A sala era ampla e escura, sua única fonte de luz sendo velas que flutuava suavemente acima da enorme mesa no centro da sala.

Nele, era possível ver um caldeirão borbulhante juntamente com ingredientes diversos espalhadas ao redor.

Uma mão cutucou ele nas costelas e ele nem piscou, apenas grunhido em aborrecimento.

— Você nunca vai conseguir me pegar desprevenido. Deveria desistir. — Ele disse com preguiça, tirando o casado verde majestoso e o dobrando de forma polida e o colocando em cima de uma prateleira, então, dobrou as mangas compridas da camisa social, mostrando os braços pálidos e longos, as veias verdes e azuis

em forte contradição com os pêlos pretos. — Você só está se decepcionando quando persiste nisso.

A outra pessoa na sala bufou de forma nada elegante nos lábios cheios e rosados e soltou um leve lumurio de indignação.

Você já deveria saber que eu nunca desisto quando quero algo. — Ela disse um pouco arrogantemente, puxando os cabelos ruivos rebeldes e os prendendo em um rabo de cavalo bagunçado. Ela já tinha tirado seu casaco vermelho e suas mãos estavam em prontidão animada, os dedos se movendo de forma descontraída. — Ninguém é tão ligado o tempo todo. Uma hora você vai cair, Reg.

Regulus fez uma careta feia para Hermione, uma cara que teria assustado

qualquer um. Qualquer com cérebro e o mínimo de senso, esse não era o caso de Hermione Evans.

Ela simplesmente sorriu largo, os cantos da sua bochecha esquerda formando uma covinha adorável que Regulus achava irritante na maioria das vezes.

Ninguém deveria sorrir tão rápido e tão bonito. Deveria ser crime. Ele suspirou, se aproximando da mesa e pegando uma faca afiada, seus dedos testando a capacidade da lâmina e sentindo o leve ardor que ela causou.

— Você demorou hoje. — Hermione disse distraidamente, pegando sua própria faca e picando o aconito com uma rapidez e eficiência impressionante. Regulus não caiu no seu truque. Ele conhecia a Evans

mais jovem a tempo o suficiente para saber que ela quase nunca jogava conversa fora. Esse era um dos pontos que fazia sua companhia ser uma das quais ele não achava insuportável. — Sonhando com ele de novo?

Corte isso. Ele odeia porra Evans.

— Diferente de certas pessoas. Eu preciso estudar para as provas finais. Ninguém é doente o suficiente para estudar coisas do 4 ano logo no 1 ano em Hogwarts — Regulus zombou com gosto, jogando seu cabelo preto para trás. Sua mão tinha adquirido uma cor lilás e um cheiro enjoativo. — E respondendo a sua pergunta tão eloquente. Eu sonhei matando uma certa vadia curiosa e intrometida.

Ele tentou usar aquele olhar frio e ameaçador que todo Black sabia usar, até mesmo o inútil do seu irmão não irmão.Mas ela só riu alto e ele soltou um suspiro desanimado.

Eles trabalharam um pouco em silêncio, cortando ervas, mexendo o caldeirão em sentido horário ("Se você mexer ao menos uma polega em sentido anti-horário, eu te mato" Regulus tem vergonha de admitir que tremeu um pouco com seu olhar.)

Esse era o lance entre eles, não era necessário conversa afiada para o clima não pesar, nem meias verdades e nem esconder suas opiniões.

Black era um herdeiro de uma Casa Sangue-puro que datada milhares de anos, ele tinha suas crenças, era frio,

ganancioso, obediente e muito arrogante.

E Evans era uma vadia com mais cérebro que todos os alunos juntos e uma determinação que rivaliza com Lorde Voldemort. (Não que Regulus vá dizer isso a ela, Hermione é capaz de matá-lo.) Ela não se gabava, não atraia atenção para si mesma mas tinha a língua de chicote, nunca aguentando a merda de ninguém, muito menos de Regulus.

Eles não eram amigos, Regulus não tinha amigos e nem precisava deles, ele tinha necessidades e usava as pessoas que podiam nutrir isso.

Hermione era um gênio, e ele era esforço pra dizer o mínimo, juntos, eles formavam uma ótima dupla e inventavam muitas Poções que a maioria nem sonharia.

É claro que também era vantajoso para ela, Regulus tinha dinheiro para pagar os ingredientes e ele tinha poder, conseguindo fazer os Sonserinos deixá-la em paz, dizendo que ela era sua "putinha suja que chupava como ninguém". Sim, era uma acordo vantajoso.

Exceto que Hermione era Hermione e como a boa tagarela que é (ninguém imaginaria, sendo que ela era quase muda para todos, exceto sua irmã) ela sempre queria saber mais e mais do Regulus, conseguindo arrancar coisas dele nesses 4 anos estudando juntos.

Regulus odeia que ela descobriu seu segredo sozinha e sempre tenta arrancar mais informações dele.

Ele odeia ainda mais quando é incapaz de

não ceder.

— Eu comecei a Ensiná-lo, são três aulas até agora. Potter até que se manteve firme e calmo, realmente parecia esforçado, estou supondo que ele conseguiu se sair bem.

— Eu ainda não acredito que você aceitou a ensinar um Maroto. — Regulus cuspiu como se fosse o veneno de um basilisco. — Eles são a pior escória da escola. Nada abaixo deles.

Sim, talvez Regulus fosse um pouco amargo no assunto.

Hermione levantou uma sobrancelha, um contração de irritação no canto da boca. — Você está exagerando. Eles só são um pouco "animados" demais. Mas a maioria

das brincadeiras são inofensivas.

— Eu estou falando com a verdadeira Evans aqui? Você simplesmente odeia os Marotos! Sério, acho que você sente mais ódio do que eu e olha que lá esta aquela coisa que eu compartilho sangue.

— Eu nunca disse que os odiava.

— Sim, você disse. Você disse "Tomara que eles nunca percebam minha presença, seria uma tortura maior que Crucius".

— Isso não quer dizer que eu os odeio. — Hermione disse com um beicinho, ela odeia ser contrariada. — De qualquer jeito, foi só um modo de expressão. Tipo, se eles me notar começar suas brincadeiras, todo mundo vai prestar atenção.

— Qualquer coisa que você diga. — Regulus fez um barulho de escárnio, pegando o pó que sobrou do aconito e colocando em uma folha seca de Mandragora. Eles vão precisar pra quando a poção estiver pronta. — Mas você não me convence. Ou você acha que eu não sei pra quem você está inventando essa poção de Lobisomem?

Hermione respirou fundo, amassando folhas secas e jogando no caldeirão com força, seu olhar acesso com raiva.

Regulus, sentindo o perigo, levantou as mãos para o alto. — Só estou dizendo que você deveria ter cuidado. Não que eu me importe, mas se você se machucar, perderei as receitas das Poções. Snape está convencido que Lupin é perigoso.

Quase surtou ontem na torre.

Assim que as palavras saíram da sua boca, Regulus percebeu que era um erro.

A nascida-trouxa ignorou todo o discurso, focando apenas no nome Snape.

Regulus queria se bater quando um sorriso começou a se formar no rosto dela.

— Snape...— Ela disse, e deu uma risadinha.

— Cala a boca. — Regulus disse sério, seu rosto esquentando muito rápido. Ele focou seu olhar na mesa, contando os pedacinhos de folha seca. Talvez assim, ela deixasse pra lá.

— Então, como vai você e o Snape. — E deu outra risadinha. Regulus odeia tanto

sua vida no momento.

— Não existe Eu e Snape, Porra! — Ele latiu, seriamente, o som rasgando de dentro pra fora, seu coração batendo descompensado. Quase como se estivesse sob Imperius, Regulus olhou ao redor da sala, procurando qualquer intruso que pudesse ouvir o mínimo daquela conversa. Uma dor fantasma ecoou no seu antebraço, queimando como fogo vivo. — Foi um momento de delírio, você deveria esquecer essa merda.

— Ou talvez você devesse assumir. — Hermione estava seria agora, seu rosto quase em branco. Regulus não encontrou pena no seu olhar verde, se ele tivesse encontrando, teria seriamente virado aquele caldeirão fervente. — Vocês formariam um casal muito fofo. — E ela

sorriu de novo.

— Você não deveria odiá-lo agora? Você já não gostava dele antes, agora que ele chamou sua irmã daquilo, você deveria querer ele morto. — Regulus tentou desviar o assunto, torcendo para que desse certo. O acontecimento de anteontem é o assunto entre os corredores de Hogwarts. Enfim a infame amizade entre um Grifinório e Sonserino acabou. Alguns até ganharam dinheiro com apostas de quanto tempo iria durar.

Ele não assumiria pra ninguém, nunca, mas ele sentiu um certo sentimento mórbido de felicidade quando Snape finalmente reconheceu a qual lugar ele pertencia.

Hermione o encarou, como se lesse seus

pensamentos e ele desviou o olhar rapidamente, seu estômago pesado de repente.

— Eu nunca odiei Snape, Reg, nem sei se posso odiar alguém. Bom, posso, mas ele merece todo o ódio que eu tenho. Cada grama dele. — Ela falou com um fervor quente, seu rosto contraído como se o próprio sentimento de fúria a consumisse. Sumiu no estante seguinte e ela era só Hermione novamente. — E o quê ele fez...não foi legal, não foi bom e eu estou com tanta raiva de como ele machucou minha família por um orgulho estúpido. Eu realmente pensei que ele mudaria, seria melhor.

— Tá brincando? E o que? Se casaria com sua irmã e teriam milhares de filhos Grifinorios estúpidos? Muita coragem e

pouco cérebro? — Ele tentou evitar, mas aquele sentimento queimou mais forte e ele não podia ver nada, exceto aquela imagem de família perfeita e porra, ele estava com raiva. — E você? Está também tentando me mudar? Me fazer casar com você, uma Sangue-ruim e abandonar minha família como meu irmão estúpido?

— Até que seria um plano brilhante. Se você gostasse de buceta. — Ela olhou por cima do caldeirão, rindo alto.

O sentimento simplesmente sumiu, substituído por uma vergonha súbita e ele não conseguiu segurar o próprio sorriso, vendo como seus pensamentos eram estúpidos.

— Eu realmente odeio Sangue-ruins, eles são sempre tão estúpidos. — Ele disse

com um ar arrogante, tentando se recompor do seu leve colapso.

— Acho que você quis dizer sangue-puros. Sempre tão narcisistas.

— Insuportável.

— Hipócrita.

Ela o encarou, esperando o próximo insulto e Regulus simplesmente suspirou, sabendo que não podia vencer uma Evans em uma discussão. Ele sabe, ele vem tentando por anos agora.

— Isso vai ferver até a volta às aulas? — Ele perguntou em vês disso, jogando a última folha de aconito.

— Um pouco mais. — Hermione

respondeu. — Todos os ingredientes precisam está bem derretidos e misturados uns aos outros para dar certo.

— Você está se colocando muita confiança. — Ele respondeu. Os dois começaram então a limpar os utensílios usados e programando o fogo para está na temperatura ideal e nem pra se espalhar por alguma eventualidade. — Nem sabemos se vai funcionar. Muitos tentaram a cura para lincantropia antes.

— Vai funcionar. — Hermione afirmou com convicção. E ele era o arrogante da dupla? — E eu não estou fazendo a cura ainda. É só uma ajuda para manter a consciência. Mas pode ter certeza que esse será o meu próximo passo.

— Tanto faz. Desde que meu nome esteja

no rótulo, eu não me importaria menos de quem toma e a quem beneficia.

Hermione sorriu, colocando seu casaco vermelho sangue que combinava perfeitamente com seu cabelo. — Vamos no ver no próximo ano letivo? Ou talvez você mande cartas esse ano?

Regulus, que também tinha colocado seu casaco e limpado as mãos, zombou com força. — Só nos seus sonhos mais sórdidos, Evans.

E então ele saiu pela porta, não se interessando em olhar na sua direção nem uma vez.

— Reg?

Ele parou no seu passo, sem olhar para

trás. — O quê?

— Fica de olho no Snape esses meses, ok? Ele não vai ter ninguém e nem para onde ir. Vai ser meses difíceis para ele naquela casa.

— Como se você se importasse — Ele rebateu, sem nenhum calor por trás e seguiu pelo corredor.

Ele pensou tê-la ouvido falar uma última vez.

— Esse é o maldito problema.