eu gostar tanto de conversar com ele e ter me apaixonado. Edward em um segundo era bobo fazendo comentários engraçadinhos, no outro ficava com uma voz séria e responsável comentando sobre algum paciente. Nunca era chato, você nunca sabia quando ele ia fazer uma piadinha e melhorar o humor de um papo sério. E nós podíamos conversar sobre tudo e qualquer coisa, sem nunca ficar sem assunto.

- Eu acertei. Isso significa que você vai ter que dançar para mim agora?

- Isso significa muita coisa, Bella.

Perguntei se ele tinha feito o pedido da nossa comida, prioridades. Quando obtive a resposta afirmativa, sentei no colo dele para uns amassos enquanto a comida não chegava.

Era interessante o quanto estávamos confortáveis com a presença um do outro. Não parecia que essa era uma das poucas vezes que nos víamos pessoalmente em apenas algumas semanas.

- Posso fazer minhas perguntas, Edward?

- Manda.

Estávamos deitados depois de encher a barriga de comida e atualizar todo mundo com o que estava acontecendo. Não demos muitos detalhes, mas agora todos sabiam que o casamento estava oficialmente cancelado.

- Por que você veio atrás de mim?

Não esperava a resposta dele: direta e maravilhosa.

- Porque eu te amo. – Meu sorriso ia rasgar a minha cara. – Eu posso dar uma versão resumida? Não quero ficar falando disso e relembrando o quão burro eu fui. – Falou frustrado. – Eu quero começar de novo do jeito certo. – Ele me beijou.

- Tudo bem. Um dia vamos poder rir disso e então você me conta os detalhes.

- Quando saí da casa dos seus pais, Alice brincou que eu estava sob bruxaria. Eu briguei com ela, mas fiquei com aquilo na cabeça. Parece que depois disso uma venda realmente saiu dos meus olhos, porque passei a reparar em coisas óbvias que antes me passavam despercebidas. Minha ficha ainda demorou a cair porque eu tinha mais contato com você do que com Lauren. Até ela sair do seu apartamento. Então me lembrei do comentário que você fez na cozinha e eu levei na brincadeira, foi um soco na cara.

- Eu expulsei. Ela não saiu.

- Sério? Bom, a partir daí eu quase não falava mais com ela porque não tinha você para passar os recados. Um dia percebi que não me importava. Acho que ela sentia que eu queria terminar, toda vez que eu chegava perto me distraia com outra coisa.

Coloquei as mãos nos ouvidos e comecei a cantar. Eu não queria ouvir sobre os dois fazendo sexo. Edward tirou minhas mãos.

- O que você está fazendo? – Perguntou retoricamente. Era óbvio que ele sabia o que eu estava fazendo e queria provocar.

- Não quero saber como ela distraia você com sexo.

O que ele fez? Gargalhou.

- Nós fizemos muito menos do que você acha, Bella.

- EU VOU TE MATAR, EDWARD!

- Desculpa, desculpa. – Ele me beijou. – Eu queria terminar com ela antes de conversar com você, mas essa noite você fez isso ser impossível.

- Você que veio atrás de mim.

- E não me arrependo. – Ele piscou. – Eu não podia deixar o Jacob ter uma chance de chegar perto para se declarar antes de mim.

- Você seriamente acreditou que ele teria alguma chance, Edward? – Questionei incrédula. – Eu tinha que ter te contado antes da minha repulsa por Jacob, teria poupado o quase vomito na boate. ALIÁS! – Gritei antes dele tentar falar. – Ele vai amar saber que estamos juntos.

Quando contei que Jacob insistia em me chamar para sair mesmo eu negando todas as vezes, Edward pegou ranço dele. Não seria uma amizade que faria falta.

- Se você não tivesse fugido dele naquele dia no escritório e tivesse ficado para me conhecer, a história hoje poderia ser outra.

- E mudar a realidade na qual eu dancei para você em cima de um palco em Las Vegas com dançarinas burlescas? Não, meu bem! Essa realidade vai existir torta mesmo.

- Só de lembrar eu começo a ficar de pau duro de novo. Nós temos quanto tempo até o voo de volta?

- O suficiente.

ONDMP

- Que bom que eu não cancelei a festa do casamento, vocês vão precisar dela para pedir desculpas para a minha mãe.

- Ela está aqui. – Charlotte mostrou uma tela de celular com Esme e Carlisle.

- Esme, oi! Desculpa, eu juro que quando chegarmos eu compenso!

- Bella, querida, está tudo bem. Como Alice falou, teremos uma festa pela frente para resolver isso. E vocês vão jantar aqui em casa antes, claro!

- Meu pai também intimou Edward a voltar lá em casa para pedir a prima certa em casamento dessa vez.

- Mera formalidade. – Edward murmurou.

- Nós precisamos apagar a primeira cena das nossas memórias, querido. – Minha mãe acariciou as costas dele.

Apesar de todos, que importavam, estarem nos apoiando, Edward ainda ficava mal sempre que o assunto Lauren vinha à tona e ele se lembrava de como se deixou ser enganado por ela.

Um homem de vestido vermelho brilhoso se aproximou e disse que era a nossa vez. Meus olhos se encontraram com os de Edward sentado no sofá com a minha mãe. Ela deu um tapinha na mão dele e se levantou. Os outros a seguiram para longe.

- Você tem certeza, Bella? – Edward perguntou, de repente inseguro.

Eu o fiz levantar e vir até mim.

- Apesar de você achar que eu tenho cara de palhaça e ficar rindo de mim, eu te amo. Você não merece ficar se remoendo pelo que aconteceu, Edward. A partir de hoje nossa história começa e tudo vai ser diferente.

- Eu não quero que seja diferente. Eu quero continuar contando sobre o meu dia para você, conversando sobre qualquer coisa, rindo de algo na televisão e acabar dando spoiler.

- Foi sem querer! Você disse que não tinha tempo para assistir.

- E que iria assistir outro dia.

- Desculpa! – Segurei o rosto dele e o beijei. – Não desiste de mim.

- Não mesmo. Dessa vez o feitiço deu certo. – Ele tentou fazer piada, mas fez uma careta. Cedo demais.

Alguns minutos depois, diante de nossas famílias e um homem de vestido vermelho brilhante, eu estava casando com o noivo da minha prima, no meio da despedida de solteiro deles.

O que aconteceu em Vegas, definitivamente não ficaria em Vegas. O dia seguinte no trabalho seria interessante.


Curtiram a Bella talarica? Esse ano no presente dela ela roubou o noivo da prima. Toda vez alguém quer roubar o Edward dela, vamos diferenciar um pouco as coisas.

Espero que tenham gostado! Não esqueçam de comentar aqui e nas outras histórias também.

Até a próxima!