Tinha algo mágico naquele quarto, era quase sobrenatural de tão forte a magnitude que ele conseguia passar.

As cobertas vermelhas e douradas, os malões organizados ao pé de cada cama, os desenhos estranhos de Hermione espelhadas pelas paredes.

Quando Lily tinha momentos de reflexão (não eram muitos, ela era uma pessoa agitada e ansiosa por natureza) ela se via encarando aqueles desenhos sem ao menos perceber.

Era aquela atração de novo, algo puxando no fundo dos seus intestinos e dizendo tocá-lo, lembrá-lo. O que era estranho por si só, Lily tinha certeza que não esqueceu de nada. Sua memória era perfeitamente boa, obrigado.

Os desenhos em si eram grotescos e escuros, formas retorcidas que nunca formam uma imagem clara.

Uma par de mãos. Uma pálida e enrugada e a outra enegrecida, tão encolhida e desgastada que parecia a mão de um cadáver em decomposição.

E por aí viam o restante.

Olhos castanhos calorosos e ao mesmo tempo, tristes.

Olhos azuis e frios que pareciam muito familiar de alguma forma.

Um cachorro preto gigante, um Lobisomem ferido, rugindo pra lua. Um cordão estranho com ampulheta, e muitas

bocas.

Era insano a quantidade de expressões que cada boca poderia fazer e era estranho que Lily sabia que cada uma pertencia a uma pessoa diferente.

Mas acima de tudo, Hermione desenhava um garoto.

Nunca era muito claro, ele estava curvado, a escuridão ao redor e seu rosto, coberto pela neblina, parecia rugir de dor.

Então eram seus olhos que se destacavam acima de tudo, verdes brilhantes, hipnotizantes, quase magnético.

Por qualquer motivo que seja, Lily sentia vontade de chorar quando olhava pra ele. Não eram seus olhos, nem da sua irmã (ela nunca desenhava a si mesmo, nunca.)

E nem da sua mãe. Eles carregavam dor de mais, algo que Lily nunca experimentou na vida e nunca quer.

— Então ele não vem pra Ceia? — Uma voz distante e irritante quebrou a concentração de Lily e ela agarrou a fronha da sua cama com força.

A dita "Ceia" era algo grandioso na casa dos Evans. Uma comemoração em grande estilo das Evans mais jovens que raramente estavam em casa e não podiam comemorar o aniversário com eles.

Quase todo mundo da família era convidado, até primos distantes e Severus que mais parecia um filho para seus pais, sempre marcava presença.

— Pensei que você não gostasse de

perguntas Idiotas, Hermione, perguntas Idiotas retóricas é pior ainda.

— Não foi retórica, eu estou curiosa qual será a sua resposta. Até agora, você não falou a verdade pra mamãe e pro papai e você sabe que ela está feito louca cozinhando comida para todos e ela tem um cuidado especial em tentar engordar Snape.

Finalmente e completamente contra a sua vontade, Lily arrancou os olhos do desenho dos olhos verdes e olhou pra sua irmã que estava sentada na escrivaninha que era dividida entre as duas e escrevia uma carta quase com preguiça, mordendo a ponta da pena a cada 10 segundos.

— Eu não sei como fazer isso. Eles amam

ele como filho e eu só...não sei, não consigo pronunciar as palavras, parece que torna tudo real. — Lily então agarrou o travesseiro vermelho com um Leão bordado e enfiou a cara nele, respirando lentamente pra não desmoronar. — Eles vão ficar arrasados.

— Vão sim. — Hermione concordou e ficou em silêncio, o único som sendo a respiração abafada de Lily e sua pena sendo arrastada pelo pergaminho. — Mas você não tem escolha. Ou você perdoa Snape e aceita ele de volta-

Nunca!

— Ou você conta a verdade e arranca logo Band-aid. A Ceia familiar é amanhã!

— Obrigado Senhorita Óbvia. — Lily não conseguiu conter o sarcasmo na resposta. Sua cabeça parecia se dividir em dois desde o fim do semestre, como uma companheira irritante que fica batendo e chacoalhando seu cérebro até virar mingau.

Não ajudou que seus pais ficaram constantemente perguntando por Snape e quando ele viria pra casa.

Casa. Como se ali fosse seu lar e eles, sua família.

Bom, não mais. Ele quis assim, ele que escolheu jogar fora anos de amizade só pra servir a um maníaco estúpido que odiava pessoas como ela e Hermione.

E mesmo que na sua cabeça o fim dessa amizade fizesse sentido e fosse inevitável,

doía como o inferno.

— Também tem a terceira opção.

— terceira opção? — Ela odiou o tom choroso e desesperado na sua voz.

— Podemos fingir que ele está doente, algo do mundo mágico muito contagioso e ele não pode aparecer tão cedo e que mandou uma carta pra desejar boas festas. Eu sou ótima em copiar assinaturas.

— Planejando um roubo futuramente? — Lily riu, ignorando como seus olhos ardiam. Merlin, ela amava tanto Hermione.

Hermione colocou a mão de forma teatral sobre o peito, uma mancha de tinta

sujando sua camisa amarrotada. — Você me conhece tão bem. Pena que eles exigem mais que uma assinatura pra roubar Gringotes.

— Eu estava pensando em algo como um banco trouxa! Roubar Gringotes? Isso é impossível, impensável, um suicídio. —

Hermione deu de ombros, colocou sua carta em um envelope branco e imaculado e fechou com um selo limpo e comum. Só grandes famílias e empresas como Hogwarts podem adicionar imagem ao carimbo.

— Nunca se sabe. Vai ver porque as pessoas acham que é tão impossível e na verdade é a coisa mais fácil do mundo.

— Se eu não sentisse sua assinatura mágica eu teria pensando que você não é minha irmã.

Hermione revirou os olhos e andou até uma gaiola e lá libertou uma coruja grande e marrom chamada "Hen" que elas conseguiram no ano passado depois de implorar muito aos pais e explicar que eles, bruxos, só se comunicavam assim.

— Aqui, garota, leve isso pra mim e não precisa esperar reposta. — Sem mais aviso, a coruja levantou voo pela janela aberta.

— Pra quem era aquela carta? — Lily perguntou de repente, ciente que estava tão envolvida no próprio drama que nem sequer dispensou um pensamento sobre

aquilo. Agora, com uma solução temporária pra sua tormenta, era tudo que sua curiosidade conseguia pensar.

Sua irmã congelou no próprio passo, seus olhos pareciam quase em "pânico". Antes dela mascarar suas afeições para algo mais comum.

— Uma colega da escola. — Respondeu e colocou um fio de cabelo atrás da orelha.

— Você está mentindo. — Afirmou a ruiva e saltou da cama, sua carranca aumentando. — Você fez seu tique.

— Eu não sei do que você está falando, eu não tenho tique. — Hermione tentou passar por Lily em vão, seu corpo impedindo a única passagem entre as duas camas de solteiro.

Dando de ombros, Hermione andou por cima da sua cama e aterrisou do outro lado a caminho do corredor.

— Porquê você nunca sabe dar uma resposta direta? — Lily perguntou com um bufo enquanto seguia sua irmã até a cozinha e de lá, ela suspirou feliz com o cheiro de frango assado com molho de laranja.

— Talvez eu não queira dar reposta nenhuma? — Hermione sugeriu de forma arrogante e beijou a bochecha da sua mãe que estava colocando a mesa. — Mãe, o cheiro parece divino.

— Obrigado querida, pode se sentar que esta quase tudo pronto.

Hermione se sentou e Lily sentou ao seu lado com uma carranca.

— Isso não acabou. — Sussurrou furiosamente e recebeu apenas um sorriso em resposta.

Não muito tempo depois Petunia também desceu para comer com seus longos cabelos molhados e um jeans gasto pendurado nos quadris.

Ela parecia estranhamente arrumada. Lily trocou um olhar com Hermione até lembrar que estava brava com a mesma.

— Que felicidade! Todas as minhas flores em casa. — Seu pai riu com vontade com a careta das filhas.

— Paaai! — Elas responderam em

sincronia perfeita, acostumadas com a bobeira do pai.

— Você está muito bonita, Tune. — Lily resolveu fazer a jogada quando sentiu um leve cheiro de perfume exalar da irmã mais velha. A ruiva não conseguia segurar a língua nem se sua vida estivesse em jogo.

Petunia congelou com o garfo de macarrão com queijo no ar e seus olhos azuis encararam os verdes. — Obrigado. — Respondeu e voltou a comer.

Lily se virou para Hermione em choque e percebeu que a irmã caçula tinha a mesma expressão, as duas então encararam Petunia.

Era raro Petunia não falar de si mesma

com muito entusiasmo, então ela agradecer um elogio e não elaborar tudo que fez na aparência já perfeita era quase impossível.

— Algum motivo especial? — Lily então elaborou e ignorou o chute que ganhou de Hermione.

Enquanto Lily era curiosa e obstinada para saber as coisas, Hermione levava seu tempo em observar seu "alvo" e procurar o melhor jeito de tratar o assunto.

Abordagem de frente era um método que ela não aconselhava muito.

— Não é nada demais, só vou sair com uns amigos da faculdade. — Ela parecia quase com dor ao admitir aquilo, Petunia

conhecia a personalidade forte de Lily e por vezes era pega em momentos que era encurralada e tudo tinha que ser espremido dela até a última informação.

Tunia suspirou quando viu dois pares semelhantes de olhos verdes a observando, era quase possível ver as duas pulando da cadeira em alegria.

— Podem parar suas ervas daninhas, isso. — Apontou para si mesmo. — É só para causar uma boa impressão. Essas pessoas tem conexões e podem me ajudar quando terminar a faculdade de Jornalismo.

Lily quase caiu para cima do seu prato em sua vontade de chegar mais perto da irmã.

Hermione tinha olhos brilhantes e mãos para cima em oração e Petunia quebrou um pouco e um suspiro saiu do seu peito.

Elas são minhas irmãs. Quem melhor para pedir opinião?

— Ok, tem um cara-

Lily soltou um grito tão alto e feliz que todos na mesa soltaram de susto, o almoço quase indo ao chão. Ela então agarrou a mão de Petunia e Hermione e arrastou as duas escada a cima.

— O que aconteceu? — Stephen tinha um olhar confuso no rosto barbado, um fio de macarrão nos lábios.

Wanda balançou a cabeça e bebeu um gole de água antes de sorrir de forma tranquilizadora para o marido. — Elas estão crescendo, só isso.

— Isso é um exagero. É só um garoto. — Petunia disse com um ar exasperado para as irmãs que estavam deitadas uma de cada lado seu no chão frio do quarto da Petunia.

— Mas Tune, você nunca falou de um garoto antes. Isso é tipo acontecimento épico.

— Tenho que concordar com a Lily. — Hermione cutucou o pé de Petunia com o seu, os olhos de cachorrinho fazendo sua mágica.

Petunia olhou para os pés das três apoiadas na parede, era óbvio que ela era a maior das três e mais uma vez, ela não tentou se incomodar com isso.

Não importa se as vezes ela achava seus membros muitos largos e desproporcional. A palavra "Girafa" as vezes penetrava na sua mente como uma doença viscosa.

— Foi no mês passado. Esse garoto da aula de Economia apareceu na saída da minha aula e perguntou meu nome e quando eu confirmei, ele entregou uma rosa e chocolates, dizendo que era do meu "admirador secreto".

Ela esperou uns segundos e não se decepcionou quando Lily se levantou e começou uma dança da vitória desengonçada.

— MEU DEUS TUNIE UM ADMIRADOR! — e cutucou Petunia nas costelas, um sorriso largo no rosto.

— Isso é tão romântico. — Hermione confirmou e mesmo sem o entusiasmo de Lily, era possível ver a alegria refletida no seu rosto.

Contra sua vontade, um sorriso se formou no seu rosto e ela cobriu o rosto com as mãos com vergonha.

— Você sabe o nome dele? — Lily se sentou novamente com o rosto corado de esforço. — Vocês já se encontraram? Ele deu mais presentes?

— Calma, Lily, respira. — A ruiva respirou fundo de forma teatral para Hermione e se virou para Petunia em expectativa.

— Ele enviou mais dois presentes e no último tinha um bilhete dizendo que ele

poderia está no encontro da turma. — Admitiu Petunia e se sentou com as pernas por baixo, analisando a própria camisa azul de forma crítica.

Ela tinha escolhido aquela camisa cuidadosamente, foi o último presente da sua avó antes dela falecer e ela deu para Petunia depois que a viu chorando e reclamando como seus olhos azuis eram sem graça.

— Sem graça? Horas! Nunca vi olhos mais claros e limpos na minha vida. Parece o céu sem nuvens e você aí reclamando com a barriga cheia. Eu daria tudo para possuir olhos tão bonitos.

— Mas a Lily e a Hermione...

— Suas irmãs tem olhos bonitos também, isso é óbvio, mas isso não faz de você

menos bonito por ser diferente. Eu vou te contar um segredo, a cor da roupa faz a maior diferença.

— Faz? — Ela parecia duvidosa.

— É claro que faz! Um único olhar pra você e nunca será capaz de desviar os olhos. Fico até com pena do trânsito nesse dia.

Então ela lhe presenteou com uma camisa simples de seda azul escura que agarrava seu busto como uma segunda pele e dava ênfase para os ombros e mandíbula. Petunia nunca usou até agora.

— Eu...eu posso te ajudar com a maquiagem, se...se você quiser, é claro. — Lily foi rápida em acrescentar com óbvio medo de rejeição imediata.

Alguma coisa apertou no coração de Petunia com a expressão hesitante da irmã e de repente ela perguntou quando elas começaram a andar na ponta dos pés uma da outra. Não parecia natural, não quando elas foram tão unidas quando eram crianças. Talvez tenha mudado quando Lily descobriu que era uma bruxa, talvez quando as duas foram presenteadas com um dom tão incrível e como sempre, Petunia ficou de fora como um patinho feio e rejeito.

Era injusto, as irmãs nunca a trataram diferente apesar do vínculo estreito que possuem entre si, mas o ciúmes e inveja parecia se infiltrar no seu coração e por consequência, aquilo transbordava para fora como goteiras indesejadas e sem querer, ela de tornou a estranha na própria

família.

— É ótimo Lily. — Ela educou sua expressão em algo honesto e aberto. Talvez seja hora dessa distância ser fechada. — Mas vamos ter que esperar um pouco pra fazer a maquiagem, se não vai estragar quando for a hora de ir.

— Mas você já está arrumada. — Hermione apontou o óbvio, seus sobrancelhas juntas.

As bochechas de Petunia coraram e ela resistiu a vontade de levantar e sair correndo para se esconder em um canto escuro.

— Eu me empolguei um pouco, o encontro é só a noite. — Ela murmurou baixinho, a voz estridente até para os próprios

ouvidos.

— Isso só significa que teremos tempo de deixar você mais linda do que já está. — Lily declarou com pura excitação e olhou para Hermione que simplesmente sorriu e deu de ombros.

As próximas horas foram seguidas de muitas conversas, risos e maquiagem voando de um lado para o outro.

Petunia escutou de Lily como esse garoto — Potter. — Continuou a importunar para sair com ela e seus esforços pareciam triplicar a cada ano, como se a linha de chegada estivesse a poucos metros e o garoto tinha que aproveitar cada oportunidade que surgisse.

A ruiva admitiu com certa relutância e

escárnio que Potter era "bonitinho" mas que toda a arrogância, egoísmo e vaidade o tornava insuportável de olhar e não cansou de dizer que ela odiava quase tudo sobre ele, inclusive sua necessidade constante de mexer com os outros alunos — principalmente os Sonserinos e que tudo era apenas uma piada para eles ("Eles" sendo os Marotos. Petunia achou o nome apropriado) Não importava que certas brincadeiras não fossem engraçada para ninguém, exceto eles.

Petunia segurou a risada quando Lily contou todas as formas criativas que James usou para convidá-la pra sair. Ela só riu uma vez e achou que se saiu bem num todo.

Hermione, por outro lado, só sabia falar dos estudos e como era fascinante tudo

que poderia ser feito com apenas ingredientes cuidadosamente selecionados e nem precisava de magia! Ela falou de uns colegas do seu ano, principalmente alguns da Corvinal e como o castelo era lindo, listando de forma clara para Petunia consegui reproduzir na mente.

O lugar que mais chamou sua atenção era a cabana de um tal de Hegrid que vivia em um lugar modesto e ao mesmo tempo, aconchegante. Como abóboras gigantes eram espalhadas como ervas daninhas e como cheirava a "natureza bruta".

Hermione disse em detalhes surpreendente como o gelo cobria o pátio e as árvores pareciam dançar com a música, como a Lula Gigante acenava para os alunos e gostava de brincar com os

mais corajosos (geralmente Grifinórios) os jogando para cima e pegando logo antes de atingir a água.

Como os salões eram enfeitados como o céu a noite com mil estrelas rodopiantes e as Comunais eram como seu lar, cores vibrantes de vermelho e poltronas fofas e lareiras quentinhas.

E Petunia estava chorando no final de tudo, sua mente ainda presa naquela imagem dos sonhos e era doloroso e ao mesmo tempo, libertador, as lágrimas desciam sem a menor cerimônia e logo Lily estava apertando Petunia contra si, dizendo o quanto ela era amada e nada daquilo era comparado ao amor que sentia por sua irmã.

Hermione só segurou sua mão, brincando

com seus dedos longos e um olhar de culpa ferido no rosto.

— N-não, não, não. Isso foi M-maravilhoso, Hermione, tão lindo, obrigado por permitir eu olhar através de você. — Ela apertou a mão da irmã ainda mais forte, resistindo a vontade de puxá-la para um abraço.

Hermione estava melhor no quesito toque, mas abraços eram os mais difíceis para ela e Petunia não forçaria, ela era parte daquela família e a memória daquele dia ainda sangra na sua mente. O choro dolorido de Lily e os gritos desesperados de Hermione estavam gravados para sempre em sua mente.

Na porta e olhando para a calçada aonde seus amigos da faculdade estavam, Petunia se despediu das irmãs com um

sorriso verdadeiro no rosto e uma esperança que tudo ficaria bem.

Ele é arrogante insuportável até pra escrever uma carta.

Na sua mão, o papel parecia pesado, e não mais de uma vez, ela resistiu a tentação de rasgar.

Mas ela não fez, não era seu e ela nunca fazia isso com Hermione.

O caro senhor James Charlus Potter convida você, mero mortal, a vim a minha festa de aniversário no dia * e ser agraciado com a minha bela estatura.

Espera, acho que era ao contrário, eu,

James, ficaria honrando com a sua presença nesse dia tão especial.

Não nós decepcione e compareça com suas melhores vestes (ou não, venha feio) e venha celebrar o dia que eu tornei o mundo um lugar brilhante quando pisei na terra.

E mais algumas bobeiras que fez Lily revirar os olhos com tanta força que doeu sua cabeça.

Mas o mais interessante era o finalzinho.

PS.

Obrigado por aquela conversa que eu odiei cada minuto e nunca mais quero outro. E por todo o resto.

PS2.

O saco de moedas está aqui caso mude

de ideia.

Não é que ela não soubesse, ela sabia e mesmo assim, não evitou que doesse.

Não porque Hermione decidiu ensinar Potter, ela era bondosa assim em ensinar o idiota.

Era ela não confiar em Lily para dizer o que estava fazendo. Elas eram Hermione e Lily, Lily e Hermione desde sempre. Presas pelo quadril, tão unidas quanto eram humanamente possível, não havia algo sob o sol que Lily não tenha dito para Hermione, até os segredos mais sombrios que envolviam Potter e Black (ela não se orgulhava disso) ela não teve escrúpulos em contar para sua gêmea, metade dela mesma.

E agora parecia solto, errado, e Lily não

gostava nada do sentimento.

— Fiquei imaginando quanto tempo demoraria para você achá-lo. — A voz de Hermione era calmante na maioria das vezes, ela quase nunca perdia essa compostura "fria e reservada" e Lily contava nos dedos as vezes que ela perdia o controle de si mesmo e essa dor que ela guardava próximo ao peito.

Em algumas noites ela se abria um pouco e contava seus sonhos e deixava Lily segurá-la enquanto se acalmava. Eram raros e Lily guardava como joias porque ela sabia que era a única que tinha visto esse lado e era tão gratificante quanto era assustador.

Ela passou os dedos pela cicatriz na barriga de forma inconsciente.

— Não estava escondido. — Ela respondeu e era verdade, a carta parecia zombar dela quando sentou na mesinha para escrever para Marlenne e ela leu sem pensar duas vezes. Talvez ela devesse ter pensado.

Mas elas eram Hermione e Lily e nunca escondiam nada uma da outra, nunca.

Ou era.

Pensamento dramático e radical mas ei, ela estava a flor da pele e tinha direito de um pouco de choramingo.

— Eu sabia que você não gostava dele, não queria te chatear.

— Não me chateou.

Hermione levantou uma sobrancelha.

— Ok, talvez um pouco, mas eu também pensei que você não gostava dele.

— Não se trata de gostar, Lily, ele precisava de ajuda e eu podia ajudá-lo e resolvi fazê-lo.

— Colocando assim me faz parecer um monstro. — Lily se sentou do lado de Hermione, a carta presa entre os dedos.

— Você não é um monstro por não ajudar uma pessoa que vive perturbando você e seu melh- ex melhor amigo.

— Eu já disse que eu te amo? — Lily perguntou de repente e se inclinou para colocar a cabeça no ombro de Hermione.

— Não hoje. — Hermione riu e as duas

ficaram assim por uns segundos, olhando para a luz que entrava pela janela e respirando o ar frio da noite.

— Você vai? — Ela não precisava reformular.

Nós vamos.

— O-o que? Não!

Mas antes que ela pudesse dizer de todas as formas que ela nunca pisaria na Mansão Potter de boa vontade, passos apressados foram ouvidos pelo corredor e Lily só pegou um borrão de cabelos loiros desgrenhados antes de uma porta bater forte.

Em um segundo ela estava de pé na porta da irmã e batendo na forma frenética.

— Tunie? Petunia por favor abre a porta e diz o que aconteceu. — Ela tentou a maçaneta mas estava fechada. Logo, ela escutou sons de soluços altos e trocou um olhar alarmado com Hermione.

" o que aconteceu? "

"Eu não sei."

Elas continuaram batendo e chamando, os corações apertados com os sons horríveis que a irmã fazia. Lily encostou a testa na porta, tentando de alguma forma confortar a irmã atrás da madeira.

Aquela tarde brilhante e cheias de riso de repente muito distante.