n.a: Crepúsculo não me pertence, esse enredo sim — inclusive uns self-insert aí que não vou falar pra não me queimar, mas caso vocês saibam, me fala nos comentários hehehe.

Olá! Essa fic faz parte do POSOella, um projeto onde autoras do fandom de Crepúsculo criam fanfics narradas exclusivamente por Bella Swan, em comemoração ao seu aniversário. Esse ano, o desafio foi escrever inspirando-se em 1 dentre 25 citações de alguns dos livros favoritos da Bella.

Confira mais fics na página bit (ponto) ly (barra) POSOffnet – Você também encontra o link diretamente no meu perfil, na aba de Favorite Authors.

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Além disso, queria falar que essa história aqui fala bastante sobre drogas ilícitas, caso isso seja uma questão pra vocês, esta nota de autora aqui fica como aviso, tá? Independente disso, é importante eu te dizer que costumo ter muito cuidado pra trabalhar o uso de drogas porque acho que tem que ser feito com muita responsabilidade.

Queria agradecer demais pela ajuda da Gabi, da Carol e da Lola. Sem vocês minha capa seria o CD de The Black Keys, minha sinopse seria apenas o "POSOella 2022", e a história inexistente. Vocês são meu tudo.

Sem mais delongas, deleite-se.


deleite

"Nenhum de nós vai sair desta ilha."

(E não sobrou nenhum – Agatha Christie)

Capítulo 1: Letárgico

Eu nunca tinha entendido quando diziam que o silêncio pode parecer ensurdecedor. A mim nunca fez sentido porque silêncio era uma das coisas que eu mais gostava de experienciar, e ele me fazia sentir tudo, menos desconforto.

Crescida em uma família enorme e espalhafatosa que confirmava todos os preconceitos sobre descendentes de italianos, nunca tive muita chance de experienciar o silêncio. Ensurdecedor era acordar às 6 da manhã com gritaria, corre-corre e uma movimentação que deveria ser criminosa assim que se abre os olhos. Na graduação consegui me libertar da caixa de pandora que era a minha família, mas como não tive grana, precisei morar em uma república mista onde, aí sim, descobri que a minha família não era tão espalhafatosa quanto pensei.

Silêncio era raridade na minha vida e por isso eu valorizava — e tentava estender — todos os momentos em que ele se fazia presente. Exceto quando a oportunidade se impunha aliada a uma puta crise de pânico porque finalmente entendi como pode o silêncio ser ensurdecedor. Conforto era tudo o que eu não conseguia sentir aqui.

Foco no som da minha respiração entrecortada e abafada pela toalha que seguro. Eu sou tão barulhenta quanto as batidas do meu coração são na minha orelha. O zumbido que surge dentro do meu ouvido é bem-vindo. Finalmente um som para dissipar o silêncio ensurdecedor. Foco nele enquanto tento acalmar a crise de pânico com uns exercícios de respiração que aprendi no início da faculdade. Quando começo a contar os segundos, percebo minha cabeça até mais leve, flutuante. O efeito dura pouco.

Angustiada, me forço a fazer contas mentais para tentar adivinhar quando o efeito da porra desse doce se dissiparia do meu corpo. Vinte minutos? Oito horas? Não consigo chegar a qualquer suposição, e me sinto ainda mais angustiada. Maldito Edward. Por que logo agora?

Volto a abrir os olhos torcendo para a escuridão de poucos instantes ter se dissipado por um clarão, mas meus olhos voltam a dançar frenéticos, desesperadamente tentando se apegar a alguma imagem nesse ambiente enegrecido. Nada. Eu estou em um completo breu.

Tento ser racional, fecho novamente os olhos e encosto a cabeça nas ripas de madeira que eu sabia estarem atrás de mim. Forço que meu pulmão puxe e exale o ar com mais cadência, e sinto que dentro de mim ele se ondula como uma dançarina do ventre. Forço os olhos, buscando não chorar, e volto a me concentrar. Não tarda para meu coração desacelerar e os sentidos voltarem às minhas extremidades. Abro e fecho as mãos, sentindo o sangue voltar a circular nos dedos frios, e pisco para deixar a primeira lágrima escapar.

Só quando sinto todo meu corpo se eriçar em um arrepio que atrevo um movimento. Suave, com cuidado e tentando ser a mais silenciosa possível, me ponho de pé. Tateio a parede, torcendo para não ter nenhuma farpa solta nas ripas de madeira do porão. Encontro a maçaneta da porta e volto a olhar em volta, torcendo para que nesses poucos minutos em que me tranquei aqui, a luz tivesse voltado, a música recomeçado e a certeza de que estávamos em segurança solidificada.

Sobressalto quando ouço o barulho forte da onda do mar bater nas pedras dessa ilha. Eu não sei exatamente o quão longe esta casa ficava da margem do oceano Atlântico, mas o cheiro da maresia e o bater da água sugerem ser próximo. Choramingo quando ouço o primeiro trovão desde que me escondi aqui, e ainda que não tivesse sido o primeiro da noite, foi a primeira vez que senti um arrependimento real de comemorar nossa formatura da faculdade em uma casa isolada numa ilha brasileira. Ilha Esme. Porra de ilha. Maldito Edward.

Aquele "Ahr" gutural e esganiçado das aves que rondam a casa me deixa em pânico. Por trás das pálpebras dos meus olhos fechados, meu cérebro consegue imaginar com perfeição uma porção de corvos voando e crocitando. O som cada vez mais alto, mais perto, mais cheio. Um corvo que chama o outro, que chama outro, e que chama outros. Por que havia corvos aqui? Essas aves sequer habitam áreas oceânicas? Urubus. Faria sentido se fossem urubus.

Respiro fundo, tentando manter o grito angustiado dentro de mim, quando a memória daquele corvo incendeia o meu resquício de tranquilidade.

O som das tempestades brigando por espaço com as ondas ferozes, e com o crocitar dos corvos, me fazem questionar se um dia eu conseguiria sair daqui. A sensação que tenho é que não. Que nenhum de nós vai sair desta ilha. Arfo com o barulho da tempestade e iluminação repentina dos raios e trovões, e novamente volto a sentir todos os meus órgãos me asfixiando. Eu preciso sair daqui.

Meu coração espanca o peito e minhas mãos tremem descontroladas quando giro a maçaneta. Nem fodendo que ficaríamos nesta ilha. Ainda silenciosa, e completamente apavorada, permito que meus pés me levem de volta à sala onde estávamos bebendo, conversando, dançando e, até pouquíssimo tempo, nos drogando.

Em um presságio de tragédia, sigo para o mesmo local onde, enquanto eu dormia, duas das minhas pessoas favoritas eram assassinadas.

Há sete horas e vinte e oito minutos...

— Pelo amor de deus, onde está a Alice? — pergunto quando começo a sentir meu coração acelerar.

Foco na última coisa que Edward me disse antes de desaparecer com ela: "Você vai parecer mais lenta, mas seu corpo tá todo acelerado tentando se limpar", e pareço mais em controle de mim mesma.

Dou mais um trago no baseado como se a fumaça fosse suficiente para frear a taquicardia. Do nada tenho uma crise de tosse, que só piora quando Emmett solta umas risadas ao meu lado.

— Agora vai bater, hein? — Emmett sorri preguiçoso e me dá alguns tapas nas costas.

Me encolho, esperando um tapa equivalente à força do meu amigo, mas me surpreendo com o carinho. Ofereço o baseado que rapidamente vai parar entre seus lábios. Ele repousa o braço entre meu pescoço e o sofá e me puxa mais para perto.

— Já bateu aí? — Acomodo minha cabeça no peitoral dele, em uma tentativa de ver se ele também sofria com taquicardia.

— Olha meu tamanho e olha o seu, Bella. — Ri e depois que dá mais um trago, me oferece. Nego e avisto Edward se aproximar. Ainda com a bermuda com estampa de coqueiro que usou de manhã para surfar. E ainda com a mesma mancha preta na panturrilha esquerda. — Bro, não vai tomar banho não, porra? — Emmett ecoa meus pensamentos e eu sorrio. Contra o peito dele, tento mapear as batidas do seu coração como um eletrocardiograma.

— Toma conta da tua vida. — Edward responde com uma voz ríspida e logo sinto o sofá afundar do meu outro lado. Olho a tempo de ver sua piscadinha e derreto um pouquinho. A taquicardia agora mais familiar. — Vem cá — murmura me puxando para seus braços. — Tá levinha, hein? É da boa, eu te falei, po. CO-LOM-BI-A-NA — fala com a língua nos lábios, imitando um sotaque espanhol, me fazendo sorrir.

Ele é tão lindo que chega a ser ridículo. Seguro a minha língua em um esforço tão grande que não consigo resistir quando me abraça contra si e esconde o rosto no meu pescoço. Seus braços pareciam ter se multiplicado porque sentia todo meu corpo envolvido por ele. Um polvo. "Simplesmente não reaja", é o que o meu cérebro grita em resposta quando ele me beija atrás da orelha.

Respiro aliviada quando o escuto bufar porque Alice chega correndo e se lança no colo dele, efetivamente cumprindo com o pedido que fiz de me ajudar a ficar distante dele.

Aproveito quando ele entra em uma discussão com a sua irmã gêmea e me desvencilho dos seus tentáculos. Levanto-me para ir à cozinha buscar água e os observo.

Sempre me impressionava ver como os dois, ainda que gêmeos, eram tão diferentes. A minha melhor amiga com seu cabelo tingido de preto em um corte pixie, tão baixinha e magrinha que fazia com que eu, no auge dos meus 1,64, me sentisse uma modelo de passarela em potencial. Edward, em contrapartida, era alto e cheio de músculos. Seus cabelos ruivos, em seu tom natural, eram baixinhos, e as vezes raspados. Ser um atleta universitário que passa maior parte do seu tempo dentro de uma piscina com o cabelo metido em cloro ou dentro de uma touca emborrachada também tem seus malefícios. Fora isso, seus olhos verdes, o formato de seus narizes e a forma que franziam a testa quando concentrados eram idênticos.

Alice já estava engajada em alguma conversa com Emmett que eu não dava conta de acompanhar, porque não existia maconha no mundo suficiente para desacelerar sua fala.

Emmett era companheiro de time do Edward na faculdade, e era tão grande como ele. A diferença é que enquanto Edward tinha um porte ameaçador, culpe seu olhar ridiculamente penetrante e o maxilar marcado, Emmett tinha o rosto mais adorável que um homem grande e gostoso de 22 anos poderia ter.

Seus cabelos eram baixinhos, mas cacheados. Quase tão pretos quanto os de Alice. Os olhos eram de uma tonalidade quase dourada, e eu adorava o fato de serem compatíveis aos cabelos de sua namorada, Rosalie que, de fato, é uma modelo fotográfica de uma marca de roupas íntimas. Seu corpão, a boca carnuda e olhos azuis são suficientes para hipnotizar qualquer pessoa despreparada. Jasper, seu irmão e namorado de Alice, é sua xerox de qualidade duvidosa. Tinha todos os atributos de sua irmã: bocão, altura, olhos e cabelo, mas de alguma maneira inexplicável, não funcionava tão bem nele. Talvez pela ausência de sol que era uma constância em sua vida, já que vivia enfurnado em algum calabouço jogando videogame com seus colegas do curso de história.

Quando olho para Edward, imediatamente me arrependo. Nunca soube explicar o efeito que ele tem em mim, mas é ridículo o nível de atração que sinto por ele. Vizinhos quando crianças, enquanto dividíamos um mesmo balanço e casa na árvore, e vizinhos no dormitório da faculdade, onde compartilhávamos uma mesma parede. Sendo gêmeo da minha melhor amiga, ele e eu mantemos uma convivência próxima desde criança. Nunca tivemos uma relação como a que tenho com Alice, mas na nossa infância, ele sempre esteve por perto. Tão perto que eu frequentemente precisava tomar medidas drásticas para afastá-lo de mim porque a atração que sentia por ele era, por vezes, insustentável, e nunca recíproca.

Quando tinha 9 anos passei uma semana inteira fingindo que não conseguia enxergá-lo. Quando tínhamos 12, especificamente depois que ele passou a me ignorar depois que nos beijamos, precisei espalhar uma fofoca de que ele tinha uma condição anal que dificultada que ele conseguisse segurar os peidos. Durante meses as crianças se recusaram a fazer dupla com ele. O tiro obviamente saiu pela culatra, porque Alice me forçou a ser dupla dele sempre que esse formato fosse requisitado.

Quando tínhamos 14 anos, comecei a ir para a escola sozinha. Foi o ano em que minha bunda finalmente começou a crescer e eu comecei a aproveitar os raros dias quentes em Forks para usar shorts. Na época, Edward tinha uma bicicleta e insistia que eu fosse com ele para que eu não caminhasse sozinha. Aceitei e a "carona" ocorreu apenas neste dia. Isto porque ele espalhou pó de mico no banco de metal embutido na roda traseira. Passei o dia inteiro no banheiro da escola com coceira da bunda.

Com 16, depois que ele ganhou seu primeiro carro, espalhei glitter rosa pelo duto de ar-condicionado e o aguardei na porta da escola com o maior sorriso do mundo. Expressão que rapidamente saiu da minha boca quando ele se roçou inteiro em mim e me fez brilhar também. Recebemos uma detenção, claro.

Com 17 não estudávamos mais na mesma turma e quase não conversávamos, mas ele foi cuidadoso para garantir que o único garoto que me chamou para o baile de graduação da escola desistisse de me levar. Edward e eu tínhamos parado de transar há alguns meses. Sequer nos falávamos, mas confesso que fiquei mexida quando ele passou lá em casa para me dar uma caixa de bombons. Ele nunca soube, mas o vi quando deixou o presente de Tróia na porta, tocou a companhia e correu para se esconder. Para minha surpresa — e desprazer — havia canela em um dos chocolates, que me gerou uma crise alérgica imediata, pipocando todo o meu rosto em manchas vermelhas. Alice é ele sempre souberam da minha alergia. Quando Eric tocou a companhia e viu meu rosto completamente manchado, inventou uma desculpa e me deixou plantada na porta da minha casa e sozinha. Quando ouviu sobre a minha crise alérgica, depois que Eric espalhou pelo baile que eu estava com o rosto nojento, Alice deixou o evento para passar o resto da noite no sofá comigo. Eu nunca contei sobre o que seu irmão fez, mas me senti suficientemente vingada quando ela me relatou que ele brigou com Eric no baile, e que apanhou tanto que teve que ir pra casa.

Depois disso, percebi que essa dinâmica era muito mais doentia do que divertida. E que não fazia nada além de nos machucar e retroalimentar um elo tóxico. Se eu precisava me afastar emocionalmente dele, não seria dessa maneira que conseguiria. Pra mim nunca foi segredo, embora eu odiasse admitir, que sempre existiu algo entre nós. Um tipo de fixação que, independentemente do que possamos fazer, sempre se repete em um padrão que nos aproxima demais. Até que um de nós faça algo absurdo e afaste o outro. E então o padrão volta a se repetir.

Antes do baile de formatura, passeamos por uma zona meio embaçada na nossa relação quando decidimos bagunçar tudo. Fomos o primeiro beijo um do outro, mas foi só quando decidimos perder nossa virgindade antes de entrar para o ensino médio que a situação ficou realmente esquisita. Pareceu uma ideia genial quando propôs. Ora, apesar de eu nutrir um ódio inexplicável, também morria de vontade de ficar com ele. Ninguém é capaz de explicar o tesão adolescente. Pelo seu plano, eu finalmente poderia ter algo para além das implicâncias estúpidas para finalmente conseguir tirar ele do meu sistema. E como a ideia era justamente que acontecesse uma única vez, pareceu ainda melhor. Seguro. Assim eu não teria nem espaço para desenvolver sentimentos. Independente do fogo no meu rabo, eu não estava disposta a arriscar estragar o meu relacionamento com sua irmã e nem me envolver mais do que o necessário com ele. Sendo franca, o fato de que nunca mais tivemos qualquer contato físico durante os anos entre nosso primeiro beijo e transa, mexia mais com o meu ego do que gostaria de admitir.

Diferente do que planejamos, um sexo se transformou em muitos. Ainda na escola decidimos transar mais de uma vez, porque a nossa primeira foi uma merda e, segundo o Google, o sexo ficava bom depois da nona. Fizemos às nove, mesmo já tendo sido ótimo depois da terceira. E então ele decidiu querer testar algumas posições que tinha visto em algum filme pornô, e precisamos de mais umas 5 ou 6 transas para entender que pornografia não deve ser romantizada, nem imitada. Ficamos juntos, em uma espécie de namorico adolescente escondido, até o último dia do penúltimo ano do colégio, quando ele viajou para o Brasil com a sua família e nunca mais entrou em contato. Antes disto, éramos unha e carne, e eu cada vez mais dependente da sua presença na minha vida. Até hoje debato sobre o lugar em que essa viagem me colocou, e por vezes penso que ela possa ter nos arruinado, outras, que tinha nos salvado.

Demorou para voltarmos a ficar depois disso, e só aconteceu no meio da graduação, e isso porque ele voltou a fazer aquelas pegadinhas juvenis, me colocando numa posição de irritação e retaliação que eu fingia odiar, mas secretamente adorava. Meses depois que ele recomeçou a pensar formas mirabolantes de me irritar, forçando de mim respostas igualmente juvenis, que rompeu relacionamento com sua ex-namorada. Para minha surpresa, bateu na minha porta para chorar as mágoas. Naquele dia, sua irmã, com quem eu dividia dormitório, não estava, e eu duvido que ele desconhecesse a informação. Com apenas o meu ombro à disposição, que foi pouco — ou nada — usado, uma dose de tequila virou quatro, e não tardou até que eu estivesse pelada em seus braços, sentindo com ele o que ninguém mais conseguia me fazer sentir.

Ele até tentou continuar transando, mas como eu vivia num constante estado de irritação com ele, e sabia que Edward estava sempre com uma mulher diferente, temi acabar me envolvendo mais do que o estritamente necessário. Assim, pactuamos um acordo não verbal de buscar o outro apenas quando estivéssemos com tesão. Sem sentimentos nem expectativa, ele tinha se transformado em uma espécie de pau amigo. Alice, claro, descobriu nosso arranjo rapidamente e não se refreou de mostrar seu apoio, mesmo quando Edward e eu unimos esforços para justificar que não havia nada sério entre nós.

Ficamos nessa por vários meses, até que eu comecei a namorar Manolo, o intercambista italiano que veio para os Estados Unidos para ficar seis meses, mas que, por mim, ficou por um ano inteiro. Vivemos uma relação meio avassaladora, e o término foi tão intenso quanto o início. Em uma intenção de viver um dia de cada vez, Manolo foi embora e levou consigo qualquer expectativa que eu tivesse de nutrir um relacionamento. Por isso, não era surpreendente que eu buscasse o conforto de Edward quando levei o pé na bunda semanas antes de graduarmos na universidade.

Meu (pau) amigo me recebeu de braços abertos, algumas doses de tequila e cheio de segundas intenções. Nele eu encontrei conforto tão rapidamente, que a ausência do meu ex-namorado italiano não conseguiu competir com a nostalgia de estar novamente nos braços de Edward. Naquele abraço familiar, inebriada pela tequila, pela maconha e pelo conforto do conhecido, senti tanta coisa borbulhar na superfície que me permiti viver aquilo uma última vez. Jurei ser a última, porque naquele dia a sensação de estar ali me sequestrou da liberdade de não sentir nada.

Bem, isso e o fato de que ele estava em um relacionamento. Era recente, não parecia ser tão sério quanto o que Manolo e eu tivemos, mas ainda assim ele não estava solteiro. Foi a primeira vez que furamos o nosso acordo e traímos nossos companheiros, e a sensação horrorosa que me invadiu foi suficiente para que eu recorresse a ajuda da Alice para me manter focada em me afastar dele. Especialmente sabendo que em algumas semanas viajaríamos para o Brasil para celebrar a nossa graduação.

O que eu não fazia ideia era a forma que esse encontro o impactaria, e como a partir dele, Edward teria a sua própria agenda.

Enquanto o encaro, me sinto tão presa aos olhos verdes que me desafiam, que fecho minhas mãos em punho para evitar levá-las a ele. Vendo-o assim, de cima, enquanto ele me apreendia apenas com um olhar suplicante, sinto sede. Sinto uma sede tão irrefreável que abro a boca. E ele olha. Olha de um jeito que me faz sentir ainda mais sede.

— Que horas são? — Pigarreio, forçando meus olhos para longe dele. — Nossa, parece que passou uma eternidade — comento, porque perdida em meus pensamentos, realmente pareceu.

— Sei lá. Tá com pressa de ir para algum lugar? — Nem preciso olhar para saber que ele estava sorrindo.

— Só parece que passou muito tempo. Uma sensação esquisita, sei lá — digo, e dou mais um passo para trás. Contrastando com a moleza física que a maconha me fazia sentir, me percebo fortalecida para evitá-lo.

— É a Colombiana. O tempo parece passar mais devagar mesmo.

— Não aguento como você é sabido de drogas. — Solto uma gargalhadinha, e sinto os braços dele me abraçarem pelo quadril, me puxando para si. Sinto meu corpo arrepiar e olho para baixo, para o topo dos seus cabelos acobreados e me pergunto como voltei para os braços dele sem nem perceber. — Você botou doce aqui, Edward?

— Aqui onde?

— Ali. — Aponto com o queixo na direção da Alice, que estava deitada trespassada no colo do seu namorado, Jasper, com o beckzão nos lábios. — No baseado.

— Claro que não. Mas tem um pouquinho de haxixe — ri e beija abaixo do meu umbigo escondido por uma finíssima saída de praia. Me arrepio por inteiro e puxo seu cabelo, prontamente afastando sua cabeça de mim. — O quê? Não tô fazendo nada, juro — diz e leva as mãos para cima. Estreito os olhos e ele se joga, recostando no sofá. O safado ainda me sorri.

— Sério, pô, tá todo mundo aqui — reclamo num sussurro e olho em volta, me afastando.

Alice estava no colo de Jasper, perdidos em suas próprias ondas. Emmett comandava a churrasqueira, sem nenhuma ideia do que fazer. Parece que independentemente do tamanho que você tenha, a larica sempre chega. E Rosalie seguia na piscina, firme no objetivo de esverdear seus cabelos loiros.

Quando olho para Edward, noto que ele ainda me observa. Deixo meu olhar recair sobre o peitoral dele desnudo e me xingo mentalmente por cair na armadilha. Ele é muito gostoso. Muito. Acho que é isso que acontece quando você entra na faculdade com uma bolsa de estudos para atletas. Edward era reserva do time de polo-aquático, e apesar de não ser o melhor dos jogadores, sem dúvida era empenhado, e isso se refletia no peitoral largo, os braços musculosos, a barriguinha trincada e aquelas coxas... Puta que pariu.

Arrepio e sinto meu rosto inteiro aquecer quando ele dá dois tapinhas na coxa em questão, bem no shortinho de coqueiro.

"Vem", chama com o corpo inteiro, me embrasando toda, e quando o observo, vejo que tem seus olhos presos no meu dorso. — Você sabe que quer — diz e eu rolo os olhos, fingindo que meus mamilos não estão duríssimos e apontando para o local onde gostariam de estar.

Respiro fundo, tentando aplacar aquela sede irrefreável que sinto dele. Quando umedeço meus lábios, com a cabeça quase feita para me deixar cair em tentação, lembro-me do post do Instagram de Kate, sua namorada. Na imagem estava o rosto do seu irmão mais novo que precisou de uma cirurgia às pressas. Kate estava um semestre atrás de nós cinco que estávamos aqui, e, por sorte, seu semestre letivo tinha acabado antes. Assim, ao invés de viajar conosco, ela voltou a sua cidade natal para apoiar na recuperação de seu irmão. Em nome da sororidade lembro-me da sede sentida — dessa vez a física — e saio dali.

O "tsk, que decepção" que ouço quando me afasto, me faz sorrir.

Enquanto isso, o coração lembra de galopar dentro do meu peito para que meu corpo se livre de duas ameaças o quanto antes: a Maconha e Edward Cullen.

Há seis horas e trinta e dois minutos...

— Cara como pode você ter passado pelos quatro anos de faculdade e ainda não saber jogar essa merda? — Emmett questiona Jasper, que corre na direção das portas de vidro enormes que separam a área da piscina da sala de jogos. Ele pega a bolinha de pingue-pongue com um sorriso gigante no rosto e volta à mesa. — Vai, te dou mais uma chance. Parece que tô jogando com meu sobrinho de 4 anos, cara.

— Você joga beerpong com uma criança de quatro anos? — Alice solta uma exclamação do sofá, onde estava deitada. — Eu não sei se estou apavorada ou encantada.

— O infanto-vacilão é melhor que teu namorado. Não é não, Ursinha?

— Vai tomar no cu, Emmett. Não fala assim do Jack. — Rosalie defende o sobrinho do seu namorado lá da cozinha. — Vai querer mostarda, Bella?

Olho e vejo que ela está preparando meu cachorro-quente. Aceno positivamente com a cabeça e vou em sua direção. Pela minha visão periférica, noto Jasper empertigar e pauso para ver a cena. Ele fecha um dos olhos, dobra o tronco e mira a bolinha branca na direção dos copos dispostos na frente de Emmett. A maioria ainda cheia.

Neste jogo, deve-se acertar a bolinha em copos cheios no campo oposto para que seu adversário beba o conteúdo dali. Perde quem esvazia os copos — ou cai — primeiro.

Sorrio quando a bolinha bate no peitoral de Emmett, mas gargalho quando noto que ela cai, em seguida, em um dos copos cheios. A gargalhada do rei da mesa preenche a casa inteira. Olha para Jasper e meneio a cabeça em um sorriso quando ele demora um pouco para entender que tinha acertado a jogada. A maconha realmente desacelerando seus movimentos.

Sento-me na banqueta da ilha da cozinha para comer meu cachorro-quente e fito a árvore de hibisco do jardim. Logo, meus olhos me pregam uma peça e me perco observando Edward nadar. As braçadas firmes, enquanto ele era iluminado apenas pelas luzes de dentro da piscina. Seu vulto me fazendo sentir tudo, menos medo.

— Ele tá gostoso, né? Não sabia que tava assim, não. — Rosalie comenta ao meu lado e sinto meu corpo retesar. — Ah, fala sério, Bella, você pode achar seus amigos gostosos. — Riu e bateu seu ombro com o meu. — Acho que foi do último ano pra cá que ele cresceu assim, não foi?

— Ahan — respondo com certeza, porque definitivamente seu corpo tinha mudado nesse ano que fiquei com Manolo. Ele já tinha o corpo atlético antes, afinal de contas joga no time de ólo-aquático desde a época de colégio, mas apenas no último ano parece que ganhou uns bons 10 quilos de músculo. Ao longe, escuto Jasper jogar mais um copo no chão e xingar o Emmett.

— Ele vai entrar em coma alcoólico, meu deus. Peraí que vou levar uma água pro meu irmão e já volto — diz e faz como prometeu.

Depois que Jasper bebe a água, ela o chuta dali e mostra para Emmett que a completa incapacidade de jogar beerpong não corre no DNA.

Termino de comer meu cachorro-quente, e quando percebo que ela não pretende voltar, vou até o deck da piscina. Edward só me nota porque me sento na bordinha com os pés para dentro d'água no local onde ele toca toda vez que termina uma volta e inicia outra. Quando o faz desta vez, me olha sorrindo e tocando meu pé de levinho, mas não para de nadar. Dá mais duas voltas na piscina com suas braçadas fortes, até que para entre minhas pernas.

Começamos a conversar sobre nossos planos de verão para quando voltássemos aos Estados Unidos, e no meio da minha fala sinto suas mãos me acariciando do tornozelo até o meio da canela. Sua expressão inabalada e igualmente atenta à minha fala, me faz sentir ainda mais vulnerável pela forma que ele me faz sentir apenas com um toque. Finjo que estou perfeitamente normal e continuo a conversa.

Quando ele começa a me atualizar sobre seus planos, curiosamente parecidíssimos com os meus, de voltar para a casa dos meus pais, puxo um baseado que estava preso na alça do meu biquíni e o acendo. O escuto por mais alguns instantes, mas logo percebo que seus olhos brilham diferente quando encaram minha boca, e, por mais errado que pareça, me fortaleço daquilo ali.

— Quer? — Ofereço e ele concorda. Dou mais um trago, mas antes mesmo de passar adiante, ele se impulsiona na borda da piscina, com seus braços ao lado das minhas coxas, sustentando seu corpo acima da água, e se aproxima. Os músculos definidos fazendo as gotas de água tomarem caminhos sinuosos pelo seu corpo. — O quê? — murmuro depois de algum tempinho quando começo a me incomodar com a forma que ele encara a minha boca.

— Minha mão tá molhada. Me dá aqui — pede e abre um pouquinho a boca. Faço menção de colocar o baseado ali, mas ele nega com a cabeça. — A boca também tá, vai estragar. Improvisei a piteira com papel — insiste e desconfio saber o que ele quer. Não seria a primeira vez que dividiríamos um baseado dessa maneira.

Franzo a testa e levo o baseado novamente à minha boca. Ele concorda, sem tirar os olhos dos meus e se aproxima ainda mais. Quando estamos tão perto que sua respiração ricocheteia no meu rosto, abro a minha boca em um bico e sopro a fumaça para ele. Quando faço, seus olhos pulam para os meus, e sinto meu corpo inteiro esquentar. Por uma fração de segundos até penso que o que estou fazendo é errado, mas a maconha trabalha duro para inibir racionalidades.

Ele inala tudo o que eu ofereço. Mergulha na piscina e quando sobe, se impulsiona para ainda mais perto de mim. Agora seu tronco gelado roça na parte interna das minhas coxas quentes. Observo a forma que sua costela expande quando roço a pontinha do meu pé no cós da sua bermuda e inspiro forte quando a ponta do seu dedo roça no mesmo local do meu corpo.

Aperto um pouquinho mais as pernas nele, e quando o olho, sei que vai me beijar. Reconheço o olhar de tesão dele há quilômetros de distância. Afrouxo as minhas pernas e dou outro trago no baseado, prontamente quebrando esse feitiço que toda vez lança sob mim. Edward estreita os olhos e sorri, sabendo exatamente o que, e porque fiz o que fiz.

Ficamos nesse emaranhado de corpos por mais algum tempo até que o noto abrir a boca, pedindo mais. Dessa vez não me espera reagir e praticamente encosta nossos lábios enquanto traga a minha fumaça. Meu coração bate tão acelerado e meu corpo aquece de tal maneira que sinto que a qualquer momento quem vai entrar em combustão sou eu.

Ainda impossivelmente perto, leva a língua aos lábios, umedecendo-os e me faz sentir o cheiro do seu gosto. Completamente sem controle, permito meu corpo agir no impulso e roço nossas bocas. Tão levinho que eu desconfio só ter sentido porque estava drogada. No momento que sinto sua mão circular minha cintura, ouço meu nome sendo gritado da direção da casa. Travo meus movimentos em uma arfada. Edward bufa um choramingo e se joga de volta na piscina.

Era a minha vez no beerpong.

Ele logo entra na sala. Sei disso porque escuto Alice brigar sobre ele molhar o chão. Foco no jogo, agarrando-me à possibilidade de conseguir me manter distante, pelo menos enquanto este jogo durar. Nos minutos seguintes, viro a rainha da mesa.

Há cinco horas e quarenta e seis minutos...

— Edward, você trouxe doce? — Rosalie pergunta e para não olhar para ele, fixo meus olhos na televisão ligada no YouTube, em um canal de um DJ que só faz mixagens de R&B. Jasper ama e insiste que seja a trilha sonora da noite.

O problema é que é um som absurdamente sensual e eu não apenas estou morrendo de tesão pela maconha, mas também porque Edward insiste em se manter por perto. Depois do que rolou na piscina, não voltou a me tocar, mas estava sempre por aqui, me circundando.

Estou tão frustrada com o tesão que nem consigo ouvir direito o que ele responde para Rosalie. Apenas me afundo ainda mais no sofá, torcendo para o móvel me engolir por inteiro.

— Tá fazendo o quê? — Alice pergunta e se joga ao meu lado no sofá. Solto uma bufada de riso porque Alice era incapaz de sentar-se normalmente. — O quê? — Balanço a cabeça e a olho.

— Ouvindo a música só.

— Quer fazer algo?

— Acho que quero ficar um pouco quietinha.

— Tá se sentindo bem?

— Tô. Só tô meio aérea, sei lá. Acho que passei do ponto.

— Eu vi. — Olho para ela porque notei uma pontinha de provocação na voz. — Você e o Dada na piscina — diz e eu rolo os olhos, mas sorrio. Adoro como até hoje ela ainda o chamava pelo apelido de infância.

— Palhaçada dele que não queria estragar o beck. O que?

— Nada, só falei 'uhum'.

— Ahan — diz e caímos na gargalhada.

— Mas sério, você tá legal? Quer uma água?

— Tô legal, só esperando passar.

— Quer que eu chame o Dada?

— Claro que não. — Bufo pelo nariz. — Tá tudo bem, tô até meio frustrada que a onda tá levinha.

— Você que pensa — diz em meio a risadas. Encosto minha cabeça em seu ombro e fecho os olhos, subitamente me sentindo muito grata pela nossa amizade.

— Tô tão feliz de estar aqui com vocês hoje. — Sinto ela encostar a sua cabeça na minha. — Obrigada.

— Pelo que maluquinha?

— Ah por me trazer, né? — digo, sentindo uma pontadinha de incômodo no estômago porque eles pagaram a viagem inteira para mim. Dinheiro era definitivamente uma coisa que me faltava.

— Eu hein! — reclama, fazendo pouco caso. E era genuíno. Eu sabia, porque o que faltava de grana pra família Swan, sobrava para a família Cullen. — Mas vem cá, o que tá rolando?

— Como assim?

— Você e o Dada. Nem inventa de negar, garota. Vocês vão se pegar aqui? Na frente de geral?

— Claro que não! — exclamo. Levanto a cabeça para olhá-la. — Tá maluca, Ali? Ele tá com a Kate, porra. — Tento não ler demais na hora que franze a sobrancelha e fita algo por trás de mim.

— Ué, tá? — diz e solta uma risada baforada. A encaro incrédula.

— Alice! — Não consigo manter a expressão por muito tempo porque ela logo se desfaz em um sorriso. Kate nunca se deu bem com Alice. Nunca se preocupou em conhecê-la de verdade. Comigo tampouco. Descobri recentemente que ela sentia ciúmes da "amizade colorida" que eu tinha com Edward, mesmo sabendo que eu estava em um relacionamento sério com o Manolo. E dado os eventos de hoje, eu nem tinha como culpá-la.

— Ué, o quê? Todo mundo sabe que estava fadado a dar errado desde o começo. — Dá de ombros.

— E se der certo? Você vai ficar nessa implicância a vida toda?

— Sim. — Sorri e eu rolo os olhos. — Enquanto eu puder torcer por isso pra vocês se assumirem logo, eu vou. O quê? Ah, Bella, nem vem. Você vai fingir até quando que não sabe que ele começou a pegar a Kate pra passar o tempo enquanto esperava o Manolo ir embora? — gargalha e se levanta do sofá. — Todo mundo sabe que vocês são doidinhos um pelo outro.

— Pelo amor de deus, Alice, para de falar essas merdas alto!

— Você tá zuando que acha que ninguém aqui sabe? — Franzo a testa e ela sacode os ombros em uma risada. — A quantidade de vezes que o Jasper já ouviu vocês transando... E ele ainda é uma maria fifi, né? Óbvio que contou pra Rose, que, inclusive, não guarda segredo do Emmett. Você sabe.

— A gente não tá mais transando, eu te falei, po. Era pra você estar me desencorajando e não botando pilha.

— Uma garota pode sonhar. — Pisca e sai da sala.

Jogo a cabeça no sofá e fecho os olhos. O corpo relaxadinho, mas os pensamentos em um turbilhão.

— Que foi?

— Meu deus, tá no DNA dos Cullen não saber se sentar sem se jogar no sofá? — reclamo e viro o rosto para olhar para Edward, que já estava sorrindo.

— Alice falou que você tá zoada.

— Tô legal.

— Po, maior papo de drogado isso hein? — Ri e me oferece uma garrafinha de água mineral. — Bebe aí, vai te fazer bem.

— Eu tô legal — reclamo, mas bebo. — Tô achando até que a brisa tá passando. — Encosto a cabeça no sofá e fecho os olhos.

— Hum... A gente não pode deixar isso acontecer, não é? — Nem preciso olhar para saber que ele sorri. — Quer um docinho?

— Algo me diz que você não tá falando de comida — rio e viro o rosto para olhá-lo. Um erro colossal. Ele estava com a postura espelhada à minha, e no seu olhar eu via nada além de carinho. Balanço a cabeça em negação quando me questiona com o arquear das sobrancelhas.

— LSD po. Eu te falei que trouxe. Tem o normalzinho e o Jesus. Tem o microponto também, que é o lsd com um pouco de MD, e claro, trouxe o MD puro, mas tô sentindo que não é a melhor opção pra hoje.

— Jesus?

— Sim. — Ele ri quando nota minha expressão incrédula. — Não conhece não?

— Eu nunca usei ácido, garoto. Não acredito que tem um LSD chamado Jesus.

— Quer? — pergunta com o sorriso tortinho e eu meneio a cabeça.

— É muito forte, tô com medo de misturar tanta coisa.

— Não dá nada não. É só fazer com responsabilidade porcionando direitinho — murmura e sinto o tamborilar de seus dedos no couro do sofá, perto dos meus. — O Jesus é mais alucinógeno e o normal vai te deixar numa vibe mais suave. Com um quê de alucinação também, mas menos que o abençoado.

— Tipo a fumar maconha quando a pressão tá baixa? — solto uma risada quando me lembro da primeira vez que fumamos juntos.

— Diferente. — Pisca um olho e da um tapinha no dorso da minha mão. — Pensa aí — responde e vai na direção dos quartos.

Logo volta com um ziplock e vejo retirar dois pacotinhos de papel alumínio do tamanho da falange de seu dedo. Também tinha outros três ziplocks menores. Um com umas estrelinhas coloridas, e outros dois com pó branco.

— Meu deus do céu o que você trouxe?

— Aqui tem LSD — diz, apontando para os embrulhos de alumínio. — E aqui tem o Microponto, o MD e o pó.

— Pablo Escobar, é você?

— Aqui no Brasil é o Fernandinho Beira Mar — diz com um sotaque tão ridículo que sinto as lágrimas me escorrerem pelos olhos de tanto que rio. Ele me olha com um sorriso tranquilo no rosto até que eu me acalme. Desvio meus olhos quando o momento fica desconfortável e me percebo encarando suas mãos.

— Decidiu?

— Acho que vou começar de levinho. — Ele acena a cabeça e pega um dos pacotinhos e o desembrulha. Começa a picotar o papel, agora desdobrado, em pedaços ainda menores.

— Um oitavinho pra começar então. — Leva o dedo à minha boca, onde tinha um pedacinho de papel minúsculo. — A dose que eu costumo usar pra começar é um quarto, depois chego pra metade. Tô te dando metade da minha dose inicial e não vou tomar pra poder te monitorar. Fica tranquila e relaxada, tá?

Sorrio cheia de receio, apreensiva, mas animada. Versado em drogas ilícitas, Edward sempre insistia para que a gente nunca usasse em situações em que não estivéssemos confortáveis.

Abro a boca e tento não me excitar com a forma animalesca que encara meus lábios quando abocanho seu dedo.

— Bella... — reclama de maneira firme quando passo a língua por todo seu indicador. Sorrio, só um pouquinho culpada, e engulo o papel.

— Só me certificando que peguei a droga toda — explico quando solto seu dedo em um "pop". O encaro séria e bebo um gole da água que trouxe consigo. — Tô nervosa — confesso assim que sinto que posso.

— Esse não vai fazer nada contigo, além de te animar um pouco. No máximo vai deixar seus sentidos mais à flor da pele. Fica tranquila.

Acredito no que ele diz e fico um tempinho sentada, de olhos fechados, só ouvindo a música e relaxando, mas meu corpo parece mais energizado do que antes. Logo me levanto e paro em frente à TV.

Me mexer no ritmo da música só parece óbvio, e repousar meu corpo contra o dele quando vem dançar atrás de mim, também.

— Tá legal? — Sussurra no meu ouvido e deixa os lábios ali. Quentes.

— Ahan — respondo ondulando ainda meu quadril. Edward aperta a minha cintura e acomoda o nariz no meu pescoço. Arrepio quando lembro que ele sempre fica maluco com o meu cheiro. — O que você tá fazendo?

— Tá sentindo o que? — Me ignora, fazendo a sua própria pergunta.

— Você — digo honestamente. Rolo a cabeça pro lado quando ele espalma a mão na minha barriga e mexe nossos corpos agora em sincronia.

Ao longe escuto a risada dos nossos amigos e sei que estão na piscina.

— E você? — pergunto em uma respiração. — Tá sentindo o que? — O sinto roçar o nariz da minha têmpora até o pescoço.

— Você também — diz contra a minha pele e me aperta o quadril. Sinto que ele também tá cheio de tesão. E meu coração dispara com o perigo.

Decido ficar na minha, só curtindo a forma que suas mãos tão familiares se esfregam em mim. Me reconhecendo. Me perco nas sensações até que sinto meu corpo retesar quando ele beija meu pescoço, com língua e tudo.

— Tudo bem? — murmura contra a pele e eu solto uma lamúria.

— Não... Quer dizer sim. — Ele ri e tasca mais um beijão.

— Tá ou não tá, Bella? — questiona e arfo quando sua mão me esfrega a barriga e para abaixo do meu seio.

— Não tá, eu acho que não, nem sei, mas puta que pariu, Edward, tá muito gostoso — confesso sentindo a calcinha do meu biquini molhar.

— Se tá gostoso, então tá tudo bem — atesta e bufa contra meu pescoço quando empino um pouquinho a bunda sentindo-o duro. Me agarra de uma maneira que seria impossível fugir e nos embala por mais um tempo naquela música. Sinto meu corpo completamente descontrolado, entregue, e gemo quando ele beija atrás do meu ouvido antes de pedir ali: — Bora pro quarto Bella, deixa eu te comer do jeito que você gosta? — Me viro em seus braços. Suas mãos vão de imediato para a minha bunda, apertando.

Uma parcela bem pequena de mim me manda mensagens de alerta, mas estou tão sem controle que sequer consigo entender o recado.

— Tá gostoso assim? — pergunta me alisando a bunda por baixo da saída de praia. — Quando eu uso LSD parece que meus sentidos ficam... — geme, provavelmente porque eu o arranho na nuca. Me aperta, me usando pra buscar seu próprio alívio. A ponta dos seus dedos já me provocando por dentro do meu biquini.

Não respondo, mas beijo seu peito. Com língua e tudo também. Sinto seu pau estremecer na minha barriga e salivo lembrando.

— Você tá me deixando maluco. — E pra enfatizar, dobra um pouquinho os joelhos e roça de verdade nossos sexos. Gemo igual uma gata no cio e me prendo ao seu pescoço. Ele me agarra a bunda e me levanta pro seu colo. O prendo com minhas pernas e ataco o seu pescoço com um beijo necessitado.

Quando a gente chega no corredor que nos leva aos quartos, me pressiona contra a parede e me beija a boca de uma maneira tão desesperada que não tenho nem tempo de pensar, só reagir. Nossas línguas, antigas conhecidas, se reencontram num beijo que me faz sentir tesão desde o dedão do pé à cabeça. Ele se posiciona onde mais preciso e começa a se esfregar em mim. Necessitado também. Que bom.

— Puta merda, que delícia, você tá encharcada — geme enquanto passeia com dois dedos por dentro da calcinha do meu biquíni. Meu clitóris pulsa maluco por ele. — Que saudade que eu tô disso aqui. Parece que nunca passa, puta que pariu, é só com você que é assim — diz enquanto roça o pau duro, coberto pela bermuda, na minha virilha. E ali eu estalo.

— Espera! Para, pelo amor de deus — exclamo e ele, de fato, para. — Sai, Edward, me larga! — peço um pouco mais alto e afasto seu tronco do meu. Ele me olha confuso, vermelho, e me coloca no chão.

— O que foi?

— Você tá de sacanagem? — O encaro, ofendida. Ele franze ainda mais a testa, e dá um passo para trás. — Só comigo é assim? — Interrompo o aceno enfático de sua cabeça. — E com a Kate?

— O que tem ela? Não. Não é assim com ela. O que, Bella? É só contigo, eu juro.

— Vai tomar no cu, Edward. Cacete que escroto. Que situação merda — murmuro, olhando para meus pés descalços, e quando vejo ele dar um passo em minha direção, levanto uma mão entre nossos corpos e em seguida me afasto. — Foi pra isso que você me drogou?

— É o que?

— Isso aí. Foi pra isso que você me deu LSD? Pra aflorar meus sentidos e me fazer transar contigo?

— Que porra é essa, Bella? Eu trouxe LSD porque você pediu. Você queria experimentar e me fez jurar que eu não ia deixar você dar pra trás. Que porra é essa? Tá achando que... Caralho, Bella, que porra que você tá achando? — murmura quando eu não digo nada.

— Foi mal. Não foi isso que eu quis dizer — resmungo, fitando meus pés. — É que... Porra. — Respiro e começo a sentir o ar mais pesado. Estico o pescoço tentando respirar, mas no corredor parecia impossível. Caminho apressada na direção da cozinha.

— O que foi? — insiste, no meu encalço. Volto a colocar distância entre nós. — Caralho, o que é?

— A Kate, porra!

— O que tem ela?

— Como assim, meu deus? — Arfo e jogo os braços para cima. Então ele relaxa as sobrancelhas, e com os olhos escancarados tenta impedir que um sorriso lhe escape. Ele caminha e para a minha frente.

— Ei — diz com suavidade, e algo em sua expressão me paralisa. Puxa meu queixo para cima com a ponta do dedo. — A Kate não é nem uma questão aqui. Ela nunca foi nem vai ser um problema entre a gente. Você sabe disso, não sabe? — O encaro ofendida por nós duas. Embasbacada, perco a fala.

— Bella! — Escuto Alice gritar do lado de fora e agradeço mentalmente pela interrupção. — Pega o meu celular que está aqui na mesa! Não quero sair da piscina!

Ainda perplexa, me afasto. Da minha visão periférica percebo quando fecha seus olhos, levanta a cabeça e respira fundo.

— Filha da puta — xinga num fio de voz. Não fico para defender minha amiga.

Quando vou para o lado de fora e sinto a maresia gelada bater no meu corpo. Respiro, desaquecendo.

— Toma. — Entrego o aparelho e me deito na borda da piscina ao seu lado.

— Valeu — reponde, e fixa seu olhar em mim. Aceno com a cabeça para tranquilizá-la. — Seu irmão ainda vai me matar um dia — digo sem maiores explicações, e encaro o céu.

Depois de um tempo escuto o barulho da porta bater e observo Edward sair da casa em direção à praia. Ainda estou olhando quando pula no mar iluminado apenas pela lua cheia.

Fico na piscina com o resto do pessoal até meu corpo começar a arrepiar de frio, provavelmente efeito do LSD. Quando faço menção a entrar na casa, Alice me segue. Ela e eu temos uma forma de nos comunicar que exige poucas palavras, e com seu olhar preocupado sinto que preciso explicar a confusão que se forma dentro de mim. Uma sensação de culpa horrível, e não porque eu me arrependia do que quase fiz com Edward, mas justamente porque não me arrependia.

Com a nossa comunicação não verbal, tão típica de nós, tenho certeza de que me entende. Me compreende, mas apesar disso não se manifesta. Ao contrário, passeia pelo terreno com os olhos até encontrar seu irmão dentro do mar.

— Não fala com ele, por favor — murmuro. — Não faz parecer mais esquisito do que já está. — Minha voz apenas em um sussurro. Ela me fita por vários minutos com a expressão endurecida.

— Não tem como, desculpa. — É tudo o que diz antes de sair da casa em direção ao seu irmão.

Não fico para observar o desenrolar da conversa.