Tyrant

Can we make amends?

Do we just pretend that we're over all the violence?

Are we done with this?

Put it all to rest, turn the screams now into silence

Will you be a man? Can you make a stand?

Will you own up or deny it?

All the time we lost, was it worth the cost

Of breaking our family in two?

Destroyed all we knew

Estou parado na varanda de casa, pesando os prós e contras de bater na porta. Parece errado aparecer assim, depois de tantos meses sem mandar notícias, mas antes que eu continue travando essa patética batalha mental, ouço um estrondo dentro da casa e, em poucos segundos, estou abrindo a porta com violência. Na cozinha, encontro minha mãe caída no chão, tentando se levantar.

— Mãe!

— Severus...

Seguro seus braços, ajudando-a a se erguer. Contudo, percebo que algo não está certo. Quando foi que ela emagreceu tanto assim?

— Venha, mãe, eu vou te ajudar a sentar.

— Não! Deixe-me preparar um café, já está tudo bem.

Ela se solta delicadamente, dando uma batidinha nas minhas mãos, abrindo um sorriso imenso. De repente, não parece nem um pouco estranho que tenhamos ficado meses sem nos encontrarmos. Seu sorriso é tão bonito e sua receptividade é tão genuína, que parece que eu estive fora por apenas algumas horas.

— É você mesmo, filho? Ou perdi a razão? — Sua voz vem em um sussurro, e eu forço um sorriso em resposta.

— E sorrindo! Só pode ser fruto de uma alucinação! — Ela zomba, virando-se com dificuldade e começando a preparar o café.

Observo melhor sua figura. Está mais magra do seria saudável; seus cabelos estão presos em um penteado, mas consigo ver algumas falhas. A princípio, penso que são mechas brancas, mas cerro os olhos e vejo que, na realidade, é seu próprio couro cabeludo. Assim que ela abre o armário para buscar as xícaras, vejo várias caixas de remédio. Um mau agouro se instala em meu peito, e eu preciso engoli-lo em seco antes de perguntar:

— Mãe? — Ela me olha por sobre o ombro — O que são esses remédios?

Ela desvia o olhar para onde estou apontando, e solta um longo suspiro. Demora a me responder, ocupando-se com a organização da mesa do café. Eu estou chegando no limite da minha paciência, mas ela parece muito concentrada em servir duas generosas xícaras. Somente quando estão devidamente adoçadas, é que ela volta os olhos na minha direção: estão opacos, uma melancolia tão pungente que eu me sinto tragado para dentro deles.

— Eu ia te mandar uma coruja... Mas nunca parecia ser o momento apropriado. — Aqueles dois olhos negros ficam fixos nos meus durante toda sua fala. Neles, há muito mais do que palavras conseguem traduzir.

— Os médicos disseram que é irreversível. Leucemia, mas posso ter entendido errado. — Ela finalmente desvia o olhar, voltando sua atenção para o armário da cozinha — Os remédios ajudam, mas na última consulta, o doutor disse que tenho, no máximo, mais seis meses.

Eu preciso travar a mandíbula e cerrar os punhos, para conter a dor que se espalha por todo meu corpo. Mas, antes que eu possa ser engolido pela tristeza contida em suas palavras, acabo falando:

— Consegui o trabalho de professor em Hogwarts.

Mamãe abre o sorriso mais bonito que já a vi dar. Em segundos, está gargalhando, e acabo sendo contagiado por sua alegria.

— Tenho orgulho de você, meu filho. Muito!