Who Taught You How To Hate

Tell me now, who taught you how to hate?

Because it isn't in your blood

Not a part of what you're made

So let this be understood

Somebody taught you how to hate

When you live this way, you become

(You become)

Ouço a porta da frente abrir e um sorriso triste se desenha em meus lábios — o som foi baixo o suficiente para eu possa concluir que ele tentou passar despercebido. Mas não hoje, Severus.

Há semanas, ele tem chegado tarde em casa. Tenta esconder de mim as roupas sujas de sangue e suor, mas feitiços domésticos nunca foram seu forte. E, considerando a situação em que as roupas têm ficado, nem mesmo os meus feitiços têm conseguido deixá-las impecáveis.

Ele sobe as escadas e, antes de continuar, espia dentro do meu quarto, pela porta entreaberta.

— Mãe? O que a senhora está fazendo acordada?

Sinto o cheiro desagradável de álcool. Ainda não posso ver seu rosto, não na penumbra da madrugada, então me inclino para acender o abajur ao lado da cama.

Severus usa os cabelos para esconder seu rosto, mas isso já é um movimento comum. Estranha é sua postura: está tão ereto, altivo, seus braços escondidos nas costas. Tão diferente do meu menino tímido.

— Severus, onde estava?

— Com alguns amigos.

Sei bem o tipo de amigo que ele está se encontrando.

Quando finalmente deixa o batente da porta e entra para me cumprimentar, parece que sua figura fica ainda mais imponente. Quase não suporto o cheiro de suor e bebida. Novamente questiono:

— Quais amigos?

Seu corpo tensiona. A resposta está tão clara.

— Malfoy e Lestrange. Mãe, vou dormir. Precisa de alguma coisa?

Onde meu menino foi parar...?

— Severus? — Ele já está se virando, mas para quando o chamo — Quem te ensinou a odiar?

A pergunta fica suspensa por alguns segundos. Quase posso sentir o peso das palavras no ar e, por mais que tenha pensado que gostaria de saber a resposta, quando ela vem, sinto-me estilhaçar:

— Você, mãe.

Assustada, sussurro:

— Eu...? Mas...

— Todas as vezes que Tobias levantava a mão para você e, ao invés de revidar, você aceitava que ele te machucasse.

Eu me levanto em um rompante. Preciso colocar alguma distância física — metafísica — entre nós. Viro-me e busco a janela do quarto. A madrugada está estranha: há estrelas, mas seu brilho não parece ser suficiente para ofuscar as nuvens carregadas. Talvez chova.

— E então, todas as vezes em que tentei impedir, protegê-la do que ele era capaz de fazer, a senhora permitiu que ele me espancasse. Lembra-se do primeiro braço quebrado?

Sinto o ar escapar dos meus pulmões. Não, não quero me lembrar dos erros que cometi. Não posso ouvi-lo apontar todas as minhas falhas. Tento responder, mas não consigo formular nenhuma palavra e sou obrigada a ouvi-lo continuar:

— Cada uma das vezes que ele voltava, rastejando entre pedidos falsos de desculpa, você o aceitava. Foi você quem me ensinou a odiar, mãe.

CHEGA! — Finalmente, um grito desesperado escapa dos meus lábios.

Encolhida, sussurro:

— Você sabe que eu fiz questão que o fim dele fosse tão doloroso quanto o quê ele nos fez passar, Severus...

— Não a tempo suficiente, mãe.

Ouço um estampido alto e então, o silêncio. Dessa vez, sei que ele não vai mais voltar.