N/A: Oie!

Voltei com mais um pouquinho dessa história e antes de mais nada gostaria de agradecer à lou5858 pelo comentário deixado no capítulo anterior 3

Espero que gostem!


29 de julho, 21:00h.

É melhor ir falando, porque de uma coisa você pode ter certeza: posso ficar aqui a noite toda até você confessar as barbaridades que fez! Praticamente cuspi as palavras a Vladimir sentado à minha frente.

Mais um caso, mais um suspeito, mais um interrogatório. E eu estava sozinha, daquela vez, porque Edward havia tido uma emergência na família.

Vou adorar tê-la aqui durante a noite toda, mal posso esperar. Aposto que vai querer continuar à sós comigo, não vai? O nojento falou com um sorriso ainda mais nojento no meio da cara.

Engoli a ânsia de vômito e tentei entrar no jogo dele:

Pra você fazer comigo as mesmas coisas que fez com Maggie, Zafrina e Peter?

Posso fazer sim, se é desse tipo de coisa que gosta. Ele aproximou suas mãozinhas nojentas, ainda algemadas, de mim, por sobre a mesa da sala de interrogatório.

Então me recorde, o que fez com eles? Respirei fundo para não perder a paciência, forcei meu sorriso mais "sedutoramente" convincente e inclinei meu tronco para frente para parecer interessada em suas palavras.

Acho que vai ter que esperar para saber. Você está muito ansiosa, querida.

É claro que estou. Quanto antes me dizer, mais cedo acabamos com isso falei-lhe Vamos lá, nós já temos tantas provas! Apontei para os saquinhos de evidências lacrados sobre a mesa e Vladimir revirou os olhos.

Quer que eu te diga o que, florzinha? Fiz uma careta e ele gargalhou; depois, passou os olhos maliciosamente por meu torso e lambeu os lábios.

Sabia que ele estava só me provocando e que jamais poderia me machucar de verdade, não naquele ambiente, mas ainda assim eu conseguia ficar desconfortável com seus trejeitos. O melhor a fazer diante de tais situações era me armar emocional e fisicamente com uma postura mais dura, como havia feito em tantos casos anteriores.

Seguinte: pode parar de palhaçada! falei firme; levantei-me e me apoiei na mesa com ambas as mãos para parecer maior e mais ameaçadora, enquanto o encarava com sangue nos olhos É melhor desembuchar logo, ou...

Acho que vou querer um adv... Vladimir se interrompeu e me encarou com o mesmo brilho malicioso no olhar.

Ambos sabíamos que se ele realmente pedisse um advogado, o processo todo demoraria muito mais e eu teria que interromper aquela conversa imediatamente.

Pensando bem, prefiro querer você mesmo. Ele mordeu o lábio inferior, talvez, tentando ser sedutor Podia fazer você sentir coisas que homem nenhum nessa espelunca poderia proporcionar à vadias como você. Eu sei do que você gosta.

Cerrei meus punhos e pedi paciência a Deus, porque aquela não era a primeira e provavelmente não seria a última vez que me depararia com frases do tipo, embora me despertasse um asco enorme.

Você não me conhece, não conhece os homens desse Esquadrão cuspi, tentando amenizar minhas expressões faciais que eu sabia não estarem nada amigáveis É melhor começar a me respeitar se não quiser tropeçar e fraturar o crânio quando estiver voltando para a cela.

É uma ameaça? Ele sorriu largo, de maneira doente O que é? Vai precisar dos amiguinhos para defendê-la? A vadia não tem culhão pra lidar com um homem de verdade, né? Respirei fundo e fechei os olhos para me concentrar em não dar na cara daquele idiota, mas ele ainda teve a coragem de rir Prefere ficar por aí com esses caras que nem sabem o que uma mulher gosta de verdade.

"Sabe qual é a diferença entre você e uma puta?" Meus olhos se abriram à menção daquela palavra e Vladimir me mostrava seus dentes perfeitamente alinhados e brancos – e que não continuaram assim depois que ele 'respondeu' à própria pergunta "É que elas, pelo menos, são pagas pra fingirem sentir prazer".

Minha mão direita, ainda cerrada em punho, foi de encontro ao rostinho nojento de Vladimir com força. Só quando vi um dente quebrado e um pouco de sangue escorrer de sua boca me dei conta de minhas ações. Eu estava ferrada, mas não arrependida.

Sabia que não poderia continuar ali, então abandonei a sala de interrogatórios, deparando-me com meu querido pai, do lado de fora, com cara de poucos – ou melhor, nenhum – amigos.

Desculpe resmunguei, tentando passar por ele e sair de sua sala, mas sem sucesso, pois obviamente fui bloqueada por seu corpo.

Estou te colocando em trabalho administrativo por 15 dias, no mínimo.

Meus olhos se arregalaram e abri a boca para retrucar, mas papai continuou:

Sabe o que pode acontecer quando olharem para a cara desse desgraçado? Estou evitando que a Corregedoria segure as rédeas dessa situação, então você deveria estar me agradecendo disse em tom bravo Antes eu do que eles resolvendo a merda que você fez.

Não vai nem deixar eu tentar me defender?

Se defender do que, Isabella? papai esbravejou Esse filho de uma puta estava ALGEMADO enquanto você o interrogava; não te conferia ameaça alguma, ou eu mesmo o teria arrebentado. Se está fora de controle, tem que resolver os seus problemas em outro lugar, não aqui.

Fiquei ainda mais irritada com a última parte da fala de meu pai. Detetives homens perdiam a cabeça o tempo todo, muitas das vezes durante interrogatórios e, ainda que recebessem duras depois, não chegavam àquele nível.

Esta seria a sua decisão se eu fosse um detetive homem? Ou se eu não fosse sua filha?

Está insinuando que te trato diferente por ser mulher? Papai pareceu ainda mais puto com minhas insinuações.

Não sei. Há pouquíssimas mulheres na Unidade e a maioria nem é detetive. Não reparo muito como as trata, mas talvez, se eu fosse seu filho, o Senhor me apoiasse mais.

Se eu não te apoiasse, teria te impedido de entrar na polícia ele disse e então cruzou os braços Sabe que poderia tê-lo feito.

Então me trata diferente por eu ser sua filha. Obrigada pela resposta. Sorri de maneira irônica e saí de sua sala.

09 de agosto, 10:00h.

Recostei-me ao armário da pequena cozinha da delegacia enquanto tomava minha terceira xícara de café do dia. Trabalho administrativo era entediante para um caralho e precisava me manter acordada para terminar um trilhão de relatórios.

Meu olhar, inevitavelmente, se voltou para o entrosamento de Edward e Victoria Sutherland, uma das poucas mulheres a trabalhar como detetive na Unidade. Papai os tinha colocado para trabalharem juntos depois de me retirar de meu posto.

Os dois estavam incrivelmente bem para quem havia acabado de começar a trabalhar junto, e decidi ignorar a pontada estranha em meu peito que me angustiava toda vez que olhava para eles.

Foi ainda melhor, para os meus ânimos, ver Riley se sentado à minha mesa, como se eu tivesse autorizado tamanho absurdo. Ao aproximar-me, fiquei ainda mais indignada ao notar que ele cutucava as florezinhas recém-nascidas sobre Gandalf, o meu cacto.

O que pensa que está fazendo? Esbravejei e bati a xícara com força (mas não a ponto de quebrá-la) sobre minha mesa, perto da mão de Riley Tire suas mãos daí e pode ir saindo da minha mesa!

Calma, Bella, nossa! Bem que papai falou que estava mais estressada do que o normal. O cara de pau teve a coragem de dizer com a expressão mais lavada do mundo.

É que além de lidar com o trabalho administrativo, ela ainda tem que aturar o fato do crush dela estar fazendo parzinho com a gata da Victoria Emmett zombou com um sorriso largo, e claro, seu tom de voz absurdo despertou a atenção não somente minha, como de todos os detetives presentes, incluindo os dois citados.

Edward me encarou de olhos arregalados e torci para não corar. Apenas sustentei seu olhar para não dar a entender que as palavras de Emmett pudessem ser verdadeiras. Porque elas não eram. Ele pareceu meio intimidado e logo voltou a conversar com Victoria; a mulher não estava nem um pouco incomodada. Claro que não, ela estava com ele.

Bella, você tem um crush? Riley me perguntou em tom levemente magoado e esfreguei a mão direita em meu rosto, já impaciente.

Não é da sua conta respondi, ríspida Agora dá pra fazer o que eu mandei? enfatizei bem que dizer para ele sair de minha cadeira havia sido uma ordem, não um mero pedido.

Poxa, Bella. Tem dois anos que eu tentando te conquistar e você só me dá patada. Daí esse novato chato vem pra cá e em menos de dois meses você já caidinha por ele? Riley resmungou, arrancando risadas de Emmett e outros detetives mais próximos.

Olhei-o de soslaio. Aquele moleque estava muito abusado pro meu gosto.

Já disse que não é da sua conta! Gesticulei para que saísse de minha cadeira e suspirei pesado quando ele permaneceu sentado nela.

O que ele tem que eu não tenho? Riley fez um biquinho e levou a mão para o lado direito de meu rosto.

Seu toque me arrepiou, não pelos motivos bons, mas porque nunca lhe tinha dado a liberdade de fazê-lo. Riley estava brincando com fogo e eu não me importaria de me queimar junto dele, se isso o ensinasse uma lição ou duas.

Segurei o mais firme que pude em sua mão, afastando-a de meu rosto, e ele gemeu de dor. Sorri satisfeita, mais ainda com seu olhar de medo:

Nunca mais toque numa mulher sem a autorização dela Larguei sua mão e Riley se levantou abrupta, mas desajeitadamente, e seu movimento o fez bater em meu vasinho, que caiu e se espatifou no chão. Junto de meu coração.

Corre. Algo parecido com um rosnado saiu por minha garganta e Riley saiu tão rápido da delegacia que mais pareceu um borrão.

E uma dor que parecia física, de tão intensa, se espalhou por meu peito assim que fitei o cacto machucado de minha mãe, suas florezinhas brancas e raízes expostas, as pedrinhas e ornamentos que compunham o lookinho dele, e seu vasinho quebrado. Sentei-me em minha cadeira e escondi o rosto entre minhas mãos; estava despedaçada por dentro, vulnerável, e não precisava do testemunho de meus colegas de trabalho.

Ei, a gente tenta consertar. Ouvi a voz de Emmett, num tom suave, mais perto de mim. Ele era um dos poucos naquela delegacia que sabiam da importância (e da raridade) daquele cacto para mim.

Não dá, Emm. Gandalf é muito sensível, olha só pras raízes dele! murmurei, tentando controlar o choro que inevitavelmente quis irromper por minha garganta.

Aqui a gente não desiste sem tentar, hein ele disse em tom carinhoso e o senti afagar meu ombro Vou arranjar umas luvas e a gente consegue ajeitar isso rapidinho.

E como eu gostaria que ele estivesse certo!

12 de agosto, 09:00h

Encarei meu vasinho vazio pela, possivelmente, milésima vez naquela manhã. Nós (Emmett e eu) realmente havíamos tentado salvar Gandalf, mas ele não conseguira sobreviver.

Era difícil não me apegar às memórias que tinha e não me emocionar. Funguei discretamente e olhei para mais um relatório inacabado e entediante, e então uma mão entrou em meu campo de visão segurando um copo de café grande. Ergui meu olhar e me deparei com Edward me fitando de volta.

Vai um mocha hoje? perguntou, meneando com a cabeça na direção do copo.

Era o meu café preferido, ele bem sabia, dado o período que trabalhamos juntos, mas não podia deixar de ficar surpresa quando vi o logo da cafeteria no copo: além de produzir o melhor café mocha que eu já tinha provado (algo que Edward também sabia), ficava localizada do outro lado da cidade. Eu tinha o endereço dele e, a menos que tivesse se mudado sem me avisar, aquilo significava um grande esforço para pegar aquele copo de café.

Obrigada. Foi tudo o que consegui dizer, um pouco embasbacada. Senti-me querida, o gesto de Edward era como um afago depois de dias estressantes e a perda de Gandalf, e novamente me emocionei.

Nós ainda não tínhamos nos falado muito desde o incidente na lanchonete, fosse pelos nossos trabalhos distintos, ou porque ficávamos desconfortáveis diante da possibilidade de discutirmos o que havia quase acontecido; no entanto, sentia mais falta dele do que gostaria de admitir. Edward parecia cada vez mais próximo de Victoria e, embora aquilo me deixasse com uma sensação de pesar estranha no peito, precisava tentar ficar feliz pelos dois.

De nada murmurou e me deu um pequeno sorriso antes de colocar o copo sobre minha mesa Também trouxe umas rosquinhas. Ele apontou para algum lugar em cima da mesa dele e tive que erguer o tronco para conseguir enxergar um pote cheio do que, de fato, parecia ser o doce que Edward tanto amava Essas são caseiras, minha mãe e minha irmã fizeram ontem. O sorriso dele se alargou ao mencioná-las e não pude deixar de imitar seu gesto.

Pode passando pra cá, então. Comida caseira é comigo mesmo brinquei. Edward deu uma risada adorável e me entregou o pote todo Ué, não vai dividir?

Você ouviu o que eu disse? perguntou em tom divertido e ergui uma sobrancelha com sua ousadia Minha mãe e minha irmã fizeram, tem trocentas dessas em casa. Eu até acreditaria se não tivesse visto Edward desviar o olhar do meu por alguns segundos; já estava acostumada com ele a ponto de saber que fazia isso quando não estava seguro do que dizia.

Você mentindo pra sua ex-parceira na cara dura, acha isso bonito? perguntei em falso tom de indignação De acordo com meus conhecimentos sobre você, deve haver algum pote de rosquinhas no seu armário, inclusive deve ser bem maior do que esse que você me deu! Cruzei meus braços e sorri vitoriosa quando as bochechas de Edward coraram.

Então você me bem conhece, né? Perguntou, obviamente, de maneira retórica Mas está errada dessa vez. Ele ergueu o queixo e sorriu torto; fiquei tão desconcertada com sua grande e irritante beleza que até corei também O pote maior é seu. Deu uma piscadinha e sentou-se em sua cadeira.

Prova. Puxei minha cadeira de modo que pude me sentar à lateral de sua mesa e o encarei de maneira séria, cruzando os braços novamente para mostrar minha posição.

Me obrigue. Edward abriu mais um sorriso torto e também cruzou os braços.

Você é muito irritante resmunguei e ele apenas riu.

E você é muito linda.

Ah, merda, mais um pra ficar me atazanando!

Estreitei meus olhos para ele, que deu de ombros, mas continuou me encarando intensamente. Percebi, com um ofego, que Edward não estava brincando, ou tentando me irritar. Ele já não era mais um menino, feito Riley, e a diferença de como me sentia em relação a Mike e a ele eram gritantes... E por isso era melhor eu me manter longe.

Acho melhor voltarmos ao trabalho murmurei Sua parceira deve estar te esperando. Não notei o tom de desprezo em minha voz até o cenho de Edward se franzir.

Ele suspirou e apenas concordou com a cabeça. E talvez Victoria estivesse nos escutando, só esperando a deixa certa para aparecer, pois passaram-se milésimos de segundos e ela surgiu, do nada, toda alegrinha. Sem qualquer pudor por estar em seu ambiente de trabalho, ela abraçou Edward pelo pescoço, por detrás da cadeira dele, e grudou nele como uma geleca numa parede. Não fiquei mais um segundo para presenciar aquela falta de noção; levantei-me, ajeitei minha própria cadeira de volta ao seu lugar e fui para o quartinho da delegacia, onde os policiais podiam descansar. Os relatórios chatos podiam esperar, mas eu precisava pôr a cabeça no lugar antes de cometer uma insanidade.

Estava deitada na pequena cama tentando espantar Edward de minha mente, mas então me lembrei que estava completando 15 dias desde o incidente com Vladimir. Assim, fui até a sala de meu pai, tentando não dar trela ao casalzinho no meio do caminho, para brigar pelo meu direito de retomar o meu verdadeiro posto naquela Unidade; talvez, me distraísse o suficiente para esquecer tantos pensamentos estranhos.

Capitão. Dei duas batidas em sua porta e não hesitei em abri-la.

Papai estava sentado à sua mesa e me olhou com curiosidade, mas logo deve ter entendido o motivo de eu aparecer ali, pois bufou e passou as mãos pelo rosto, como se estivesse impaciente. Não dei bola para o seu draminha e sentei-me na cadeira à sua frente.

Já fez 15 dias. Lembrei-o e não me deixei intimidar quando ele me encarou com uma sobrancelha erguida Quero meu trabalho de volta.

Vai sonhando. Ele soltou uma risada sem humor e fechei a cara.

E você vai continuar me tratando diferente até quando, como se eu não soubesse fazer meu trabalho? Se eu não fosse sua filha, nem estaria no trabalho administrativo só por causa de um soquinho.

Papai estreitou os olhos para mim e suspirei. Ambos sabíamos que não havia sido só por um soquinho, mas, ainda assim, não me parecia justo passar mais de uma quinzena naquele tédio de preencher relatórios intermináveis.

Você tem que entender que é minha filha; é muito competente sim, e por isso não quero esses Abutres pensando que estou te protegendo, ou acobertando. Fiz o que fiz, porque você não teria sido a única penalizada, não é só você quem corre riscos.

Suspirei mais uma vez e fiz minha melhor cara de pidona quando percebi que ele não estava convencido a me colocar de volta às investigações. E então uma batida na porta me sobressaltou. Virei-me a tempo de ver Waylon Forge, o Delegado-Geral das UVE de Nova Iorque, e grande amigo de meu pai (o que me fazia considerá-lo um "tio"), adentrar a sala.

Waylon, é muito bom vê-lo disse papai, sorrindo para ele. Os dois raramente se tratavam na formalidade, apenas em eventos públicos, ou na frente do Alto Escalão da polícia.

Charlie, Bella. tio Waylon sorriu para nós e fechou a porta atrás de si Como estão?

Olhei de soslaio para papai e lhe sorri em desafio, pronta para contar ao chefe dele, tudo o que ele vinha aprontando.

Oi, tio Waylon falei em tom manhoso e papai bufou, fazendo-me alargar meu sorriso O Capitão está sendo um tirano comigo. Waylon arqueou uma sobrancelha e se aproximou, sentando-se na cadeira ao meu lado Me botou no trabalho administrativo e disse que seria só por 15 dias, mas ainda não me liberou.

Por que a colocou em trabalho administrativo, Charlie? tio Waylon indagou e franziu o cenho. Ele sabia que eu era uma detetive muito próximo do exemplar.

Porque ela perdeu as estribeiras com um suspeito e arrancou um dente dele papai respondeu em tom indignado Está tudo relatado na ficha dela.

Suspeito não, ele mesmo confessou depois corrigi-o e papai estreitou os olhos para mim, silenciosamente mandando eu me calar.

Arrancou um dente? tio Waylon perguntou em tom divertido e ambos, papai e eu, assentimos Não foi você quem entortou os dedos de um suspeito no seu primeiro ano na Homicídios?

Ele obviamente se referia a papai e o encarei boquiaberta. Nunca tinha ouvido aquela história! Papai ficou vermelho e soube que Waylon falava a verdade, então cruzei os braços e o encarei de maneira séria.

Acho que Bella é muito parecida com você, Charlie tio Waylon destacou e sorri vencedora. Ele dava os argumentos de que eu precisava para conseguir meu trabalho de volta.

Céus! O próprio Waylon, superior a todos naquela delegacia, poderia me dá-lo!

É isso o que mais me preocupa papai resmungou e passou as mãos pelo rosto Não quero que ela faça alguma besteira que não possa consertar depois continuou ele, como se eu nem estivesse presente na sala.

É por isso que você está aqui para guiá-la. Não haveria mentor melhor nessa Unidade, para ela, ou qualquer um dos outros detetives.

Tio Waylon estava certo. Embora achasse sim que papai fizesse certa diferença entre mim e outros detetives, sabia que ele era um homem íntegro e extremamente qualificado para o serviço exercido.

Então... Estou livre para voltar às investigações? perguntei esperançosa, percebendo que papai parecia mais maleável.

Não acho que esteja preparada, Bella papai disse, para o meu desprazer.

Que tal se nós fizermos um trato? tio Waylon interferiu e fiquei com uma pulguinha atrás da orelha sobre sua proposta Bella volta ainda hoje ao trabalho normal, mas... Sempre haveria um " mas" para estragar tudo! Começará a fazer terapia. Pode ser a que preferir, não necessariamente a de controle da raiva.

Suspirei, num misto de surpresa e exasperação. Tio Waylon estava falando sério, mas eu ainda poderia aceitar seu acordo e dar um jeito de escapar de suas ideias terapêuticas.

Ah, e seu psicólogo prestará contas conosco é claro, como se estivesse batendo o ponto, mas em relação às suas idas à terapia.

Merda!

Papai me observava atentamente; ele duvidava que eu fosse aceitar aquela condição e, por mais que a achasse descabida, eu não tinha outra escolha. Com mais um suspiro pesado, virei-me para tio Waylon e concordei com ele.

Vai ser melhor assim, Bella disse com um sorriso Agora, se me permitem, Charlie, gostaria de falar sobre o motivo de minha vinda: recebi um novo recruta, um Sargento transferido de Jersey. Você o receberia aqui?

Papai e tio Waylon sempre se trataram com prioridade na polícia e o segundo, ainda que em posto superior, buscava satisfazer nossa Unidade de uma maneira um pouco mais... Assertiva, se pudesse colocar em palavras.

Como não teria voz ativa naquela conversa, pedi licença e estava quase saindo da sala de papai quando ele me chamou:

Quer voltar a trabalhar com Emmett? Posso rearranjar alguém para ficar com Seth. Edward parece bem com Victoria.

Aquela mesma sensação estranha, de aperto em meu coração, surgiu e, de repente, quis chorar. Detestava me sentir daquela forma, tão vulnerável. O luto por Gandalf estava me deixando maluca, era a única explicação plausível.

Ou... Estava gostando de trabalhar com ele? papai perguntou em tom surpreso, talvez, pela minha demora a respondê-lo. Balancei minha cabeça rápida e negativamente, tentando não demonstrar minhas fraquezas.

Posso voltar com o Emm, sem problemas. Dizer aquilo foi como dar uma leve esfaqueada em mim mesma, mas era melhor, mesmo, voltar para minha antiga rotina.

Está bem. Assim que arranjar alguém para ficar com Seth, voltamos com as duplas de antes, mas, por enquanto, continua com o Edward papai disse com um sorriso mais misterioso do que elucidativo. Franzi o cenho, mas ele deu de ombros Avise-o, sim? Diga que Victoria não precisará mais se revezar entre ele e Tyler.

Assenti com a cabeça, sentindo-me um pouco mais aliviada, como se a pressão em meu peito tivesse diminuído e saí de sua sala. Avistei Edward mexendo em algo no notebook e Victoria ainda pendurada em seu cangote.

Uma sensação vitoriosa se apossou de mim por saber que seria eu a dar a notícia de sua "separação".

Edward chamei-o e imediatamente fui atacada por seus olhares esverdeados e intensos No que está trabalhando?

Isso é entre mim e ele, Isabella disse Victoria, num tom rude e "superior".

Edward enfatizei o nome dele e repeti a pergunta.

Edward mal desviou o olhar do meu e engoliu em seco diante de minha insistência e da arrogância de Victoria.

Estava repassando o caso da Angela, chegou o toxicológico dela, ia abrir agora mesmo ele respondeu e meneou com a cabeça na direção da tela.

Hum, que bom que apareci a tempo falei e lhe sorri. Pude ver Victoria me encarar dos pés à cabeça em desprezo, mas não me deixei abater; aproximei-me deles e tirei seus tentáculos do pescoço de Edward.

Sim, tive tamanha ousadia, era demais até mesmo para uma detetive como eu!

Victoria me olhou como se pudesse me esfaquear a qualquer momento, mas apenas a relembrei sobre estarmos em nosso ambiente de trabalho e que um dos superiores de papai estava a alguns metros de distância. Seria péssimo, para ela e para Edward, serem vistos daquela forma.

Bem, de todo modo, o Capitão pediu para eu te avisar que seus serviços de babá não serão mais necessários. disse a ela, rindo quando Edward bufou, provavelmente entendendo que eu me referira a ele como "bebê".

Como assim? Ela se sobressaltou como se tivesse levado um susto e estreitou os olhos para mim.

Não precisa mais se revezar entre Edward e Tyler respondi com um sorriso desdenhoso Volto para as investigações agora.

O rosto de Victoria endureceu e se olhares matassem eu já estaria enterrada.

Quem foi que lhe disse isso? ela perguntou em tom ríspido.

O próprio Capitão. Pode ir lá perguntar pra ele, mas talvez seja melhor esperar o Delegado Forge sair respondi-lhe alargando, sem querer, meu sorriso quando ela bufou.

Vou tirar essa história a limpo!

Fique à vontade! Gesticulei com os braços e não contive uma risada ao vê-la ir fazer plantão ao lado da porta da sala de papai.

Uau, se eu não soubesse que você ficou tão irritada quando eu tentei te beijar, ou quando te elogiei, diria até que está com ciúmes de Victoria. O próprio Edward soltou tal gracinha e engasguei com minha saliva, surpresa com suas palavras.

Não tem nada a ver com isso.

Então estava com saudades de mim? Ele tinha um pequeno sorriso que parecia esperançoso.

Não, seu chato brinquei e dei um peteleco em seu ombro Não fala nada pra coisinha ali, mas isso é só até papai arrumar outro parceiro pro Seth.

"Depois você volta pra..." as palavras ficaram presas à minha garganta quando percebi que, em breve, seria obrigada a ver Victoria se esfregando em Edward de novo, assim que eu voltasse a trabalhar com Emmett. Novamente, fiquei incomodada, muito mais do que gostaria, com aquilo.

Depois volto pra Victoria completou ele e assenti à contragosto Então vamos aproveitar enquanto ainda temos tempo. murmurou, desviando o olhar para o notebook Gosto de trabalhar com você, estava até sentindo falta das suas patadas.

Ri de sua piada, eu nem era tão cavala assim, peguei minha cadeira e a coloquei ao lado da dele para que, juntos, pudéssemos ver os resultados dos exames de Angela.

Estávamos quase terminando de olhá-los quando recebi uma mensagem de Rosalie; segundo ela, eu estava sendo intimada, pela defesa de Jacob Black, a dar meu testemunho no dia de seu julgamento. E, embora eu já estivesse esperando testemunhar, incomuns eram tais pedidos feitos pela defesa. Assim, comecei a me preocupar com alguma possível tramoia por parte daquele nojento e sua equipe.

É incomum, mas não se preocupe. Sei que fez uma prisão justa Edward disse e, então, para minha completa surpresa, colocou sua mão sobre a minha, ambas em cima de sua mesa, e a apertou suavemente.

Senti meu rosto pegar fogo e desviei meu olhar do dele, embora não conseguisse mover minha mão um pouquinho para o lado. Seu toque era ao mesmo tempo macio, carinhoso e instigante, e quando nossos olhos novamente se encontraram, confirmei, para mim mesma, que estaria perdida enquanto continuasse próxima a Edward.

Com muita força de vontade, tirei minha mão debaixo da dele, mas não sem antes sermos flagrados por papai e tio Waylon; o primeiro com um semblante confuso no rosto, e o segundo surpreso. Talvez, por minha precisão no tempo, os dois tivessem achado que eu e Edward tentávamos esconder alguma coisa, mas feliz (ou, por outro lado, infelizmente), o telefone de minha mesa tocou.

Levantei-me rapidamente e o atendi: uma nova ocorrência. Gesticulei com uma das mãos para que Edward também se levantasse enquanto, com a outra, anotava o endereço para onde deveríamos ir.

11:00h

Estacionei a viatura em frente à faixa de isolamento, conforme o oficial liberava o caminho por entre os curiosos que tentavam bisbilhotar a cena de crime. Assim que saímos do carro, nós nos identificamos ao oficial e passamos pela fita de isolamento. Estranhei ao notar a equipe de perícia já no local e ainda mais ao ver o corpo, já sem vida, da vítima sendo examinado pelos peritos.

Por que passaram o caso para nós? Não deveria ir para a Homicídios? perguntei para o oficial que nos concedera a passagem.

Acho que eles têm algo para vocês ele me respondeu e meneou com a cabeça para que seguíssemos em frente.

Aproximamo-nos de Carmen, que fazia suas observações à primeira vista e fiquei preocupada com o seu semblante pensativo. A vítima, uma moça loira na casa de seus vinte e poucos anos, estava quase completamente vestida e posicionada de uma maneira que me gelou a espinha. E, a julgar pela tensão no corpo da médica legista, eu não estava tão errada em cogitar que havia mais um imitador à solta pelas ruas da cidade.

Carmen...

Ainda é cedo para afirmar, preciso determinar a causa da morte ainda, mas queria que você visse, sei como estava envolvida no outro caso. Achei apropriado chamá-la disse ela, como se soubesse exatamente aquilo que eu ia perguntar.

Edward, ao meu lado, ficou tenso e a ruguinha no meio de sua testa me indicava que ele, atento aos detalhes, estava juntando um mais um e tentando entender sobre o que falávamos. E então seus olhos se arregalaram, como se tivesse chegado a uma conclusão.

O caso das Louras de Manhattan? perguntou ele e assenti preocupada.

Envio as preliminares para vocês assim que ficarem prontas disse Carmen após um suspiro. A conhecia o suficiente para saber que ela estava tão aflita quanto eu.

Você... Pode tentar adiantar alguma coisa? pedi-lhe. Claro que ela e sua equipe tinham tantos casos quanto eu para resolver e detestava priorizar um em detrimento de outro. No entanto, se estivéssemos certas, encontrar o novo assassino, ou imitador, poderia evitar mais derramamento de sangue O julgamento de Jacob é no começo do próximo mês. Gostaria de não deixar passar algo que possa relacioná-lo a isso aqui também.

Vou fazer o possível, Bella Carmen murmurou. Assenti e suspirei; esperava e torcia para estar enganada, mas só quando tivesse todas as evidências descobriria se eu estava ou não certa.

21 de agosto, 15:00h

Navegava pelo banco de dados da polícia, à procura de um criminoso com as características descritas por uma vítima recente quando meu celular tocou. Estranhei ao ver o nome de Alice na tela; ela sabia que eu estava de plantão e nunca me ligava.

Bella, você pode me ajudar? disse ela, com a voz chorosa, assim que atendi sua ligação.

Levantei-me num rompante de minha cadeira, com o coração apertado, e preocupada com o que poderia ter acontecido.

O que houve, Alice? perguntei, já me mobilizando para sair da delegacia o mais rápido possível.

Emmett e Edward, os mais próximos, me encararam com um misto de curiosidade e preocupação, afinal, todos sabiam que Alice era minha melhor amiga.

Olívia está com febre e não para de vomitar, já a mediquei, mas ela não melhora de jeito algum, pode nos levar ao hospital, por favor?

Quase entrei em pânico, mas precisava manter a cabeça no lugar. Jazz trabalhava mais longe, então, claro que ela ligaria para mim primeiro.

Chego aí em cinco minutos, esteja pronta.

Tudo bem, Bella. Obrigada. Seu tom de voz aflito quase me quebrou, mas tentei me manter o mais racional possível, por nós duas e por minha afilhada.

Desliguei o celular e respirei fundo algumas vezes, tentando espantar as lágrimas de meus olhos.

Bella, o que houve? Emmett perguntou preocupado. Ele levou uma mão ao meu ombro direito e seu leve aperto fez eu me recompor um pouco.

Olívia está passando mal, vou levá-la ao hospital com Alice respondi-lhe Você avisa o meu pai, por favor? Não queria perder tempo e sabia que papai entenderia.

Claro, Bella. E melhoras pra Olívia.

Assenti e andei rapidamente na direção da sala de armários para itens pessoais do Esquadrão, de onde peguei minha bolsa. Quando saí da delegacia, procurando desordenadamente pelas chaves do meu carro, surpreendi-me ao ver Edward do lado de fora, como se estivesse me esperando. Ele rodou em sua mão a chave de uma das viaturas e meneou com a cabeça para que eu o seguisse, e assim o fiz.

Acho que tudo bem usarmos uma viatura, não é? Foi um pedido de socorro disse ele, assumindo a direção, talvez pelo meu estado de nervosismo (embora eu tentasse escondê-lo). Em quase 9 meses de vida, Olívia nunca tinha ficado doente e me consumia por dentro pensar que estava errada, que não poderia protegê-la, não de tudo.

Acho que sim falei, só então dando-me conta de minha voz embargada.

Vai ficar tudo bem, Bella, só me diga o endereço disse ele, já ligando as sirenes e o motor da viatura.

Edward me passava tanta confiança que não consegui duvidar dele. Passei o endereço de minha melhor amiga e em poucos minutos nós chegávamos em sua casa. Desci apressada e corri em direção à soleira da porta de entrada, onde Alice, ainda chorosa, segurava Olívia nos braços e mais uma bolsa.

Vamos, meus amores, vai ficar tudo bem falei, guiando Alice até a viatura. Ajudei-a a sentar-se no banco de trás e fiquei ao lado dela.

Dei uma olhada em Olívia; ela estava meio molinha, como se sem energia, o que batia com o fato de estar vomitando, e sua temperatura realmente parecia alta. Edward não hesitou, assim que fechei a porta de trás, e correu pelas ruas de Manhattan até o hospital mais próximo.

16:00h

Caminhava de um lado para o outro naquela salinha de espera que, sem dúvidas, poderia ter seu nome alterado para "salinha do desespero", ou, quem sabe, "salinha do pico das ansiedades", enquanto aguardava por notícias de Olívia e Alice, que havia entrado com minha afilhada para uma consulta cerca de meia hora antes.

Tente sentar um pouco, Bella, não adianta ficar assim disse Edward, lembrando-me de sua presença.

Tinha ficado surpresa quando percebi que ele não iria embora – e aliviada ao mesmo tempo.

É muito difícil murmurei, sentindo-me derrotada e impotente, e sentei-me ao lado dele Olívia é como a filha que sei que nunca terei, ela é como se fosse minha também, você entende? Escondi o rosto entre minhas mãos e apoiei meus cotovelos sobre minhas coxas quando não mais consegui controlar o choro.

Bella, bebês são assim mesmo, quando trabalhava como oficial vira e mexe tinha alguma ocorrência com eles Edward disse de maneira suave e pulei de susto quando senti suas mãos afagando minhas costas.

Encarei-o e ele me deu um pequeno sorriso. Surpreendi a mim mesma ao relaxar diante de seu toque, afinal de contas, aquela parecia ser mesmo a sua pretensão: me tranquilizar.

Sei que é difícil, porque você tem laços com a Olívia, mas tente ficar tranquila.

Edward me ofereceu sua outra mão, a que não estava ocupada demais acarinhando minhas costas e, através de seu olhar, percebi que estava curioso para me perguntar sobre minha fala.

Um pouco relutante, coloquei minha mão esquerda sobre a dele e meu corpo foi relaxando conforme sentia seu calor e toda a segurança que me passava. Pareceu ter sido o que bastou para dar-lhe coragem:

Por que disse que a Olívia é a filha que nunca terá?

As minhas bochechas coraram e me senti como uma garotinha acuada em seu primeiro dia de aula numa escola nova, quando todos os alunos a encaravam e prestavam atenção em cada respiração dada por ela. Só que, no meu caso, apenas Edward estava lá, embora seus olhares fossem tão desconcertantemente curiosos e intensos quanto os dos alunos hipotéticos.

É algo fisiológico, ou você não quer? ele me perguntou quando permaneci em silêncio, buscando as melhores palavras para explicá-lo.

Encontrá-las, no entanto, não era fácil, porque embora Edward fosse bem compreensivo, jamais tinha encontrado alguém que tivesse me entendido naquele aspecto – nem mesmo meus melhores amigos!

Acho que você não precisa saber disso, não é? murmurei. Ele, com certeza, se afastaria de mim e por mais difícil de admitir, não gostaria daquilo acontecendo.

Infelizmente, Edward estava se tornando algo próximo de "importante" em minha vida, e mesmo sabendo que jamais poderia dar o que ele demonstrava (às vezes) querer de mim, também seria ainda mais doloroso ficar longe dele. Claro, talvez, o que eu podia oferecê-lo não fosse o suficiente diante de suas expectativas e o respeitaria se ele mesmo quisesse se distanciar, mas não partiria de mim.

Não é como se você quisesse, ou estivesse pretendendo ter um filho comigo. Dei de ombros; ele suspirou e me encarou seriamente.

É só uma conversa normal, Bella. Por que parece sempre se esquivar quando tento me aproximar de você? Ou então fica na defensiva!

Porque é sempre bom manter uma distância segura respondi e senti um arrepio percorrer minha coluna ao perceber seus olhares hipnotizantes Há certos assuntos que são muito íntimos, por que se acha no direito de me cobrar uma coisa dessas?

Porque quero te conhecer melhor, porq... Nós somos parceiros, não somos? Edward pareceu mudar sua justificativa no meio da fala e se inclinou um pouco mais na minha direção, deixando-me atordoada.

E o que isso tem a ver com os motivos de eu ter ou não filhos no futuro? perguntei, corando e sentindo-me um pouco zonza devido à sua proximidade; podia escutar meus próprios batimentos cardíacos, cada vez mais fortes em meus ouvidos, e talvez fosse dizer mais alguma coisa, mas acabei esquecendo.

O filho da mãe percebeu minha reação e sorriu torto. Ele se inclinou mais e, para meu completo – nem tanto assim – horror, roçou os lábios bem nos cantinhos dos meus.

Você nunca vai entender murmurei, chateada, e me levantei com todas as minhas esperanças, de que ele fosse diferente, quebradas.

A primeira tentativa de beijo na lanchonete e depois aquilo! Edward podia até ser melhor do que a maioria, mas ainda assim era um homem; estava aliviada de continuar mantendo meus pensamentos e sentimentos para mim mesma. Seu gesto foi a confirmação que precisava para saber que ele, de fato, não me entenderia; ele não teria paciência, como todos os outros antes dele.

O lugar que ele havia encostado com os lábios estava queimando e uma parte de mim, estranha, praticamente me implorava para lhe ceder ainda mais. Mas eu não podia; já tinha visto desastres demais para saber que o melhor era me proteger ao máximo de situações parecidas.

16:20h

São da família de Olívia Hale? Um enfermeiro apareceu e concordei imediatamente com a cabeça, praticamente voando até onde ele estava.

Jasper, que havia acabado de chegar, me imitou e lançou milhares de perguntas ao rapaz, que ergueu as duas mãos, atordoado, e cutuquei meu amigo para calá-lo.

Olívia já foi medicada. A febre está baixando e sem o quadro de vômito, mas como se desidratou rapidamente, vamos mantê-la no soro, só por garantia. Se continuar evoluindo dessa maneira, deve ser liberada amanhã de manhã.

Suspirei, aliviada por aquela melhora, mas ainda preocupada com a pequena Liv.

Posso vê-la? Jazz perguntou. Ele havia passado de um homem super confiante, para um caco, e odiava vê-lo assim.

O enfermeiro assentiu. Jazz se virou para mim e me abraçou apertado. Retribuí, afagando suas costas e disse que passaria em sua casa para fazer uma malinha de roupas para os três.

Obrigado, Bella. Sabia que me agradecia não só por minhas novas intenções, mas também por ter ajudado Alice. Ele fungou e se desvencilhou de meu abraço para seguir o enfermeiro pelos corredores do hospital.

Voltei-me para Edward que tinha um semblante aliviado no rosto. Ele se levantou da cadeira e, com aquele clima tenso e estranho que nos rodeava, meneou com a cabeça para sairmos do hospital. Levou-me à casa de Alice e esperou pacientemente até eu pegar um pijama para cada um dos três e alguns artigos de higiene pessoal.

Depois, Edward fez a gentileza de me levar de volta ao hospital e, novamente, esperou até Jazz aparecer para eu lhe entregar a malinha. Nós voltamos para a delegacia em silêncio absoluto e antes que pudesse sair da viatura, estacionada em frente ao prédio onde trabalhávamos, ele segurou minha mão esquerda, impedindo-me de me mover.

Olhei-o curiosa; Edward tinha o semblante sério:

Me desculpe por hoje falou E pelo que fiz na lanchonete também. Ele estava tocando no passado, revirando um assunto que jamais imaginei discutirmos um dia Acho que interpretei mal a nossa proximidade, os sinais que você me dava.

Franzi o cenho. Sinais?

É óbvio que me sinto atraído por você. Ah, não! Edward estava mesmo se declarando (e eu estava assustada) Acho que, na verdade vai...

Por favor, não continue pedi, sentindo meus olhos marejarem. Meu coração estava disparado, porque parte de mim já sabia o que eu queria: o mesmo que Edward, algo que jamais poderíamos ter.

Ele me encarou e afagou minha mão, parecendo um pouco preocupado.

Só quis dizer que vou te respeitar, vou entender se quiser se afastar murmurou Não quero te impor nada, ou fazê-la desconfortável na minha presença. E que se quiser me contar, prometo fazer o impossível pra te entender.

As lágrimas, às bordas de meus olhos, não foram mais contidas e esqueci-me de toda a vergonha que provavelmente me abateria depois, por chorar na frente dele.

Não quero me afastar. Funguei e recebi mais alguns carinhos em minha mão Mas não quero que fique achando que posso te dar certeza sobre qualquer coisa. Não quero que perca seu tempo comigo, quando pode aproveitar alguém como Victoria, por exemplo. Alguém já pronto pra esse tipo de envolvimento.

Edward fez uma careta.

Não estou interessado nela. Nem um pouquinho; as duas semanas que trabalhamos juntos foram quase uma tortura disse em tom de brincadeira que também carregava seriedade.

Mas ela está interessada em você. E muito enfatizei e ele suspirou Eu realmente não espero que me entenda, e você não deveria prometer algo que não sabe se poderá cumprir.

Já prometi que farei o impossível e eu não estou brincando quando digo que irei cumprir minha promessa. Edward levou minha mão aos seus lábios e a beijou delicadamente.

Quis me jogar em seus braços e deixá-lo fazer o que quisesse comigo, mas aquele era justamente o perigo. Aquilo tudo era desconhecido demais e fazia parte dos meus maiores medos.

Levamos mais alguns minutos para sairmos da viatura e, já na calçada, Edward novamente me parou. Ele segurou meu rosto entre as mãos e esfregou os dedões suavemente em minhas bochechas. Demorei um pouco para entender que o fazia para enxugar minhas lágrimas e quase me derreti quando ele se inclinou e pressionou os lábios gentilmente em minha testa.

Gostaria de não me sentir tão segura ao lado dele, mas era simplesmente impossível. Como se cada poro dele exalasse carinho, confiança e segurança e eu estava, cada vez mais, me deixando ser envolvida por essas sensações.

26 de agosto, 15:00h

Sorri ao ver Olívia engatinhar em minha direção no tapete da sala. Ela estava melhorando cada dia mais desde o episódio do que os médicos denominaram como sendo uma "virose". Tinha ido visitá-la todos os dias desde que voltara para casa e depois de momentos angustiantes, estávamos animados em comemorar mais um mesversário dela.

Cadê a neném da dinda? perguntei numa voz infantil e ela "se apressou" até me alcançar.

Liv apoiou as mãozinhas em meus joelhos, e aproveitei para pegá-la e aconchegá-la em meu colo.

Te amo tanto, minha Princesa falei, apertando-a gentilmente em meus braços e beijando o topo de sua cabeça. Ela fez alguns barulhinhos de satisfação com a boca e mexeu as mãozinhas, parecendo bem feliz.

Como Liv ainda estava se recuperando, aquela comemoração seria bem íntima, o que se resumia a Alice, Jazz – que ainda ia chegar do trabalho – e eu (além da própria Olívia, é claro). Facilitava o fato de Demetri estar de plantão, então nem poderia ficar chateado por não ter sido convidado.

Então, me surpreendi quando a campainha tocou, perguntando-me quem poderia ser, pois Jasper com certeza tinha as chaves da própria casa. Foi Alice que, com um olhar de quem estava tramando algo, abriu a porta.

Olá, seja bem-vindo! ela disse, animada, e abriu passagem para quem quer que fosse.

Oi, Alice, muito obrigada!

Ofeguei ao ver Edward entrar pela porta com um pacote gigante e colorido em mãos. Antes que eu pudesse perguntar o que fazia ali, Olívia deu um gritinho, sorriu para ele e jogou o corpinho para frente, como se quisesse que ele a pegasse no colo.

Oi, Olívia, você está melhor? Edward perguntou em tom suave e colocou o pacote no chão antes de se ajoelhar na nossa frente.

Olívia riu e novamente se jogou para a frente, o que era super incomum, pois não era muito " dada" a estranhos.

Oi, Bella Edward me cumprimentou e suspirei. Desde nosso "momento" em frente à delegacia, me sentia um pouco envergonhada perto dele, por tê-lo mostrado tanta vulnerabilidade.

O que está fazendo aqui? perguntei surpresa.

Bella, que falta de educação! Alice ralhou comigo Ele também ajudou a salvar sua afilhada, achou que eu o deixaria de fora dessa comemoração?

Mas como é que vocês entraram em contato um com o outro? Não dei o número de ninguém!

Meu corpo se arrepiou conforme Alice sorriu maliciosa ao me responder:

Quem dá mole com o celular, recebe justamente o que merece.

Uau, tenho uma criminosa como amiga! falei em desdém e os dois apenas riram Vou te processar por invasão de privacidade.

Vai é me agradecer ela disse baixinho e piscou para mim.

Liv, então, passou a resmungar e a me "empurrar" com suas mãozinhas. Entendi que ela queria se ver livre de meu colo e a coloquei de volta sobre o tapete. Para minha indignação, ela começou a engatinhar na direção de Edward, que sorria e a incentivava com a mesma voz infantil.

Liv, você está me traindo, não faz isso com a dinda! choraminguei, mas, claro, ela nem me deu bola e continuou engatinhando até Edward.

Ele a segurou pelos bracinhos e a ajudou a se manter de pé por alguns instantes antes de também se sentar sobre o tapete e colocá-la em seu colo. A pequena vira-casaca gargalhou conforme Edward "conversava" com ela e, embora quisesse muito, não consegui ficar brava. Era irritantemente adorável vê-los interagindo daquela forma.

Olha o que eu trouxe pra você, Princesinha! Edward disse, todo babão, e apontou para a enorme caixa ao seu lado.

Olívia pareceu entender o que ele falou e esticou os bracinhos na direção do embrulho. Edward a puxou para mais perto e os dois começaram a rasgar o papel até a caixa, de fato, ficar visível. O presente era um "chiqueirinho" moderno, como uma piscina de bolinhas coloridas e uma espécie de cesta para o bebê jogar as bolas.

Como é que se fala, filha? Alice brincou, chamando a atenção de Olívia por uma fração de segundos, pois logo minha afilhada começou a tentar abrir a caixa, puxando as pontas para todos os lados com suas mãozinhas de bebê (ou seja, sem muito efeito).

"Obrigada, Edward" a própria Alice o agradeceu, até porque Liv ainda nem falava. Por outro lado, balbuciava como ninguém, e pareceu ficar frustrada com a dificuldade em abrir a caixa.

Seu cenho estava franzido e ela choramingou, mas não demorou para sorrir quando Edward a ajudou. Ele a colocou no chão para tirar o tal "chiqueirinho" da caixa e levou alguns minutos para montá-lo. Assim que terminou, espalhou as bolinhas dentro dele e uma Olívia curiosa e ansiosa começou a "cutucar" os bichinhos que enfeitavam as laterais do brinquedo.

Liv balbuciou algumas vezes até que Edward também a colocou ali dentro e ele, eu e Alice passamos o resto da tarde observando-a e brincando com aquela fofura. Meu amor por ela só crescia a cada instante e agradeci à todas as forças superiores por sua recuperação; vê-la bem e saudável não tinha preço, era tudo o que eu precisava.

20:00h

Respirei mais aliviada assim que Edward foi embora, só então percebendo o quão tensa ficava na presença dele. Alice, no entanto, não me deixava esquecê-lo:

Que carinhoso ele foi com a Olívia, né, Bella? Ele bem que podia ser o pai dos seus filhos, jeito com criança já vimos que ele tem.

Meus olhos se arregalaram e fiz uma careta de indignação, mas claro, não fui levada a sério, nem por ela, nem por Jasper, porque os dois sempre se juntavam contra mim.

Que é isso, Bella, o homem só faltou se jogar aos seus pés, isso quando não estava aos pezinhos da Olívia, né? Jazz disse em tom zombeteiro enquanto aninhava minha afilhada quase adormecida em seu peito.

Vocês dois são malucos falei indignada e já me levantei do sofá, onde estava sentada, pronta para ir embora Espero que não seja esse o exemplo que estejam dando à minha afilhada resmunguei, estreitando meus olhos para ambos quando eles começaram a rir.

Você já vai? Alice me perguntou.

Preciso do meu sono da beleza. Fiz a burrada de brincar com o tema e, obviamente, ela não deixou passar.

Pra seduzir o Edward, né? Tô sabendo das suas táticas.

Ignorei-a, mas algo completamente desconhecido e sinistro dentro de mim concordou com ela; fiquei até um pouco atordoada.

Tchau. Acenei para os dois, mas não saí antes de dar um beijinho em Olívia que, mesmo dormindo, esboçou um sorriso no instante em que meus lábios tocaram sua testa.

Fui para casa, tentando espantar as palavras de Alice, mas algumas imagens inevitáveis começaram a povoar minha mente. Eu, Edward, um bebê. O nosso bebê. Não podia negar que ele realmente tinha jeito com crianças – ou, pelo menos com a Olívia –, e sorria feito idiota a cada lembrança dos dois interagindo naquela tarde. E embora não fosse nada saudável, não conseguia não cogitar uma ínfima, mas ainda assim, uma possibilidade de que carregaria os filhos dele em meu ventre, algum dia.

Estava preparando um chá de camomila na cozinha, um pouco absorta em meus próprios pensamentos, quando papai chegou em casa. Só o percebi, pois ele balançou a mão na frente de meu rosto por alguns instantes e, ao olhá-lo, encarava-me preocupado.

Está tudo bem? perguntou-me e tocou minha testa em seguida.

Ri baixinho enquanto sentia minhas bochechas pegando fogo e apenas concordei com a cabeça, não confiando em minha voz para usá-la.

Papai me encarou por mais alguns bons minutos e suspirou antes de me abraçar de lado.

Está pensando em alguém?

Como ele sabia?

Papai, eu...

Você nunca olhou para alguém do jeito que olha para Edward, filha disse ele num tom cauteloso, como se estivesse com medo da minha reação (e deveria mesmo!).

Olhei-o de soslaio e papai fez uma careta.

Parte de mim quer mantê-la sob minha asa pelo resto de sua vida, mas outra me diz que já passou da hora de você sair do seu casulo disse sério.

Neguei com a cabeça. Não seria bom ficar vulnerável. Não era seguro.

Sinto muito por não ter cuidado de você nesse aspecto murmurou e franzi o cenho, um pouco confusa Nunca te incentivei a ser mais social, porque também sempre fui assim mais na minha, mas na sua idade já era casado e estava cons...

O senhor pode parar de se usar como parâmetro pra minha própria vida? Não faz o menor sentido! interrompi-o, um pouco brava. Eu não era o meu pai!

Chegou a falar sobre essas coisas na terapia?

Não é da sua conta! Estava exasperada com a curiosidade dele. Aquele era um assunto particular!

Não estou pedindo para entrar em detalhes comigo, Isabella! Foi uma pergunta razoável e já que está na defensiva, a resposta provavelmente é negativa.

Revirei meus olhos. Ele estava certo, mas ainda era muito cedo para eu me abrir tanto com uma pessoa (nesse caso, meu psicólogo) que havia conhecido menos de duas semanas antes.

Vou conversar quando me sentir pronta. Não adianta forçar a barra falei e me desvencilhei de seu abraço Boa noite.

Boa noite, Bella disse ele após um suspiro pesado.

Tomei meu chá num gole, e fui até meu quarto com um sentimento de frustração crescendo em meu peito. Estava sendo tão teimosa a ponto de não ouvir as pessoas que mais amava, ou eram elas quem estavam sendo desrespeitosas ao tentarem me convencer a mudar minhas escolhas? E essas mesmas escolhas eram tão enrijecidas, tão certas, que jamais poderiam mudar? Mesmo quando, dentro de mim, já sentia tantas mudanças, fosse Edward responsável ou não por grande parte delas?

Por que tudo parecia se voltar para ele? Meus pensamentos, minhas emoções e até... Meu coração, constatei, com um arrepio.

Sentei-me sobre meus lençóis e me sobressaltei com o vibrar do meu celular em minha mesinha de cabeceira. Ao desbloquear a tela, vi uma mensagem de Edward e abri-la colocou um sorriso largo em meu rosto. Era uma selfie que ele havia tirado comigo e com Olívia.

Nós três encarávamos a câmera sorridentes, ainda que com um certo esforço de nossa parte em fazer a pequena Olívia "cooperar" para a foto. Um novo arrepio percorreu minha coluna e me emocionei quando percebi que queria sim aquilo. Queria ter uma família, queria ter a compreensão de Edward e... Por mais difícil e doloroso que fosse admitir, o amor dele também.

Larguei o celular sobre a mesinha e me joguei na cama, lutando contra as lágrimas e entendendo que havia permitido Edward se embrenhar em meu coração de tal forma que me doeria muito mais vê-lo partir a deixá-lo saber de tudo.

Fechei os olhos e mesmo emocionalmente desgastada, demorei a pegar no sono. Foi só quando respondi a Edward – com um vergonhoso emoji de coração – que consegui finalmente dormir. E então entrei no mundo dos sonhos em que Gandalf estava vivo, mas não pertencia mais somente a mim. Meu cacto dividia sua vida comigo, Edward e aquele mesmo bebê com o qual havia sonhado cerca de dois meses antes.

28 de agosto, 10:15h, Laboratório de Necropsias

Edward e eu andávamos pelo Laboratório de Necropsias até a sala da Carmen, pois ela havia nos chamado para nos dar os resultados preliminares do caso de homicídio.

Eu estava uma pilha de nervos; tanto pelo caso em si – uma vez que poderíamos mesmo estar lidando com um imitador – quanto porque estar perto de Edward já me deixava naturalmente nervosa, e ainda mais depois de me dar conta de que eu queria deixá-lo saber de coisas mantidas em segredo por mim há tanto tempo. Ele infiltrou sua mão pela parte interior de meu braço esquerdo e me segurou pelo cotovelo, notei, numa tentativa de me acalmar.

Evitei sorrir e me concentrei em, de fato, me acalmar. Aquela não era a hora e aquele não era o lugar mais propício para revelações pessoais.

Assim que chegamos à sala de Carmen, percebi logo pelo seu semblante que era muito sério. Ela dificilmente nos solicitava a comparecermos lá pessoalmente, então, só podia torcer para estar errada.

No entanto, eu não estava. Carmen confirmou nossas suspeitas de que o modus operandi daquele assassinato havia sido executado de maneira exatamente igual aos das demais vítimas, sendo a desse caso identificada como Irina Denali. Jacob estava na cadeia e aquilo só podia significar duas hipóteses: realmente havia um imitador, ou ele era inocente.

Saí do Laboratório ainda pior, mais nervosa, como se minha cabeça estivesse prestes a explodir. Sempre estivera tão certa de minhas habilidades, da minha ética e de minhas experiências que me dilacerava saber que talvez tivesse cometido um erro.

Um erro que havia custado mais uma vida e, possivelmente, colocado um homem inocente na prisão.

Ei, Bella, não fique assim. Edward me segurou pelos braços e fitar seus olhos verdes só me deu vontade de chorar.

De novo, chorando na frente dele!

Se Jacob for inocente, ele está na prisão há mais de dois meses, porque eu o fiz confessar! murmurei com a voz embargada, enquanto ele me encarava preocupado.

Acredita mesmo que ele pode ser inocente? Edward me perguntou em tom mais suave que o normal. Ele sabia que eu estava prestes a quebrar.

De tudo o que eu fazia, sempre pude me orgulhar de minha honestidade e senso de justiça, levava o meu trabalho a sério demais, e ele sabia que jamais me perdoaria, fosse por aquela vítima, ou por uma prisão injusta.

As evidências dizem que não. Tentei ser racional e comecei a pontuar tudo o que me lembrava do caso.

Exatamente, Bella. Tinha DNA dele em tudo o que foi achado pela polícia; ele foi reconhecido pela vítima que escapou; tenho certeza de que essa prisão foi justa, e quem quer que tenha matado Irina, nós vamos pegá-lo. Edward me envolveu num abraço apertado e confortavelmente aconchegante.

Deitei a cabeça em seu peito e suspirei quando inspirei seu cheiro amadeirado levemente misturado com hortelã; a primeira vez me que dava tanta importância ao fato de ele ser cheiroso. Retribui seu abraço pela primeira vez e me senti tão acolhida e – como sempre – segura. Num misto de sentimentos, detestava e adorava, ao mesmo tempo, perceber que Edward, aos poucos, se tornava cada vez mais o meu porto seguro.

Ele beijou minha testa com o carinho de sempre, num gesto que estava se tornando quase que um hábito, e, num ato impensado, entrelacei nossos dedos, sorrindo ao sentir as batidas de seu coração se acelerando. Talvez, se eu fizesse Edward gostar o suficiente de mim, ele realmente me entenderia.


N/A: Coitadinho do Gandalf, mais alguém tem alguma plantinha/objeto de "estimação"?

O que vocês estão achando do desenvolvimento de Bella e Edward, será que ela vai mesmo se abrir com ele?

Quero muito saber o que vocês estão achando, para isso, basta deixar um comentário que vocês me farão muito feliz!

O próximo capítulo deve sair ainda nesse final de semana, ou, no mais tardar, após a terça-feira (do dia 27/9).

Nos vemos lá!

Beijos,

Mari.