Never Wrong

How could you let it end up this way?

Is there really nothing more you can say?

I'm not taking

Another fucking dose of your denial today

I'm not willing to deal with someone

Who insists that they can never be wrong

So, just keep on talking to the wall

Because I'm walking away

— Você, mãe. — Depois de dizer as palavras em voz alta, eu sabia que não tinha mais volta.

Esse sempre foi um assunto velado entre nós. Você cuidava dos meus machucados de forma trouxa — apenas quando ele saía, você se atrevia a usar sua varinha. Em silêncio.

Naquela época, eu não tinha a maturidade necessária para compreender o seu silêncio. Achava que você tinha medo que, se pronunciasse qualquer feitiço em voz alta, Tobias acabaria descobrindo e uma nova rodada de humilhação começaria. Agora, quando deixo que a verdade escape de meus lábios, entendo o seu silêncio: você sente vergonha. E sua vergonha, é meu combustível.

— Todas as vezes que Tobias levantava a mão para você e, ao invés de revidar, você aceitava que ele te machucasse. — Como é bom poder falar tudo que sempre ficou implícito, naqueles momentos em que você cuidava de um lábio ou sobrancelha cortados.

Quando você me dá às costas, sua silhueta se encolhendo dentro de sua própria insignificância, eu me sinto rejubilar. É quase tão bom quanto sentir o poder que a Marca Negra me traz — nesse momento, sinto-me invencível.

— E então, todas as vezes em que tentei impedir, protegê-la do que ele era capaz de fazer, a senhora permitiu que ele me espancasse. Lembra-se do primeiro braço quebrado? — Oh, sim... Sei que a senhora se lembra. Vamos lá, mamãe, só mais um pouco. Até onde você aguenta ouvir que a culpa, no final, era sua?

— Cada uma das vezes que ele voltava, rastejando entre pedidos falsos de desculpa, você o aceitava. Foi você quem me ensinou a odiar, mãe.

CHEGA!

Seu grito me assusta, e é o suficiente para que eu perceba o quão longe fui. Você se vira e vejo seu rosto banhado em lágrimas. De repente, não me sinto mais tão vitorioso assim — mas agora, não tem como voltar atrás. Está dito e, apesar de eu me sentir assustadoramente vazio, é quase melhor do que manter a verdade oculta.

— Você sabe que eu fiz questão que o fim dele fosse tão doloroso quanto o quê ele nos fez passar, Severus...

Eu sei, mamãe. Eu sei, porque acompanhei todo seu sofrimento de perto. Quando ele desmaiava pela bebida, era no seu colo que eu deitava e aproveitava as poucas horas de paz que teríamos, até ele voltar a acordar. Eu sei, porque quando você deixou apenas algumas gotas caírem no copo, era eu quem estava do seu lado, ajudando seu braço a não tremer e derramar o veneno pela bancada da cozinha. Eu sei, porque quando as autoridades trouxas chegaram e constataram que Tobias teve um mal súbito, fui eu quem cuidei de tudo, para que a senhora pudesse ter um pouco de paz. Eu sei, mamãe...

— Não a tempo suficiente, mãe. — Eu só percebo a acusação que deixa meus lábios, depois que ela ecoa em meus ouvidos.

A dor que vejo estampada em seus olhos — tão negros, quanto os meus — é insuportável de aguentar. Aparato e, pela primeira vez, deixo você sozinha.