Distração
Saga acordou repentinamente, sentindo beijos e lambidas em sua orelha. É claro que era o Kanon...
- Saguinha...
- Hun... que é, Kanon? Para de encher o saco...
- Eeeeeeei, eu encho o saco, é isso?!
- Quando vem desse jeito, enche sim...
- Hum... reclama de carinho, Saguinha? Qual o problema afinal de contas?
- O problema é que, mesmo já tendo trinta e seis anos, você só pensa em sexo... pensei que com a idade isso ia melhorar em você!
- Acho que tenho a resistência física maior que a da maioria dos homens... não é, Saguinha?
- E vem me torrar a paciência...
O gêmeo mais novo beijava e osculava o pescoço, as orelhas, o rosto de Saga... e uma hora chegou à boca. Beijou-a com vontade, enfiando a língua e... e roçando o membro já duro na coxa do gêmeo.
- Kanon! Olha esse pau como já está!
- Huuuuuuun...! Tô com vontade, Saguinha!
- Mas eu não quero, Kaninho. Deixa eu levantar.
- Só um pouquinho, vai!
- Não, Kanon! Eu preciso levantar! Tenho muitas coisas a fazer! Já te disse que o cargo de Grande Mestre é muito mais demandante do ponto de vista das responsabilidades! E você como é o "Segundo" sempre fica com menos responsabilidades!
- Como sempre, né, Saguinha? Aliás, eu sempre fui parte das suas responsabiidades! Vai, Saguinha! Me dá um alívio rapidinho...
- Agora não!
Sem ceder aos apelos do gêmeo, Saga saiu da cama e não cedeu. Em seguida foi ao banho, se fechando lá dentro do banheiro sem deixar o companheiro entrar.
- Ô Saga! Poxa, era só uma rapidinha!
Sabendo como era a personalidade do mais velho, Kanon entendeu que não ia conseguir nada com ele. Bufou emburrado e fechou a cara, chateado. Quando Saga saiu do banho, já se vestiu e foi tomar o desjejum. Já o mais novo foi olhar como estavam as filhas¹, deixou-as com a ama, tomou o café e foi ficar na Sala do Mestre, ainda emburrado. Depois de todo aquele "banho de água fria" vindo do parceiro, seu "amigo" já havia descido há muito tempo.
- Saco! Era só uma vezinha!
Ficou assim, cismando consigo mesmo, até a própria Atena passar por ali e reparar como ele estava.
Todos sabiam que Kanon era muito amado por Atena, inclusive ele próprio. O gêmeo mais moço fora um dos únicos a ser diretamente cuidados por Atena², e isso fizera com que ele passasse a servi-la e a amá-la de forma incondicional.
Então, desde que ele e Saga voltaram à Terra - por ordem dela mesma - Atena se preocupava muito em ver como ele se sentia. Alguém com o passado de Kanon não merecia mais sofrer.
Foi por isso que a deusa foi até ele e quis saber o que o aborrecia.
- Kanon, o que você tem? Aconteceu algo de grave e não quer falar?
O caçula se sentia muito acolhido por Atena. Portanto, replicou a ela com muita naturalidade e sem nenhuma cerimônia:
- Minha senhora, o Saga não quer transar comigo!
A deusa ficou vermelha, azul, roxa, tudo ao mesmo tempo. A seguir, tentou replicar, ainda um pouco sem graça:
- Ern... vocês então tem que conversar sobre isso, não é?
- Temos. Mas ele não quer na frequência que eu quero!
- Quer que eu vá falar com ele?
- N-não, que é isso! Não precisa não, não se dê ao trabalho!
- Você é quem sabe, sim?
Tendo dito isso, a deusa saiu da Sala do Mestre. E entrou na sala na qual Saga redigia os relatórios...
- Saga? Tem um minuto para falar comigo?
Respeitoso, como sempre era diante da deusa, o Santo de Gêmeos replicou enfim:
- Claro que tenho, minha senhora! Para si, todos os minutos do mundo! Em que posso lhe ser útil?
Ela não teve coragem de falar em voz alta. Pediu, portanto, a ele, que se abaixasse para que ela lhe falasse ao ouvido. Ele assim o fez, e quando a deusa enfim lhe disse do que se tratava, Saga ficou vermelho, roxo, azul, cor de rosa... assim como Atena havia ficado antes.
- E-er... eu vou falar com ele.
E, sem conseguir olhar nos olhos da deusa, por vergonha mesmo, o primogênito saiu da sala e foi ter diretamente com o irmão. Quando o encontrou, ainda macambúzio, cismando na cadeira do Grande Mestre, apenas lhe fez um gesto com a cabeça, indicando que queria falar com ele em particular no quarto de dormir de ambos. O mais moço assentiu e o seguiu.
Ao lá chegar, logo após trancar a porta, Saga logo lhe passou um sermão:
- Kanon, você é imbecil?!
- M-mas o que eu fiz desta vez-
- Você falou pra própria deusa que eu não quis transar com você!
- E-ela foi falar com você, foi?
- É claro que foi! Kanon, você só sabe me envergonhar?!
- Ah, Saguinha... eu tava precisando desabafar!
- E justo com a deusa que é conhecida por sua eterna virgindade? Kanon, isso não é coisa pra ficar se falando com Atena!
- Bom, eu não tenho culpa se ela não tem a desenvoltura de Afrodite, por exemplo...
- Também não precisa exagerar! Olha, quer saber? Tira logo essa roupa!
- A-assim de repente, Saga?
- Pois se isso chegou até mesmo nos ouvidos da deusa... vamos logo resolver esse impasse!
Kanon, o qual nem estava mais com tanta vontade, de repente se viu aceso de novo. Começou a tirar a roupa, mas logo foi interpelado pelo gêmeo-amante, o qual subiu em cima de si e o beijou com vontade. Quando decidiu que iam transar, Saga de repente foi tomado por uma vontade enorme, e por isso se dedicava ao ato com muito vigor. O caçula o abraçou, já meio despido, e novamente com uma ereção de dar inveja a muita gente...
Não demorou muito para que ambos estivessem já nus, já em amassos bastante intensos e muito prontos para o ato. Logo, Kanon passou as pernas pelos quadris de Saga, convidando o companheiro a entrar em si num gesto sem palavras. Eles, na condição de gêmeos e amantes desde a adolescência, sabiam o que um e outro pensavam somente por se olharem. Saga, portanto, penetrou Kanon, a lubrificação de seu membro já sendo suficiente para que a invasão não fosse dolorosa, bem como a experiencia que tinham no corpo um do outro. Não demorou muito para começarem a se mover juntos, no mesmo ritmo, sem que nada precisasse ser dito para que isso ocorresse.
Estavam naquele vai-e-vem delicioso, as bocas e beijando com fervor e paixão, quando um dos destacamentos de soldados passou ali por perto, marchando. O som metálico das sandálias deles incomodou o gêmeo mais novo, o qual já estava incomodado antes por ter adiado o sexo:
- Mas que saco! Será que não se pode nem trepar direito nesse santuário?!
- Kanon! Olha a boca!
- Hunf! Você aí, com a rola enfiada em mim, me torando, e se preocupa comigo falando de trepar! Larga de ser chato, Saga!
- Eu não gosto de linguajar chulo!
- Sei... mas de fazer você bem que gosta...
Ambos voltaram a se beijar e ao ritmo gostoso do ato que desempenhavam tão alegremente, quando novamente soldados passaram marchando. Kanon ficou nervoso outra vez, voltando a praguejar:
- Mas que merda! Por que esses infelizes cismaram de marchar bem aqui?!
- Kanon, para de me desconcentrar...
- Quem está nos desconcentrando são os soldados!
Os gêmeos tentaram voltar ao ritmo anterior, quando novamente passou um regimento marchando. Impaciente, Kanon afastou Saga de si, vestiu um roupão e foi lá fora passar um sabão nos guardas:
- Ei, caralho! Parem de marchar por aqui! Eu estou tentando trepar, sabiam?!
De uma só vez, todos os soldados ficaram vermelhos, azuis, roxos, cor de rosa... até a hora em que um deles conseguiu responder, num tom um tanto quanto tímido:
- E-ern, meu senhor, não podemos passar lá por baixo pois o caminho até lá está obstruído pelas rosas de Afrodite...
- Pois deixa que eu resolvo já esse negócio! Afrodite! Ei, Afrodite! Isso que dá eu falar da "desenvoltura" da deusa homônima! Afrodite!
Logo, a voz do Cavaleiro de Peixes reverberou, alta e clara:
- Que é, escandaloso?!
- Olha como fala com o Grande Mestre Adjunto!
- Não deixa de ser escandaloso por causa do título... enfim, que é?
- Os soldados não conseguem passar por causa das porcarias das suas rosas e ficam marchando logo embaixo da minha janela! E o problema é que eu quero dar, cacete! Como que um ser humano goza em paz com barulho de um monte de homem marchando?!
Afrodite, ao contrário dos outros, não ficou de cores diferentes. Ele não era pudico, embora tivesse a aparência delicada. Simplesmente respondeu:
- Kanon, eu não tenho nada a ver com as suas gozadas. De mais a mais, minhas rosas estão aqui porque preciso proteger a casa de invasores. Houve rumores de que havia invasores adentrando o Santuário, sabia? E como é que o Senhor Grande Mestre Adjunto não sabe de informação tão importante?!
- E-ern...
- Se pensasse um pouco com a cabeça de cima, saberia!
- Ah, isso não interessa! Enfim, vamos lá, libere o caminho ao menos pros soldados, vá!
- Pois sim... eu abro o caminho! E aí você poderá "abrir outras coisas" em paz... hunf!
Em breve, os soldados passaram e Kanon enfim voltou ao quarto. Quando entrou no quarto, viu Saga ainda ficando vermelho, roxo, azul, cor de rosa... tudo porque ouvira com muita clareza o linguajar chulo do gêmeo em relação aos demais.
- Kanon, você me envergonha muito! Olha como fala!
- Deixa pra lá, Saguinha. Ao menos já resolvi. Vamos lá, vamos terminar o que começamos.
O caçula ja ia beijar os lábios do amante, quando reparou que ele permaneceu imóvel.
- Saga? Que foi?
- Você me brochou completamente com esse seu palavriado! O "negócio" desceu!
- O queeeeeee?! Ah não, depois de tudo isso eu não vou ficar sem o meu sexo! Vamos Saguinha, eu te ajudo a fazer subir de novo!
E, ainda muito direto e sem cerimônias, Kanon foi ao membro do gêmeo e o chupou devagarzinho, lambendo a glande, em seguida lambendo o corpinho... e depois colocando tudo na boca e chupando com muita vontade. Não demorou muito para que Saga ficasse completamente duro outra vez...
- Huuuuun... Vamos, Kanon, vamos antes que aconteça alguma coisa e nos interrompa novamente!
- Vamos!
Feliz e disposto outra vez, Kanon deitou embaixo de Saga e deu gostoso pra ele. Logo, o ritmo se intensificou e eles se beijaram e se acariciaram intensamente.
- Kanon, como você é maravilhoso...!
- Queria saber como você é capaz de brochar com um homem tesudo como eu...!
- Você fala muita besteira... mas em compensação... é delicioso! Ah, Kanon!
- Vai Saga... mete gostoso... mete!
Ambos os gêmeos se abraçaram forte e, Saga segurando na mão esquerda de Kanon com a sua direita, ambos gozaram, os corações batendo forte, as bocas clamando de prazer, os corpos se retesando de gozo e em seguida relaxando, suados e pulsantes.
- Ai, Kanon... vou precisar de outro banho, tá vendo?
O caçula sorriu:
- Sim! Vamos ambos ao banho! Lá a gente faz mais alguma brincadeirinha... até parece! Brochar comigo... sei! Temos que corrigir isso!
O mais velho sorriu, e então os gêmeos transaram mais uma vez no banho, sorrindo, felizes um com o outro.
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Algumas horas mais tarde, Atena passou pela Sala do Mestre outra vez. Encontrou Saga e Kanon sorrindo feito bobos, dando leves selinhos um no outro. Ela também sorriu. Embora fosse celibatária convicta, gostava e apreciava muito o amor dos dois. Pigarreou para se fazer presente, e ambos os Grandes Mestres tomaram postura séria - especialmente o mais velho, o qual logo a reverenciou e cumprimentou:
- Salve, minha senhora! Necessita de nossos préstimos?
- Ahn... não. Apenas queria avisar que os invasores já foram repelidos pelos soldados rasos, antes mesmo de adentrarem o Santuário.
- Sim, claro! Os invasores! Kanon, era por isso que eu não queria... fazer "coisas" de manhã! Eu já havia sido avisado dos invasores e por isso ia tomar as medidas necessárias para rechaçá-los! Você sempre me atrapalhando!
Atena sorriu:
- Deixe, Saga. Não era coisa de grande preocupação, até porque o impasse foi resolvido rapidamente. E de qualquer forma, de vez em quando é bom se distrair um pouco!
Novamente Saga ficou vermelho, roxo, azul, cor de rosa... mas Kanon sorriu ao se ver com o aval da deusa!
- Tá vendo, Saguinha? Você só liga pro dever...
Antes de ir embora, a deusa enfim arrematou:
- Mas de qualquer forma, é bom fazê-lo com um pouco de moderação... não é, Kanon?
Saga olhou para o gêmeo com olhar de "Não falei?", mas o caçula apenas sorriu, como se somente com o olhar dissesse: "Eu sou assim mesmo, até parece que vocês não sabem!"
FIM
OoOoOoOoOoOoOoOoO
¹Na fic "Paternidade", os gêmeos também tem filhas gêmeas, rssssss! Por inseminação, com mulher - não se preocupem, não houve sexo e portanto eles não se traíram. Rsssss!
²Acho que vocês já sacaram, mas vou explicar mesmo assim: foi na ocasião da prisão de Kanon no Cabo Sounion. Nem Aioros foi cuidado de maneira tão direta quanto ele, rssssss! Acho que cuidado igual o Kanon, só o Seiya!
Ai geeeeeeeente, eu tava com saudades de escrever esses ecchis com o Kanon maluco e sem noção, rssssss! As minhas últimas fics foram tão sérias e angst, que essa eu tive que fazer mais leve e de comédia!
Até o Dite entrou na parada! Kkkkkkkkkkkkkkkk!
Beijos a todos e todas! Espero ao menos voltar com um pouco do ânimo de dez anos atrás, rssssss!
