— Ela é tão melancólica.
Steven Evans abaixou o jornal com um suspiro resignado, sua atenção atraída para sua filha caçula.
— Wanda, ela é um bebê e bebês não ficam melancólicos.
Wanda Evans ignorou o marido, sua atenção focada na sua filha, seu pequeno milagre.
Hermione tinha os cabelos ruivos como os dela, exceto que eram mais claros e cacheados como os do pai, cada mecha parecendo um saca-rolhas.
Também puxou os olhos, verdes musgos e penetrantes de se olhar.
Mas também eram frios...profundos e
velhos como pergaminho.
Logo depois que Wanda teve sua segunda filha, Lily Evans, os médicos tiveram que era impossível ela ter um terceiro filho pois foi uma gestação difícil e um parto pior ainda.
Dois meses depois veio a surpresa.
Foi estressante, cuidar de uma recém nascida e outra criança de 2 anos estando grávida. Mas Wanda conseguiu, aos trancos e barrancos ela lutou pela sua família.
Seu pequeno milagre nasceu de sete meses em uma lua cheia.
Foi tão sereno, não teve o choro estridente de Petunia e nem a gravidade de Lily,
exigindo atenção de todos.
Um sopro e ela saiu, calmo como um mar sem luar.
Hermione Rose Evans só chorou uma única vez na sua curta vida de 2 anos e Wanda não sabe o que fazer sobre isso.
Ela levou a filha pequena em vários especialistas e todos disseram variedades das mesmas coisas.
— Sua filha é saudável, Senhora Evans, embora um pouco peculiar. Crianças são um mistério que até a ciência desconhece. É claro que se a senhora autorizar, poderemos fazer uns testes.
— Não, obrigado. — Wanda cortou logo, pegou a Hermione no colo e segurando a
mão de Petunia, se encaminhou a saída.
Testes! Como se eu fosse deixar trataram minha filha como um rato de laboratório.
Ela sabe que tem algo diferente na sua filha caçula, ela sente isso desde que nasceu e foi posta em seus braços. Ela só não sabe o tamanho disso ainda.
– Mamãe a 'Mione me deia. – Uma pequena Petunia de 5 anos correu até sua mãe e puxou sua saia com força. Seus olhos azuis como o de seu pai brilharam com lágrimas, seu cabelo loiro e liso caindo como cascatas pelas costas ereta.
Um aperto no coração da Wanda e ela se baixou na altura da filha. Colocando uma
mão na sua bochecha e a outra na cintura, ela falou suavemente.
— É claro que não meu amor. Hermione é só um pouco...diferente do resto das crianças, ela não gosta de ser tocada.
— Mas ela vive abraçando a Lily! Porque todos preferem a Lily?! – Ela começou a chorar alto, seu corpinho magro convulsionando com a força dos soluços. — E-eu só quelia ser parecida com vocês, assim 'Mione me amalia como ama Lily.
Wanda sentiu sua própria garganta se fechar e puxou a filha para um abraço, deixando-a derramar sua mágoa.
Era verdade que Hermione não suportava muito o contato com as pessoas, raramente deixava seu próprio pai abraçá-
la ou até mesmo tocar seus cabelos.
Ela só permitia Wanda moderadamente e se agarrou a Lily como uma segunda pele. As duas se tornaram inseparáveis desde o berço.
Mas Petunia...Hermione nunca tocou na irmã quando aprendeu a andar sozinha e se esquivar com uma agilidade impressionante para um bebê.
Wanda não sabia como concertar algo que ela não sabe como quebrou. Ela olhou por cima do ombro e viu Hermione espiando pela porta, seu cabelo indomável e seco pelo sol de verão. Wanda teve a impressão de ver a filha engolir fundo e cerrar os pequenos punhos.
— Vamos brincar no barquinho, Tune?
Hermione tinha uma dicção incrível, quase nunca tropeçava nas palavras.
Petunia se afastou da mãe com surpresa, as mãos esfregando os olhos inchados como se quisesse limpar alguma ilusão.
— Você quer blincar comigo, 'Mione?
Hermione agitou os ombros levemente.
— É claro, você é minha irmã.
E quando Hermione ofereceu a mão, Petunia abriu um sorriso tão largo e brilhante que Wanda achou por um segundo que as duas eram gêmeas, tamanha a semelhança.
Ela só esperava que a sua filha pudesse
ver isso no futuro.
A primeira magia "acidental" passou quase despercebida.
Hermione de 6 anos já preferia livros a pessoas. Era possível ver apenas sua juba de leão em meio ao seu pequeno forte de livros e enciclopédias.
As únicas vezes que ela saia dali para aproveitar o sol era com reforço das duas irmãs Evans juntas, Lily chegava com os olhos pidões e Petunia com suborno.
Sua filha era oficialmente uma chocolotra. Ela pegava tudo que estivesse à vista e não importava se fosse ao leite ou amargo, sendo a base de cacau estava
ótimo para ela.
Mas naquele dia em particular nada conseguia tirar ela da sua concentração.
— Pai, você pode pegar aquele livro ali para mim?
Steven tentou desviar dos cabelos da filha para conseguir ver a TV.
— Só um segundo, ok filha?
— Pai, eu preciso agora.
— Já pego.
Ele esqueceu de pegar o dito livro e só lembrou quando se levantou para ir ao banheiro. Ele foi até a estante mas o livro não estava mais lá, curioso, ele foi até o
"castelo" da filha que ficava entre a cozinha e a sala em um canto isolado.
— A mamãe pegou o livro pra você, princesa? — Ele perguntou quando viu a filha lendo o enorme livro que ela tinha apontado mais cedo.
Hermione piscou os olhos verdes musgo para ele, sendo o mais escuro dos três e o mais impressionante também.
Ela tinha os lábios franzidos, indicando irritação por ter sido perturbada. Era uma expressão tão fofa em uma criança que ele não pode evitar de inclinar e bagunçar seus cachos tão parecidos com os dele.
— Papai! – Hermione bufou um beicinho e ele só riu ainda mais, um sentimento quente no peito. - Mamãe não pegou para
mim. Eu quis e ele veio.
— Como assim "ele veio"?
— Ele voou para minha mão.
— Você está dizendo que seu livro voo?
— Pai! – A expressão de exasperação voltou e Steven teve a impressão que era algo que ele recebia muito de sua filha. — Livros não voam.
— Mas você acabou de dizer que ele foi para a sua mão.
— Sim. Mas não foi voando, foi magia.
— Ah. Magia. – Steven acenou como se entendesse e não disse mais nada. Feliz que sua filha acreditasse em alguma
fantasia. Ele ainda de sentia horrível por que ela nunca acreditou que ele era de fato o papai Noel quando se fantasiou no Natal, sempre rápida para reconhecê-lo.
Sim, acreditar em magia era uma coisa típica de criança e com isso ele conseguia lidar.
Crianças que prefeririam livros e que nunca choravam ainda era um enigma que ele não conseguiu resolver.
— Mãe! Pai! Eu sou uma bruxa!
Lily Evans de 10 anos exclamou alto no meio da sala, sua pele geralmente pálida estava bronzeada e ela tinha um sorriso enorme no rosto.
— Quem te disse uma coisa dessas, Lily? — Sua mãe veio correndo da cozinha, preocupada que alguém tenha ferido sua filha, só para ficar surpresa quando viu o sorriso da mesma.
— Severus! — Ela disse de forma orgulhosa.
Severus Snape era um garoto magro e desengonçado que morava no fim da rua em uma casa decrépita. Ele fez amizade com sua filha no verão do ano passado e desde então os dois são inseparáveis, gerando até ciúmes em Petunia que sente que perdeu a irmã.
Hermione nunca maltratou o menino como Petunia mas também nunca tentou se aproximar, mantendo uma distância
curta entre os dois, algo entre respeito relutante em ambos serem inteligentes.
Wanda sempre gostou do menino e desconfiança da sua magreza e como sempre vestia roupas longas quando vinha a sua casa, mesmo sendo verão.
Ela até tentou ligar para a Assistência Social mas eles disseram que não podiam fazer nada sem provas de abuso.
Provas! Bando de incompetente!
Então ela sempre fez tudo que estava ao seu alcance,alimentando o menino e comprando roupas para ele, fingindo que ela simplesmente ganhou de um parente distante que achava que ela tinha 3 filhos ao invés de filhas.
Wanda fingiu não notar quando ela
lagrima escorreu no rosto dele.
Então era de se esperar sua surpresa quando ele, um rapaz tão educado e tímido chamou sua filha de nomes.
— Mas porque ele disse isso? Vocês por acaso brigaram?
— Mãe! Não! – Ela deu uma risadinha que pareceram sinos. — Isso é uma coisa boa! Significa que eu posso fazer magia.
— Que gritaria é essa? — Steven saiu do seu escritório aonde trabalhava quando ouviu as vozes elevadas.
— Pai, pai, eu tava dizendo a mamãe que eu posso fazer magia agora.
— Ah, magia. – Steven repetiu confuso e
olhou para a sua esposa que deu de ombros. — Isso é muito legal filha?
Ele disse com incerteza. Como agir em uma situação assim? Aquilo causou uma sensação de Déjà vu.
— Claro que é. Olha. — Ela abriu a mão com expectativa.
Eles olharam e olharam.
Nada aconteceu.
Lily fez beicinho, os olhos se enchendo d'água.
— Mas funcionou com Sev. — Sua voz falhou quando as lágrimas finalmente caíram.
Os pais se olharam antes de se moverem em sincronia e abraçarem a filha.
— Você está fazendo errado, Lily. — Hermione desceu as escadas com um propósito, marchando até a irmã e puxando sua mão para si.
Os pais ficaram ali ajoelhados, sem saber como prosseguir exceto olhar.
— Precisa de duas pessoas para fazer a conexão entre a criação da vida. Nossa energia vital é que vai te capacitar em fazer algo assim. Aqui, tente novamente comigo segurando sua mão.
Lily, ainda chorando, aceitou tentar novamente, a esperança voltando com força total.
Sua irmã geralmente cética acreditava nela e isso era tudo que Lily precisava.
Ela puxou dentro de si como Severus ensinou mais cedo, puxando aquele pequeno fio invisível, moldando-o a sua vontade e visualizando sua criação.
Ouvindo os guinchos de surpresa dos pais, ela abriu os olhos e ali, na mão de Hermione, repousava a mudança de tudo que estava por vim.
Uma pequena rosa branca.
Meses depois eles receberam a visita de uma professora chamada Minerva McGonagall e ela explicou tudo que precisava aos Evans.
E dois meses depois, Lily Evans recebeu a sua tão estimada carta de Hogwarts.
Ela brincou com o selo, arrastando o carimbo com as unhas pintadas de rosa choque.
E então sorriu, o sorriso mais lindo que Wanda viu e ela soube que a parti daí, tudo seria diferente.
Mas porque seu coração doída tanto?
Naquela noite, Hermione chorou pela primeira vez em anos.
